Não dá pra ser tudo ao mesmo tempo da mesma forma. Mas dá pra ser tudo ao mesmo tempo de formas diferentes. Estou perdendo o medo da vida porque cansei de perder tempo por ter medo. Resta a inspiração, a fé. Ao contrário da expectativa, não pretendo vir tempestuosa, avassaladora, com revolta e promovendo guerras onde eu luto sozinha contra um tempo passado e irrecuperável e que, portanto, jamais vou vencer. Agia agressivamente em direção ao futuro em nome de uma memória ingloriosa que tinha de mim mesma, eu me aplicava um série de motins. Eu, que sequer sei nadar, me afogava e me obrigava a sobreviver onde a medida do desespero por uma vida real era a única concepção de vida. Um constante desalento, um aperto, um peso de não conseguir me permitir. Uma culpa dobrada, uma cobrança triplicada pela consciência da culpa por não fazer, por não me permitir o que queria e por conviver com ambas, vibrando e delirando de desprazer e oposição a mim mesma. Viver dentro da minha cabeça nunca foi suave. Eu sofria por me anular e não saía deste lugar, no fundo havia justificativa onde eu confirmava tamanha prisão. Era coerente, juro pra vocês, ainda é. Ainda retorno a turva visão ameaçadora que me convence de que eu não sou capaz de qualquer coisa, das mais simples as mais intrincadas desventuras da vida. Mas, veja só, eu envelheço e o próprio carcereiro se entediou de mim, viu que permaneço viva e que, por mais concreta que tenha sido a ideia de afirmar um limite pra minha existência, dar-lhe um fim, não significava que eu não aprovasse viver; era apenas eu, o maior de todos os vilões, que não deixava o herói sequer se MEXER. Paralisia. Tanto que o vilão cansou de assistir uma história com uma vitória dada, tão óbvia. Tem graça um jogo sem adrenalina? Tamanha irritação era comigo, mundo, sempre foi comigo, a rebeldia contra a minha própria tirania. Eis que se aproxima a revolução. Derrubar meu próprio Cronos, a quem respeitei por anos e que desenvolvi uma espécie de Síndrome de Estocolmo. Menos heroísmo e vilanias, sem coroas, glórias, sangue; apenas a sabedoria de dormir quando se tem sono e distribuir minha potência de titã para todos os caminhos de amor. https://www.instagram.com/p/But34_AFHK1/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=1oaa3wlnifr6c

















