Cypress Hill incendeia Curitiba com show enérgico e reforça por que é uma das maiores forças do hip hop mundial
A apresentação aconteceu na última quinta-feira (19), na Live Curitiba
Na última quinta-feira (19), após um longo hiato de quase 20 anos, o Cypress Hill — um dos grupos mais influentes do hip hop — desembarcou em Curitiba pela segunda vez para se apresentar na Live Curitiba, diante de um público que acompanhou cada hit em uma performance potente.
Formado na Califórnia no final dos anos 80, o Cypress é pioneiro na fusão de ritmos latinos com o rap, servindo de referência para grandes nomes da música como Rage Against the Machine, Linkin Park, Wu-Tang Clan e Planet Hemp. Suas letras reforçam críticas ao sistema e um forte ativismo em prol da legalização da cannabis, da política e dos direitos dos imigrantes. A identidade latina é o cerne da banda: Sen Dog é cubano, enquanto B-Real é americano de ascendência cubana e mexicana.
Em 2026, os artistas B-Real, Sen Dog, Eric Bobo e DJ Lord chegaram ao palco com tudo. DJ Lord abriu o set assumindo o comando das picapes e demonstrando uma técnica absurda que deixou o público vidrado e aquecido. Assim que o restante da banda subiu ao palco, mostrou que o tempo manteve sua sinergia de química. B-Real segue com energia alta e voz característica, tão diferenciada quanto nos anos 80. Eric Bobo amadureceu ainda mais sua batida e técnica, transitando entre a bateria e a percussão para trazer ainda mais ritmo aos clássicos. Já Sen Dog, com suas rimas precisas, uniu o grave ao conjunto, criando o "casamento" perfeito que define o som do Cypress Hill.
O setlist foi um deleite para fãs de todas as gerações, com hinos históricos como “Insane in the Brain”, “(Rock) Superstar”, “Tequila Sunrise” e “When the Shit Goes Down”. O grupo ainda apresentou o novo single lançado em março, “Wacha Trucha”, e aproveitou o palco para anunciar que em maio lançará um álbum inteiramente em espanhol, reafirmando suas raízes latinas e expandindo ainda mais seu alcance global. Além disso, a banda levou a galera à loucura com covers de Rage Against the Machine e “Jump Around”, do House of Pain — música produzida por DJ Muggs, o arquiteto sonoro do Cypress."
Carismáticos e tecnicamente impecáveis, os membros do grupo provaram que o tempo só refinou sua potência. Foi mais do que um show; foi a entrega explosiva de uma espera de 20 anos que Curitiba não esquecerá tão cedo. Além da capital paranaense, eles passaram por Porto Alegre no dia 17 e agora seguem para São Paulo, onde se apresentam no Lollapalooza (dia 21) e na Audio (dia 22).
O grupo foi fundado em South Gate, Califórnia, e seu nome é uma referência direta à Avenida Cypress, local onde os membros cresceram.
A formação que sobe ao palco em 2026 mantém a base clássica com os fundadores B-Real e Sen Dog. Eles são acompanhados pelo percussionista Eric Bobo que, embora tenha ingressado em 1994, é um pilar fundamental da identidade sonora da banda. A principal mudança em relação ao quarteto original é a ausência de DJ Muggs, o gênio por trás das produções de estúdio; nas turnês, ele cede o lugar ao DJ Lord (também do Public Enemy), garantindo uma performance técnica de alto nível.
Em 1991, lançaram o álbum autointitulado Cypress Hill, que foi um sucesso imediato. O ápice comercial, porém, veio em 1993 com o lançamento de Black Sunday, que estreou em primeiro lugar na Billboard 200. É neste disco que reside o maior hino do grupo, "Insane in the Brain", faixa que cruzou as fronteiras do rap para as paradas de rock e alternativo, tornando-os presença constante em grandes festivais como o Lollapalooza.
Ao longo dos anos 2000, os músicos experimentaram intensamente com o Rap Rock (em álbuns como Skull & Bones). Colaboraram com artistas de diversos gêneros — de Pearl Jam a Slash —, consolidando-se como uma banda que transita com naturalidade entre os fãs de hip hop, metal e punk.
O Cypress Hill é um dos nomes mais politizados do gênero, com um ativismo que une pautas como a legalização da cannabis e a contracultura, à identidade latina, imigração e críticas à violência policial e ao racismo sistêmico — temas atemporais e ainda amplamente discutidos mundialmente, inclusive no Brasil.
A relevância do grupo é tamanha que, em 2019, tornaram-se o primeiro grupo de rap latino a ganhar uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, um reconhecimento ao legado de mais de 30 anos de carreira ininterrupta.