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@The Carrows
A réplica de Amycus apenas fez com que Alecto deixasse as sobrancelhas de arquearem enquanto tirava o próprio cigarro dos lábios vermelhos para fitar cada gesto mínimo do irmão. Pelo jeito Amycus estava com um problema mil vezes maior do que Alecto poderia sequer imaginar.
Ela fitou o filtro do cigarro do rapaz ser lançado e simplesmente virou o corpo por completo para ficar de frente para o perfil do irmão. Desta forma, poderia checa-lo com o seu mais preciso olhar e nada iria lhe escapar. – Não sabe direito, o que? – Perguntou com um meio sorriso fraco e irônico que sumiu de sua face rapidamente. – Quero que me diga o quê está acontecendo. – Falou sendo completamente direta e deixando que sua voz soasse como se aquilo fosse completamente óbvio. Só queria saber de uma vez o que acontecia com seu irmão. E mesmo que ela não estivesse sendo o mais delicada possível era um fato que Alecto sabia bem que era um assunto um tanto quando complexo até para si mesma.
De praxe, a familiar sensação de asfixia se fez presente quando os malditos devaneios entraram em conflito com a racionalidade; era algo que vinha acontecendo com uma frequência insuportável e Amycus sinceramente não sabia o que fazer. Acabou se tornando uma espécie de tortura estar sozinho com a própria consciência, que lhe gritava um turbilhão de coisas absolutamente ininteligíveis. Contudo, sentir isso na pele era bem mais simples do que tentar explicar a Alecto, afinal, o rapaz sequer saberia como e por onde começar. Provável que nem ele mesmo compreenderia tamanha confusão.
A exigência de Alecto era praticamente impossível de ser cumprida, e Amycus tentou demonstrar isso balançando a cabeça em negativa. — Tenho tantas respostas quanto você, acredite. — Bradou em tom sarcástico e rolou os olhos, tornando a mirar impassível o Lago Negro. — Não vai entender. — Deu de ombros falsamente tranquilo e não hesitou em acender mais um cigarro.
@The Carrows
Logo depois de entoada a pergunta de Alecto a moça sequer procurou tirar os olhos turquesa das feições retilíneas do irmão. Era bem provável que a jovem esperasse apenas por um simples “não” que sairia em questão de segundos dos lábios do rapaz. Afinal, o mais natural seria que Amycus não tivesse naturalmente muitas novidades para contar. Entretanto, o silêncio que teve início por parte do jovem fez com que Alecto franzisse o cenho ao tirar o tabaco de seus dentes. Amycus se demorava muito para dizer algo.
“Nada.” Fora provavelmente a pior mentira que Amycus havia contado em toda a vida. Era um fato que o rapaz havia faltado notoriamente com a verdade sendo que tanto sua expressão corporal quanto facial se encontravam completa e minuciosamente incorretas. – Tô vendo. – Disse a moça dando um sorriso e virando a face para o lago já que poderia falar o que fosse e o irmão não abriria o bico. Deu mais uma tragada em seu cigarro e mordeu os lábios fitando Amycus delicadamente. – Sério, Amycus. Comigo não rola mentir. – Afirmou mais firme e com seriedade. Talvez Amycus realmente quisesse contar-lhe algo.
Não adiantava nada saber mentir tão bem para todos quando havia uma pessoa em especial que o conhecia melhor do que ninguém. Era, de certa forma, frustrante o modo com o qual Alecto podia simplesmente enxergar através de uma barreira tão sólida, pois mesmo em seus momentos de maior vulnerabilidade, Amycus ainda fazia um bom trabalho em esconder quaisquer coisas que assombravam sua mente. Evitar traduzir pensamentos em expressões faciais e tons de voz era algo que o rapaz fazia com imensa facilidade, e no entanto, ele encontrava-se ali totalmente encurralado sob a análise minuciosa da irmã.
— O que quer que eu diga? — Replicou um tanto arisco, expelindo juntamente com sua fala um jato denso de fumaça branca produzido pela tragada de segundos atrás. O cigarro chegara ao fim e o jovem arremessou o filtro na direção do Lago Negro, gesto que lhe rendeu alguns segundos extras para elaborar uma resposta mais convincente. Obviamente, não funcionou. — Eu não sei direito o que aconteceu. — Adicionou ao crispar os lábios e virou o rosto para finalmente fitar a irmã cara a cara.
@The Carrows
Alecto já havia consumido provavelmente três quartos da fruta que havia trazido do Salão Principal quando seu irmão lhe ofereceu o maço de cigarros que tinha em mãos. – Valeu. – Murmurou colocando rapidamente o tabaco entre seus lábios e se erguendo um pouco para lançar os restos de sua ameixa no Lago Negro. Acendeu o cigarro com sua varinha e puxou o fumo virando-se para Amycus com uma expressão minimamente alegre. Segurou o cigarro com os dedos e deixou a fumaça escapar. – E então… Muita coisa aconteceu com você? – Perguntou sóbria já que apenas estava a puxar assunto. Para falar a verdade a moça sabia que o mais provável era que nada tivesse ocorrido com o irmão. Afinal, com ela as coisas apenas andavam. Nenhum assunto novo ou situação importante para comentar. A vida de Alecto era realmente bem parada.
Procrastinar uma resposta jamais fora algo do feitio de Amycus, cuja língua afiada nunca lhe deixava desarmado diante de uma pergunta inesperada ou de um desaforo qualquer. Entretanto, o questionamento da irmã foi sucedido por alguns instantes de silêncio nos quais o jovem não fazia a menor ideia do que dizer. Era irrelevante se Alecto estava ou não interessada no que havia acontecido ultimamente, mas a verdade era que uma simples pergunta mostrou-se capaz de desencadear uma série de pensamentos indesejados na cabeça do Carrow mais velho. O grande problema de Amycus era que ele pensava demais. Pensava no que devia fazer, no que não devia estar fazendo e no que ainda faria para consertar todas as merdas que haviam ocorrido desde que Anna entrara em sua vida. E por "todas as merdas" leia-se "todas as vezes em que permitiu a búlgara se aproximar mais e mais". Não podia arrastar os acontecimentos até um ponto onde estes se tornariam irreparáveis, se é que já não passara do ponto, aliás. Estava sendo estúpido; precisava dar um fim àquela história, mas surpreendentemente algo sempre o impedia de fazê-lo. — Nada. — Respondeu enfim, esboçando um sorrisinho apático. — Não aconteceu nada. — Completou rapidamente ainda que soubesse não ter soado nem um pouco convincente. Tragou seu cigarro de maneira intensa em busca da sensação de calmaria e não fitou os olhos azuis de Alecto por um segundo sequer, olhos estes que sempre o decifravam com invejável maestria.
@The Carrows
Se os cabelos de Alecto já não estivessem tão completamente bagunçados seria mais do que provável que ela se irritasse com o gesto do irmão em dias comuns. Entretanto, após um pedido de desculpas que sinceramente quase a havia feito se engasgar ela chegou realmente a pensar que não estava sendo muito justa com a felicidade do seu próprio irmão. Talvez Amycus estivesse realmente a gostar da bulg… Só que não. Alecto jamais poderia admitir algo daquele gênero ainda que tudo a fizesse pensar daquela forma.
- Ok. – Respondeu agradecida pela aceitação do irmão para com suas desculpas. Ela foi para seu dormitório e trocou de roupa em um instante penteando os cabelos veloz e saindo das proximidades das masmorras para ir aos jardins. Devido à falta de comida a moça passou depressa pelo Salão Principal e apanhou uma ameixa para disfarçar o barulho estrondoso de seu estômago enquanto passava algum tempo de qualidade com o irmão. Foi para o Lago Negro e não pensou duas vezes antes de sentar-se ao lado do rapaz. Deu uma mordida na fruta e não disse absolutamente nada.
Mesmo que fosse um sábado, nenhum quadro ou fantasma estranhava a presença de Amycus num horário tão precoce, afinal, seu ridículo hábito se estendia também aos finais de semana. Os passos ecoaram firmes pelo corredor até enfim alcançarem a grama úmida de orvalho dos jardins e o jovem xingou mentalmente por, devido ao vento, estar muito mais frio ali fora do que seu moletom poderia dar conta. Não muito disposto a voltar às masmorras para buscar mais agasalho, decidiu ignorar a sensação térmica e sentou-se em um banco de pedra próximo à orla do Lago.
O período de espera por Alecto não fora exatamente longo quanto achou que seria; levou mais ou menos o tempo de reduzir um cigarro ao filtro com generosas tragadas. Quando a garota enfim sentou-se ao lado trazendo em mãos uma ameixa, suas suspeitas de que ela teria passado antes no Salão Principal foram confirmadas. Amycus puxou então um segundo cigarro e ofereceu o resto do maço à irmã. — Melhor que isso aí. — Afirmou, referindo-se à fruta de cor arroxeada.
@The Carrows
A falta de gentilezas de Amycus definitivamente a deixaram alerta. Da mesma forma que brigas pesadas não eram um grande costume dos gêmeos a bruxa poderia facilmente afirmar que o excesso de presunção de Amycus não era lá a coisa mais comum quando isso tinha relação a si própria. Pelo jeito dar contornos e mudar suas próprias palavras para não dizer, ou melhor, pedir pelo perdão não iria fazer com que Amycus ignorasse tudo e começasse a conviver normalmente outra vez. Deveria ser a primeira vez que o rapaz não se entregava com facilidade as pseudo-súplicas da jovem pelo perdão.
Alecto abaixou o olhar e se aproximou. Pigarreou com irritação e deu um sorriso falso demais para que Amycus acreditasse no mesmo. – Valeu. – Afirmou incumbida de ironia devido à falta de concessão do rapaz para com suas quase não desculpas. – Só… Desconsidere o que eu falei no outro dia. Eu só falei aquilo porque estava com raiva. Não era de verdade. – Falou procurando agir com o máximo de sinceridade que podia. Abaixou o olhar e deixou que alguns segundos de silêncio permeassem a conversa dos dois. Ela tinha que dizer, mas não o queria. Não poderia fazê-lo assim. Tão gratuitamente. Não, Alecto de fato não o faria. Não, não mesmo. – Me desculpe. – Disse simples erguendo o olhar para o irmão e permanecendo séria, porém amena. Não tinha mais nada a dizer depois daquilo.
Da mesma forma que brigas sérias não eram muito frequentes entre os irmãos, também não o eram pedidos protocolares de desculpas. Contudo, apesar de Amycus desconfiar de que as palavras maldosas da irmã houvessem sido sim de verdade, resolveu ceder a fim de evitar mais desentendimentos entre ambos, afinal, estar em maus termos com Alecto era a última coisa da qual precisava. Já tinha problemas o suficiente e estes tomavam proporções maiores ainda em sua cabeça.
— Não importa mais. — Deu de ombros e rapidamente estendeu uma mão para bagunçar de leve a raiz dos cabelos da irmã, tão escuros quanto os próprios. — Já que tá acordada, vai trocar de roupa. Ir pra beira do Lago Negro de robe não é exatamente uma ideia sensata. — Disse, mascarando com um tom apático o fato de ter praticamente intimado a companhia da jovem. Passar a manhã nos jardins já constava nos planos do rapaz de qualquer maneira. — Vou estar lá. — Acrescentou ao afastar-se e saiu do Salão Comunal em seguida, porém sem antes verificar se seu inseparável maço de cigarros encontrava-se devidamente no bolso da calça.
Amycus Carrow Chronology. (FMX)
I - “Children of the Damned”, Iron Maiden.
“You’re Children of The Damned,
Your back’s against the wall.
You turn into the light.
You’re burning in the night.
You’re Children of The Damned.”
II - “Seven Devils”, Florence and the Machine.
“Seven devils all around me
Seven devils in my house
See, they were there when I woke up this morning
I’ll be dead before the day is done.”
III - “Hurt”, Johnny Cash.
“I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that’s real”
IV - “Sweet Dreams”, Marilyn Manson.
“Some of them want to use you
Some of them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused”
V - “My Violent Heart”, Nine Inch Nails.
“On hands and knees, we crawl
You can not stop us all
You wear our bones, our skin
We will not let you win”
VI - “Devil In The Details”, Placebo.
“All of my wrongs
And all my wicked ways
Will come back to haunt me
Come what may
For all of the songs
I hope to write some day
Looks like the devil’s here to stay.”
VII - “Take It Away”, The Used.
“I’m a worm with no more chances
And I’ve lost all doubt
In a chemical romance
I guess I’m bitching
At the thoughts of tarnished hope”
VIII - “Enjoy The Silence”, Depeche Mode.
“Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can’t you understand.”
IX - “Sick, Sick, Sick”, Queens of The Stone Age.
“Sick, sick, sick. Don’t resist
First thing we succumb to, shout, erase, and undo
Days are unreleased, if there’s no release.”
X - “Behind Blue Eyes”, Limp Bizkit.
“No one knows what it’s like
To be the bad man
To be the sad man
Behind blue eyes.”
@The Carrows
As palavras do rapaz seguidas pela natural zombaria apenas culminaram para que a moça sequer o fitasse com precisão. Ela deixou o turquesa de seus olhos deslizar pela clareira proveniente das janelas de sua Sala Comunal deixando o ar escapar-lhe pelas narinas tamanha ira. Ainda que Alecto estivesse pedindo pelo perdão de seu irmão havia de se compreender que ela de fato ainda não havia mudado sua concepção sobre o malefício que a búlgara poderia representar tanto para ela quanto ao seu parente.
A irritação de Alecto já vinha se esvaindo quando Amycus voltou a falar. Ela deu alguns passos miúdos para frente e acabou deixando um sorriso quase que irônico escapar por seus lábios. Não sabia o porquê, mas sentia que seu irmão aceitaria suas desculpas após tantos gestos de menosprezo com a jovem. – Se sentindo nostálgico, é? – Perguntou retórica e bem mais simpática que o seu normal. – Eu fiquei com saudades da sua babaquice também. – Admitiu por fim sentindo suas entranhas se contraírem com sua suposta meiguice. Depois daquilo talvez nem ela mesma se perdoasse.
A pretensão do jovem de subir até seu dormitório para apanhar os materiais naquele momento fora totalmente destruída frente aos indícios de que um diálogo seria estabelecido entre os dois irmãos. Brigar com Alecto nunca era algo agradável, entretanto, Amycus preferia evitar temporariamente qualquer contato com ela a ter de escutar provocações infundadas. Nunca antes a irmã enchera tanto o saco apenas por causa de uma garota, chegava a ser até meio ridículo. Sinceramente esperava que seu gesto de aceitar as desculpas não se desse em vão.
Viu-se na obrigação de altear as sobrancelhas em desentendimento quando Alecto perguntara alguma coisa sobre o irmão sentir-se nostálgico, afinal, nenhuma de suas falas anteriores apresentavam quaisquer indicativos de nostalgia. — Também? — Repetiu a última palavra da morena como se esta houvesse sido absurda, sem deixar de salpicar o tom de voz com um pouco da habitual ironia. — Engraçado, porque não me lembro de ter sentido falta da sua. — Abriu um sorriso enviesado e provocativo enquanto mirava os olhos azuis idênticos aos seus próprios. — Desconsidere, devo estar com amnésia. — Concluiu formal. Não planejava dar fim às hostilidades tão cedo.
@The Carrows
Quando Amycus entrou pela Sala Comunal da Sonserina Alecto ainda se encontrava com os pés sobre o estofado de sua poltrona e os olhos iminentemente azuis concentrados no relógio que ficava a sua frente. Ao ouvir as palavras do irmão bem as suas costas a moça não pode se sentir mais burra por não ter simplesmente se sentado em um local que não ficasse logo de costas para a entrada da Sala Comunal. Levando provavelmente um susto que não lhe era nada conveniente ou normal a jovem foi logo ficando de pé para fitar o seu semelhante com uma frieza natural. – Não. – Respondeu sóbria, talvez estivesse acostumada demais a ser ríspida. Engoliu em seco e cruzou os braços rapidamente. A negativa havia lhe escapado tão rapidamente que ela sequer pôde ser um pouco mais “gentil” para pedir as devidas desculpas. Seus pés estavam no chão gelado e aquilo parecia dar-lhe ligeiros calafrios. Andou dois passos miúdos para frente e suspirou. – Acordei cedo porque precisava falar uma coisa com você. – Murmurou com um desânimo compreensível já que a jovem jamais pediria desculpas para alguém com exceção do rapaz em questão. Ela pigarreou desviando o olhar do irmão por alguns segundos como que procurando ignorar a sensação terrível que fazia seu interior fumegar em ira. Odiava fazer aquilo. Odiava pedir perdão. Mordeu a língua e resolveu falar algo rápido. – O fato é que eu venho agindo como… – Parou odiando a si mesma. Prensou os lábios e virou os olhos com raiva devido a própria estupidez. Deixou alguns segundos se passarem e fitou o irmão com firmeza. - Bem, talvez eu não tenha sido muito justa no outro dia. – Afirmou tentando ser complacente ainda que falhasse um pouco com isso. Pedir perdão só não era tão ruim quanto falar de sentimentos. Ergueu as sobrancelhas torcendo para que Amycus não tirasse uma com a cara dela. Se ele o fizesse ela ainda assim teria que manter a calma. Afinal, outra briga não era uma coisa muito interessante para o momento.
Após soltar a pergunta para Alecto, Amycus continuou seu caminho como se a existência da garota fosse totalmente irrelevante. Tanto que ele já estava inclusive subindo as escadas de pedra quando a negativa da irmã se fez audível. Revirou os olhos azuis para o tom de voz ríspido sustentado pela jovem, prevendo que da boca dela logo sairia alguma asneira a qual sinceramente não queria ouvir. Ainda assim, virou-se para fitá-la com um sorriso impaciente e cruzou os braços ao apoiar-se de lado na parede mais próxima. — Prossiga. — Respondeu num timbre falsamente simpático e gesticulou uma das mãos como se incitasse Alecto a dar procedência ao seu pequeno discurso. Quando a morena terminou de falar, Amycus alteou as sobrancelhas incrédulo e fingiu analisar palavra por palavra do que a irmã dissera. Em seguida, deixou escapar uma risada desdenhosa. — Então... você acordou cedo pra me contar o que eu já sei? — Perguntou com fingida polidez ainda ostentando aquele típico sorriso torto e escarnoso, capaz de provocar ira em qualquer ser humano normal. Por fim deixou as feições imperceptivelmente forçadas relaxarem e assumiu uma postura mais tranquila, beirando a leveza. — Relaxa, Alecto. Sua babaquice não é sequer um dos meus problemas. — Deu a última alfinetada antes de mais uma vez revirar os olhos.
@The Carrows
Amanhecia quando Alecto abriu os olhos e desistiu de dormir. Os raios fraquíssimos de sol atravessavam com dificuldade as águas turvas do Lago Negro e, ainda assim, a moça já estava ciente de que seu irmão provavelmente estaria de pé. Amycus possuía o irritante hábito de acordar sempre muito cedo. E ainda que fosse sábado e todos estivessem dormindo profundamente a jovem resolveu se levantar também. Seus olhos ardiam e suas pálpebras pareciam ásperas devido ao sono que a deixava simplesmente mais tonta e perturbada. Contudo, a suposta briga que havia travado com o seu parente há alguns dias parecia realmente incomoda-la para que ela ignorasse o sono por completo. Colocou o rob de seda cor-de-gelo que possuía e, com todo o cuidado do mundo para não acordar mais ninguém, ela seguiu de seu dormitório para a Sala Comunal da Sonserina que se encontrava naturalmente vazia.
Foi devagar pelo local ainda gelado pela noite que havia se passado e, fitando a lareira que não ardia em chamas, resolveu se sentar em uma das poltronas e se encolher por ali mesmo devido à preguiça extrema de voltar para seu dormitório e pegar a varinha para se esquentar. Olhou o relógio comprido de madeira escura e detalhes de cobra talhados a mão logo a sua frente e suspirou. Era bem provável que seu irmão chegasse a qualquer instante. Devido ao horário era certo que ele estivesse a tomar café da manhã ou coisa do gênero. Alecto mordeu os próprios lábios e começou a unir suas madeixas escuras em um coque alto. Seria difícil pedir desculpas, mas a jovem estava completamente decidida a fazê-lo. Afinal, estava em um beco sem saída.
Ao abrir os olhos claros em meio à penumbra de seu dormitório, Amycus soube que já era manhã - ou início da manhã, pelo menos. Já é totalmente dispensável dizer que o moreno possuía um despertador biológico incrivelmente pontual, o qual fazia-o levantar-se da cama junto com os iminentes raios de sol no horizonte. Não importava quão sonolento ele ainda estivesse, era sempre impossível voltar a dormir; tinha esse hábito irritante desde criança e foram raras as vezes em que o jovem conseguiu cochilar até tarde. De praxe, Carrow foi o primeiro entre seus colegas a acordar, portanto, teve todo tempo do mundo para tomar um banho, vestir o uniforme e ainda tomar café no Salão Principal sem que cruzasse com sequer uma alma viva no trajeto das masmorras até lá.
Depois de comer algumas torradas com suco de abóbora, o sonserino decidiu ficar um pouco nos jardins para fumar, enquanto fazia uma leitura qualquer ou então concluía alguns deveres atrasados devido à inconstância de sua mente nas últimas semanas. Contudo, por estar de mãos abanando, precisou descer até o dormitório para buscar seu material, mas a presença de uma figura literalmente familiar lhe chamou a atenção no meio do caminho. — Caiu da cama? — Perguntou sem fazer questão de uma resposta genuína. Só não era comum Alecto - e mais ninguém - estar acordada naquela hora.