Hans sentiu o arrepio de satisfação percorrer sua espinha assim que o golpeou nas costas, como se estivesse saciando uma fome interna ao incomodar Loren. Havia algo incrivelmente gratificante em ver o outro se enrijecer sob seu toque, a irritação irradiando de cada poro. Ele soltou um riso abafado, como se estivesse se divertindo imensamente com a reação de Loren, embora o rosto mantivesse a serenidade de quem está acima de qualquer conflito real. Quando o mais novo se virou com brusquidão e agarrou seu pulso, Hans não recuou. Ao contrário, ele inclinou levemente a cabeça para o lado, o olhar cheio de uma mistura de afronta e fascínio. Era uma faísca que ele não via com seus verdadeiros irmãos, uma resposta tão visceral e, de certo modo, quase… honesta. — Ah, o pequeno Loren finalmente mostra os dentes! — Disse com a voz baixa, quase zombeteira, mas carregada de uma ponta de curiosidade. — Você sabe que se me empurrar de um penhasco, ainda vou te assombrar para o resto da sua vida, não é? — O aperto de Loren em seu pulso era forte, quase doloroso, mas Hans não demonstrou. Pelo contrário, manteve o sorriso. Hans continuou encarando Loren, a adrenalina pulsando em suas veias, alimentando aquela conexão desconcertante que sempre sentia quando estava cara a cara. Apesar de tudo, havia uma parte de Westergaard que gostava da resistência de Loren, algo que seus verdadeiros irmãos nunca lhe deram. Todos o tratavam como um nada, mas Loren… Loren reagia. Ele o encarava, o desafiava, e havia algo quase satisfatório nisso. Quase familiar, mesmo que Hans odiasse admitir. — Você quer limites? — Hans repetiu, quase rindo da palavra como se fosse um conceito estrangeiro. — Eu também queria, sabia? Cresci cercado por irmãos que não me davam espaço nem para respirar, quanto mais para existir dentro da minha própria família. — Seus olhos azuis avaliando cada detalhe do rosto de Loren, desde a tensão em sua mandíbula até a maneira como sua respiração acelerava ligeiramente, traços de um temperamento que ele estava lutando para conter. — E agora, veja só, fui presenteado com mais um. — Fez uma pausa, um brilho estranho dançando em seus olhos, algo que estava entre a frustração e um desejo que ele mesmo não conseguia identificar. — A vida não é um morango, irmãozinho. Neste mundo, ninguém respeita os preciosos limites. Lide com isso. — O empurrão de Loren para afastar sua mão foi vigoroso, mas Hans apenas deu um passo para trás, ajustando o casaco com um movimento elegante, como se nada pudesse verdadeiramente abalá-lo. — Sabe, eu não posso deixar de notar que você está particularmente irritado hoje e eu adoraria acreditar que sou o único motivo para essa sua raiva toda. — Murmurou, um toque de curiosidade e um leve traço de preocupação surgindo em sua voz, o sorriso desapareceu lentamente dos lábios de Hans, substituído por uma expressão mais séria. — Mas, diga-me, Loren da Terra, sou eu o único motivo para toda essa fúria? Ou será que há algo mais te incomodando? Algo que vai além da minha… adorável presença.