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Capítulo 05: Feridas. (Kaidon Parte)
— Há quanto tempo ele está lá fora? — Hugh perguntou.
— Não sei, acho que faz uma hora e meia. — Kai respondeu, fazendo carinho na testa do Calvin que dormia em suas pernas.
— Você não acha que deveria ir lá conversar com ele? — perguntou, encostando-se a janela.
Brandon estava sentado na calçada, sozinho. O Sol provavelmente já estava castigando-o, mas dali ele não saia. Mesmo com Sean já tendo o chamado uma vez e Charles por duas vezes, ele se negava a sair de lá.
— Não. — respondeu, observando Brandon.
— Estou começando a ficar com pena. Já é a terceira vez que ele vem aqui te chamar e você não resolve atendê-lo.
— Ele não teve pena de mim aquele dia. Por que justo eu deveria ter?
— Pra mostrar que você não é igual a ele, Kai. Não se pode pagar na mesma moeda. Se ele se mostra arrependido, o que custa dar uma chance?
— Hugh, já conversamos sobre isso... Não vai adiantar. Eu não consigo perdoar, além disso, ele tem a Melissa.
— Você é apaixonado por ele. — Hugh imediatamente soltou.
Kai olhou através da janela.
— Brandon é hétero e tem namorada. Você sabe que eles namoram desde que o Brandon tinha quinze anos, não é? — dessa vez mexia na orelha de Calvin, relembrando de como Brandon adorava receber aquele carinho.
— Ele transou com você, Kai. Ele era virgem até isso acontecer.
— Fala baixo! — exclamou e olhou para os lados. — Ele não sabe que contei pra você e pro Calvin o que chegou a acontecer na festa.
— De qualquer forma ainda acho que ele só está confuso. No fundo tenho pena dele. Colin sempre nos disse que o sobrenome Ferazza é uma maldição.
— Brandon não costuma ter pena de alguém, Hugh. Ele foi capaz de expulsar dois membros dos Tigres com a razão de me fazer permanecer lá.
— E o que você queria? Ele não tinha alternativa. Além disso, indiretamente, a culpa disso ter acontecido não é exatamente dele. Se você distribuir a culpa entre os primos do Brandon, vai perceber que era a única saída. Ele não te quer longe dali. Não foi preciso eu estar lá pra deduzir isso, estou apenas me baseando no que você me contou.
— Significa dizer que eu devo carregar a culpa de ter dois colegas meus expulsos por minha causa? — Kai o olhou, parando até de fazer carinho em Calvin.
— Você acha que o Brandon iria dividir o quarto com outra pessoa?
— Não sei. — respondeu, voltando a observar Brandon na calçada. O sol das onze certamente maltratava o loiro.
— Sinceramente? — fez uma breve pausa e prosseguiu. — Acho que ainda que você fosse expulso, outro também iria. Brandon ficaria sozinho em um quarto.
— Não podemos ter certeza disso.
— Foram sacrifícios, Kai. Pelo menos eu consigo enxergar assim. — também olhou para Brandon através da janela.
— Que seja, eu não vou acreditar nisso. — encerrou o assunto.
Kai e Hugh ficaram em silêncio por um minuto até o diálogo retomar.
— Se eu falar com o Colin será que ele me deixa morar aqui? — questionou o tigre.
Hugh naquele momento lembrou de Pietro e da confusão que estava sendo para o garoto ser aceito, tendo em vista que os quartos estavam completos.
— Tem certeza de que vai sair dos Tigres? — Hugh olhou para a república da frente.
— Tenho. — respondeu de imediato, embora inseguro.
— Isso não me convenceu. — Hugh sorriu. — Talvez você só esteja querendo enxergar seu ponto de vista e não aceitar o fato de que o Brandon só o quer naquela república. Kai, você já parou pra pensar em quando o Brandon for líder?
— Ele vai ser igual ao Sean, tenho certeza.
— Me disseram que o Sean já foi pior. — Hugh preferiu não mencionar o Colin.
— Ele nunca mudou. Vive brigando por tudo.
— É o modo dele liderar. Percebi que ele é bem organizado quando se trata da república, talvez seja por isso que as regras são tão rígidas.
— São regras passadas por gerações. Brandon vai precisar segui-las se quiser permanecer na liderança, ou seja, vai ser um saco. Preciso sair dali urgente.
— Brandon vai precisar de um braço direito naquela liderança, você deveria ficar ao lado dele nesse momento. Eu sei que você está bastante magoado pelo que ele fez aquele dia, até entendo e sei que eu também ficaria, mas vejo o quanto ele se esforça pelo seu perdão. Eu sinto pena.
— Brandon é um Ferazza, Hugh. Isso é mais do que o suficiente para que eu deva me manter longe dele.
— Talvez ele seja a exceção dos Ferazzas... Bem, vejamos, ele é loiro. — brincou.
— Como você é idiota... — acabou sendo contagiado pelo sorriso do amigo.
— Estou apenas falando a verdade. Brandon realmente vai precisar de alguém que o ajude a liderar, ele sempre vai precisar de uma palavra de opinião ao pensamento dele.
— Ferazzas não costumam pedir opinião quando querem fazer algo, eles simplesmente vão lá e fazem. Por que o Brandon não perguntou minha opinião? Simplesmente acabou expulsando dois membros! Aquela família é toda errada. Você mesmo viu o Calvin salvou aquele pirralho, e veja o que aconteceu.
— Ele só não soube como agradecer.
— Às vezes sinto vontade de te dar três tapas na cara pra parar de enxergar bondade nas pessoas. — Kai revirou os olhos.
— Certo. Vou ter que concordar que aquele garoto foi um mal agradecido. O Calvin o livrou de um atropelamento e ele simplesmente entrou na república. Eu, sinceramente, não entendi aquilo. Ele parecia nervoso, sei lá... Foi estranho.
— Calvin deveria têlo deixado morrer. — Kai soltou.
— Vira essa boca pra lá, Kai! — exclamou assustado.
— Ah, ele não ia morrer... O carro nem estava tão veloz. — tentou amenizar o pensamento.
— De qualquer forma o Calvin evitou um acidente. Tadinho do Calvin, ele deve está no sétimo sono. Chegou hoje pela manhã, estava tão cansado.
— Percebo. Estamos conversando aqui e ele ainda não acordou. — olhou para o amigo. — Onde ele trabalhou hoje?
— Garçom de um bar. — respondeu.
— Você não acha estranho? — Kai murmurou.
— O quê?
— Não sei. Às vezes sinto que alguma coisa não se encaixa. Sei lá... — respondeu.
— Acha que o Calvin está mentindo sobre ir trabalhar? — também murmurou.
— Não é bem isso... Enfim, esquece. Eu não posso ter esses pensamentos. O Calvin é meu amigo e devo acreditar nele.
— Eu só fico preocupado nos dias em que ele sai de madrugada. Quando é no início da noite tudo bem, mas de madrugada me deixa realmente preocupado. Tem quase duas semanas em que ele tá saindo quase toda a noite. Antigamente era uma ou duas vezes na semana.
— Deixa esse assunto pra lá. Aliás, devemos acordar o Calvin, ele precisar ir para o quarto.
— Não, deixe-o aí. O Pietro está no quarto. — soltou sem querer.
— Pietro?! — Kai arregalou os olhos.
— Uma grande confusão... — recuou o olhar. — Não acho que seja uma boa hora pra explicar pra você.
— Me diz que isso é brincadeira... E melhor ainda, me diz que isso não é coisa do seu coração gentil. — fixou seus olhos no leonino.
— Olha, é bom conversarmos depois... — tentava ao máximo controlar o amigo que parecia estar se exaltando.
— O Pietro dormiu no seu quarto? — o encarou por alguns segundos, reconhecendo que o amigo jamais mentiria. No silêncio de Hugh ele percebeu a resposta era sim. — Onde diabos você bateu com a cabeça?
— Você não pode abusar desse fato de que eu não consigo mentir, Kai! — falou chateado, afastando-se da janela.
— Que merda eu tô fazendo nessa república? — Kai elevou o tom de voz.
— Você está com seu amigo, ou melhor, com seus amigos. — disse ao lembrar-se de Calvin.
— E meu melhor amigo tá acolhendo um dos garotos que vive pegando em nosso pé. Hoje o dia realmente não está legal.
Kai ficou de pé, consequentemente acordando Calvin que dormia tão bem, mas teve que ser acordado daquela forma. Sem entender, ele ficou olhando para os dois garotos em conflito.
— Mais tarde conversamos. — Kai disse, indo em direção a porta. — Pode voltar a dormir, Calvin, desculpe. — olhou para o amigo.
— Kai, deixa eu te explicar. — Hugh falou, meio que numa súplica.
— Hugh, o Pietro não é meu amigo, ou melhor, não é nosso amigo. Se você quer se tornar amigo dele, tudo bem, eu respeito isso, afinal, não mando em você. Mas eu? Eu não vou engolir aquele garoto. — disse antes de abrir a porta e sair.
Hugh decidiu que era melhor deixálo ir. Kai realmente precisava de um descanso mental, tendo em vista as várias confusões que enfrentou desde o dia anterior.
Já do lado de fora, Brandon assustou-se quando viu Kai saindo. Imediatamente correu para se aproximar dele, contudo, notou que ele parecia mais irritado do que anteriormente. O loiro logo iniciou falando:
— Ainda bem que você saiu. Nós realmente precisamos conversar.
— Foda-se. — usou da palavra de baixo calão.
Kai permaneceu andando, sequer parou para falar com Brandon. O loiro o seguiu atravessando a rua.
— Mas nós precisamos conversar, Kai...
— Eu não quero conversar com você. Eu vou pegar minhas coisas e vou embora. — falou sem olhá-lo.
— Puta que pariu, você pode parar pra me ouvir?! — Brandon se exaltou, o seu grito acabou assustando Kai, e a mão do loiro que repousava sobre o seu braço o deixou estático.
Kai observou os dedos de Brandon apertando o seu braço, depois levou seus olhos verdes aos olhos azuis do loiro, que estava, de fato, enfurecido. Brandon não tinha mais paciência, infelizmente.
— Eu tô cansado, Kai. — disse o loiro. — Eu estou começando a ficar de saco cheio de tudo isso. — o soltou.
Kai por alguns segundos ficou sem ter o que responder. Os seus lábios tremiam tentando buscar por palavras.
— Eu também estou cansado. — disse o mexicano.
— É, parece que nós dois estamos cansados. Contudo, eu estou mais cansado ainda. E essa é a última vez que eu vou tentar insistir nisso.
— Brandon, aqui não é lugar pra conversarmos. — temeu, notando que havia sinceridade no que o loiro falava. Por um minuto sentiu arrependimento.
— E onde seria? Não existe lugar ou hora pra você.
Kai olhou ao redor e viu que estava sendo observado pelos curiosos de plantão.
— O que você quer?
— Perguntar se você vai permanecer agindo assim. Como disse, eu estou de saco cheio.
— É errado agir assim? Errado ficar com raiva?
— O que você queria que eu fizesse? — cruzou os braços.
— Tudo, menos expulsar dois colegas nossos. — respondeu imediatamente.
— Acha que era isso que eu queria? Acha que eu gosto de ficar fazendo mal às pessoas?
— Você lembra o que você fez? — Kai teve a indagação por momento certo.
Brandon, que tinha palavras a concluir, se calou ao ouvir o questionamento.
— Você é tão ingrato. — Brandon balançou a cabeça negativamente, seus olhos entristecidos partiram o coração de Kai.
— Não é ingratidão, Brandon. É saber que tudo o que faz é para se redimir. Não é exatamente pensando em mim que você faz isso, mas no que você fez. Como se assim eu pudesse esquecer o ocorrido.
— E se eu parar?
— Já deveria ter feito isso há muito tempo.
— Ótimo. — Brandon descruzou os braços ao sentir o peso daquilo.
Kai, por alguns segundos, ficou observando-o. Brandon olhou para o céu por vários segundos, se perguntou por quanto tempo iria suportar tudo aquilo. Foi quando, sem comando dos seus sentimentos contidos, desabou.
— Porra, Kai. — transbordou o loiro com as lágrimas pairando em seus olhos. Brandon levou suas duas mãos para trás da cabeça e sentiu-se envergonhado por estar, de fato, quase chorando na frente dele.
Kai, dessa vez, sentiu o coração apertar. Era, acima de qualquer coisa, doloroso ver aqueles olhos azuis afundando-se. A lágrima não descia daqueles olhos pelo esforço que o loiro fazia, contudo, era de se imaginar o quão triste Brandon estava.
Brandon continuou:
— Tudo o que eu faço você reclama. Absolutamente tudo!
— Não era para as coisas serem assim, Brandon. — Kai disse, dando as costas e abrindo a porta de sua república. Tentava ao máximo se segurar para não chorar mais uma vez.
— Eu não vi saída melhor. — falou ao fechar a porta.
— Me tratar daquela forma realmente era sua única saída. Aliás, amigos servem pra isso, não é? — ironizou.
— Poxa, Kai, você nunca vai entender...
— Eu realmente não vou entender, afinal, não tem o que entender. — passou pela passagem da cozinha.
— Custa me perdoar? Custa aceitar que eu errei?
— E quantas vezes terei que te perdoar sempre que eles aparecerem aqui? — uma indagação que acabou deixando Brandon sem palavras.
— Mentir é minha única saída... — disse ao descer seus olhos ao chão, puxando uma cadeira para se sentar.
— Me usar na sua mentira foi seu maior pecado.
[Início do Flashback]
Típico cenário de festa: universitários com copos de bebida na mão — uma parte dançando e outra conversando — aproveitando a música boa e alta. Não era exatamente o aniversário de ninguém, tendo em vista que grandes festas ocorrem em datas comemorativas, mas nada mais se tratava de uma festa organizada por Luke, que apenas dava boas vindas aos calouros da Quadra.
— Certo, agora você sozinho. — Kai disse para Brandon.
Eles estavam dançando na sala dos águias, ambos levemente alterados pela bebida, mas nada que os deixasse caindo pelos cantos da casa. Kai estava ensinando o Brandon a dançar, coisa que o loiro não era tão bom assim, mas tinha desenvoltura, enquanto Kai realmente tinha um jogo de cintura de invejar.
Brandon, zombando de Kai, colocou as duas mãos na cintura e tentou rebolar. Aquilo acabou roubando gargalhadas do amigo, que tocou-lhe o ombro, parando-o o imediatamente.
— Você precisa relaxar mais e não é necessário por a mão na cintura, Brandon. Segue o ritmo da música.
— Cara, é difícil. Onde faz curso pra aprender a rebolar? — Brandon disse, repousando a cabeça no ombro de Kai.
Kai, obviamente, amou a ação do loiro.
— Mas você sabe mexer o quadril, só tô te ensinando a encaixar isso no ritmo da música.
No exato momento em que Kai pronunciou a palavra “música”, como mágica, uma nova faixa passou a entoar pela Quadra. Um ritmo mais sensual, porém com pegadas mais fortes. Brandon olhou para Kai e sorriu
— É agora que eu dou meu show, segura aqui! — Brandon retirou a camisa e jogou para Kai.
O loiro simplesmente derrubou bebida no próprio corpo, levou sua mão ao peito e a desceu, devagar, pelo abdome, gesto engraçado para Kai, provocativo, mas engraçado. Brandon realmente queria brincar com aquilo, tentando de alguma forma sensualizar.
Kai colocou-se ao seu lado e criou uma espécie de coreografia, Brandon arriscou-se em acompanhá-lo. Atrapalhou-se um pouco, mas até que conseguiu, embora em determinados momentos cometesse alguns erros, tendo em vista que Kai sempre surgia com algum passo novo.
Kai e Brandon só notaram na metade da música que mais pessoas acompanhavam a dança deles. Ao final da música, os amigos caíram na gargalhada. Brandon até se lançou no sofá vago e respirou fundo, exausto.
— Preciso ir ao banheiro. — Kai gritou, tendo em vista que a música estava alta.
— Eu vou com você. — Brandon deu um salto do sofá imediatamente.
Kai passou pelos universitários ali, inclusive saltou algumas pernas no corredor de pessoas que já estavam caídas e alcoolizadas. O futuro quase ficou pra trás quando uma garota o lançou contra a parede, prestes a beijálo.
Kai, sentindo a ausência de Brandon atrás dele, virou-se. Ele acabou vendo Brandon sendo prensado na parede.
O loiro balançou a cabeça negativamente, inclusive, desceu sua cabeça para o lado, desviando do beijo que iria receber. Depois ele fez uma careta e repetiu o gesto com a cabeça. A garota apenas mostrou-lhe o dedo do meio e deu as costas.
Brandon olhou para Kai, que o aguardava e o alcançou. O loiro achou engraçado o ocorrido, mas Kai sentiu a ponta de ciúmes ali. Aquela não era a primeira vez que ele tinha sentido ciúmes, mas era a primeira vez que tinha descrevido aquilo como tal, tendo agora ciência de que seu sentimento por Brandon ia além da amizade.
Kai, apesar de tudo, também riu da loucura cometida pela garota. De fato, foi engraçado. Quem imaginaria que Brandon seria abordado daquela forma? Pelo menos ela foi corajosa, garota de atitude.
Ao entrar no banheiro, Kai foi diretamente para a privada. Brandon, atrás dele, fechou a porta. O som alto foi amenizado.
Brandon ficou se olhando no espelho, enquanto Kai já estava de zíper aberto, de pé, aliviandose.
— Da onde você acha que surgiu aquela louca? — Brandon perguntou para Kai. — Vai logo aí, também quero mijar.
— Aqui tem gente pra tudo. — respondeu.
Kai fechou seu zíper e afastou-se da privada, cedendo lugar ao Brandon. Depois olhou-se no espelho, lavou suas mãos e ficou observando Brandon de costas.
— Cara, você dança demais. — o loiro falou, terminando de se aliviar.
— Ah, nada. — constrangido, respondeu.
— Como nada? Você literalmente fez todo mundo dançar sua coreografia naquela sala. — Kai sorriu de forma que suas bochechas doeram. — Um dia vou te superar, farei coisas do tipo...
Brandon girou com um só pé, e quando ia preparar pra saltar, acabou escorrendo no piso molhado, isso fez com que ele caísse por cima da cortina do banheiro, derrubando-a junto com seu suporte que caiu sobre sua cabeça.
— Brandon! — Kai gritou
Ele se ajoelhou para socorrer o amigo, tentando encontra-lo debaixo da cortina. Ao retirar o objeto, para sua surpresa, encontrou Brandon gargalhando. O loiro estava até vermelho de tanto que estava rindo da própria desgraça.
— Porra, para de rir! Isso poderia ter sido sério. — Kai, contagiando-se com a gargalhada, deixou alguns sorrisos escaparem
— Eu sou realmente um desastre! — Brandon continuou a rir.
Sua gargalhada estrondosa foi o suficiente para fazer Kai também rir daquilo. Kai caiu ao seu lado, e repousou sua cabeça no braço do loiro, rindo tão alto quanto o Brandon.
Loucuras de bêbados. Só eles para rirem de momentos como aquele. Por um só tombo Brandon ria como um idiota e Kai, coitado, estava rindo mais da gargalhada do loiro do que o tombo que ele levou, mas quando lembrava de como Brandon ficou embaixo da cortina ria ainda mais. Era, de fato, para o momento, algo engraçado.
Aos poucos, as risadas foram cessando. Kai foi o primeiro a não mais gargalhar, dando espaço para sua respiração pesada invadir o cômodo. Já o loiro ria baixinho, com a respiração entrecortada.
Kai acabou afastando sua cabeça do ombro do loiro, e esfregou o rosto. Quando retirou sua mão da face, notou Brandon o encarando com um leve sorriso. O futuro médico tinha seus olhos brilhando e, consequentemente, acabou constrangendo o moreno, fazendo-o também mostrar o belo sorriso.
Brandon, em um gesto involuntário, aproximou seu rosto ao do Kai, uniu seus lábios aos dele e fechou seus olhos, beijando-o. Kai, a princípio, afastou seu rosto por alguns centímetros. Aquilo o assustou e o deixou confuso. Contudo, Kai voltou seu rosto para a posição inicial em menos de cinco segundos, finalmente recebendo o beijo ardente que o loiro proporcionava.
Ambos os corpos formigavam, não se sabe exatamente o porquê.
O loiro era mais apressado, sua mão já tocava a coxa do outro, subindo aos poucos, penetrando a camisa do Kai e repousando as mãos firmes na cintura dele. Kai, por sua vez, ainda estava confuso com o que estava acontecendo, mas a ação era prazerosa.
Brandon sabia do erro. Sabia de todas as consequências. Contudo, permaneceu prosseguindo. Era um desejo seu, íntimo. Chama que queimava seu interior há dias.
O beijo foi demorado, talvez o mais duradouro de suas vidas. Lábios vermelhos, macios, quentes. Kai, inclusive, deixou escapar um suspiro quando sentiu a mão do loiro apertar sua cintura.
Ambos estavam excitados.
— Aqui não. — Kai falou, ainda suspirando.
Brandon afastou seu lábio e voltou a sorrir. Ele ficou de pé e estendeu a mão para Kai, levantando-o. Kai sorriu mordendo os lábios, um charme. Brandon adorava ver os dois dentes centrais do moreno repousado no lábio inferior, charmoso.
O loiro abriu a porta do banheiro e o som alto invadiu o cômodo. Ele saiu de lá segurando no pulso de Kai, puxando-o apressadamente.
Brandon não conhecia a república que estava, mas alcoolizado, assim como Kai, nem estavam se importando com loucura que ia cometer. O loiro empurrou um garoto bêbado que estava em frente a uma porta e tentou abri-la, mas a encontrou fechada, deu mais uns passos e tentou abrir a outra porta, obteve a mesma resposta. Na terceira tentativa, para sua surpresa, encontrou a porta aberta.
Logicamente, numa festa, estavam todos entretidos com a diversão, fora que metade das pessoas dentro daquele cômodo não eram moradores da Quadra. Eles sequer deram bola pra dois garotos entrando num quarto.
Brandon acendeu as luzes e procurou por alguma chave. Não encontrando, olhou para o lado e arrastou um armário, impedindo que a porta fosse aberta com facilidade por qualquer outro.
Kai sorriu vendo aquilo, aliás, Brandon parecia tão sedento por um momento íntimo e ao mesmo tempo nervoso, que foi capaz de arrastar um armário apenas pela privacidade.
Kai retirou sozinho sua própria camisa, olhou ao redor e tentou descobrir de quem era aquele quarto. Encontrou uma camisa jogada no chão e tentava se lembrar de alguém que já tenha vestido ela, a memória veio de imediato: Luke. Era o quarto do próprio Luke, teve certeza quando viu uma foto do Samuel em cima de uma mesa de cabeceira.
Distraído, Kai foi surpreendido por Brandon, que o agarrou por trás e logo mergulhou seu rosto no pescoço dele. Kai se virou imediatamente e recebeu beijos e mais beijos do loiro.
Kai estava tão feliz que sequer conseguia descrever isso, mas ainda permanecia confuso. Pelo que recordava, Brandon era hétero. O loiro mesmo já disse isso para ele.
As mãos do moreno foram tão ágeis ao descer até a cintura do estudante de medicina.
— Tem certeza? — Kai ainda perguntou para Brandon. — Você parece nervoso, está agitado demais...
Brandon apenas sorriu.
Kai levantou a camisa de Brandon e exibiu a primeira tatuagem do loiro. Ela ficava na lateral do corpo, iniciando no peito e terminando próximo ao quadril: uma cabeça de tigre mostrando os dentes, acima de uma caveira com duas penas. Brandon optou por não colori-la, deixando-a em sua cor natural, ou seja, recebendo a cor de tom de pele.
Kai tranquilizou Brandon ao segurar em sua mão e em seguida se sentar na cama, ainda o olhando. O futuro médico veio por cima dele, beijando, juntos deitando-se na cama de solteiro.
Brandon beijou Kai como quando o beijou no banheiro. Precisava se manter calmo. O fato de estar nervoso acabou deixando Kai suspeitando de algo.
A verdade era que Brandon, aos 20 anos de idade, era realmente virgem. Promessa feita, mas que naquele momento estava sendo quebrada. Ferazzas... O fato de saber que a perderia com o garoto o deixava realmente nervoso. E não era qualquer garoto, talvez até fosse mais fácil, porém era Kai: o seu melhor amigo.
Kai, enquanto recebia beijos, não sabia se era correto retirar a roupa inferior do loiro, aliás, também sentia que não deveria ir tão rápido. Mas Brandon simplesmente guiou as suas duas mãos para o botão de sua calça, foi aí que o estudante de engenharia não ousou em perder tempo.
Ousado, Kai rapidamente se desfez daquele botão, abaixando a calça do loiro que também facilitou ao retirar ela toda e jogá-la ao lado da cama, ficando apenas de cueca sobre o corpo do outro.
Foi então que Kai, devagar, ficou de costas para Brandon. O loiro, por cima dele, beijou-lhe o ombro nu. Kai fechou seus olhos e levou suas duas mãos ao cós da calça, contudo, teve a ação interrompida pelo loiro.
Brandon ficou novamente de pé. Kai, ainda deitado de bruços, o olhou. Vê-lo de cueca era tentador: o pênis do loiro, pulsante e nada modesto, parecia querer rasgar a cueca branca de tão rígido que estava. Brandon olhou para o próprio membro e sorriu constrangido para Kai.
O loiro então tocou em sua cueca, olhou para Kai mais uma vez e respirou fundo, em seguida desceu a veste que repousou em seus pés, ficando definitivamente despido e de membro ereto na frente do Kai.
Kai olhava em seus olhos azuis até que desceu seus olhos ao membro dele. Um misto de sentimento tomou conta de seu corpo. Para ele, Brandon era perfeito fisicamente falando.
Brandon com as duas mãos tocou o cós da calça de Kai que ainda estava deitado de bruços e, aos poucos, foi descendo-a. Parte por parte daquela nádega foi sendo exibida. Kai se constrangia fácil, e tratando-se de ficar despido, ele certamente nunca deixaria de ficar constrangido, ainda mais na frente de alguém que mexia tanto com seus sentimentos.
Mas já era tarde demais, Brandon retirou sua calça junto da cueca e a jogou sobre as outras roupas. Finalmente estavam os dois nus.
Brandon sentiu seu corpo tremer no momento em que seus olhos miraram as nádegas de Kai. Tudo o que ele queria era tocá-las, senti-las em suas mãos, seus lábios, seu corpo. Kai era digno da bunda que tinha, era durinha, nem pequena e nem grande, apenas na medida.
O loiro engoliu em seco antes de decidir subir em cima daquele corpo de bruços e, ao sentir aquele corpo quente encostando-se ao seu, tremeu novamente, como se cargas elétricas fossem depositadas em seu corpo.
Kai pôde sentir o membro ereto de Brandon encostar no meio de suas nádegas, em seguida seu corpo foi sendo preenchido pelo seu abraço e sentiu arrepio quando os lábios do loiro tocou-lhe a orelha. O estudante de engenharia apenas fechou seus olhos e suspirou.
Brandon foi beijando devagar os ombros de Kai, depois beijou-lhe o meio das costas, desceu um pouco mais e beijou-lhe a cintura e finalmente encontrou a nádega, beijando-a levemente e, num gesto involuntário, mordiscando-a.
Kai não resistiu, deixou escapar um leve gemido. Aquilo, de fato, o deixou arrepiado. Tanto é que Brandon pôde sentir sua pele arisca.
Brandon voltou a subir com os beijos nas costas dele. Kai rapidamente se virou e encontrou os belos olhos azuis do loiro. Brandon sentiu seu pênis roçando no membro de Kai e novamente precisou manter o controle, sua respiração até tinha saído do limite.
Kai sorriu, aquilo aliviou o loiro, que também sorriu.
— Trouxe camisinha? — Kai perguntou
— Bem... — Brandon fechou os olhos e fez careta
Ele era virgem, sequer cogitava andar com algum preservativo, tendo em vista que não tinha planos de transar com ninguém na Quadra.
— Na minha carteira. — Kai disse e sorriu.
O loiro apenas estendeu a mão em busca da calça do amigo, encontrou a carteira e de lá retirou o preservativo, segurando em sua mão.
— Isso vai te machucar, não vai? — o loiro perguntou.
— Não se preocupe com isso.
— Me incomoda saber que não vou ser o seu primeiro.
— Essa é a realidade. Contos de fadas não existem. Você bêbado fica apaixonante
— E você bêbado fica sincero demais. — caçoou o loiro.
Brandon, ainda sorridente, desceu seus lábios ao encontro dos lábios de Kai. Os beijos voltaram a acontecer, dessa vez ganhando certa pressão pelo contato dos corpos despidos.
E a noite seguiu banhada em sexo. Kai, com a cabeça caída para fora da cama, se e doava em gemidos intercalados, em sua maioria sendo interrompidos pelos beijos ardentes do loiro que, carinhosamente, penetrava-o.
Brandon ousou em gemer baixinho e seus gemidos misturavam-se aos do Kai, tão abafados e baixos, que mais pareciam suspiros. O suor descia pela testa do loiro, molhava as suas costas do moreno, mas os dois, acima de qualquer coisa, não paravam de sorrir todas as vezes em que seus olhos e lábios se encontravam.
O mais belo daquele momento não era o sexo em si, mas os olhares que diziam: “Confia em mim, eu confio em você”, seguido dos sorrisos longos e belos que confirmavam essa confiança mútua.
Lá estavam os dois, abraçadinhos na cama, dormindo.
Brandon estava coberto até a cintura, parte de sua bunda sendo exibida. Sua cabeça repousava no tórax do estudante de engenharia enquanto o abraçava. Kai, por sua vez, dormia com os braços abertos, tendo o cobertor, também, até sua cintura.
O loiro, que dormia tão bem e se sentia tão acolhido, acordou ao toque do seu celular. Ao abrir os olhos ele se deu conta do quarto em que estava, pôde também notar que estava abraçado ao Kai, inclusive demorou alguns segundos observando o rosto adormecido do amigo, esquecendo-se do celular que havia parado de tocar.
Ao olhar em seu relógio de pulso, quase que saltou da cama pelo horário. Eram 9 horas da manhã.
O seu celular voltou a tocar e ele temeu que Kai acordasse, por isso delicadamente se colocou de pé, arrependendo-se imediatamente quando sentiu sua cabeça doer bastante. Brandon buscou por seu celular com a mão na testa e, ao ver a foto de Melissa, se deu conta de sua realidade.
Ele, pelado, foi para o canto do quarto atender.
— Alô? Brandon? Onde você está? — Melissa perguntou.
— Ah... Eh... — não conseguia responder, principalmente ao ficar olhando para Kai dormindo na cama. — Onde você está? — foi só o que saiu de sua boca.
— Eu estou em frente a sua república, seu pai me trouxe aqui. Como é feriado, achei que pudéssemos passar o dia juntos. Tentei te fazer uma surpresa.
— Me espere aí, três minutos e eu estou chegando.
Brandon, às pressas, mas ainda tentando não acordar o Kai, buscou por sua cueca e a vestiu, depois sua calça. Com os sapatos e camisa no ombro, ele foi até a porta e, sabendo que era impossível não fazer barulho, arrastou o armário que trancava a passagem e saiu.
Ao passar pela sala, ele viu, através da janela, seus pais e Melissa parados em frente a sua república. Sean estava na soleira da porta.
Rapidamente teve uma ideia e logo jogou a camisa e os sapatos na sala dos águias e saiu de lá.
— Aqui. — falou sorridente, acenando. Obviamente um sorriso artificial.
Calvin e Hugh estavam sentados na calçada dos águias, conversando. Os dois ainda não tinham dormido, tendo em vista que passaram a madrugada se divertindo. Caine recém tinha acordado e se juntou a eles. Curiosos, assistiram Brandon ir de encontro a sua família.
Brandon era realmente muito parecido com seu pai, o Franz. Os olhos azuis e cabelos loiros foram herdados dele, certamente. Até mesmo o sorriso era idêntico. Enquanto Cassandra, sua mãe, seguia a genética dos Ferazzas, ou seja, seus cabelos eram pretos, porém curtos, acima dos ombros.
Melissa, sua namorada, parecia uma boneca. Seus cabelos loiros eram longos, com poucos centímetros abaixo dos ombros, seus olhos também eram azuis. Alta, Melissa já foi cotada para ser modelo, mas se negou a fazer isso, priorizando seu curso de medicina.
— O que você fazia ali? — Franz, seu pai, perguntou. — Por que está sem camisa e descalço? — estranhou.
Cassandra aproximou-se do filho, tocando-lhe a bochecha, obviamente sentindo saudades. Ela sorriu para ele.
— Por acaso você estava numa festa? — Melissa perguntou. Ela observou a bagunça de copos no gramado das repúblicas a frente, inclusive no próprio gramado dos tigres.
— Eu, numa festa? — Brandon sorriu. — Nada disso. — continuou o loiro. — Alguém estava passando mal naquela república, obviamente deve ter bebido demais, daí me chamaram. Ou seja, eu acordei assustado e às pressas, procurei pela primeira calça que vi e desci para saber do que se tratava. Olha só minha cara de sono. — apontou para o próprio rosto e revirou os olhos. — Passei a madrugada tentando estudar... Mas foi difícil, tinha barulho demais.
Sean, da porta, apenas ouvia e observava. Ele já sabia que Brandon iria mentir.
— Eu queria te fazer uma surpresa. — Melissa se aproximou dele sorridente, acreditando em tudo o que ouviu. A loira tentou arrumar os cabelos bagunçados do namorado. — Era sempre você que ia me visitar, então resolvi eu mesma fazer isso agora. Pedi para que seus pais me trouxessem.
— Eu posso dizer que amei a surpresa? — Brandon a envolveu em seu ombro, beijando a testa da namorada.
— Perfume novo? — Melissa perguntou e cheirou o pescoço do namorado. — Gostei desse que está usando.
Brandon precisou ter que sorrir ao ouvir aquilo. Imediatamente teve lembranças da noite passada, dos beijos e gemidos. O perfume que nele exalava era o do Kai, uma recordação do ocorrido.
Cassandra olhou para o sobrinho, seu olhar não era frio como o de Suzana.
— Sean está te tratando bem? — Cassandra perguntou para o filho.
— Não ando tendo problemas com ele. — respondeu.
— Não arrume problemas, filho. Qualquer coisa, ligue para mim. — ela disse, olhando-o nos olhos. Parecia preocupada.
O loiro olhou para Sean, mas não conseguiu encará-lo por muito tempo quando percebeu que Sean o repreendia com o olhar.
Tudo caminhava bem para o loiro, conseguindo encaixar sua desculpa e louco pra sair dali antes que Kai aparecesse. Mas o inesperado acontece:
— Ei, Brandon! — inocente, Kai aproximou-se sorridente. — Esses são seus pais?
Dessa vez, o coração do loiro quase saltou para fora. Ele engoliu em seco. Tentar não parecer nervoso era uma tarefa difícil, inclusive sentiu que seus olhos inquietos pudessem o denunciar.
O loiro fingiu não ter ouvido, inclusive deu alguns passos a frente. Ele sorriu para o pai e o abraçou.
Infelizmente aquele não era o melhor momento para o estudante de engenharia aparecer. Feliz, Kai havia acordado no momento em que ouviu o barulho do armário sendo arrastado.
— Quem é esse? — Franz olhou Kai das cabeças aos pés.
Brandon abraçado ao seu pai, fechou os olhos e respirou tão fundo que sentiu o ar rasgando os pulmões. Ao desfazer o abraço, ele novamente engoliu em seco, olhou para Kai e respondeu:
— Não faço ideia. — o tiro.
O sorriso de Kai foi desfeito na mesma hora.
Sean, que estava na porta ouvindo aquilo, fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente. Ele podia interferir, dizer que Brandon conhecia Kai, mas optou por deixar o primo afundar-se na própria mentira, sozinho, carregando as consequências dela, afinal, isso já lhe aconteceu.
— Vem, vamos entrar. — Brandon puxou Melissa.
— Você só pode está brincando, não é? — Kai questionou.
Franz olhou para Brandon, Melissa também. Cassandra, diferente dos demais, ficou olhando para a cara de decepção do Kai.
— Do que está falando, garoto? — Brandon precisou encarar Kai, odiando-se por isso. Doía, mas segundo sua intenção, aquilo era preciso. — Eu realmente não te conheço.
— Brandon? — Melissa olhou para o namorado, tão confusa quanto os demais.
— Você realmente não o conhece? — Franz perguntou.
— Eu realmente não sei, pai. — interrompeu, Kai não merecia ouvir a continuação da fala do seu pai. — Deve ser alguém daquela república — olhou para os águias —, talvez queira me agradecer pela ajuda. Bem, não é necessário. Pode voltar pra o seu lugar.
Kai era chorão. Saber que Brandon fingia não o conhecer foi mais do que o suficiente para fazer seus orbes mergulhar em lágrimas. Lágrimas essas que tinha um grande significado: sofrimento.
— Desgraçado! — Kai avançou no loiro.
Brandon somente segurou em seu braço e o empurrou, fazendo-o cair no chão. Ele sentiu a dor do Kai. Mas o que poderia fazer?
— Não encoste em mim. — Brandon pediu. — Vamos, amor. — Brandon voltou a puxar Melissa.
“Amor?” Kai pensou
Cassandra ficou alguns segundos olhando para o Kai caído, depois que o filho entrou na república, acompanhado do pai e da namorada, a mulher falou:
— Nosso sobrenome é nossa maior culpa. Espero que você entenda.
Ela deu as costas no momento em que Hugh e Calvin apareceram para ajudar o amigo.
Cassandra passou por Sean sem sequer cumprimentá-lo.
Kai não estava acreditando naquilo que aconteceu. Sequer conseguiu se levantar do chão, tudo o que queria era sumir. Sumir e nunca mais voltar.
[Final do flashback]
Brandon mentiu.
Mentiu para os pais, mentiu para Melissa e, a parte que mais lhe doía, usou Kai em sua mentira. Não mediu o peso da consequência que isso causou na amizade... Mas ele sabia, sabia que as coisas seriam assim a partir daquele dia.
— Por que eu ainda falo com você? Por que eu ainda olho pra você? Por quê?! — Kai perguntou, encarando-o.
Brandon não o respondeu, ele simplesmente se levantou e saiu da cozinha, deixando Kai sozinho no cômodo. Estava cansado, da mesma maneira que Kai também estava. Permanecer dialogando não os levaria a lugar algum, talvez até pudesse fazê-los discutir mais.
Kai desabou ali. Encostou as duas mãos no balcão e derramou as lágrimas presas.
— Não vai comer? — Charles perguntou para Brandon.
Brandon estava deitado na cama do primo há algumas horas, ele não saia dela pra nada, nem mesmo pra ir ao banheiro. Apenas estava coberto dos pés ao pescoço, tentando dormir a todo custo.
— Não. — respondeu.
— O que aconteceu?
— Nada.
— Brandon, eu te conheço. Não tem nada bem com você. — aproximou-se, sentando na ponta da cama. — Você está com febre? — tocou-lhe a testa.
— Não estou febril. Só não quero sair daqui nunca mais.
— Que porra de drama é esse?
— Ah, nenhum, amanhã de manhã eu levanto. — já tinha mudado de ideia.
— Vou preparar algo pra você comer. — insistiu.
— Não, Charles, eu não quero comer. Já disse. Só quero ficar aqui sozinho.
— Eu estou preocupado. Brigou com alguém? É a Melissa? A minha tia tá doente? — continuou questionando.
— Não. Não e não.
— Seu pai? — franziu a sobrancelha.
— Não.
— O seu irmãozinho?
— Não.
— Desisto. — se levantou. — Já fiz de tudo pra tentar ajudar. Quer conversar comigo? Posso te dar conselhos, ou até mesmo ouvir sem opinar.
— Você jamais iria entender. — disse.
— Não me diga que é aquele garoto? Você está assim por causa daquele... daquele... — tentava lembrar do nome. — Kai? Kai Castillo? O mexicano?
— Também não. — mentiu. — Quer dizer, só um pouquinho... — preferiu amenizar.
— Aquele garoto é um ingrato. — disse, aproximando-se da porta.
— Concordo. — não estava mentindo. — Mas também entendo o lado dele.
— E vai ficar se martirizando por isso? Você já foi melhor que isso, primo. Fora isso, lembre-se de como são as coisas em nossa família...
— Ai, Charles, não começa. Vai embora.
— Você toma posse da minha cama e me expulsa do meu próprio quarto?
— Que antes era meu... — fez questão de lembrá-lo.
Charles preferiu não continuar discutindo com seu primo, simplesmente saiu do quarto e desceu as escadas.
[cr]
this love [insp]
Não consegue perceber que você é a única pessoa em quem eu consigo pensar? A única que eu quero? Não entende que estou perdendo a cabeça por sua causa?
Se Você Fosse Minha. (via conectados-por-livros)
And I’m trying hard to make you love me But I don’t want to try too hard…
I don’t know where this is from
LOVE ME SIGN LDN (10/15)