E lá estava o velho com seu radinho a pilha. Os ruídos agudos saindo pelo alto-falante não eram os mais agradáveis aos ouvidos, mas à mente dele sim. Eles afastavam os pensamentos.
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@hereismyeden
E lá estava o velho com seu radinho a pilha. Os ruídos agudos saindo pelo alto-falante não eram os mais agradáveis aos ouvidos, mas à mente dele sim. Eles afastavam os pensamentos.
Um dia desses eu imaginei como seria ficar invisível. Entendi que não tinha nada a ver com não refletir espectros de um prisma ou camuflagem, nada como nos filmes. Seria mais você se fragmentar em frações tão pequenas que se tornam imperceptíveis à visão humana. E ainda assim continuar existindo. Só que dessa forma você se fragiliza e fica vulnerável. É como morrer.
Talk is cheap
Talk is cheap, my darling When you're feeling right at home I wanna make you move with confidence I wanna be with you aloneSaid help me help you start it You're too comfortable to know Throwing out those words Oh, you gotta feel it on your own
https://www.youtube.com/watch?v=aP_-P_BS6KY
O que está no coração transparece.
O cérebro encontra justificativa pra tudo.
A publicação em blog como exercício de relatar a autoconsciência
Quando estou ansioso ou aflito por alguma coisa, é porque to precisando de terapia: ter a pia de louças lavada
Quando eu estou diante da pia, com a louça suja e empilhada de qualquer jeito, é como se estivesse iniciando uma meditação em que aqueles pratos, talheres, panelas e copos fossem meus pensamentos. À medida em que vou organizando e lavando, enxaguando e colocando cuidadosamente cada item no escorredor, é como se eu fizesse o mesmo com a minha mente. Quando termino, continuo com a mesma quantidade de pensamentos que antes, mas agora limpos e prontos para ser utilizados.
Lótus
Lótus é um conto escrito por mim em 21 de agosto de 2020 como exercício de escrita e registro de uma ideia de narrativa.
Vinte anos depois, finalmente estava retornando à casa de meus pais. É claro que eu não havia passado esse tempo todo remoendo os motivos para o meu exílio. Cerca de dez anos atrás, já tinha resolvido tudo com a minha terapeuta, mas como a vida normal pede tanto da gente, o plano de voltar foi sendo adiado a cada ano. Mas agora não tinha mais como deixar pra depois. Minha mãe estava em seu leito domiciliar, com poucos dias de vida. Precisava acertar isso com ela. Nós devíamos isso um ao outro. Pela janela do avião, vi ficarem para trás toda a vida que eu havia construído até aqui junto com a minha cidade, que foi encolhendo à medida em que eu me aproximava do meu destino. - Oh, meu filho! Que bom que conseguiu vir até aqui pra me ver. Como você está? - Ela tentou sair da posição inclinada para se sentar ereta, mas eu a contive gentilmente, segurando-a pelos ombros e reposicionando-a, de volta ao encosto da cama. - Ta tudo bem, mãe. Não precisa se esforçar pr ame abraçar, ta? Eu vou té a senhora. - Ela me apertou como se fosse cair num penhasco se me soltasse. Mas tão forte quanto o abraço se fez, logo se desfez e ela cruzou as mãos no colo. resignada. - E então? - ela me pegou de surpresa. - Então o que? - O que quer que eu leve como última lembrança sua? Que face sua quer que eu veja por último? A gentileza de sua voz e a brutalidade da verdade nessas palavras me intimidaram. Fiquei impressionado com o nível de lucidez que ela apresentava. Pensando em seu pedido, entendi qual era o "eu" que se despediria dela. O pequeno eu de doze anos de idade, aquele que ela ainda protegia, exercendo ao máximo suas atribuições biológicas de mãe. - Eu tinha que vir para ter uma conversa franca com você. E talvez a minha covardia só me permitiria fazer isso nessas circunstâncias. Ela fez uma cara de dó, como quem vê um filhote de cachorro cair dentro da tigela de leite. - Oh, meu filho! Não se sinta assim! Isso é o melhor que você é capaz. Fico feliz que veio, independentemente do que você quiser falar. Eu gostei que ela teve a gentileza de me dar a opção de conduzir a conversa, mesmo ela já sabendo do que se tratava. Mesmo ela, de certa forma, encorajando a minha covardia. - Mãe. Ela permaneceu em silêncio, me observando com seus grandes olhos, num misto de expectativa inocente e sabedoria milenar. - Eu queria ouvir diretamente da senhora o porquê de eu ter sido criado longe de você, da minha irmã e do papai por tantos anos. Seu rosto se iluminou, como se estivesse esperando há anos por essa pergunta, embora ambos soubéssemos que o erro inicial era dela, por não ter deixado isso claro. Tudo o que eu me lembrava era um "ele tem que ir, tem que ir o mais rápido possível" e pronto. Nunca uma explicação que fizesse sentido pra mim. - Sei que sua vida poderia ter sido melhor entre nós, sob circunstâncias normais. Engoli em seco ao ouvir isso. - Mas hoje me alivia ver o homem que você se tornou - continuou -, então, mesmo de um jeito incomum, eu sinto que cumpri minha missão. - Sim, mãe. E eu sou grato por isso, ma... - Eu sei que é. E também sei que já deve ter chegado a pelo menos uma conclusão sobre o motivo de termos te mandado pra tão longe. E era verdade. Durante os anos de terapia que fiz, foi possível identificar a raíz da minha principal angústia em morar longe deles. Eu fantasiei sobre milhares de coisas, mas já estava bem claro há alguns anos que o motivo do afastamento era eu mesmo. Eu que, incapaz de lidar com a minha puberdade e início da adolescência, comecei a desenvolver um interesse sexual pela minha irmã. Deus sabe o quanto desejei ao mesmo tempo o corpo dela quanto ser gay, para não conseguir desejá-lo. Cheguei até a arruinar a minha amizade com meu melhor amigo da escola, alimentando o que ele sentia por mim. Mas no final eu só o estava usando para fugir dela. Não de sua forma física, que aparentemente nunca deu bola pra mim. Mas de sua versão ninfomaníaca em minha cabeça juvenil. E foi assim que, certa vez, me arrisquei tentando me masturbar escondido dela em seu quarto. O momento mais psicologicamente caótico de minha vida. O barulho que deixei escapar enquanto gozava embaixo da cama com sua calcinha. A forma como ela fingiu não ter ouvido nada e ficado calma enquanto eu não consegui sair de lá sem ser visto. Então sim, eu sabia o motivo de ter sido mandado embora. - Minha irmã - disse-lhe. Dessa vez, ela que foi pega de surpresa. Como ela esperava algo diferente? Após a surpresa, seu rosto foi murchando, tornando-se triste e transparecendo uma frustração infinita. - Então você sabia que ela estava planejando te matar? - Sabia o que? - A minha intenção em não ter te contado nada era que você levasse uma vida sem esse trauma. Isso afetaria a sua forma de confiar nas pessoas pelo resto da vida. Mas como você descobriu, espero que não tenha sido tarde demais. Que pena que você não estava enganado. Teria sido mais fácil. Os passos para fora do quarto de hospital instalado no meu antigo lar foram os mais pesados que já dei e daria em toda a minha vida. Marcado pela imagem de mãos sujas no sangue da própria família, nunca mais conseguiria fazer qualquer coisa que fosse sem me lembrar disso.
Para o trabalho, tempo. Para a diversão, intensidade.
Bird: E lá vamos nós, mais uma vez, falar todo mundo da mesma coisa por semanas. Eu tô tão cansado...
Boy: Ele é feito de merda, é claro, mas eu não sei até que ponto o nosso lado está jogando limpo.
Voltando pra casa, ganho esse lindo pôr-do-sol de presente.
Quanto mais um determinado assunto se distancia das fronteiras de compreensão de alguém, maior é o temor que ele causa.
Oração para mim mesmo
Eu mesmo, que estou lendo isso
Perdoados estejam meus erros, assim como celebrados sejam meus acertos
Que todas as emoções indesejadas se abrandem em meu coração
Para que eu tenha um sono tranquilo e me recupere, de corpo e de mente
para o novo dia que está para nascer
Que nunca se perca a minha fé no amor
E que os meus planos se concretizem
Ou mudem, se for para o meu bem
Que a minha compreensão continue em expansão
E que eu faça a cada dia escolhas mais conscientes
Que se aproximem as pessoas boas
E que eu tenha sabedoria para lidar com aquelas que transmitem seu sofrimento
por meio de atitudes danosas
Que eu tenha forças para continuar, mas que também tenha maturidade para saber quando parar
Que eu nunca me desconecte da minha infância,
Mas que eu continue tendo orgulho da pessoa que me tornei
E quando a minha hora chegar,
Que eu esteja preparado
A mim.
Resolva seus problemas. Partilhe o aprendizado.
Minha experiência com a pausa nas redes sociais
O trabalho com home office trouxe a necessidade de inúmeras adaptações, mas nenhuma delas foi tão intensa quanto precisar me adequar de maneira saudável ao uso da internet. Na montanha-russa de emoções que vivenciei nesse período, cheguei ao ponto de encontrar no Instagram e no Twitter um refúgio de todo estresse causado pela sobrecarga do meu trabalho. O que eu não sabia era que, fazendo isso, estava criando uma terrível armadilha pra mim mesmo.
Ao recorrer às redes sociais para aliviar as tensões da rotina, eu comecei a condicionar meu cérebro a entender o trabalho como algo ruim e as redes, como algo bom. Dessa maneira, desviava a atenção das coisas que realmente importavam para alimentar a falsa ideia de que estava tudo bem. Porém, assim como o trabalho, as redes sociais também têm suas demandas – que são bem definidas e criteriosas, com um nível altíssimo de exigência. Elas só não te pagam por isso.
Percebi que publicar um conteúdo significava submeter uma produção minha a uma banca julgadora que daria uma nota quantificada em interação: Likes e comentários – uma droga que me dava um prazer imediato, mas nunca me saciava. O objetivo era me mostrar esperto, engraçado, enfim, genial. E muitas vezes, eu até conseguia. Isso era o suficiente pra me manter ali, mas custava empenho, criatividade, atenção e o pior: uma quantidade de tempo que depois me deixaria espantado a ponto de certa vez eu me questionar “É sério que eu já terminei tudo que tinha pra fazer hoje?”. Eu vivia reclamando que nunca tinha tempo pra nada! Ao esperar pelo julgamento da banca (apelidada ironicamente de “seguidores”), a ansiedade se alastrava pelo cérebro, me impedindo de realizar qualquer outra atividade e fortalecendo a necessidade de validação das coisas que eu fazia. Na ladeira dos desdobramentos, o que vinha em seguida era a insegurança, a frustração, o autojulgamento e a depressão.
Eu tinha assinado esse contrato motivado por uma crença de que estava exercendo meu direito de me expressar num espaço que era meu; a aparente materialização da minha liberdade. Mas eu estava inconscientemente falando para um público que conhecia muito bem. Mostrando toda a montagem de elementos cuidadosamente selecionados para apelar pela aprovação das pessoas para aquilo que eu queria que cressem que eu era: o meu avatar. Eu dei esse poder a elas e também me vali dele, então parecia uma troca justa num primeiro momento.
Porém, de justa, essa troca não tinha nada. Não há muitas certezas sobre os critérios dessas pessoas. Então eu me limitava em alguns aspectos, exagerava em outros e o resultado disso tudo foi uma grande caricatura do meu ego, que foi se moldando de acordo com aquilo que era melhor recebido pelo meu público, pelo qual, gradativamente, fui sendo escravizado.
Então veio o baque. A produtividade caiu e as cobranças aumentaram. Ficava cada vez mais difícil de me concentrar em qualquer coisa que seja porque eu não percebia que ser exposto a uma grande quantidade de conteúdos efêmeros fragmentava minha memória. A realidade foi ficando cada vez menos suportável porque estava sempre se distanciando das maravilhas do mundo do outro lado da tela. Eu estava cada vez mais cansado e indisposto, sonolento e entediado. Nada mais me agradava e tudo que eu queria era sumir (mas ainda não sabia de onde). A percepção do tempo se distorcia com base nos níveis de dopamina no meu cérebro entorpecido pelas mentiras veladas da mídia, onde eu ria, chorava, me revoltava e fazia sexo – tudo mentalmente.
Os estímulos provocados por essas mídias motivam ações irresponsáveis, bagunçam o sistema de recompensas do cérebro, minam a criatividade e alteram nossa percepção das coisas.
Foi justamente uma situação extrema que me despertou para isso – felizmente antes que fosse tarde demais. Eu estava trazendo para o mundo real os piores costumes do virtual: olhar indiscriminadamente, julgar com base em valores distorcidos, comentar com a sensação de impunidade. Fazer essa associação foi a minha epifania para querer parar de usar o Instagram, mas já de cara eu não tive a intenção de excluir minha conta e apagar tudo permanentemente (como já havia feito antes); isso não me ajudaria. Eu precisava me desintoxicar e me reeducar. O caráter educativo acima do punitivo. E assim eu fiz.
Após dois dias sem Instagram, comecei a me questionar se ninguém estaria sentindo a minha falta (lá). Foi como se eu tivesse morrido. Mas isso não me incomodou. A meditação tinha me preparado para isso. Então os sintomas negativos não tardaram a se amenizar. Tanto a minha produtividade quanto o meu humor (e até minha libido) melhoraram significativamente. Tem sido incrível e eu não quero esquecer disso nunca mais. A forma leve e descontraída que eu estou lidando com questões que antes me deixariam louco é o que mais me surpreende. Eu estou com a universidade e o trabalho em dia. Estou até mesmo acompanhando um anime!
Cerca de quatro dias depois, eu também abandonei o Twitter. Parar de usar o primeiro me fez refletir sobre o segundo e as conclusões que apresentei acima foram justamente a minha maior motivação para isso. No entanto, segui com o Tumblr e o TikTok. A esses eu tinha e ainda tenho um acesso mais restrito, pois como não estão instalados no meu celular, não prejudicavam meu trabalho. E eu nunca me dediquei a produzir conteúdo para o TikTok (que é de fato um passatempo leve e fácil de controlar), somente escrevo para o Tumblr, o qual é uma coletânea dos meus pensamentos e realmente serve mais como um diário que brinca com a distante possibilidade de reconhecimento por algo que eu gosto de fazer e que me faz bem, que é a escrita.
Anteontem reinstalei o Instagram, mas no iPad. E quando revisitei meu feed, não me detive a ele mais que cinco minutos. Era aí onde eu queria chegar: um uso consciente e inofensivo desses recursos de interação. Assim como outros hábitos indesejados que eu venci esse ano, a libertação das redes sociais é mais uma vitória conquistada durante a pandemia. Ter quebrado o feitiço dos aplicativos tem me permitido viver uma vida nova. -- Três vídeos do meu youtuber favorito (Matt D'Avella) me deram um ótimo suporte após essa experiência. Seguem os links em ordem cronológica: The 30 Day Social Media Detox I quit social media for 30 days This Completely Changed How I Use Social Media