um livro que começa no fim. afinal, a cidade de jerusalem's lot já estava perdida e a salvação era um sonho (se ainda podiam sonhar os habitantes de lá) distante. não havia jeito melhor de iniciar essa fascinante história senão pelo seu fim. 'salem é um livro sobre não apenas a ruína física de uma cidade na colina, uma casa, um corpo desumano, mas também sobre a ruína da vida e até da fé. personagens cativantes e horripilantes, vivências de cores fortes e escuras, futuros inteiros - todos apagados pelo Mal com M maiúsculo mesmo, este que há muito nem a Igreja lida diretamente, mas nunca apagados pelo tempo e pela memória dos que restaram.
é uma história sobre O homem alto e o seu retorno ao passado para exorcizar seus próprios demônios; uma história sobre O menino de uma inteligência maior que de muitos adultos e que não se deixa abalar nem diante dos seus piores medos; uma história de amor e dor para A garota que lê na praça; uma história vitoriosa àqueles que perderam suas vidas lutando; uma história de terror a todos os outros moradores e uma história de sombras aos corações ambulantes que não batem mais. stephen king é capaz de dizer tudo em uma história calada, sorrateira, que faz visita no meio da noite, bate à janela do seu quarto e pede para entrar. e o leitor, hipnotizado, cede aos pedidos outrora apaixonantes, logo sendo devorado com afinco pelas quatrocentas páginas de puro medo e desespero, do não saber o que está por vir.
stephen foi meu vampiro, e esse livro foi a minha ruína.
vidas e não-vidas que se entrelaçam umas às outras e traçam o destino que se sucede, é isto que esse livro é. carinhosamente recomendo a leitura aos amantes (ou não) de terror, e tenho apenas um defeito a pontuar pela quantidade enorme de nomes e personagens que com certeza não guardei na cabeça, e por muitas vezes me perdi neles. mas pode ter sido apenas um problema pessoal, que não aconteceria com outros leitores mais atentos. muitas referências à drácula de bram stroker e, para quem assistiu missa da meia-noite, essa história tem um conceito bem parecido. de longe, a superação do primeiro livro do king, carrie. para um segundo livro de toda a sua carreira, escrito em longos quase três anos, é inspirador e fantasmagórico, no seu bom sentido. cinco estrelas merecidíssimas.
(OBS: crítica negativa à capa da editora suma. quer dizer, é só olhar para a disposição do título e do nome do autor. o STEPHEN todo em caixa alta e o King apenas com a primeira letra da mesma forma, e o nome do livro perdido entre o nome do autor? sem falar que a imagem da capa é feinha mesmo e não diz muito sobre a história em si. nada se liga ao enredo ou à personalidade dele. poderiam aproveitar os 10 anos de lançamento para criarem uma nova edição, porque 'tá precisando.)