Mid week business trip #mystuff
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@ineffableclarity
Mid week business trip #mystuff
Eu não sei quanto tempo mais eu aguento assim.
Eu quero um amor que me priorize. Que me ame do jeito que eu quero ser amada. Que saiba o que eu preciso sem eu ter que pedir.
Uma das frases que mais me irrita é “como eu posso te ajudar?”
Se você não consegue ver ou se não presta atenção o suficiente em mim pra saber não vai ser eu que vou falar o que preciso de você.
Você é tão detalhista com tanta gente. Com tanta coisa. Como não pode ser comigo também?
Eu tenho pressa de viver. Não porque acho que o mundo vai acabar. Mas porque eu quero e mereço viver intensamente. Fazer planos juntos. Construir algo a dois. Eu não quero namorar eternamente. Eu não gosto disso. Eu gosto de chegar em casa e ficar de conchinha. Gosto de assistir série junto. De ficar de bobeira mas juntos. Quero alguém que proativamente queira ficar comigo. Não que fique reagindo ao que eu peço.
Eu não quero um amor pedante e parece que de você eu só vou ter isso.
Mas vc podia ter “checked on me sobre como eu tava com o lance do mestrado” todo mundo q eu contei q não rolou veio falar comigo no fim do dia pra ver como eu estava. Me falaram sobre como isso não tem nada a ver com o meu valor. Ou que não é como se eu não merecia. Você foi a única pessoa que só quis resolver “o que vc pode fazer diferente na próxima vez”. Sem sensibilidade nenhuma.
Eu sinto que você não está comprometido emocionalmente comigo. Que eu sou um “to do” na sua lista de afazeres mas em baixa prioridade. Mais de uma vez essa semana eu expressei como eu estava emocionalmente fragilizada e que queria sua companhia mas você fez outras coisas que não me ver.
I wish you could fight for us. Should I be the one to do so?
1: “Eu desço com você”
2: “Você quer ficar com a chave?”
1: “o que você quer fazer?” (por favor não quero que você queira me dar a chave. Quero que você me beije. Quero que você fique aqui comigo)
2: “eu te perguntei. Quer a chave?”
1: estendo a mão pra pegar a chave.
2: “quer que eu leve minhas coisas”
1: (porque você está me perguntando isso. Você nem vai falar q isso é absurdo. Que é melhor a gente conversar mais?) “sim”
2: recolhe as coisas
1: abro a porta. Desço as escadas em silêncio. “Tchau”
2: “Tchau”
1: subi as escadas chorando já desejando q vc tivesse lutado
Eu odeio ficar sem contato. Odeio o tratamento de silêncio. Odeio o “agora não quero conversar”. Isso tudo só me afasta. Só me deixa ainda mais insegura. Só faz eu achar que preciso provar meu valor. Que preciso te lembrar de como me amar. E a partir do momento que eu tenho que te falar ou te lembrar de como quero ser amada, o que era pra ser fácil e natural vira uma obrigação.
minhas tattoos
Tattuagem é uma coisa muito pessoal. Tem gente que não gosta de explicar o que significa, tem gente que não da significado nenhum. Tem gente que vê como forma de arte e tem gente que fala abertamente.Eu sou super o ultimo tipo de gente.
Eu fiz a minha primeira tatuagem com a 12 anos atrás, antes mesmo de tirar carta lá estava eu na maca para ter meu corpo marcado por todo o sempre... E isso não foi de todo simples... Eu cresci muito católica. Fiz catequese, ia na missa todo domingo e aprendi que meu corpo era um templo...até tio-avô padre eu tenho. E fui ele que disse que não tinha problema em ter tatuagens desde que fossem coisas boas. E se a gente parte ainda desse pressuposto que nosso corpo é um templo, nossa morada nesse plano, que é quem sustenta nosso peso e absorve nossas dores nada mais justo que colocar uns enfeites nele, certo? Partindo desse princípio eu adornei meu corpo com flores, frases e sorriso. Com palavras que me trazem inspiração e força, com lembrança de lugares e pessoas. Com totens do que é importante pra mim. No fim, se meu corpo é uma igreja, então que seja uma com vitrais coloridos e arabescos onde eu me sinta confortável e feliz comigo mesma.
괜찮아요
Em 2022 eu trabalhei numa organização que admiro, a LALA — uma rede que forma jovens líderes diversos, empreendedores e éticos na América Latina, oferecendo programas de liderança, inovação social, aprendizagem socioemocional e pensamento crítico, e conectando todo mundo numa comunidade que segue pela vida. Eu entrei pra substituir alguém que cuidava de uma comunidade que já beirava dois mil adolescentes latino-americanos, lidando de frente com desafios de saúde mental, engajamento e diversidade — tudo o que aparece quando muita gente diferente se reúne por um mesmo propósito.
Num papo inicial, a minha manager perguntou qual desafio pessoal eu queria superar naquele ano. Sem pensar, respondi — em inglês mesmo: “I wanna be a better adult. I wanna be more functional alone and be better at adulting by myself.” Corta pra agora: eu, às portas dos 30, ainda sem “resolver” esse desafio.
Hoje me trouxeram jantar porque eu não priorizei minha alimentação. Se o carro dá problema, eu ligo pro meu pai ou pro meu tio. Quando tenho decisões difíceis, eu chamo amigos pra pensar em voz alta comigo. E, refletindo, eu entendi que ser adulta talvez não seja fazer tudo sozinha e bem. É saber pedir ajuda — coisa que ainda me atravessa. É aceitar que talvez a gente nunca se sinta suficiente ou totalmente pronto, e tudo bem. E é aqui que a minha tatuagem faz sentido: 괜찮아요 — “tudo bem”, em coreano — tatuado na pele pra me lembrar, todos os dias, que não dar conta de tudo não é fracasso; é humano.
Às vezes ser adulto é saber quem acessar quando você está no fundo do poço ou em apuros. É ter amigos pra um café no meio da tarde do home office. É admitir que aquele ideal de “adulto perfeito” que eu projetei anos atrás talvez nunca exista — e, ainda assim, seguir. Crescer, no fim, é menos sobre dar conta de tudo e mais sobre construir as pessoas e os apoios que nos ajudam a ser quem a gente quer se tornar.
Paris
Eu jurei que não ia pra Paris — e olha eu aqui. Faltam 30 dias pro meu aniversário de 30 e eu abro a série #AntesDos30 com a cidade que eu teimei ignorar. Hoje, no trabalho, recebendo uma delegação italiana e rindo da rivalidade com a França, acendeu uma memória: quando morei em Roma há dez anos, eu guardei cada euro e passei reto por Paris.
Em julho, eu dei uma chance. Pisei na cidade e, em 24 horas, foi crush. Liguei pra um amigo: “Eu me vejo morando aqui.”
E me ver é viver Paris do meu jeito: cafés charmosos (e um pouco pretensiosos), espresso sem pressa, vinho no Sena ao pôr do sol, vielas e museus. Slow travel, zero checklist, sem FOMO. Eu não vi tudo — nem era a ideia. Vi o que tinha a ver comigo.
Conheci a cidade pela curadoria dos meus: comadre querida, irmã de intercâmbio austríaca e amigos que me conhecem de cor. Eles me levaram a hidden gems, boulangeries com cheiro de manteiga, bistrôs minúsculos com vinho natural, mercados de rua, conversas que viram madrugada.
Entre um metrô e outro, entendi que roteiro de viagem bom cabe na vida real: pausa pro café, risada no meio da rua, garoa que vira foto, perrengue chique que rende história. Aproveitei como se voltasse mês que vem — mesmo sabendo que é remoto — e priorizei o que importa: pessoas, sabores, memórias.
Talvez seja isso que Paris me ensinou: aceitar as ambiguidades — a de dizer “não” e, anos depois, dizer “sim” e amar; a de não ver tudo e, ainda assim, ver o que importa. Um lembrete de que mudar também é permanecer fiel a quem a gente é, só que em movimento.
Eu tenho essa frase tatuada — e não é à toa: “Somos, enfim, o que fazemos para transformar o que somos.”
When you know it’s over but do not know how to tell him.
Tem dias que não sei o que ainda estou fazendo aqui. Hoje comecei a chorar vendo uma série adolescente. Dessas bem bobinhas que você já adivinha o final pelo primeiro episódio.
Eu não consegui identificar o que me causou isso. Eu simplesmente comecei a chorar compulsivamente depois de uma cena banal.
Me deu um gatilho para um turbilhão de pensamentos. Se eu deveria estar junto com quem estou. Como minha vida seria diferente se eu não tivesse adotado minhas gatas, se eu não tivesse mudado de cidade ou emprego. Imagina se eu tivesse não me importado com a moral e os bons constumes cristãos que por muito tempo me senti prisioneira. Fiquei imaginando as bocas que eu teria beijado, as camas que eu teria dormido. Tudo que ficou na vontade.
Fiquei pensando desde as mais pequenas mudanças que faria - como o que comi essa manhã. Pensei até naqueles sim que são mais decisivos: o silêncio depois de um eu te amo preenchido com algo mais poderoso que palavras.
Fazia muito tempo que eu não dormia na casa dos meus pais. No meu antigo quarto cheio de pequenos lembretes físicos de uma vida passada.
Um casaco que não serve mais mas que continua no meu antigo armário. Um bando de skincare vencida de quando voltei de viagem. Bichinhos de pelúcia caolhos mas que nunca consegui me desapegar.
Lembretes palpáveis de uma vida que parece que nem fui eu que vivi de tão distante que me sinto daquela menina que dormia aqui.
Um milhão de pensamentos não me deixam dormir. Espero a bateria acabar para criar uma desculpas para parar de alimentar minha ansiedade e insônia.
Pensamento despejados numa tentativa de me acalmar. 5%. Acho que se eu não sobreviver até amanhã pelo menos meu celular vai tocar para alguém me chacoalhar e ver se ainda estou aqui.
Eu sinto que as vezes você tem dúvidas que te amo. Você dúvida que temos um futuro juntos.
As vezes eu sinto que só eu faço esforço pros nossos planos. Que a minha ansiedade é uma ânsia, uma vontade de que o que queremos aconteça logo.
Por outro lado a sua calma, me consolando e dizendo que tudo tem seu tempo me parece dúvidas. Me parece que você já não sente mais aquilo tudo por mim e que só espera que eu tome alguma atitude.
undefined
Eu odeio essa cidade. Odeio que não conheço ninguém. Não tenho para onde fugir dessa realidade. 24 horas, 7 dias da semana eu só conheço esse apartamento.
Fiquei pensando em pegar um uber pra sair daqui. Mas sair pra onde? Meus amigos e família estão no mínimo a 100km daqui.
Odeio que me sinto prisioneira na minha própria casa.
Bem na minha cara!!
Eu odeio nossas brigas. Eu odeio que você não fica bravo. Odeio que só evita falar. Queria que gritasse. Queria que me desse argumentos. Mas não. Você só vai embora. Sai de casa.
E quando isso acontece minha mente ansiosa já acha que você vai voltar pra ela. Que vai me abandonar. Sabe o pior? Uma parte de mim fica aliviada. Uma parte de mim acha que vou conseguir recomeçar.
Uma parte de mim não sabe o que quer.