Eu não cheguei até aqui de repente.
E não, nem tudo foi ruim. Longe disso.
Foram muitos anos juntos.
Muito tempo de construção, de aprendizado, de afeto real. Você me proporcionou coisas que eu nunca imaginei viver. Oportunidades, experiências, cuidados que fizeram diferença na minha vida, e eu nunca vou apagar isso.
Mas, com o tempo, algo mudou.
Falou em terminar vezes demais.
E aos poucos, o que antes era brilho virou esforço.
O que era troca virou desgaste.
Conviver comigo nunca foi simples.
Minhas emoções são intensas, o borderline me atravessa, me bagunça, me faz explodir. E eu sei que isso também mexeu com você, potencializou dificuldades suas, criou travas. A gente virou gatilho um do outro.
Talvez você tenha se acomodado por ter alguém que cuida, que ama, que apoia. E talvez eu tenha aguentado mais do que podia, achando que amar era sustentar tudo solitária.
Mesmo nos meus piores momentos, quando a vontade de desaparecer existia, isso sempre me fez desejar sentir mais, experimentar mais.
Mas nos últimos anos, eu senti esse desejo se apagando aqui. À medida que você foi estacionando, o relacionamento foi perdendo cor. E eu fui ficando menor.
Eu quero ser amada em voz alta.
Não escondida, não diminuída, não tratada como algo que se guarda.
Quero alguém que compartilhe o amor sem vergonha.
Eu quero tudo o que um relacionamento pode ser.
As fotos tiradas sem motivo.
O “olha isso” que vira memória.
E eu percebi que, pra continuar aqui, eu precisei abrir mão disso, precisei diminuir desejos.
Me adaptar a um ritmo que não é o meu.
Continuar assim não está salvando nenhum de nós.
Só está prolongando algo que já se esgotou.
Eu não estou indo porque é fácil.
Eu estou indo porque é a decisão certa, pra mim e pra você.
E é com ela que precisamos terminar