80's Comedown Machine (Louis x Éponine)
Enquanto aguardava a garota, uma corrente contínua e gigantesca de pensamentos tomou conta da mente do rapaz. Pela primeira vez na noite, ou desde que convidara a garota para aquela volta, pensou de fato no que ela queria. Ela poderia mudar de ideia de uma hora pra outra. Decidir que Louis não era lá tão confiável assim para sair. Numa época onde haviam tantos conflitos de cliques, sair com um cara de outro – ainda que no sentido menos romântico do termo – era conflitante. Quer dizer, achava que era. Para Éponine, talvez. Porque Louis definitivamente não ligava para aquelas besteiras de títulos todos apesar de ter o seu. Se havia algo curioso sobre a garota era o fato de que ela parecia ligar demais para o que os outros pensavam. Louis, pelo contrário, muitas vezes não ligava nem para o que ele próprio achava; tão despreocupado e largado que era. Mas aquilo ficara claro sobre Éponine mediante os tantos conselhos que ela tratara de lhe dar sobre não saírem juntos. Os que o rapaz fez questão de rebater perfeitamente. O que eram mais alguns nomes feios e olhares tortos pra quem passou uma vida toda na mira destes? Como fora confirmado na primeira impressão, Nine parecia uma garota até divertida. Tão quieta e quase assustada (seria este o termo?), mas uma boa companhia. O olhar vago na janela voltou ao foco, assim como os pensamentos se dispensaram de imediato, assim que notou a movimentação da garota. Mesmo que quisesse conter qualquer sorriso, um particularmente divertido escapou ao vê-la rir e lhe pedir para esperar; ao que apenas assentiu levemente com um mover da cabeça. Naquele instante, conseguiu entender a razão de jogarem pedras na janelas: Pelo menos quando o motivo era o mesmo que o seu (vulgo: chamar atenção), parecia de praxe ganhar um sorriso ou um baixo riso em troca. O que, sem dúvidas, era uma tremenda recompensa. Continuou em seu posto aguardando a aparição alheia e, quando esta finalmente surgiu pela porta, a expressão assumiu um leve ar satisfeito. Que acompanhou o riso baixo quando a fala da garota aconteceu. – Era isso ou bater na sua porta. E como não sei qual é o exato tipo do seu pai quanto a encontrar um rebel descabelado tocando a campainha dele e perguntando pela filha… – Torceu os lábios levemente num ar tão teatral quanto fora o dar de ombros e sorriu. Mais satisfeito e aliviado. Era péssimo para socializar, mas as coisas estavam indo bem até agora. – Preferi arriscar a pedra. Além do mais, sou francês. Devia esperar algo do tipo levando em conta o histórico de romantismo extremamente barato do meu povo. – Acrescentou aquilo num tom de brincadeira; movendo a face num chamado silencioso para que começassem a caminhar na direção apontada pela garota.
Éponine sentiu o ar frio soprar no rosto no momento que parou diante do rapaz. Ela até mesmo puxou o ar, surpreendida. Só ela sabia o verdadeiro milagre que era acertar no clima do vestuário. Dava pra contar nos dedos o número de vezes que o clima não lhe fora problema já que sua tendência de vida era estar sempre do jeito oposto do que seria confortável com o ambiente: não estar com guarda-chuva quando começava a chover, estar com duas blusas pra enfrentar um sol ferrado depois de um tempo nublado, estar sem blusa alguma e começar a ventar gelado; argh. Mas era tão comum esses erros que ela nem gastava muita energia se frustrando.
Ela fechou o zíper da jaqueta e enfiou a mão no bolso com um sorriso no rosto antes de rir com o garoto. -- Ele ia te matar e depois me matar. E depois matar o meu irmão, porque de algum jeito ele sempre é sempre o culpado de alguma coisa -- riu, acenando a cabeça e começando a andar na direção que havia indicado. O pai dela nem sonhava que ela era uma stoner, nem sonharia com uma escapada noturna como a que estava fazendo. Então se Louis batesse na porta e procurasse por Éponine, na certa ele ia pensar que ela foi convertida por ele e que Erik, de algum jeito, tinha dedo nisso. Apesar de parecer, Éponine não vivia nenhum tipo de "vida dupla" por ser stoner sem os pais saberem. Sua vida sempre foi assim. Ninguém perguntava então ela não falava nada. Deixava que os pais fossem se preocupar com Erik, seu irmão com fama de baderneiro. -- Só pra constar que ele tem uma espingarda -- disse, se lembrando desse detalhe -- Na verdade é só um enfeite na sala desde que meu avô morreu,.. mas do jeito que ele cuida eu tenho certeza que funciona -- ela riu baixo, dobrando a esquina, depois do comentário. É, o pai deixava aquela geringonça quase brilhando na parede da sala. Éponine não gostava, claro, não gostava de coisas que representassem violência. Mas sua opinião sobre isso não faria diferença, então ela nem se dava o trabalho. -- Então.. muitos problemas pra achar minha casa?














