Uma de suas atividades favoritas enquanto na Terra era provocar as pessoas — estava mais para perturbar — para ver suas reações. Tinha um instinto Socrático, inclusive, quando fazia perguntas e mais perguntas sobre os mais diversos assuntos, mas nunca revelava sua visão sobre. No fim do dia, anotava as respostas mais interessantes e costumava formar sua filosofia de vida com as quais mais se identificava. Porém, com toda essa história de Magnolia, padrinhos e personagens de contos desaparecidos, no mínimo era de se esperar que Charlotte deveria ficar frustrada por saber que tudo pelo que acreditou a vida toda estava errado, mas ela não estava. Não eram grandes coisas que despertavam sua atenção como aquele novo mundo, o qual ela pretendia explorá-lo de ponta a ponta. Entretanto, aquela era a noite de festa e aproveitaria como tal. Provava alguns tira-gostos sem grandes pretensões, mas devia imaginar que tudo naquele mundo era feito sob medida e perfeitamente bem, até que a concentração fosse desviada para outro lado quando fora interrompida. A distração, por sua vez, lhe parecia bastante justificada. Um sorriso mínimo de canto ameaçou a aparecer, mas este se fora tão rápido quanto viera. ❛ Olha, quanta elegância. ❜ analisou o rapaz, vistoriando-o teatralmente da cabeça aos pés. ❛ Não… mas acho que deveria apertar essa máscara. ❜ sem pedir por permissão, como de costume, Charlotte aproximou do rapaz com as mãos atrás do outro, desfazendo o nó da máscara alheia e refazendo-o rapidamente, sem deixar que os olhos desviassem dos de Heilyn. ❛ Is it too tight? ❜
Uma das coisas novas que precisava se acostumar era com a facilidade que Charlotte tinha de lhe desconcertar. Heilyn sempre fora muito calmo e fácil de se envergonhar, as respostas e provocações, claro, ele também sabia devolver, mas não antes de virar uma confusão cheia de um gaguejar incessante que combinava com as bochechas rosadas pelo rubor. Ali, porém, apenas observou-a com um pequeno sorriso sem jeito no canto dos lábios, não muito surpreso quando a mulher tomou o controle da situação com a desculpa de amarrar sua máscara. Não podia, contudo, protestar. Afinal, não levava jeito para bailes tão formais como aquele; a gravata estava sendo usada apenas por ter vindo para si pronta para o uso. A máscara, por sua vez, antes tinha apenas um nó desleixado, não um laço elegante para combinar com o terno verde escuro de três peças. Podia estar e sentir-se elegante, mas não parecia se encaixar naquela situação. ' — Obrigado. Eu duvido que fosse cair, mas agora acho que está mais arrumado.' lhe respondeu, alargando um pouco o sorriso. ' — Presumo que esteja gostando da festa? Parece mais relaxada do que a maioria aqui.'