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Charlie apreciava a quietude e a solidão da madrugada, principalmente após enfrentar tanta dificuldade para manter uma noite tranquila e satisfatória de sono. Por isso, não era difícil encontrá-la caminhando ou acomodando-se em alguns dos ambientes comuns do hotel durante o horário no qual a maioria dos hóspedes encontrava-se em seus aposentos, aproveitando a falta de movimento no local para desfrutar da própria companhia, sem interrupções ou distrações. Ainda não se via muito atraída pelas dinâmicas propostas pela equipe do Pera Palace, desinteressada por enigmas que não a levariam a nada, então limitava-se a assistir aqueles que decidiam embarcar naquela aventura tão tarde da noite. Sentada na beira da piscina interna, mantinha os pés dentro da água aquecida, perguntando-se o tamanho do problema que arranjaria pra si caso decidisse acender um dos cigarros que carregava consigo ali. O pensamento foi interrompido pela chegada de muse, com quem trocou olhares antes de decidir quebrar o silêncio. ─── Posso te ajudar com algo? ─── Perguntou, arqueando uma das sobrancelhas, a sombra de um sorriso presente nos lábios. ─── Espero que não esteja aqui pra me acusar de ser a responsável pelo assassinato fictício. ─── Brincou sem muita emoção, apenas interessada no que muse tinha a dizer.
* 𓂃⠀ ⋆˚ ⠀⠀ Naquela manhã, para variar, Aslihan estava atrasada. E por conta disso, saiu tão apressadamente de seus aposentos no Pera Palace que não prestou atenção no papel que jazia no chão, aguardando para ser lido. Sua aula havia corrido normalmente, já estava se acostumando com os corredores da Universidade de Istambul, ainda que não tivesse certeza alguma do que gostaria de fazer. Ficar ali? Voltar a trabalhar em laboratórios? O que fazia com que as pessoas melhor lembrassem de seus talento científicos? Esse era o pensamento constante na mente da turca, e ela não tinha ideia de quando encontraria respostas.
Caminhava de volta para o hotel com várias pastas e papéis em uma mão, e um café na outra; não era muito fã do frio, e torcia para não deslizar na neve que fazia em Istambul naquele dia. Assim que finalmente entrou no hotel, deixou o cachecol de lado. Pediu para que um dos concierges a ajudasse, mas ele parecia concentrado demais em outra coisa. “Ahm… senhor, poderia me ajudar?”, o chamou outra vez, mas ele mantinha os olhos vidrados em um pedaço de papel, pedaço esse que parecia estar na mão de todos ali no saguão. Aproximando-se de muse, perguntou: “Com licença, o que é isso aí? O que está acontecendo?”, arqueou uma das sobrancelhas, e torceu para não ser ignorada novamente.
A manhã fria de Istambul era duplamente desanimadora para Kath. Normalmente, ela preferia o calor dos raios de luz a acordando pelas frestas da janela e não o frio que a perseguia até mesmo debaixo do grosso cobertor. Além disso, sua mente ia imediatamente para as crianças que provavelmente estariam sofrendo mais do que ela com aquele clima infeliz. Era aquele o motivo para ela estar ali, afinal. O pensamento a fez levantar da cama em um pulo. Kathleen tinha muito trabalho a fazer na gestão do projeto junto às crianças órfãs da cidade. Arrumou-se rapidamente, levando consigo uma bolsa com seu notebook e uma tonelada de papéis.
Estava se encaminhando para o Kubbeli Saloon quando pisou em um envelope dobrado na porta de seu quarto. Curiosa, abriu-o e o leu com atenção. O cenho franzido entregava a confusão diante ao conteúdo daquele envelope. Kath olhou para os lados, verificando se mais alguém naquele corredor havia recebido uma mensagem igual. Mais a frente, avistou muse que parecia ter um papel igual o de Kath em mãos. Logo ela se aproximou, torcendo para que a pessoa soubesse do que aquilo se tratava. - Com licença… Você recebeu um cartão também? Com um tipo de charada? - indagou muse, enquanto passava os olhos novamente pelas informações.