some mistakes are hard to let go // lúcifer&leviatã
Em partes era tudo tão estranho. Leviatã estava preparado para ouvir mais desculpas, preparado para ser empurrado, jogado para longe. E o fato disto não ter acontecido, era estranho. Ele não se afastou, pelo contrario, tratou de se reaproximar rapidamente. Os olhos buscavam respostas em cada uma das expressões da outra. Se aquilo era uma emboscada, ou não, ele precisava saber antes de se aprofundar mais. Antes de se entregar completamente aquilo. Sim, completamente, pois quando se tratava de Lúcifer era sempre bom manter um pé atrás. Não por medo, ou vontade de revidar. Mas porque os riscos e as probabilidades daquilo acontecer eram tão grandes. O peso em seus ombros simplesmente aliviou depois das ultimas palavras que ouvira. Era realmente aquilo que estava acontecendo, ele não havia enlouquecido, e muito menos estava sonhando.
Um pequeno sorriso brotou em seus lábios. Era meio alegria, e meio “eu sabia.”. Mas ele não queria revelar essa segunda parte, cantar vitória se ambos eram vitoriosos a seu ver. Ele não sabia como, mas o outro simplesmente crescia aos seus olhos, se tornava mais magnífico e perfeitamente imperfeito. Se tivesse um espelho a sua frente, o demônio ficaria surpreso com o súbito brilho em seu olhar. Mas felizmente não existia. – Foi tão difícil, ou doloroso assim admitir? – ele realmente queria saber, e ao contrario do que parecia, não estava sendo sarcástico. Estava realmente curioso. Curioso para saber o quanto profundo era aquele sentimento, até onde Lúcifer iria com ele. Ou se era um simples devaneio.
– Sabe, você deve ser muito confiante. Ou ele deve ser extremamente leal. O que passa em sua cabeça para mandar o demônio mais sensual, quente e ardente atrás de mim? Eu poderia facilmente me envolver por ele. – seu tom tinha mudado tantas vezes naquela noite, naquela conversa. Ele fora rude, amável, triste. E agora estava um típico e idiota brincalhão. Já tinha atiçado a onça demais aquela noite, e não sabia se era seguro fazê-lo outra vez. Mas ainda assim, selou os lábios aos dela, algumas vezes como demonstração de que seu argumento sobre Asmodeus, não era serio. – Diga-me, em algum momento esta noite eu pedi para que se afastasse? Eu pedi para que ficasse comigo, ou me deixa-se ir. Mas sinceramente? Em nenhum momento eu estava falando serio sobre ir. E você sabe disto. Sabe bem melhor do que eu, que é aqui o meu lugar.
Ele nunca saberia o quanto difícil exatamente era para Lúcifer admitir algo assim. Não tinha ido muito além do seu conforto, apenas confirmando o que Leviatã já sabia. Que ele se importava e não o deixaria ir embora, porque era demasiado egoísta para deixar que alguma vez isso acontecesse. Não considerava isso algo bom, necessariamente. Sua admissão não mudaria absolutamente nada. Se recusaria a continuar assumindo que havia alguma coisa ali para o resto do mundo, porque simplesmente não podia permitir que vissem fraqueza nele. E o amor não passava disso: mais uma fraqueza. Era poderosa, porque ninguém a podia atingir. Não amava e não se importava com nada, a não ser ela mesma. Mas aquilo iria mudar por completo o jeito que estavam jogando o jogo. Alguns de seus ex-irmãos, os mais antigos, ainda se lembravam de como ele era, de como, inicialmente, ela era apenas mais um servo de Deus. Tirando eles, todos o continuavam achando um monstro e ele preferia que continuasse assim.
"Asmodeus é inteligente demais para tocar em algo que me pertence." Comentou, sem pensar duas vezes no que estava pensando. De novo aquela admissão, aquele sentido de posse que sentia com Leviatã. Apenas com ele e mais ninguém. Era difícil ter ciúmes, com alguém tão devotado quanto ele, mas eles continuavam lá, por muito que ela fizesse o seu melhor para os esconder num lugar onde eles não pudessem ser encontrados. E era tão bom vê-lo brincando de novo, o sarcasmo habitual voltando para a sua pessoa. Gostava de o ver sorrindo, de o fazer sentir-se um pouco mais humano de novo, sem que ele estivesse da habitual escuridão e dor que acompanha os demônios.
"Eu sei que você nunca iria." Disse, suavemente, se permitindo por fim a sorrir também. Acariciou o rosto dele com uma de suas mãos, se colocando em bicos de pés para beijar os lábios dele mais uma vez, se permitindo a aproveitar aquela felicidade que certamente teria curta duração. "Você não pediu e eu não seria capaz de deixar. Então, vamos só ficar gratos que tenha acabado assim." Murmurou contra os seus lábios, voltando-o a beijar, sem a calma de antes, desta vez colando o seu corpo ao dele, determinada em fazer com que, por muito que pudesse não ter mais nada, teria aquela noite marcada em sua memória.













