Aconteceu de novo, saí de casa e esqueci minha vida.

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@isagiorgiano
Aconteceu de novo, saí de casa e esqueci minha vida.
Provas de amor
Quando eu era pequena uma vez reparei que em minha casa as pessoas não diziam "eu te amo" e que na casa de alguns amigos meus essa utilização era frequente. Mas o que mais me intrigava era o fato de eu não sentir falta alguma dessas palavras na minha minha vida. Eu não me sentia menos amada por não ouvir que me amavam...Hoje vejo cobranças e mais cobranças de amor, de todas as maneiras imagináveis. Cobram palavras, comportamentos, considerações, cobram a "forma certa de amar", e a única coisa que penso a respeito é "que sorte a minha"! Que sorte poder viver sem ter que demonstrar a todo instante que existe amor ali, que sorte viver com pessoas que sabem sentir o amor sem precisar concretizá-lo.
Quando o amor é mútuo e verdadeiro ele é sentido,ele se basta! Ele é respirado no dia-a-dia, não que palavras não sejam váladias, mas são só uma confirmação.Quando o amor é amor ele aparece aos olhos dos amados sem dificuldades, ele salta em cada passo singelo em direção ao outro, ele vive na essência de cada movimento, no fundo de cada vontade. E é essa essência que as pessoas deveriam almejar, é isso que faz falta a alma...As pessoas não procuram o amor, procuram o que elas queriam dele, procuram coisas que provem ao mundo o fato de elas serem amadas. Tolice. O amor é a melhor coisa que alguém pode sentir, e é isso: sentir! Cada um tem uma forma de amar, e querer mudar o amor de alguém é a declaração mais explícita de que aquilo não é amor. Amor não se cobra, não se exige. Ele existe, e só. A maior prova de amor que alguém pode fazer é me fazer não sentir necessidade alguma de provas de amor.
Deitada na escuridão da minha sala
Vivo eu e a tranquilidade
Vivo eu e a turbulência
Deitada com a brisa na cara
Com o chão gelado nas costas
Com o silêncio
Mergulho no mais profundo
E sufocante que há em mim
E saio sem saber pra onde fui
Pra onde irei
Mas saio sabendo
Da brisa leve
Do chão fresco
Do amor silêncio.
I.G.
(foto tirada do interior da igreja Espírito Santo do Cerrado, projetada por Lina Bo Bardi, em Uberlândia-MG)
O que diz respeito a mim
Como em um golpe direto ao diafragma, perdi a fala
Perdi a facilidade intrínseca de comunicar-me com meu interior
Como se de repente meu próprio eu houvesse nascido em outro lugar
falando uma outra língua, buscando um outro horizonte, cantando uma nova cor
E desde de então, procuro-me!
I.G.
Sem Palavras
Estou com vontade de escrever mas a escrita não me vem e a falta de palavras é a morte do eterno e a falta de registro é a morte do continuo e tudo o que se passa vai morrer aqui comigo num selo tão ingrato quanto meu insensato num selo tão bizarro quanto meu escarro e de imediato esse é o meu contrato I.G.
Que a grandeza do tempo nos comova.
O fedor tomou até o tato e a visão seleta causo-me má impressão mas atrás do primeiro muro vinha o primeiro dos mundos que eu viria a perceber o garoto soltando pipa a moça se achando bonita o homem pedindo birita e o velhote sentado na esquina sem ter maiores porquês e depois de uns dois, três passos vem o antigo, o restrito, o legado a história vive por entre os camelôs e os meninos picham a careca do senhor gente na labuta, gente carrancuda gente sorridente, vi até presidente gente faminta, gente extinta mais gente que gentileza mais gente que genuinidade mais gente que jenipapo e passa o ônibus, o metrô o trem, a balsa, a bike o dia, a noite, a madrugada
homem pássaro homem árduo homem desarmado perante as regras da espontaneidade As ruas contrastam com os gramados e os prédios com os morros E fora os alvoroços ainda se vê um certo esforço pra que a vida não se perca entre os pilotis pra que as praias sejam mais que cartões postais do país e a vista por todos os lados é bela distinta, esplêndida, tagarela Virando a ruela vai-se do agito à mansidão debruçando na janela do corrido ao coração na deriva corriqueira do olhar peneira faz-se uma leitura grosseira que vai da comida a capoeira em uns três ou quatro colibris Das impressões tão belas sobram parcelas de alguns gestos de amor e acende-se uma vela pra que atrás dessa cidadela não morra o sonhador.
I.G.
Se digo saudades a quem ontem mesmo vi.
Digo saudades, porque saudades é o que tenho a digerir.
I.G;
Igreja Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia-MG
Que a questão em vigor não seja o tempo, mas o amor.
Onde o mimo mora! <3
I.G.
O que é luz e o que é penumbra, se nossos dedos permanecem entrelaçados ?
Que você não seja tão alienígena quanto o humano lhe impõe. I.G.
Não só o céu
Nem só ali, ou lá
Ou isso ou aquilo
Mas tudo o que minha vista alcança
é uma visita a você
É um olhar meu
querendo que tudo o tenha
e que tudo seja
uma lembrança de ti
Mas na verdade
te encontro aqui
na minha vontade de estar ai
No meu ir e vir a sonhos abissais
No meu peito apertado
E no alento suspeito
que sua alma me trás.
I.G.
Que o meu vagar traga o novo olhar. I.G.
Que seja compartilhado e aproveitado todo o infinito que há em nós. Todo o nosso que há no infinito. <3 I.G.