Sexta-feiras
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Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ

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if i look back, i am lost
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Cosimo Galluzzi

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@inpacisexpoem
Sexta-feiras
Astro
Despeço-me de ti, velho amigo Fiel caminhante de tantas jornadas Não quando nubladas Mas sempre quando errantes Nunca atrasou-se a uma reunião Relógio de pulso certeiro Entre os próximos, ancião Entre os distantes, anão primeiro O único que acariciou e aqueceu Todas as mulheres da terra Artífice.
Atiçou esperança em tempos de guerra E agora cumplice deste ciclo que se encerra Aquiesceu. Aqui, o céu Tem varias cores Mutáveis a depender De a quantas andam seus humores Ouvi rumores Que além de flores Vosmecê também Alimenta bem, amores Então, um último pedido, tenta longevo amigo Carrega pra onde vai o senhor Essa banquete oligo que fiz de amor Pra saciar e dar mais cor Àquela que já não doura mulata comigo. Assumo que em vezes Você me torrou o juízo Mas fiel a ti Friso Dispenso proteção em creme Visto-me só com a manta solene Que o senhor me fez Desde que, antes das dez Ou depois das dezesseis. Ilumina-nos com teu fogo Mas alumia com calma Que nessa flama eu me afogo Não só eu, idem flora e fauna. Lusco-pusco já posto ao celeste Sombras avizinham o cenário deste Sem delongas colega, adianta-te Lua por hora, reluz o que te reste
Com todo respeito em meu modo Aguardo-te notável Tupã Por agora, até logo Por hoje, até amanhã.
Lucas Y Paz
Sonho
Na noite de ontem Sonhei com você Não me lembro bem Mas estava lá Tu no sonho também.
Foi um sonho Desse tamanho, ó Não cabia alí mais ninguém Lá dentro eu, só E você, sim.
Assim, não me lembro Direito Mas me lembro De ver-te Perto.
Tão perto Que nem parecia sonho Mas de certo Que era Sei porque acordei risonho.
Na noite passada Sonhei com você Com minha risada Contigo E mais nada.
Lucas Y Paz.
Dançarina
Sinto-me bem eu e eu Mas tenho andado a pensar Onde é que se meteu Aquela cujo sorriso Sempre fez escapar um meu.
Será que agora Que ela está só com ela Será que ainda tem mantido Todos esses dentes a mostra?
E quais seriam os motivos De mim será que ainda gosta? Ou a minha ausência É o que a mantém tão disposta?
Cá, busco eu uma resposta Ao menos que ela aceite a proposta De abrir mão de arrastados chorinhos E vir dividir seus passos raros comigo
Quiçá nem seja mais eu E ela já se confortou Em meneio rijo Bem mais acolhedor que o meu
Afinal Onde é que se meteu?
Espreitei o olhar em cima do muro Ouvi atento àquela nota de samba Procurei em todo lugar, eu juro Onde foi ela parar, caramba!
Espevitar onde mais, já não sei Mas você, vai que se esbarra com a bela! Então, leva esse versinho amassado que te dei Entrega com carinho pra ela
Agora, diz antes que fui eu, viu? Não esquece. Pra ela não retribuir com pressa Logo ao entregador da promessa.
Imagina? Ia ter que escrever tudo de novo Parar outro você, no meio do povo E endereçar novamente à menina.
Perdão seu moço, esse clima Sou lerdo não, sou sambista! E tenho dois pés esquerdos, que sabem de pista Mas só caem no breque, quando ela está na roda E como não se onde ela anda, tá foda.
Como quem dorme por último Tenho íntima esperança Das outras dores de amor me curo Se ela me concede essa dança
Só me acho quando a procuro Mesmo brejeiro velho, assim tô criança.
Lucas Y Paz
Aqui, um olhar
Dalí à beira Me mirando te notei Com esses seus olhos baios Com essa sua vontade de ir além Feixe esse que me acertou feito raio Feixe de luz etérea, que já fez muitos reféns Eu rebato, não me esvaio E em consequência tropeço Quinas de um móvel qualquer Possivelmente um remendado balaio Pela serenidade que pousou em meu pé É que dificilmente eu me distraio Mas pra ti, fácil foi me desfazer E logo quis fazer de tua mirada Morada Traçar mimos na sua pele corada Com os lábios que ostenta meu ser Não disfarço o desejo De querer criar esboço Nas linhas do teu pescoço Para depois provar o beijo Da boca que me batiza “bom moço” Que eu faço?! Fico aqui me fazendo de palhaço Ou parto pra dentro do teu abraço? Bom moço que nunca fui Aprochego-me melhor de sua visão Só para ver mesmo se flui E sim, flui Ah, se flui! E assim foi Fluiu, fundiu e S u t i l m e n t e Ela se foi Foi-se e me deixou aqui vidrado A mirar agora o céu Na busca de um estilhaço de estrelas Que me lembre dos traços teus Estalos de uma lembrança já cega De algo que porventura aconteceu Aventura Que não durou E que foi dura Quem dera fosse fácil Deslembrar Daquelas pestanas abertas Janelas de prantos e amores Sempre a buscar paisagens incertas Pincelando tantas telas de cores Que escolhe a dedo e a olho nu Nua Desarmou todo um inautêntico poeta Apenas a enamorar com seus olhos A sorrir só com cílios E a desviar as escolhas Do então errante andarilho Esperta que é, espreita-me E desperta em mim O anseio do novo, da descoberta De vê-la de novo, descoberta Com teu seio desnudo, desconserta Aqui, sem dó Fita-me e faz um laço Cria um nó de apreço entre as sinuosas linhas Esguias do seu pescoço, à língua minha Que lhe ofereço de amaço Aqui, só peço Que novamente eu tropece Não em mobílias de artesanato Mas nesse trajeto de pretas pupilas Fixo feixe que me afeta de fato Aqui, te fito Dueto de jabuticabinhas etéreas Que vagueiam em poço profundo Rodamoinho de incertezas que me cega Mas certamente anseio alcançar o fundo - Lucas Y Paz
E alí estavam caçador e isca O peixe e o gato Mas nesse jantar nada se petisca Mantém-se vazio o prato Felino não morde nem belisca Um no muro, outro no mato. - Lucas Y Paz
Máscara
São elas as multifacetas Que cada um de nós se sujeita Pra ser aceito nesse mundo Que em demasia nos rejeita.
Quem muito tenta ser o que não é Mal sabe bem o que semeia Máxima cautela com o que planta Que haverá o dia da colheita. - Lucas Y Paz
Áquea Áurea Morena
De lá do horizonte Ela vem vindo Flat é a maré Mas não o que eu sinto Minto Se disser que não a anseio Feita de Sol e sal Veio aqui só a passeio Fez da praia seu quintal Vive a vida à veraneio Morena e dourada Sorriso de alvorada Chega mansinho como quem nao quer nada Dropo a vala tubular Dessas madeixas onduladas Me afogo em seu fogo Sou refém do seu afago Me deixo levar Aumento de temperatura Só de mirar a pele sua Imagino-a nua Mais que poesia Cura Como pode alguém vinda do mar Esquentar tanto só de olhar? Yemanjá ouviu boatos Que o seu fiel reino submerso À outra almeja venerar Desacato?! Aqui pra nós, de imediato Se eu contigo a sós ficar Sou eternamente grato. Já não importa O que pensam as águas Elas que se afoguem Em suas próprias mágoas Agora pense bem Sobre ser do mar rainha Se atente à essas linhas
Que com esse seu calor Toda água evapora Já eu não
Constituído só de amor Se secar eu viro prosa.
- Lucas Y Paz
De Agora
De agora em diante Nada mais De coração. De diante em agora Mais nada Se os que são não são. De que adianta Desassossegar-se Se é tudo em vão? A rejeição Só te repele o regozijo Ou ratifica sua razão? - Lucas Y Paz
Grandiloquência
Grandiloquência. Deficiência ou decorrência, Dos meus tantos graus de carência O tal propósito da existência Há quem opte chamar de demência Daqui faço reverência E só uma advertência Haja paciência. - Lucas Y Paz
Imunidade à Humanidade
Ser humano Cê seria Sendo sóbrio Sendo servo De um sistema Que o cria?
Seria sábio Sobreviver Nessa selva Insalubre?
Sem a cerva O sedativo A sobremesa Ou a seringa?
Você sua Você chora Você sofre E se engana.
Sonha e anseia Saborear O supra sumo Não se pode.
Não se traga Só se trama Não se sonha Nem se ama.
Te observam Te absorvem Te obstruem Mas abstraia.
Pois é pra isso Que cê serve Caso contrário Se saia. -Não é certo! Se chateia? Sem sermão, mermão Ou a CIA Contigo some.
Como o profano Se procria?
Desavenças Entre crenças Mil crianças Pedem bença E lacrimejam Sem futuro.
Nada almejam Já que algemas Invisíveis As reprimem No escuro.
Ser humano Cê quer ser Ou sem humanos Melhor seria Pra poder Sobreviver?
- Lucas Y Paz
Sinestesia
Talvez Seja o fato de você sempre me olhar nos olhos
Ou então O caso é que eu não tiro os meus da sua direção
Ou talvez Isso tudo seja fruto dessa tão boa retribuição De olhares Que muito mais querem dizer Do que todas as conversas que já tivemos em bares
Não é estranho? Olhos se esforçam a fazer o papel De lábios que se acanham
Lábios que falam sobre tudo Menos Sobre essa vontade tamanha
De fazer que se encontrem mais de perto Esses nossos sorrisos mútuos Que sempre quando surgem
Nos ganham.
- Lucas Y Paz
Tupiniquim
Tive que sair dali Da terra que me faz sorrir Pra só então, só daí Mesmo poder usufruir
Das mais profundas raízes Dessa terra e céu de estrelas Cultura, ária e bananeiras Que também são casa de Saci.
De tanto achar Que por lá e alí Muito vi Muito vivi
Que coco não é licuri Grauçá, petisco de sucuri Gragoatá não é em Gravataí E granola com banana só no açaí
De todo o resto Me esqueci.
Nesse meu lar de mil Brasis Que tem todo dia feira Samba e tamanduás-bandeira Tem muito que não conheci
Pois não é só de carnavais E ideias banais Que se tornam virais Que temos nossas filiais
Esqueça ditadura, intolerância Descriminação Nossa cultura é mais que isso E é do tipo exportação
Mas essa beleza toda Oferecida à terceiros Deve ser melhor disseminada E no quintal chegar primeiro
Deixe de parcelar sua vida Com subterfúgios e fúteis brigas Em um lugar tão imenso De diversidade se faz propenso Permaneça pleno Respeite os adjacentes O perambular ameno Define o viver contente.
É tenso Às vezes eu paro e penso Que do meu próprio país Descobri ser também turista
Então trato bem da minha raiz E se possível, pago à vista Que dessa morada tupiniquim Tem muito chão pra por na lista.
- Lucas Y Paz
Aqui jaz Uma bacia de paz Quem um dia Trouxe alegria E tirou sede Pescador lançava rede Peixe jamais fazia falta Mata ciliar e relva alta Nunca incomodou ninguém Mas bicho-homem quer além Só sabe comer dinheiro Em foder a vida, pioneiro Tudo que agora a visão capta Drama, lama, terra inapta De água limpa corre nem um fio E os culpados, ninguém viu Correm sentido contrário ao rio Capaz de hipócrita ainda ser Carinhosamente chamado Por não mais conter O seu sabor adocicado Antes fosse Chamado Lama um rio doce Que o inverso Doce ser rio de lama submerso
- Lucas Y Paz
Rotina
Se você aí pensa Que aventuras podem ser letais Experimente Uma vida rotineira E queira viver nunca mais Tira logo teu barco do cais! Poca a garrafa na proa Viver aportado é seguro Mas âncora aterrada enferruja Conquista nenhuma faz História nenhuma traz
Aqui jaz A embarcação que viveu de sonho E por medo de tempestade ou motim Acabou por descansar sem paz
- Lucas Y Paz
Inferno Particular
Eu sou meu melhor amigo Meu mais pleno inimigo E nós nos damos tão bem Quanto uma casa em chamas
A incendiar seus cômodos Não engolimos nossos incômodos E de rápido modo Nos ateamos fogo
Logo Você não gostaria de vir se queimar Aqui comigo No meu aconchego Meu abrasador abrigo
Abraçar esse perigo? Mamãe logo cedo ensinou Que quem mexe com fogo Ao sonhar se mija E fica de castigo
Pois então vai, fuja! Dê sua volta-meia Dessa mente suja Que por ti anseia
Vai adentrar lares mais frios E seguros Ausentes de cios Repletos de muros
Mas e o medo de escuro? Fogo que queima também ilumina Lembre-se disso, menina O prazer do seu cigarro Quando apagar termina
A aguardente Quando mais pura Mais quente Tudo que arde cura Mesmo que silenciosamente
- Lucas Y Paz
Penso, logo é tenso
Tenho parado para reparar Que os outros não reparam qualquer coisa Detalhes e detalhes se esvaem Nada se nota Nem se anota
Desbota-se o presente E nem o subconsciente Faz o favor de se esforçar A tentar algo reparar Falta-lhes algum preparo Esses remotos jovens modernos Precisam mesmo de um reparo
E eu aqui Perdendo meu agora Nessa falta de atenção alheia Uma fiel procrastinação Meu favorito devaneio O que todos nada reparam Minha melhor pior desculpa até agora
Mas em suma Isso tudo é receio De não enfrentar assunto mais sério Qualquer dia eu assumo Ou qualquer dia mesmo Eu sumo
Porque quando eu paro Aguço meu próprio faro E dentro de mim disparo Vejo como custa caro
E ninguém mais, isso vê Preciso parar de pensar Em coisas que posso pensar Para não pensar em você - Lucas Y Paz