Amber sentia a sua respiração extremamente acelerada, e termia que a amiga se machucasse mais ao tentar tirar as correntes da suas mãos. Ela franziu o cenho ao ouvir a descrição da amiga sobre o que e que tinha acontecido e a loira logo conseguiu ligar os pontos de todas aquelas palavras. Era óbvio o que havia acontecido, por mais que um lado da menina se negasse a acreditar que aquele tipo de coisa podia de fato acontecer, que aquele tipo de coisa era real. O estado psicológico dela, as marcas no seu corpo, a expressão facial esgotada e o corpo magro e sem saúde. Tudo, por mais obscuro que fosse, estava claro na mente de Amber – Ele te estuprou – ela disse simplesmente, não como se fosse uma pergunta, já que tudo era óbvio para a loira – Brad te estuprou – ela disse novamente, agora não olhando mais para a amiga. Olha para um ponto aleatório em todo aquele porão como se procurasse algum sentido para aquelas palavras juntas numa frase – Ele… – ela se levantou e olhou para os meninos, que estavam parados diante da porta – Ele estuprou… – ela disse de forma mais rasa e fraca, sentindo os seus olhos marejarem – A Becky – comprimiu os lábios e sentiu uma lágrima solitária escorrer pela sua bochecha, e ao perceber que a amiga estava prestes a vomitar, ela a acompanhou correndo em direção ao vaso e segurou os seus cabelos, nem se importando se aquela cena era mais nojenta ainda daquele jeito. Engoliu em seco quando viu a menina se levantar e agredir os dois, e naquele momento a cabeça de Amber não poderia estar mais confusa – Espera, como assim? O Andrew estava aqui, o tempo todo? Ele estuprou ele também!? – arregalou os olhos, respirando fundo e se sentando ao lado de Becky quando ela foi ao chão – A gente vai te tirar daqui – a loira olhou para Oliver, como se ordenasse que ele a tirasse dali naquele momento – Agora.
Logo quando Oliver chegou com as ferramentas, Jason suspirou de alívio, pois parte da sua mente estava sendo a mais pessimista possível - algo que o loiro raramente era - e ele imaginou que o amigo não acharia nada que pudesse salvá-la. Ele acenou com a cabeça ao ouvir as palavras dele e, ao perceber o desespero da amiga loira, ele simplesmente a puxou para que finalmente visse aquela cena. Enquanto Amber se aproximava de Becky e as suas tinham uma “conversa”, Jason permaneceu ao lado de Oliver, porém olhando fixamente para a garota violentada, que parecia ainda mais frágil agora com a presença de Amber. O loiro não sabia mais o que pensar, principalmente depois de tudo que ele havia se atrevido a dizer. Não conseguia imaginar a tamanha confusão que poderia estar tomando a cabeça de Rebecca, e nem ao menos a dor física que ela devia estar sentindo. Prestou atenção nas palavras dela e, devido ao estado mental em que Jason estava, ele não conseguiu ligar os pontos da mesma maneira que Amber, e só conseguiu compreender o que realmente havia acontecido ali quando a loira falou. Ele passou as mãos pelos cabelos e se virou de costas para as duas, engolindo em seco e sentindo os seus olhos lacrimejarem, com uma mistura de ódio mortal pelo ex-namorado de Becky e compaixão total pela amiga passando pela sua cabeça. Ele comprimiu os lábios antes de voltar a encará-las, e àquela altura, Becky já havia vomitado no vaso sanitário. Fechou os olhos ao sentir os golpes no seu peito, definitivamente não se importando com aquilo, porque, para efeito de conversa, Jason nunca tinha estado certo, pra começar. Engoliu em seco novamente e sentiu o no se formar em sua garganta novamente, se lembrando das palavras que Rebecca havia dito há alguns minutos sobre não precisar mais dele – Bom… Cara, eu… Eu vou esperar lá fora pra ninguém entrar, fala o que a Amber disse… Eu já… É – ele disse simplesmente, dando uma última olhada em Becky e bufando pesadamente, virando de costas e sentindo os olhos marejarem novamente, passando as mãos nos cabelos. Ao sair do porão, ele deixou a porta encostada e se largou contra a parede, permitindo que o seu corpo deslizasse até o chão e que ele repousasse ali sentado, agora não se importando mais em esconder a tamanha tristeza que sentia.
Oliver ficou analisando a cena de Becky e Amber conversando, mas tentava não prestar muita atenção naquilo, por mais que estivesse preocupado com Becky, outra coisa se passava na sua cabeça. Se ela estava como prisioneira naquele lugar, provavelmente alguém apareceria pra vê-la a qualquer momento, por isso ele não podia perder tempo e se concentrou em prestar a atenção nos tipos de cadeados e quais ele deveria usar quais tipo de coisa. Começando pelo de de sua perna ele reparou que era o mais forte de todo, mas o grampo não seria o bastante, ele precisaria soltar com o maçarico e aquilo poderia ser um pouco perigoso. Só parou de raciocinar quando ouvir a afirmação de Amber e por um momento ele congelou qualquer tipo de movimento que pudesse estar fazendo para entender o que acabara de ouvir. Estuprada. Ele ficou completamente em choque com aquela palavra. Não conseguia dizer absolutamente nada e pela reação do amigo, deduziu que ele havia ficado bem abalado com a notícia. Oliver ficou completamente arrasado também, só de imaginar o que ela deveria estar sentindo fez com que ele se sentisse inútil em qualquer tentativa de fazer com que ela se sentisse melhor. O menino sabia que tudo o que poderia fazer era apenas ajudar para que ela escapasse. De repente se assustou com a cena da menina começando a bater em si, mas ficou quieto, assim como Jason, sabia que o estado mental da garota não estava favorecendo aquilo. – Bom, eu acho melhor você não mexer muito sua perna, isso envolve fogo, e eu realmente não quero que você se queime – ele se sentou pegando a corrente envolvida no tornozelo da menina e acendeu o maçarico na parte de plástico do cadeado para que ele derretesse, o que não durou nem mesmo alguns segundos, logo depois, ele pegou a chave de fenda com a parte de ferro que também estava quente e começou a puxar a região, tendo ajuda do alicate também, possuía uma certa dificuldade com aquilo, mas depois de um tempo já estava solto e reparou bem que na verdade só precisaria soltar mais um cadeado, no caso o da mão, ele reparou que aquele era mais simples e precisava de duas chaves inglesas, era só pressionar as duas próximas as outras e torcer que o cadeado se abria, ele era de péssima qualidade.
Amber não era ingênua, sabia matar uma charada de primeira, aquilo era bom, pois Becky não sabia outra forma de transmitir em palavras o que havia acontecido. Não gostava de falar daquilo, já tinha uma agonia ao pensar naquele tipo de coisa, falar para os outros dava uma sensação extremamente péssima para a garota. Não queria reparar na reação dos outros, mas não pôde deixar de perceber que Jason nem parecia querer olhar para ela direito e Oliver, bem, até que tinha um bom controle mental. Mas Amber parecia completamente chocada com aquela situação, mas não era como se ela fosse a única também. Notou que agora Oliver tentaria tirar o cadeado de sua mão e a aproximação dele novamente a causou um tipo estranho de arrepio, mas ele estava apenas mexendo nas peças e em nenhum momento tocou o seu corpo, de certa forma aquilo deu uma sensação de alívio na loira. Ela fechou os olhos não se importando com o que ele fosse usar ali, só esperava que quando abrisse os olhos de novo estivesse livre daquele lugar. Ele cheirava a mofo, vomito e tudo o que poderia ser de ruim, ele trazia as lembranças ruins era como se ela não conseguisse se sentir bem só de pensar que aquele lugar pudesse existir, e existia, tanto que ela ainda estava presa neles. Quando abriu seus olhos novamente Oliver estava no segundo cadeado, e quando ele finalmente havia sido solto ela se levantou sentindo uma sensação de tremedeira por saber que poderia passar do limite que as correntes lhe davam, de alguma forma aquilo parecia ser aliviante para a garota. -- V-vamos sair logo daqui. E-eu não quero que ele faça nada com vocês. -- ela disse baixinho e sentindo mais vontade de chorar, não por felicidade, mas por emoção de finalmente sair daquele lugar horroroso. Ela começou a andar subindo as escadas, torcendo para que não se deparassem com o homem no momento que ela escapava. Ela parecia olhar para todos os cantos, até sua própria sombra ou os passos dos que estavam atrás de si a deixava assustada em algum momento, ela estava com os lábios semi-abertos e os olhos arregalados, parecia mais uma maluca pelos corredores, mas tudo devido a sua preocupação.











