a guilty conscience grows
Junhoe entrou no departamento de química, sentindo-se nervoso. Estava mais pálido e com mais olheiras que o comum. À princípio, quando ele encontrou aquele bilhete em sua mochila, não acreditou que o conteúdo dele fosse real. Como alguém poderia saber os seus segredos mais íntimos se aquilo era algo que ele não ousava contar nem mesmo para as paredes? Passou a noite inteira matutando sobre aquilo até que lembrou: seus diários, as provas mais concretas que pensamentos ruins habitavam sua mente mais vezes que o comum.
Olhou pela pequena vidraça de uma das portas; a sala estava cheia cheia de alunos, prestando atenção na aula de um professor barbudo. Não. Ali não. Caminhou mais pelo corredor e olhou de fininho pela fresta de outra porta; a sala, que na verdade era um belo de um laboratório, estava vazia a não ser por uma mochila. Perfeito! Seria ali, então, que ele faria o que lhe fora pedido.
Tinha pensado por muito tempo se faria aquilo ou não. Enquanto destruía os rastros de seus pensamentos macabros dos seus últimos 10 anos, tudo o que fazia era se perguntar se conseguiria incriminar alguém inocente. Algumas vozes em sua cabeça falavam para ele simplesmente esperar ser incriminado pelo autor do bilhete anônimo. Era melhor mesmo. O que mais ele tinha a perder? Talvez até a morte lhe chegasse mais rápido quando preso.
Entretanto, um último fio de esperança ainda o ligava a sua força de vontade e aquilo falou muito mais alto que qualquer outra voz dentro de si. Assim que amanheceu, ele colocou o frasco com as últimas pílulas para dormir que lhe restaram desde a última vez que tentara se matar e rumou para a universidade a procura de uma presa. E lá estava ele, prestes a dar o bote em alguém.
Colocar o frasco na mochila daquele estranho fora fácil. Difícil mesmo fora tomar coragem para sair dali, sabendo que provavelmente estava arruinando a vida de alguém. Quando ele fechou a porta do laboratório atrás de si, teve vontade de voltar atrás e corrigir seu erro. Porém, seus pés não se moviam. Seu corpo todo suava e sua cara demonstrava toda a culpa que ele sentia. Mas, era matar ou ser morto e, definitivamente, Junhoe desejava estar bem vivo naquele instante.









