Deus era testemunha de sua vontade manter uma expressão limpa, do quanto estava lutando para evitar qualquer agitação, porque tinha uma máquina particularmente escandalosa monitorando seus sinais vitais e qualquer alteração causaria alguma cena constrangedora. Mas, obviamente, tudo pareceu ir por água abaixo quando Sebastian se aproximou. O coração de Denali subiu algumas batidas e o monitor não falhou em denunciá-la, fazendo-a fechar os olhos e suspirar pesadamente. A resposta dele veio só para fazê-la corar e tornar impossível a missão de manter uma expressão sóbria. Uma risada baixa escapou entre os lábios, mas foi acompanhada de perto por um gemido de incômodo. ━━ Não me faz rir, Sebastian! ━━ Soltou, por entre os dentes. ━━ Eu tô cheia de pontos, se eles estourarem eu vou te dar alguns curativos também. ━━ Resmungou em mais uma de suas ameaças vazias já que não era capaz de ferir nenhum ser vivo, mas sem conseguir se livrar daquele sorriso idiota que ocupava os lábios e das bochechas coradas.
━━ Se for esperar que eu pegue no sono, melhor pedir um cobertor para a enfermeira, porque vai ficar aqui por um bom tempo… ━━ Avisou, com pesar. Com a incostância em que se encontrava seu sono, duvidava que fosse dar paz ao outro. Então, levou uma das mãos ao rosto do homem e deixou um afago leve, com as pontas dos dedos. ━━ Me desculpa. ━━ Sussurrou em resposta. ━━ Não queria preocupar ninguém, nem… Machucar. Eu tentei parar o carro, estava dirigindo devagar, eu… ━━ Não tivera a intenção de entrar naquela situação, mas aquilo parecia preso dentro do peito, sufocando-a. Denali realmente não era capaz de machucar nada nem ninguém e, de repente, estava envolvida em algo tão terrível. O peso da culpa estava em seu ombros, esmagando-os contra aquela maca. A mão voltou a cair ao lado do corpo, mas os olhos repentinamente marejados ainda estavam voltados para o homem. ━━ O que aconteceu lá? Eu não lembro… E ninguém quer me contar, eu… Preciso saber… Alguém se machucou… Muito?
Não queria fazer uma grande cena mas notar que sua presença, tinha o efeito de descompassar seu coração, deixava-o um pouquinho satisfeito e feliz. Ele ficava do mesmo jeito, então entendia o que ela estava passando no momento, preferindo ignorar a maquina barulhenta ao lado deles. Sebastian odiava hospitais, além do ambiente todo branco e cheirar a produtos de limpeza, era nele que tinha perdido sua mãe. E quase Denali e seu amigo agora também. Ainda sim, estava passando por cima de todo o seu desconforto para deixá-la bem. - Ficaríamos combinando, então. - porquê ele não se importava de apanhar de mulher bonita q.
- Aquela ali? - apontou para o lençol e travesseiro na cadeira, que a enfermeira os entregou quase por pena da sua coluna, deitado ali por mais de um dia. Sorriu automaticamente ao sentir a caricia dela, um arrepio percorrendo toda sua espinha, mas o mesmo sumiu na mesma velocidade que veio ao notar a mudança de expressão e olhos marejados da outra, seu coração logo apertando no peito. - Ei, ei, ‘tá tudo bem, você não tem culpa de nada. Na verdade, ninguém tem culpa, acidades infelizmente acontecem. Não é como você pudesse controlar isso. - sabia que tentar amenizar a situação não adiantaria nada mas não gostava nenhum um pouco de vê-la daquele jeito. - O Khalid tá bem mas o motorista com ele veio a falecer. Eu sei que é difícil mas eu não quero que você se culpe por isso. Você também poderia ter ido dessa para melhor, assim como Khalid. A gente pode visitar a família deles depois que você estiver bem, eu não vou sair do seu lado, eu prometo. - seu timbre era seguro, entrelaçando sua mão na dela com cuidado e passando levemente o dedão por a pele alva, tentando passar nem que seja o mínimo de conforto naquela tragédia. - Mas antes você precisa se concentrar em melhorar, tudo bem?