Eu vou aproveitar que eu ‘tô brava pra vir terminar isso aqui ou então eu vou me acalmar e vou querer passar a mão na cabeça das madame, não seria a primeira vez.
Pois bem. Nem todos vocês sabem, mas eu acabei de terminar o ensino médio. Com isso, obviamente, algumas mudanças, o que inclui coisas da “vida adulta” que são muito novas para mim. Essa semana, eu fiquei duas horas dentro de um ônibus para conseguir arrumar alguns documentos, comecei a trabalhar, tive que aprender sobre um sistema médico inteiro e descobri que meu trabalho é muito mais importante e cheio de responsabilidade do que eu imaginava. Todos os dias dessa semana, eu cheguei em casa com o corpo inteiro ardendo de exaustão e quinta, o dia de maior movimento, eu cheguei a chorar de cansaço. Tudo isso, indo atrás do que eu quero. Vocês devem imaginar, vocês são quase todos mais velhos que eu, imagino que a maioria já passou pelo mesmo. E isso não é problema de vocês, eu sei, mas afetou minha atividade na central e minha vontade de ficar um pouquinho no computador, que seja, só para aceitar ficha e deixar o resto para o final de semana. Não deu.
E ai, na quarta, dia 10, eu precisei fazer um post na central. Vocês claramente viram, mas, caso não o fizeram, está aqui. Ele basicamente diz que eu estou sem tempo e que nós deveríamos votar em algo para dar um jeito nisso. Nós. Isso afeta a mim, principalmente, mas nós deveríamos pensar. Eu digo, ainda, que eu abri isso para votação para não receber hate. Dou três opções e, por fim, digo que não quero passar a central e que não queria ajuda porque tinha exemplos de que não dava certo. Eu peço desculpas por ser egoísta, nem devia.
Eu esperava que vocês compreendessem, sério, eu sempre fui tão compreensiva com vocês. Tem gente que me pede hiatus por um tempo que nem dá pra definir, eu dou. Pedem todo tipo de ajuda, eu faço o possível. Perguntam se tudo bem ficar um tempo fora, porque vão viajar ou trabalhar e eu digo que sim, que tudo bem, que eu vou ficar esperando vocês voltarem. Quando o tempo fica muito espaçado, eu ainda mando mensagem pra vocês, pergunto primeiro se está tudo bem, depois se vocês vão voltar. Sempre assim, me preocupando com as pessoas antes dos players. E eu só me sinto muito idiota por tratar vocês tão bem.
Hoje, quando eu finalmente tive tempo, eu abri a central e ninguém me perguntou se estava tudo bem ou se eu não abriria exceção sobre co-admin para players que eu conheça um pouco mais. Só tinha ask na inbox me ofendendo e querendo colocar minha saúde ou minha vida pessoal abaixo da minha responsabilidade como adm de um rp. Vocês tem noção do quanto isso é problemático? Somos pessoas acima de players e adm, gente. Tem pessoas atrás da tela, escrevendo, lendo, tentando se divertir apesar de tanto problema de toxidade que a gente vê na tag. Eu realmente achei que tinha atraído o melhor tipo de player. Quando fiquei tanto tempo sem receber reclamação ou ask hate, pensei que o problema da maioria dos haters é só a idade, a imaturidade. Afinal, de todos vocês, apenas duas são da minha idade, não tem ninguém mais novo que nós e a player mais velha ultrapassa os trinta anos.
Eu li um show de imaturidade, de falta de empatia e de respeito e não pude deixar de imaginar essas mesmas pessoas das asks recebendo um não na vida real. A imagem beira o ridículo.
Aliás, tinham dois players que queriam me ajudar e estavam disposto a fazê-lo. Depois que eu falei do hate, porém, e de como eu tinha desistido totalmente desse rp e dos players num geral, já que não dá para saber quem foi que mandou essas asks, eles nem quiseram mais também. Quem é que quer ficar num lugar onde as pessoas xingam a outra por causa de um jogo, né? Uma coisa que vocês tem que entender: é um jogo, nada mais. A gente ama nossos personagens, ama a história e se envolve, sim, mas não deixa de ser um jogo e a seriedade com que isso é levado não é saudável para ninguém, principalmente para quem vira alvo dos fanáticos contrariados.
Quando uma amiga soube, ela disse que as pessoas costumam não querer entender o que não faz parte de seu ciclo de convivência umbilical. Ela nunca teve mais razão.
É horrível acabar o rp assim, eu adorava ele, mas vocês, querendo-o tanto, ficarão sem ele. As fichas canons serão apagadas agora, enquanto as ocs serão apagadas amanhã de noite para vocês puderem guardar, se assim quiserem. A central estará indisponível em breve também, evitando possíveis novas centrais. Os poucos babacas acabaram com a diversão de todo mundo. Eu disse hoje de manhã e repito agora: não precisava.
Depois do tanto de ask filha da puta que mandaram, eu decidi que vou dar o rp pra quem quiser. Eu só consegui ver elas agora, aliás, não estava mentindo sobre não ter tempo. Quem quiser o rp, é só vir pedir no meu chat. Eu dou o e-mail e a senha. Só não deixo os canons porque eu não fiz eles sozinha, eu dou só o que eu fiz. Deixo claro que eu dei opções e eu abri isso pra conversa. Meu chat está vazio e a inbox cheia de asks anônimas que eu acho que não merecia, não. Ninguém precisava ser xingado, gente, a gente podia ter resolvido de um jeito muito melhor. Eu só peço para quem quiser a central, que queira mais pelo plot do próprio char porque dá muito trabalho, não é só o que é postado e atualizado na central. Eu ainda posso passar minhas ideias e deixar que as desenvolvam como quiserem, sabendo que sempre estarei a disposição. De novo, não precisava.
Amores, meus horários estão ficando cada vez mais apertados e a inbox cada vez mais lotada, assim como as coisas para atualizar na central. Por isso, eu preciso que vocês votem na enquete para que a gente possa decidir o que fazer sobre isso. Minha decisão será influenciada por vocês e pela enquete, mas, por favor, não se esqueçam que eu sou a maior afetada independente do que for escolhido. É meu horário, meu rp e eu abro mão de algumas coisas para ficar aqui na central. Não que eu não goste, muito pela contrário, mas mantenham isso em mente. Digo isso principalmente para não receber mensagens ruins na minha inbox, não é algo que eu gostaria de ler, ainda mais dando opções para vocês, as admins tem sua razão ao não fazê-lo. Com isso, eis as três opções:
Fechar a central por tempo indeterminado, permitindo a continuação das interações, mas não desenvolvendo o plot. Isto é, a central ficaria sozinha por um tempo, vocês ficariam à sua conta quanto interações. Não haveria activity check, plot drops e eventos. O plot ficaria estagnado e é com o que temos até agora que vocês poderiam desenvolver livremente o plot pessoal de cada um.
Manter a central, mas numa espécie de semi-hiatus. Eu entraria periodicamente, escreveria plot drops e eventos as vezes, assim como tentaria atualizar a central. Isso, porém, seria mais raro do que agora. De uma vez na semana para menos, assim como eu não me sentiria na obrigação de fazer nada disso. As interações também ficariam livres.
A terceira opção é fecharmos o rp de vez daqui algumas semanas, no início de fevereiro, mas desenvolvermos totalmente o plot do rp até lá. Ou seja, tudo o que eu tenho planejado será executado. Mas o que demoraria mais, será realizado de forma mais rápida, buscando terminar o rp e deixá-lo completo. Nessa opção, vocês poderão realizar suas interações com uma organização que nós podemos discutir se esta for a escolhida. Seriam postados os plots a cada um número pequeno de dias e a cada nova postagem, as demais interações seriam flashbacks, sinalizadas com o número ou título de cada plot drop. No IC, os plots seriam com datas mais espaçadas.
Eu sei que nenhuma das opções é a ideal, mas infelizmente meu tempo só tende a diminuir a partir de agora. Antes que seja perguntado, não pretendo passar a central para ninguém. Nós já temos bastante exemplos de que isso não dá certo. Pode parecer egoísta, mas essa é a primeira vez que eu me permito ser desde que o rp abriu, acho que é justo. Eu sinto muito por isso, espero que entendam.
NOME COMPLETO: Drako Noxsidus.
IDADE: 499 anos, aparenta 30.
DATA DE NASCIMENTO: 15 de janeiro de 1518.
ESPÉCIE: Híbrido de demônio e anjo.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Cuidador de animais.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
FACECLAIM: Casey Deidrick.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Uma criatura mista da imensa maldade demoníaca com a incrível pureza angelical, existe quem diz que tal composto é um pesado para ambos os lados. Tal cria não deveria existir de forma alguma, não deveria ser aceita uma hibridização tal como essa.
Não diferente do que deveria ser, sua história tem início com a morte de sua mãe. A lei dos anjos era bem clara, os mesmos não poderiam ter filhos com humanos, não poderiam se deixar levar pelas emoções. Se com um mortal, tal junção já era condenada, com o mal absoluto, com um demônio, o relacionamento já era fadado a ter um péssimo e trágico final. Sua progenitora fora caçada assim que todo o ocorrido chegou aos ouvidos de seus semelhantes no paraíso e não demorou para que um pequeno grupo de anjos descesse à Terra cumprir com a lei, a justiça, e acabar com a vida da mesma. Claramente aquele não era o único objetivo do grupo, que também desejava acabar com a existência do recém-nascido e de seu pai infernal, mas por felicidade do destino, os dois já não estavam mais presentes quando o assassinato ocorreu.
Se você é capaz de imaginar que o jovem Drako cresceu junto ao pai e aos demais demônios no inferno, errou. Seu pai, um demônio de alto escalão acabaria tendo o mesmo destino que sua amada, muito pouco tempo depois. Era claro o desapontamento dos dois lados, para com aquela cria, obviamente não deixariam que os progenitores do mesmo continuassem vivos. Assim como a sentença de morte da criança já estava dada assim que fora gerado. E assim deveria ser feito, mas Lúcifer pediu para que a aberração, como era chamado, fosse entregue à ele, para que apenas ele, pudesse decretar sua morte e fazê-la.
Os dedos do comandante do inferno estavam prontos para serem estalados e apagar todo e qualquer vestígio de Drako, porém não fora assim que as coisas aconteceram, os demônios que o tentaram matar e mataram Mamon, seu pai, foram aqueles que vivaram poeira, com o estalar dos dedos de Lúcifer. Naquele momento, o Diabo em si, havia adotado Drako como um de seus demônios e o criaria para comandar exércitos e mais exércitos infernais, assim como seu pai o fez desde tempos antigos.
E assim, séculos de puro treinamento e tortura se passaram e agora ele já comandava sua própria legião de demônios. Mas não se engane, ainda existia pureza em Drako, o fato de ser criado em meio ás criaturas mais tenebrosas que existem, ser tratado como um igual pela maioria, ou um superior, não acabava com o lado bom que existia em si. Claramente, ele não predominava, mas ainda estava ali, pronto para ser liberado a qualquer momento.
Guerra… Ai está algo que tal criatura deveria estar muito bem preparado e assim estava, pronto para liderar e aniquilar todos aqueles que estiverem contra ele. Sangue e morte fora assim que se passou quase todo o tempo da guerra. Ainda assim tudo poderia ter sido muito melhor, se ainda não existisse aquela faísca de bondade no coração de Drako, que decidiu por poupar muitos daqueles que não tinham culpa alguma no conflito, porém, fora por tal resguardo que acabou sendo apunhalado por toda sua legião. Demônios, ao verem que seu superior tem bondade em sua existência, acabam por não terem mais lealdade e muito pior que isso, desejam sua morte. E por mais que fosse forte para dar conta de todos aqueles, alguns por vez, era impossível para ele, conter toda uma legião contra si de uma só vez. Caindo ao chão, perecendo entre a montanha de corpos que o criou.
O híbrido acordou, do que parecia ser um sono qualquer, assim como em uma casa qualquer. Fora acolhido na casa de um ser celestial, ser que ele aprendeu a aniquilar, sempre que tivesse a chance, mas por algum motivo, não o fizera, se sentia fraco, com dores, mas não fazia ideia de como tudo aquilo havia acontecido, não tinha lembrança alguma. A última coisa que se lembra é de sair do Inferno para dar uma volta entre os mortais, depois disso, tudo ficou negro em sua mente, nada mais existia, apenas uma lacuna imensa e depois disso uma cama macia, em uma casa desconhecida, em um lugar ainda mais estranho para si.
Enfim, ali ele via uma chance para tentar mudar, nem que fosse um pouco, convivendo com alguém que deveria ser seu inimigo, mesmo que não por muito tempo, fizera despertar um tanto mais de seu lado bondoso, deixando, aos poucos toda aquela crueldade ir embora, tentando manter-se longe de Lúcifer e de seus seguidores, para que não acabasse voltando a fazer o que fazia antes.
Hoje trabalha como cuidador de animais. Na verdade o trabalho acaba sendo mais como um passatempo para Drako, que não tem tal necessidade, mas como não teria nada para fazer além de engordar e beber, passar o tempo com os animais pareceu-lhe uma ótima ideia.
Pode-se dizer que ele é um tanto quanto bipolar, depende muito de qual lado seu está falando mais alto, o demoníaco, que é bastante inconsequente, um pouco sarcástico e caótico, ou então o lado angelical, que é mais branco, calmo e cômico. Porém, na maior parte do tempo acaba sendo um misto de tudo isso, podendo ser classificado como uma pessoa muito tranquila, mas com um senso de humor bastante ácido. De qualquer forma, é alguém extremamente confiante, mas que não costuma confiar muito nas pessoas, muito menos em criaturas provindas do céu, já que aprendeu desde sempre que deveria evita-las, por mais que não consiga fazer isso com tanta facilidade, dado o fato de uma dessas criaturas o ter abrigado quando acordou sem memória.
NOME COMPLETO: Olivia Baldwin.
IDADE: 17 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 25 de janeiro de 2000.
ESPÉCIE: Humana.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Passeadora de cães.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Olivia Holt.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Olivia Baldwin sempre esteve fadada a ser uma pessoa pacata, com um nome pacato, vinda de uma família ainda mais pacata. Os cabelos loiros e olhos azuis nunca se destacaram na multidão. A garotinha foi levada a acreditar que seu sorriso e sua personalidade também não fossem lá grande coisa, já que eles nunca lhe conseguiram um picolé de graça no parque ou uma gracinha de um adulto que fosse.
Não que ela fosse autorizada a gozar de tais regalias infantis. Os pais, completamente devotos da abnegação, valorizavam o trabalho em favor da sociedade, concediam tudo de melhor aos outros, privando até mesmo a própria filha. Mas ela os amava mesmo assim. Porque era fácil aprender que o verdadeiro e mais puro significado de abnegar era aquele. Renunciar à tendência natural de uma criança, a dependência nos pais, para que estes pudessem oferecer mais de si mesmos ao mundo.
A infância da solitária garotinha — ter mais de um filho era sinônimo de menos tempo para se dedicar a trabalhos sociais — foi, assim como tudo sobre si até então, pacata. Recusando sorvetes, chocolates, brinquedos, horas no parquinho, castelos de areia, paparicos e atenção. Até abdicar do controle de seu próprio corpo, aos nove anos de idade.
Acidentes como aquele eram comuns em prédios abandonados. Oras, não era por isso que a maioria deles estava abandonada, afinal? Risco de desabamento? Os pais de Olivia morreram na hora. A garotinha pensou que também havia passado dessa para uma melhor ao conversar com um anjo chamado Louise. Estava errada. Aceitou a possessão angelical; não pelo egoísmo de querer viver, já que uma essência tão pura dentro de si facilmente curaria seus ferimentos e faria a dor parar; mas, sim, pela realização de que aquele ser divino precisava dela. Usaria de seu corpo para fazer o maior bem de todos: o bem vindo diretamente de Deus.
Aos nove anos, o corpo identificado como de Olivia Baldwin passou a ser do anjo Louise Louvain e a residir em Yareach.
Louise ajudou muitas pessoas. Protegeu várias outras. Cativou a todos. Tudo isso em sua primeira visita à Terra. O Arcanjo do Amor foi controlado pela inveja que sentia do outro anjo, pois nunca ele conseguira semear e colher tantos frutos bons. Movido pela raiva, ele se aproveitou do envolvimento indireto de Louise em um suicídio. Para o morto em questão, o ato era sinônimo de sua libertação de uma possessão demoníaca. Porém, homens mortos não contam histórias.
O anjo teve suas asas arrancadas e foi expulso do céu. A essência de Louise não pôde suportar tamanha dor. Não aguentava olhar nos olhos de cada pessoa que estava ajudando, sabendo que não podia mais fazer nada por eles. Era uma Caída. E não havia lugar para uma Caída em um lugar como Yareach, um lugar para almas torturadas em busca de ajuda.
Por isso, um passo de cada vez, Louise deixou a cidade.
Olivia Baldwin acordou no meio de uma guerra e com dois cortes longos e quase completamente cicatrizados nas costas. Ferimentos que ela não fazia ideia de como havia conseguido. A última coisa da qual se lembrava era permitir que um anjo tomasse controle de seu corpo. O anjo não havia a abandonado, a garotinha ainda conseguia sentia sua presença, sua essência, por mais que muito, muito fraca. O que teria acontecido para que ela, um mero ser humano, conseguisse assumir o controle de um corpo habitado por uma alma divina? Ela descobriria. Isso é, se sobrevivesse.
Para uma humana de dez anos, Olivia durou bastante. Não foi tão difícil, considerando que foi abrigada por um pequeno grupo de caçadores. Eram boas pessoas, apesar da loira não compartilhar do ódio para com o sobrenatural. Quem era Olivia para ter alguma opinião, afinal? A Baldwin tinha um anjo dentro de si. Ou, pelo menos, o que restara de um anjo. E um grande espaço em branco em sua mente, onde sua vida havia sido vivida por outra pessoa.
Se Olivia iria proteger o que restava da essência daquele anjo, como prometera a si mesma, precisava aprender a usar seu corpo a seu favor em uma situação de ataque. Entre treinos, fugas e aniversários, as memórias começaram a vir. No começo, confusas, nebulosas e rápidas. Com o tempo, era como se o cérebro da garota fosse uma televisão; e suas próprias memórias eram os programas.
Havia aprendido muito sobre a vida que Louise havia vivido. Todo o bem que havia feito, cada sorriso caloroso, cada abraço apertado e cada gota de amor espalhada por Yareach. Por que, considerando tudo isso, o anjo estava preso dentro daquele corpo, reduzido quase a nada? Foi quando Olivia assistiu uma memória que continha o Arcanjo do Amor. E finalmente aprendeu sobre aqueles ferimentos em suas costas, completamente cicatrizados depois de quase sete anos.
O mundo explodiu quando Olivia Baldwin, uma garota de dezessete anos, decidiu que mataria um Arcanjo.
Sem surpresa alguma, foi como se nada tivesse mudado. Olivia ainda possui alguma noção do treinamento de caçadora e todas as memórias de Louise que conseguiu reunir durante os anos. A garota sabe que existem muitos e muitos episódios a mais para que o seriado de sua própria vida chegue ao fim.
“Não tenho família”, era o que diria a todos. “Vim para Yareach em busca de novos ares”, era o que diria a todos. Não era totalmente mentira. Talvez o sentimento de, teoricamente, estar em um lugar familiar, fizesse Louise revelar mais sobre sua vida e, principalmente, mais sobre o Arcanjo do Amor. Aquele ainda era o objetivo, afinal. A decisão. Matar o Arcanjo, mesmo que aquilo lhe custasse a própria vida. Abnegação destrutiva, era esse o efeito que a dor de perder as asas de Louise havia causado em Olivia.
Nada foi fácil, no entanto. O que estava pensando? Tinha dezessete anos, era uma criança. Conseguiu alguns trocados nos primeiros dias. Mal dariam para sobreviver por um mês, que dirá conseguir um teto para morar. Bom, pelo menos Olivia tinha um chão. Vários chãos. O asfalto, o banco da praça, a calçada da casa de alguém. Foi resgatada por Jackson Howard e, depois de uma inicial recusa, aceitou morar com o homem.
A analogia perfeita é dizer que a personalidade de Olivia é um espelho da personalidade de seus pais. Três fases de um espelho, na verdade. Quando novo, um espelho reflete exatamente a imagem que se coloca à sua frente. Assim é Olivia. Bondosa, pacata e sempre com um “não, obrigada, não preciso de nada” na ponta da língua. Um espelho trincado prejudica o reflexo perfeito, mas quem foi que disse que o perfeito é…bom, perfeito? Louise é o espelho trincado. Não o reflexo perfeito dos pais de Olivia, mas bom o suficiente. Não bom demais. O espelho trincado é o espelho do qual a Baldwin mais gosta. Se Olivia teve um desejo egoísta em sua vida até agora, foi o de ter vivido todas as memórias boas que pertencem a Louise.
Já um espelho quebrado… Bom, espelhos quebrados prejudicam completamente o reflexo, preso entre as inúmeras rachaduras. Em alguns casos, os cacos se desprendem um do outro e nem ao menos existe um reflexo. Olivia deseja desesperadamente por liberdade. Não a sua, porém. A de Louise. Acredita firmemente que a essência do anjo se renovará, caso faça o Arcanjo do Amor pagar. Custe o que custar. Destruindo não qualquer reflexo que seja, mas o seu. Especificamente e exclusivamente o seu. Abnegação paradoxal. Morrer para libertar um anjo de um destino de sofrimento; mas, ao mesmo tempo, abandonar todas as pessoas para as quais seria possível oferecer um pouco de si.
NOME COMPLETO: Kisa Walls.
IDADE: 23 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 5 de novembro de 1994.
ESPÉCIE: Híbrido de elfo com humano.
REINO: Nenhum.
OCUPAÇÃO: Dona de uma floricultura.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Holliday Grainger.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
A vida da pequena e adorável Kisa sempre foi cercada por amor. Filha de dois religiosos, sendo um deles ex-padre, a menina não podia ser diferente. Desde bem pequena, ia a cultos todos os domingos, rezava diariamente, clamava por perdão. A criança amava a igreja e não tinha vergonha de pregar a palavra de seu Deus onde quer que estivesse. Vivia escutando coisas maldosas sobre o fanatismo religioso dos Walls, porém, não se importava o suficiente para incomodar-se com aquilo. Durante toda sua infância, não teve um amigo sequer, afinal, ninguém suportava falar apenas sobre a igreja – único assunto que era relevante aos olhos da garotinha. Crescendo sem nenhum tipo de companhia, Kisa se apegou ainda mais aos pais e à igreja, e não, ela não se importava em ter algo além daquilo, para ela, não havia mais nada que precisava para ser feliz.
Um dia, porém, o pai chegara bêbado em casa. A mãe estava na igreja, ajudando com a decoração, já que o Natal se aproximava. Num primeiro momento, a garotinha, com seus nove anos, não entendeu porque o pai parecia não conseguir ficar em pé, afinal, nunca havia presenciado nenhuma cena sequer parecida com aquela. E quando perguntou, a única coisa que obteve em resposta foi um soco. E depois mais um. E outro. E outro. E um chute. E mais um soco. E o homem gritava, chamava-a de aberração, puxava sua orelha (que apesar de diferente, adoravelmente pontuda como nenhuma outra fora vista pela família, nunca havia incomodado a garota, que estava feliz com as feições que Deus lhe dera) parecia odiá-la de uma maneira que a pequena e inocente Kisa simplesmente não entendia. Queria saber o que tinha feito de errado, queria pedir perdão ao pai, apesar de não compreender os motivos daquele surto. Mas não podia, porque o pai continuou batendo na pequena Walls até que ela caísse desacordada.
Por mais alguns anos, o ódio nos olhos do homem não passaram. Mesmo nos momentos em que estava sóbrio, o Walls olhava para a filha com nojo, incapaz de amá-la cera capaz. Os pais nunca falavam nada, mas ela sabia que havia algo de errado. E só pôde se acostumar a ser ignorada e rejeitada, mantendo-se em seu quarto boa parte do tempo, na esperança de deixar a situação menos pior, fazendo de tudo para deixar os pais felizes, embora visse que aquilo de nada adiantava. Kisa não era mais querida por aqueles que mais amava. E sua mãe, embora parecesse se sentir culpada, nunca abriu a boca para interromper o marido, ou explicar para a jovem o porquê de tudo aquilo.
Até os 16 anos ela suportou tudo aquilo dentro de casa, continuou frequentando a igreja, continuou falando com seus pouquíssimos amigos. Até que recebeu um telefonema. O ônibus que os pais e os vizinhos alugavam mensalmente para ir até o retiro da igreja havia capotado e estavam todos mortos. Seus pais haviam partido. Será que estavam com Deus? Kisa não sabia, mas rezava todos os dias para que um dia encontrasse-os novamente. A adolescente caiu em uma depressão profunda agora que se via sozinha: começou a cortar a própria pele, escrevia o nome de Deus e de seu filho, Jesus, com a lâmina mais afiada que possuía. Derramava seu sangue assim como Jesus havia derrubado o sangue para salvá-la. As cicatrizes profundas eram escondidas com mangas compridas dos vestidos fechados - e talvez antiquados demais - que usava.
Não demorou muito para que se tornasse ainda mais obcecada pela religião, chegando a pontos absurdos de fanatismo. Em pouco tempo, passou a alucinar, mas nunca chegou perto de procurar ajuda médica. Afinal, sabia que por ser menor de idade, acabaria indo parar em um orfanato, e não gostava da ideia de ir parar em outra família. Além disso, seu fanatismo a fazia acreditar que suas visões eram presentes de Deus, que tentava manter intacta sua fé. Kisa quase não saía de casa, seu único interesse era a igreja. Seus únicos prazeres eram relacionados ao cristianismo e sua fé.
Em uma das vezes em que fora à igreja, escutou um fiel falando sobre uma cidade que desafiava as histórias bíblicas. O nome do lugar era Yareach e lá viviam seres sobrenaturais, alguns criados por Deus, e outros não. Era uma lenda e ninguém tinha coragem de desmenti-la. Os meses se passaram enquanto Kisa se via cada vez mais perdida em suas visões. Já não se sentia mais humana, não se sentia mais normal, até decidir por fim buscar respostas para o que acontecia com sua cabeça. Naquela altura, ela sabia que não precisava mais de ajuda médica, e portanto, passou a buscar a cidade “encantada”. Ao atingir a maioridade, a jovem encontrou por fim a cidade que já estava pensando ser apenas uma lenda, e sem pensar duas vezes, Kisa vendeu a casa de seus pais, antes de viajar, decidida a mudar-se com uma única mala para Yareach.
Fazia uma semana que Kisa havia chegado à cidade quando os primeiros grupos de bestas invadiram a mesma, pouco se importando com o que estava à sua frente. Ela viu de longe vampiros cravando os dentes nos pescoços de sua espécie e sugando todo o seu sangue, viu os lobisomens tomarem a verdadeira forma e devorarem os humanos, viu as asas das fadas serem arrancadas de seus corpos, e diante àquela chacina, sem temer chamar a atenção daquelas criaturas, um grito de desespero ecoou de sua garganta. Obviamente o grito não faria a guerra terminar, mas foi sua única reação. Naquele momento, um dos vampiros correu na sua direção, mas fora barrado por um dos elfos que lutavam nas proximidades. Com a espada em mãos, ele arrancara a cabeça da besta, antes de virar-se coberto de sangue para a loira. A cena fez a cabeça de Kisa girar, e confusa demais com o que havia acabado de ver, sem saber se não se passavam de visões ou da mais pura realidade, a jovem caiu de joelhos, com os olhos fixos naquele que parecia ser um anjo. O elfo, que franziu o cenho, descontente com o fato de ter sido visto por ela, franziu o cenho, e essa foi a última cena que Kisa viu.
Ao chegar na cidade de Yareach, Kisa acordou no banco da rodoviária. Não se lembrava de ter chegado ali, mas ficara feliz por tê-lo feito. E apesar de logo ter sido tomada por uma breve revolta ao se dar conta de que sua mala havia sido furtada, já que não estava mais consigo, respirou fundo e seguiu seu caminho. Pelo menos sua carteira havia sido poupada, e era ali que estava o que mais lhe importava: suas únicas finanças.
Após sua primeira e única noite em um dos poucos hotéis da cidade, a moça se prontificou a comprar uma pequena casa mobiliada com o dinheiro que juntou ao vender o que antes pertencia a seus pais, onde vive há cinco anos. No quintal dos fundos, criou uma pequena horta, onde planta suas próprias verduras, além de flores, ambos que colhe para vender na cidade e na pequena barraca que montou na floresta, em frente à capela que toma conta, tirando dali sua renda.
Kisa se mostra sempre interessada em tudo, e em todos. Está sempre observando cada movimento de cada pessoa, curiosa como uma criança, já que não são poucas as coisas que lhe enche os olhos grandes e azuis. É naturalmente calma, tímida e gentil, independente de quem seja, estando sempre disposta a ajudar. Com sua alma pura, mantém suas práticas religiosas diárias: reza, lê a bíblia, fala com quem puder sobre fé e amor ao próximo. Acha completamente estranho não ter padre ou uma igreja grande e bonita na cidade e por isso, frequentemente visita a pequena capela abandonada na floresta, essa que cuida como se fosse sua própria casa: livrando-a da flora que a invade e aos poucos, fazendo pequenas, mas significativas reformas com suas próprias mãos, e a tornando a pequena igreja ainda fechada, cada vez mais habitável.
NOME COMPLETO: Christian Skov.
IDADE: 21 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 29 de fevereiro de 1996.
ESPÉCIE: Metamorfo.
REINO: Nenhum.
OCUPAÇÃO: Estudante de ciência criminal.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
FACECLAIM: Paul Craddock.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Nascido Arthur Müller, teve uma infância infestada de traumas e problemas, desde pequeno sofrendo com o abuso dos pais, este escondido pela casa de cerca branca na vizinhança pacata, o pai, um alcoólatra que se dizia altamente funcional e a mãe, viciada em calmantes e com sérios problemas de controle de raiva, abençoaram o único filho com muito pouco controle sobre si mesmo e suas ações, com impulsividade e muita raiva reprimida desde o início de sua vida. Ele cresceu naquela casa de subúrbio, com mangas compridas sempre fazendo parte de suas vestes, pois poucas eram as vezes que sua pele estava num estado que podia ficar exposta.
Na escola ele era o garoto estranho, e se já não fosse suficiente em casa, ainda tinha que lidar com os garotos da escola que simplesmente adotaram-no como saco de pancadas oficial, o garoto com medo demais de abrir a boca, com medo demais de fazer qualquer tipo de reclamação, pois ele acreditava que aquilo tudo voltaria para ele três vezes pior. Introvertido por ocasião ele era uma criança reclusa, que mais passava seu tempo se escondendo e observando os outros de longe, treinava suas habilidades de metamorfo longe dos pais, que queriam recomeçar naquele bairro predominantemente humano, e não deixariam sua farsa cair por terra só porque Arthur queria aprender mais do poder que tinha, seria mais fácil para eles fingirem serem humanos se o garoto nunca usasse de seus dons.
Já sem muito controle de impulsos, e uma falta de moral estabelecida do início da infância decorada por medo e aflição, ele foi movido pela vontade de escapar de sua realidade atual e pela inveja de seu único amigo naquela escola, que para ele tinha a vida perfeita. Christian Skov, tinha a mesma idade que ele, se dava bem com todo mundo na classe e não recebia nenhum tipo de implicância dos valentões locais, podia usar meia mangas e bermudas porque ele nunca tinha sequer um hematoma ou cicatriz para esconder, ria com facilidade e os pais apareciam em todas as apresentações escolares com sorrisos encorajadores.
E foi nessa onda de impulsividade e inveja que ele acertou a cabeça de Christian Skov contra uma pedra na margem de um lago na vizinhança dos garotos. Ele tinha onze anos, mas uma força maior do que todos os outros garotos de sua escola, culpa de ser um metamorfo, ele tinha sangue nas mãos e o desespero correndo em suas veias, enquanto se lembrava de todos aqueles programas policiais que assistia quando o pai estava trabalhando e a mãe dopada demais com seus calmantes para sair da cama. Ele encheu os bolsos de Christian com pedras, e o arrastou até o lago, mas não antes de se tornar a imagem exata do outro garoto.
Ele não foi para a sua casa imediatamente, não, ele foi para a residência dos Skov, com uma mentira pronta de como ele escorregou e caiu dentro do lado quando estava lá com Arthur Müller, distraído com a situação ele notou que Arthur havia ido embora, ou sumido, e resolveu voltar para casa mais cedo. Depois de um sorriso tranquilo de sua “mãe” ele foi para um banho impressionado com o fato de não ter ganhado um olho roxo por ter sujado a entrada da casa.
Ele descobriu que o treinamento escondido e incessante quando era trancado em seu quarto havia pagado bem, quando ele se via cada vez mais e mais confortável na forma de Christian Skov, os maneirismos que ele havia prestado tanta atenção por pura admiração ao garoto, ele não demorou muito para descobrir que a família que havia roubado para si se constituir em sua maioria de caçadores, com exceções aos pais. No entanto, mesmo vivendo sob o medo de ser descoberto e o pior acontecendo, ele ainda não conseguia sentir arrependimento algum ou até remorso por o que ele havia feito.
Tinha quinze anos quando o maior conflito aconteceu, já há quase quatro anos vivendo sob a farsa que era Christian, com comportamento extremamente evasivo e paranoia extrema, ainda assim era novo demais para conseguir manter a mentira por tanto tempo, estava sobrevivendo por pura sorte naquela história, e então chegou o dia que ele escorregou, ele deixou algo escapar, os “pais” que apesarem de não serem tão bons em reconhecimento quanto os tios, na verdade, nada bons a ponto de terem um metamorfo sob seu teto por quatro anos sem se tocarem do fato. O pai, senhor Skov, demorou apenas o tempo de encontrar sua arma e as balas de prata para que Arthur escapasse pela janela do quarto, mas foi pego antes de chegar no fim da rua, com uma bala na nuca e se transformando de volta em sua forma original.
Quando retornou, por um erro dos Shofet não era mais Arthur Müller, ainda tinha suas memórias originais, ainda se lembrava da vida que teve na residência dos Müller, mas não era mais assim, acordou na sua forma original pela mãe roubada abrindo a porta de seu quarto, o avisando que estava atrasado para escola, ela não reagiu de forma alguma além de um olhar preocupado perguntando se ele se sentia bem depois de analisar sua expressão. Ele tentou ao máximo tentar entender o que estava acontecendo, mas ao se olhar por tempo demais no espelho do banheiro e depois de observar fotos de infância que ele nunca imaginou que um dia poderiam existir na sala dos Skov, ele começou aceitou que a sua farsa havia de alguma forma se tornado realidade.
No entanto, apesar de estar tendo a vida que queria, a vida que literalmente matou para conseguir, ele não estava mais conseguindo lidar com essas coisas, mesmo sendo oficialmente Christian Skov e sendo tratado como Christian Skov, ele voltou a ficar mais recluso na escola pela falta de confiança em seus colegas de classe, e mal conseguia olhar para os pais durante os jantares em família, quando estava em casa ficava trancado em seu quarto tentando fazer algum sentido daquela bagunça, e quando saía ficava o máximo de tempo possível fora. Dessa vez não querendo voltar para a casa por não conseguir achar que ia se manter são por muito tempo quando ainda tinha memórias tão claras de outros pais e uma infância de abusos.
Na primeira oportunidade que teve, saiu de casa indo para a universidade de Yareach, se afastar dos pais havia sido uma de suas melhores escolhas, por não estar conseguindo mais aguentar aquela casa e as suas memórias, buscando ficar o mais longe o possível do que havia feito no passado, mentalmente falando.
Cercado de traumas e medos, Christian é uma pessoa que mal consegue viver dentro de sua própria cabeça. Assustando-se com fácil e levemente paranoico, bem como o tipo de pessoa que não consegue fazer o percurso simples do apartamento para a universidade sem olhar por cima do ombro no mínimo cinco vezes, ele tenta se entender, quem ele realmente é e o que ele realmente quer enquanto enquanto procura não se auto destruir por completo com a dualidade e os conflitos dentro de sua cabeça. Como esperado, é muito bom em enganar e tomar uma pose que nem mesmo sabe se é sua própria ou algo que ele aprendeu com o tempo, de alguém mais animado e extrovertido. Ainda se mantém nos opostos entre se trancar em seu apartamento por um dia inteiro, ou sair e só voltar quando o sol nasce, apesar de tentar não perder sua mente, a falha é um tanto quanto notável quando ele está sozinho e nem mesmo sabe como agir em diversas situações, pois não sabe quais das reações ele deveria realmente tomar em diversas situações.
NOME COMPLETO: Delilah Vanger.
IDADE: 350 anos, aparente 34.
DATA DE NASCIMENTO: 28 de setembro de 1640.
ESPÉCIE: Anjo caído.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Detetive.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Katie McGrath.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Desde os primórdios da Terra a vida é vista como uma luta de poderes e interesses. Quem nunca ouviu a história de Samael? Lucifer? Caim e Abel? Desde que Ele começou a brincar de barbie com a humanidade, uma grande onda de pecados e regras foram postas no tabuleiro. Porque, no final das contas, era isso que a vida era: um jogo. E o livre arbítrio era o prêmio para o vencedor. E aí as coisas começaram a desandar, porque a fome por poder foi crescendo dentro do homem juntamente com o seu medo pelo desconhecido e sua ideia de propriedade – propriedade essa, tanto de bens materiais, como de pessoas.
Os homens, de pouco em pouco, foram percebendo a imensidade à sua volta, os fatos estranhos que ninguém conseguia explicar; e assim foram criando dúvidas, criando fé. Não estavam sozinhos nesse mundo, e de alguma forma podiam sentir isso. Consequentemente nasceram pensamentos que ajudavam a doutrinar os outros. Estava criada assim a religião. Talvez eles não fossem tão fracos como os outros seres pensavam, e por isso eram tão especiais para Deus.
O ano era 1670 e a Suécia estava em um verdadeiro caos. Ninguém imaginava que a nação mais evoluída e pacífica, de acordo com os livros, poderia ser tão cruel. Estocolmo estava em uma caça insaciável por bruxas de todo o país. Parteiras, curandeiras e até mesmo amas inocentes eram decapitadas e queimadas acusadas de bruxaria em Norrland. Foi neste momento que Ele decidiu agir, mandando para a Terra um de seus anjos mais novos, que estava pronto para lidar com os homens do seu tempo.
Seu nome era Delilah, e seu poder era passar de corpo em corpo para poder influenciar pessoas, fazê-las abrir seu coração e enxergarem aquilo que não enxergavam. Delilah era responsável por invadir a mente dos mortais, fazendo com que esses dessem recados, tomassem escolhas e tivessem aquilo que, para eles, chamavam de intuição. Era um verdadeiro anjo da guarda como os religiosos acreditam. Sua missão aqui na Terra era auxiliar nas escolhas dos homens durante a caça às bruxas, em todo o canto do mundo. Mas Estocolmo foi o primeiro lugar que ela conheceu de verdade. Foi ali onde sua “carreira” começou, onde teve a chance de provar para Deus que era capaz de vagar no mundo dos homens, conhecer seus mais profundos desejos e usá-los para manipulá-los ao seu favor.
Em poucos anos, Delilah se mostrou uma serva leal e competente, que levou vários homens à crença de algo divino entre eles. Foi responsável por ajudar diversas pessoas, guiando-as àquilo que não conheciam e ensinando aquilo que achavam impossível aprender. Seu poder de influência era tão grande que, quando menos percebeu, estava no mundo todo o tempo todo.
Sinceramente? Para alguém que estava no meio de tanta gente, seu trabalho parecia bastante solitário. Nunca houve nenhuma regra a proibindo de viver com eles, fingir ser um deles durante bastante tempo. Mas, de certo modo, era mais fácil. Delilah tinha muito medo de acabar se apegando, acabar tratando-os como seres imortais, desejando fazer parte de suas vidas como uma amiga. Ainda mais porque passava a maior parte de sua existência em corpos femininos, conhecia seus desejos, seus anseios, suas inseguranças. Com tanta experiência, queria mostrar para elas que nenhuma dessas superficialidades realmente importavam, e que no final o único ponto era acabar a vida sabendo que essa foi como um livro: não importava o quão longo, mas o quão bom ele havia sido. Mas Delilah não tinha todo esse tempo.
Tempo. Essa era a palavra. A eternidade é muito tempo, e talvez nem mesmo todos os anjos conseguissem segurar sua divindade por muito tempo. E é como dizem: ou você morre herói, ou vive o suficiente para se tornar vilão. Talvez ela não deveria ter tido tanto tempo, pois foi ele que a fez enxergar o que realmente acontecia ali.
Foram dois séculos e mais algumas décadas seguindo-O ao seu lado, sem questionar, sem duvidar de sua bondade, admirando-O e gloriando-O por todo seu amor e coragem. Deus pareceu, durante toda a sua jornada, o ser mais iluminado de todos, capaz de iluminar até mesmo a alma mais obscura do universo. Até que ela começou a perceber que Ele era apenas mais um dos homens com os quais ela havia vivido: um verdadeiro babaca egocêntrico que não gosta de sujar as mãos.
Aos poucos percebeu que era tudo uma ilusão, tudo uma mentira, e que era apenas mais uma peça no Seu jogo. Crianças inocentes continuavam morrendo, pessoas passavam fome e sofriam de doenças que nem conheciam os nomes. Guerras eram criadas em seu nome. E o que Ele fazia? Que tipo de harmonia isso trazia? Qual era sua desculpa? Deus era uma fraude, porque além de ser ruim, era covarde o suficiente para mandar os outros fazerem seu trabalho sujo.
Mas quando Delilah caiu em si, era tarde demais. A essa altura havia feito uma mulher matar sua própria filha que havia nascido doente. Fez com que essa escolhesse entregar a Deus, acreditar que sua prole iria seguir para os céus, descansar em paz. Era como se Ele sussurrasse no ouvido de Delilah da maneira como ela sussurrava no dos outros. E por mais que tentasse sair de toda aquela vulnerabilidade, ainda pairava algo em sua mente – a culpa.
Quando você toma a decisão de algo e as consequências caem em cima de você, ainda é fácil suportar. Mas quando a reação de seus atos cai sobre a vida de alguém, aí não tem ninguém em sã consciência que consiga aguentar. Seu coração estava partido, sua alma despedaçada, e seu sangue fervendo de ódio. E nesse colapso de tempo e espaço, nesse pequeno momento onde tudo aconteceu de repente, teve uma certeza em sua vida: Nenhum homem, seja ele quem for, a influenciaria a ponto de cegá-la. Nem mesmo Deus. Aliás, muito menos Ele.
Os boatos que corriam pelos reinos fada eram que Delilah havia sido expulsa do céu e condenada a viver com a humanidade. Mas eles não estavam certos. Ela saiu do paraíso porque quis. Não porque rejeitava seus irmãos ou rejeitava sua própria existência – estava longe de ser uma portadora de luz revoltada com o Pai. Embora amasse aquele lugar e tivesse lindas memórias ali, não podia mais viver onde tudo era baseado em mentiras. Decidiu, assim, que viveria na Terra, entre os homens. Continuaria guiando-os. Mas agora, da maneira que acreditava ser correta: provando que Ele não passava de um cafetão barato e oportunista. Não era tudo sobre livre arbítrio? Então que assim fosse.
Passou a trabalhar como informante de diferentes tipos de espécie. Não existiam segredos caros o bastante que a fizessem ficar quieta. Numa guerra de todos contra todos, ninguém é tão forte que não possa morrer, nem tão fraco que não possa matar; Delilah apenas explorava isso. Queria uma guerra, uma revolução. Queria os mundos se revoltando e mirando para apenas um culpado: Deus.
Contudo, quando a Guerra começou a acontecer, as coisas saíram de seu controle. Não fora ela quem começara tudo isso, mas sentia que tinha parte sua em cada desavença e quebra de aliança. Não era isso o que queria: o mundo humano estava, indiretamente, sofrendo todas as consequências da Guerra; as fadas estavam ficando fracas, as águas secando, o inferno congelando. E Ele continuava ali, intacto, como se nada disso fosse culpa Sua.
A pior parte, porém, é que tudo tem um preço, e o preço de não ter lados, de trabalhar para todos ao mesmo tempo, é que em algum momento eles descobrem e vão atrás de você. E Delilah passou a se ver em uma emboscada que ela mesma armou, onde vários soldados, de diversos reinos, de diversas espécies, estavam atrás dela. Era isso que Você queria, não era?
De alguma forma que ela não podia explicar, todas as castas de seres celestiais conseguiam encontra-la pelo seu cheiro. Mas não esse cheiro que os humanos estão acostumados. Eles farejavam seu medo e, acima de tudo, sua culpa. Quanto pior Delilah se sentia, mais fácil poderiam localizá-la. O único pensamento que lhe ocorreu naquele momento, então, foi fazer o que sempre fez melhor: passar de um corpo para o outro até que conseguisse achar uma forma melhor de se esconder ou ficar mais forte e encarar seu destino.
Passou a maior parte da guerra como uma parasita, sem escrúpulos da hora de parar. Tudo aquilo que acreditava e lutava acabou deixando de lado. Não existem ideologias quando seu único instinto é sobreviver, e era aquilo que ela estava fazendo naquele momento: sobrevivendo. Por enquanto.
Um dia, em sua jornada escapando de milhares de combatentes, chegou até Estocolmo mais uma vez. Suécia, onde tudo tinha começado. Seu objetivo era achar alguém para que pudesse trocar de corpo e se camuflar entre os moradores de Gamla Stan. Sua primeira vítima no lugar foi uma mulher de pele bem clara e olhos estranhamente azuis. Sua primeira e última vítima.
O espaço de tempo que Delilah trocava de matéria era curto, por volta de uma semana assumia outra forma e deixava a antiga para trás. No entanto, algo havia mudado. Delilah estava presa naquele pedaço de carne e não conseguia sair. Ela estava sem seus poderes. E somente uma ‘pessoa’ poderia ter feito aquilo. Son of a bitch.
Sem seus poderes, era impossível sobreviver por muito tempo, pois em algum momento, quando menos esperasse, eles viriam atrás dela e nem Deus sabe o que poderiam fazer. Se ainda tivesse seus contatos, se ainda fosse amiga das fadas, talvez elas pudessem ajudá-la a entender o que estava acontecendo. Mas ninguém em nenhum reino ainda queria vê-la. Foi quando se lembrou da bruxa Brita, que forjou sua morte diversas vezes para poder continuar no mundo dos homens, e era uma das poucas que não se importava com a lealdade de Delilah, desde que essa lhe pagasse bem.
Muitos dizem como é horrível fazer um pacto com o diabo. Dizem que isso queima sua alma e destrói sua carne de pouco em pouco. Mas poucos sobrevivem para dizer o quão pior é fazer um acordo com uma bruxa. Delilah nunca as viu como pessoas ruins, mas sim incompreendidas. Nunca tiveram tempo de parar para explicar seus princípios e sempre foram desacreditadas desde o começo dos tempos.
A localização de Brita não era das mais fáceis de se encontrar. A velha dos cabelos curtos e brancos morava em uma casinha de madeira embolorada junto com os diversos cupins e aranhas que faziam do cenário um verdadeiro filme de terror. A moradia ficava localizada no meio de uma floresta distante da cidade, cuja maior parte de sua área era dominada por pinheiros altos e cheios que dificultavam a passagem. Poucas pessoas passavam por ali, e sempre que chegavam perto, se afastavam de imediato ao sentir o cheiro de carniça e mofo que inundava o local.
Eram poucas as vezes que Delilah se sentia intimidada por algo ou alguém. Poderia se sentar em um restaurante de luxo na parte mais rica da Inglaterra e ficar em uma caverna suja no meio da escória da Rússia e continuaria agindo de maneiras parecidas. Era o tipo de garota que, de certa forma, se adaptava bem às pessoas e ao ambiente. Mas aquele lugar em específico a deixava com calafrios. Veio à Terra por conta de bruxas, e a ironia do destino era tão grande, que se continuasse ali seria por conta delas.
Brita, para sua sobrevivência, lhe propôs a única forma possível de escapar daquela caça mortal: Delilah precisaria morrer. Mas não morrer da maneira que nós conhecemos, em apagar para sempre e nunca mais acordar. Morrer no sentido de apagar todas suas lembranças e, consequentemente, suas angústias e culpa. Sem culpa, não poderiam encontrá-la, e ela continuaria a viver da maneira que bem entendesse. Em troca, Delilah ficaria lhe devendo um favor.
Acontece que o plano não seguiu como o esperado. Ao ter suas memórias apagadas através de magia negra, Delilah apagou também, caindo em um desses sonos profundos de filmes de princesas. Era como se Delilah estivesse dormindo e não conseguisse acordar, por mais que tentasse. Seu papel foi, de repente, de uma personagem principal numa guerra para uma coadjuvante na própria prisão de sua mente. Não havia mais manhã, nem mesmo entardecer: o anjo havia caído numa escuridão intensa e inescapável.
Um dia, depois de tantos outros sem nenhuma atividade cerebral, ela acordou. O ano era 2013 e o corpo de Delilah ainda era o mesmo da humana que havia encarnado anteriormente. Acordou sentindo-se estranha. Não sabia ondeestava, com quem estava ou o porquê de precisar estar ali. Sua cabeça doía e suas memórias eram fracas demais. Lembrava-se de seu nome e de não pertencer aquele lugar, e sim a um mundo celestial. Mas não fazia ideia de que não estava em sua forma original, tampouco de quem era a carne que estava habitando. Haviam diversas lacunas em sua mente perturbada, e a única imagem que conseguia encarar era de uma televisão mais fina que o normal e uma janela coberta por uma persiana branca. “Ela acordou! Acordou” ouviu uma voz aguda exclamar, e quando se deu por si, percebeu que estava em um hospital.
Aparentemente, Delilah estava em alguma cidade distante do mapa dos homens, mais precisamente em Yareach, e não havia registro nenhum da mulher cujo corpo estava usando. Tudo parecia ter evoluído, as pessoas pareciam mais corriqueiras que o habitual. Era como se a guerra nunca tivesse existido, ninguém houvesse sofrido suas consequências.
Tudo parecia distante, desfocado. Mas algo ainda pairava em seus ossos, uma sensação que jamais conseguiria se livrar – com ou sem memórias. A sensação de culpa. Só não sabia a fonte desse sentimento. Começava, assim, uma busca de Delilah em saber quem ela era e o que diabos havia acontecido. Até que ponto aqueles cidadãos eram confiáveis? Até que ponto ela era confiável?
Antes de cair, Delilah era uma das servas mais fiéis de Deus na época, mas nunca teve aquela serenidade angelical que imaginamos. Embora nunca tenha deixado de lado sua polidez, seu humor era bastante ácido e, por vezes, era questionada por outros anjos. Era bastante destemida, a ponto de sua coragem se tornar um dos seus maiores defeitos, atrás apenas de sua curiosidade nata, que acabou a levando à descoberta sobre quem realmente era Deus, e sua consequente revolta. Depois de cair, sua lealdade mudou, e passou então a ser leal apenas a si mesma – além de tudo, agora também era desconfiada. No fim da Guerra, quando acorda de seu sono profundo, passa a retomar à sua personalidade de pouco a pouco; contudo, dessa vez passa a ver o mundo de uma maneira mais “humana”.
NOME COMPLETO: Andrômeda Del Castillo.
IDADE: 220 anos, aparenta 21.
DATA DE NASCIMENTO: 20 de março de 1797.
ESPÉCIE: Híbrido de bruxa e vampiro.
REINO: Reino Lyttelton-King.
OCUPAÇÃO: Comerciante.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Lily Collins.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Amara e Cygnus foram agraciados com três fortes filhos homens, aos três, deram nomes de constelações, pois acreditavam que estes eram bênçãos vindas do céu. Sirius, Cepheus e Draco eram os três bruxos mais poderosos do clã Stensia, a conexão que havia entre os irmãos era algo que dava a eles a capacidade de conjurar feitiços poderosos, capazes de dizimar aldeias. Contudo, não eram reconhecidos por seu poder, mas sim por sua nobreza. Eram homens humildes, que ajudavam seu povo e viviam para defendê-los dos ataques constantes de vampiros que rondavam a região. Ninguém, jamais poderia atacar aos Stensia enquanto estes estivessem ali.
Amara, mesmo sendo grata por ter sido capaz de conceber três grandes homens, sempre almejou ter uma filha mulher. Os anos se passaram e muitas falhas tentativas vieram. Até que enfim, fora concebido ao casal uma linda filha. Esta fora chamada de Andrômeda. A garota cresceu rodeada de todo amor que seus pais e irmãos podiam lhe dar, ela era a maior benção da família, uma garota amorosa de um coração puro. Seus irmãos a treinava, e não tardou para que descobrissem a força que a pequena possuía, era dona de um poder inigualável, tal como o resto de sua família. Andrômeda, porém, não necessitava de nenhuma ligação para ser forte da maneira que era, sozinha conseguia conjurar feitiços tão fortes quando os de seus irmãos e sendo forte tal como eles, passou a servir a seu clã como sua protetora.
Com o cessar dos ataques de vampiros, os Stensia passaram a ter a paz que sempre almejaram. Visto que, não era mais necessária a proteção dos irmãos ali, eles foram mandados para o norte, para servir a outro clã como protetores. Foram longos os dias que passaram ali, mais que ao Sul, vampiros e lobisomens atacavam constantemente clãs de bruxos naquela região, pois acreditavam que todo o sofrimento causado era culpa deles. Contudo, a proteção dos irmãos foi o suficiente para mantê-los afastados por um tempo indeterminado. Foram mandados de volta para casa como verdadeiros heróis.
A paz que jazia ali com sua saída não foi à mesma encontrada em sua volta. Corpos completamente drenados jogados sob o chão coberto pelo sangue de seu povo, Amara e Cygnus, mortos e esquartejados. A dor agora era a única coisa capaz de ser sentida por os quatro irmãos. Caídos ao chão, derramando lágrimas em meio ao povo que outrora chamaram de família. Não sabiam, até ali, que a única coisa capaz de derrota-los e impossibilita-los de conjurar quaisquer feitiços era a dor. “Fracos” palavra seguida por gargalhadas ecoaram meio a carnificina. Entrando por seus ouvidos aguçados direto para o coração, como uma faca. Os monstros responsáveis por aquilo ainda estavam presentes, com presas expostas e olhares sanguinários. O ataque foi rápido. A luz, vinda do céu que cobria suas cabeças, é a única lembrança que tem antes de acordarem perdidos em uma cidade jamais vista.
Os irmãos então, seguiram a clandestina viagem pela pequena cidade, carregando o peso da perca e dentro de si, um coração selvagem e uma vontade insaciável de alimentar-se de sangue humano.
Paz foi a única coisa que não tiveram desde a morte de todo o seu clã. Com o eclodir da guerra, a carnificina e a quantidade imensurável de sangue que vira, Andrômeda transformou-se no monstro que mais abominava, sanguinários e impiedosos, a bruxaria já não lhe mais servia naquele momento, o único desejo que sentia era drenar o sangue de todos aqueles que cruzavam seu caminho, deixando-a mais forte, impiedosa, perdendo totalmente o coração puro que outrora pulsava em seu peito. Mais uma vez, uma luz branda cegou lhe os olhos, por ela foi salva e como alguém que paga uma dívida antiga, por ela fora levada.
Estabilizou-se em Yareach com seus quatro irmãos, com quem divide uma casa pequena, porém confortável e trabalham juntos em uma loja de artefatos encantados fundada por eles mesmos. Seu tempo é dividido entre o trabalho na loja com sua paixão pela fotografia, esta é a melhor maneira que encontrou para capturar as memórias que insistem em ficarem mais turbas nos dias que se passam. Não é vista muitas vezes rondando pelas ruas da pequena cidade, tampouco em festas, tornou-se uma garota caseira devido ao medo que sente de transformar-se na criatura que tomou seu corpo no passado.
Sua perca se memória, de início, era apenas com coisas pequenas que perdia hora ou outra, quando se agravou, Andrômeda se viu perdida enquanto nada que acontecera no dia que se passou lhe vinha à memória, lembra-se dos seus irmãos e dos momentos que tiveram antes de tudo isso acontecer, mas é difícil recordar de novos rostos, nome e até mesmo do que se passou no dia anterior. É por isso que fotografa os momentos que vivencia, para que se lembre pelo menos do que sentiu enquanto passava por aquilo. Além disso, trata de escrever tudo ao fim do dia, enquanto ainda tem cada pequeno detalhe pairando sob sua mente, guarda estes pequenos flashs de momentos em uma caixa, com todas as fotografias e um diário antigo, escondida atrás de uma estatueta horrenda de um anjo.
Ainda que seus sentimentos bons tenham sido tomados pela culpa que carrega, seu coração permanece nobre como no passado, Andrômeda não deixara de ser a garota simpática e cativante que era antes de tudo acontecer, contudo, passou a ser amarga com relação ao apego que tem aos outros, evita fazer novas amizades pelo medo de perdê-las.
NOME COMPLETO: Edward David Sharpe.
IDADE: 33 anos, aparenta 18.
DATA DE NASCIMENTO: 5 de dezembro de 1984.
ESPÉCIE: Elfo.
REINO: Reino Dunne-Cosgwell.
OCUPAÇÃO: Atendente em uma floricultura.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
FACECLAIM: Asa Butterfield.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
O nascimento do pequeno Edward foi motivo de enorme alegria para seus pais e para toda a aldeia a que pertenciam. Viviam numa pequena vila situada no coração de uma floresta próxima à costa Oeste do Canadá, construída ao longo dos anos pelas mãos dos elfos que decidiram romper com o reino Gwilliam-kleist e refugiar-se na América e pelas de seus descendentes. Os moradores acreditavam que, pela bravura dos seus pioneiros e pela notória pureza de seus corações, o local seria abençoado pelas forças da natureza, que o tornariam sagrado ao longo dos anos de convivência harmônica entre os elfos e todas as outras entidades presentes entre às folhas e às árvores.
E assim ocorreu, de fato. O vilarejo de Teerann parecia estar sempre sob os olhos atentos de um Deus bondoso, que nada deixava faltar-lhes. As colheitas eram sempre fartas, as chuvas suficientes para renovar a vida mas jamais danosas às plantas ou às construções e a guerra era uma realidade distante. A boa vontade de entidades benevolentes pareciam acompanhar o clã, e não foi diferente quando os homens e as mulheres puseram-se a rezar para que concebessem herdeiros puros e bondosos, que dessem continuidade à tradição ali estabelecida.
No ano de 1984, então, Edward nasceu em meio a uma período de extrema fertilidade na aldeia. Várias outras elfas deram a luz a pequeninos que estariam destinados a manter a paz e a harmonia na costa canadense. Cercados de celebrações, de alegria e da gratidão fervorosa de seu povo, os bebês cresceram, tornando-se crianças e mais tarde adolescentes, sempre na companhia uns dois outros. Todavia, a integração que se mostrava extremamente benéfica à maioria dos jovens, não tinha o mesmo efeito sobre Ed. Na verdade, até teria se ela o incluísse. Ele, por sua vez, vivia com o peito cheio de amores: amava a natureza e a vila, os animais e as plantas, os pais e os irmãos, e amava também as outras crianças. O sentimento, entretanto, não era recíproco. As estranhas manias do menino e sua sinceridade inocente e absurda acabavam por afastar os outros dele. Seus trejeitos peculiares, sua maneira anormal de falar e de demonstrar o afeto que dele transbordava acabavam fazendo com que destoasse do grupo.
Os elfos, criaturas naturalmente majestosas e imponentes, não estavam acostumados às excentricidades do pequeno. Sua alegria ruidosa, sua afobação e seus modos desajeitados, juntamente com seus gestos calorosos de carinho, incomodavam os outros membros da aldeia. Ainda que os traços que o diferenciassem dos outros não fossem nada absurdos para uma criança comum, foram o suficiente para que se erguessem paredes e mais paredes, muito sólidas, separando-o dos outros. Censuras, comentários maldosos e a exclusão em si, acabaram levando o pequeno à reclusão quase que absoluta.
Não seria verdade dizer que Edward não se entristecia com seu isolamento. Pelo contrário, em seu peito existia um peso imensurável por ter sido rejeitado por aqueles que amava e respeitava. Porém, ele aceitava a condição resignado, recatando-se à casa e aos pais, que seguiam amando-o a cuidando dele apesar das diferenças e das desavenças com o clã. Foi necessário, então, que buscasse outras formas de externalizar o seu amor pela aldeia e pela vida como um todo. Amor esse que, se antes era puro e direto, tornou-se permeável à timidez e à fobia social que o trauma lhe trouxera.
Foi assim que passou a conversar com as plantas. Conversava com elas durante todo o tempo, e estava sempre na companhia delas. Cultivava flores e árvores apaixonadamente, e elas devolviam-lhe o carinho na forma de pétalas e de frutos. As espécies botânicas, imóveis e silenciosas como eram, tornaram-se sua forma de lidar com a solidão, que já não mais lhe provocava tamanha tristeza. Foi devagar que Edward desaprendeu como falar com os outros elfos. Os anos passavam discretos, sem que ele percebesse. Saía de casa em raras ocasiões, e já não era - nem sabia ser - a criança expansiva que, sem querer, construiu um muro à volta de si. Pelo contrário: sequer tinha coragem de conversar com aqueles que deveriam fazer parte dos seus. Suas eram apenas as plantas das quais cuidava.
Ainda que as peculiaridades que o excluíram quando criança já não existissem, tendo dado lugar a um silêncio incomodado, Ed continuava sendo discriminado pelos outros. Os anos que passara só, dentro de casa entre as folhas e as raízes, renderam-lhe a fama de lunático dentro da aldeia. O afastamento em relação aos outros se tornara irreversível.
Depois de treze anos vivendo isolado entre as paredes do lar, Edward teve sua epifania primeira. Ainda que amasse a aldeia e aqueles que dela faziam parte, percebeu que não existia alternativa se não deixá-la, e assim o fez. Com um bilhete singelo, despediu-se dos pais, as únicas pessoas que permaneceram do seu lado apesar de romper com os padrões esperados para os elfos, e fugiu de casa, por fim. Não tinha destino, esperava que a natureza o guiasse para um lugar melhor, mas tinha um objetivo claro: estava determinado a romper com as barreiras psicológicas que o isolamento criara nele, com a timidez e com a fobia social que desenvolvera, e encontrar pessoas que o aceitassem como de fato ele era. Foram poucos dias depois de sua saída que a guerra estourou.
Perambulou por dias, vagando sem direção. Era guiado puramente pelo instinto e pelo desejo puro de achar alguma cidade onde pudesse se estabelecer. Enquanto isso não acontecia, prosseguia com a longa caminhada, alimentando-se de frutos que ele mesmo fazia nascer em árvores frondosas, uma trilha delas que ele em breve deixaria para trás. A guerra, entretanto, não tardou a alcançá-lo e, ainda que não se envolvesse diretamente com nenhum tipo de batalha ou embate, Edward era obrigado a sentir no ar, no solo, nas águas e nas plantas o horror deles. Mesmo os olhos dos animais com quem cruzava no caminho traziam o horror estampado. Horror esse que o elfo agora sentia em cada célula do seu corpo. O amor que carregava no peito parecia amargar com cada corpo que o rapaz sentia entregue a terra. E ele sentia.
O desespero das árvores e dos bichos parecia chamá-lo: nunca estivera tão conectado à vida no planeta Terra e, agora que estava, era impossível que não sofresse com ele. Edward pôde pressentir quando o mundo decidiu acabar. Definhou, então, numa estrada qualquer. Parou de fazer com que crescessem árvores ou frutas e parou de alimentar-se. Já não enxergava um ponto. No fim, Ed veio a ser apenas um corpo apodrecendo no asfalto.
Quando o mundo foi reestruturado por Deus, Edward acordou muito debilitado, ainda largado no meio de uma estrada deserta. Sentia uma tristeza que não conseguia explicar, mas que imaginou derivar do abandono a que fora submetido. Seu corpo aparentava não ver comida ou água há dias, e ele parecia não ter vontade de comer. Não sabia, porém, explicar o porquê. Fosse a doença que fosse, o fazia padecer e ele se aproximava mais uns passos da morte a cada dia. Até que o outro apareceu. Gael era um anjo que, compadecido do rapaz e de todo o amor que parecia transbordar de seu pequeno coração, apareceu cortando o céu num dos dias mais quentes que o elfo já vivera na vida. Foi este homem que o salvou de morrer a segunda vez e carregou-o em seus braços até onde seria a bandeira de paz de um mundo caótico: Yareach. Não demorou tempo algum para que os dois afeiçoassem-se um pelo outro e para que Ed, pautado em sua imensa gratidão, considerasse o anjo a pessoa mais importante em sua vida. Era, finalmente, aceito por alguém em algum lugar, ainda que mal soubesse como conversar com ele de início. Gael, paciente e benévolo como era, passou então a ajudar o garoto a evoluir e a, novamente, aprender a estar perto de gente.
O rapaz passou, então, a morar num dos quartos da cobertura do hotel que pertencia a Gael, imerso em plantas e flores diversas e divido com alguns animais. Ajudava-o, também, a cuidar dos jardins que cultivavam juntos, fazendo com que o estabelecimento estivesse sempre cheio de frutos e flores. Além disso, conseguiu um emprego como atendente numa floricultura, com facilidade, maximizando o tempo que passava em contato com a natureza e com as pessoas também. Esforça-se todos os dias para desfazer os traumas que carrega consigo e pode contar sempre com o anjo que, além de salvar sua vida, tornou-se seu protetor e amigo, ajudando-o com tudo que precisa.
Os anos de reclusão transformaram Ed num perfeito ansioso. Além de tímido, desenvolveu uma fobia social que dificulta ainda mais sua interação com as outras pessoas. Esforça-se para estar perto delas e conhecê-las mas, muitas vezes, sua mente o sabota, cercando-o com medos injustificados e colocando-o sempre na trilha da rejeição. Devido ao seu passado, pequenos acontecimentos posem ser facilmente transformados em sinais de um novo abandono. Ainda passa a maior parte de seu tempo livre dentro de casa, cuidando das plantas, do hotel e de seus animais adotados. O trabalho, entretanto, foi uma das formas que o rapaz encontrou de obrigar-se a sair e tentar, novamente, conectar-se às pessoas e ao mundo a sua volta.
A positividade, a esperança e o carinho são constantes no menino, que sempre busca a melhora e a evolução, esforçando-se ao seu máximo para alcançá-las. Tem uma forma interessante de trabalhar as coisas ruins que lhe aconteceram: é claramente afetado por elas, mas não permite que o derrubem. Pelo contrário, essas coisas tornam-se combustível para que ele voe sempre mais alto. Apesar de encontrar grandes dificuldades para conversar e socializar, empenha-se totalmente em reverter esse quadro, por exemplo, sempre focando o amor que tem pelos outros e por aquilo que o cerca no lugar de focar o abandono e a tristeza.
Permanece com alguns trejeitos estranhos, mas já muito suavizados. Ainda fala de forma muito franca e sincera, às vezes em excesso, mas está aprendendo a se portar. É muito culto e sabe muito: durante os treze anos que passou praticamente só, teve muito tempo para estudar coisas diversas, que absorvia rapidamente devido à notória inteligencia que possui. Aprendeu muito sobre música, construção de sistemas mecânicos, matemática e história, principalmente, mas está sempre estudando alguma coisa nova. Sua fome pelo saber é também uma característica muito marcante.
NOME COMPLETO: Araya Elizondo Santillián.
IDADE: 20 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 3 de abril de 1997.
ESPÉCIE: Humana.
REINO: Reino Lyttelton-King.
OCUPAÇÃO: Bartender, estudante de medicina e caçadora.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Ivana Baquero.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Tudo começou em 1600, quando um dos antepassados de Ari se apaixonou por um demônio. Naturalmente, nos diários de seu descendente, que devorava várias vezes por semana com olhos ávidos, a descrevia como uma das criaturas mais lindas que já vira, até angelical, ironicamente. No início parecia apenas uma mulher bela e gentil, porém, conforme o tempo passava e mais seu antepassado se afundava nos encantos do ser maligno, mais sua natureza diabólica aflorava. Tinha o homem em suas palmas, por ela mataria, roubaria e morreria. E assim o fez. Até que a bela dama o fez o pedido final, algo que seria um preço justo por seu amor eterno: sua alma. É claro que o homem apenas pensou que se tratava de uma brincadeira. Ainda assim, sorriu quando disse “tudo o que quiser, meu amor” e a depositou um beijo nos lábios carnudos. Era tarde demais quando notou que com aquele beijo, selou o seu destino e depositou o resto de seus dias miseráveis.
Instantaneamente, a mulher que antes era estonteante revelou uma face grotesca e horripilante. Cada parte do corpo de homem foi tomado por calafrios, ao perceber que sua amada era, na verdade, algo profano. Um demônio. Entregara sua alma, sua essência e seu coração a um demônio. O susto e horror tamanhos foram suficientes para deixá-lo inconsciente por horas. O problema foi que, ao acordar, não sentia-se de fato desperto. Faltava algo em si, em seu âmago, agora oco e traído. Sua alma havia sido levada junto com sua inocência e humanidade.
Desde que descobriu a verdade sobre demônios e outras espécies, não sabia o que fazer, apenas sabia que desejava vingança. Alguns dias após o ocorrido, foi até uma igreja confessar-se e pedir perdão a Deus, mesmo sabendo que, no fundo, não havia salvação para sua alma. Mas havia esperança para sua vingança. O padre que ouvira suas súplicas e arrependimentos de luxúria cega, por um feliz acaso, era um caçador. Ninguém parecia mais perfeito para ser treinado e continuar a acabar com as criaturas grotescas que habitavam o local do que aquele homem desesperado e cheio de mágoa em seu coração. Foi escolhido e, através dos anos, treinado para caçar, aprendendo sobre as outras espécies, que passou a odiar tanto quanto aquele ser diabólico que roubara sua alma com um beijo maldito. Escreveu diários sobre sua experiência e fez questão de encontrar alguém com quem pudesse ter filhos, no intuito de criar uma linhagem de caçadores. E assim surgiu a família Santillián, cheia de caçadores, tradições e fanatismo religioso.
Com Araya não seria diferente. Embora sua família fosse tradicionalmente repleta de tabus e até mesmo machista quanto ao treinamento de mulheres, Ari aprendeu a odiar tanto as criaturas sombrias que não puderam recusar a oportunidade de moldá-la desde pequenina para a caçada. Na verdade, sempre odiou qualquer coisa que não ela mesma e seu irmão gêmeo. Nem mesmo hesitou quando seu pai, um pastor rígido e violento, frívolo com os filhos responsáveis por matar a mãe no parto, foi mordido em uma caçada que deu errado. Arrancou a cabeça do velho antes mesmo que pudesse se transformar, indo atrás do vampiro responsável com seu irmão em seguida.
Nunca fora realmente interessada em algo que não envolvesse violência, sangue ou que a trouxesse alguma vantagem na vida. Mesmo assim, sua família, tradicional, a obrigava a passar por horas de estudo diário, formando-se uma menina bastante inteligente, ainda que não soubesse muito bem como tirar proveito disso, academicamente falando. Foi depois de completar o ensino médio e da morte do pai que pensou que, além de tornar-se bartender (algo que faria o pai revirar-se no túmulo, certamente) e ficar em contato com a cena noturna em busca de criaturas assassinas em potencial, a faculdade de medicina também a ajudaria a se aperfeiçoar como caçadora, bem como ficar próxima dos estoques de sangue do hemonúcleo e de pacientes com sintomas estranhos, prováveis vítimas que deveriam ser logo aniquiladas.
Apesar da formação extremamente religiosa, nunca deu muita atenção aos assuntos celestiais ou preocupou-se com sua alma. Para Araya, já devia ter um lugar guardado no paraíso apenas por tirar tantas criaturas diabólicas da terra. No mais, ela era a coisa mais próxima a Deus que aceitava e em que acreditava. No entanto, tudo começou a ficar mais sombrio dentro de si depois de achar mais diários antigos de sua família, descobrindo que alguns descendentes seus enriqueceram formando um negócio um tanto peculiar, como mercenários, não apenas caçadores, mas também assassinos de aluguel. Com a morte de seu pai e a pouca quantia que conseguia sendo bartender, a ideia de enriquecer fazendo aquilo que amava e em que possuía primazia executando não lhe saía da cabeça. A guerra estourou antes de que pudesse agir, no entanto.
Sabia que era perigoso, mas não ligava. Não entendia muito bem o que ocorria, ou porque tanta gente insistia em se matar e atacar umas às outras. Apenas sabia que gostava daquilo. Sentiu que aqueles poderiam talvez ser seus últimos dias na terra, e como os aproveitou. Nunca matou tantos seres sobrenaturais antes, entrando em um frenesi de sangue e morte, até ser pega de surpresa por um vampiro, que arrancou-lhe a cabeça com um só golpe. Não era tão invencível como pensava, no final das contas.
Agora, Araya voltou a seu cotidiano como antes da guerra. Trabalha como bartender e vai à faculdade como qualquer pessoa normal, apenas com uma personalidade mais difícil, mas com seus gostos peculiares e o dinheiro curto, a ideia de matar por uma renda maior não parece sair de sua cabeça. Continua odiando qualquer criatura, até mais, especialmente vampiros. Guarda uma coleção de coisas que tira de cada uma de suas vítimas, como orelhas de elfo e asas de fada. Seu gosto por arrancar presas tem atingido seu ápice, no entanto.
Se qualquer um descrevesse Araya, diria que é uma pessoa difícil. É narcisista e traiçoeira, faria tudo para salvar a própria pele, visto que é a coisa que mais ama no mundo além do irmão. Egoísta, mordaz, brutalmente honesta e explosiva, raramente demonstra alguma simpatia, quiçá empatia. No fundo, porém, sabe ser leal e é superprotetora, apenas não encontrou ainda qualquer coisa que pudesse admirar e amar mais do que seu reflexo. Araya tem seu lado bom e gentil, porém apenas seu irmão o conhece e ela escolhe não mostrá-lo. Inteligente, astuta e ágil, é a melhor pessoa para sair de algum problema ou tirar alguém de um, entretanto também sabe encontrar confusão como ninguém. Impulsiva e apaixonada por adrenalina, combativa e calculista são palavras que a descrevem bem. Araya é o tipo de pessoa que você provavelmente não iria querer como amiga. Mas, acredite, ela seria pior como inimiga.
NOME COMPLETO: Eve Victoria Campbell.
IDADE: 22 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 20 de março de 1995.
ESPÉCIE: Híbrida de lobisomem e metamorfo.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Estudante de medicina.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Shelley Hennig.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Híbrida de metamorfo e lobisomem, Eve Campbell, nasceu na oitava geração da comunidade. A mesma era cercada de regras que, maiormente, envolviam manter seus dons em segredo para que assim, pudesse passar por humana e conseguisse se manter a salvo e o mais longe possível da Guerra que àquele momento preocupava a todos. Pela mistura de dons das duas espécies, Eve tem a capacidade de se transformar em Lobo não apenas durante a lua cheia, mas quando assim quiser e quando o faz, possui uma agilidade enorme. Os sentidos aguçados se mantêm de forma intensificada e a regeneração é mais forte que o comum, podendo curar em pouco tempo todos os tipos de ferimentos, mesmo sendo estes complexos.
Seu pai, Thomas, foi um dos Alfas da comunidade e com outros dois irmãos, a garota pode ser considerada a filha do meio, por nascer alguns segundos antes que seu gêmeo, Aidan, com quem tem uma ligação extremamente forte. A mãe, Campbell não tivera oportunidade de conhecer. A mulher faleceu no dia de seu nascimento, fazendo com que a culpa da morte da mesma caísse sobre os ombros dos gêmeos. Eve aprendera a lidar melhor com aquela situação ao longo que crescia, e procurava fazer com que o irmão também entendesse que a culpa não fora deles.
Eve cresceu na comunidade, ao lado dos outros membros e dos irmãos, por quem sempre teve grande apreço e carinho. Por eles morreria e mataria sem hesitar. Diferente do gêmeo que preferia se manter em seu canto, a garota gostava de se manter ativa na comunidade, muitas vezes entrando em várias confusões. Por ser um tanto rebelde, as constantes regras que a cercavam, traziam certo desgosto, mas os conselhos vindos do pai e do irmão mais velho, Emmitt, que sempre fora muito protetor, a colocavam de volta com os pés no chão.
Com o estopim da Guerra, Eve viu todo o esforço que o irmão e o pai faziam serem desperdiçados ao longo que a comunidade fora invadida pelas Fadas do Reino Dunne-Cogswell que queriam aprisionar todos os híbridos para que fossem usados como armas de guerra. No entanto, com muita coragem, a comunidade lutou e com muita dor no coração Eve viu muitos dos membros serem mortos, inclusive o seu pai que se sacrificou para que os filhos pudessem viver. Não tendo outra escolha a não ser aquela, a garota foi guiada pelo apoio dos irmãos, para que fosse a Yareach com a esperança de um dia darem continuidade ao que queriam.
Eve sentia-se destruída. Até então, nunca tivera visto tamanha maldade de perto. Já tivera que crescer sem o carinho de mãe por perto e agora também perdera seu pai e seus amigos. Durante seu caminho até Yarech, era obrigada a viver com medo de ser atacada nas ruas, e ainda ver o seu irmão mais velho se tornar outra pessoa durante aquele processo. Sentia como se estivesse perdendo tudo naquele processo. Tão impotente. Antes era uma pessoa tão viva, e naquele momento nem forças para cuidar de Aidan, ela conseguia encontrar. Achava que tudo não passava de tristeza, mas muito daquela fraqueza que sentia vinha de uma doença, que pouco tempo depois fora descoberta pelos irmãos. A febre alta e dores que sentia ficavam cada vez mais fortes, e Eve tinha certeza de que não sobreviveria. Graças ao apoio dos dois, que não a deixaram em nenhum momento e a medicina da cidade, ela conseguiu ser salva, mas ainda podiam ser vistas sequelas da doença.
As memórias daquele período ruim que viveu desapareceram, e Eve se encontra morando com os irmãos em um apartamento na cidade. Não fazia parte da família de melhores condições daquele lugar, mas a garota sentia-se completamente satisfeita, afinal estava com as pessoas mais importantes de sua vida. Sabendo que o irmão mais velho lutava para conseguir manter as condições em que viviam, Eve decidiu que se esforçaria nos estudos para que no futuro pudesse ajudá-lo. Começou a cursar medicina na faculdade com o sentimento de que nunca mais queria se sentir impotente novamente. Iria conseguir ajudar quem precisasse. Além de conseguir manter sua mente ativa ocupada, podia usar suas habilidades com regeneração para os casos mais graves. Com o apoio dos irmãos, é apaixonada pelo que faz, e não se imagina em outra área.
Eve pode ser considerada uma garota de personalidade forte. Teimosa ao extremo, não é o tipo de pessoa que não aceita um não fácil, ou faz o que os outros querem que faça se isso não for da sua vontade. Por tal motivo não seria segredo se vissem a garota entrando em várias confusões pela cidade e causando dores de cabeça no irmão mais velho. Diferente do gêmeo, é uma pessoa extrovertida e não tem problema em fazer amizades ou inimizades que ocorrem facilmente devido ao seu costume de ser sempre muito sincera. Mesmo que as vezes demonstre de maneira errônea, é alguém que faz de tudo por aqueles que ama e não tem problema em se colocar em segundo plano por eles.
NOME COMPLETO: That.
IDADE: 201 anos, aparenta 23.
DATA DE NASCIMENTO: 12 de fevereiro de 1814.
ESPÉCIE: Demônio.
REINO: Reino Imani-Jaheem.
OCUPAÇÃO: Designer de jóias.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Barbara Palvin.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Houve, numa época distante, um anjo que parecia indestrutível. Apaixonado por Deus e por sua criação, por milênios Jofiel, o arcanjo da beleza divina, era responsável por transmitir a luz e torná-la perfeita aos olhos do Senhor. Não havia nada que o arcanjo amasse mais, admirasse mais e era Deus o único ser mais bonito que o servo. Os olhos cor de ouro eram alvo de inveja, assim como protagonistas de milhares de sonhos. Não foram poucas as vezes que a humanidade, iluminada por um fragmento do que Jofiel era, tentou reproduzir sua luz, sempre em vão. O arcanjo, aos poucos, caía aos pés daquele povo, apaixonava-se por suas criações e abençoava cada novo significado que os filhos de Deus davam à beleza. Logo, sua vida era dedicada aos humanos, não mais a Deus, e talvez este tenha sido seu único pecado, o bastante para deixar o Pai furioso. Foi num pico de raiva direcionada a Jofiel que Deus cometeu um grande erro: usou da luz mais sublime para criar um demônio.
Era tudo que a centelha divina prometia. Pura, sublime, intangível. Não precisou ser treinada, assim como não foi nomeada. Um ser tão abominável, com propósito tão sujo, não merecia um nome. Criada para destruir reinos inteiros a partir do coração de um rei, para acabar com o significado da lealdade entre homens, para partir a alma de alguém que sequer sabia que o tinha; no final, era a criatura quem não compreendia a beleza do amar. Não fora agraciada com tal benção, mas compreendia o que devia fazer. Bastava se aproximar de alguém que sua aparência e personalidade encaixavam-se perfeitamente nos sonhos mais impossíveis, a beleza, tão singular, era tudo que ela tinha.
Apesar de cumprir perfeitamente a tarefa, não foi encaminhada diretamente para Jofiel. Deus a enviou primeiro à Terra. Em pouco tempo, eram inúmeros os homens e mulheres que caíam aos pés da figura que criavam, sequer a tratavam como um ser humano, eram descrentes de que poderia haver alguém que se aproximasse tanto de suas expectativas e, muitas vezes, as ultrapassasse, e por isso nunca a tratavam como mulher, mas como algo a ser ganho. Assim aconteceu com Jofiel quando foi colocado à frente da demônio. De início, o arcanjo acreditava estar na frente de alguém criada para estar ao seu nível. Ao contrário dos humanos, não caiu aos pés da amada imediatamente, mas com o tempo, seu coração era todo dela. Foi o primeiro a perguntá-la o nome e esta, acostumada com o jeito de ser chamada e objetificada, nomeou-se That.
O amor de Jofiel à That era genuíno, puro como tudo que o arcanjo tinha em si, mas não era recíproco. Criada justamente para isso, era incapaz de amar sequer a si mesma. Todos os esforços do arcanjo da beleza eram inúteis e a necessidade que tinha do amor de That o corroía da forma mais dolorosa possível. O arcanjo teve os sonhos invadidos pela face angelical, os olhos imploravam pela visão da amada, os lábios pareciam ter o único objetivo de senti-la. Por algumas décadas, as asas douradas arrastavam-se pelo chão em que That pisava e Jofiel teria caído pelo amor que sentia pela demônio, não fosse seu castigo ter acabado antes. Humilhado, o arcanjo foi levado para o mais longe possível da amada, cercado por seus semelhantes. Nunca se recuperou, o que foi tratado como um lembrete constante de que apenas o amor a Deus não feria.
Enviada novamente à Terra, usada, agora, para punir qualquer um cujo desejo fosse maior que a crença, apenas a presença de That sugava corações, machucava, causava sofrimento; apenas aqueles cujo coração fosse totalmente de Deus não se feriam, o que, por muito tempo, não foi encontrado por That. Homens e mulheres caíam, corrompiam-se pela demônio e esta apenas os observava, incapaz de fazer nada sobre.
Conheceu Mary na porta de uma igreja. Usava uma saia longa de tecido fino, blusa de manga e gola compridos e sapatos que não tinham a menor graça, assim como tinha uma bíblia na mão. Falava de jeito manso e seus olhos brilharam quando pousaram em That, cujo coração, pela primeira vez, parou por um milésimo de segundo ao ver a estranha sorrir. Logo tornaram-se amigas, compartilhando momentos e desejos, a demônio escutava pacientemente cada palavra que Mary dizia, memorizava-as, se prometia que aquelas sempre seriam suas melhores lembranças. A cada segundo que tinha ar nos pulmões, a única coisa que That fazia era amar. Nunca antes havia o feito e era assustador de inúmeras maneiras. Sempre que tentava se aproximar, porém, era rejeitada por Mary. Finalmente alguém cujo amor por Deus era maior que tudo, inclusive os próprios desejos, justamente a pessoa que havia roubado o coração que That sequer sabia ter curado as feridas de sua alma há tanto tempo expostas, a feito compreender a dor que causava nas demais pessoas.
Depois disso, o charme e a beleza de That não funcionaram mais. Passou longos dias caminhando nas ruas e pela primeira vez olhares não pousaram pesados sobre ela, pessoas não a abordaram com conversas apaixonadas, era praticamente invisível. Com raiva, pois seu jogo havia acabado, Deus enviou That ao inferno. O desespero por estar longe de Mary logo mostrou-se mais forte do que qualquer tortura, That tinha a alma incorruptível, não importava o que acontecesse, tudo que fazia só mostrava que inferno não era seu lugar. Expulsa de onde devia ser sua casa, onde devia ser compreendida, não havia mais lugar onde Deus pudesse se ver totalmente livre de That. Por fim, a jogou no deserto.
O deserto do Saara era, entre muitas coisas, quente. A areia grudava na pele pálida e a queimava, fazia sangrar, enquanto as noites pareciam tentar congelar seus órgãos. That, porém, não morreu. Caminhou por 910 dias a pé, sem água ou comida, entre desmaios e picos de energia. Alucinava com o rosto de Mary constantemente, gritava por ajuda e implorava a qualquer um que simplesmente a deixasse ir. Não sabia o motivo para não ser levada de uma vez, até compreender que ninguém a queria. A pele queimava sob o sol e não havia a quem pedir misericórdia. Pensava em desistir, abraçar a areia e deixar-se apodrecer ali. Não havia mais esperança e, mais importante, o amor que uma vez sentiu parecia estar sendo arrancado de seu peito a cada dia de caminhada. Quase desistiu, não fossem as luzes ao longe, a promessa de que algo estava próximo, a salvação.
Quando chegou numa pequena vila, assustou seus moradores e recebeu ajuda de uma única criança que, por algum motivo, não tinha medo. Os dedos pequenos tocaram a pele ferida de forma macia, não doía, confortava. Observada de longe, cada movimento de That era alvo de estudo pela pequena população, enquanto a criança, um menino, não saía de seu lado. Seus olhos brilhavam quando encontravam com os da demônio. Foi ajudada e cuidada assim que compreenderam que não era perigosa. Demoraram semanas para que That pudesse andar ou falar novamente, a garganta quase rasgava sempre que tentava agradecer.
Viveu por um ano e meio naquele lugar, aprendendo os costumes e amando aquele povo. Finalmente compreendia o que era amar e amava-os, a imensidão de areia e o inferno escaldante deixavam de ser mórbidos, ameaçadores, para tornarem-se o paraíso. A criança nunca saiu de seu lado, Nazim era cuidadoso com as palavras, mesmo que a curiosidade acabasse sendo mais forte. Sempre que perguntava de onde That havia saído, obtinha a mesma resposta. Dos sonhos. Os boatos sobre sua origem eram muitos, mas havia aquela parcela de pessoas que simplesmente a amavam. Não pela beleza, porque a criatura se encaixava perfeitamente em seus padrões, mas porque era ela, inteira ela, e não havia como ser melhor. That jamais sairia daquele lugar, se o território não começasse a se tornar alvo da ira de Deus. Não tinha o direito de ser feliz e era isso que o Criador tentava dizer sempre que um novo corpo aparecia nas fronteiras da vila ou mandava fenômenos naturais para destruir o povo. Amava demais o lugar, as pessoas, e, por isso, decidiu parar de punir o povo que a acolheu e amou, viajando até a cidade cujo nome sempre ecoara em seu ouvido e despertara suas melhores alucinações: Yareach.
Faziam poucos meses que morava em Yareach, menos do que o suficiente para ter se estabilizado e criado relações, quando a primeira bomba explodiu. O instinto da demônio a levou até o lugar mais próximo que, por coincidência ou não, era uma igreja. Assustada, paralisada, ficou na porta do lugar, impossibilitada de entrar, por horas. Rezava, chorava, implorava por misericórdia, a mesma que nunca lhe foi dada. Por fim, um caçador arrancou a cabeça do corpo frágil e prendeu a alma etérea dentro. That ficou presa ali, não podendo ir para o inferno ou para o paraíso, até que simplesmente deixou de existir.
Depois de muito tempo pensando, That acabou optando pela curso de moda na faculdade local o que, na verdade, mostrou-se a cara da demônio. Amava os tecidos, o brilho, tudo que envolvia o curso, mas seu coração foi totalmente roubado pelas jóias. Havia algo nas pedras preciosas que simplesmente chamava a atenção de That de forma que, assim que terminou a faculdade, especializou-se no design das mesmas, acompanhando lapidações até retoques finais. Deixou de se importar com sua aparência, focando na beleza das obras que produzia. O amor pela arte cresceu, como forma de expressar-se da melhor forma possível. Se não ficavam mais apaixonados por sua beleza, certamente morreriam por seu trabalho.
A variabilidade na personalidade de That foi algo que há muito era considerada sua melhor qualidade. Encaixava-se perfeitamente nos ideais de qualquer um, até que simplesmente não o fazia com ninguém. Hoje, suas maiores características relacionam-se não a aparência, mas a força que o tempo a obrigou a ter. Feita de uma calmaria por fora mas de um furacão por dentro, não sabe lidar com os próprios sentimentos e esconde tudo o que sente atrás de seu típico — e falso, apesar de ser impossível perceber a tristeza atrás do mesmo — sorriso. É quieta, o olhar sempre pousado nos detalhes que considera mais bonitos, os lábios sempre levemente curvados num sorriso, as bochechas sempre ruborizadas. É o tipo de pessoa que anda encolhida, o corpo pequeno só é encontrado quando se está o procurando. Mas brilha, e That sabe disso, mesmo acreditando que isso se trata de mais uma maldição.
NOME COMPLETO: Lucca Montgomery.
IDADE: 500 anos, aparenta 30.
DATA DE NASCIMENTO: 17 de setembro de 1517.
ESPÉCIE: Híbrido de metamorfo e bruxa.
REINO: Reino Dunne-Cogswell.
OCUPAÇÃO: Dona da Biblioteca de Yareach.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Blake Lively.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Lucca Montgomery, antes Lucca Meirellen, foi a primeira criança a nascer das criaturas criadas pelo Reino Dunne-Cogswell. Sua mãe era uma das primeiras metamorfos do Reino Imani-Jaheem, capturada pelas fadas de Dunne-Cogswell, e seu pai um bruxo, também capturado de outro reino, Lyttelton-King. Quando ela nasceu da união forçada desses dois seres (através de inseminação artificial), o Reino comemorou mais um sucesso de sua experiência. Já que os descendentes de metamorfos com outras espécies nasceriam também como tais, seria ainda mais fácil multiplicar suas armas. Mas as Fadas constantemente se esqueciam de um pequeno detalhe: é muito difícil quebrar o espírito das pessoas, mesmo que você tente por anos e anos. A mãe de Lucca pensava ter sido quebrada há muito tempo, mas depois que sua filha nasceu, algo se ascendeu dentro dela. Um fogo há muito perdido.
Na primeira oportunidade, um pouco antes de Lucca completar um ano de idade, utilizou de suas habilidades para fugir e matou todos aqueles que estavam em seu caminho. Apesar de ter conseguido fugir, não chegou muito longe. Conseguiu passagem para fora da Groenlândia, onde uma das bases do Reino ficavam, para a Irlanda. Porém, durante a viagem, por estar viajando em péssimas condições, acabou adoecendo. Já havia visto aquilo acontecendo. Os mesmo sintomas, no laboratório, em alguns dos outros experimentos. Talvez fosse um defeito. Talvez eles não tivessem dado tão certo, afinal. Talvez sua filha não fosse sobreviver, mas ela jamais pararia de lutar.
Chegando na Irlanda, a mãe de Lucca decidiu que o melhor era ficar o mais longe possível das cidades grandes. Da civilização. Não poderia arriscar ser descoberta, ainda mais por um Reino “adversário” daquele que a criou. Sabe-se lá o que poderiam fazer com ela e com sua filha. Pensou que com o tempo seus sintomas melhorariam, mas não. Apenas pioraram. Conseguia sentir que logo teria que dizer adeus a sua filha. Decidiu usar de suas últimas forças para certificar-se de que ela ficaria bem, e a entregou para um grupo de mulheres que encontrou perto da cabine na floresta onde passou a morar desde que chegou na Irlanda. Naquele momento não sabia o que elas eram, mas ela não tinha escolha. Explicou apenas que sua filha precisava de ajuda, pois ela não iria sobreviver.
Lucca acabou sendo criada por um círculo de bruxas que, além de certificar-se de que ela ficaria bem, a trataram como se fosse uma delas. Quando Lucca começou a mostrar sinais do que era e do que poderia fazer, as moças do círculo ficaram maravilhadas, pensando em como a mais nova integrante do grupo era especial. E assim, Lucca cresceu. Conforme passaram-se os anos, as outras bruxas notavam que, além dos seus talentos de metamorfos como a metamorfose, a força e a regeneração, ela também não envelhecia. Por causa disso, Lucca aprendeu mais do que qualquer outra bruxa de seu círculo, rapidamente tornando-se a líder do mesmo depois de vários anos. Não sabia se ia viver para sempre ou se apenas vivia mais do que os outros, mas utilizava de seu tempo para aprender. Aperfeiçoar sua magia, estudar o que a alimentava, o que ela significava e de onde vinha. Aprender novas línguas, novos temas. O mundo era cheio de conhecimento a ser explorado. Após tornar-se a líder, decidiu que o melhor para seu círculo era se mudar para um território mais neutro. Ainda existiam países sem a influência das fadas e de sua guerra, então era para lá que iriam. Os humanos certamente seriam menos perigosos, certo?
A única coisa que tirou a mente de Lucca dos livros e do mundo do conhecimento foi o amor. Contra a recomendação das outras mulheres de seu círculo, Lucca vivia constantemente entre os humanos, passando-se por um deles. Certo dia, acabou por conhecer o príncipe herdeiro de um dos pouquíssimos países que ainda não haviam sido colonizados ou dominados pelas fadas. Seu nome era Robert Montgomery. Conheceram-se na biblioteca, depois de terem tentado pegar o mesmo livro numa prateleira. Sim, um pouco clichê, mas foi assim que começou. Depois daquele dia, encontraram-se muitas outras vezes, e o sentimento de amor dentro de Lucca surgiu silenciosamente e cresceu despercebido. A única outra coisa que ocupava a mente de Lucca, além de seu grande amor, era a preocupação com seu círculo. A perseguição com as bruxas estava em seu ápice, e ela havia observado mulheres humanas e bruxas de seu círculo serem queimadas em praça pública em uma caçada desenfreada. Por conta disso, ela não utilizava seus poderes. Nunca. Nem na presença de seu círculo, nem em lugar algum. Era uma forma de se proteger.
Esse cuidado todo não impediu que olhos invejosos a seguissem. Seus encontros com o príncipe não haviam passado despercebidos. Outras famílias da nobreza que planejavam que suas próprias filhas se casassem com o herdeiro, trataram de investigar Lucca e por conta do descuido de uma mente apaixonada, acabaram por descobrir que ela era uma bruxa e que pertencia à um círculo. A notícia chegou aos ouvidos de seu príncipe que, em princípio, não acreditou. Porém, foi convencido depois das palavras venenosas de pessoas interesseiras. Como o príncipe, ele tinha responsabilidades para com seu povo, e não podia deixar uma bruxa escapar. Armou um plano com os nobres que lhe trouxeram a informação e marcou um encontro com Lucca. No local determinado, Robert deu um último beijo na loira e, com os olhos cheios de lágrimas, agarrou seus cabelos com uma das mãos e com uma navalha na outra, os cortou. Cortar os cabelos de uma mulher, na época, era uma forma de “marca-la”. Naquele caso, mostrar que ela era uma bruxa.
Sem reação, Lucca se observou sendo cercada por guardas, dopada e arrastada até a praça da cidade. Para seu horror, ao acordar, todas as outras mulheres de seu círculo também estavam lá, já amarradas em uma cruz, desacordadas. Provavelmente nem haviam conseguido lutar. Tudo por culpa de Lucca, que havia dito a elas que não utilizassem seus poderes, principalmente na presença de humanos. Como eram humanas, não iriam conseguir acordar antes de serem queimadas vivas, mas o efeito do que quer que fosse que haviam dado à Lucca desapareceu rápido por causa de seu poder de regeneração. Presa à cruz, as chamas quase atingindo sua pele, ela encontrou os olhos de Robert. Ele parecia desesperado e até arrependido. Ainda presa, ela gritou, implorou, pediu que não fizessem nada com ela e com as outras mulheres, mas não a ouviram. Acusaram-na de ter enfeitiçado seu Príncipe, de que o amor deles não passava de magia negra.
“Se é uma bruxa que querem,” disse, olhando para baixo, observando as chamas imperdoáveis se aproximando cada vez mais. “é uma bruxa que vocês vão ter.” Livrou-se das cordas presas em seu corpo com a sua força de metamorfos e transformou-se em um imenso corvo, voando para longe dali. Não ficou para observar a reação das pessoas ou a morte de sua família. A ironia disso tudo é que, desde o momento que havia conhecido Robert, jamais havia usado seus poderes de bruxa. Mas não importava mais. Não havia lugar seguro para ela. Não com os humanos, não com as fadas. Por isso, decidiu viver uma vida solitária. Não seria mais alguém a liderar um círculo, responsável por tantas vidas que poderiam ser perdidas. Não se deixaria mais apaixonar por quem quer que fosse, simplesmente para ser decepcionada novamente. E ela sabia, no fundo, que seu Robert não queria tê-la queimado. Se ele a amava, era porque de fato a amava — não havia magia negra envolvida.
Passou o resto de sua existência viajando, indo de país a país, aprendendo novos idiomas, novos instrumentos, novas artes, lutas, tudo. Acompanhando a história conforme ela se desenrolava ao seu redor, vendo a Guerra sorrateira entre os reinos das Fadas se desenrolar cada vez mais. Nunca passava mais do que 15 anos em um só lugar. Por conta disso, acabou vendo quase o mundo todo. Mas, mesmo assim, sentia-se invisível. Morta. Por não querer nenhuma relação com outro ser vivo, nada de significativo, Lucca nunca realmente se viu como uma força positiva no Universo. Ela simplesmente existia e esperava que algum dia, algo acabasse com essa existência. Com a ajuda de sua magia, combinada com o fato de que era uma metamorfo, conseguiu estender ainda mais sua vida do que o normal.
Quando a guerra finalmente explodiu, Lucca nem pensou no assunto: tratou de ir para Yareach, a tão famosa cidade que seria como uma “zona neutra” para a guerra. Lucca não queria nada com essa briga, e havia ficado longe dela por tanto tempo — não iriam puxá-la para o centro daquilo tudo. Não agora. Assim que pisou em Yareach tratou de procurar um lugar para morar e um trabalho. Tinha dinheiro mais do que suficiente apenas para si, depois de tantos anos juntando. Comprou uma casa em uma parte mais afastada da cidade e mais próxima do bosque. Nada muito grande, mas grande demais para uma pessoa só. Contratou algumas pessoas para lhe ajudar a manter a propriedade, e resolveu comprar a biblioteca local, onde passou a trabalhar. Em maior parte do tempo, ela administra o local, mas quando tem tempo, costuma ficar atrás do balcão e lidar com as pessoas.
A verdade é que Lucca cumpriu com sua promessa a si mesma e passou a viver sua vida em paz, tranquilidade e de forma solitária. Pelo menos era essa sua intenção. Durante a guerra, por já estar em território neutro, nada de realmente emocionante aconteceu com a moça. Infelizmente, tudo de ruim que havia lhe ocorrido, ocorreu antes da guerra. Talvez fosse seu destino se lembrar das coisas realmente ruins, diferentemente dos outros. O período de tempo que foi esquecido por Lucca não foi marcante.
O vazio dentro de Lucca foi ficando cada vez maior. Sentia como se não pudesse escapar do grande nada que a preenchia. Conforme o tempo ia se passando, essa agonia aumentava cada vez mais, e ela sabia que era hora de mudar as coisas. Sabia, bem no fundo, que a possibilidade de dar tudo errado, assim como no passado, existia. Mas, mais do que tudo, Lucca queria uma família. Talvez seu grande amor tivesse sido Robert e ela nunca mais conheceria ninguém por quem realmente se apaixonar. Isso não importava, porque o que ela realmente queria, era uma família. E ela não precisava se apaixonar para conseguir uma. Hoje em dia, então, Lucca sofre com esse dilema interno de adotar ou não uma criança, ou de passar por uma inseminação artificial e engravidar. Passa seus dias na biblioteca, trabalhando e, como sempre, lendo e aprendendo.
Lucca é, mais do que tudo, uma pessoa muito privada. Tem sempre um sorriso calmo e contido no rosto, mas esconde seus sentimentos como ninguém. Muito madura e muito calma, nunca se desespera diante dos problemas, mas pensa na melhor forma de lidar com eles. Não é do tipo de pessoa que precisa o tempo todo provar que está certa, e prefere retirar-se de situações desagradáveis a discutir até “vencer” a discussão. Apesar de muito educada, pode acabar sendo do tipo “curta e grossa”, principalmente se sentir que a outra pessoa está tentando ficar muito “íntima” dela.
NOME COMPLETO: Abaddon/Eddard Wesker.
IDADE: 450 anos, aparenta 30.
DATA DE NASCIMENTO: 9 de novembro de 1567.
ESPÉCIE: Demônio.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Delegado.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
FACECLAIM: Ben Barnes.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
O inferno sempre esteve lotado. Desde o início dos tempos, desde a sua criação, o reino da punição esteve cheio de almas aflitas, que só arrependerem-se de seus erros quando se deram conta de que o inferno não era um mito. Demônios não eram mitos. Lucifer não é um mito.
Lucifer, o Anjo da Luz expulso do céu por desobediência, sempre teve muito interesse na única coisa que ele não podia criar: almas. Almas são celestiais e, por esse motivo, elas pertencem apenas aos seus donos, a não ser que os mesmos decidissem vendê-las, ou somente entregá-las para outro, passando para o próximo a posse daquilo que, para alguns, pode vir a ser sua maior preciosidade. Almas são poderosas, chamando a atenção daquele que era também conhecido como Satan, fazendo-o desejá-las mais do que qualquer coisa. A obsessão pelas almas se tornou tão absurda que Lucifer criou um exército de demônios poderosos para conseguí-las, mas não antes de criar comandantes para seus guerreiros, a quem ele viria a chamar de Cavaleiros das Trevas.
Com o passar dos anos, o quarteto de Cavaleiros sofreu diversas alteração. Embora eles fossem sempre muito fiéis ao seu criador, Lucifer sempre fora conhecido como um anjo instável, que se cansava e entediava fácil de tudo e todos, levando-o a dar fim em seus próprios “filhos” para criar novos generais, que dominariam seus infinitos exércitos de criaturas. Abaddon foi o último de seus cavaleiros; o demônio mais jovem dentre a última “leva” dos quarteto de comandantes era visto por Satan como sua maior criação. O jovem não era apenas o mais fiel e confiável de seus generais, mas também o mais obstinado, perseverante. Se fosse um funcionário comum, seria aquele que bate todas as metas de uma empresa, o maior coletor de almas, o mais valioso para seu “pai” e, também, patrão.
Com o passar dos anos caminhando livremente pela terra, guiando parte de seu exército, o jovem general pulou de corpo em corpo, possuindo-os com a permissão de seus donos. Para ele, era prazeroso saber que sua presença era permitida, diferente de seus irmãos, que invadiam suas cascas, tornando os humanos suas vítimas. Ele não se importava com o bem estar das roupas de carne viva que vestia, mas saber que eles o queriam ali era bom para seu imensurável ego.
Enquanto comandava o exército que coletava as almas que compravam dos fúteis humanos, o demônio se aproveitava de todos os pecados que a terra podia lhe proporcionar. Afinal, humanos eram tão sujos e pecaminosos quanto demônios, transformando o planeta em um inferno maior do que seu lar, com bebedeiras, jogatinas, prostituição, traição, guerras, homicídios e tudo o que, para as criaturas escuridão, era satisfatório. Saber que a maior criação daquele que se dizia ser Dono de Toda a Bondade era tão imunda quanto seus irmãos o fazia gozar de uma alegria que o invadia, e o deixava cada vez mais interessado nos mortais, levando-o a passar mais tempo do que deveria na terra.
A obsessão de Abaddon para com Lucifer sempre fora o que mais o mantinha interessado no demônio. Ele não era somente fiel, mas também devoto, e quando o jovem Cavaleiro passou a mostrar-se atraído demais pela criação de seu Pai, Lucifer se viu enfurecido; Abaddon não foi criado para se interessar pela terra e permanecer nela. Sua obrigação era guiar seu exército demoníaco de destruição e, com uma boa quantidade de almas compradas ou colhidas, retornar para o reino da agonia onde fora criado.
A permanência do Cavaleiro no planeta dos humanos fez com que Lucifer fosse, pessoalmente, buscar o “filho” em uma de suas únicas viagens à terra, onde ele não gostava de pisar. Estar lá o deixou ainda mais possesso com o Cavaleiro, que apesar de tudo, se manteve fiel e obediente ao pai, que a essa altura já não se importava com a devoção do jovem, que em momento algum se mostrou arrependido de seus erros. E então, pelas mãos do próprio Lucifer, Abaddon foi pego, jogado e trancafiado de cabeça erguida em uma das muitas jaulas de tortura escondidas pelos cantos do inferno. O demônio o havia decepcionado, e ele pagaria por isso durante toda a eternidade, diferente de seus irmãos, que foram mortos de imediato, já que para Morningstar, eles não tinham tanta importância quanto o maldito prodígio que passou a caminhar por linhas tortas após anos de competência.
Durante mais de dois séculos, o Cavaleiro foi torturado dentro da jaula, sem em momento algum pedir o perdão que Lucifer exigia do garoto. Portador de um gênio forte, Abaddon a negava a ceder às exigências do pai mesmo diante de toda a agonia que fora obrigado a passar, já que para ele, não fez absolutamente nada de errado, tendo em vista que se manteve fiel a todo momento, cumprindo seu dever diante de seu exército.
Após mais de duzentos anos de tortura e uma agonia que seria infinita no inferno, ao fechar os olhos e apagar pela primeira vez preso às correntes, Abaddon acordou sem as mesmas. Após dois séculos preso no mesmo lugar, em um corpo que não conhecia e uma cidade jamais vista pelo jovem, o Cavaleiro abriu os olhos negros enquanto permanecia com o rosto ainda colado no asfalto. A buzina do carro que queria seguir viagem ecoava em seus ouvidos. O xingamento do humano dentro do veículo fez o demônio suspirar antes de passar a erguer-se vagarosamente do chão da rua, até colocar-se de pé em frente ao carro, que desviou do moreno antes de seguir caminho, com o homem ainda a balbuciar xingamentos no banco, os quais ele pôde ouvir mesmo enquanto o mesmo se afastava, devido à sua audição aguçada. Ainda confuso, o demônio olhou em volta, procurando quem quer que pudesse lhe dar uma informação sobre onde estava naquele momento. De um lado, árvores que fechavam uma floresta densa. Do outro, o início de uma cidade simpática e convidativa, na direção da qual Abaddon passou a caminhar enquanto tentava se lembrar de como foi parar ali, o que fazia com uma dificuldade absurda já que não tinha memórias que parecessem ser recentes o suficiente.
Insatisfeito com o corpo em que se encontrava, Abaddon rodou pela cidade durante toda a sua primeira noite, procurando uma casca que o fizesse se sentir melhor consigo mesmo. Era tarde da noite e portanto, poucas pessoas estavam fora de casa, dificultando a procura do demônio, que já se via perto de desistir da busca ao encontrar um carro que pareceria vazio se não fosse pelo balançar causado pelos humanos que, escondidos no banco de trás do veículo, moviam-se dentro dele. Pela primeira vez, Abaddon não se deu ao trabalho de pedir permissão para o moreno que escondia com o seu próprio corpo o da jovem nua embaixo dele. Pela primeira vez, ele invadiu sem pensar duas vezes a pele do rapaz, sem sequer se importar em deixar cair ao lado do carro o corpo - agora morto - que antes habitava, uma vez que seu maior interesse era continuar o que o casal havia começado ali.
Lucifer não voltou a procurá-lo, assim como seus irmãos ou seu “fiel” exército, enfurecendo-o, tendo em vista que o mesmo não pode voltar ao inferno, o que ele tentou durante anos, afim de tirar satisfações, já que mesmo tendo se esquecido de boa parte dos anos de tortura, Abaddon se lembra de dezenas dos primeiros anos de agonia que passou acorrentado na jaula, levando-o a criar repulsa por aquele que o criou.
Eddard era o único filho do delegado da cidade, o viúvo George Wesker, cargo que após tomar a vida de seu filho para si, Abaddon passou a desejar, levando-o a forjar o suicídio do “próprio pai” não muito tempo depois de entrar na casa do mesmo. Com seu poder de persuasão, o demônio tomou para si o emprego do falecido, sendo hoje comandante da polícia da cidade, cargo que ele carrega com suposto orgulho. Hoje, mora sozinho na mansão dos Weskers, próxima da floresta que cerca a mesma. Para provocar o pai, continua tomando as almas do pior tipo de humanos que se pode imaginar, aos quais ele tem um acesso maior sendo chefe da delegacia. Entretanto, diferente de antes, hoje ele as toma para si, afim de aumentar a sua força com o poder que retira das almas.
Abaddon costumava ser um demônio comunicativo, interessado; os humanos lhe chamavam a atenção, e devido a isso, sempre procurou conhecê-los mais a fundo, principalmente se os interesses e desejos dos mesmos se mostrassem tão pecaminosos quanto os dele. Por esse motivo, não é difícil fazer com que ele fale mais do que parece afim. Mas no primeiro momento, o rosto fechado de um ex general sério e centrado pode afastar as pessoas, assim como os olhos negros do humano que hoje habita, que chegam a assustar quem quer que passe a olhá-los por tempo demais, devido a seu interior sombrio. Apesar disso, o demônio manteve o interesse na diversão que o prendia na terra, e portanto, ele logo retomou aos hábitos de frequentar os pontos movimentados da cidade, onde ele pode observar e conhecer melhor os habitantes da mesma, sem nunca precisar se incomodar em manter a discrição, já que diferente daquelas que preencheram seu cargo antes de receber o comando da cidade, ele não corre o risco de perder o emprego.
NOME COMPLETO: Aidan James Campbell.
IDADE: 22 anos.
DATA DE NASCIMENTO: 20 de março de 1995.
ESPÉCIE: Híbrido de lobisomem e metamorfo.
REINO: Sem reino.
OCUPAÇÃO: Estudante de Educação Física.
GÊNERO: Cisgênero masculino.
FACECLAIM: Froy Gutierrez.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Aidan é o filho mais novo dos Campbell, por ter nascido poucos minutos depois que sua gêmea Eve. Possui um irmão mais velho, Emitt, e os três fazem parte da oitava geração de uma comunidade híbrida, de metamorfos e lobisomens, cujo o pai é um dos Alfas.
A comunidade em que viviam era segura e regrada, com expressas ordens a serem seguidas. Os dons que possuíam, como a capacidade de se transformar em um lobo gigante não só nas luas cheias como por mudanças comportamentais e a hipersensibilidade, deveriam ser mantidas em segredo para assegurar que se passassem apenas como humanos e que, portanto estivessem a salvo dos conflitos se espalhavam pelo mundo.
No entanto, nenhuma regra ou barreira poderia conter o conflito que se formou no interior de Aidan desde quando passou a entender que sua mãe havia falecido no mesmo fatídico dia em que nascera. Por ser o mais novo dos gêmeos e por, segundo seu pai, ter apresentado dificuldades no parto se culpava inconscientemente pela morte da mãe. Isso despertou uma insegurança no garoto, que passou a ter dificuldades de interagir e demonstrar os sentimentos.
Sua infância embora feliz com seus irmãos, também era um tanto solitária. Sempre preferiu ficar imerso em seus próprios pensamentos, apenas observando o movimento ao redor. Mas esta reclusão não o impediu de desenvolver seu amor pelas pessoas mais importantes de sua vida: seus irmãos, e especialmente a gêmea, pela ligação que transcendia qualquer explicação e que vinha desde o útero. Com eles se sentia protegido e mais confiante, o que o fez aos poucos ir se libertando e buscando amadurecer, e se sentir mais confiante.
Isto ocorreu até o dia onde descobriu que resiliência nenhuma aplaca a dor. A guerra parecia uma recém epidemia, pois pelo ar a morte eminente circulava, sem piedade ou alvo, apenas chegava. E mesmo com todos cuidados de sua comunidade também chegou até eles, desta vez vestida em nome do Reino Dunne-Cogswell. Este reino de fadas tinha como intuito aprisionar os híbridos, para que assim se tornassem seus escravos, meras armas de guerra. Como era de se esperar a comunidade não aceitou o “pedido” nada gentil das fadas, e resistiu até que seus territórios inevitavelmente estivessem cobertos de sangue. Mas não os três irmãos. Thomas Campbell, pai de Aidan, entregou seu corpo ao reino para que os filhos tivessem oportunidade de viver. Em prantos e tentando acalmar a irmã, seguiu seu irmão mais velho tentando não olhar para trás, pois as memórias eram vívidas demais para precisar disto.
O caos se espalhava por todos os lados, e nunca Aidan se sentiu tão desolado. Seu pai e vários companheiros estavam mortos; seu irmão havia se tornado outra pessoa, ainda que fosse para os protege-los; sua irmã estava doente e ele se sentia impotente. A culpa pelas mortes passou a assombra-lo todas as noites, como um lembrete de que se ele já havia provocado algo ruim com sua mãe quando nem mesmo pensava, agora seria arriscado demais se envolver em todo aquele fogo cruzado. E por mais que essa insegurança o enlouquecesse o pior era a briga moral que se estabelecia em sua mente. Tinha o desejo de salvar cada vida que pudesse, mas tinha medo de só piorar as coisas. Seus atos variavam entre culpa e auxílio, mas grande parte deste período nebuloso passou ao lado da sua irmã, sendo a ancora que ela precisava neste momento difícil.
Livre dos fantasmas do passado, atualmente Aidan vive com os dois irmãos em um apartamento. Não é o mais luxuoso da cidade, mas o suficiente para que viva bem, pois para Aidan o lar é simplesmente onde a família está. Começou a cursar a faculdade de Ed.Física, visto que suas “habilidades” o auxiliam um pouco na prática de esportes, e também devido sua vontade de ajudar as pessoas. Embora não vá ser um futuro médico, acredita que a atividade física é tão importante quanto, pois ajuda a prevenir futuros danos e é isso que o motiva: tentar sempre buscar o melhor. Atualmente estagia em uma academia para idosos e gosta muito do que faz.
Aidan possui uma personalidade compensatória. É focado, perfeccionista e muito determinado, mas isto se deve ao motivo de ter a auto-estima extremamente baixa. Por isto é muito solícito e prestativo, se envolvendo em vários projetos, o que por vezes o esgota por querer ser bom em tudo o que faz. Um defeito que ele mesmo tem consciência é sua sinceridade, que as vezes passa dos limites por não ser muito filtrada. É reservado e observador, o que lhe rende poucas amizades, mas muito conhecimento não empírico sobre as pessoas. Apesar de aparentemente ser “mais na dele”, gosta de conversar sobre coisas que lhe despertem interesse e é carinhoso se nutrir algum sentimento pela pessoa, mas este carinho geralmente é demonstrado e não falado. Não é o tipo de amigo conselheiro, muitas vezes dando choques de realidade ao invés de consolar, mas se tem uma coisa que não se pode negar é o quanto ele é fiel e protetor com quem ama. Outro fato sobre Aidan é que ele é naturalmente respeitoso com mulheres, devido sua criação, além de prezar pelo correto e odiar injustiças e hipocrisias. Possui um imprinting de lobo, como todos de sua comunidade, porém o nega por ser cético. Não acredita em fato no amor verdadeiro, uma alma gêmea, por isso prefere somente sentir e não assumir um sentimento de tamanha complexidade.
NOME COMPLETO: Abyss “Ath’tulea” Gwilliam-Kleist.
IDADE: 423 anos, aparenta 30.
DATA DE NASCIMENTO: 10 de novembro de 1594.
ESPÉCIE: Híbrido de fada e demônio.
REINO: Reino Gwilliam-Kleist.
OCUPAÇÃO: Policial.
GÊNERO: Cisgênero feminino.
FACECLAIM: Shay Mitchell.
STATUS: Indisponível para aplicações — OC.
Abyss costuma pensar que sua vida foi dividida em etapas. A primeira etapa foi o sonho. Nascida em berço de ouro, como a princesa mais velha da família real do reino de Gwilliam-Kleist, não podia pedir por uma vida melhor. Tinha tudo o que queria e ninguém podia negar-lhe nada, fosse por conta de seu posto na sociedade ou por causa de seus grande e brilhantes olhos e sorriso adoráveis. Treinada pelas melhores pessoas e cercada pela nobreza, Abyss viveu os primeiros 120 anos de sua vida na maior paz que ela conheceu. Paz esta que era relativa, as batalhas já aconteciam a sua volta, as disputas territoriais, a guerra e todas a podridões do mundo eram escondidas da garota. Seus pais cuidavam dessa parte, para a garota sobrava, então, ser a bela e alegre princesa que todos sabiam que vivia em uma bolha de fantasia mas que ninguém tinha coragem de estourar.
A fantasia começou a se desfazer quando Abyss viveu se apaixonou pela primeira e única vez. Não era a primeira vez que o bruxo aparecia no palácio de Gwilliam-Kleist, há tempos que este tinha sua magia subordinada aos governantes do local. Ele era poderoso e Abyss ficou encantada pelo homem. Mas era apenas uma paixão, Abyss estava longe de ama-lo e notou isso depois de já estar em um relacionamento escondido com o bruxo. Ele era poderoso, bonito e cavalheiro, porém era demais para Abyss. Falso demais, atencioso demais, controlador demais… A ilusão da paixão foi se desfazendo pouco a pouco até o dia que Abyss optou por terminar as coisas com ele.
Ele não levou o término numa boa e, assim, começou a segunda etapa da vida de Abyss: o pesadelo.
Foi o clássico “se eu não posso tê-la, ninguém vai”. Enfuriado e cego pela raiva, o bruxo amaldiçoou a vida da princesa para que ninguém mais a visse como realmente era, que seu sorriso não encantasse mais ninguém e sua beleza fosse medíocre aos olhos alheios, assim como o seu coração. Ele justificaria o sangue de demônio do qual se dizia descender as fadas e, quando morresse, Abyss estaria condenada e ir para o seu lugar de direito, o inferno. Ela era uma fada e uma princesa, fora ensinada a se ver como superior e sua reação natural foi discutir com ele, ameaça-lo com a sua própria magia e força sobre-humana. Porém ela não sabia lutar o suficiente, nunca precisou saber, e, quando estava pronta para se retirar, abandonando a forma humana, o bruxo a capturou e arrancou suas asas.
Foi a primeira vez que morreu. Como prometido pelo ex-amante, Abyss encontrava-se no inferno quando seus olhos abriram novamente. Ingênua e inocente como era, as primeiras décadas no inferno foram terríveis para ela. Seu corpo tremia cada vez que ouvia um dos milhares de gritos desesperados e as torturas faziam com que perdesse sua voz de tanto gritar, até sua consciência se perder também. Tudo isso para acordar regenerada e passar por tudo novamente. Perdendo sua mente e sua ingenuidade a cada dia que parecia durar eternamente, chegou o dia que ela aceitou trocar de papel no inferno. Vendeu sua alma para acabar com a tortura. Apenas tinha que se prestar ao papel de torturar as outras almas presas no inferno e, depois de tantos anos sofrendo e acumulando o rancor em seu coração, era um preço pequeno a pagar pela própria liberdade.
Sentira a mudança drástica em si e culpara o bruxo que a matara, mas ela já não era mais a mesma fada inocente que morreu sendo. Se aquelas pessoas estavam ali no inferno, elas provavelmente mereciam o que receberiam, ainda que fosse por suas mãos. E ela não tinha mais cabeça o suficiente para se importar com o bem estar alheio. Só queria interromper seu próprio sofrimento antes que enlouquecesse de vez. Ganhou um nome novo, próprio para o demônio que realmente era, porém ainda agarra-se ao seu nome de fada, mais por orgulho do que por saudades. Não tinha uma boa noção de tempo no inferno para saber por quantos anos continuou a torturar as almas, mas foi o suficiente para se acostumar com a rotina até se tornar tedioso. Sem aguentar mais, esperou por uma brecha nos portões da morte e escapou.
Foi então que começou a última etapa que Abyss se lembra e que ela chama de renascimento. Estava novamente na Terra e havia passado séculos desde sua morte. O mundo era outro e o bruxo que a matara estava, há muito tempo, gritando no inferno, de forma que ela não poderia ter a vingança que sonhara. Sem pensar muito, Abyss voltou para o reino de Gwilliam-Kleist. Não podia se revelar, afinal passaram-se séculos e a princesa Abyss Gwilliam-Kleist era, agora, parte dos contos e cantigas de ninar como a princesa desaparecida. E ela não queria nem começar a pensar em como seria a sua recepção, agora que era um demônio, se tentasse voltar. Não, ela preferiu manter-se nas sombras do reino, apresentando-se apenas como Abyss ou Lea. Ajudava as pessoas de seu reino como podia, seja com contratos -ainda que estes custassem as almas das pessoas- ou com seus poderes -que pareciam perfeitos para ir atrás de criminosos ou de qualquer pessoa que ferisse seu povo. Acreditava-se como um anjo guardião de seu povo, já que era o máximo que podia fazer por eles agora, com o pequeno detalhe de que era um demônio.
Quando a guerra caiu sobre Gwilliam-Kleist, Abyss não pensou duas vezes antes de lutar. O exército não sabia quem era a misteriosa guerreira que lutara a seu lado contra todas as invasões e batalhas que atingiam o reino. O orgulho e a vontade de proteger as pessoas de seu reino foi algo que ela definitivamente não perdeu mesmo depois de tantos séculos. Foi ao fim de uma batalha que um dos soldados a desmascarou. Ela fora descuidada, estava cansada, presa no corpo de sua hospedeira a tanto tempo que seu cansaço era seu também, e disfarçar suas habilidades demoníacas era ainda mais cansativo em uma situação de desespero. A fama dos demônio caiu sobre si quando as pessoas com as quais lutara, pelas quais lutara, se voltaram contra ela. Mais uma vez traída por alguém que ama, dessa vez seu povo, Abyss morreu novamente.
Atualmente Abyss é parte do corpo de polícia da cidade de Yareach. Ainda tem a vontade de vingança em seu âmago, uma vingança impossível e já realizada. Ocupa sua mente com os trabalhos na polícia e com qualquer coisa que puder, desde noitadas nas baladas ou bares à trabalhos de caridade simplesmente para ajudar as pessoas. Não deixa de fazer seus trabalhos como demônio, porém. Ainda vende os famosos pactos, não por ainda querer ter afiliação com o inferno, mas por vontade de ajudar rápido as pessoas, ainda que tenha um preço pesado após a morte.
Há séculos Abyss não é mais a fada inocente e pura que um dia fora. O inferno a mudou e hoje ela é feita totalmente de dualidades. Não tem problema nenhum em machucar alguém ou torturar uma alma em penitência, porém ocasionalmente tem vontade de realizar trabalhos voluntários simplesmente por ser mais uma forma de ajudar as pessoas. Tem um grande rancor contra os bruxos, por conta de sua primeira morte, e costuma ter um pé atrás com eles. Também como efeito de seu passado, ela tem uma tremenda dificuldade de se aproximar de verdade de alguém, preferindo relações superficiais e que não permitam que mais ninguém a fira. É uma representante forte do ‘girl power’ e não hesita nenhum momento em que precisa mostrar sua verdadeira força. Ela ainda é, afinal, uma pessoa piedosa, porém sempre terá a si mesma em primeiro lugar.