ㅤ⠀˛ㅤ⠀⋆ㅤ⠀୨⠀ 𝐑𝐎𝐎𝑻𝑬𝑫 ˒ quem é você? eun ji-ah. qual pokémon te acompanha? bulbasaur e oddish. de onde veio? unova. qual sua profissão? terapeuta holística e jardineira. qual sua idade? vinte e nove anos. quem será que você me lembra? kang seulgi.
* 𝐭𝐚𝐠𝐬. * 𝐩𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐞𝐬𝐭. * 𝐜𝐨𝐧𝐧𝐞𝐜𝐭𝐢𝐨𝐧𝐬. * 𝐞𝐱𝐭𝐫𝐚𝐬.
ji-ah cresceu entre as trilhas verdes de accumula town, filha de uma botânica e de um escultor. desde pequena, desenvolveu uma profunda empatia com plantas e pokémon do tipo planta. mochi, seu oddish, foi encontrado ainda bebê, à beira de um riacho perto de sua casa, com as folhas ressecadas e dificuldade para absorver energia solar. ji-ah cuidou dele com infusões naturais e, desde então, os dois são inseparáveis.
já sage, o bulbasaur, apareceu durante um período sombrio da adolescência de ji-ah, quando ela se mudou sozinha para castelia e enfrentava ansiedade e saudades de casa. encontrado por acaso em um parque urbano, solitário e visivelmente desorientado, os dois se reconheceram de imediato — como se ambos carregassem a mesma saudade da terra natal. eles cresceram juntos, aprendendo a transformar dor em cuidado.
ji-ah acredita que a evolução real começa no coração. seu trabalho nos centros comunitários é voltado para fortalecer laços emocionais entre pokémon e humanos, através de terapias com plantas, sessões de respiração conjunta e atividades de sincronização de energia.
Assim que chegou ao seu destino, Olivia procurou por cima por seu amigo, mas encontrou apenas um silêncio até que escutou uma voz parecida e virou-se em direção ao som, enquanto segurava um pequeno suspiro. Após reconhecer no mesmo instante quem era, Olivia conseguiu relaxar mais os ombros, mas também ainda estava tensa ao pensar sobre o seu companheiro. — Eu acho que sim? Não sei... Estou procurando por ele, só que não estou conseguindo encontrá-lo. Você não viu nada? Ele poderia estar no seu lado? —
‘ não o vi, não... ’ respondeu, seus olhos percorrendo a calçada buscando captar vestígios deixados pelo pequeno squirtle. ela se aproximou mais da entrada da confeitaria, os pés descalços encostando com leveza no chão. mochi fungou o ar novamente, inquieto, e depois se aproximou da soleira, encostando suas folhas úmidas no chão. jiah pousou a mão nas costas dele, como fazia quando tentava compreendê-lo. ‘ mochi está agitado também. talvez ele tenha passado por aqui. você lembra onde viu o squirtle pela última vez? estava com ele quando desligou a televisão? ’ os olhos da jardineira encontraram os de olivia, não poderia negar que começava a se preocupar verdadeiramente. ‘ se ele se perdeu, a gente vai encontrar, estou aqui com você. vamos olhar juntas. ’
Don apoiou na grade e apontou pro Dustox não muito longe dali. - Aquele é um dos maiores que eu já vi. Sabia que o formato de suas asas é feito pra se camuflar entre as folhas de bananeira? Sua fruta favorita. - o sotaque lembrava o inglês: charmoso, direto e ainda assim dançante, elegante com uma pitada de travessura. Seu traje era igualmente desconectado daquela realidade. É que pra um zelador, Don soava bastante excêntrico com um óculos vermelho, o cabelo perfeitamente penteado pra trás e a barba desenhada, o uniforme muito bem alinhado apesar de aberto no peito o suficiente pra revelar mais do que um funcionário deveria, as botas lustravam quanto um sapato de couro, e tão brilhante quanto eram as joias que carregavam as mãos. - Um fenômeno tão interessante quanto as estrelas se camuflando no seu sorriso, dawling.
jiah apoiou os cotovelos na mesma grade, observando o dustox com atenção. enquanto ouvia a explicação um leve sorriso curvou seus lábios. ‘ asas que se escondem entre folhas… ’ repetiu, olhando o pokémon. ‘ camuflagem não é só proteção, né? às vezes é um jeito de pertencer. de não destoar do ambiente, mesmo sendo diferente. ’ ela virou o rosto para o rapaz, seus olhos escuros encontrando os dele. ‘ e estrelas, quando tentam se esconder, ainda brilham. mas eu sou mais do tipo que cultiva o chão. sorrisos também precisam de terra pra crescer. ’
"Como será que a prefeitura tem nosso email? Não lembro de ter colocado em lugar nenhum? Será que estão espionando? As outras cidades também fazem isso?" Por mais que o ditado fosse "Quem não deve, não teme." Napon devia muito, e tinha muito medo. Se soubessem com o que ele estava envolvido não sabia se seria preso, mandado embora ou para algum tipo de camara de tortura pokémon, e francamente nenhuma daquelas ideias parecia promissora.
‘ napon… ’ a voz da terapeuta era baixa, envolta pelo tom calmo que ela sempre usava quando percebia o medo escondido nas entrelinhas. ‘ respira comigo um pouco antes de tirar conclusões, tá? ’ ela fechou os olhos por um instante, sentindo o perfume leve que vinha de sage, deitado ao lado com os olhos semicerrados. mochi, empoleirado no parapeito, mexia as folhinhas, como se também ouvisse. ‘ as cidades estão mais conectadas agora. os sistemas de cadastro dos centros, das feiras, dos eventos... tudo isso circula informação. às vezes a gente marca uma consulta, participa de uma oficina, preenche um formulário por impulso. não é sempre espionagem. mas…’ ela abriu os olhos, mirando o rosto do amigo. ‘ ...se isso te fez reagir assim, é porque alguma parte sua se sente em risco. ’
Olivia desligou a televisão, onde tinha assistido a última entrevista da prefeitura sobre o grande assunto do momento. Sentia o seu pescoço tenso, depois de ter passado dias pensando sobre o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo, o medo de alguma coisa ruim acontecer com Squirtle aumentava quando escutava um barulho estranho e não estava por perto. Ainda bem que muitas vezes era apenas ele se atrapalhando de alguma forma e isso lhe causava uma calmaria tão grande. Ela saiu de seus pensamentos quando escutou um barulho vindo da direção da entrada de sua confeitaria e franziu o cenho achando aquilo estranho, visto que tinha encerrado o expediente mais cedo. Então, foi em direção e questionou: — Squirtle? É você? —
ji-ah estava com as mãos cobertas de terra e lavanda seca, terminando de montar pequenos sachês aromáticos para uma oficina de relaxamento no centro comunitário no dia seguinte. seu olhar foi atraído para a janela, de onde avistava parte da rua lateral da confeitaria de olivia, coincidência ou destino, sempre notava quando a vitrine apagava. ao ouvir a voz da outra, chamando por squirtle com uma ponta de hesitação, ji-ah sentiu um pequeno aperto no peito. limpou as mãos no avental de linho e saiu pela porta dos fundos de seu ateliê. mochi, o oddish, veio logo atrás. aproximou-se devagar, respeitando o silêncio do momento, e respondeu baixinho apenas para a outra ouvir. ‘ olivia? está tudo bem? ’ mochi se aproximou da porta, farejando o ar com cautela. ji-ah deu um passo mais próximo da morena, com calma ‘ você está bem? ouvi sua voz… parecia preocupada com squirtle. ele está aí?