“Poxa, me deixa me sentir elogiado.” murmurou, com sua melhor expressão de cachorro sem dono no rosto. “Realmente. Acho que mesmo que eu tivesse pensado em fazer isso alguma vez você provavelmente teria tirado minha mão na base do tapa.” sorriu, sorriso esse que se transformou em uma risada com a próxima fala dela. “Ok, da próxima vez que nos vermos voltaremos à nossa agenda habitual de provocações.” concordou, chegando à conclusão de que aquela ocasião realmente era muito diferente da forma como costumavam agir, em muitos sentidos. O rapaz ficou ainda mais constrangido quando ela falou sobre seu embaraço. Por um instante ele quase se arrependeu por envergonhá-la com tanta frequência agora que sabia como ela devia se sentir. Quase. No momento seguinte já havia voltado à seu jeito de sempre. “Eu tenho sentimentos…” sussurrou “Mas se você contar pra alguém acho que não vão acreditar.” continuou, como se aquilo fosse um tipo de defesa. O raciocínio dela o fez ficar pensativo, seu olhar encarando o chão enquanto raciocinava a respeito de sua postura com as pessoas que passavam em sua vida. “Eu realmente pareço tão galinha assim pra você?” perguntou por fim, o olhar voltando-se ao rosto dela novamente. “Não precisa responder isso.” riu sem graça ao perceber que já sabia o que ela iria dizer. “Bom, acho que dessa vez nenhum de nós foi muito controlado, então você tem razão.” a sinceridade contida naquelas próximas palavras o surpreendeu e ele precisou de alguns segundos para pensar numa resposta, porque não esperava falar sobre aquilo naquele momento. Esperou que ela terminasse, mentalmente escolhendo suas palavras para que não dissesse nenhuma besteira. “Não, eu não me arrependo e nem queria não ter feito. Quer dizer, não sobre a parte de ter te beijado. Me arrependo de ter te feito se sentir daquele jeito e uma coisa meio que está atrelada a outra…” refletiu, tentando soar o mais coerente possível. “Eu não teria nenhum arrependimento se eu ter te beijado não tivesse te magoado. É isso.” concluiu, só então percebendo que mesmo tendo tentado com tanto afinco não soar esquisito, havia soado do mesmo jeito. “Mas no fim das contas acho que essa confusão começou uma nova era na nossa amizade. Temos até cafuné agora!” brincou. O comentário alheio o fez fazer uma careta emburrada. “É meu dever te irritar de vez em quando, então também considere que meu momento sentimental é uma exceção.”
Ela riu da expressão do mais velho. "Ou teria ameaçado arrancar sua mão." Afirmou um tanto reflexiva. "Sim, voltaremos. Não posso te deixar mal acostumado." Riu novamente quando percebeu que ele havia ficado ainda mais desconcertado, dessa vez uma risada um pouco mais prolongada. Sendo a primeira vez que o via daquela forma a mais nova se esforçava para guardar aquela imagem em sua memória, já pensando formas de usar aquilo ao seu favor futuramente. "Você tem razão, seria difícil fazer as pessoas acreditarem nisso. Mas tudo bem, me sinto privilegiada por ter acesso aos seus sentimentos e a um Dowoon constrangido." Sorriu. Quando ouviu a pergunta do mais velho, para logo em seguida ouvi-lo dizer que ela não precisava responder aquilo, Anna acabou prolongando o silêncio por mais tempo do que gostaria enquanto decidia se responderia ou não. "Só um galinha master faz aposta pra ver quem consegue beijar mais em uma noite, Dowoon." Disse por fim. "Além disso, quando foi que você saiu para uma festa ou semelhantes e só pegou uma garota?" Seu tom de voz era calmo, como se estivesse com medo de magoar quem a estivesse ouvindo, e ela percebeu que falava daquela forma apenas porque sentiu certo desânimo por parte do outro. "Você vai pras festas sem intenção de beijar? Querendo apenas se divertir?" Concluiu o que era mais uma série de perguntas retóricas, com a intenção de fazê-lo refletir, do que curiosidade. Prestou atenção às coisas que ele dizia, um sorriso surgindo em seus lábios ao achar graça do cuidado que ele claramente estava tentando ter com as palavras, e quando o rapaz concluiu sua fala Anna não conseguiu evitar o riso. "Parece que alguém está sendo bem cuidadoso agora." Comentou, com um sorriso divertido. "Acho que não precisa ter mais nenhum arrependimento agora." Sussurrou como se aquilo fosse um segredo. "Eu tinha ficado magoada porque achei que realmente havia sido tratada como qualquer uma dessas que você beija e nem sabe o nome, o que automaticamente significava que eu não tinha nenhuma importância pra você, e que nossa amizade não valia de nada." Seguiu sua linha de raciocínio enquanto o fitava. "Mas percebi que estava enganada sobre isso. Depois das coisas que você falou, do esforço que você fez e... depois dessa confissão. Sei agora que não é do jeito que eu pensava, sei que você se importa com nossa amizade e que gostaria de ter feito diferente, que gostaria que as circunstâncias do beijo tivessem sido outras então... é, eu não estou magoada. Arrependa-se apenas de todas as vezes em que foi chato comigo porque eu sou boazinha demais." Gracejou, rindo após o término de sua fala. "Sim, iniciamos uma nova era aqui." Sorriu ao ver a careta emburrada que ele fez e ouvir o que ele disse. O carinho acabou se transformando num cafuné de verdade. "Ótimo, se tornaria difícil ser grossa com você caso ficasse sentimental o tempo todo. Tenho um coração mole."