Me while not studying: “I love knowledge. Intelligence is power. I am always reading or writing” Me while studying: “This is going to kill me. I will be dead soon. Dead from death.”
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@janemtudor
Me while not studying: “I love knowledge. Intelligence is power. I am always reading or writing” Me while studying: “This is going to kill me. I will be dead soon. Dead from death.”
You?
Michael tamborilava os dedos constantemente naquele balcão cheio de taças e queijos para degustação, as pessoas sentadas na mesa ao redor já o encaravam incomodadas pelo barulho repetitivo e irritante que ele fazia.
Fechou a mão em punho para no segundo seguinte abri-la e bate-la levemente na mesa, como se estivesse dando basta aquela situação. E de fato, ele estava.
Levantou-se elegantemente e fechou os botões do terno preto que até então estava aberto, enquanto percorria o salão com o olhar atrás de Thomas, o bastardo que o tinha arrastado para aquela degustação de vinho completamente tediosa.
Quando desembarcara do trem, Thomas estava esperando por ele, pronto para levá-lo a empresa que eles trabalhavam, tinha uns ajustes a fazer no projeto de algum novo avião comercial.
No dia seguinte, resolveu passar o dia trabalhando, mas antes de finalmente poder ir ao hotel e descançar daquele longo dia, Thomas o convidara para uma famosa degustação de vinhos que tinha naquela região, fazendo soar mais interessante e importante do que realmente era.Agora, depois de quase uma hora naquele lugar, Michael não queria outra coisa a não ser ir embora daquela degustação.
Resmungou qualquer xingamento ao notar que não encontrava Thomas em lugar nenhum e se virou rapidamente para ir embora sozinho, quando esbarrou em alguma coisa, ou melhor, em alguem.
Olhou para baixo e desejou, do fundo do seu coração, que não tivesse derramado vinho na roupa daquela moça tão ridiculamente pequena, a mesma moça que o acompanhara em sua viagem de ida.
-Merda. -foi a única coisa que pode soltar.
Talvez jamais pudesse colocar em palavras o quanto estava surpresa com aquele momento. Em encontrar o homem irritante que conhecera no trem algumas horas atrás, e de estar em uma situação extremamente desconfortável provocada por ele, claro. E tudo o que ela conseguia pensar naquele momento era em como queria matar o homem a sua frente.
- Você? - Falou sem querer, perdendo a paciência, como se o estivesse criticando. - QUAL É O SEU PROBLEMA?
Durante longos segundos buscou esvaziar sua mente para que pudesse se sentir mais leve e menos estressada mas pouco adiantou. Com o acontecimento, sentia-se lerda, como se os pensamentos passeassem vagarosamente e não conseguissem forçar uma linha de raciocinio precisa. Talvez a raiz do problema fosse porque, pela primeira vez, ela realmente estivesse perdendo a paciência. Sem conseguir permanecer naquele local, Jane olhou para Sybill - que no momento estava boquiaberta, e a puxou pela mão. - Agora estamos definitivamente saindo daqui.
O que Michael realmente queria fazer, era dar de ombros, se virar e continuar com sua vida, esquecendo que um dia encontrara com aquela mulher, que tivera que passar uma viagem inteira ao seu lado, tendo que suportar seu mau humor constante. Porém, ele havia sido muito bem criado, sua mãe tivera o cuidado de contratar os melhores tutores para ele quando criança e lhe dar a melhor educação que poderia ter, então, mesmo contra sua vontade, ele precisou pedir desculpas.
-Espere! -falou, tentando alcança-la, parecia realmente estressada. Quase podia ver a fumaça saindo de sua cabeça, tal qual nos quadrinhos e animações- Espere -falou novamente, dessa vez, tomando o cuidado de segurar levemente no braço da loira, na região um pouco acima do cotovelo - Me desculpe por ter derramado vinho na sua roupa, me deixe ao menos fazer algo para compensar.
Jane não reprimiu a vontade de revirar os olhos ao ouvir o comentário do homem. - Não há nada que possa fazer para compensar. Agora se me der lincença - prosseguiu procurando segurar a mão de Sybil.
This woman could seriously not get anymore perfect. This is by far one of my favourite songs ever. Gah
Mia Wasikowska: I really love doing things that are different and challenge me in different ways. I think to remain interested and excited by acting it’s really great to have such diverse opportunities, and I feel really lucky that I’ve been able to do that so far.
You?
Michael tamborilava os dedos constantemente naquele balcão cheio de taças e queijos para degustação, as pessoas sentadas na mesa ao redor já o encaravam incomodadas pelo barulho repetitivo e irritante que ele fazia.
Fechou a mão em punho para no segundo seguinte abri-la e bate-la levemente na mesa, como se estivesse dando basta aquela situação. E de fato, ele estava.
Levantou-se elegantemente e fechou os botões do terno preto que até então estava aberto, enquanto percorria o salão com o olhar atrás de Thomas, o bastardo que o tinha arrastado para aquela degustação de vinho completamente tediosa.
Quando desembarcara do trem, Thomas estava esperando por ele, pronto para levá-lo a empresa que eles trabalhavam, tinha uns ajustes a fazer no projeto de algum novo avião comercial.
No dia seguinte, resolveu passar o dia trabalhando, mas antes de finalmente poder ir ao hotel e descançar daquele longo dia, Thomas o convidara para uma famosa degustação de vinhos que tinha naquela região, fazendo soar mais interessante e importante do que realmente era.Agora, depois de quase uma hora naquele lugar, Michael não queria outra coisa a não ser ir embora daquela degustação.
Resmungou qualquer xingamento ao notar que não encontrava Thomas em lugar nenhum e se virou rapidamente para ir embora sozinho, quando esbarrou em alguma coisa, ou melhor, em alguem.
Olhou para baixo e desejou, do fundo do seu coração, que não tivesse derramado vinho na roupa daquela moça tão ridiculamente pequena, a mesma moça que o acompanhara em sua viagem de ida.
-Merda. -foi a única coisa que pode soltar.
Talvez jamais pudesse colocar em palavras o quanto estava surpresa com aquele momento. Em encontrar o homem irritante que conhecera no trem algumas horas atrás, e de estar em uma situação extremamente desconfortável provocada por ele, claro. E tudo o que ela conseguia pensar naquele momento era em como queria matar o homem a sua frente.
- Você? - Falou sem querer, perdendo a paciência, como se o estivesse criticando. - QUAL É O SEU PROBLEMA?
Durante longos segundos buscou esvaziar sua mente para que pudesse se sentir mais leve e menos estressada mas pouco adiantou. Com o acontecimento, sentia-se lerda, como se os pensamentos passeassem vagarosamente e não conseguissem forçar uma linha de raciocinio precisa. Talvez a raiz do problema fosse porque, pela primeira vez, ela realmente estivesse perdendo a paciência. Sem conseguir permanecer naquele local, Jane olhou para Sybill - que no momento estava boquiaberta, e a puxou pela mão. - Agora estamos definitivamente saindo daqui.
You?
O sol se punha lentamente naquela noite em Edinburgh. Havia vários adolescentes andando de lá pra cá e indo aproveitar seu final de semana, enquanto alguns estavam aparentemente cansados e seguindo para seus lares. E um desses jovens era Jane Tudor. Claramente, a loira estava um tanto quanto cansada depois da longa viagem que tivera de trem. Para não deixar as coisas de última hora, assim que chegara no endereço anotado que pertence a sua amiga, as duas foram diretamente jantar. A refeição não durou muito tempo, e apesar das duas amigas estarem mais do que satisfeitas por se encontrarem, não podiam deixar de notar no modo cansado que Jane estava se comportando. A noite passara mais rápido do que esperavam, já que no momento em que se deitou na cama - adormeceu. Ao acordar no dia seguinte, Jane percebeu que seu cansaço havia se transformando em uma espécie de quase-coma, e isso deixou sua rotina mais corrida do que o normal. Tinha tantas coisas para fazer em um curto espaço de tempo, e algumas coisas teriam de ficar para o dia seguinte. Agora tinha de se concentrar em um dos poucos compromissos que deveria fazer, e assim passou seu dia. Caminhando por lojas, visitando amigos de Sybill, uma passada no castelo de Edimburgo. E finalmente, para a finalizar, um evento que Sybill havia sido convidada por sua empresa que promove um conhecimento de vinhos.
Conforme o tempo passava Jane ia provando mais vinhos que o seu possível, era nesse tempo que a garota observava as pessoas do local, alguns ela conhecia (por serem apresentados por Sybill) outros não. Uma coisa era certa, Jane se sentia perfeitamente deslocada. - Então, está se divertindo? - Sybill perguntou enquanto tomava mais um gole da sua nova taça de vinho - Sinceramente? - Jane respondeu com o rosto inclinado e os olhos suplicantes. - Ok, mais uns minutinhos e cairemos fora daqui. Jane apenas acenou com a cabeça e voltou a silenciar.
Running out of time.
Ele trincou o maxilar irritado com aquela resposta.
(Será que ele não merecia um momento de paz?) Nem naquela longa viagem que ele era obrigado a realizar, poderia sentar e simplesmente relaxar, antes de ter que mostrar um projeto completamente novo de aeromodelos para pessoas que simplesmente não se importavam? Uma viagem em paz era pedir muito?
Aparentemente sim.
"Deboche?” soltou uma risada curta e seca “Agora quem pede por favor sou eu. Não fale sobre coisas que você não tem conhecimento, nem tire conclusões precipitadas apenas pelo julgamento que você tirou de mim em menos de meia hora. Se eu estava rindo, era longe de ser por deboche. Tem algumas pessoas que riem simplesmente pelo prazer.” disse quase murmurando a última frase, já que tinha se aproximado o suficiente para baixar o tom de voz e tocado em uma mecha de fio loiro que estava caindo perto do rosto da desagradável moça, gesto que fez tanto para irrita-la, tanto porque aquela mecha completamente fora do lugar o estava irritando.
"Não me toque" Retrucou com visivel desgosto na voz, estreitando os olhos para ele, mas logo desviando, olhando para um ponto qualquer na parede oposta. O tom que Michael usava com ela só deixava a loira ainda mais irritada e já sentia a face queimar de tamanha raiva, mas Jane pressionava os lábios fortemente para não soltar uma respota mal educada para Michael, afinal estava decidida a se comportar diferente. "Você não sabe o que está falando, e agradeceria muito se terminássemos esta conversa. Já percebi que tentar ter uma conversa educada com você não será meu feito. - Alfinetou e talvez se fizesse tanto sentido descontar nele e em uma de suas diversões a sua raiva, mas sentia que ele estava desdenhando de sua inteligencia e essa era uma das coisas que Jane jamais aceitaria. Voltando a fitar o homem por alguns breves segundos. Desviou o olhar e soltou um longos suspiro, deixando que parte de sua irritação esvair-se com ele. "Idiota" murmurou enquanto se distanciava de Michael.
Running out of time.
Michael tirou rapidamente seu sorriso do rosto e se amaldiçoou, pelo que parecia ser a milionésima vez naquele dia. Quantas decisões estúpidas poderiam ser tomadas em menos de 18 horas? Porque, (por deus), deveria haver um limite! Ele se arrependia de tudo que havia feito desde Daphne, até sua apresentação educada à loira. Como ele pôde ter realmente acreditado que aquela mulher na sua frente era como aquelas que ele tão facilmente levava para cama? Como ele pôde acreditar, mesmo que por alguns segundos, que ela fosse responder educadamente o próprio nome e que eles pudessem partir disso para coisas mais…interessantes. Se arrependeu amargamente por sequer ter considerado aquela hipótese, estava bem óbvio que aquela mulher não valia o esforço e que só tinha de beleza o rosto. Se é que tinha! Michael se lembrava de ter visto várias outras mulheres mais bonitas pelas ruas de Londres. Ele a olhou por cima, o que não era muito difícil, uma vez que aquela mulher era bem mais baixa que ele, e respondeu com o tom mais rude que conseguiu “Parece que você não tem muita moral para falar comigo sobre indelicadezas, (senhorita). Reveja os seus modos antes de criticar os meus.”
A declaração safa do homem veio no auge de sua raiva. Jane, conhecido por ser rápido nas palavras e nunca intimidado em situação alguma, tomou aquela situação como um quadro onde tentava explicar a situação do certo e errado para um garotinho de 12 anos. Sua mente a manteve calma mas seu corpo demonstrava de outra maneira. "Salvo qualquer engano, Sr. Fletcher" Disse com amargura cerrando os dentes, tentando segurar um tom calmo mas claramente mostrando raiva em sua voz enquanto olhava para o chão. "Mas há poucos minutos o senhor havia sido extremamente rude comigo e com a senhora que estava aqui, além de ter tratado a situação em uma forma de deboche com a risada que acabou de soltar." tragou um longo suspiro antes de continuar novamente "Então não comente sobre os meus modos, por favor, se claramente não possui algum." Sentiu-se um tanto ultrajada ao ouvi-lo falar tais coisas, não escondendo o desgosto em suas feições, principalmente pelo fato de estar cultivando desagrado por tal criatura.
Running out of time.
No momento em que ouviu a pergunta, se arrependeu de ter soltado aquela risada. Se Asher estivesse com ele e se aquela mulher não estivesse o encarando com uma cara de tão profundo desagrado, talvez ele tivesse mantido a descontração, se aproximado um pouco mais e respondido “Porque achei a situação engraçada”, afinal, eram raros os momentos em que Michael se divertia com uma situação comum do dia a dia e mais raro ainda quando o mesmo tinha amanhecido de mal humor.
Então resolveu fazer o mais fácil. Ignorou completamente a pergunta e da loira e estendeu a mão, usando toda a sua força de vontade para ser o mais educado possível. “Perdão, como estou sendo indelicado! Ainda não me apresentei, prazer Michael Fletcher.” Falou enquanto um sorriso brincava em seus lábios.
Jane não conseguiu acreditar na cena em que passou pelos seus olhos. Desde da súbita apresentação até o belo semblante que o homem exibia de fachada, já fazia algum tempo em que se encontrava em uma situação como aquela. Onde uma pessoa poderia ser tão casualmente desprezível que é imaginável em se perguntar se ela estava caçoando da situação. Esforçando-se para manter o controle de sua respiração, Jane inclinou-se devagar para o lado com o intuito de lançar um olhar de soslaio, fazendo o possível para ser notada para que Michael - agora apresentado - entendesse a sua incredulidade. Virada de frente para o moreno, moveu-se lentamente para expor seu rosto de cabeça erguida, o suficiente para conseguir analisa-lo bem. "E deveria ter permanecido dessa forma, ainda mais agora, não me importo em saber quem você é. Descarte apresentações, deveria estar preocupado com outra forma de indelicadeza. Se é tão cego assim."
Running out of time.
Por algum motivo completamente fora do entendimento de Michael, ele ficou com vontade de rir daquela situação. Não tinha nada de engraçado acontecendo naquela cabine, na verdade, a situação era exatamente o oposto, afinal, uma criança estava desaparecida. Porém, ao ver a reação daquela pequena mulher ao ser dispensada pela senhora, ele não pode deixar uma baixa risada escapar de seus lábios. Não era engraçado, mas lá estava ele. Rindo.
Aquela tensão estranha havia voltado. Jane refez sua postura olhando diretamente para o rapaz, tentando achar o que poderia ter feito com que ele ficasse daquele jeito. “Desculpe lhe incomodar novamente, mas preciso sinceramente saber” Disse, observando Michael com desgosto no rosto. “Por que você está rindo?”
Running out of time.
Incomodado com o comentário da moça com quem dividia a cabine, ele considerou seriamente se levantar e ajudar a procurar o neto da pequena senhora, mas não queria mostrar para aquela mulher de temíveis olhos castanhos claros como o comentário o havia abalado. Na verdade, não havia. Porém, se permitiu perguntar com uma voz cansada: -Me desculpe, senhora, mas qual era mesmo a aparência do seu neto? -Ele é moreno, com olhos azuis, parecidos com os seus. -afirmou ela, suas mãos tremiam tanto, que ele não ficaria surpreso se ela lhe informasse que sofria mal de Parkison, mas Michael não continuou nessa linha de pensamento, já que se lembrava vagamente de ter visto uma criança com aquela descrição. Franziu as sobrancelhas ao tentar se lembrar o local. Sim, aquela descrição lhe era familiar. -Acho que eu o vi perto do pequeno quiosque, aquele que vende café. -forçou ainda mais a lembrança, em uma tentativa de ser mais específico- Ele tentava comprar um chocolate, não faz muito tempo isso.
Soltou o ar pela boca de maneira pesada, não precisa ver aquela desgraça.
- Oh, agora você se lembra não é mesmo? - Tentou desviar os pensamentos ruins e focar-se na questão mais importante; ajudar a velha senhora a encontrar seu neto. Mas com muito pesar afastou a opinião que estava tendo do rude homem.Tornou a pegar o braço da mulher, de uma forma um tanto indelicada, que a fez voltar a falar novamente.
- Não se preocupe, minha querida, não quero lhe incomodar. Irei dar uma olhada no quiosque, e também há outros compartimentos do trem quais posso dar uma olhada.
Jane respondeu de volta apressada, afirmando que não seria incomodo algum, principalmente vendo a situação que a velha estava passando. Infelizmente, a outra continuava a protestar. A menina apenas ascendeu as sobrancelhas em um tom de dúvida, e se afastou por fim da própria. Não iria ganhar aquela discussão.
- Se precisar de algo...
Running out of time.
Michael estava olhando fixamente para o seu suéter, quando a velha senhora entrou. Porém, estava tão concentrado em uma pequena mancha amarronzada já perto do cós da sua calça jeans, que nem mesmo levantou o olhar para tentar compreender o que aquela mulher dizia. Ele tinha absoluta certeza que aquela mancha não estava ali quando saiu de casa. Aquele suéter verde musgo era o seu preferido e ele teria notado se o tivesse vestido sujo. se questionou, passando seus longos dedos por cima da mancha como uma forma de tentar descobrir se era graxa ou apenas café. De fato, ele teria continuado por um longo tempo nessa investigação mental, se não tivesse ficado incomodado com o olhar de duas mulheres em si. Largou o seu suéter e encarou a loira a sua frente com a mesma intensidade que essa o encarava, podendo reparar pela primeira vez, que ela não era de todo ruim. -Senhor, você o viu por aqui?-perguntou a senhora com uma voz fina e quebradiça, chamando a atenção de Michael. -Creio que não. -optou por responder de maneira curta e grossa, uma vez que não fazia a mínima ideia do que aquela senhora poderia estar falando. -Você tem certeza? Eu estou desesperada! Já olhei por todos os vagões e não encontro o meu neto. -Talvez devesse olhar de novo, porque não tem como ele ter saído desse trem com ele em movimento. -disse por fim, pegando o celular, completamente irritado com o nervosismo da mulher. Sinceramente, não era culpa dele ela ter perdido o neto, desaparecimentos aconteciam todos os dias, ela deveria ter pelo menos sido mais atenta para que não acontecesse justo com o neto dela. A verdade era que, talvez em um outro dia em que estivesse de bom humor, ele tivesse se dignado a pelo menos dar uma rápida olhada nas cabines com a senhora, mas estava tão mal humorado com a noite que tivera com a…, que até falar lhe causava irritação e cansaço.
Jane observou a cena com certa surpresa, não pode deixar de notar a rispidez na reposta do rapaz, e não acreditava que tais palavras saíram de sua boca.
– Com licença? – perguntou em retórica, seu semblante sério, demonstrando com perspicácia sua irritação. – Onde estão seus bons modos? – falou, voltando-se para a senhora que observava tudo em silêncio. Jane sabia precisamente que seu perfil frágil era um perfeito esteriótipo, passando uma imagem de candura, bondade excessiva e doçura desmedida. Contudo, a Tudor, para quem lhe conhecida, não era de fato daquela forma. A jovem inspirou fundo enquanto esticava um pouco o pescoço para relaxar um pouco o momento de tensão que estava tendo. - Desculpe, senhora. Venha, irei lhe ajudar a procurar seu neto.
Running out of time.
Michael praguejou pelo que parecia ser a milionésima vez ao olhar o seu relógio MontBlanc. Estava atrasado. Tinha que estar na estação em meia hora se não quisesse perder o trem. Maldita hora que decidiu levar Daphne para casa! Deu de ombros, realmente não importava. Ele deveria ter imaginado que ela daria trabalho, deveria ter previsto isso. Se perguntou de onde tinha tirado a ideia de dormir com uma mulher com sérios problemas de auto estima, quando no outro dia teria uma viagem a trabalho para outro país. Talvez Michael estivesse apenas atrás de algo novo ou talvez tivesse achado que Diana tornaria sua noite mais interessante. , pensou ao se lembrar de como sua noite tinha se arrastado e de como ele não conseguiu sentir nada mais que completo tédio ao lado daquela mulher. Pior ainda tinha sido de manhã, quando ela se convidou, de maneira nada sutil, para almoçar com ele e demorou quase dois séculos para ir embora de sua casa. De fato, aquela situação toda tinha sido completamente exaustiva para ele. Michael pegou dinheiro em seu bolso e entregou ao taxista, assim que avistou a estação King Cross, saiu sem nem mesmo esperar pelo troco, enquanto apressava o passo para entrar no trem. Pode sentir todos os músculos de seu corpo relaxando quando se viu dentro do compartimento cheio de gente. Odiava se atrasar, e nunca se perdoaria se uma mulher qualquer, ainda mais uma com problemas de auto estima, o tivesse feito perder o trem. Ajeitou a alça de sua bolsa esportiva e considerou, por uns bons segundos se procurava logo por uma cabine ou se comprava um café. Optou pela segunda opção ao ver como estava com fome. Não tinha almoçado quase nada, já que havia perdido completamente o apetite ao ter que ser obrigado a ouvir Danile falar, por quase vinte minutos sem parar, como era importante o papel das pessoas que ajudavam a combater à caça as baleias. Apertou os lábios, irritado só por se lembrar da mulher. Irritação essa que só aumentou ao constatar que não havia nenhuma cabine vazia. Todas que ele olhara estavam cheias de pessoas e algumas tinham até crianças! Se xingou mentalmente por não ter escolhido a primeira opção, e já ia chamar algum funcionário para ajudá-lo a encontrar uma cabine vazia, quando uma chamou sua atenção. Não havia ninguém a não ser uma loira, que era tão pequena e insignificante que Michael nem hesitou em entrar na cabine sem pedir licença e tirar a sua bolsa, com apenas uma mão, já que a outra segurava seu café, e colocá-la no compartimento próprio para bagagens logo acima de seu banco.
Jane permanecia absorta nas palavras escritas em uma caligrafia formal, que era um tanto quanto complicada de se decifrar agora que estava cansada. Apertava os olhos caramelados, esforçando-se para prosseguir atentamente.
"Greek debt crisis: Eurozone ministers fail to agree bailout deal
European finance ministers failed to agree on a Greek bailout deal late Saturday after more than nine-hours of negotiations.
With Athens on the brink of bankruptcy, finance ministers meeting in Brussels raised serious question marks over fresh Greek plans to persuade its international creditors it can be trusted to bring in promised reforms they believe are necessary to avoid financial collapse. Talks will resume on Sunday morning."
Concentrava-se na leitura, apesar de estar a refletir sobre como seria sua estadia em Edimburgo; até que ouviu uma voz. Virou-se aparentemente calma após os susto sutil que havia levado com a inesperada quebra de silêncio no cômodo que estava praticamente, às apalpadelas. Quando viu, era uma senhora em torno de seus 60 anos, com uma roupa aparentemente surrada e utilizando de acessório um ridículo chapéu roxo. Ela parecia levemente preocupada apesar de estar com as mãos tremendo, como se fosse uma espécie de tique nervoso.
- Com licença, mas vocês por acaso viram um garotinho de 11 anos? Mais ou menos dessa altura - A senhora tornou-se a fazer um gesto com a mão demonstrando a suposta altura do garoto - Ele é moreno de olhos azuis. Não consigo encontra-lo em lugar algum!
Jane por um segundo se demonstrou perplexa mas logo tornou-se a responder um sonoro "Não, me desculpe. Mas se puder ajuda-la de alguma forma, farei o possível." de forma preocupada. Então, pela primeira vez ao perceber que havia mais outro indivíduo no local além da própria e a idosa, lançou um olhar para o homem a sua frente.
Running out of time.
Respirando fundo, Jane correu o mais rápido que conseguiu quando percebeu que havia passado tempo demais assistindo TV ao invés de, como sempre fazia, chegar no local na hora certa. Naquele dia, Londres estava tranquila e a sua pequena casa encontrava-se mais vazia do que de costume. Mesmo com tamanha tranquilidade já amanhecera com o pé errado, havia se acordado em um horário nada conveniente para seus planos do dia, tendo que estar na estação King Cross as 14 horas em ponto, porém havia despertado ao meio dia. E após algum tempo perdido escovando os dentes, tomando banho e se vestindo apressadamente, a jovem ainda teve a coragem de pensar que se pegasse um táxi por volta das 13 horas ela conseguiria perfeitamente chegar a tempo para que pudesse embarcar no trem. Estava enganada.
Ainda é de se impressionar em como o destino pode ser algo incrivelmente brilhante e de se facilitar, em como a Tudor teve a tremenda sorte de conseguir embarcar no trem quando o mesmo já havia começado a sair da estação. Uma sorte maior foi a de que sua única bagagem era uma simples bolsa de mão que continha roupa o suficiente para três dias, e outra foi a da gloriosa mensagem de texto que sua amiga havia lhe enviado minutos antes (Já está na estação? xxx), que foi a causa decisiva para ter conseguido alcançar o trem.
Depois de alguns minutos tentando achar o vagão certo, soltou um suspiro de alívio mental ao reconhecer a numeração correta que se encontrava em seu bilhete. Jane aproveitou para sentar ainda mais perto das janela, apesar dessa ser mais visíveis para quem andava por ali. De qualquer jeito, ninguém sentaria ao seu lado por vontade própria. Ás vezes, era bom ser ignorada. As pessoas apreciavam demais o contato físico. Jane ajeitou seu pequeno corpo na cadeira, subindo as pernas e apoiando os calcanhares no fim do assento confortável. Para fingir que não estava ali a toa, pegou o jornal do dia anterior que ainda não tivera a oportunidade de ler, que já encontrava-se dentro da sua pequena bagagem. Puxou a manga de sua blusa comprida até tampar seus dedos, e iniciou sua leitura. Era bom, aquele silêncio.