" look inside myself and see my heart is black I see my red door I must have it painted black Maybe then I'll f a d e away and not have to face the facts It's not easy facin' up, w h e n your whole world is black No more will my green sea go turn a ( deeper ) blue I could not foresee this thing happening to y o u "
As a kid, I used to run around our garden waving a stick and pretending to be a million different people. That’s why I became an actor, really. To be able to experience a thousand different lives within my lifetime is something that always appealed to me. I wasn’t content with just being one person for the rest of my life.
Estar confinado assemelhava-se a um pesadelo, Jacob já passara por momentos assim quando teve de ficar sóbrio. Mas ali era diferente, para começar pelo fato de mal conseguir conversar com a irmã já que ela parecia atarefada e ambos nem estavam no mesmo andar. Adicionando que em seu quarto minúsculo não tinha nada para o distrair, a única coisa que fazia era encarar o teto por horas e tentar reviver o dedilhar da guitarra em sua mente. Talvez naquele lugar sentisse mais falta de estar drogado do que todos os outros momentos de sua vida. Foram todos aqueles pensamentos, assombrando sua mente de noite, que o fez perder para a insonia. Sabia que não deveria sair depois do toque de recolher, mas importava se ninguém o pegasse fora de horário? Logo encontrou-se espiando os corredores antes de sair do cômodo. Inspirou o ar livre exageradamente, já que, tecnicamente, não estava livre do confinamento no Cofre, mas estar fora do quarto já era o suficiente. Descalço e vestindo apenas seu pijama, começou sua exploração pelos corredores desertos.
Sua rebeldia por quebrar as regras, parecia o encher de adrenalina, teve que lamentar por estar assim apenas por algo tão simples como passar do toque de recolher. Mas no Cofre, ele admitia, qualquer emoção contava pela abstinência de ter algo para fazer. No começo estava tomando certo cuidado, talvez tornara-se distraído, porque contornando o próximo corredor teve que parar de súbito por causa da silhueta o impedindo de continuar o caminho. Não demorou para perceber que ela era uma pacificadora e que ele estava ferrado. Porém, ficou ali por alguns segundos, estático a encarando, tentando raciocinar alguma explicação lógica. Poderia ter pensado melhor, mas a primeira coisa que lhe passou na mente foi alargar um sorriso e fitar @kalabassari com uma expressão de pura inocência. “ — Também não conseguiu dormir, hm?” uma pitada forçada de casualidade preenchia sua fala, e tentava ao máximo não soar como se zombasse da situação, apesar de tais palavras penderem para esse lado pela obviedade de ela estar ali trabalhando e de que ele estava encrencado. “ — Se quiser, a gente pode fazer um passeio juntos, seria legal, não é?”
“Não, está tudo bem…” suspirou pesadamente, abanando o rosto com a própria mão. Mya estava sentada em um dos degraus de uma das muitas escadas daquele local. A garota não costumava ser muito reclamona e não queria mesmo reclamar daquilo visto que estava protegida ali dentro, porém, não podia negar que sua cabeça jazia levemente bagunçada com a mudança de cenário atual, ou seja, completamente confusa. “Só é meio… sufocante, e um pouco amedrontador. Definitivamente assustador, na verdade.” ergueu os ombros. “Vou ficar bem, obrigada.”
Talvez já estivesse ficando louco naquele lugar, mesmo que fizesse pouco tempo. Mas não costumava, e nem gostava, de ficar trancafiado. Por essa razão não percebeu que estava falando sozinho em voz alta, murmurando palavras inconscientes como se estivesse em uma discussão consigo mesmo. Ergueu a face em confusão assim que ouviu as palavras, tentando entender se a jovem, assim como ele, começava a perder a sanidade. Ao perceber que era uma pergunta genuína para ele, uma breve risada escapou. “ — Foi mal, eu não estava exatamente falando com você.” não falou aquilo para ser rude, apesar de estar sendo debochado. Ajeitou-se no degrau em que sentava, para escorar suas costas no apoio da escada e encarar melhor a outra. “ — Acho que tenho tendência a não ligar se a maioria aqui está bem ou não, quer dizer, era para estarmos mortos, então quem foi que fez todo mundo aqui rei do mundo pra decidir quem vive ou não?” apesar do significado das palavras, parecia trazer o assunto de forma descontraída. “ — Sou Jake, a propósito.”
Estava difícil para Loren conseguir se manter calma para ajudar as pessoas que chegavam, com tudo o que estava acontecendo e sem saber se @jakestn havia chegado. Quando viu que iriam fechar a porta, ficou a encarando, o som da bomba caindo ecoando em seus ouvidos. Por um momento não moveu nem um músculo, mas logo foi chamada para se juntar aos outros funcionários durante o discurso do superintendente, passava o olhar para todos que conseguia ver de onde estava, mas não achava quem queria, fazendo o nervosismo aumentar. Assim que este terminou e as pessoas já estavam saindo, Loren conseguiu enfim avistar o irmão, sentindo um grande alivio ao saber que ele estava ali. Foi rapidamente até ele deixando um sorriso no rosto mesmo com toda a situação em que estavam. “ — Ah meu deus Jake! Eu achei que você não tinha vindo.” enquanto falava, já passava seus braços em volta dele em um abraço apertado.
Onde diabos ela estava. Era basicamente seu pensamento recorrente quando o Cofre fechou-se. Não sabia exatamente o que estava fazendo ali, vagando entre as pessoas tentando achar sua irmã, mas o medo de ter cometido um erro e não a encontrar começava a se alastrar por sua mente. Não deveria estar ali se ela não estivesse. O discurso do superintendente ecoou pelos seus ouvidos, mesmo que quisesse prestar atenção para não se sentir tão perdido, sua mente estava um tanto longe. O homem parecia saber o que estava fazendo, entretanto. Só foi quando uma face familiar apareceu em seu campo de visão, que o alívio tomou conta de si e as coisas pareceram mais leves. Não viera a toa ali, afinal. Um sorriso genuíno se formou em seu rosto ao passo que ela caminhava até ele, e permitiu que a irmã o abraçasse, visto que ele fazia o mesmo. “ — E deixar você sozinha sem ninguém pra te atazanar?” seu tom implicante estava de volta, talvez porque não soubesse bem como expressar o desespero que o preenchera antes sem ela. Não ia falar aquilo em voz alta também. Após ter certeza que a apertara o suficiente para saber que não estava alucinando, afastou-se para a fitar, não conseguindo não falar a verdade ao encarar os olhos verdes o mirando. “ — Eu também achei que eu não viria... Pode me explicar o que tá acontecendo? Como colocou meu nome?”
‘alguns anos são apenas borrões’. ela quase sorriu. jess definitivamente sabia qual era a sensação. no entanto, ele prosseguiu e mencionou que fez parte de uma banda. isso fez com que jessamine se recordasse de o conhecia afinal. há uns bons anos, quando havia começado a trabalhar para alistair, acompanhando-o em um dos muitos eventos luxuosos e caros em que alguém como ela jamais seria vista, se não pela circunstância especial na qual se encontrava naquela época.
não eram dias dos quais ela gostava de lembrar. por algum motivo, no entanto, tinha se lembrado do rosto daquele rapaz. a banda dele provavelmente tocou no evento, certo? ❝ verdade. eu me lembro agora. ❞ da banda, pelo menos. ❝ mas não totalmente. uuh, qual seu nome? ❞ jessamine não estava nem um pouco afim de fazer conversa. e se fosse por ela, provavelmente teria ficado quieta em seu canto. mas o barulho do alarme estava começando a deixá-la maluca, então preferiu se distrair de alguma forma. ❝ me chamo jessamine, a propósito, mas pode me chamar só de jess. ❞
Apesar do momento de estresse em que se encontrava, constatou que conversar parecia manter a mente ocupada de não ter encontrado sua irmã ainda. Não era como se pudesse fazer algo a respeito, ao que parecia. Portanto, deixou-se engajar na conversa de seu jeito preferido, com um leve implicar em seu tom ao responder. “ — Não sabe meu nome? Pensei que era uma fã, assim você me magoa.” a seguir seus olhos estreitaram-se, em certa desconfiança ao a mirar. E aguardou ela se apresentar primeiro, antes de o fazer também. “ — Já chegamos na base de apelidos, hm? Pode me chamar de Jake, então.”
Cruzar os braços e espiar os arredores distraidamente foi o modo que conseguiu de ocultar seu nervosismo por estar ali, em seguida acatava uma nova estratégia puxando assunto. “ — Jess... Você não parece trabalhar aqui, certo?” questionou, talvez se estivesse enganado poderia conseguir as informações que queria. “ — Mas sabe quanto tempo falta pra fechar isso aqui ou como vai funcionar? Porque pra ser sincero...” uma careta ocupou sua face e, inclinando o rosto para baixar a voz, como se não quisesse que outros escutassem, admitiu. “ — Eu tô meio perdido.”
não havia passado mais do que cinco minutos com primrose quando a encontrou dentro do cofre. fazia sentido, afinal ela tinha que trabalhar, auxiliar outras pessoas da forma que ela pudesse. pelo menos as duas estavam lá dentro e ela podia relaxar. mas jessamine NÃO CONSEGUIA RELAXAR. não só porque a porta do cofre ainda estava aberta e aquele alarme irritante estava tocando, mas porque já estava começando a se sentir fraca, como se seu corpo estivesse lentamente morrendo de dentro para fora.
procurou algum canto mais afastado e com menos gente para ficar e acabou achando um local onde só estava um homem parado. ele também não parecia interessado em observar a comoção na porta do cofre ou quando ela iria se fechar. de que adiantaria afinal? jess olhou uma vez e depois mais uma, franzindo o cenho. ele era… um pouco familiar. ❝ desculpe. ❞ falou, aproximando-se. ❝ eu conheço você de algum lugar? ❞
Não fazia tanto tempo que chegara, mas não devia faltar tanto para o Cofre se fechar considerando o período que demorou para estar ali, ou ao menos era o que achava, porque cada minuto que se passava escutando as pessoas do lado de fora ou o alarme soar parecia uma longa eternidade. Não encontrara sua irmã, mas o asseguraram que ela estava dentro e que apenas estava ocupada, a única escolha cabível então fora escorar-se em um canto e esperar tudo passar enquanto ignorava todos acontecimentos ao seu redor.
Sua tarefa de tentar reconhecer a face de sua irmã em cada pessoa que aparecia por perto, veio a um cessar assim que escutou uma voz próxima se dirigindo a ele. De testa franzida tentou pensar se reconhecia a mulher que o questionava, e após uma olhadela de baixo para cima na figura feminina, chegou a sua conclusão. “ — Não, não acho que nos conhecemos, ou ao menos não me recordo. Sabe como é, alguns anos são apenas borrões.” completou a frase simplesmente dando ombros, como se fosse algo comum, o que para ele costumava ser. Distraiu-se logo que alguém passou por eles, mas não sendo sua irmã, retomou a atenção nela. “ — Mas talvez você me conheça.” inclinando a cabeça ponderadamente enquanto a analisava, acrescentou. “ — Fiz parte de uma banda por algum tempo, andou indo em muitos shows por aí?”
Incessantes ligações interromperam o sono do homem que ainda jazia preguiçosamente na cama. Os raios de sol já haviam encontrado o pequeno cômodo bagunçado, mesmo através das finas cortinas brancas que tentavam impedir o fato. Um pequeno resmungo abafado que escapou de Jacob mostrava seu puro desagrado com a música que preenchia o ambiente e não cessava, tão irritante que obrigou-o a apalpar o criado-mudo procurando o pequeno aparelho azucrinante, a causa de sua dor de cabeça que iniciava. Era sábado e antes do meio-dia, horário sagrado para o músico que não precisava trabalhar até de tarde. Então obviamente que ele estava puto com qualquer que fosse a pessoa que estava atrapalhando seu descanso necessitado. Isso até abrir os olhos e mirar o nome da irmã nas quatro ligações não atendidas e na nova mensagem que recebera.
Aquele talvez fora o primeiro indício de que algo estava errado, não era um dia como qualquer outro. Mas somente percebeu isso quando leu a mensagem com um endereço e um aviso aparentemente sério de Loren, ela precisava que ele aparecesse no Cofre em vinte minutos, era urgente. Mesmo após ligar para ela e cair na caixa postal, ainda assim demorou para cair a ficha, mas é claro, recém acordava e era a primeira vez que ouvia sobre ter seu nome na lista de um dos Cofres, demorou algum tempo encarando as palavras digitadas em seu celular para entender que deveria levantar da cama, arrumar suas coisas e ir para o local a salvo de qualquer perigo que parecia que finalmente atingiria eles. Era o que todo mundo estava esperando, não era? Jacob só não esperava que ele teria uma chance, quando nem ao menos sabia se queria.
Porém desperdiçou seus primeiros minutos colocando qualquer roupa e descendo para a cafeteria ao lado de seu apartamento. Porque se aquele fosse o fim, esperava que ao menos tivesse um copo de uma bebida quente e boa ao seu lado. Whisky não daria, já que teve que parar com a bebida porque esta tirava suas inibições. E nunca era bom para um ex-viciado ficar sem inibições. Não que aquilo fosse importar no momento, considerando o que era provável estar prestes a acontecer. E o jovem pensou naquilo enquanto adentrava no estabelecimento humilde e já desgastado de clientes, pensou enquanto passava por um idoso lendo o jornal e duas pessoas juntando suas mãos em cima da mesa. Elas não sabiam o que os aguardava naquele dia que se assemelhava-se a qualquer um, mas ele sabia. E estava ali parado encarando o balcão com a garçonete aguardando seu pedido.
“ — Em que posso ajudar?” ela repetia, encarando-o com olhos estreitos sem compreender o comportamento do cliente. Porque ela realmente não compreendia, ela não fazia ideia.
“ — Eu-”
Suas palavras foram interrompidas, não pelo seu dilema interno, mas pelo alarme em alto som que invadiu o ambiente e pareceu petrificar a mulher a sua frente. Não esperou para perceber o desespero na face de todos ou a correria que se instalaria logo que a mensagem da voz masculina fosse entregue, o músico tratou de voltar ao seu apartamento em um último rastro de consciência sobre o que acontecia. Jogou suas roupas e documentos em uma mochila sem ter tempo para pensar se faltava algo ou se devia levar mais coisas, seu olhar perdurou na guitarra encostada no canto do cômodo como uma última despedida da vida que estava abandonando. Não tinha sequer certeza de que queria fazer o que fazia, mas sua irmã estava o esperando e conseguia prever exatamente a expressão que ela faria caso ele não aparecesse, estava repetindo-se em sua mente assim que o alarme soou pelas ruas e continuaria até que não parasse de ouvir a mensagem no alto-falante sobre ir para o maldito Cofre.
Olhou para o relógio de pulso, faltava exatamente meia hora para não ter mais a chance de ver a irmã. Não refletiu muito enquanto entrava no seu carro velho e perdia alguns minutos só tentando o fazer funcionar. Tinha dinheiro o suficiente para comprar um novo, mas recusava-se o fazer pelo apego com o ferro-velho, o quanto daquilo importava agora? Pelo menos as ruas banhadas de puro desespero e gritaria parecia combinar com o seu estado de espírito. Mas as coisas apenas viraram um borrão para Jacob ao pisar no acelerador e decidir que devia a irmã chegar até lá, seja lá como ela conseguira colocar seu nome na maldita lista.
O tempo parecia acabar, mas o alívio se alastrava pelo homem ao estar enfim próximo de seu destino, mesmo com o caos do lado de fora. Porém seu alívio teve uma pausa abrupta quando foi obrigado a frear de súbito assim que um carro parado apareceu de repente na próxima curva. Parecia que não fora o único com a ideia de arrancar com o carro para longe dali, era notório que aquilo seria previsível e Jacob deveria ter adivinhado que o grande volume de carros parados ali no trânsito seria uma consequência após o alarme soar. As buzinas aparentavam vir de todo o lugar e não adiantava de nada quando alguns tiravam a cabeça para fora com intuito de direcionar xingamentos para quem quer que fosse que estava interrompendo o fluxo. Uma olhada em seu relógio o fez perceber que tinha pouco tempo e jamais conseguiria chegar esperando pelo trânsito acalmar. Nenhum dos que estavam ali no momento talvez tivessem tempo o suficiente. Com apenas alguns minutos de sobra, o menino Steinfeld pegou a mochila no banco ao lado e abandonou do carro, deixando que suas pernas decidissem se ele chegaria ou não a tempo no Cofre.
Entretanto, as coisas pelo Cofre 121 não estavam melhores do que o trânsito, já que a aglomeração de pessoas tomava conta ao redor da entrada e Jake teve de se espremer entre a multidão para conseguir espaço para passar. Escutava choros e súplicas de que a vida de cada um era importante. É naquele momento que seu ombro bate sem querer em uma mulher que carrega uma pequena menina em seu colo, os olhos infantis azulados o encaram com desespero como se, apesar de não entender exatamente o que acontecia, sabia que havia algo de ruim para acontecer. A ânsia da mulher de salvar a filha parece visível pelo empenho desta de berrar por ajuda e tentar avançar na multidão, mesmo claramente sendo inútil porque ele duvidava que alguém com tanto desespero tivesse o nome na lista. Jake tem de se esforçar para continuar, porque seria bem mais fácil simplesmente dar as costas para o maldito Cofre. Ele realmente deveria ter seu nome na lista, afinal? Claro que não. Porém foi em Loren sozinha lá dentro que teve de pensar para ignorar as pessoas que deixava para trás ao se apertar entre o povo em direção ao Cofre.
Não sabia o que estava fazendo ali quando deparou-se com alguém que pedia por seu nome, mas mostrou os documentos do mesmo jeito e foi apressado para dentro já que faltava tão pouco para as portas se fecharem e junto disso deixarem todas aquelas pessoas do lado de fora. Steinfeld ainda escutava a gritaria a medida que sua entrada era confirmada e ele enfim estava dentro do Cofre longe da aglomeração, ainda assim os olhos azulados da menina desconhecida mantiveram-se impregnados em sua mente. E ele não sabia se devia agradecer, daquela vez ao menos, por sua irmã ter salvado sua vida outra vez.