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lionblancc:
Enquanto o olhava dar um jeito naquela sua forma de querer provar, Enzo riu baixinho e inclinou-se na direção do mesmo, mordendo o bolinho rente aos lábios do mesmo, demorando-se apenas um pouco para recolher o glacê com a língua, o contato visual não sendo quebrado até que se afastasse, assentindo satisfeito. “Sim, assim.” concordou, sorrindo para o mais velho. As suas sobrancelhas foram arqueadas porque não dava para o entender direito. Primeiro ele deixava que Enzo pegasse o cupcake daquela forma e então ficava inquieto por ganhar um selinho? Por mais adorável que fosse, precisou revirar os olhos. “Não se preocupe, okay? Não tem ninguém por perto, eu não faria algo para te prejudicar.” comentou suavemente, encolhendo os ombros. E realmente não faria, tomava cuidado a cada movimento mais próximo que fazia do outro loiro pois, mesmo não tendo aulas com ele, Troy ainda era um professor. Suas ações poderiam ser impulsivas em qualquer outro lugar, mas, ali, estava sendo mais cuidadoso. Não fosse por isso, já teria dado um jeito de beijá-lo corretamente pois céus, era o que queria. Almejava o beijar como dias atrás na primeira noite ali, ver-se com o corpo do mais alto cobrindo o seu e aquelas mãos em seu corpo. Mas não. Não podiam ali de dia. Todos aqueles desejos, as vontades… Enzo quase não entendia o que sentia. Fazia mais de dois anos que sequer dava-se ao trabalho de olhar para outro rapaz e agora, justamente agora, isso mudava da água para o vinho. “Eu tenho uma marta, não um rato… mas eu corro atrás dela mesmo.” O menino admitiu, os lábios ainda segurando aquele sorriso. Mas este diminuiu pois, ao vê-lo se aproximando, não tardou em erguer-se um pouquinho, os cotovelos sustentando o corpo. Os lábios finalmente encontrando os do outro, a mão direita subiu para tocar-lhe o queixo, o polegar acariciando o local ao ter-lhe aprofundando o beijo. Dessa vez o selinho casto não foi o que predominou, o suspiro escapou baixinho ao sentir a urgência imposta, devolvendo-a com volúpia ao escorregar a mão para o pescoço do mesmo, puxando-o para si também. Poderia ser ridícula a forma como desejava o ter tão perto quanto podia, mas Enzo não se importava, não com a língua de Troy deslizando contra a sua, buscando um espaço em sua boca; espaço esse que era cedido de bom grado.
Troy não entendia o que estava acontecendo, mas não queria pensar muito a respeito. O fogo que corria nas suas veias tirava toda a racionalidade que ele possuía. Era engraçado, porque ele era mais velho, então supostamnte, era quem deveria tomar as decisões corretas. Mas, de acordo com o que ele estava sentindo, como poderia ser errado? Quando sentiu ser puxado pelo garoto, Troy projetou-se sem relutância, deixando seu corpo deitar por cima do corpo do outro. Sentiu o calor que emanava dele e os músculos contra o seu próprio corpo. Deixou uma mão deslizar pelos seus cabelos, enquanto a outra delineava todo o seu corpo. Chegou até a região lateral da coxa, apertando a pele por cima da calça. Seus lábios continuavam grudados aos dele, enquanto deixava as línguas tocarem em uma sintonia perfeita. Ele não queria pensar, não queria recuar. Só queria mais e mais de Enzo, ele por inteiro. Desceu os lábios pelo pescoço dele, entanto dava leves mordidas na pele em chamas. Deixou a mão subir e procurar caminho por dentro da camisa dele, tocando finalmente o peito dele. O contato da sua pele com a dele parecia fazer sua própria superfície formigar, como se estivesse tocando em algo eletrizado. Mas tudo isso só o fazia querer mais. --- Eu quero você --- Permitiu-se pronunciar, enquanto a boca voltava a encontrar a dele e continuava naquele tsunami de sensações da qual ele não conseguia fugir. Mordeu o lábio superior do garoto, abrindo mais a boca para deixar a língua passar sem empeçilhos. Tudo o que ele queria estava a 1 centrímetro de distância e, por algum motivo, ainda assim parecia longe demais.
lionblancc:
“Não era assim que eu queria provar.” Enzo brincou, mas acabou mordendo o doce da mesma forma, não era como se fosse rejeitar, considerando que acabaria não apenas devorando o seu mas os que tivesse a chance também. “Eu realmente não sei se é ou não. Eu só cozinhava algo para meus pais e minha irmã, eles adoravam, quando eu tentei fazer para outra pessoa… digamos que não deu certo.” encolheu os ombros, recuperando da caixa um novo cupcake. Não fazia sentido ele comer tanto, tantas besteiras e mesmo assim nunca engordar. Pela quantidade de alimentos doces ou gordurosos que ingeria, Jacob já deveria estar embolando pelo chão, mas não. E ele tirava bastante proveito disso. “Então você só vai saber quando tentar comer algo que eu fizer. Ou você morre de intoxicação, ou gosta.” disse rindo, lambendo os lábios. O garoto acabou encarando-o com uma expressão quase incrédula, não fazia muito sentido que o mais velho teimasse em dizer que não podia se aplicar a ele o que Enzo garantiu; os olhos claros do menino vagaram pelo corpo do professor antes de retornarem ao rosto do mesmo e encará-lo corretamente. “Eu quis dizer somente com avental… mas você tem razão, eu preferia você sem o avental.” retrucou, não sabendo de onde havia tirado coragem para aquilo; talvez fosse pelo fato do outro realmente parecer acreditar nas suas palavras anteriormente ditas. “E eu acho que se for um daqueles que tenha “kiss the cook” eu ficaria bem mesmo e você teria que cumprir porque frases de camiseta e de avental… são ordens!” ele acrescentou, sendo agora a sua vez de inclinar-se para frente e pressionar levemente os lábios contra os dele num rápido e casto selinho, deitando-se então na grama ao se afastar. “Saindo da cozinha para os animais… eu não te vi com nenhum bichinho por aquilo pelo campus em nenhuma ocasião, você tem algum dos proibidos ou simplesmente não tem nenhum?”
Troy deu um sorriso malicioso --- E como você quer provar, então? Assim? --- Então pôs uma parte do doce na boca, deixando uma outra parte para fora. Aproximou-se dele esperando que ele pegasse.. --- Estou disposto a assumir meus riscos. --- Foi quando percebeu o olhar alheio passear pelo seu próprio corpo. Não sabia se estava fazendo de propósito, mas não pode evitar se sentir um pouco estimulado pela atitude. --- São ordens? Não sei se obedeceria realmente --- Deu de ombros, com um ar de riso na boca. Então percebeu ele se aproximando em sua direção. Era como se todo o ar ao seu redor tivesse sido sugado e ele não pudesse mais respirar. O coração acelerou e foi quando ele sentiu os lábios do outro sobre os seus, em um beijo delicado, mas de tirar seu próprio fôlego. Olhou, meio decepcionado quando ele voltou ao lugar, soltando o ar que não percebera conscientemente que estivera prendendo e forçou um pequeno sorriso. --- Eh... --- falou tentando se concentrar na pergunta alheia --- Eu não tenho nenhum. Quer dizer, tenho, mas não tenho. Meu colega de apartamento tem um gato. Ele vive comigo, mas não é exatamente meu. Apesar que não o tenho visto ultimamente. Acho que tem fugido de mim. Você tem algum animal? Posso até te imaginar correndo atrás de algum rato perdido. Porque, obviamente, você é dos que tem um animal proibido. Mas relaxa, não vou contar se você não contar isso que farei agora. --- Com um sorriso de canto nos lábios, Troy se aproximou dele, tocando com uma das mãos em seu rosto. O contato da sua pele com a dele dava pequenos choques que o faziam acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, por mais difícil que fosse de acreditar. Os olhos verdes do garoto o olhavam de forma intensa e Troy se sentia invadido, mas ele não se importava. Ele só queria tê-lo perto. O mais perto possível. Puxou-o com uma mão e depositou um beijo em seus lábios. Primeiro foi um selinho, dado de forma gentil, que foi se transformando em algo mais urgente. Seus lábios foram se abrindo, e sentindo os lábios macios do outro enquanto sua mão explorava seus cabelos. Puxou mais para perto, e deixou que sua língua saísse de sua boca para encontrar com a do outro. Naquele momento, não conseguia pensar em mais nada.
--- Eu não sabia que as pessoas costumavam vim ao lago. Pensava que preferiam Hogsmeade --- comentou Troy para a pessoa que estava ao seu lado. Ele lembrava que o ambiente costumava ser menos frequentado. Era um dos seus lugares preferidos para ficar só e pensar. Agora, não mais.
lionblancc:
Jacob não deixou de devolver o sorriso para o mais velho, seus olhos claros focados nos dele pois, se Troy estava lhe dando atenção mesmo com toda a confusão que suas palavras acabavam saindo, então ele merecia atenção também. Não eram tantas pessoas que perdiam tempo ouvindo seu tagarelar, até a irmã costumava mandá-lo calar a boca tantas vezes por dia que perdia a conta. “Ainda bem, por alguns segundos na cafeteria eu achei que você estaria vindo forçado.” respondeu, seus olhos sendo fechados minimamente ao perceber a proximidade alheia, lutando contra a vontade de deixar o selinho menos casto e transformá-lo num beijo. Ao afastar do outro loiro, Enzo fez um biquinho, o olhar acabando por recair sobre os lábios do professor. “E achando que ia me deixar provar seu bolinho.” o comentário feito foi brincalhão, mas ele não se moveu para buscar o que queria, preferindo assentir. “Gostar, eu até gosto. Minha mãe manda super bem na cozinha e seria um ultraje se eu e a Mackenzie não conseguíssemos fazer algo para sobreviver, sabe? Mas… mas eu não sou tão bom, na verdade, provavelmente péssimo.” ele soltou um riso sem jeito, não quero lembrar das vezes que fizera algo e o ex-namorado disse que estava ruim; não importava se as outras pessoas diziam o contrário, as críticas negativas sempre venciam. “Sei mais o básico e não consigo fazer nada aqui porque tudo já vem pronto.” suspirou um pouco frustrado. “Cozinhar dá para ter muitos movimentos e muita agitação presente, então era algo que eu gostava de tentar quando eu era pequeno. Mas e você? Cozinha? Você deve ficar sexy usando avental e cozinhando.”
Troy segurou o bolinho com uma mão e levou até a boca dele --- Pode pegar, se quiser. --- Estava sentado numa posição em que o joelho esquerdo ficasse próximo ao peito. Seu braço esquerdo abraçava a perna levemente enquanto a mão direito apoiava o peso de seu corpo contra o chão. Assentiu, o olhar com um ar de incredulidade --- Você sabe que um não vou acreditar nisso, certo? Quando vê é apenas modéstia. --- Engasgou com a bebida quando quando ouviu as palavras sexy e avental se referindo a ele. Troy não era exatamente um desastre na cozinha, mas também não era referência. Ele conseguia fazer o mínimo e, portanto, não morrer de fome. Quando queria algo mais complexo, ia até uma lanchonete ou restaurante. --- Na verdade sim. Não sei se você sabe... --- Troy sentia uma vontade de falar sobre si mesmo, queria explorar o que passava na sua cabeça com outra pessoa naquele momento --- Mas moro com outro professor do instituto --- Pensar em Max ainda causava incômodo no seu peito. Lembrar da amizade que tinham e como tudo tinha sido destruído por uma atitude egoísta sua. Tinha medo que o mesmo acontecesse com o Enzo. --- E lá dividimos as tarefas. Mas preciso confessar que não sou tão justo com a cozinha. Tipo, eu sei fazer. Precisei aprender... --- a frase fora dito com um olhar baixo, de modo reflexivo --- Mas também posso ser bem preguiçoso. Então cuidado! Agora sexy e avental não se aplicam a minha pessoa. Eu acho que até pagaria para ver você assim. Deve ficar mais lindo do que já é...
lionblancc:
A feição confusa foi direcionada ao homem mais velho, demorando alguns segundos para entender que ele dissera aquilo, acabando por rir e encolher os ombros. “Olha aí, está vendo? Você diria apenas segundo semestre, mas é a primeira vez que o faço… desculpe, eu tendo a complicar as coisas quase cem por cento das vezes.” Enzo abriu um sorriso envergonhado, comendo mais um pouco do bolinho. Manter a boca ocupada deveria fazê-lo parar de falar besteiras… ou ao menos era o que desejava. “Bem, meus pais são trouxas, eu fui diagnosticado por médicos normais então. Eu tinha uns cinco ou seis anos? Sim, é acho que era isso. Os remédios ajudam mas… não é milagre.” respondeu, pegando o café para tomar um gole antes que ele risse com a cabeça pendendo para trás e o papel do bolinho fosse amassado e jogado no professor. “Considerando que eu não preciso assistir as aulas? Que só estou indo por causa das presenças? Sim, pode ser.” Enzo lhe deu uma piscadela, esticando a mão para passar o polegar no canto do lábio alheio, tirando o pouquinho do glacê do cupcake. “Mas também pode ser porque você é legal e eu quero estar aqui, não?”
Troy sabia que Enzo tinha falado aquilo com bom humor, mas ele não conseguiu evitar os pensamentos que remontavam ao que aquilo significava. Eu tendo a complicar as coisas..., isso não se aplicava a ele mesmo. Quando olhava para trás e pensava sobre as várias situações que tinha vivido seja com o Max ou com o próprio pai mesmo, não era ele que tendia a complicar as coisas. Troy sempre pensara que gostava de coisas simples, mas, ao refletir sobre, percebia que alguns dos nós do emaranhado eram dados por si mesmo. Cruzou as pernas, tentando obter uma melhor visão do garoto, mostrando que toda a sua atenção estava voltada para ele. Um sorriso abriu em seus lábios, sorriso esse que Troy não lutaria mais para esconder. Estava se divertindo com a conversa, não adiantava em nada tentar fingir que não. --- Eu também gosto de estar aqui. --- Pôs uma mão sobre o ombro dele, aproveitando a proximidade. Os dedos tocaram a pele do pescoço sentindo um leve pinicar enquanto sentia a superfície macia em contato com a sua. Deixou que seus lábios abrissem em um pequeno sorriso e aproximou-se rapidamente depositando um selinho breve nos seus lábios. Sentia sua pele começar a corar um pouco, então voltou-se ao seu lugar, falando a primeira coisa que vinha à sua cabeça --- Então, gosta de cozinhar? --- Cozinhar? Isso é o melhor que você podia fazer Troy?
shesfuckinart:
“–Nah, agradeço a gentileza mas não precisa. Só sobraram os ruins e apesar de gostar da surpresa, dessa vez prefiro não arriscar.” Seu tom era divertido, mas a sobrancelha arqueada denunciava certa repreensão que, claro, era falsa. Cruzando as pernas, Adèle se recostou no encosto do banco e encarou o movimento das pessoas a frente deles, ficando em silêncio no que durou pouco mais de um minuto. Só então, ainda sem olha-lo, perguntou. “–Let me guess: professor?”
Troy se recostou no banco, imitando o gesto da garota e assentiu --- O que me entregou?
lionblancc:
Enzo concordou e ergueu a vista para o mais velho, encontrando o olhar do mesmo. No entanto, o professor não pareceu dar indícios de desviar o olhar é isso fez o menor, além ruborizar, não segurar a risada constrangida. “Ah, droga! Isso não vale! Eu não disse meu ponto fraco para você usar!” reclamou entre as risadas, tentando não derrubar a caixa e arruinar os lanches. Por fácil de fazê-lo rir, tornava-se ainda mais evidente sua infantilidade para certas coisas, e ser encarado com certinha tinha de ser uma dessas. Ele só caminhou até a sombra de uma das árvores e tocou brevemente o cotovelo alheio com uma das mãos, não podia dar-se ao luxo de manter um contato maior pois acabaria derrubando tudo. E, antes que isso acontecesse, sentou-se na grama, colocando os bolinhos em segurança no chão. “Estou cursando Arte e Cultura Bruxa, segundo primeiro semestre ainda. Não é tão legal quanto eu imaginei… é fácil de ficar entediado, sabe? Digamos… que eu seja um pouco agitado, tenho déficit de atenção então ficar parado por muito tempo prestando atenção em algo, isso não é uma opção.” tirou um dos cupcakes e mordeu, mas nem mesmo assim, de boca cheia, Enzo ficou em silêncio. “Mas eu gosto de tentar, adoro desafios e esse… esse é imenso! Só que eu não tenho mais nada para estudar porque já vi tudo o que iríamos ver até o fim desse semestre. Para mim só vai ser revisão.” tagarelou, como sempre. Enquanto notara que o outro tinha problema para começar a falar, ele tinha para tentar parar.
Troy ouviu atentamente enquanto o outro falava um pouco sobre si mesmo. Depois de todos aqueles anos empurrando pessoas para fora e não permitindo que ninguém nunca o visse por dentro, sem máscaras e fingimentos, ele se tornara bom em ouvir. Esse era a única forma de tirar toda a tenção sobre si mesmo e ele conseguir se poupar de ter que entrar em um território que nem ele mesmo ainda conhecia realmente. Era tudo muito estranho e tentar se descrever era algo que o incomodava. Sentiu a mão de Enzo tocar-lhe gentilmente no cotovelo e desviou sua atenção para aquela região, como se não acreditasse que aquilo estivesse realmente acontecendo. Para um parte de si parecia errado em tantos níveis. --- Segundo primeiro semestre? Isso não fez muito sentido --- confessou Troy, enquanto liberava um pequeno ar de riso nos lábios rosados. --- Déficit de atenção? Mas isso foi diagnosticado por algum medibruxo ou você simplesmente acha que tem? --- Pausa --- Então é por isso que você está --- deu uma olhada no relógio conferindo as horas --- matando aula para estar perdendo tempo com um professor aqui? --- Então deu uma olhada ao redor, como se procurasse alguma coisa. De fato, estava. Queria confirmar que ninguém espreitava o que quer que tivesse acontecendo ali. Porém ninguém podia ser visto. Depois de aceitar um pouco mais esse fato, voltou a atenção para os olhos do garoto. Pegou um cupcake, finalmente, e levou-o a boca.
scars we cover up with paint | troy & bernardo
inflamcvel:
Uma das maiores verdades sobre Bernardo era: ele sabia dar um migué como ninguém. Migué, enrolação, lábia, mentira para enrolar e sair de uma cilada. Ele sabia fazer isso, se não, teria tido mais problemas do que era legalmente permitido em Beauxbatons. Assim que ouviu a voz profunda do mais velho em sua direção, arregalou os olhos, e sabia que não podia evitar. Agora já não adiantaria fugir e se enfiar em outra loja, já havia sido visto. Se ele corasse facilmente, estaria vermelho, mas aquele era Bernardo, Persévérer e Sonserino, já maquinava em sua mente alguma coisa para falar. Só não sabia muito bem como exatamente havia sido descoberto. Quer dizer, ele havia sido discreto, certo? Discreto, mas otário, ao ponto de deixar a mochila meio aberta, o caderno cair e nem sequer perceber.
Virou-se na direção do loiro, observando com seus olhos azuis o alvo de muitos desenhos e pinturas dele se aproximar. A linha do queixo era tão definida como imaginava de perto, só que seus olhos eram muito mais belos do que Bernardo havia conseguido pintar alguma vez. A expressão inicial de Bernardo, choque e susto, havia sido substituída por uma descontraída, mas inevitavelmente com sinais de constrangimento, pela situação que havia se instalado. ‘Você deixou cair… Os meus desenhos.’ O homem havia dito, e o timbre de sua voz ecoava nos ouvidos de Bernardo como os sinos da Catedral de Notredame, que antes havia sido ponto de encontro de muitos bruxos na Paris de antigamente. Era engraçado, os meus desenhos, porque de fato não eram de Bernardo, e sim dele. O Flamel havia sido só o veículo no qual ele havia sido materializado.
– Eu sinto muito, isso deve parecer muito estranho pra você. – Deu de ombros, com um sorriso apertado, aceitando o caderno e o colocando imediatamente na mochila. – É só que eu gosto muito de desenhar, você sempre vem aqui, e é um ótimo modelo, na verdade. – Quando analisou mais profundamente a expressão do outro, não achou que ele parecia de fato chateado, ou algo assim. Mas, sei lá, se fosse Bernardo no lugar dele, talvez tivesse achado estranho. Bernardo era, em outras palavras, uma espécie de ‘Stalker Artístico’.
Uma das características marcantes de Troy era a impulsividade. Não foram poucos os momentos que o professor de Estudos de Feitiços via-se submetido a uma situação só porque naquele momento ele sentia uma vontade irrecusável de assim fazê-lo. Mas o grande problema estava quando, depois de passado os poucos momentos do êxtase proporcionado, a culpa atingia-o fazendo se arrepender de sua decisão inicial. Essas sensações já eram tão costumeiras na sua vida que ele já não mais lutava tanto contra. Mas isso foi exatamente o que atravessou sua mente quando escutou suas próprias palavras sendo proferidas na direção do garoto que anteriormente estava de costas, andando rapidamente, à sua frente.
O momento que o leve arrependimento atingiu-o, já não havia mais o que ele pudesse fazer. Mas não deixou de considerar qualquer outra opção ao que tinha sido dito. Talvez entregar o caderno, fechado, avisando-o apenas de seu esquecimento teria sido uma atitude mais louvável da parte dele. Por que, por Merlin, eu tinha que ter passado na cara dele que tinha visto seus desenhos? Perguntava-se, mas sabia que não era tão justo. Quando o caderno caíra no chão, à sua frente, a página já estava aberta em um desenho seu. Talvez pela pressa em esconder aquela arte e sair de lá o mais rápido possível. Será que ele estava fugindo de mim? Considerou o professor por um momento.
Estranho? Pode crer que era estranho! Mas Troy também não podia negar que era um tanto… interessante. Não eram todos os dias que ele saía para caminhar na rua ou, nesse caso, tomar um café em uma cafeteria próximo à universidade e se deparava com um jovem bruxo o desenhando. E pior ainda: aparentemente ele fazia isso há vários dias. Isso podia ser suposto pelo fato que haviam vários desenhos dele no caderno e só havia duas formas disso acontecer: ou o garoto desenhava muito rápido e passou os poucos minutos apenas fazendo isso, ou então era um costume, digamos, rotineiro. A frase seguinte proferida pelo garoto foi decisiva para entregar ser a segunda opção.
— Eu sou um ótimo modelo? — A frase saiu irrefletida, mas ele tampouco se importava. — E por que isso? Porque eu costumo ficar parado por tempo o suficiente? — Apesar de toda a situação, Troy conseguiu proferir as últimas palavras com notável bom humor. O que tinha-se iniciado com uma situação um tanto esquisita, rapidamente tinha se tornar em algo entre cômico e interessante. Limpou a garganta e continuou — Como é que eu nunca reparei isso acontecendo? Você deve ser mesmo bem discreto enquanto desenha… — ou eu muito tapado. Mas o questionamento era real. Como nunca tinha reparado nele antes? Afinal, bastou olhar uma única vez para o garoto para Troy perder a linha do raciocínio. Caralho, como ele é lindo. Pensava enquanto o entregava o caderno nas mãos e percebia que os olhos do bruxo eram mantidos sobre os seus.
lionblancc:
Não era como se Jacob pudesse julgar o professor por aquilo. Desde o término complicado com o ex-namorado, o menino acordava assustado com pesadelos que o deixavam à beira de ataques de pânico, aparatar para o dormitório da irmã caçula em busca de conforto e ajuda, haviam se tornado cenários bastante comuns nesses últimos dois, quase três anos. “Tudo bem. Eu sei como fazer alguém se acalmar quando as coisas ficam ruins, experiência própria.” explicou superficialmente, aquele tipo de assunto não era para ser trazido em um primeiro encontro, ainda mais considerando que era realmente seu primeiro com um rapaz já que não contava as saídas com o ex como encontros, pelo menos não encontros que valessem à pena recordar. “Minha mãe me colocava de castigo, tirava minhas coisas, é claro que eu não podia contar. Se um dia ela soubesse que eu disparei um dos alarmes do Louvre e fiz o local ser evacuado, ela iria surtar!” apesar de uma situação memorável, o loirinho fez uma careta com a possível reação da mãe. Seu olhar foi direcionado ao mais velho de novo e Enzo não segurou o sorriso ao perceber a quantidade de anos que os separavam, no entanto, isso não o incomodava, só queria saber o que diabos o outro havia visto de interessante em si para chamá-lo para sair. “Você quer me fazer passar vergonha? Isso não é algo legal de sua parte, eu começo a gaguejar e acabo trocando as informações.” balançou a cabeça em negação, não concordando com aquilo embora soubesse que acabaria cedendo se o outro fosse insistente. Mas foi a pergunta feita que o desarmou, as bochechas ganhando uma corzinha a mais e o sorriso realmente apareceu de maneira larga nos lábios. “Definitivamente quer me ver com vergonha, Troy.” a reclamação vinha carregada de bom humor. “Não tem que fazer muito, na verdade. Eu tenho riso frouxo, se eu for com a sua cara, é provável que me faça sorrir apenas se começar a me encarar em silêncio.”
Ver o embaraço alheio servia de deleite para os olhos do professor. O olhar constrangido e as tentativas vãs de mostrar qualquer coisa além de vergonha eram tão engraçados que faziam Troy expressar um riso. Ouviu as palavras dele e então ergueu uma sobrancelha, em sinal e descoberta de algo importante. --- Ah, é? --- Então pôs-se a encará-lo, ficando ele próprio um pouco constrangido. Mas manteve a vista diretamente para o rosto do garoto, o olhar em desafio. Depois de alguns momentos, riu e desviou para olhar o caminho que erguia-se a sua frente, terminando no lago que jazia à sua frente. Tinham decidido em um bom momento. O céu estava sem nuvens e o sol podia ser visto perto de se por ao horizonte. Com isso não estava quente demais nem escuro demais para eles poderem ter um bom momento. Troy não sabia muito bem o que esperar e por alguns momentos lutou com os pensamentos para decidir o que dizer em seguida. Era tudo muito estranho. O professor nunca tivera problema com palavras, até porque sua profissão dependia disso, mesmo não sendo conhecido por faltar tanto uso delas. Mas agora, nessa situação, era como se ele se esforçasse para dizer alguma cosia, qualquer coisa, mas nada lhe vinha à mente. --- Eh... você cursa o que mesmo?
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As perguntas a si direcionadas, enquanto continuassem a seguir na linha que Enzo estava acostumado a tagarelar sobre, não iriam lhe incomodar e seriam respondidas com honestidade. O garoto riu ao ver o professor não esperando, já começando a comer um dos bolinhos. “Ei! Era para esperar chegarmos no lago!” empurrou o ombro dele com o seu, soltando um riso antes de perceber que isso fizera com que acabasse se desequilibrando um pouco, arrumando a caixa para esta não cair. “Eu sou francês… passei minha infância toda em Paris mesmo com meus pais, tenho dois irmãos, um mais velho e uma mais nova. E o Enzo em casa é tão tagarela e bagunceiro como o daqui, a única diferença é que eu não posso pregar tantas peças.” respondeu com um sorriso nos lábios, olhando-o. Como sabia que não deveria perguntar sobre os pais alheios, resolveu então focar as perguntas apenas nele. “E você? Quantos anos tem? Por que decidiu que queria virar professor? E como tem tanta paciência para ensinar? Eu acho que eu iria falhar miseravelmente.”
Enquanto alguns pássaros cantavam ao longe, dando ao ambiente uma sensação de paz, Troy ouvia o garoto contar sobre os pais e sua vida antes de chegar no DIAM. --- Desculpe, se tem algo que você vai saber sobre mim é que sou um pouco... ansioso --- Mas pouco não realmente fazia jus às noites que não conseguia dormir e as sensações de falta de ar que o faziam achar que poderia morrer a qualquer momento. Preferiu deixar nessas palavras por hora; não queria abrir o coração assim tão rapidamente e fazê-lo se assustar com o que pudesse encontrar. --- E porque não? A maioria das pessoas geralmente conta o quanto eram traquinas com os pais --- Só depois de pronunciar “traquinas” que percebeu o quanto deveria ser velho. Ninguém mais falava isso hoje em dia. Esse pensamento causou certo incômodo, o que fez com que o professor ergue-se uma das mãos para passar pela nuca em um sinal de leve embaraço. --- Eu tenho 32. E essa pergunta é meio... complicada. Não sei quando comecei a perceber que era isso o que queria, mas eu simplesmente sabia. Era como se essa fosse minha função e não houvesse mais nada para mim. Era algo natural e, entre aspas, esperado por mim mesmo. Acho que nunca considerei ser outra coisa. Quanto à paciência, sim, pode ser complicado, mas quando eu começo a falar sobre o assunto, é como se todas as pessoas que estão assistindo minha aula só... desaparecessem. Às vezes parece que estou só fazendo uma reflexão sobre aquele tema; talvez uma revisão mental seria mais apropriado. --- Olhou para ele, mostrando um pequeno ar de riso no rosto. Deu de ombros --- Qualquer dia desses você deveria pegar qualquer cosia e tentar me explicar. Direi se você tem habilidades ou não --- Brincou, pois não era realmente o que acreditava. Achava que habilidade vinha com a prática e dedicação. --- Mas meu questionamento maior é: o que preciso fazer para ver um sorriso?
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Assim que o loiro se afastou, Enzo começou a listar os sabores que queria. Chocolate, morango, baunilha, alguns salgados com formatos estranhos e mais uma caixinha dos feijõeszinhos. O garoto recebeu as duas caixas com seus pedidos e, após pagar sua parte, encarou o professor com a feição falsamente traída. “Você me roubou! Isso não é um bom jeito de começar, não.” o acusou, sequer precisando desviar o olhar para a bruxa no balcão para saber que gentil não era como podia defini-la. “Mas certo, agora já é tarde. A primeira vez dá para perdoar.” estreitou os olhos para o rapaz antes de ceder ao sorriso que lutava para aparecer em seus lábios. “Podemos ir, aqui, me ajuda a carregar. Tenho medo que minha falta de jeito ataque agora.” ele mesmo riu de si, estendendo já com dificuldade uma das caixinhas.
Adiantou-se para pegar com a outra mão alguns dos cupcakes que ele tinha pedido. Quando percebeu que estava tudo em ordem, deu um breve sorriso de afirmação e começou a andar na direção do lago. --- Então... de onde você veio? --- perguntou na falta de algo melhor para questionar. --- Quem é o Enzo? Como é ele em casa? --- Depois fez uma pequena careta --- Perguntas difícil? --- Pegou um dos cupcakes e deu uma mordida, sentindo alguns dos farelos do bolinho cair no chão a medida que seus passos mantinham-se calmos e firmes. Seu coração, por outro lado, estava acelerado e inseguro.
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Um suspiro de alívio, inaudível e delicado, foi solto pelo rapaz mais jovem ao receber o sorriso. Enzo tratou de devolvê-lo e levantar-se também, acompanhando-o na risada mas de uma forma mais sem jeito pois entendera somente então como havia soado. “É que assim dá para ficarmos tranquilos.” respondeu com honestidade, puxando brevemente – e por meros segundos – a manga da camisa alheia para irem até o balcão em busca de algo que pudessem comer. “O que você gosta? Vamos, é por minha conta. Eu acho que podemos ter bolinhos e café? E alguns salgados? Eu como muito então aconselho a não pegar algum café que eu goste ou vou querer tomar o seu também. Pego as comidas e você pega as bebidas, pode pedir para colocar na minha conta.” disse com um sorriso sendo dado ao loiro, desviando o olhar apenas para pedir alguns cupcakes.
Chegou próximo ao balcão de alimentos e viu uma bruxa encostada com uma feição não tão amigável. Como você consegue vender coisas por aqui com uma recepção facial dessas? Perguntou-se Troy, sabendo que era uma pergunta meio injusta, pois ele mesmo era conhecido por não ter expressões tão convidativas à uma nova amizade. Deu um pequeno sorriso à menção do café e concordou com a cabeça. --- Ok, pegarei um que você odeia então --- E quando Enzo saiu para pegar as comidas, ele escolheu duas bebidas, sussurrando para a mulher. --- Não aceite o dinheiro dele. Tome aqui e pode ficar com o troco. --- Recolheu os copos e voltou-se na direção do jovem bruxo. --- Aqui está. E já tá pago. Nem adianta reclamar, pois a mulher super gentil aí não vem nem lhe ouvir.
lionblancc:
A hesitação alheia trouxe uma quentura às suas bochechas e Enzo desviou timidamente o olhar pelo o que deveria ser a quarta ou a quinta vez. “Se você não quiser…” o mais novo não terminou, mordiscando o canto do lábio antes de o olhar. “Bem, eu tenho algum tempo livre então estava pensando se nós não poderíamos pegar algo para comer e irmos para o lago? Acho que todos estão em aulas… vai estar sem ninguém.” respondeu, encolhendo os ombros. Por não querer forçar-lhe a algo, deixou apenas a ideia pairar no ar, sem contar que a pouquíssima experiência em encontros com outros rapazes o deixava nervoso demais parar formular um plano tão rápido daquela forma.
Colocou uma mão sobre a dele, deixando os olhos encará-lo de modo gentil. --- Assim está ótimo. --- E quando percebeu já estava a se pôr de pé e voltando-se para ele, checando se ele não desistira de última hora e preferiria fazer qualquer outra coisa. --- E o que você quer dizer com isso? --- Perguntou, mas mostrou uma feição leve, um pequeno ar de riso pintando em seus lábios, enquanto mantinha as mãos dentro dos bolsos e os olhos voltados para o chão. Andava calmamente, pois tinha medo que a pressa pudesse acabar logo com aquele momento e ele definitivamente não queria isso.
lionblancc:
“Vai pensar. Certo.” o mais novo riu baixo, o barulho cessando ao sentir o toque em sua face. Um arrepio percorreu sua espinha fazendo-o estremecer de forma imperceptível, ou pelo menos era o que esperava. Mas o rosto esquentou um pouquinho e isso sim deveria ser visível. Para disfarçar a timidez, Enzo sorriu para o professor, o olhar caindo para a mesa de forma breve ao fim do contato suave. Não estava esperando que o loiro o tocasse já que o mesmo tinha agido de forma tão discreta até o presente momento, mas era bom e Enzo não tinha do que reclamar. Ou melhor, ele tinha. E para isso, tornou a o fitar mas agora com o canto do lábio preso entre os dentes enquanto hesitava. Deixar aquele assunto morrer seria o mais sensato e era o que seu medo dizia para fazer, mas, dessa vez, ele não queria agir por aquele impulso e sim pelo o que seu coração dizia. “Você sabe que me deve outra coisa, não é? Um encontro, na verdade.” dissera por fim, as mãos inquietas e sem mais feijoeszinhos nelas começaram a batucar os dedos na superfície gelada da mesa.
Ficou calado por alguns momentos enquanto permitia o cérebro processar o que lhe fora falado. Ele queria sair com o Enzo, por mais que uma parte sua estivesse negação e lutasse contra --- O... o que --- Limpou a garganta ao perceber que a voz saíra um pouco rouca e pôs a continuar depois de perceber que já estava preparado. ---...o que está fazendo agora? Poderíamos --- o que? --- Dar uma volta por aí. Conversar. Eu queria poder, eh, te conhecer melhor, sabe? --- Notava o quão brega aquilo estava soando, mas nada melhor vinha a sua cabeça. --- Aí poderíamos andar por aí ou fazer alguma coisa que você queira --- Deu de ombros como se tentasse mostrar que não se importava muito quando, na verdade, seu coração parecia que ia subir a boca e uma leve tontura consequente da ansiedade começava a atingi-lo.