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@interflood
DOCE
Quando a vida partia, aflita ardia dizendo vazia: me houve amor
Cantou-se elegias de per si me entrevia se sou epifania por pensar em vocĂȘ
Redargui que sentia que vivi e queria e mais uma vez sofreria se pudesse te ter
Doce arpejo amargo torpe exĂlio amado me pressinto atado a pensar e querer
13.04.2025
RUĂDO
Veio do proibido Minha humanidade corrompida Meus sonhos derreados vitalidade carcomida
Elegia de traças Voracidade lasciva do tempo remoendo todas as memórias interditas
Estalo do destino Flagelo macerado pela pele aziaga de pecados reprimidos
Instante d'outrora VitupĂ©rio vago VilipĂȘndio amargo RuĂdo
11.01.2025
AUSENTE
Onde estĂĄ a beleza Onde habita a pureza que imerge a imensa tristeza dos homens que miram o sabor de todas as coisas
Se me ecoam os elos cinzentos, incertos, terrenos. Nos dédalos d'outrora nas curvas da forja que tecem a adaga de todos os tempos
Me exorta a clareza em meu ser indecente hesitante e doente demais por sonhar e querer Vendaval desditoso de vocĂȘ sem mim
Desejo ardente atroz persistente e a voz decadente do horror inerente de mim sem vocĂȘ
04.12.2024
SABOR
Em meio Ă multidĂŁo cacofonia astral notação musical em meio Ă multidĂŁo havia vocĂȘ
Em transe venéreo sabor adultério teu olhar eterno pausado em mim
Sob a cortina das horas teu corpo deitado me guia parado mais perto de si
Sob as franjas da aurora teus lĂĄbios molhados me tragam untado pra dentro de ti
Em meio Ă multidĂŁo sozinha, etĂ©rea, esguia, eterna, em meu coração compassa vocĂȘ
02.12.2024
DEBALDE
Onde firma o meu olhar agora? Em que horizontes fisgam o retumbar do tempo e o passar das horas?
Onde atracam lentos todos os pesares da memĂłria? Onde pousam densos todos os arrependimentos de outrora?
CĂ©u e firmamento num resquĂcio mal sonhado, se confundem no momento e esquecem de si sendo
dor e desalento, Ă parte vil e obsceno, debalde fel em urdimento, alarde
22.09.2024
AUTORRETRATO
Sinto que tudo me acontece Ă revelia do que sinto e quero Mas nĂŁo sei o que sinto E nĂŁo sinto o que quero
Sinto que o que em mim habita Não quer estar onde espero O que fica em mim é ferida O que vai de mim é etéreo
Onde arde a chama e a vida Onde pulsa o amar e o belo Onde hĂĄ poesia e lira, nĂŁo Ă© onde sinto, mas vivo, espero
Onde arde a chaga que sinto Onde hesito e finjo que quero No exĂlio que em mim habito nĂŁo mais quero o que sinto nĂŁo mais sinto o que quero
22.09.2024
VĂRIO
Se revelando inteira semelhante e contrĂĄria intrigante e arteira metamorfa e canalha delirante e primeira obtusa fornalha melĂflua fronteira lĂĄbia em flor encantada
Me encanta e promete me desfaz e me esquece me refaço e inerte te penetro inconteste ao sentir que não mais vem
E se se escondesse Ă beira e alheia ao mal que me queira e ao fel que permeia ao largo da veia que pulsa e encandeia ao fim dessentir triste assim
Me entremeia e estremece me arpeia e apodrece se me esqueço e envilece mouco hirto frio e roto deletério vil e vårio
09.04.2024
SER E SENTIR
Nascida perdida e agora vivente presente em vocĂȘ: o poema Ă© o retrato do sentimento em palavra.
Ao seu lado sorria e por dentro sentia como quem ama e se diz: poesia.
Se difusa e bela e confusa e sincera me diz um querer sem sentir
O que faço no mundo se sou outro e uno me abandono ao musgo de ser e estar
08.04.2024
DIFUSAMENTE BELA
Se o tempo revela que um amor impossĂvel menos vale que fechar os olhos a uma felicidade pungente
Se estar com vocĂȘ implica um constante e involuntĂĄrio estado de se declarar
Se toda poesia acima de tudo Ă© sentida conectada e real
Se consigo carrega pra vida como se sua vida fosse poesia serĂĄ
26.09.2023
REAL
A vida como moinho: como ver as cores de um simples poente hĂĄ muito esquecido pois infelizmente o sol se esvai em horĂĄrio comercial
A vida como caminho: como o gosto da vivĂȘncia que tĂŁo logo imprecisa e agora esquecida se rememora vivida nas vagas ocultas da lembrança
A vida como carinho: como o aroma do momento do transe revolvido e ardente por se ver correspondido por quem se verdadeiramente ama
A vida, tateio vazio: a nascer e morrer num olhar opaco e etĂ©reo obtuso doce e venĂ©reo de se crer inequĂvoco e real
13.09.2023
MOUCO
Frio e tosco o quanto tenazmente morto vagarosa e bruscamente roto e cansado e ferozmente fosco me pego a te olhar e a sorrir e a crer que por te amar e sentir que nĂŁo obstante pouco tĂŁo fugazmente ouço em tua voz e no leve sopro que entre razĂ”es e enroscos enquanto miro revolto tua boca e rosto teu sabor e gosto qual decreto rouco de um beijo mouco na completa ausĂȘncia de vocĂȘ em mim
28.08.2023
DEXISTENTE
No campo ermo da ausĂȘncia expira e exala um momento um sentido, uma fala, um tormento um resquĂcio, uma aspa, dexistĂȘncia
Enfermo e banido, renitente Petulante, esquecido: penitĂȘncia Ă deriva, na volĂșpia pestilenta de estar, lentamente encaneço
Debandado, relutante e sepulcral Exilado, dissonante e visceral Ode errante, delirante, sensual
ExcrescĂȘncias rotas, devaneios ReticĂȘncias ocas no entremeio De sentir-se ao avesso, afinal
26.02.2023
CALADO
EspĂrito atrofiado, devir fracassado Manifesto calado, verso natimorto qual remorso de sonhar o nĂŁo vivido Constipação retĂłrica, apneia perene Trespassado por um horror consciente ParaĂso distĂłpico, corroĂdo, estoico urdido, cerzido, ignoto, inĂłcuo
04.12.2022Â Â
EXĂLIO
Olho ao fundo e dentro de mim Me faltam as palavras e me perco na essĂȘncia de ser e sentir Hoje estou cansado e me dĂłi dizer o que sinto Hoje, continuo acordado e assim como o ano passado A dor que me dĂłi nĂŁo me diz por que vivo
09.10.2022
đ (em Jacobina, Bahia, Brazil) https://www.instagram.com/p/CjcAeJJoOD9F5Q7_oYbjRxGz5Ga1mj2xh_Fflw0/?igshid=NGJjMDIxMWI=
ESTEIO
Guiando os veios da noite Enleio de uma dor visceral Flagelo, mistĂ©rio e açoite Cerzido, ruĂdo e frugal Fiando o almĂscar da sorte Esteio dum amor sepulcral Singelo, venĂ©reo e forte Fremido, urdido e real Atados, desejos ululam Ondulam, pululam e irreais Auguram a rima perdida Na falsa memĂłria ferida Na chaga aberta da vida Na ausĂȘncia de ser e estar
25.09.2022