Procure pelo veludo

祝日 / Permanent Vacation

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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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Sweet Seals For You, Always
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Procure pelo veludo
Nestes últimos dias posso considerar que passei 80% do tempo na horizontal. Tem momentos que é melhor estar na cama.
Pode soar melancólico e cinza, mas sinto como um progresso: a natureza não dá pulos e temos que atravessar rios.
Não defino o sentimento como esperança ou similaridades, ainda me vejo até o pescoço dentro de uma areia movediça, meu corpo ainda tem muita dificuldade em se movimentar.
Nada que eu já não tenha passado, dessa vez com certeza muito mais solitária do que antes. Mas aqui, viva. Espero permanecer dessa forma.
Os dias estão frios ultimamente.
Sempre que existe uma oportunidade em falar em uma conversa convencional que detesto estes dias eu faço questão em dizer.
- Tudo é gelado, é difícil de sair da cama e eu me sinto muito mais triste com esse clima.
Até que acontece o hoje, que não há frio, o céu está num tom de azul lindo, um sol tímido mas presente, e eu assisto de tudo pela minha janela. Pois continuo não querendo levantar da cama, não querendo iniciar mais nada, só não queria estar mais aqui. Percebi que, esse estado deprimido e sem perspectiva nunca vai me deixar cada vez mas sensibilidade, não vejo grandes coisas em nada, tenho perdido o paladar da vida. E isso meu amigo, pode ser qualquer estação.
snoopy in she’s a good skate, charlie brown (1980)
Foi carnaval em abril, na minha opinião, carnaval fora de época foi a pior coisa que inventaram na vida.
Sinto que estou vivendo meus dias aproveitando cada segundo. Tenho urgência em ser melhor do que ontem. Mas, as vezes conviver comigo mesma não é fácil. Entender e aceitar que esse meu lado depressivo e melancólico faz parte de mim agora e não tem como ele ir embora por completo, como um vírus que nunca vai sair do meu corpo. E nesses momentos que minha bateria estiver totalmente descarregada, que não tenho forças para fazer nada, que a ansiedade estiver em seu pico e que eu só queira me desligar do mundo eu preciso lembrar que tudo isso vai passar, aguentar firme pois os tempos mais sombrios já passaram.
Não bastasse o fato de estar numa rocha gigante flutuando pelo Universo, ainda consigo arrumar tempo e espaço nessa cabeça maluca para questionar pequenezas. Quando olho no espelho e me deparo com o mesmo rostinho de sempre, sem acreditar que eu sou eu, às vezes até sem desejar ser esse rostinho, pois tenho assistido esse filme por trás dos meus olhos durante muito tempo, o suficiente para dizer, “chega, serei outro agora”. Questionar a existência deveria ser o bastante para que eu não me preocupe com o encontro do Tinder, as eleições, o meu time do coração, ou a falta de alguém. Afinal, o que é a saudade perto desse sentimento de “o que diabos eu tô fazendo aqui?”. Sejamos sinceros, para o meu corpo sobreviver ele precisa de água, carboidratos, proteínas e vitaminas, ele não precisa dessa sensação de pertencimento, alguém dizendo que me ama. A gravidade tem feito o seu papel muito melhor do que qualquer carta de amor. Mas, no fim do dia, o que me incomoda é a mensagem que não foi respondida. Sério, o que diabos eu tô fazendo aqui?
Ultimamente, as coisas não se encaixam. Tô mais perdida do que na adolescência, sem saber o que realmente importa.
Procuro nos livros, na saúde, nos amigos. O que está faltando? Ainda não sei nem onde procurar, e o processo é exaustivo e doloroso.
Sinto na maioria das vezes que nunca mais terei paz. Mas o que é paz, na verdade? Será que estou vivendo o melhor momento da minha vida?
Esses dias eu voltei pro bar vermelho, não reconheci nenhum rosto, o banheiro continuava igual.
Antes de atravessar qualquer amor olhe para os dois lados. Se for possível, atravesse de mãos dadas. Se não houver ninguém por perto, tudo bem, mas sempre olhe para os dois lados.