joverdinha:
“Ah. Obrigada” respondeu, com um sorriso orgulhoso. Para uma aluna nota dez, Joana poderia ser considerada razoavelmente lenta quando se deparava com brincadeiras de falsas críticas — talvez fosse mais obra de seu orgulho do que de sua capacidade mental. “Não uso porque sou uma futura grande empresária, isso sim. Já viu um dono de bar bêbado e bem sucedido?” Embora fosse possível chegar àquele raciocínio sem conhecimento de casos similares, Joana havia aprendido a lição anos atrás com relatos de amigos de seus pais que haviam falido dois bares por gostarem demais de consumir os próprios produtos. Álcool e maconha eram diferentes em vários aspectos, incluindo o potencial de dependência, todavia, a garota não estava disposta a correr o risco de experimentar a droga e prejudicar seu negócio. “Você faria isso? Que bicho te mordeu? Espero que morda mais vezes, gosto do Beni bonzinho.” Se não fosse pela disposição repentina do argentino, Joana não sabia como faria para transportar aqueles móveis, tendo em vista que morava com os seres humanos menos proativos de São Carlos.
— Eu não poderia ligar menos, na real. Só 'tou aqui pela erva. — Disse dando de ombros. A verdade era que o argentino acreditava passar bem longe de qualquer coisa que possa ser considerada bem sucedida. E de fato, a má sorte acompanhava-o desde que se entendia por gente. Primeiro, a morte de seu abuelito, seguida da morte da namorada, e não obstante a separação dramática dos pais. É, não dava pra dizer que ele era um exemplo de cara sortudo. — É, faço sim. O bicho que me mordeu é mais conhecido como "vou postergar o máximo possível porque não quero entregar a porra do trabalho de fotografia", é esse o nome. — Sorriu irônico, levantando-se do sofá ao passo que estendeu a mão para a loira. — Mas não se acostuma com o Beni bonzinho, viu?















