Trabalhar para uma banda famosa tem os seus privilĂ©gios. VocĂȘ conhece os maiores gĂȘnios musicais, mantĂ©m contato com os melhores empresĂĄrios, entradas VIP's para eventos e mais vĂĄrias outras coisas que com certeza fariam os olhos de qualquer pessoa brilharem. O lado chato Ă© que em uma sexta-feira, mais de nove horas da noite, vocĂȘ se encontra sentada no escritĂłrio da gravadora organizando contratos. E o pior, completamente sozinha em um prĂ©dio enorme no meio de uma Londres agitada e pronta para badalar.Â
Escutei o bipe insistente do meu celular vindo de minha bolsa pendurada em minha cadeira e resolvi atendĂȘ-lo.Â
âSexta-feira, gata! Estou indo para o pub, me encontra lĂĄ?Â
Xx (sua amiga).âÂ
Soltei um risinho da animação de (sua amiga) e me lamentei por estar presa ainda por um bom tempo por aqui. Seria excelente relaxar a cabeça na companhia de meus amigos depois do Ășltimo mĂȘs que tive.Â
O CD novo acabou de sair, gravação de videoclipe, entrevistas para divulgação, sessĂ”es de fotos e sĂł Deus sabe quantos mais eventos precisei agendar, cuidar que eles estivessem no horĂĄrio e tudo saĂsse na mais perfeita ordem. Ăs vezes penso que eu deveria ser empresĂĄria dos garotos ao invĂ©s do Fletch.Â
Concentrei-me no celular e por um segundo pensei em deixar tudo como estava para sair correndo direto para o pub tomar uma cerveja com a maluca da (sua amiga), mas como sempre, minha consciĂȘncia falou mais alto e digitei uma rĂĄpida reposta.Â
âAinda no escritĂłrio, deixa para a prĂłxima.Â
Xx (S/N).âÂ
Voltei a me concentrar nas pastas a minha frente. VĂĄrios contratos ainda sem assinaturas e clĂĄusulas para serem mudadas, o que aos poucos me fez perceber que meu trabalho estava longe de acabar nesse fim de semana. E, pela milĂ©sima vez naquela noite, passei minhas mĂŁos nervosamente pelos meus cabelos e joguei pesadamente meu corpo para trĂĄs.Â
Tampei meu rosto com as mĂŁos, implorando por uma cama quentinha e um livro qualquer, pois no estado que eu me encontrava, na primeira linha desmaiaria de sono.Â
Lembrar de minha cama me fez sentir uma pontinha de nostalgia e uma vontade de correr em direção contrĂĄria a ela. Essa cama que dividi com meu ex-noivo por anos, que sempre foi meu porto seguro, passou a ser meu pesadelo desde que me separei dele. Alguns meses jĂĄ se passaram, mas a sensação de solidĂŁo naquela cama imensa Ă© terrĂvel.Â
Balancei minha cabeça para os lados na tentativa de afastar esses pensamentos de mim e voltei ao trabalho, ainda enorme, que me esperava. Contudo, assim que comecei a revisar mais um contrato, o bipe do meu celular voltou a soar, me dando um leve susto. Peguei-o do lado do grampeador, onde havia deixado, e quando terminei de responder (sua amiga), jå podia imaginar que seria mais um sermão dela para a vida que eu estava levando. Para minha surpresa, era Zayn.
âAposto os direitos autorais de todas as minhas mĂșsicas em como vocĂȘ ainda estĂĄ na gravadora.Â
Sai dessa vida!Â
Zayn.âÂ
Sempre ele era o que se preocupava comigo, que tenta de todas as formas me dar o menos de trabalho possĂvel, colocando um pouco de ordem na bagunça feita por Niall, Louis e Liam juntos. Nesse quase um ano trabalhando para eles, consegui formar uma amizade bem sĂłlida com quase todos eles, principalmente com Zayn, um pouco menos com Liam. Nunca entendi o motivo do Payne sempre se afastar de mim e falar o menos possĂvel que conseguisse comigo. Zayn dizia que ele era desconfiado das pessoas e que era um modo de se proteger. Mas, sinceramente, sempre achei que houvesse algo mais, mas nunca consegui uma oportunidade de conversar somente com ele. Ou fugia para perto dos garotos, ou simplesmente me ignorava. No inĂcio foi complicado lidar com ele, mas com o tempo, acabei me acostumando com o jeito estranho dele de ser.Â
Respondi ao Zayn, rindo. NĂŁo deixava de dar razĂŁo a ele. Eu realmente precisava pensar mais em mim.Â
âVocĂȘs estĂŁo com a (sua amiga), nĂŁo Ă©? Parem de encher meu saco e bebam por mim!Â
Xx (S/N).âÂ
Minha consciĂȘncia deve estar muito errada! Como eu queria estar lĂĄ! Provavelmente estavam todos os cinco - nĂŁo que o Liam fizesse alguma diferença em relação a mim - se divertindo, bebendo e falando bobagens. Com a eterna discussĂŁo de qual Back To The Future Ă© o melhor, o que, na minha opiniĂŁo, nĂŁo existe o melhor; todos sĂŁo excelentes.Â
Niall, sempre dando os seus pontos de vista sagazes e fazendo todos rirem... e (sua amiga), babando ainda mais no namorado que ela tanto mima. Provavelmente, Louis, num certo ponto da noite, reclamaria que o pub cheio estava fazendo-o suar, ficando gordurento e seboso. E deixaria todos ao redor com muito nojo dele, mas gargalhando ao mesmo tempo.Â
Comecei a rir sozinha na sala espaçosa do terceiro andar, imaginado todas essas cenas e fazendo a minha vontade de curtir com meus amigos aumentar ainda mais. E quando eu imaginei como seria, o bipe do meu celular, mais uma vez, soou. E agora eu nem me dei o trabalho de recolocĂĄ-lo na mesa; ainda o segurava.Â
âMelhor cerveja da Inglaterra, hmmm!Â
Vem logo pra cĂĄ!Â
Louis.âÂ
Antes mesmo de conseguir responder ao Louis, o celular soou o bipe mais uma vez.Â
âVou contar atĂ© dez e quero ver vocĂȘ na minha frente!Â
1, 2, 3...Â
Niall.âÂ
Gargalhei alto e me decidi: uma noite sĂł nĂŁo faria o trabalho ficar maior do que jĂĄ estava e, com a cabeça fresca, conseguiria produzir muito mais. Com essas desculpas esfarrapadas para me livrar dos contratos que me massacravam havia meses, me levantei, peguei minha bolsa e meu sobretudo, que estava pendurado em um gancho atrĂĄs da porta, desliguei a luz da sala e caminhei pelo corredor vazio em direção ao elevador, que ficava no corredor seguinte.Â
O barulho dos meus saltos batendo no piso liso ecoava em meus ouvidos, junto com a brisa leve que passava por mim, devido um janela aberta no fim do corredor. Isso aumentava a minha expectativa em relação Ă quela noite, me deixando com uma pontinha de certeza de que seria bem diferente. Talvez pelo fato de hĂĄ meses eu nĂŁo conseguir sair de casa e ser uma pessoa sociĂĄvel, que realmente estava com vontade de conversar e se divertir. Definitivamente, essa vontade de aproveitar uma noite de cerveja e amigos significava que eu jĂĄ estava curada do meu noivado mal acabado.Â
Chegando quase ao fim do corredor, onde ficava a maior sala - que era o estĂșdio de gravação dos garotos -, percebi que a luz vermelha que indicava o uso da sala, estava acesa.Â
AlguĂ©m devia ter esquecido de desligar a luz quando saiu daqui, pois eu tinha plena certeza de que estava sozinha no prĂ©dio - alĂ©m do zelador e do segurança noturno.Â
Entrei sem prestar muita atenção e fui direto no grande painel que ficava em frente a janela de vidro Ă prova de som, procurando pelo botĂŁo que desligaria a luz vermelha. Depois de muito olhar, consegui encontrar e, quando fui apertĂĄ-lo, duas batidas no vidro a minha frente me fizeram pular de susto.Â
Com uma mĂŁo no peito e o rosto assustado, encarei a figura que me olhava, tentando segurar a gargalhada que estava por vir.Â
- O que vocĂȘ estĂĄ fazendo aqui essa hora? - consegui perguntar, ainda meio ofegante devido o susto.Â
Ele apontou para os ouvidos, balançando de leve a cabeça, indicando que nĂŁo estava me escutando. Passei a mĂŁo pelos cabelos e respirei fundo, encarando-o. Fiz sinal para que ele saĂsse daquela sala. Ele balançou a cabeça afirmativamente e se dirigiu para fora.Â
- O que vocĂȘ estĂĄ fazendo aqui essa hora? - repeti para ele.Â
- Terminando de ajeitar uns arranjos para o primeiro show, mas nĂŁo consigo criar nada. - Liam apertou a nuca, num gesto que demonstrava cansaço e frustração ao mesmo tempo.Â
Pensei em onde eu estava indo e o motivo que estava me levando para lĂĄ; exatamente o mesmo motivo que ele precisava no momento. Relaxar.Â
- Eu estou indo para o pub que a gente sempre vai; os meninos estĂŁo lĂĄ com a (sua amiga). NĂŁo quer ir tambĂ©m? Assim vocĂȘ relaxa e, quem sabe, amanhĂŁ vocĂȘ consiga produzir algo - propus a ele.Â
Liam me encarava com uma sobrancelha levantada, parecendo nĂŁo acreditar no meu convite. Talvez por consciĂȘncia do modo como ele sempre me tratou, ele nĂŁo esperava que eu pudesse ser simpĂĄtica com ele.Â
Ele parecia ponderar algo, um motivo mais forte que o fez dar um passo para trĂĄs e voltar a apertar a nuca com a outra mĂŁo.Â
- Ă melhor nĂŁo; eu realmente preciso acabar aqui. Pode ir, vocĂȘ - ele disse, se virando para entrar novamente na sala, com todos os instrumentos que o One Direction utilizava.Â
Em gesto impensado, andei em sua direção e segurei seu braço, assim ele que abriu a porta. Liam parou na hora, como se tivesse acabado de virar uma estĂĄtua. Uns segundos depois, ele encarou minha mĂŁo em seu braço e me olhou com uma expressĂŁo vazia.Â
Uma coragem que eu nunca tive apareceu na hora - que me pareceu o momento perfeito de tirar todas as minhas dĂșvidas com ele.Â
- EstĂĄ bem, Liam. Qual o seu problema comigo? Por que eu realmente nĂŁo entendo o motivo de vocĂȘ me tratar tĂŁo mal e me evitar. Por favor, me diz se eu jĂĄ fiz algo para vocĂȘ porque eu quero me desculpar! NĂŁo dĂĄ pra trabalhar com alguĂ©m que nĂŁo suporta nem ficar no mesmo ambiente que eu. - Despejei de uma vez sĂł, antes que a minha coragem fosse embora.Â
Ele me olhava, assustado e sem ação pelas palavras que pronunciei. Liam parecia nĂŁo acreditar que eu, finalmente, toquei no assunto. Ele ainda estava parado na mesma posição, somente a sua expressĂŁo assustada denunciava seu estado de espĂrito.Â
Ficamos um tempo nos olhando e, quando percebi que ele nĂŁo teria uma resposta para me dar, acabei entregando os pontos e me dei por vencida. Ele realmente me odiava ao ponto de eu nem merecer uma explicação para tal coisa.Â
Soltei seu braço e desviei meu olhar para a porta, soltando o ar pesadamente.Â
- Desculpe-me por te incomodar â falei, indo para fora do estĂșdio de gravação com um sentimento que eu sĂł podia traduzir como um misto de derrota e decepção... de mim mesma, por ter feito algo tĂŁo terrĂvel com alguĂ©m para merecer tal tratamento, mas o que me deixava mais triste era exatamente isso. Ficar triste. Eu nunca fiquei triste por ele me tratar assim. No mĂĄximo magoada, mas nunca um sentimento tĂŁo profundo como a tristeza que eu estava sentindo no momento.Â
Eu estava a poucos passos da porta, com a mĂŁo em cima da maçaneta, quando percebi que ele se movimentava atrĂĄs de mim.Â
- (S/N)? - ele me chamou, receoso.Â
Travei na mesma hora e fechei meus olhos. Foram raras as vezes em que ele me chamou pelo nome, e escutĂĄ-lo o pronunciando agora me fez sentir pequenos choques elĂ©tricos.Â
Como eu nunca percebi o quĂŁo grave e provocante era sua voz?Â
Tentei me livrar desses pensamentos sem cabimento e virei em sua direção encarando o chĂŁo.Â
- SerĂĄ que vocĂȘ pode olhar para mim? - ele pediu, chegando mais perto. - O que eu vou falar agora prefiro que seja olhando em seus olhos. - Liam completou, seriamente.Â
Uma onda de surpresa me inundou e automaticamente o olhei, sem entender o significado de suas palavras. Quando o fiz, percebi o quanto Liam estava prĂłximo; eu conseguia sentir a pequena brisa que sua respiração pesada deixava no ar a minha frente, como seu peitoral subia e descia em um ritmo mais frequente que o normal, conseguia perceber tambĂ©m o quĂŁo mais alto ele era Ă mais que eu.Â
- Estou esperando - consegui dizer, com a voz embargada, devido as sensaçÔes que nos Ășltimos minutos resolveram me arrebatar.Â
Ele balançou a cabeça positivamente, respirando fundo vĂĄrias vezes e fechou os olhos bem apertados.Â
- Ă bem provĂĄvel que vocĂȘ me ache louco. - Ele abriu os olhos e deu um meio sorriso totalmente angustiado. - Mas estĂĄ insuportĂĄvel pra mim tambĂ©m essa situação, ficar te evitando o tempo todo e tendo que te tratar mal para vocĂȘ nĂŁo se aproximar de mim. Eu nĂŁo quero mais isso! NĂŁo quero mesmo! Quero que vocĂȘ saiba tudo o que eu sinto. - Liam continuou a dizer e finalizou segurando minha mĂŁo levando ao seu peito, bem em cima de seu coração.Â
Pude sentir as batidas aceleradas e descompassadas que ele dava, e imediatamente minha respiração ficou mais pesada.Â
O que ele sente? Do que ele estĂĄ falando? Ele sente Ăłdio de mim! Ele nĂŁo me suporta! Ă isso que ele sente!Â
Mas por que seu coração ficaria desse jeito se ele somente me odiasse? E por que seus olhos denunciavam uma tristeza nĂtida? Por que seu meio sorriso adorĂĄvel era tambĂ©m angustiado?Â
Nada fazia sentido em minha cabeça e isso me deixava muito confusa.Â
- Liam, sĂł o que eu quero que vocĂȘ me dĂȘ Ă© uma explicação. Eu jĂĄ sei que vocĂȘ nĂŁo gosta de mim, nĂŁo me suporta por perto - eu disse, sentindo um bolo crescente na garganta.Â
- Eu nĂŁo gosto de vocĂȘ? Em qual momento eu disse isso para alguĂ©m? - Ele me olhava mais intensamente. - Acho que o que sinto Ă© bem o avesso disso.Â
Olhei chocada para ele e, como se minha mĂŁo de repente estivesse em brasas por estar presa ao toque dele, soltei-a apressadamente e a coloquei rente ao meu corpo.Â
- Como assim, Liam? Eu nĂŁo estou entendo mais nada! â falei, exasperada, querendo uma explicação coerente.Â
Ele me olhou, torturado, e uma expressĂŁo de raiva o tomou.Â
- VocĂȘ quer que eu explique mais o quĂȘ? Eu nĂŁo tenho mais como explicar! VocĂȘ quer que eu diga o quĂȘ? Que eu te amo? Ă isso? EntĂŁo, tĂĄ! Eu te amo! Satisfeita? Agora pode voltar para o seu noivinho e me deixar em paz. - Ele virou de costas e voltou, marchando, para dentro da sala de instrumentos.Â
Observei-o entrando na sala, totalmente surpresa pela declaração que ouvi saindo de sua boca. Ele me... ama? Ă isso mesmo? Mas isso Ă© impossĂvel! Ele nem gosta de ficar perto de mim; como ele pode me amar? NĂŁo faz sentido!Â
Ele estava certo; eu realmente o acho louco!Â
Mas ele falou de noivo? Voltar para o meu noivo? NĂłs terminamos hĂĄ mais de quatro meses - serĂĄ que ele nĂŁo sabe? ImpossĂvel... todos os meninos sabem, com certeza ele jĂĄ deve ter ouvido algum comentĂĄrio.Â
Andei em direção a sala de instrumentos e abri a porta sem nem pensar. Nesse quase um ano trabalhando aqui eu nunca havia entrado nessa sala. E agora eu entrava, depois de uma descoberta dessa.Â
Liam estava sentado em um dos quatro bancos pretos, que se encontravam espalhados pelo recinto, com os cotovelos apoiados em cima de suas pernas. Ele segurava sua cabeça entre as mĂŁos olhando para baixo.Â
Fechei a porta atrĂĄs de mim e me encostei na mesma ainda olhando para ele.Â
- Liam? Isso que vocĂȘ disse Ă© sĂ©rio? - perguntei baixinho. - Porque se vocĂȘ estiver brincando comigo...Â
Ele deu uma risadinha, ainda com o rosto escondido nas mĂŁos.Â
- Quem dera eu estivesse brincando - ele falou, se virando para mim. - Seria tudo mais fĂĄcil. Eu nĂŁo me importaria com vocĂȘ e assim vocĂȘ seguiria sua vida com seu noivo, sem que isso me incomodasse.Â
Fiquei estupefata com as coisas ditas por ele e me dei conta de que, realmente, ele nĂŁo fazia ideia de que eu jĂĄ nĂŁo era mais noiva.Â
Caminhei de encontro a Liam. Quando cheguei a uma certa distĂąncia dele, me abaixei para ficar em um nĂvel que eu pudesse olha-lo de frente.Â
- VocĂȘ estĂĄ um pouco desinformado â disse, sorrindo. - Eu terminei com meu noivo hĂĄ mais de quatro meses.Â
- Mas... mas... - Ele me olhou, surpreso, e depois de um tempo olhando para mim, ele pareceu encontrar uma resposta para sua pergunta nĂŁo dita. - Claro que eu nĂŁo tinha como saber disso. Eu estava tĂŁo obcecado em esquecer que vocĂȘ existe, que quando a conversa tinha vocĂȘ no meio, eu fazia questĂŁo de sair de perto. - Ele me encarou por um tempo e desviou o olhar para minha mĂŁo direita, que repousava em cima de minha perna. - Por que vocĂȘ ainda usa aliança?Â
- Essa daqui nĂŁo Ă© a aliança. Quando eu a tirei, percebi que pelo tempo que eu jĂĄ a usava, fiquei com o meu dedo marcado. EntĂŁo, eu comprei um anel para colocar no lugar â expliquei, sorrindo, enquanto olhava e mexia no anel.Â
Voltei minha atenção para ele, que parecia nĂŁo saber o que fazer, agora que sabia a verdade. Liam agora encarava o chĂŁo, pensativo. De repente, se levantou, caminhando para a parede prĂłxima a ele. Levantei-me tambĂ©m e voltei a me encostar na porta.Â
Ele olhava para a parede com uma mĂŁo no bolso e a outra segurava seu pescoço.Â
Eu o observei por um tempo, tambĂ©m sem saber o que fazer. Queria que ele dissesse algo, que me mandasse embora, ou atĂ© mesmo que falasse que era uma brincadeira - de muito mal gosto, diga-se de passagem. Mas ele nĂŁo esboçava reação alguma; somente ficava encarando a parede.Â
Ainda olhando para as costas dele, percebi que nĂŁo sabia o que eu queria que ele fizesse. Nunca pensei no Liam de um modo diferente, alĂ©m de um integrante do One Direction. Ele se mostrando dessa maneira para mim, fez-me ver que eu nĂŁo o conhecia de verdade e, definitivamente, nĂŁo queria magoĂĄ-lo. E por isso, resolvi deixĂĄ-lo pensar sozinho. Desencostei da porta e me virei para abri-la. Quando ia saindo da sala, senti a mĂŁo de Liam me puxar e me virar para ele. Antes que eu pudesse falar algo, ele fechou a porta e me beijou.Â
No inĂcio, era sĂł um encostar de lĂĄbios que se tornava cada vez mais urgente. Um de seus braços me segurou pela cintura, fazendo meu corpo colar ao dele e a sua mĂŁo livre passou por minha nuca, segurando meus cabelos. Sua lĂngua pediu passagem Ă minha boca, que avidamente lhe cedeu espaço. Minha mĂŁo segurava firmemente sua nuca, mantendo-o firme no beijo, enquanto minha outra mĂŁo passeava pela suas costas.Â
Eu nĂŁo conseguia pensar coerentemente. Essa era uma situação que nunca havia imaginado, mas que com toda a certeza era a mais prazerosa. Nenhum outro corpo se encaixou tĂŁo perfeitamente ao meu e me fez sentir as pernas cederem com apenas um beijo. Liam definitivamente tinha algo de diferente, que fazia me sentir diferente. Eu me sentia viva, como nunca antes havia me sentido.Â
Ele me empurrou contra a porta ainda com nossos lĂĄbios colados. Suas mĂŁos fizeram todo o caminho de meus braços atĂ© chegarem aos meus ombros, conduzindo meu sobretudo ao chĂŁo.Liam foi diminuindo a intensidade dos beijos dando leves selinhos em meus lĂĄbios, colou nossas testas e olhou diretamente em meus olhos.Â
- HĂĄ quase um ano eu espero para sentir vocĂȘ nos meus braços. - Ele me deu mais um selinho. - E toda essa espera valeu a pena. - Ele sorriu de lado meio ofegante e voltou a me beijar com paixĂŁo.Â
Eu jĂĄ nĂŁo queria pensar mais, sĂł queria sentir. Sentir o toque quente que ele transmitia Ă minha pele, os choques elĂ©tricos que seus beijos provocam em meu corpo. Eu queria senti-lo.Â
Minhas mĂŁos tatearam suas costas atĂ© encontrar a barra de sua blusa Ă puxando para cima, deixando o caminho livre para sentir de verdade sua pele. Assim que minhas mĂŁos o tocaram,Liam tremeu levemente e soltou um gemido, me imprensando mais contra a porta. Suas mĂŁos apertavam fortemente minha cintura e uma dor prazerosa me inundava, seus dedos passaram contra minha barriga por cima do tecido fino da blusa de botĂ”es, que ele prontamente desabotoou Ă levando ao chĂŁo para fazer companhia ao sobretudo.Â
Segurei novamente a barra de sua blusa e a puxei para cima. Ele soltou nossos lĂĄbios e suas mĂŁos de meu corpo e ajudou a tirar a blusa a jogando em um canto longe. Nesse momento ele aproveitou e olhou intensamente para meu tronco seminu, que era coberto apenas por meu sutiĂŁ de renda rosa claro. Seus olhos transmitiam luxĂșria e admiração, ele parecia nĂŁo acreditar que realmente estĂĄvamos naquela situação. Liam levou suas mĂŁos ao meu rosto e o puxou contra seus lĂĄbios mais uma vez.Â
Com nossas respiraçÔes cada vez mais ofegantes e pesadas, ele desceu suas mĂŁos atĂ© minha cintura me levantando, minhas pernas se prenderam em sua cintura e ele nĂłs levou atĂ© o grande sofĂĄ preto no canto da sala. Eu conseguia sentir seu membro enrijecido tocar minha intimidade, nos fazendo sentir cada vez mais necessidade um do outro. Liam me deitou gentilmente e depois repousou seu corpo sobre o meu, minhas pernas voltaram a envolver seu corpo o colando mais apertado contra o meu.Â
Ele ofegava cada vez mais e apertava cada vez mais meu corpo, Liam soltou meus lĂĄbios e traçou um caminho de beijos pelo meu pescoço puxando as alças do sutiĂŁ, atĂ© chegar ao meu colo. Minhas costas se ergueram e prontamente ele achou o fecho do sutiĂŁ o tirando e jogando ao chĂŁo. Sua mĂŁo habilidosa brincava com um seio, enquanto seus lĂĄbios trabalhavam em outro.Â
InevitĂĄveis gemidos e arfadas saiam de minha boca, minhas mĂŁos puxavam seus cabelos e minhas pernas o apertavam cada vez mais contra mim. Liam desceu os beijos pela minha barriga, juntamente com suas mĂŁos tocando o botĂŁo da minha calça, ele ergueu os olhos para mim como se pedisse permissĂŁo para continuar e quando viu que nenhuma objeção foi pronunciada, ele a abriu.Â
De uma vez sĂł ele puxou minha calça e minha calcinha, enquanto as tirava ele distribuĂa beijos por toda a extensĂŁo de minha perna atĂ© chegar ao meu pĂ© e tirar minhas sandĂĄlias, Liam atirou ao chĂŁo as peças de roupa e mais uma vez parou para admirar meu corpo, agora, completamente nu. Seus olhos agora eram pura luxĂșria, um sorriso malicioso brotou em seus lĂĄbios e avançou contra meu corpo, se encaixando novamente em mim, me deixando sentir mais prĂłximo seu membro pulsante e beijando meu lĂĄbios com toda a vontade, a paixĂŁo e o tesĂŁo que ele sentia.Â
Minhas mĂŁos o afastaram de leve, atĂ© encontrar o botĂŁo de sua calça, soltando-o. Puxei o zĂper e a conduzi pernas abaixo, com a ajuda de Liam retirando os tĂȘnis e pegando sua carteira. Segurei o cĂłs de sua boxer preta e a puxei para baixo tambĂ©m. Eu nĂŁo conseguia mais aguentar aquela expectativa, eu precisava senti-lo dentro de mim.Â
Liam levantou completamente seu corpo, tirando uma camisinha da carteira que segurava; rapidamente a colocou e voltou a distribuir beijos por meu rosto, quando finalmente chegou a minha boca intensificando o beijo, eu senti seu membro me invadir. Ele fazia movimentos vagarosos arrancando gemidos sofridos de minha garganta e da sua, aos poucos foi aumentando o ritmo de estocadas.Â
Nossos corpos suados trabalhavam juntos em Ășnico sentido: dar prazer um ao outro. Minhas mĂŁos arranhavam suas costas e apertavam sua cintura, gemidos cada vez mais altos saiam de minha boca. Eu sentia seu membro me preencher completamente de um jeito delicioso, como eu nunca antes senti.Â
Eu podia sentir seus movimentos ficarem cada vez mais rĂĄpidos, nossas respiraçÔes denunciavam que o orgasmo chegaria logo. Com estocadas mais precisas, eu senti meu corpo todo ser inundado por um frenesi contagiante, que me fez apertar o corpo de Liam contra o meu, e assim chegamos ao ĂĄpice juntos. Ele relaxou sobre mim com sua respiração pesada e beijou levemente meus lĂĄbios.Â
Ficamos assim por um tempo somente sentindo a respiração um do outro aos poucos se estabilizarem. Liam alisava meus cabelos e eu inevitavelmente fazia carinho em suas costas nuas.Â
Eu ainda tentava entender o que havia acontecido comigo, o que havia me levado a ceder aos meus instintos mais primitivos, e o principal, o motivo de ter feito isso com o Liam. Logo ele, que nunca inspirou se quer simpatia a mim, nĂŁo podia negar que ele era um homem lindo, com suas costas largas, seus braços fortes e traços marcantes, seus lindos olhos castanhos, que pela primeira vez eu vi brilharem tĂŁo intensamente, que jurei que eles haviam se tornado uma cor diferente.Â
Ele beijou minha testa e se levantou do sofĂĄ, jogando a camisinha fora no fundo de uma lixeira cheia, que estava ao lado do sofĂĄ. Eu me sentei pegando parte das minhas roupas do chĂŁo e em um silĂȘncio sepulcral, eu comecei a me vestir o vendo fazer o mesmo.Â
JĂĄ completamente vestida, peguei minha bolsa do chĂŁo e vi Liam colocando sua carteira no bolso. Pigarreei baixinho, tentando chamar a atenção dele, o que surtiu efeito, pois ele me olhou.Â
- Eu jĂĄ vou embora - falei de uma vez, jĂĄ andando para a porta.Â
Ele correu na minha direção e pegou a minha mĂŁo.Â
- Espera! Eu te levo pra casa. - Ele se ofereceu, sorrindo ternamente.Â
- NĂŁo precisa se incomodar. Ă serio, eu sempre vou embora sozinha, nĂŁo tem mistĂ©rio - falei.Â
- NĂŁo Ă© incĂŽmodo - ele disse, me olhando seriamente. - (S/N), vocĂȘ nĂŁo precisa ficar com vergonha do que houve aqui. Somos adultos, jĂĄ â completou, segurando minha outra mĂŁo a levando atĂ© sua boca e depositando um beijo leve.Â
Fechei meus olhos fortemente, tentando espantar as sensaçÔes que aqueles toques simples causavam Ă minha pele. Um calor intenso subia por minhas bochechas me fazendo corar absurdamente.Â
Liam riu de leve, vendo meu rosto com o tom escarlate e me puxou para um abraço.Â
- Por favor, me deixa te levar em casa. Eu sĂł quero ter a oportunidade de conversar com vocĂȘ - ele pediu, ainda abraçado comigo. - Acho que a gente começou ao contrĂĄrio - Liam disse e riu.Â
NĂŁo pude segurar um riso e isso o fez me apertar mais no abraço. Ele se separou de mim ainda segurando meus braços, me deu um selinho, segurou minha mĂŁo e se dirigiu para fora do estĂșdio.Â
Dei-me por vencida, me deixando ser guiada pelo prĂ©dio afora. O carro de Liam era o Ășnico ainda estacionado na frente do prĂ©dio. Ele retirou a chave do bolso, apertando um botĂŁo fazendo um bipe sair do carro. Ele abriu a porta para mim sorrindo e correu para o lado do motorista.Â
A viagem, ao contrĂĄrio do que eu pensei, ocorreu em silĂȘncio, o que me possibilitou pensar no que estava acontecendo.Â
Em apenas uma noite, tantas coisas! Tantos sentimentos, descobertas, surpresas. Quem um dia imaginaria que aquele desprezo todo, era o mais simples e puro amor da parte de Liam? Que sĂł me tratava assim porque respeitava meu relacionamento com meu ex-noivo, achando que era o que me faria mais feliz. E o mais incrĂvel, ele se privou da prĂłpria felicidade somente para que eu tivesse a minha. Como ele pensou errado! Eu nunca fui feliz, talvez tivesse sido no inĂcio, mas com o passar do tempo foi o comodismo que me fez continuar com aquele relacionamento. Estupidez a minha, confesso, mas eu sempre fui muito insegura e o medo de ficar sozinha sempre me fez recuar com a ideia de separação.Â
E hoje, talvez por desespero dele, ele resolveu confessar tudo o que sentia, me deixando totalmente surpresa. Momentaneamente, parecia realmente loucura. Nada do que ele falava parecia fazer sentido para mim. Acho que para ninguĂ©m que estivesse na minha situação isso faria algum sentido. Mas depois dos momentos mais embaraçosos, inesperados e prazerosos que tive com ele, eu vi que eu realmente nunca me senti ligada e completa com alguĂ©m em todo minha vida, como estive em menos de uma hora com ele.Â
Um leve sorriso brotou em meu rosto e eu me virei para olhĂĄ-lo dirigir. Liam percebeu minha movimentação e olhou para mim quando o carro parou em um sinal.Â
- EstĂĄ tudo bem? - ele perguntou, me olhando nos olhos.Â
- EstĂĄ tudo Ăłtimo - eu disse, alargando meu sorriso para ele, que devolveu um sorriso contente.Â
- NĂŁo sei vocĂȘ, mas eu estou morrendo de fome! - ele disse, passando a mĂŁo na barriga.Â
- Eu jĂĄ estou sentindo meu estĂŽmago nas costas! - Parecendo adivinhar, meu estĂŽmago reclamou alto, nos fazendo rir.Â
O sinal voltou a abrir e ele arrancou com o carro, me fazendo perceber que eu nĂŁo havia explicado como se chegava a minha casa, mas ele parecia extremamente certo do caminho que estava tomando.Â
- Liam? VocĂȘ sabe pra onde estĂĄ indo? â perguntei, confusa.Â
- Claro que sei; jĂĄ deixei o Zayn algumas vezes lĂĄ. - Ele explicou, me olhando rapidamente. - Mas Ă© Ăłbvio que o Zayn nunca comentou isso - ele completou.Â
- Ă, ele nunca falou. Mas nĂŁo era para menos; o clima entre a gente nunca foi exatamente um mar de rosas. - Enfatizei a nossa situação atĂ© poucas horas atrĂĄs esperando para ver como ele reagiria.Â
- Ă verdade - ele falou e parou o carro.Â
Quando me dei conta, jĂĄ estava na frente do meu prĂ©dio.Â
- (S/N), eu queria realmente me desculpar com vocĂȘ por todo esse tempo que eu a tratei mal. Eu sinto muito mesmo! Mas foi o Ășnico jeito que eu encontrei para tentar amenizar as coisas. Eu pensei que se vocĂȘ me odiasse, seria mais fĂĄcil de te esquecer e deixar a sua vida seguir o curso dela. - Liam explicou, pesaroso, sem desviar os olhos de mim.Â
- Esquece isso; eu jĂĄ entendi vocĂȘ, nĂŁo precisa ficar se desculpando. - Deixei claro para ele que aquilo para mim jĂĄ era passado.Â
- Que bom que vocĂȘ entende. Fiquei com medo de vocĂȘ me achar um maluco e sair correndo de mim - ele confessou, rindo.Â
- Mas eu o achei louco mesmo! PorĂ©m, eu entendi os seus motivos â disse, pegando as mĂŁos dele que estavam em cima de suas pernas.Â
Ele sorriu olhando para nossas mĂŁos juntas, apertando a minha carinhosamente e voltou a me olhar. Num impulso, Liam chegou mais perto, me beijando calmamente.Â
Ainda era difĂcil controlar as emoçÔes tĂŁo diferentes que me percorriam. Era estranho senti-lo tĂŁo perto de mim, mas, ao mesmo tempo, era tĂŁo gostoso e reconfortante.Â
Liam se afastou, sorrindo levemente, e eu percebi que agora era a hora que eu sairia do carro, me despediria para voltar a dormir sozinha naquele apartamento que sĂł me transmitia emoçÔes dolorosas. E foi aĂ que eu me dei conta que eu nĂŁo queria que ele fosse embora.Â
- Sabe o que eu acho? â disse, sorrindo, fazendo carinho em sua mĂŁo. - Que jĂĄ estĂĄ mais do que na hora de vocĂȘ conhecer a minha famosa macarronada! â completei, rindo.Â
- EstĂĄ falando sĂ©rio? Porque o que eu jĂĄ ouvi de elogios, sĂł me deixou imaginando que era tudo mito!Â
- Claro que Ă© sĂ©rio! Vou te mostrar que nĂŁo Ă© mito; vem! - o chamei, abrindo a porta do carro.Â
Estava colocando os talheres e os pratos sobre a mesa, enquanto Liam me observava e abria uma garrafa de vinho. Ele distribuiu cuidadosamente o lĂquido em dois copos e me ofereceu um deles.Â
Eu nĂŁo preciso dizer que estava achando isso tudo surreal, toda essa noite estava sendo uma completa e intrigante surpresa para mim. Uma surpresa totalmente agradĂĄvel, devo dizer. Em todos os momentos, Liam foi gentil e engraçado; atĂ© me ajudou a cozinhar! Ele estava revelando um lado totalmente desconhecido, mas a impressĂŁo que me dava era de que esse era o Liam de verdade. Aquele que ele nunca quis me mostrar. E ele Ă© simplesmente a pessoa mais incrĂvel que eu jĂĄ conheci.Â
Assim que entramos no apartamento eu o levei atĂ© a sala e fui correndo para o meu quarto tomar um banho. Tentei ser o mais rĂĄpida possĂvel, mas se eu nĂŁo fosse vigilante, os meus pensamentos me traĂam e eu me pegava relembrando cada segundo, cada toque, cada respiração entrecortada que dividi com o cara que estava sentado no sofĂĄ da minha sala. Um sorriso bobo era arrancado de mim inevitavelmente, o que me fazia balançar a cabeça e me achar um completa maluca.Â
Agora era ele quem sorria meio abobadamente para mim, enquanto se sentava Ă cadeira e eu pegava a travessa com a macarronada.Â
- Essa tem o seu dedo, entĂŁo se estiver ruim, Ă© sua culpa - disse para ele, enquanto repousava a travessa em cima do descanso de mesa para coisas quentes.Â
- JĂĄ estĂĄ querendo tirar o corpo fora? - ele brincou, rindo.Â
- Foi sĂł um aviso pra diminuir suas expectativas â respondi, tambĂ©m rindo.Â
Ele riu ainda mais balançando a cabeça negativamente, enquanto eu o servia. Sentei-me Ă frente dele e me servi tambĂ©m, o observando comer o primeiro pedaço.Â
Continuei olhando enquanto ele mastigava e fazia caras e bocas. AtĂ© que ele acabou de mastigar e tomou um gole de vinho e me olhou divertidamente.Â
- VocĂȘ sabe que todos estĂŁo errados, nĂŁo Ă©?Â
Eu o olhei assustada e provei um pedaço. Mastiguei e constatei que essa macarronada estava tĂŁo boa quanto as outras. O que ele queria dizer?Â
Liam riu da minha expressĂŁo e completou.Â
- Isso Ă© bem melhor do que me falaram! Acho que passo a vida toda a base da sua macarronada, sem reclamar.Â
- Seu ridĂculo! VocĂȘ me deu um susto! - Empurrei de leve seu ombro, fazendo Liam rir mais ainda.Â
Terminamos de comer em meio a conversas que pareciam nĂŁo ter fim, e a cada declaração dele, eu ficava mais fascinada e incrivelmente boba em saber que ele nĂŁo era nem um pouco estranho e egocĂȘntrico, do jeito que eu imaginei.Â
Levantei-me para tirar a louça da mesa e prontamente ele me ajudou, ainda elogiando meus dotes culinĂĄrios.Â
- Nada mais justo eu te ajudar a lavar. Acabei de comer de graça na sua casa - ele falou, parando ao meu lado em frente a pia.Â
Olhei desconfiada para ele.Â
- VocĂȘ estĂĄ falando sĂ©rio? Sabe que isso nĂŁo tem nada a ver - respondi.Â
- Eu quero ajudar. Agora vocĂȘ lava, e eu seco. NĂŁo quero arriscar quebrar suas louças - Liam falou, pegando o pano da pia e me encarou.Â
Suspirei e me dei por vencida, e enquanto eu lavava, ele realmente secava as louças. Sempre no bom humor e perguntando cada detalhe da minha vida. Liam parecia ter uma curiosidade incrĂvel sobre mim, o que achei muito engraçado, mas o que me deixou chocada foi descobrir que eu nĂŁo sabia nada da vida dele. NĂŁo como eu pensava conhecer.Â
Quando terminamos e Ăamos para a sala, meu celular começou a tocar em minha bolsa, que estava jogada em cima do sofĂĄ. Sentei-me ali e Liam sentou ao meu lado, trazendo consigo as taças e o vinho. Peguei o celular e nĂŁo fiquei nem um pouco surpresa em ver quem ligava.Â
- Oi, (sua amiga).Â
- Onde vocĂȘ estĂĄ? Niall estĂĄ contando atĂ© agora! - ela disse, rindo, enquanto os outros riam junto com ela ao fundo.Â
- Diz pro Niall que ele vai contar atĂ© segunda, porque eu nĂŁo vou aparecer. Desculpa â respondi, rindo.Â
- Fala sĂ©rio, (S/N)! VocĂȘ se divertiria tanto! Liam nem apareceu, o que deixaria atĂ© o clima bem melhor pra vocĂȘ - ela falou, manhosa, tentando me convencer.Â
Quando ela mencionou a ausĂȘncia de Liam, eu nĂŁo me contive e gargalhei alto.Â
- O clima pra mim estĂĄ melhor sĂł por que o Liam nĂŁo foi? - repeti suas palavras para ele tomar conhecimento.Â
E do mesmo jeito que eu fiz, Liam gargalhou alto.Â
- Quem estĂĄ com vocĂȘ? - (sua amiga) perguntou, desconfiada.Â
- NinguĂ©m! Ă a TV que estĂĄ ligada - respondi rĂĄpido e Liam parou de rir imediatamente para me encarar.Â
- NĂŁo acredito que vocĂȘ jĂĄ estĂĄ em casa! - ela exclamou.Â
- (sua amiga), Ă© sĂ©rio. Eu realmente nĂŁo vou. Uma dor de cabeça nĂŁo me deixa desde cedo, acho que cerveja e mĂșsica alta nĂŁo vai ajudar. Melhor eu dormir um pouco agora.Â
- Poxa, queria tanto vocĂȘ aqui. Mas se vocĂȘ estĂĄ assim, Ă© melhor descansar mesmo. AtĂ© amanhĂŁ! Beijos e melhoras. - Ela se despediu tristemente de mim.Â
- AtĂ© amanhĂŁ. Beijos e obrigada - respondi.Â
Ele ainda me olhava, agora de braços cruzados com a expressĂŁo fechada, mas os seus olhos transmitiam pura tristeza. Mas o que ele esperava? Que eu contasse tudo para ela pelo telefone, enquanto (sua amiga) bebia com os amigos dele em um pub? Acho que nĂŁo seria muito sensato.Â
- O que foi, Liam? â perguntei, mesmo sabendo a resposta.Â
- Por que vocĂȘ mentiu sobre mim? VocĂȘ nĂŁo quer que os outros saibam da gente? - ele disse, tentando controlar a voz, sem deixar transparecer o quanto nĂŁo gostou disso.Â
- Liam, eu nem sei o que estĂĄ havendo entre a gente. Isso tudo ainda Ă© muito confuso pra mim! E tambĂ©m, vocĂȘ nĂŁo esperava que eu fosse contar que nĂłs nos entendemos e muito menos a forma como isso aconteceu pelo telefone, nĂ©? - falei o que estava pensando sobre tudo.Â
Ele pareceu ponderar minhas palavras e relaxou os braços.Â
- Ă, vocĂȘ tem razĂŁo. Melhor preparar os quatro para entender a coisas - ele disse.Â
- Quando eu entender, eu vou explicar - falei baixinho, olhando para as minhas mĂŁos.Â
Ele soltou pesadamente sua respiração e segurou minhas mĂŁos com uma sua. A outra mĂŁo ele levou atĂ© meu queixo, levantando meu rosto para olhar em meus olhos.Â
- Eu jĂĄ deixei claro o que eu sinto, e de forma alguma quero que vocĂȘ se sinta pressionada a sentir qualquer coisa por mim. Eu vou fazer as coisas da forma como vocĂȘ preferir. Quero me entender com vocĂȘ, nĂŁo quero maus entendidos e se vocĂȘ quiser ter alguma coisa comigo, alĂ©m de amizade, vocĂȘ vai me fazer o cara mais feliz do mundo. Mas o mais importante Ă© saber que vocĂȘ tem consciĂȘncia da forma como eu te vejo e que vocĂȘ decida o melhor, independentemente do que vocĂȘ achar que seja - Liam falou, de maneira doce, porĂ©m, com pura convicção de todas as palavras pronunciadas.Â
Eu pesei as suas palavras e sua expressĂŁo, ambas me fizeram crer firmemente que ele estava sendo sincero.Â
- Obrigada. - SĂł pude dizer isso e deixar um sorriso tĂmido aparecer.Â
Fiquei muito aliviada pelas coisas ditas me soarem tĂŁo verdadeiras e tĂŁo seguras. Liam, definitivamente, era o meu sopro de ar fresco em meio ao verĂŁo escaldante. Desde que ele me tocou a primeira vez essa noite, eu pude perceber que algo de diferente estava por vir. Nunca imaginei que ele passaria de um estranho conhecido para o meu porto seguro.Â
Ele sorriu de volta para mim e me puxou para um abraço de lado, enquanto me passava uma taça de vinho. Relaxei minha cabeça em seu ombro e suspirei aliviada, me sentindo leve, como nunca antes havia me sentido.Â
A madrugada avançou, e com o tempo os nossos assuntos pareciam sĂł aumentar. e o conforto da presença um do outro deixava o clima relaxado e descontraĂdo. AtĂ© que meu corpo jĂĄ cansado do dia de trabalho e bem, do exercĂcio fĂsico tambĂ©m, começou a pedir por descanso.Â
- VocĂȘ estĂĄ cansada, nĂŁo Ă©? Melhor eu ir embora - Liam falou, se levantando e espreguiçando.Â
Eu realmente queria me deitar e dormir feito uma pedra, como nĂŁo acontecia fazia tempo. Mas eu tambĂ©m queria que ele ficasse mais; sĂł a sua presença jĂĄ era o suficiente pra me fazer relaxar. PorĂ©m, eu nĂŁo podia pedir que ele ficasse, eu precisava de um tempo para mim. Queria assimilar os fatos da noite sem tĂȘ-lo por perto para confundir minhas percepçÔes.Â
- Eu realmente estou cansada â disse, com pesar.Â
- Eu percebi e, pra falar a verdade, eu tambĂ©m estou - ele me disse, sorrindo.Â
- Te acompanho atĂ© a porta, entĂŁo â falei, me levantando tambĂ©m.Â
Andamos em silĂȘncio atĂ© a porta, a destranquei e ele foi para o lado de fora. Liam me encarava com uma expressĂŁo indecifrĂĄvel, atĂ© que chegou perto e me deu um selinho exitante.Â
O choque dos nossos lĂĄbios fez meu corpo inteiro se arrepiar.Â
Antes que ele se afastasse demais, passei meus braços para o seu pescoço e intensifiquei o beijo. Liam sorriu com a minha ação, mas logo voltou a se concentrar no beijo pedindo passagem com sua lĂngua. Ele ficava cada vez mais urgente e quente, os nossos corpos queriam mais do que havia acontecia horas atrĂĄs, porĂ©m me controlei e me afastei lentamente, finalizando o beijo.Â
Ele segurou minhas mĂŁos e me olhou profundamente.Â
- Posso te ligar? - Liam perguntou.Â
- Claro - respondi simplesmente, ainda com um sorriso no rosto.Â
Ele acenou uma vez com a cabeça e sorriu se afastando. Esperei ele entrar no elevador e quando nĂŁo estava mais ao alcance das minhas vistas, fechei a porta e encostei-me a ela. O Ășnico pensamento que vinha a minha cabeça era: âai, meu Deus!âÂ
Um turbilhĂŁo de pensamentos e emoçÔes me invadiram aquela noite, um estado de ĂȘxtase tentava me tomar, mas quando parecia que ia me vencer, eu tomava consciĂȘncia novamente. Ele era o Liam! Liam Payne, o cara que me tratava como se eu fosse ninguĂ©m, aliĂĄs, menos que ninguĂ©m. Um ano trabalhando naquela gravadora, um ano trabalhando diretamente com ele e o mĂĄximo que conversamos atĂ© essa noite, foi eu passando instruçÔes sobre algo que ele devia fazer com a banda. Ele acenava e saĂa de perto, quando nĂŁo concordava, tambĂ©m acenava e saĂa para falar com o Fletch. Eu nunca entendi o por que disso, tinha vontade de confrontĂĄ-lo, como fiz hoje, mas me faltava oportunidade. E a primeira que surgiu, eu nĂŁo sĂł o confrontei com palavras. Confrontei com o meu corpo, minha boca. Deus! Isso nĂŁo podia ter acontecido! Eu trabalho para ele. Onde eu fui me meter?Â
Depois de muito pensar, a onda de cansaço voltou ao meu corpo com força total e eu adormeci.Â
No dia seguinte, acordei me sentindo outra pessoa.Â