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scfiyes:
* 𓂃⠀ ⋆˚ ⠀⠀“E eu sou totalmente o contrário, eu tenho muito que fazer, e não ia participar disso, mas a minha curiosidade é inquietante.”, fez uma breve careta, esperando que não tivesse problemas mais tarde, ou falta de sono pela ansiedade de não ter conseguido se bem preparar para suas aulas. Porém, havia se permitido decidir que se não conseguisse achar pistas que a levassem a algum lugar até a hora do jantar, deixaria o tal mistério de lado — já haviam lhe dito também que era uma coisa recorrente do hotel, então se não conseguisse participar dessa vez, na próxima com certeza; isso se estivesse menos ocupada com suas aulas. “Eu espero que ele prefira conhecer Istambul, até porque eu não acho que o prêmio disso tudo vai ser algo interessante. Talvez uma toalha exclusiva do hotel? Um roupão da loja de souvenirs? Algo assim.”, deu levemente de ombros. Hotéis nunca se empenhavam em suas premiações, certo? Assim que a outra explanou desconfiar do bispo, Aslihan prontamente assentiu. “Foi o que eu pensei de primeiro também, mas… esse Earl me parece muito suspeito também, como um criminoso que quer se esconder através do óbvio. Porém não encontrei pistas o suficiente para embasar meus pensamentos.”, deu levemente de ombros. “Eu estava indo até a lavanderia do hotel, atrás da próxima, gostaria de ir comigo?”
-- Talvez o prêmio seja um charruto alemão e uma caixa de aspirinas. -- Ceci brincou, sinalizando para o papel para indicar uma das pistas do mistério antes de dar de ombros. -- Seria uma boa história para contar para os amigos. “Sabia que participei de um mistério de assassinato em um hotel chique?”. Não é o tipo de coisa que se encontra em qualquer lugar. -- Ela recebeu o papel de volta e o guardou no bolso antes de unir as sobrancelhas, pensando sobre as suspeitas da outra. -- Hmm... talvez. -- Cecilia assentiu com a cabeça. Sua trilha tinha acabado no restaurante, então seria bom ver o que os outros estariam fazendo para tentar descobrir mais sobre o assunto. -- Claro. Seria ótimo. Devo admitir que estou meio perdida. Adoro histórias de mistério, mas principalmente porque elas me surpreendem já que eu nunca desconfio de nada.
scfiyes:
* 𓂃⠀ ⋆˚ ⠀⠀A animação era evidente no rosto da funcionária, esta que Aslihan já conhecia pelas vezes que fora ao restaurante e ela estava lá dançando, e modéstia a parte, era muito boa no que fazia. Ouviu com atenção os comentários animados e então entendeu um pouco do que acontecia. “É uma competição, então? Vale algum tipo de prêmio?”, não costumava perder tempo com coisas como aquela, até porque a vida de professora raramente lhe dava brechas para aproveitar seus hobbies, quem dirá um mistério aleatório. Ainda, assim, não podia deixar de estar curiosa, e como boa competidora que era, imaginou se conseguiria ganhar, mesmo tendo péssimos poderes de dedução. “Mas os funcionários podem jogar também, pelo que eu vi. Ou se não podem, estão sendo todos rebeldes e estão muito focados nisso.”, deixou que um riso escapasse dos lábios, visto a concentração do concierge que a ignorara enquanto pensava em seus próximos passos. “Já descobriu alguma coisa?”, perguntou por fim, interessando-se um pouco mais no evento.
-- Parece que sim. Embora não diga nada em questão de prêmios... Nem tinha pensado nisso. Acho que só fiquei feliz de ter algo para me ocupar durante o dia. -- Cecilia olhou ao redor, imaginando, realmente, porque estavam todos empenhados no jogo. Talvez todos tivessem alguma criança interior competitiva tal como ela. Era realmente difícil resistir a um mistério, ainda mais quando muitas pessoas estavam investidas ao mesmo tempo. -- Sim, mas nós temos todo o tempo do mundo para fazer isso. Imagina um hóspede de cinco dias que só tem esse tempo para conhecer Istambul e ainda resolver o mistério? Pobrezinhos. -- Ainda assim, Ceci riu baixo, imaginando o desespero das pessoas que teriam que deixar o hotel sem saber a verdadeira resposta. Ela se perguntou se eles divulgariam nas redes sociais do hotel ou se só os que o solucionassem conseguiriam. -- Algumas coisas... Minha maior suspeita segue sendo o bispo. -- Ela ofereceu seu próprio papel para a outra para que ela pudesse se atualizar com o caso. -- Embora essa possa ser mais minha desconfiança com qualquer membro do clero do que as pistas que encontrei mesmo.
𓂅 ˖ ࣪ 𖥔 this is an open starter for you!
Charlie apreciava a quietude e a solidão da madrugada, principalmente após enfrentar tanta dificuldade para manter uma noite tranquila e satisfatória de sono. Por isso, não era difícil encontrá-la caminhando ou acomodando-se em alguns dos ambientes comuns do hotel durante o horário no qual a maioria dos hóspedes encontrava-se em seus aposentos, aproveitando a falta de movimento no local para desfrutar da própria companhia, sem interrupções ou distrações. Ainda não se via muito atraída pelas dinâmicas propostas pela equipe do Pera Palace, desinteressada por enigmas que não a levariam a nada, então limitava-se a assistir aqueles que decidiam embarcar naquela aventura tão tarde da noite. Sentada na beira da piscina interna, mantinha os pés dentro da água aquecida, perguntando-se o tamanho do problema que arranjaria pra si caso decidisse acender um dos cigarros que carregava consigo ali. O pensamento foi interrompido pela chegada de muse, com quem trocou olhares antes de decidir quebrar o silêncio. ─── Posso te ajudar com algo? ─── Perguntou, arqueando uma das sobrancelhas, a sombra de um sorriso presente nos lábios. ─── Espero que não esteja aqui pra me acusar de ser a responsável pelo assassinato fictício. ─── Brincou sem muita emoção, apenas interessada no que muse tinha a dizer.
O show da noite correra normalmente. Nenhuma ovação em pé, mas não dava para ganhar todos, não é? Uma dor começara a se alojar na base das suas costas, mas àquele horário nenhum dos massagistas do hotel ainda estariam trabalhando. Com sorte, se ela conseguisse dormir bem estaria bem para o ensaio da tarde no dia seguinte. Porém, no meio do caminho para o quarto, decidiu ir até a piscina e deixar a água quente desatar os nós que começavam a se formar. Passou rapidamente no quarto para trocar de roupa e colocar um roupão e desceu de elevador, algo que raramente fazia durante o dia já que sempre haviam tantas pessoas neles. Ela se surpreendeu quando chegou ao local normalmente vazio e encontrou alguém sentado na beira da piscina. Cecilia deixou a bolsa sobre a cadeira audivelmente para que a outra não se assustasse quando ela entrasse na piscina de repente. Sorriu com o comentário dela. -- A não ser que você esteja carregando uma caixa de cigarros alemães e aspirinas, não tenho nada para te incriminar. -- Ceci foi até a beira da piscina e se deixou escorregar para dentro, tentando ao máximo não soltar um suspiro de alívio quando a água quente tocou sua área dolorida. -- Honestamente, eu não fui muito longe. E depois do trabalho a última coisa que eu quero pensar é em bíblias marroquinas.
itmeanselizabeth:
— Eu sinto que o cigarro e as aspirinas estão ali por algum motivo, mas não me faz sentido sem mais pistas.
Eu registrei os olhos de Cecilia como sendo sagazes e muito grandes, quase tão grandes quanto os meus. Queria ter observado mais, mas estava dobrando o folheto para o colocar em minha bolsa, não sabia se ele iria querer ouvir o que eu tinha para falar e se ao compartilhar de minhas suspeitas. Eu, hoje, definiria minha atitude como timidez, pois não tinha amigas.
— Você encontrou a pista que queria?
-- Foi o detalhe que mais me chamou a atenção. Porque... se a pessoa deixou para trás, ou era para incriminar outra pessoa... ou foi um acidente, certo? Algum sinal de luta. Não sei... Acho que não ajuda muito de qualquer maneira, não é? -- Cecilia suspirou ao olhar para a cartilha novamente e reler a pista fajuta que tinha recebido. Ergueu os olhos novamente para a outra e assentiu com a cabeça, guardando o panfleto no bolso também. -- Acho que sim, mas não é bem o que eu esperava. Não é como se indicasse o próximo passo no caminho, não é? Acho que como detetive eu sou uma ótima dançarina, e tudo bem.
A minha viagem a Istambul havia sido uma surpresa de minha mãe para comemorar o meu início de carreira. Era óbvio que os donos do projeto a queriam em meu lugar, mas a filha prodígio deveria servir para alguma coisa, então àquela época, eles foram muito sensíveis em não deixar eu perceber em seus olhares a frustração e a falta de fé em meus desenhos. A moda é uma inimiga cruel do tempo, e eu tinha pouco tempo para provar a eles que minhas criações podiam resistir às mudanças de gostos, tão típicas quanto as estações e ao mesmo tempo tão irregulares quanto o frio que fazia naquela cidade. Conversei com minha mãe sobre isso ao final de mais uma reunião, voltando para o Pera Palace a passos largos. Ela me disse que eu deveria persistir, que não poderia me ajudar ali se eu quisesse voar com as próprias asas. Quase devolvi com a verdade que eu estava voando com as asas dela porque ela havia escolhido elas para mim. Se fosse por mim, eu estaria presa ao chão, bem segura na terra. Tão segura que meus olhos não largavam do chão e hoje sei que se não fosse por isso, não teria visto aquela carta e nem mesmo aquela comoção nos corredores do hotel.
Eu abaixei para pegar o envelope e o virei entre os dedos, segurei a curiosidade de ler seu conteúdo por pouco mais de meio minuto. Entrei no quarto e abri. A leitura me fez me despedir de minha mãe com frases rápidas e vazias, ela não se importaria, não enquanto ficasse bem distante da informação de aquele hotel oferecia uma pequena diversão a seus hóspedes na forma de charadas.
Meu sorriso era evidente, mesmo que ninguém o pudesse ver. “Minha primeira chance”, foi o que pensei alto demais ao me sentar na cama depois de devorar cada linha como se fosse um filme. Um filme embaralhado, embaralhado e confuso. A primeira confusão que me recordo ter incomodado foi a encadernação marroquina. Uma Bíblia cristã com uma capa de detalhes de um país predominantemente islão? Não deveria ser nada… mas mais à frente na leitura, essa mesma Bíblia havia sumido. Estaria eu a pensar demais?
Não, não era um filme. Eram capítulos desordenados de um livro e eu precisava ler ele se quisesse me sentir viva novamente.
Eu estava cansada, sentindo a panturrilha doer e os dedos mindinhos arderem em atrito com o sapato, mas mesmo assim aproveitei os primeiros raios da manhã para sair do quarto e ir ao saguão principal. Havia uma dica no verso da carta sobre uma cartilha do hotel e eu havia visto muitas em uma mesa de centro. Mas a minha surpresa não foi maior quanto ver que muse já estava lá, lendo uma das cartilhas. Eu sorri, puxando uma para mim também. Eu não sabia o que perguntar, mas estava curiosa, levemente competitiva também.
— Estranho não? — questionei, olhando muse de soslaio, prestando atenção em que momento da leitura do folheto elu estava. — Não seria uma blasfêmia alguém servir a dois deuses em uma época onde só se pode adorar a um? — Era uma questão estranha demais, mas o bolo seco na garganta da pequena corrida ao descer as escadas precisava ser umedecido pelas minhas próprias divagações, mesmo que elas não fizessem muito sentido.
Não tinha sido tão difícil assim encontrar a pista na cartilha. Cecilia se perguntava se todas as pistas seriam tão fáceis de encontrar enquanto procurava mais uma vez, mas assim que se conformou que aquilo era tudo que havia, compreendeu que não era fácil coisa nenhuma. Ora, o pregador tinha estado no hotel? Porque isso era relevante? Quem mais estivera no hotel? Havia diversos detalhes faltando e nenhuma maneira de falar com os responsáveis pelo crime... A sua fantasia de usar óculos escuros legais como em CSI e sair por aí entrevistando caras que não podiam parar seu trabalho de encher caminhões por um segundo tinha ido por água abaixo logo na primeira etapa.
A dançarina ergueu os olhos da cartilha para a qual estivera franzindo o cenho quando percebeu que outra investigadora tinha se juntado a ela. -- Hmm? -- Ela pensou sobre o assunto. -- Dois deuses? -- Ela observou seu cartão inicial novamente, claramente tendo perdido algum detalhe. -- Não tinha pensado nisso. Ainda estava tentando entender os cigarros alemães e as aspirinas.
A manhã fria de Istambul era duplamente desanimadora para Kath. Normalmente, ela preferia o calor dos raios de luz a acordando pelas frestas da janela e não o frio que a perseguia até mesmo debaixo do grosso cobertor. Além disso, sua mente ia imediatamente para as crianças que provavelmente estariam sofrendo mais do que ela com aquele clima infeliz. Era aquele o motivo para ela estar ali, afinal. O pensamento a fez levantar da cama em um pulo. Kathleen tinha muito trabalho a fazer na gestão do projeto junto às crianças órfãs da cidade. Arrumou-se rapidamente, levando consigo uma bolsa com seu notebook e uma tonelada de papéis.
Estava se encaminhando para o Kubbeli Saloon quando pisou em um envelope dobrado na porta de seu quarto. Curiosa, abriu-o e o leu com atenção. O cenho franzido entregava a confusão diante ao conteúdo daquele envelope. Kath olhou para os lados, verificando se mais alguém naquele corredor havia recebido uma mensagem igual. Mais a frente, avistou muse que parecia ter um papel igual o de Kath em mãos. Logo ela se aproximou, torcendo para que a pessoa soubesse do que aquilo se tratava. - Com licença… Você recebeu um cartão também? Com um tipo de charada? - indagou muse, enquanto passava os olhos novamente pelas informações.
Nos últimos tempos morando no hotel, Cecilia começava a compreender como o movimento funcionava. Depois das 8h da manhã, duas horas depois do início do café da manhã, o movimento alcançava seu pico e era quase impossível pegar um elevador. Portanto, ela aprendera a preferir as escadas, tanto para ir ao restaurante quanto para acessar a academia (onde já não precisava se aquecer com exercício aeróbico depois dos vários lances de escada). Enquanto passava por um dos andares, ainda observando seu cartão, ouviu a voz de alguém chamá-la e ergueu os olhos para ver quem.
-- Ah. Sim, na verdade. -- Ela ergueu o papel, que combinava com o que estava na mão da outra. -- Acho que é um jogo. Nunca tinha visto nenhum desses antes. Estava indo tomar café da manhã para ver se acordo meu cérebro para conseguir pensar... O seu também é sobre um pregador em Londres?
* 𓂃⠀ ⋆˚ ⠀⠀ Naquela manhã, para variar, Aslihan estava atrasada. E por conta disso, saiu tão apressadamente de seus aposentos no Pera Palace que não prestou atenção no papel que jazia no chão, aguardando para ser lido. Sua aula havia corrido normalmente, já estava se acostumando com os corredores da Universidade de Istambul, ainda que não tivesse certeza alguma do que gostaria de fazer. Ficar ali? Voltar a trabalhar em laboratórios? O que fazia com que as pessoas melhor lembrassem de seus talento científicos? Esse era o pensamento constante na mente da turca, e ela não tinha ideia de quando encontraria respostas.
Caminhava de volta para o hotel com várias pastas e papéis em uma mão, e um café na outra; não era muito fã do frio, e torcia para não deslizar na neve que fazia em Istambul naquele dia. Assim que finalmente entrou no hotel, deixou o cachecol de lado. Pediu para que um dos concierges a ajudasse, mas ele parecia concentrado demais em outra coisa. “Ahm… senhor, poderia me ajudar?”, o chamou outra vez, mas ele mantinha os olhos vidrados em um pedaço de papel, pedaço esse que parecia estar na mão de todos ali no saguão. Aproximando-se de muse, perguntou: “Com licença, o que é isso aí? O que está acontecendo?”, arqueou uma das sobrancelhas, e torceu para não ser ignorada novamente.
Trabalhar somente na parte da tarde e da noite dava a Cecilia toda a parte da manhã, que ela normalmente usava para se ocupar de tomar café e contemplar a vista do seu quarto, pensando na própria sorte de viver e trabalhar num lugar tão perfeito. Naquela manhã, porém, algo a parou a caminho do restaurante onde sempre tomava seu desjejum. Uma folha de papel com um convite para um jogo. Parecia divertido, já que ela tinha mesmo algumas horas para matar.
Ela desceu as escadas para evitar o movimento dos elevadores e saiu próxima a mesa de recepção e às portas de entrada. Cece quase tropeçou na moça que entrava, tão absorta que estava pensando no mistério à sua frente. -- Ah, desculpe! -- Ela pediu, embora a outra não parecesse ter notado. Ela seguiu o olhar da mulher para o funcionário. -- Ah, ele recebeu também? -- Ela olhou ao redor e percebeu não só os funcionários como os hóspedes com papéis iguais ao seu. A dançarina o exibiu para a moça a sua frente. -- Parece que estamos todos entretidos com o jogo novo do hotel. Uma baita jogada de marketing, se me perguntar. Eu sou super competitiva. Nunca ia querer sair daqui se eu fosse hóspede.