Era Uma Vez… Uma pessoa comum, de um lugar sem graça nenhuma! HÁ, sim, estou falando de você MAYARI 'YARI' BASILIO-CADOGAN. Você veio de LONDRES, INGLATERRA e costumava ser UMA CANTORA DE POP-ROCK por lá antes de ser enviada para o Mundo das Histórias. Se eu fosse você, teria vergonha de contar isso por aí, porque enquanto você estava ESCREVENDO MÚSICAS SOBRE SUAS EXES E CAUSANDO POLÊMICA NA INTERNET, tem gente aqui que estava salvando princesas das garras malignas de uma bruxa má! Tem gente aqui que estava montando em dragões. Tá vendo só? Você pode até ser SIMPÁTICA, mas você não deixa de ser uma baita de uma MIMADA… Se, infelizmente, você tiver que ficar por aqui para estragar tudo, e acabar assumindo mesmo o papel de A CRIADA DE JASMINE na história ALADDIN… Bom, eu desejo boa sorte. Porque você VAI precisar!
Sempre teve tudo o que desejou em sua vida e ainda mais. Com duas mães muito carinhosas e ricas, algo que influenciou toda sua vida, não sentia realmente falta de nada. Tinha a liberdade de experimentar o que desejasse, o que resultou em um conjunto de aulas abandonadas pela metade quando mais nova: balé, apesar de levar jeito, porque era muito entediante com o passar do tempo; patinação porque... Bem, não era tão parecido com balé quanto diziam e quebrar o braço havia sido traumatizante. Vôlei era cansativo demais, além de que sua cabeça parecia um grande imã para boladas e karatê destruía todo seu esforço com suas unhas quando já era mais velha um pouco. A única atividade que realmente lhe fazia feliz era a aula de canto.
Uma coisa levou à outra e logo tinha um violão em suas mãos. Uma guitarra. Um baixo, um piano... Nenhuma de suas mães trabalhava com a indústria da música, mas isso não impedia que tivessem seus contatos no meio. Foi graças a eles e suas intervenções que Mayari não debutou como cantora precocemente com músicas de caráter muito duvidoso, o que poderia ter enterrado sua carreira antes mesmo de começar. Isso não foi o suficiente, entretanto, para contê-la no auge de seus dezesseis / dezessete anos, quando teve seu primeiro coração partido e postou um vídeo cantando uma música de criação própria durante a madrugada. Graças ao peso de seu nome e de suas mães, conseguiu algumas milhares de visualizações antes do material ser derrubado pela manhã em nome das matriarcas.
O evento se repetiu mais umas duas vezes antes de seu debut oficial aos vinte anos, o que ajudou a ter um pouco mais de visualizações do que o esperado em seu primeiro clipe. A estratégia de sua equipe de esperar o momento certo de explorar a paixão com que falava de seus sentimentos também foi um ponto chave, aliada ao marketing e às promoções pagas por suas mães para que aparecesse em revistas e programas. Não demorou para que conquistasse uma base sólida de fãs, começasse a fazer seus shows solos, saísse em turnê... Arrumasse briga na internet com ex, tivesse seu primeiro escândalo, as violações de privacidade... Bem, era um preço a se pagar, não é?
Quando sua equipe recebeu o livro naquela manhã, ninguém pensou que fosse mais do que um presente de algum fã. Sua assessora disse que deixaria em seu camarim para que visse após o último show de sua turnê mais recente, junto a todos os outros, e Yari sequer havia olhado em sua direção para saber o que era. Ninguém poderia imaginar que um acidente com uma das luzes do show traria uma experiência de quase morte à garota, assim como ninguém poderia imaginar que desapareceria no instante em que ficasse sozinha em seu camarim enquanto os médicos eram acionados para garantirem que tudo estava bem. Não fazia sentido, não é? E era exatamente por isso que a única explicação para o que vivia no Mundo das Histórias seria estar em coma.
Aurora se aproximou do palco, chegando perto o suficiente para que Mayari notasse a sua presença. Apoiou as mãos na beirada, ergueu o corpo sobre os saltos, e esperou que a garota se abaixasse para ouvir o que a princesa queria lhe dizer. Não era a maior fã dos perdidos e nem mesmo sentia qualquer vontade de se relacionar com eles, mas desenvolvera uma amizade — se é que poderia chamar disso o que tinham — diferente com a cantora, inicialmente atraída pela compleição bonita dela e então pela voz doce, à qual o elogio anterior cabia na mesma intensidade. Olhou para os dois lados, certificando-se que ninguém prestava atenção nelas (e por ninguém referia-se a Diaval) antes de lhe pedir: "Pode cantar uma para mim? Algo do seu mundo que você gostaria de dedicar para a sua princesa favorita para dizer que sentiu saudades dela." Curvou os lábios carmesim, um lampejo malicioso perpassando a sua expressão.
Nunca fora particularmente conhecida por sua inteligência emocional, o que era uma coisa positiva se encarasse pelo lado de sua carreira — todo mundo sabia que noventa por cento de suas músicas eram escritas em momentos de surto após algum término, ou quando começava a se apaixonar novamente por alguém. Naquele mundo novo, entretanto, havia prometido para si mesma que seria melhor nesse aspecto... Até acabar se envolvendo com Aurora. Merecia um prêmio pelas piores decisões já tomadas em vida, às vezes! Fora pega de surpresa com sua presença no Sinister Mirage naquela noite, principalmente após tantas semanas sem qualquer tipo de contato. Evitou permitir que seu olhar permanecesse atraído por sua silhueta durante o restante da música que cantava naquele instante, porém, com sua aproximação ao final da mesma, se viu buscando a garrafinha de água daquele lado do palco, ao contrário da mais próxima. Manteve sua expressão impassível, entretanto, ou o mais próximo disso que conseguia — sempre fora muito ruim em disfarçar quando estava emburrada. Soltou uma risada incrédula pelo nariz diante de sua fala, tomando um gole demorado da água antes de se pronunciar. "Não estou vendo Belle por aqui." Fingiu procurar pela outra princesa entre o público da noite, saltando da parte elevada do palco em sua direção. Tentou ignorar como seu corpo reagia com a proximidade, estreitando o olhar em sua direção. "Não esperava te ver em um lugar público. Não está com medo de que falem por aí?"
Havia se candidatado para a vaga de cantora na Ópera por puro impulso e receio de não ser contratada por ninguém, o que seria inadmissível de sua parte. Não que achasse menos da posição, pelo contrário! Se tivesse pensado direito à época, talvez acabasse por não se candidatar apenas por receio de não ter as qualidades vocais necessárias para o posto... Se soubesse que sua ex trabalharia consigo, uma delas, também refletiria bem mais antes da candidatura. Aproveitando uma pequena janela em sua agenda, decidiu que iria treinar mais para a próxima apresentação no local. Ainda não se sentia tão segura quanto gostaria, tanto que havia tido pesadelos horríveis com isso! (Em um deles, desafinava na frente da falecida Rainha Elizabeth e ela transformava em um lagarto de tanta raiva....) Só não esperava que, chegando mais cedo na Ópera, também encontraria a inominável ali. Fez questão de largar sua mochila cheia de cadernos com teoria da música e letras um pouco mais para o lado, apenas para que acertasse seu pé antes de fitá-la com os braços cruzados e uma sobrancelha arqueada. "O que faz aqui? Achei que era preguiçosa demais para trabalhar por muito tempo."
Mesmo com todo o tempo naquele mundo, ainda não tinha muita certeza de como se comportar com seu futuro iminente. Quer dizer, iriam voltar para casa logo, não era? Mas o fracasso da noite das festas havia retirado qualquer esperança que possuía de acontecer logo, assim como de tudo aquilo ser apenas um sonho. Por pior que fosse perder sua vida de verdade, acreditava que poderia ter tido um destino pior do que uma simples criada da Jasmine. Não que ficasse feliz em servir alguém! Porém, gostava da princesa quando era mais nova, então não seria algo péssimo, não é? Foi o que passou em sua mente antes de girar nos calcanhares, ajustando os óculos escuros em seu rosto e caminhando até a porta da Kristoff's Pet Wonderland. Pelo que lembrava do filme, não havia nada mais precioso para a mulher do que Rajah, então poderia ser um bom ponto de início para elas... Ugh, odiava ter que fazer novas amizades! Sempre se sentia ridícula. "Veio buscar Rajah?" Questionou com uma sobrancelha arqueada, mas um sorriso curto em seus lábios. "Ou apenas verificar se é um bom ambiente para ele? Pelo que conheço de Kristoff, ele preferiria cortar uma mão que machucar algum bichinho."
˗ˏˋ ♡ ˎˊ˗ Viver naquele mundo ainda era como um sonho (ou pesadelo, neste caso). Tinha certeza de que tudo não passava de uma grande alucinação, talvez estivesse em um coma causado pelo estresse que enfrentara nos últimos dias existindo no planeta terra, quem sabe?
E para piorar se tornaria uma vilã! Logo quando era acostumada a ser adorada e venerada por todos, se pudesse escolher, com certeza seria uma mocinha indefesa como Cinderela ou Ariel (exceto pela parte em que trocaria as suas pernas por um homem, já que particularmente achava a vida das sereias muitíssimo mais interessante).
Recostou a testa contra a madeira refinada do balcão do Bloody Hooked, cerrando os seus olhos e soltando um suspiro profundo antes de começar a atingir o objeto com a cabeça com certa força, enquanto murmurava: ── Acorda! Acorda! Acorda! ── Parou subitamente ao notar a presença de muse, que parecia encará-la. Apoiou-se em sua bochecha e ofereceu o seu sorriso mais encantador, como se não estivesse prestes a enlouquecer. ── O seu pai é padeiro? ── Perguntou.
Havia ouvido muito sobre o estabelecimento de Capitão Gancho em seu período ali, que já não era tão breve quanto gostaria que fosse. Muitos dos habitantes pareciam adorar o lugar e Mayari tentava praticar uma mentalidade um pouco mais aberta às mudanças como sua psicóloga aconselhava, afinal, não iria lhe matar frequentar um ambiente diferente uma vez na vida, não é? Isso, é claro, até notar o quão sujo o lugar parecia. Não do tipo mal cuidado, mas o tipo que acumulava objetos antigos e que pareciam sujos por natureza. Enrugou o nariz para explicitar seu desgosto com a aparência do lugar, mantendo os braços encolhidos junto de seu corpo para não esbarrar em nada. Pior do que quebrar algo seria contrair alguma doença! Seu plano bilionário de saúde não cobria mundos fantasiosos, até onde sabia. Será que existia vacina naquele mundo? Havia alguns personagens ali com cara de antivax, então achava pouco provável. Aproximou do balcão para pedir por um cardápio quando saltou com o súbito pronunciamento da garota. "Ai, que susto, garota!" Será que era mais um caso de uma noite bem gasta de bebedeira ou a mulher só tinha aquele jeitinho mesmo? Arqueou uma sobrancelha bem alto com sua pergunta, a expressão mista de incredulidade e receio. "Eu não tenho pai." Sua resposta foi acompanhada de um tom pouco paciente, seguida de um revirar de seus olhos. "Isso é algum tipo de cantada ruim? Se for, eu passo pano porque você é gatinha."