★ jacinto estrela (jotaro)
★ tenmei (kakyoin)
★ joão pedro polnareff (polnareff)
★ josé estrela (joseph)
★ mohammed avdol (avdol)
ᯓ★ oneshots ⭑.ᐟ
★ ᯓ work in progress ... ᯓ
★ Noutro lugar
★ Por quem não esqueci (jotakak)
★ Dá-me Lume (ceajose)
★ Não há estrelas no céu
★ Perdidamente (jotakak)
★ O tempo como inimigo (jotakak)
sumário: a teimosia de Polnareff perante a maior das tempestades só serve para recordar Avdol de que Lisboa é sempre melhor do que de onde veio.
personagens: mohammed avdol; malena; jean pierre polnareff (mencionado); joseph joestar (mencionado); jotaro kujo (mencionado); noriaki kakyoin (mencionado).
pairings: polnareff/malena.
headcanons estabelecidos:
Avdol tem uma loja de artigos do oculto em Lisboa, onde vende vários amuletos e outros objetos ligados à espiritualidade, assim como oferece serviços como leituras de tarot, constelações, etc.
Polnareff e Malena namoram e vivem juntos.
Avdol e Malena imigraram para Portugal para fugir à violência e instabilidade do Egito.
--
masterlist tuga ★ playlist Avdol
-- ᯓ★
wordcount: 1361 palavras
O céu escuro almofadado impedia que a luz entrasse na loja de Avdol. Ele gostaria que o mau tempo não se revelasse um obstáculo para a entrada dos seus clientes também. No entanto, a experiência dava-lhe a permissão mais certeira do que os seus dotes de adivinho. Apesar de ser um homem com muito conhecimento do oculto, não tinha qualquer dificuldade em admitir quando a meteorologia se sobrepunha à astrologia. Era impossível negar o poder da tempestade anunciada na rádio, quando o vento assobiava gritos pelos limites das janelas, que abanavam o vidro da montra quase violentamente. Embora a porta não abrisse nem fechasse, a chuva ameaçava em entrar mesmo quando os clientes não entravam.
Apesar das previsões de negócio serem tão negativas quanto a meteorológica, Avdol não se deixava desanimar – pelo contrário. Onde outros viam desconforto e inconveniência, os dois olhos do adivinho viam uma oportunidade para cuidar da sua loja, e de si mesmo, possivelmente fazer uso do seu terceiro olho para proveito próprio. O cenário mais tedioso que conseguia conjurar era um bom livro acompanhado e um café. Aliás, Avdol contava-se como sortudo se o seu amigo francês não fizesse uma chamada para a loja para admitir a sua derrota contra a tempestade e cancelar a sua companhia naquela tarde – as cartas ainda estavam na mesa, mas ele achava mais divertido se não as lesse.
Quando uma nova rajada de vento fez vibrar a montra, Avdol ergueu o olhar do seu livro de contas, e reparou na pequena poça que tinha começado a formar por baixo da porta de entrada. Talvez fosse melhor ser ele a entrar em contacto com o Polnareff para o impedir de se meter numa jornada perigosa até à sua loja, por um café e companhia. Com um leve suspiro, levantou-se do banco por trás do balcão e dirigiu-se à casa-de-banho para desencantar os habituais materiais. Tal como tudo na sua pequena loja, os instrumentos de limpeza estavam arrumados num caos organizado. Apesar da enorme quantidade de caixas velhas, empilhadas na área minúscula de arrumação entre o lavatório e a parede, elas estavam completamente livres de qualquer pó ou sujidade – e Avdol sabia o seu conteúdo de cor, sem precisar de etiquetas.
Ele abriu a caixa maior e retirou alguns sacos de areia e outras caixas de plástico. Da mesma maneira que Avdol sabia os conteúdos da sua loja de cor, também sabia as suas fraquezas – para aparente espanto do Polnareff, que as apontava cada vez que o clima mudava dentro do seu estabelecimento. Já por inúmeras vezes, o adivinho explicou-lhe que tinha plena consciência das manchas de humidade na parede norte, assim como o espaço entre o chão e a porta, e as gretas nos limites do vidro na montra – simplesmente ainda não os tinha conseguido consertar. O francês parecia não compreender que algumas questões requeriam tempo e obras, e uma pessoa que trabalha essencialmente todos os dias da semana nem sempre tem recursos para o fazer. Ainda assim, Avdol era grato pela capacidade de Polnareff tornar os seus apontamentos em palavras de motivação. Por mais do que uma vez, o amigo ofereceu-se para o ajudar em obras e limpezas, durante as folgas.
“Já na minha terra eu era um faz-tudo!” dizia-lhe com um sorriso grande, que Avdol era incapaz de não apreciar.
Mas nem todas as palavras do francês lhe traziam alegria. O seu feitio requeria uma paciência que Joseph gabava, Kakyoin apreciava, e Jotaro salvava. Para grande sorte de Polnareff, o coração de Avdol era maior que ele, maior que a sua pequena loja do oculto no Martim Moniz, talvez mesmo maior que a cidade de Lisboa inteira – a terra que escolheu para ficar.
“Na minha terra…”
Avdol trouxe os materiais de limpeza, assim como os conteúdos da caixa de madeira, para a divisão principal da loja. Poisou-os no chão e pegou no auscultador do telefone poisado no balcão. Abriu o pequeno livro de contactos, e percorreu uma lista riscada dos vários números dos apartamentos onde Polnareff tinha residido, até chegar ao do atual quarto alugado. Marcou o número e esperou até ouvir um “Estou?” do outro lado da linha. Os lábios de Avdol formaram um sorriso delicado ao cumprimentar a voz feminina de Malena do outro lado da linha. Talvez por ambos partilharem um sotaque semelhante, a sua voz doce era inconfundível e sempre confortante para o adivinho.
“O Polnareff está?”
“Oh, não. Ele saiu ao teu encontro.”
Avdol suspirou, mas sem nenhuma frustração real. Ele apreciava a determinação de Polnareff em enfrentar uma tempestade por um serão na sua loja – um resultado da sua teimosia – mas iria sempre favorecer a sua segurança. Avdol nunca hesitaria em proteger o seu amigo e enfrentar a mesma tempestade por ele, ou por quem ele ama, mas não conseguia evitar preocupar-se com os seus. Apesar de Polnareff já ter experienciado e visto muito que nenhum deveria ver, o jovem francês ainda tinha muito que aprender – sobre ele, sobre tempestades, sobre a vida. Avdol ainda tinha muito para lhe contar, e sentia-se responsável por lhe ensinar os nomes que tinha dado ao mar. Anteriormente, já lhe tinha entretido alguma da sua curiosidade – especialmente durante a sua frase pré-namoro, para divertimento de Avdol – mas havia coisas que eram demasiado pesadas para facilitar a sua partilha.
“Tu não sabes a violência que ele passou para ter tanta paciência contigo” foram as palavras que Malena utilizou para chamar Polnareff à atenção, e o fizeram entender que ela própria também teria sofrido para chegar a Portugal.
Os olhos de Avdol ficaram vazios por um momento. A loja estava silenciosa, apesar de todas as estatuetas, cristais, amuletos, ramos e chás encherem as paredes, e fazerem o espaço parecer barulhento visualmente. A voz doce de Malena, ao seu ouvido era a única coisa que impedia que a sua mente ficasse em branco também. Enquanto a moça fazia conversa de circunstância, Avdol colocou um alguidar no chão, perto da entrada para o armazém. Uma das gotas caiu no recipiente de plástico ao mesmo tempo que um relâmpago, e várias memórias brilharam atrás dos olhos de Avdol.
“Avdol?”
Avdol demorou um momento para responder a Malena. Talvez ele tivesse percebido o que passou pela mente dele. Tinha a certeza de que nenhum deles tinha qualquer memória de paz no seu país. Ele não sabia qual foi o percurso dela, mas as recordações que de vez em quando o atormentavam eram com certeza semelhantes. Possivelmente, terá deixado pessoas amadas que nunca esperaram o seu regresso, ou então já não tinha ninguém para a ver partir do cais, como tinha sido o caso dele. As lições que arrecadou desde o Egito a Portugal tinham sido difíceis de aprender, e a canção que cantasse da sua jornada não era uma epopeia, mas algo mais trágico. Se não fosse a sua determinação em definir o seu próprio dia, e fazer os seus dias de acordo com os seus valores, nem Avdol, nem Malena teriam conseguido casa e nacionalidade numa nação que ainda tinha muito que aprender sobre a democracia. Todos os dias testemunhavam provas de demagogia vinda “do tempo da outra senhora” como Joseph costumava dizer. Mas Avdol preferia um lugar assim, do que de onde veio – com problemas de humidade e tudo.
“Avdol?”
O som de uma campainha fez-se ouvir mesmo antes do raio, e a porta abriu-se com a força do vento e grande esforço de Polnareff. O moço fechou a porta o mais rápido possível contra a força do vento. A sua cabeleira estava desfeita e ensopada como as roupas dele, o seu guarda-chuva torcido do avesso, e a sua respiração ofegante.
“Avdol??” a voz de Malena chamou-o do outro lado da linha.
“Está tudo bem.” Avdol sorriu ao francês que abriu a porta da loja, onde ele daria abrigo para as próximas horas, “Ele acabou agora mesmo de chegar.” Mesmo sem a ver, Avdol conseguia ouvir o sorriso da moça egípcia e sentiu-se um pouco mais descansado. Antes de desligar, fez alguma conversa de circunstância e assegurou Malena de que não havia nada com que se preocupar. Depois, recebeu o seu amigo com todo o calor que o mundo tinha em falta.
sumário: Numa estação de mudança como o outono, Jotaro só quer o prolongamento do verão, de tantas saudades que sente de Kakyoin.
personagens: jotaro kujo; noriaki kakyoin (mencionado); jean pierre polnareff (mencionado); joseph joestar (mencionado); mohammed avdol (mencionado); holly kujo (mencionada).
pairings: jotakak (jotaro kujo/noriaki kakyoin).
headcanons estabelecidos:
Jotaro é do Porto, mas o Kakyoin está a morar em Almada porque estuda nas Belas-Artes de Lisboa. Eles são namorados desde o secundário e estão agora na faculdade.
Jotaro, Kakyoin, Polnareff, Avdol e Joseph passaram o verão juntos, no Norte, mas Kakyoin regressou por causa dos estudos, assim como Joseph e Avdol por causa dos seus respetivos trabalhos.
Polnareff já acabou os estudos mas está a fazer vida com a namorada em Portugal. Ela estuda em Lisboa, mas ele não tem ainda morada fixa, por isso ficou na casa de Jotaro mais tempo para conhecer o Norte.
--
masterlist tuga ★ playlist Jotaro
-- ᯓ★
wordcount: 1548 palavras
Os dias tinham começado a perder uma hora de luz, mas Jotaro já fazia luto dela e do verão. Encolhido num assento que parecia perder metade do tamanho real quando comparado com ele, tentava amassar os seus pensamentos, na tentativa de os desfazer, e poder prestar a devida atenção ao professor catedrático no fundo da sala. Sentado no fundo da sala de aula, para favorecer a visão dos seus colegas, meteu as mãos nos bolsos para as esconder da corrente de ar que tinha penetrado a escuridão da sala de aula. O brilho austero dos seus olhos perdia-se no espaço iluminado apenas pelos dispositivos projetados na tela branca do professor, mas quem se atrevesse a olhar para a sua expressão, não conseguia falhar o puro descontentamento do jovem Joestar.
Tal descontentamento não provinha da dormência das suas pernas – essa sensação era familiar dada a incompatibilidade da sua estatura com maior dos espaços públicos – nem da matéria debitada pelo professor, que de vez em quando atravessava as ilustrações científicas projetadas – por uma vez no seu percurso académico, Jotaro estava num estabelecimento de ensino por livre vontade. Na verdade, o seu descontentamento provinha do outono, e todos os seus signos.
Os olhos do Joestar portuense captaram um fio de luz muito ténue, que se tinha infiltrado no breu da sala de aula, através de uma brecha entre o pano preto que cobria a janela ao lado do seu colega, e o vidro dela. A sua visão descolou-se da luminosidade do projetor para a do exterior. Após um breve período de ajuste, os olhos dele conseguiram distinguir a silhueta semi-esquelética das árvores lá fora, assim como o alaranjado das poucas folhas que lhes restavam. Jotaro franziu as sobrancelhas, e redirigiu a sua atenção à projeção, com um curto suspiro que fez o seu colega do lado saltar na cadeira.
“Ora foda-se…” murmurou para si mesmo.
Do canto do olho, apercebeu-se do movimento do colega. Jotaro nunca foi uma pessoa de muitas palavras, por essa razão é que tendia em confundir as pessoas quando as usava. Normalmente, eram curtas e brutas, dirigidas a ele mesmo, porque ninguém parecia saber interpretá-las – as palavras e a ele. O jovem Joestar não sabia se a sua fraqueza com palavras era a origem para o mal-entendido, ou vice-versa. Apesar dos seus amigos por vezes não acertarem à primeira, a sua família não apresentava grandes dificuldades em perceber as suas intenções – a sua mãe parecia mesmo adivinhar os seus pensamentos. A exceção familiar era apenas o pai, com quem não passava tempo suficiente para o repreender. O seu avô e companhia tinham a maturidade suficiente para compreender o significado das suas ações, enquanto o avec apenas tinha alguma paciência em falta. Isto abria hipótese de ser uma questão de prática. Kakyoin era a prova absoluta de tal.
Jotaro levantou a mão muito levemente, como se receasse que o seu sinal apologético fosse assustar o seu colega do lado. Ele sorriu-lhe, e o Joestar ficou mais descansado, mas nem por isso mais consolado. Anteriormente, os gestos assustadiços dos seus colegas pouco o incomodavam por serem tão recorrentes, embora incitados de forma inocente.
Mas com o final do verão, e o início do ano curricular, veio uma realização importante para Jotaro: a sua natureza, fosse ela um mecanismo de defesa ou não, apenas o tinha prejudicado a vida toda, sem que ele se apercebesse até então. Esta epifania não surgiu como um interruptor, mas antes um momento eureka que começou no verão e se prolongou tardiamente. Ele não conseguia definir um instante específico, mas se tivesse de apontar o dedo, seria a Kakyoin. Algures no tempo, a sua expressão gélida de Jotaro derreteu ao sol, o moço de cabelo cor-de-cereja teve acesso ao seu coração, fugiu para Lisboa, e levou com ele o verão. O Joestar portuense não era fã do dramatismo do Polnareff, nem do entusiasmo do seu avô, mas não podia evitar usar uma narrativa teatral para explicar o outono. Se, por alguma razão, decidisse exprimir os seus sentimentos, preferia inspirar-se na sabedoria de Avdol, mas talvez pedisse emprestado uma descrição dos prédios decadentes lisboenses, mencionada pelo avô. Era algo relacionado com o sistema anti-sismo, que ele não se tinha dado ao trabalho de memorizar. Talvez a mãe fosse capaz de recordar a expressão exata, mas Jotaro não estava disposto a perguntar. Tinha receito de fornecer mais respostar a ela, do que uma pergunta dele.
No entanto, se Jotaro decidisse tentar, iria começar a conversa com uma afirmação, em fez de uma questão: Ele detestava o outono e todas as analogias que se faziam acompanhar. Apesar de, por norma, não ser alguém que ansiasse por calor (como o seu amigo avec), Jotaro dava por si a não desejar outra coisa senão o prolongamento do verão. Para ele, o outono representava uma afronta a todas as suas vontades – ele queria continuidade numa estação de mudança. O verão tinha-lhe trazido Kakyoin e o seu primeiro grupo de amigos; dias longos e cheios de sol para aproveitar a sua companhia; e outras coisas novas para ele aprender.
Uma delas era vulnerabilidade. A água do mar bateu tantas vezes contra a natureza de pedra de Jotaro, que quando deu por si o sol já lhe tinha penetrado o peito, e iluminado o coração. As conversas entre amigos eram fluíam como as ondas do oceano, sem que tivesse de abrir a boca muitas vezes. Os lábios dele torciam-se num sorriso recorrente, de forma semelhante ao que tinha numa foto polaroid que gostava de olhar.
Outra era o amor – Kakyoin ensinou-lhe essa pessoalmente. Entre sorrisos e olhares, Jotaro e o namorado trocaram beijos e palavras, que ele nem sequer tinha sonhado em partilhar. O moço de brincos de cereja comparava-o ao sol, através de analogias ao brilho e calor que, sem saber, possuía no olhar. Mas se isso era verdade, Kakyoin tinha-se esquecido de mencionar que ele era a Terra, tal como tudo o resto que isso podia implicar. Ao impor a distância entre eles (desde o Porto à capital), o moço de cabelo avermelhado deixou o sol para trás, e Jotaro foi obrigado a enfrentar o outono, tal como a distância alongada dos dois astros assim o faz.
O jovem Joestar revia-se nas árvores despidas de cor. Sentia-se vulnerável, e não gostava disso. A sua introspeção começava nos troncos que tinha visto no exterior da sala de aula, mas tomavam outros caminhos. A corrente de ar outonal levava-o de volta à sala de aula, e fazia-o fechar os punhos dentro dos bolsos com mais força, porque o recordava todo calor humano que tinha tido em falta nestes anos todos (mas que só com este verão é que se tinha apercebido). O comportamento dos seus colegas era uma lembrança constante disso. A escuridão, fosse ela a da sala de aula, ou das noites crescentes, reduziam-no à sua forma mais visceral, semelhante ao esqueleto resistente das árvores. A ausência de luz era o que mais o atordoava, porque era um resultado direto da distância do sol, que só fomentava um sentimento de evasão, só melhor descrito por um refrão dos Xutos e Pontapés:
“E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder.”
Jotaro caminhava pelas ruas junto ao rio, com auriculares no ouvido, e cigarro nos lábios. Agora, às horas a que voltava para casa, era sempre noite. Mas mesmo antes de o dia perder horas de luz, o moço de boina tão escura quanto o seu cabelo já tinha ganho o hábito de andar pela noite sozinho, para fumar o seu cigarro. Apesar de ter Avdol já não lhe acender o cigarro, ainda tinha companhia de fumo no único elemento do grupo do verão a prolongar a sua estadia no Porto, (o avec). No entanto, Jotaro sentia a necessidade de algum tempo sozinho. Ele ressentia essa sua necessidade, por criar ironia quando conjugada com o seu sentimento de solidão. Jotaro não gostava de ficar tanto tempo fechado em casa, porque, a seu ver, a solidão não conseguia atingir um alvo em movimento. Por essa razão é que deixava a mãe com a companhia mais alegre de Polnareff – dessa forma, o avec também se distraía da tristeza dos próprios olhos – e saía sozinho, à noite, via a vida passar por ele sem dar por si. Caminhava as ruas à procura de alguém que sabia que não ia encontrar, quem ele não tinha esquecido.
Numa das noites, mesmo antes de ele sair de casa, a mãe pegou-lhe no pulso com uma gentileza especial. O jovem Joestar olhou para ela com as sobrancelhas franzidas, e confusão no olhar, mas foi recebido com uma notícia que lhe arregalou os olhos. As palavras de amor e atenção maternal foram sinceras, quando mencionaram os hábitos dele, e o nome do namorado.
“Custa-me ver a tua fachada erguida tão alta, quando sei que o interior do prédio está em ruínas…”
Mas antes que Holly pudesse finalizar o seu anúncio, o francês antecipou-se e mostrou-lhe um sorriso enorme e dois bilhetes de autocarro. Jotaro sorriu, primeiro discretamente, mas depois surpreendentemente alegre. Abraçou a mãe, e agradeceu ao francês à sua própria maneira. Mais tarde, ao telefone, sorriu ainda mais abertamente, apesar de não poder ver a expressão do namorado, do outro lado da linha.