Gabrielle
Amor Primordial
Não nos tocávamos. Apenas nos olhávamos.
Seus olhos castanhos refletiam para mim todo o medo, a insegurança e, apesar de tudo, o desejo. Eu sabia que ela não conseguiria se entregar facilmente: eu conhecia seus anseios e preocupações. Apesar de tudo, conseguir senti-la daquela forma fez minha alma se inebriar de alegria.
Linda, tão linda...!
Éramos um só naquele momento, mesmo sem o contato físico. Eram os olhos, somente os olhos que falavam por nós agora.
Pousei minha mão levemente na sua coxa e senti o corpo dela reagir instantaneamente ao meu toque. Eu sabia que ela havia se arrepiado, pois eu notava isso em meu próprio corpo.
Éramos um só.
Nossos olhos ainda pertenciam um ao outro. Eu não ousava desviar o olhar, era algo sublime demais para morrer tão repentinamente... E era viciante demais para morrer, na verdade.
Subi lentamente minha mão sobre suas coxas. Senti novamente aquele impulso dela, aquele receio... Eu a conhecia bem demais para deixar qualquer sinal despercebido.
- Meu anjo... Murmurei, com a voz rouca de amor e desejo.
Gabrielle jogou seus braços ao redor de meu pescoço e encostou sua testa na minha. Seus olhos, agora sem nenhum medo ou receio, me consumiam.
- Meu amor... Murmurou ela, com doçura.
Nossos lábios se encostaram levemente, sem pressa. Aos poucos, o desejo foi se apoderando de nossos corpos e naturalmente fomos nos entregando um ao outro.
E com todo o meu corpo, eu senti sua alma. Senti Gabrielle.












