chapéu de cowboy, jeans surrado, whiskey puro e cerveja gelada, letreiros de neon ligados até a madrugada, troféus empoeirados em prateleiras esquecidas, cicatrizes profundas, brigas de bar, nós dos dedos roxos, seu cachorro como melhor amigo, caminhonete antiga, dormir no trabalho para poupar tempo.
002 , ↝ 𝐛𝐢𝐨𝐠𝐫𝐚𝐟𝐢𝐚 :
Todo fã de rodeio conhece Agustín Narvaez. Uma lenda do esporte, foi o maior campeão das competições estadunidenses e, depois de mais velho, um dos maiores treinadores do país. Amava a cultura, era viciado na adrenalina e muito grato por ter conhecido Maria entre eventos. A mulher, alguns anos mais velha, era uma ótima apresentadora, narrava as competições com carisma e técnica, e foi narrando Agustín que se apaixonou por ele. Casaram-se em Las Vegas, depois de Agustín ganhar seu vigésimo prêmio nacional, e ela largou tudo para morar com ele em Maple Brook.
Apaixonados, Agustín e Maria tiveram sete filhos. O primeiro, Iker, foi introduzido ao mundo dos rodeios antes de saber falar e andar. Menino dos olhos dos pais, cresceu sendo extremamente responsável - pelos irmãos, os estudos, os pais e o futuro que já havia sido traçado. Ainda era jovem quando começou a competir, um menino franzino montando animais de setecentos quilos como se fossem pôneis. Ganhou suas primeiras competições antes de atingir a maioridade e, quando o fez, decidiu que a melhor coisa que podia fazer era se mudar para o Texas, onde a maior equipe competitiva estava.
Casou-se aos vinte e dois anos, completamente apaixonado por quem um dia seria a mãe de seus dois filhos, igualmente amados. Tinha uma vida estável, muitas paixões e um talento nato para aquilo que o tornaria famoso. Ganhou competições por todo Estados Unidos, acumulando prêmios milionários, fãs e a admiração de seu pai, aposentado, que passou a acompanhá-lo em viagens. Tinha trinta anos quando alcançou o mesmo nível de premiações do pai, dez anos mais novo do que Agustín era ao alcançar a mesma marca.
A vida perfeita de Iker começou a mudar quando, depois de alcançar tantos marcos e realizações na vida profissional e pessoal, quis buscar novos desafios. Para isso, passou a treinar para ultrapassar o recorde mundial: seria o peão a montar o touro mais pesado da história. O animal, chamado Cathedral, já havia sido exposto em eventos e avaliado como o mais caro no ramo, três circuitos já haviam proibido sua participação pelo risco de acidentes. Influente, Iker conseguiu inscrever-se para montar Cathedral. O evento foi enorme: pessoas de diversos lugares do país foram ver o touro e o peão em ação, membros do Guinness Book preparavam-se para avaliar o recorde e uma estrutura especial para o peso do animal foi montada com dinheiro particular da família Narvaez.
No dia do evento, a multidão se reuniu numa mistura de expectativa e excitação. Diversos peões montaram outros touros e, ao final, Iker seria o evento principal. Quando Cathedral foi solto, o peão em cima dele parecia uma criança, era a maior diferença de peso entre pessoa e animal já registrada em rodeios oficiais. Oito segundos. Se segurou com maestria e as pessoas foram à loucura quando o recorde foi anunciado. Mas Iker não saiu de cima de Cathedral. Em vez disso, aguento por mais um, dois, três segundos. No quarto, o touro de mais de uma tonelada e meia bateu contra uma barreira e derrubou o recordista. Quando foi afastado, já tinha pisoteado a perna esquerda do homem. Hospitalizado por meses, lutando contra os ferimentos graves que quase ceifaram sua vida, o peão entrou para o Guinness Book, mas perdeu a perna.
Deprimido, acabou voltando para a cidade natal. Entre tanto caos, Maple Book era a única coisa a que se agarrar. Precisou de dois anos para se estabilizar física e emocionalmente, tentou ser treinador de outros peões na cidade, por amar o arrepio na espinha que sentia ao entrar numa arena, mas a dor por não conseguir ser um competidor falou mais alto. Por fim, acabou comprando o bar próximo da arena para se distrair e engolir um pouco da amargura que ele tanto luta contra.
003 , ↝ 𝐡𝐞𝐚𝐝𝐜𝐚𝐧𝐨𝐧𝐬 :
Comprou seu bar para se distrair e, mesmo não precisando do dinheiro, se dedica a ele quase o tempo todo.
Tem um cachorro que resgatou na frente do bar, Rusty, e anda com ele por todos os lados.
Toca violão e canta algumas músicas em dias parados do bar.
Sua mãe faleceu a alguns anos e o pai se tornou uma pessoa amarga, com quem não tem contato direto, mas, quando tem, parece que está se vendo espelhado no homem. São iguais em todos os aspectos.
As únicas pessoas capazes de tirá-lo da rotina são os filhos, por quem ele faz tudo.
Se não tivesse sido peão, seu sonho era ser veterinário. Ama animais e cuida deles com mais carinho do que tende a tratar as pessoas.
Bebe sempre no tempo livre.
Já está calejado de separar brigas no bar. É um homem forte e consegue arrastar qualquer um para fora quando preciso.