LIBERDADE..
Depois de tanto tempo, talvez esta seja a primeira vez que caminho sem carregar o peso de me enxergar como o vilão da própria história. E essa liberdade nasceu de um diálogo, de palavras que abriram janelas onde antes só havia paredes.
Eu sei que estou longe de ser a melhor das pessoas. Ainda assim, passei a vida inteira colocando os sentimentos dos outros à frente dos meus, acreditando que amar era justamente isso: silenciar minhas dores para acolher as dores alheias. Mas esse hábito me atravessou como uma lâmina lenta. Machucou. Ainda machuca.
Por muito tempo, confundi entrega com abandono de si mesmo. Chamei de amor tudo aquilo que me esvaziava. Hoje, porém, começo a entender que o amor não deveria deixar cicatrizes tão profundas. O amor pode doer ao partir, mas não deveria ferir enquanto permanece.
E há uma tristeza serena em perceber o quanto vivi essa dinâmica de forma natural, como quem aprende a chamar tempestade de lar. Ainda dói reconhecer isso. Mas, de algum modo, também há beleza nessa descoberta.
Talvez porque, pela primeira vez, consegui falar sobre o que guardava em silêncio. E ao transformar a dor em palavra, ela deixou de ser uma prisão para se tornar apenas uma parte da minha história.
Ainda não estou completamente em paz. Mas agora consigo segurar esse sentimento com menos culpa e mais compreensão. E isso, por menor que pareça, já é uma forma de liberdade.
















