miseong
a pior hora pro chuveiro estragar foi justo quando miseong tava tomando banho e lavando o cabelo rapidinho porque tava atrasada pra sair. depois de xingar muito, porque teria que pegar água gelada no tanque lá de fora pra terminar de tirar o sabão do cabelo, descobriu também que o pai deixou a mangueira presa na torneira. ela até podia ir buscar a ponta dela pra usar, mas pra isso precisaria se meter no mais novo canteiro da casa e ela não estava lá muito interessada em sujar os pés ou perdendo tempo lavando a ponta da mangueira pra não acabar jogando terra pro cabelo. sua última opção foi ligar pra mãe.
diz ela que iria achar alguém pra ir até lá pra arrumar o chuveiro e que era pra esperar. nami, então, fechou bem o roupão de banho, ajeitou a toalha que tava enrolada na cabeça e sentou na varanda pra esperar a ajuda. torcia para que fosse alguém conhecido, assim ela não precisava ficar se preocupando tanto com o fato de estar sem roupa esperando pra entrar no chuveiro de novo. mas se não fosse, também não tinha problema porque não era como se miseong tivesse vergonha na cara.
só queria que fosse rápido. ela tinha mesmo um compromisso muito importante.
Tinha dia que o telefone na casa de fazenda da familia Goon parecia telefone de delegacia, tocando toda hora. A maioria dos casos era gente querendo ajuda do menino pras coisas, então quando a mãe atendia já era com a cabeça pra fora da janela gritando “ô menino, vai lá fazer uma coisa!” e Hakseo já largava de comer fruta em cma da árvore pra acudir alguem na vila. Ele não se incomodava, inclusive esses serviços ajudavam a botar comida na mesa e aí seus pais não precisavam trabalhar até cansar. Hakseo gosta de ajudar.
“Eu vô, mãe!” Ele berrava de volta, pulando da árvore pra ir selar o cavalo e se mandar pra vila. Só uns quinze minutos de viagem, chegava rápido. Pelo que a mãe explicou de alguma coisa de chuveiro ele já pensava que era a resistência. A caixa de ferramentas ia na parte de trás da sela. Bota, jeans, boné, cabresto na mão e Hakseo ia pro rumo da vila.
“Deve ser rápido esse serviço, Sachon.” Ele disse pro cavalo, galopando de leve. “Aí epois a gente vai te arrumar umas cenouras.”
Só que quando Hakseo chegou no destino, na casa, e viu a Miseong sentada se toalha na varanda ele já começou a rir antes do cavalo parar. Pelo que a mãe tinha dito, ele achava que ia arrumar o chuveiro da dona Na, não da filha.
Quando Sachon parou na frente da varanda cavando os cascos no chão, Hakseo tava quase caindo de costas pela bunda do cavalo de tanta risadinha.












