Dia 27 de Setembro - TPM não conta
Tem alguns dias que eu simplesmente quero que alguém chegue em mim e diga:
- O que é isso? O que você está fazendo com a sua vida? Você tem 24 anos, você já é adulta, você tem sonhos, vontades e você fica aí fazendo nada. Uma chuvinha vai te parar? Uma cólica vai te parar? Por que você está parada? Você quer saber é isso que você tem que fazer.
E aí a pessoa fica engajada em uma longa explicação bastante detalhada sobre como eu deveria proceder com a minha vida, como eu deveria lidar com as dificuldades, em algum nível eu acho que pra isso que serve a religião, alguma orientação pra sua vida, alguma seta, um norte, dizendo o caminho é por ali, é por ali que você tem que ir. Mas ninguém vai fazer isos, porque no fundo ninguém sabe mesmo o que está fazendo, isso é assustador em alguns momentos, reconfortante em outros, mas nesse segundo é assustador. Ter que ser aquela pessoa que dita seu próprio norte é muita pressão e eu sempre achei que era o mundo fazendo pressão em mim, as pessoas a minha volta, seilá, a faculdade, mas não, sou eu mesma, eu mesmo estou desesperada porque constantemente sinto que eu estou afundando e eu sei que no meio desse oceano não tem ninguém que vai me puxar pra cima, eu tenho que nadar, mas e se eu não conseguir? Se eu não conseguir emergir? Eu vou ficar pra sempre afundando? Eu não quero essa sensação pro resto da vida.
Eu entendo que eu nunca vou saber tudo exatamente como deve ser feito, eu nunca vou ter o controle o tempo todo, eu queria poder relaxar, sem sentir que vou afundar, momentos em que eu possa boiar.
Eu me sino constantemente culpada e eu achei que isso ia melhorar, mas nunca melhora, eu nunca faço o que eu preciso fazer e eu sempre sinto culpada.
Eu tenho que chegar em algum acordo comigo mesma, esse acordo é o de fazer o que eu preciso fazer, com calma, mas fazer, eu estou cansada de não fazer, estou cansada de sentir forças externas contra mim, a cólica, gases, companhia de outras pessoas, eu tenho que ser mais forte e focar.
Eu quero ser grata por todas as coisas incríveis que me cercam e resolver aquilo que eu acredito que precise.
O acordo comigo mesma vai ser que eu vou ser grata por aquilo que eu fiz, por quem eu sou, pelas minhas escolhas e pelo meu caminho no fim de cada dia e é isso, não tem mais nada que eu possa fazer.












