Dos Símbolos às Estrelas
Olá velho amigo... a quanto tempo esse fundo azul sólido não se faz de abrigo às minhas sensações mais humanas? Acredito que da última vez me abrigava uma cama inóspita, cercado de livros e de paredes também azuis, porém mais claras. Hoje o fundo que faz fundo ao primeiro é róseo, o clima é quente, senão infernal, a trilha é similar àquelas que me transbordaram por tanto tempo, porém cheia de novidade; o digitar continua digressivo e pausado, assim como o pensar, mas o que abriga as sensações não é tão triste quanto outrora... ele é o mesmo, porém não mais o é...
Não vou adentrar a pesquisa nesse momento, mas acho que nunca escrevi sobre o quem que descrevo agora... algumas personalidades já usufruíram deste palco uma infinidade de vezes, porém não esta que foi (na verdade, que é) tão densa e catastrófica quanto a que guarda as senhas e/ou as chaves deste reduto de fala...
A vida ainda parece um incessante jogo. Cada fase transposta trás junto a seu êxito uma prova maior daquilo que já o fora anteriormente... desta vez o dito amor próprio se fez questionável mais uma vez e talvez tenha posto empecilhos em algo que, se não chegasse às utopias do possível (note a ironia), pelo menos proveria (ou promoveria) atos carnais intensos, enfáticos, sufocantes e plenos!
Mas você sabe mais que qualquer outrem, meu caro, que isso não bastaria... e não bastou! Dos meus anseios, dos meus desejos mais intensos, de toda a minha disposição, da minha completa fluidez para ele, de todo o suposto encaixe perfeito de nossos corpos o que sobrou foi uma admiração imensa, a certeza de todas as certezas (as favoráveis e as in), a dor latente que se tornou, mais rápido do que eu esperaria, um gotejar infrequente, uma saudade longínqua, uma partida outra, a dúvida entre um “adeus” e um “até logo”... uma esperança insustentável...
O fatídico encontro dum’alma jovem num corpo jovem, c’um’outra alma velha num corpo jovem que teima em se dizer velho.
Aquele que jurou que não podia ser amado, que o toque alheio causava (e às vezes ainda causa) repulsa, aquele que se via destinado a ser e estar para ajudar aqueles que precisarem de ajuda descobriu que, por infortúnio da causalidade talvez previamente projetada, também pode permitir-se a desconcertar-se de quando em vez por artifícios incontroláveis. O desejo, o afago, o suor e todos os líquidos incontroláveis... todos às beiras, nas beiradas, lutando para se transbordarem e se externarem de uma vez e ponto. “O beijo tácito”. Quase não nos beijávamos dada a euforia, e tantos meios outros foram descobertos, completos e incompletos, findos e infinitos, meus óculos sempre embaçados e as luzes da cidade sob nossos pés e sobre nossas cabeças.
Sequer conseguiria ser hipócrita em dizer que não sinto falta de tudo isso, ainda mais posto à minha maneira. Você sabe que, mesmo desmemoriado como sou, cada impressão que o outro deixa a mim jamais é esquecida... elas embaçam, fragmentam-se, podem até vir a se tornar distantes e confusas, mas todas me constituem... não seria (e não foi) diferente dessa vez... mas algo mudou! Você esperaria nesse momento que eu tivesse me enclausurado, que todas as repulsas tivessem voltado a crescer nesse solo tão (in)fértil, mas hei aí a grande reviravolta!
Me fora ofertado como aprendizado deste ciclo a significação das simbologias que criamos, como o colar que levo no pescoço nesse instante. Num momento arrancado com toda a dor da mágoa implantada, noutrora buscado em meio à súplicas silenciosas de necessidades gritantes, esse que agora repousa tranquilo em meio à compreensão da importância de lembrar-se dos momentos bons alheios aos momentos que findaram estes. Hoje sei que esse objeto não represente nem o que ele foi, nem o que ele é... ele representa o que fomos juntos, e eu não seria franco ao dizer que aquilo que fomos não fora uma das partes mais memoráveis, surpreendentes e felizes de minha jornada. Se eu abandonasse isso nesse momento, perderia um grande novo olhar para tempos que já passaram e para tempos que nem sei se chegarão...
Eu fui extremamente feliz com você! Vivi momentos que me foram roubados sem piedade por tanto tempo... senti que eu mereço continuar a trilhar a vida da maneira mais espetaculosa que eu puder. Eu vi o seu sorriso, acredito que te permiti ver o meu... me encaixei no teu abraço e te encaixei ao meu... é uma pena, minha estrela, que tenhamos seguido caminhos alheios... mais uma vez, aconteceu o de sempre: a vida! Os palcos, todos eles, serão agraciados com a sua indomável sede de presença e eu espero ler o seu nome no jornal (ou num aplicativo do meu celular), na TV ou em qualquer outra tecnologia que eles venham a inventar e, nunca duvide, sempre estarei sorrindo com o orgulho latente que sempre dirigirei a você, minha estrela! Brilhe!
Fora um prazer imensurável ter coexistido a você! Até breve, ou não...














