Valentina Nixon. NY, Upper East Side. Nixon’s Residence. 2047.
Kevin Nixon
Permaneci sentado e praticamente imóvel enquanto Valetina dava o seu melhor para explicar toda a situação que tinha criado com essa mentira, ainda mantendo uma postura extremamente séria como nunca precisei manter perto dos meus filhos. Meus pais me criaram com muito amor, carinho e confiança. Me ajudaram até mesmo no período em que estava separado de Izzy e sempre muito pacientes, desde que eu contasse a verdade e não traísse a confiança deles. Então queria oferecer o mesmo tipo de criação para os meus filhos porque dessa maneira é tão mais bonito e agradável de conviver em família, mas confiança sempre foi extremamente significativo na minha vida e tanto Jonathan quanto Valentina, tinham quebrado essa confiança. Eles precisavam entender as consequências disso e como é difícil reconquistar esse vínculo.
Parte de mim, sentia muita dó de ver aquela garotinha gaguejando para explicar o que achava certo, mas a outra parte, a parte do Kevin Nixon que era pai, sabia que precisava se manter firme. Não podia negar que era admirável a maneira como ela decidiu correr atrás de um sonho e construir um nome só dela, porém existiam limites e momentos certos para agir. E até o momento, eu achava que tinha deixado isso bem claro, o que só reforçou meu pensamento de que talvez eu tivesse falhado como pai.
- Valentina, você percebe o quanto está se enrolando? Eu entendo o que é querer proteger seus amigos a qualquer custo. Até hoje eu faço isso com a sua mãe e sua madrinha, mas vocês não tem idade para ficar mentindo dessa maneira e nem maturidade. Se tivessem um pingo de noção, saberiam o quão perigosa é a situação em que se colocou. Você agiu sim como uma criança imatura e que acha que pode ser dona do próprio nariz. - Minhas mãos iam gesticulando conforme eu falava com Valentina, em uma tentativa de conter todo o nervoso e decepção que estava sentindo. Eu tinha uma relação muito próxima e tentava sempre ser um amigo além de pai. Tinha muitos gostos em comum com ela devido a nossa paixão pela música, mas precisava deixar isso de lado para assumir o lado só de pai tentando disciplinar sua filha. - Sim, foi difícil conquistar tudo o que temos hoje. Nós tivemos que batalhar e passar por sufoco, engolir em seco muitas vezes diante de pessoas que tentaram passar por cima de nós três, mas nunca mentimos para os nossos pais na sua idade. Eu sempre respeitei imensamente seus avós e não precisei mentir para fazer algo que eu queria. Quando foi que eu e sua mãe passamos a impressão de que não iríamos te apoiar? - Levantei do sofá, andando de um lado para o outro na sala e mantendo o olhar fixo em Valentina. - Poderia ter me falado que queria conquistar as coisas sozinha. Eu acho isso admirável, filha. É isso que mais quero para você e seu irmão. Eu respeitaria a sua decisão e não te forçaria a viver na minha sombra ou da sua mãe. Qualquer pessoa com dinheiro pode lançar uma carreira forçada e conquistar alguma fama imediata? Claro que sim, mas ainda assim, precisa de muito esforço, talento, dedicação e disciplina para se tornar um artista de verdade. Não são pais famosos que vão te dar isso. E já cansei de te falar isso, Valentina. - Falei em pleno desapontamento, mas querendo que ela entendesse também o meu ponto de vista. - Nossos ídolos não começaram saindo de casa escondido tarde da noite. Sim, eles começaram sem credibilidade alguma e tocando para pessoas que muitas vezes nem iriam lembrar deles no dia seguinte, mas você não é nenhum deles e tem pais preocupados. Nunca exigimos que você fosse alguém que não quer ser. Sim, temos imenso orgulho de você sendo a aluna número um do seu Colégio, mas o que importa você ser autêntica. E você não tem como saber o que eu ou sua mãe vamos dizer. Mais uma prova da sua imaturidade irritante. - Disse ao me sentar de frente para ela mais uma vez, observando a mais nova desviar o olhar para o teto. - Sim, nós ficamos preocupados com a ideia de você tocando nesses lugares. Não tem nem idade para frequentar bares underground. Se a sua banda tivesse um mínimo de responsabilidade, teriam ao menos nos avisado. Você quer acumular uma bagagem sem ter que depender de mim ou da sua mãe? Ótimo, acho isso extremamente válido e mostra o quanto você quer provar o seu valor e talento, mas ainda somos seus pais, você ainda é menor de idade e nos deve satisfação do que faz. Ainda mais quando se envolve com um bando de adultos. Aprenda a separar suas prioridades. Você tem escola e responsabilidades. E não vou nem entrar na questão do perigo que corria de andar sozinha com essas roupas. Para a aluna número um do colégio, você foi bem ingênua. - Passei a mão no cabelo, respirando profundamente antes de continuar. - Você está proibida de sair de casa sem autorização prévia. Quer ser adulta? Então vai começar a aprender a agir como tal agora. Ligue para a sua banda e diga que não irá mais participar dos shows até segunda ordem. Quero você em casa direto depois da escola. A partir de agora, toda vez que eu e sua mãe não estivermos em casa, vocês serão deixados com uma babá e que a qualquer passo fora da linha, irá nos ligar. Você e Jonathan perderam completamente a nossa confiança e vão ter que se esforçar muito para conquistar isso de novo. Irão ser tratados como crianças. Eu estou extremamente decepcionado, Valentina. De uma maneira que nunca imaginei me sentir com a minha filha. Além de me excluir completamente de uma decisão tão importante, ainda agiu errado e com irresponsabilidade. - Finalizei em claro desapontamento e deixando minha postura ereta. - Vá para o seu quarto. Já passou do horário de dormir e não quero você perdendo aula. Um mês inteiro de castigo e sem celular quando estiver em casa. - Falei em tom autoritário, analisando as regras e condições daquele castigo. - Depois desse período, caso você tenha provado que entendeu toda a nossa conversa e esteja merecendo um novo voto de confiança, eu e sua mãe poderemos pensar em te deixar voltar a cantar com a sua banda. Sob supervisão e respeitando sua rotina. - Encerrei os termos do castigo e balancei a cabeça para que ela fosse deitar. Eu definitivamente iria precisar tomar uma aspirina para dor de cabeça.
















