Dodge, Mary Mapes, 1830-1905
Claire Keane
we're not kids anymore.
ojovivo
Jules of Nature
No title available
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
taylor price
I'd rather be in outer space 🛸

Origami Around
hello vonnie
Misplaced Lens Cap
sheepfilms

roma★

★
h
One Nice Bug Per Day

Kaledo Art

oozey mess

pixel skylines

ellievsbear

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from Austria
seen from Germany

seen from Germany

seen from Austria

seen from Israel
seen from Malaysia
seen from Malaysia
seen from United Kingdom

seen from United States

seen from South Africa
seen from Türkiye

seen from United Kingdom
seen from Malaysia
seen from United States
seen from Qatar

seen from United States
seen from Germany

seen from Malaysia
@imensofarol
Dodge, Mary Mapes, 1830-1905
Tem tempestade esta noite na terra
Tem tempestade esta noite na terra,
o mar está revolto — tenho medo —
e amamento a Yousuf.
Embarco para o teu país, ao futuro imperfeito,
sou uma nuvem solitária esta noite,
uma sacola de plástico. Deixo tudo para trás.
E agora coloque-se em meu lugar, tu nasceste com tudo,
mas teu avô provavelmente
viajou para outro lugar entre o céu e o nada.
Tu ostentas sobrepeso e meu povo está em dieta
de horrores e fome.
Tens uma cama e padeces de insônia,
eu te levo os sonhos que nomeiam as coisas.
Exibes um relógio de grife no pulso
e eu trago o temo de uma selva em silêncio,
de um amor sem pressa, de uma luz não elétrica.
(Diga-me que onde comem três comem quatro.)
Tu estás hipotecada até às sobrancelhas,
eu sou uma hipótese de desejo e raízes.
Faça-me um buraco no mundo,
e deixa que a vida te beije com minúsculas.
Viste alguma vez
vagalumes? Perguntaste. Sim!
Respondeste. A última vez
com estes meninos de férias na aldeia
que fascinados pela beleza dos bichinhos de luz
brincavam com eles
até despedaçá-los
Enquanto eu existir, existe o mundo,
Existem as perguntas, os segredos,
O vórtice dos dias e da noite
A ternura calmante dos teus dedos.
Enquanto eu existir, existe a vida,
Os rudes desenganos, os receios
E sobretudo, sob aquele vestido,
A poderosa sugestão dos seios.
Enquanto eu existir, existe o sonho
Que faz nascer heróis, ha bem e mal,
Existem semideuses e há Deus
Cada vez mais real, mais irreal.
Na lucidez da hora abarco tudo
Que só existe enquanto eu existir.
Revejo-me no rosto dos meus filhos.
O mais novo sorri. Faz-me sorrir.
Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;
Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;
Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.
SILÊNCIO
Há momentos em que tudo o que desejo
é o silêncio e seu bálsamo. Momentos
que a própria música conspurcaria.
Mas há silêncio e silêncio. O que apeteço
não é o silêncio que alguma autoridade
decreta, seja direção-geral, escola, igreja.
O silêncio que ambiciono há-de ser
sereno como nuvens e ervas bravas
e água em repouso e asas imóveis
de borboleta.
Há-de ser como o doce cansaço
que, depois que o vento tem passado,
fica a cintilar sobre as coisas
que o vento alvoroçou.
Há corpos que apenas se encontram
no outro corpo. Estão feitos
como as estrelas e o céu. Não
cabem em uma arcada estranha.
Não importa onde se encontrem.
São palmeiras isoladas aspirando
sua própria arena no horizonte.
Não se trata de sombras. Não estão
nem tão baixos nem tão distantes. São
presenças reais, escrituras de pele
e dedos, cabelos e pernas.
Se coincidem um dia,
em alguma cidade distante,
se são deixados sozinhos,
em um espaço adequado,
aproximam-se,
atraem-se, e em pouco tempo,
no outro lado do espelho,
juntam-se, tornam-se um mesmo
e desaparecem.
irás organizar finalmente tua cabeça
falar claro entender entender-te
vais ter revelações
em tuas mãos
vais compreender afinal
na escura manhã
é muito tu mesmo mais amor
a liberdade de esperar
de não culpar com o mesmo interesse
qualquer janela
será tua afinal qualquer paisagem
a voz que tiver esse dia
• Edgar Bayley
Retratos
A vida vai nos apresentando a imagem da
morte até encontrar a máscara definitiva
que nos está destinada.
Depois saberemos que existe o inexplicável.
No entanto mais adiante fica algo de nós
permanecendo no pó dos dias
ou em obséquios que nos outorga a vida como uma
curva do caminho:
perfumes, nomes,
uma pintura que imprime um ballet sobre o
cadáver de um cigarro que foi o gozo
de uns lábios.
Também essas armadilhas que a vida apresenta
e que bem pode ser a instância onde
sobrepujamos a dor de nossas
necessidades.
Mas a poesia ama as palavras como as
jovens que auguram o porvir de
nossos olhos um pouco absurdamente.
Esperar é um milagre inconcebível que a gente
tão somente desconhece
embora sempre retorna algo que nos toca
de repente no passado.
Então a eternidade pulsa na enormidade
de um momento
e apenas restam os retratos como uma coleção
de gestos de outras épocas:
quase uma forma dilacerante da lembrança,
talvez alguma inapreensível atmosfera do
que éramos.
• Atílio Jorge Castelpoggi
El sueño alcanza ya la velocidad de la realidad
Y a su relâmpago se entrevee por fin el término
de la contradicción.
El porvenir es ahora uma actitud
En adelante la arqueología registrará sus rostros
solamente en el corazón
La piedra y la lava apenas um manto piadoso sobre una
fugaz estadía em el espacio-tiempo
El presente-naufragio será justicia
(Los alcances de la realidad)
• Carlos Latorre