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KAYLA POWELL 1X01
vescovi, k.
Com o inicio da seleção, era mais do que incomum ver Vescovi entretido em qualquer coisa pessoal no seu tempo livre, ainda que, como qualquer outro funcionário, fosse mais do que seu direito. Com tantas coisas em sua cabeça, era melhor se atarefar de qualquer coisa para que não se deixasse levar por lembranças ou até mesmo nervosismo. Andava então tranquilamente até a cozinha quando ouviu a voz feminina lhe chamar atenção. Ele parou e observou de onde a mesma vinha. “Pois não, senhorita.” respondeu, voltando-se para a figura menor. “Com certeza. Em que posso ajudá-la?”
“Por favor, pode me chamar de Kimberly,” parecia inútil ainda tentar que os outros lhe tratasse com tamanha naturalidade, ou intimidade, no palácio, mas ela não desistia facilmente. Talvez não tivesse ajudado-a em chamá-lo com formalidade, mas sentia que a forma mais segura era apresentar com formalidade e deixar que os outros falassem como preferiam ser tratados. Ao menos era assim que ela estivera fazendo e parecia dar certo. “Nada específico, apenas queria saber um pouco mais sobre você, sua carreira aqui── o senhor é o guarda do príncipe Schreave há anos, certo?” Perguntou distraidamente. Ela não tinha intenção de bajulá-lo, mas saber de outros lados da vida do príncipe, e isso incluia a pessoa que estava do seu lado quase todo o tempo.
schreave, s.
Ele abriu a boca para se explicar e então acabou rindo e então levou o indicador até a ponta do nariz dela. “Tenho quase absoluta certeza que seria tão determinada que poderia aprender grego ou a língua da qual falei em uma semana.” Ela um elogio e, como vindo dele, nem sempre um bom elogio ou uma forma bastante compreensível de se fazer um complemento. Mas ele queria dizer que, pela forma como conhecia Kimberly, seu jeito astuto e determinado, ela poderia fazer o que bem quisesse e seria ótima nisso. “Mas compreendo. O que quis falar foi… bem, uma aliança foi formada para uma pesquisa na área da saúde infantil e isso nos trouxe um progresso em tanto essa semana.” Sua mão escorrega para fazer um suave afago nas bochechas macias de Kimmy antes de recolher a mão de volta e suspirar perante a colocação seguinte dela. “É, não está errada. Mas eram arquivos medicinais então compreendo o fato de estarem em outra língua para mim, com os nomes dos insumos que foram consumidos para realização e introduzidos nessa última fase. Porém, pretendo que haja um plano mais simplificado para ser repassado para a população. Pessoas comuns são o que nos movem.” Não queria que desconfiassem ou que não compreendesse. Educação de qualidade para maior parte da população, preferencialmente para toda ela, estava na lista de pontos dele mas ainda assim termos técnicos iam além de educação básica, nem mesmo ele compreendia. Sua infinita lista de melhorias nunca pararia de crescer, mas sempre teria como principais fatores a saúde e educação. “De fato não gostam, mas tenho um crédito por lá eu acho. Anos morando aqui e algo assim.” Brincou com uma risada suave e um dar de ombros. Como sempre, estar na companhia da Rogers trazia uma certa calma a ele. Algo até mesmo além daquilo, era como se a presença da outra lhe reconfortasse de alguma forma não compreendida pelo príncipe. As conversas poderiam ser sobre assuntos profundos ou leves e mesmo assim seriam conversas boas. “É… você tem um ponto.” E então ele quase hesitou antes se completar a frase deixada no ar da outra vez. “Porém… apreciaria não precisar desvenda-las. Ainda que eu saiba que não posso pedir muito, sei que sou terrível em demonstrar meus sentimentos.” Seu suspiro quase saiu tristinho, não era uma incapacidade mas sim uma dificuldade dele. Mas parecia inútil tentar ter qualquer pensamento que não alegre enquanto a outra lhe dirigia tais palavras. “Posso, talvez, fazer isso dessa sua afirmação no futuro, então esteja preparada. Mas de fato não posso dizer que não me contenta muito saber que preparou algo para nós. Independente do que for, o importante é o gesto e… bem, e o carinho que teve ao pensar nisso tudo.” Ele não resistiu ao passar os dedos suavemente pelos fios sedosos dela, tomando cuidado para não despenteá-la mas com a pretensão de um carinho. Não era tão bom nos pequenos gestos, mas ainda assim tinha os seus momentos impulsivos em fazê-los. “Acho que seria, sim, justo! Por favor, não guarde suas palavras comigo. Sabe que, se deseja me dizer algo, pode sempre ser sincera consigo mesma e seguir sua intuição.” Colocou enquanto se colocava em seu assento, dando a ela um olhar do qual ele imaginava que transmitia o que sentia ao dizer aquilo. Kimberly estava segura ao seu lado para falar o que desejasse, se realmente desejasse dizer algo. “Sobremesa é algo a parte. Como um complemento essencial a qualquer refeição. Estou ansioso para saber o que preparou para hoje!”
Franziu levemente seu nariz com um pequeno sorriso ao toque dele. Era diferente ter o apoio de alguém que não era sua família, que sempre a oferecia apoio incondicional, independente se tivesse errada. Ela poderia concordar que era determinada, mas como o decepcionaria se ele soubesse que em dois meses ela mal falava bonjour e au revoir, e francês talvez fosse mais comum que grego. Ela não iria dispensar o elogio, mas permanecia hesitante com o elogio. Por alguma razão, sentia que seria horrível desapontá-lo. Ainda assim, permaneceu em silêncio, decidindo tentar absorver o elogio e seu rosto institivamente inclinou-se para a mão que deslizou em sua bocheca. “É interessantíssimo,” ela disse com óbvia disposição, e com honestidade. Era algo que obviamente iria impactar o povo e isso a deixava feliz. Claro que ela mesmo não entendia muito, mas desde que tinha pisado no castelo se colocou a disposição para aprender mais sobre política. Era claro entretanto que eles precisavam traduzir aquilo para quem, assim como ela, não tinha grande educação. “Acho que a maioria das pessoas não demonstram grande interesse porque não entendem,” ela tinha dito quase sem pensar, mas pela sua experiência do que qualquer outra coisa. Mas fazia sentido. “Morando aqui por alguns anos, e como é mesmo aquela coisa que deve ser chamado? Vossa Alteza?” Ela disse com um tom divertido. Era claro que não acreditava que os empregados tratavam Sebastian com educação e acolhimento apenas pelo seu status ─ eles se tratavam mesmo como uma grande família. “Eles realmente devem gostar de você,” ela adicionou meio distraidamente. Como alguém que trabalhou na casa de família, mesmo que não na mesma dimensão, ela sempre gostou das famílias com as quais trabalhou, mas era melhor quando eles eram educados com ela. Kimmy abriu a boca para respondê-lo, mas parou para pensar ─ ela queria ser sincera, mas também precisava ter cautela. “Eu sei que eu não estou... sendo completamente,” ela tropeçou nas palavras, antes de respirar profundamente, procurando a melhor palavra, “clara. E eu gostaria de poder ser mais, Sebastian. Eu sei que eu falei que eu não iria complicar sua vida, mas não é fácil se abrir completamente quando ── tudo pode mudar amanhã.” Também não era exatamente fácil falar sobre a escolha que ele teria que fazer, as outras selecionadas, sem soar ciumenta. O problema não era ele, ou o que ele poderia pensar, mesmo isso fazendo parte, mas ela não queria soar como alguém que não era ela. “Mas eu juro que não tem nada de errado além de coisas bobas da minha cabeça, ok?” Ela disse com um gesto parecido ao que ele tinha feito antes, colocando a mão sobre a bochecha dele e arrastando o dedão, enquanto seus olhos encontravam os dele e ofereceu um sorriso. “E não é como se eu pudesse exigir qualquer coisa de você, então porque você não... pensa menos e, sei lá, só faz o que achar certo? Em questão do que você sente, quero dizer...” Kimmy sabia que eles tinham algumas visões diferentes, e ela tinha impressão que para ele era importante ser contido em alguns aspectos. Obviamente o lado príncipe dele, mas ela queria saber também do outro lado. “Mas, se quer saber, eu gosto de passar meu tempo com você, então se falar assim vou começar a achar que ninguém fez nada legal para você,” brincou, procurando um baçanço entre a conversa mais séria e anter o assunto descontraído. “Eu não quero colocar ideias sobre a seleção na sua cabeça, Sebastian, por isso eu não devia nem ter começado a falar, mas se você quer mesmo saber, eu apenas ia falar para você usar seu coração,” era difícil se manter neutra em frente a seleção e, por isso, tentava ao máximo evitar o assunto. “Agora, experimenta esse canapé porque eu estou curiosa pelo seu julgamento.”
fitzgerald, o.
“Pelo jeito posso me fazer em várias atividades extra classe para as selecionadas.” Brincou ela com uma piscadela. “Todas parecem sempre reclamar da falta do que fazer. Mas imagino que não deva ser pouco o tédio que sentem. Mesmo com as aulas, ainda há muito tempo livre. Em breve provavelmente não terão mais, de fato.” A corrente de palavras ia se esvaindo dos seus lábios a medida que os pensamentos chegavam em sua mente, mas logo Olivia sacudiu a cabeça e os pensamentos para tornar a falar. “Acho que podemos organizar em ordem alfabética, assim fica bastante fácil porque sei a ordem cronologia dos acontecimentos somente sabendo o nome deles.” Ela escutou a dúvida da aluna enquanto já se punha a organizar as pastas que vinha trazido até a mesa. Era bastante compreensível. “Suponhamos que eu seja uma péssima professora, grosseira e mal educada com vocês, selecionadas. Apesar de acreditar na boa índole do nosso príncipe, acredita que seria mais eficaz que você fosse sozinha fazer uma reclamação ou se fosse em conjunto com todas as demais selecionadas? Acredita-se que juntos cogitaram ter mais forças que separados contra qualquer país que ainda se interessa-se em invadir esse espaço.” Explicou de forma exemplificada, cogitando que talvez assim a senhorita compreendesse sobre a união fundamental. “O país se tornou grande demais, foi então que castas e províncias vieram como uma forma de organização para o governo. Funcionou e fez com que hoje estejamos aqui, ainda que nem todos sejam satisfeitos com as medidas tomadas no pós guerra.”
“Enquanto formos selecionadas, talvez...” ela deu um sorriso breve, pegando alguns livros a mais, “para mim, é estranho não ter trabalho, sabe?” Não podia dar de ombros com a pilha de livros que formava, mas pendeu a cabeça para um lado. “Eu estou mais acostumada a estar... muito ativa,” se não era o trabalho, eram seus irmãos a mantendo ocupada. E a vida no castelo, para ela, tinha sido muito tranquila ─ apesar que não devia ser sempre assim, visto que Sebastian estava sempre atarefado. Ela começou a olhar os títulos na lombada, enquanto montava uma nova pilha, dessa vez na mesa, na nova missão dada enquanto escutava a professora. Para expulsar os inimigos, fazia sentido, mas para governar... Kimmy achava complexo ─ até mesmo em casa, onde ela era mais velha, seus irmãos menoros conseguiam levar a melhor algumas vezes pelo simples fato de serem dois. “Mas... se não tivessemos gostado de como o príncipe rege o país e começassemos a conversar entre as selecionadas, da mesma forma que ele foi colocado lá...” ela balançou a cabeça, não queria ficar pensando coisas erradas e também não queria desafiar a mulher, afinal, ela era a professora. Quando ouviu sobre as castas, não pode deixar de franzi o nariz, quase de desgosto. Não era realmente uma explicação e ela não sabia em que sentido a outra se referia a funcionar, mas ficou quieta, continuando a colocar alguns livros na ordem correta. “Acho... que tem razão,” falou incerta, antes de deixar o silêncio se instaurar.
lightwood, e.
agora o salão parecia um pós festa. mesmo com poucas meninas, o silêncio reinava quando todas decidiam ficar na sua. estava escrevendo uma carta para enviar para casa. não queria alarmar seus pais que poderia ser a próxima a sair. por um momento, se distraiu com a paisagem pela janela e pelo reflexo, percebeu que Kimmy a observava. ficou alguns minutos a cuidando, até seus olhares se encontrarem. apontou para seu rosto, num gesto sútil. ❛ — meu rosto ‘tá sujo? ❜ cochichou para ela de longe, mais como uma leitura labial.
Ela balançou a cabeça negativamente tão rãpido que provavelmente teria torcicolo no dia seguinte, além das suas bochechas terem encontrado um novo tom de vermelho que deveria combinar com ela, do tanto que ela tinha ficado vermelha naquele local. Talvez mais do que já tinha ficado no resto da vida. “Não, não──” respondeu no mesmo semi-sussuro, mas sem saber como explicar o que estava fazendo de fato. Ao menos, não sem sentir as bochechas corarem novamente, e ela levantou o bloco de desenho, mostrando apenas o fundo dele. Ela não queria mostrar o desenho, mesmo que talvez agora não tivesse muita escolha num futuro próximo. “Desculpa, eu estava distraída,” era um fato que não estava prestado tanta atenção ao redor quanto deveria. Ela balançou a cabeça com um sorriso sem-graça no rosto, ainda meio encabulada por ter sido vista na situação, mesmo que Everdeen não soubesse de fato o que ela estava fazendo. “Você está bem?” Perguntou, ainda da distância que estavam, com o salão no seu burburinho habitual.
velasquez, m.
A cada pronúncia, a princesa assentia empolgada, feliz com os resultados um pouco melhores do que no começo. “Muy bien! É fácil sim, querida. Logo, logo você está falando como uma verdadeira nativa.” Piscou para a selecionada, buscando motivá-la. Kimberly havia lhe prometido boas risadas e não havia como negar que ao menos isso estava garantido, pois Martina inclinou levemente a cabeça para trás, rindo, os dedos lhe cobrindo a boca. “Não tem… Sinto muito! São línguas bem distintas, querida, mas depois que você se familiarizar ficará mais fácil, eu prometo. E agora que já passamos pelo cumprimento, o segundo passo é… Apresentação! Por exemplo…” Endireitando-se na cadeira, a princesa jogou os cabelos para trás e limpou a garganta, o gesto servindo mais para que Rogers se inspirasse na postura dela do que qualquer outra coisa. “Buenos días, señorita! Me llamo Martina Velásquez y usted, como se llama? Foi rápido? Quer que eu repita? Basicamente o que eu disse foi: Bom dia senhorita, eu me chamo Martina Velásquez e você? Vai, agora é a sua vez.“
Ela duvidava disso, mas não quis desanimar sua mais nova professora. A única coisa que realmente importava era se, caso conhecesse o resto da família real espanhola, passaria muita vergonha, envergonhando junto o seu país.Ela quase se sentiu obrigada a seguir os movimentos quando Martina sentou ainda mais reta na sua poltrona. Aquilo parecia vir com muita facilidade para ela, a posição que era obviamente digna de uma princesa. Para Kimmy, aquilo parecia completamente estrangeiro e, por mais que se esticasse, ainda se sentia pequena ─ e não apenas porque era baixinha. Ela limpou a garganta junto com a princesa, ainda meio desapontada que não tinha nada similar com o inglês. “Buenos dias, me yammo Kimberly,” ela sabia que a pronúncia de uma das palavras estava completamente errada, mas aquele era um som que tinha quase certeza não existir na sua língua. “Eu acho que ainda tenho muito a treinar sozinha,” ela soltou uma risada, abrindo o livro e marcando algumas frases para si mesmo que pudesse estudar depois. “Vamos combianar outro dia novamente?”
schreave, s.
Ele deu de ombros e sem perceber torceu o nariz. Interessante? Provavelmente não. Pelo menos ele dificilmente considerava seu trabalho interessante no dia a dia. Claro, haviam coisas grandiosas que o faziam sempre sorrir mais largo, ficar bem mais contente pelas realizações. Mas no dia a dia? Monotonia costumava ser o que mais frequente em sua mesa. Ao contrário, porém, do seu pensamento inicial, resolveu não cortar a conversa e compartilhar o que poderia com a outra. “Não sei se é muito interessante.” Ele começou com um riso. “Teve um acordo de produção e importação da Itália. Mas, se quer algo realmente interessante, estamos fechando a segunda etapa de uma parceria com a Inglaterra e o Brasil para uma pesquisa de uma vacina de dose única para os recém nascidos. Eu não entendi metade das palavras escritas sobre os relatórios mas parece promissor.” Não tinha nenhum formação na área da saúde, mas seu pai não havia hesitado em participar da união pela pesquisa. Seria um bom implemento a saúde publica de maior alcance que ele desejava. “Eles são mesmo ótimas companhias ainda que sempre passem metade do tempo brigando por eu roubar comida antes da hora.” Poderia soar estranho, mas ele sabia que Kimmy lhe conhecia o suficiente para não pensar que a situação era tão incomum. Sebastian era aberto, com os funcionários ainda mais, e isso dava liberdade deles o tratarem como uma pessoa comum acima de tudo, sem temerem seu comportamento. “Suas confissões sempre vem escondidas nos meios das palavras, bom que gosto de desvendá-las. Porém...” Começou, segurando as mãos delas nas suas, com um sorriso espontâneo nos lábios e enquanto tomava cuidado para não caísse para trás. “Obrigado, de verdade. Isso significa muito para mim, passar um tempo com você, todo seu cuidado em preparar essa noite. Sou agradado com muitas coisas, honestamente o pessoal da cozinha deve ter te dito que eu como de tudo. Tudo bem que um leque muito grande de opções também não ajuda, mas saiba que estarei mais que satisfeito com o que tiver preparado só pelo fato de ter preparado você mesma.” Ele soltou a mão dela para ir até a cadeira e puxá-la para a outra. “Me ganhar pelo estômago, isso parece até mesmo maldade da sua parte.”
Ela riu, “se você não entendeu, creio que seria grego para mim.” Kimberly podia apemas dizer que gostava da ideia de uma dose única de vacina, independente do que fosse. Ela imaginava que Sebastian não faria a população tomar algo desnecessário. Ou talvez fosse algo diferente, apenas mais efetivo. De qualquer forma, ela confiava nas escolhas dele suficientemente, ao menos naquele âmbito. Ela poderia nunca ter pensado muito naquilo anteriomente ─ nunca ter pensado no lado político das coisas ─ mas aquilo parecia beneficiar as castas mais baixas. “Talvez os relatórios tenham que ser traduzidos para pessoas comuns... afinal, se você não entende, o que será da maior parte da população?” Não era muito um questionamento, apenas um pensamento que havia lhe escapado. Quanto mais tempo passava ali, mais notava que talvez sua falta de interesse fosse porque simplesmente não entendia. Ela tinha muito mais coisas para se preocupar no seu dia a dia do que tentar decifrar o que o governo falava. Para Kimmy, como seis,era importante saber o tratamento que Sebastian tinha com os funcionários do castelo, então foi um alívio saber que eram, de alguma forma, desprovidos de rigidez. Ela não esperava que fossem completamente informais, mas chances eram de que algumas daquelas pessoas viram Sebastian crescer, etntão eram quase uma família ─ na visão dela. “Eles realmente não gostam de serem perturbados,” ela concordou em um leve soriso, com as poucas broncas que havia levado antes de mostrar que poderia se virar numa cozinha. “Mmmmm, eu não posso sair contando tudo para você, não é mesmo?” Não apenas para manter algum mistério, mas Kimmy ainda queria se proteger. Ela não poderia se proteger de tudo, mas com outras selecionadas se aproximando dele, ela estava confusa com o quanto podia se doar. Kimmy definitivamente não queria ser a pessoa que manteria sem coração trancado com medo de se machucar, mas ela também não queria entregar tudo de cara, sem nem saber onde se encontrava. Achar o equilíbrio era o mais difícil. Ela sentiu as bochechas corarem, sem ter tido a inteção de uma confissão. Ela gostava de passar o tempo com ele, e não deveria se preocupar com isso, certo? “Porém...?” Perguntou, querendo saber o resto da frase. “Por mais que eu goste de levar os créditos, Sebastian, não é nada demais...” ela deu de ombros. Para Kimmy, aquilo era o mínimo que podia fazer. Não era como se tivesse feito nada demais ─ não tinha perseguido estrelas. Ela sempre tinha mantido uma distância segura de Sebastian, deixando que ele desse sempre abertura primeiro ─ principalmente após o desentendimento inicial. Talvez ali, Kimmy havia notado que ele tinha um limite diferente o qual ela tinha que respeitar. Porém, ela sentiu-se forçando um pouco o limite auto-imposto ─ Kimmy deslizou seu braço sob o dele, até entrelaça-lo a sua cintura num semi-abraço. Ela teve que olhar para cima antes de falar, “mas eu cozinharia todos os pratos se fosse ajudar a ver esse mesmo sorriso── só levaria alguns anos,” ela brincou, antes de se afastar dele e sentar. As entradas já estavam servidas debaixos do prato. Talvez ela tivesse ido um pouco além com a mistura do refinado com o comum ─ tinha feito uma opção de canapé de salmão seguido de um caldo de legumes (ao menos tinha conseguido maneirar nas porções). “Ei── eu tenho que usar os meus pontos fortes,” ela disse com uma risada. “Brincadeiras a parte, Bash, eu... não sei se seria justo eu falar mais alguma coisa,” ela mordeu o lábio inferior, confusa. Por um lado, que ele escolhesse com o coração seria o desejo dela ─ quer fosse ela ou não. Mas falar aquilo... Ela não sabia se Sebastian se importaria. “Bom, maldade seria você deixar de comer a sobremesa,” ela decidiu não falar nada.
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"Senhor Vescovi,” ela chamou o guarda, aproveitando-se do fato que era difícil não vê-lo com o Sebastian. Porém, se teria alguém que poderia ajudá-la nesse momento, provavelmente seria o homem. Ela só precisava saber como extrair a informação que queria, e o quanto o outro estaria disposto a falar. Ela olhou novamente para ele ─ tinha um porte assustador, o que deveria ser ótimo para o trabalho que exercia. Mas ele não faria nada para assustá-la. Ou pelo menos era nisso que acreditava. “Tem um minuto? Acho que ainda não tivemos oportunidade de conversar.”
fitzgerald, o.
“Qualquer ajuda pode ser bem-vinda, caso a senhorita esteja com tempo e disposição.” Não negaria outro par de mãos para lhe ajudar naquela bagunça, mas não queria que a selecionada se sentisse em qualquer tipo de obrigação de permanecer ali junto a Olivia e sua pilha de bagunça. Ela escutou o que a outra dizia e acabou soltando um riso fraco enquanto separava alguns papeis na sua frente em pilhas distintas. “A terceira guerra teve tantos motivos que dependerá do país de onde quer saber. Mas acho que seria um pouco ruim falar por esse ponto. As pessoas se viam insatisfeitas de forma geral, todos protestaram, a guerra se iniciou através da fraqueza e exposição, além de fortalecer o inimigo. Um conflito civil sempre abre brechas para que forças exteriores se aproveitem, acho que em boa parte foi isso que aconteceu com o país que compunha parte do que é hoje Illéa, os Estados Unidos da América.” As motivações sempre seriam uma incógnita. Parecia que ninguém na época se interessou em escrever um bom diário de guerra e todas as mídias se perderam com o tempo. Pouco restava, o que era triste para a história. Mas a pergunta seguinte dela era algo que podia responder com clareza. “Necessidade! De todo um povo órfão de governo, de um líder, de organização estatal. Gregory agregou para si todos aqueles que lutaram ao lado dele e do melhor amigo contra um inimigo em comum e todos aqueles que se sentiam gratos pelos esforços das tropas do Illéa acabaram aderindo ao movimento de reconstrução se um país só, de uma enorme união.”
“Oh, tempo é o que eu mais tenho── como você quer fazer?” Perguntou, pegando dois livros do chão e levantando poeira com o movimento. O lugar realmente parecia ter sido completamente abandonado pela antiga professora, ou um furação passou por ali. Franziu o nariz para não espirrar, mas prestava atenção no que a outra falava. Ela não conseguia ainda ver qual era a principal diferença entre as pessoas estarem infelizes naquele momento da história, ou agora. Ela sabia que muitas pessoas não estavam felizes com o governo, o sistema de castas, a vida que possuiam. Ela não queria trazer os rebeldes, com medo de como isso poderia influenciar a opinião da professora sobre ela, mas aquele seria um exemplo. Então por que naquele momento isso iniciou uma guerra? Kimmy sabia que nem tudo era facilmente explicável; ela nem conseguia explicar tudo que fazia. “Mas não é mais difícil você governar um país grande como Illéa, do que o antigo Estados Unidos?” Ela lembrava apenas de ver nos mapas o tamanho e o senso de unidade em Illéa que ela se referia... Kimberly não poderia dizer que sentia em tudo. Claro que nunca tinha viajado para outras províncias até Angeles, mas mesmo dentro de Columbia, a própria divisão de castas não dava a sensação de união. “E de onde surgiram as castas?” Por mais que a casta da qual fazia parte complicasse diversas coisas em sua vida, ela nunca se questionou tanto antes quanto agora.
there is nothing left to worry about the sun and her flowers are here ─ kimmy’s family template
♦ Courteney Cox as Laura Rogers, 55 ✝ ♦ Patrick Dempsey as Donald Rogers, 56 ♦ Colin Donnell as Stephen Rogers, 31 ♦ Landon Liboiron as Ezequiel Rogers, 29 ♦ (young) Asa Butterfield as Timothy “Timmy” Rogers and (young) Mackenzie Foy as Thamires “Tammy” Rogers, 6.
w/ @viroma
Sua dama de companhia estava ali exatamente para ajudá-la, mas ela não tinha criado um vínculo forma para pedir ajuda para a outra no sentido de se abrir com ela. Poderia acontecer eventualmente, mas com Callie as coisas pareceram simplesmente clicar e, por isso, que ela estava indo em direção ao quarto da princesa, tentando não dar muita atenção aos guardas para que eles não a parassem ou questionasse o que ela fazia ali. Tentou parecer decidida, com um propósito, para que ninguém questionasse se ela tinha um motivo. Deu três batidas na porta e aguardou um tempo antes de começar a chamá-la, “Callis── Viktor?” Perguntou surpresa quando a porta se abriu.
schreave, s.
Ele fingiu pensar por um momento, até mesmo levando a mão ao queixo para completar sua atuação, nem mesmo era bom em fingir atuar, antes de sorrir largo para ela. “Me parece bem justo isso.” Querendo ou não havia sido ele quem acabara por convocá-la todas as demais vezes. No primeiro encontro, quando viram um filme no cinema do palácio. Na festa do ano novo havia sido Kimberly quem o convocara, e ele ainda guardava a carta daquele momento muito bem guardada em uma caixa de lembranças, esperando o momento certo para ler ela. E então houve seu convite para a noite de chuva de estrelas cadentes. Foi uma situação mais do que agradável. Era interessante saber que ela parecia ter o intuito de retribuir as surpresas. “Cansativo, cheio, mas pelo menos alguns assuntos pendentes foram resolvidos e prefiro me ater as coisas boas. E o seu dia?” Era uma resposta vaga mas não sabia se desejava compartilhar com ela a respeito do tratado sobre cultivo do trigo com a Itália. Era entediante para ele já. “Acho que precisarei confiar ainda mais.” Respondeu cerrando os olhos e segurando a mão dela como se precisasse de outro apoio. Sabia onde iam, ou pelo menos confiava em sua mente que conhecia bem sua própria casa. Seus olhos não demoraram a se ajustar a luz e um sorriso imediatamente pairou em seus lábios, surpreso e animado. “Isso é incrível! Muito atencioso da sua parte preparar tudo isso para nós e não posso dizer que não estou ansioso para provar essa habilidade.” Brincou com ela enquanto adentravam o lugar. “Você quem preparou tudo isso? Deve ter tido um bom trabalho.”
Tomar a iniciativa de chamá-lo dessa vez se resumia bastante à como ela viu relacionamentos, baseado no dos seus pais e, consequentemente, como ela queria ter um relacionamento. Uma coisa que nunca faltou na casa dos Rogers foi amor, em todas as direções, e ela cresceu vendo seus pais apaixonados em cada detalhe. E era nisso que ela se apoiava. “Algo interessante?” Ela perguntou desprentensiosamente, esperando que se ele quisesse falar sobre algo, ele lhe diria. Kimberly acreditava que estavam fazendo progresso em dividir as coisas, mas não esperava que Sebastian fosse falar tudo com ela, principalmente se fosse coisas do governo. Ela teria que confiar que se fosse relevante ou necessário, ele falaria para ela. Podia ser um pouco frustrante ─ não porque não confiava nele, mas dava muita margem para ela se duvidar, quando não sabia. “Eu acho que você pode perguntar para os seus cozinheiros,” ela brincou, antes de responder, “aulas, na maioria do tempo, então passei o resto do dia na cozinhar, o que foi divertido,” depois do medo inicial de quebrar algo na cozinha super equipada do palácio, ela se divertia com as novas possibilidades. A melhor parte de preparar qualquer tipo de surpresa para alguém era assistir a reação da pessoa, e Sebastian parecia animado, o que a deixava empolgada. “Não é trabalho nenhum preparar algo especial para quem eu gosto,” disse, parando em frente à ele e segurando suas mãos. Não foi uma forma aberta de dizer, mas tinha dito que gostava dele. Ela gostava de passar o tempo com ele e dele como pessoa, e não deveria ser uma surpresa então que pudesse fazer algo assim como ele tinha feito com a chuva de estrelas, “além disso, posso aumentar minhas chances de ganhá-lo pelo estômago, não?” Ela brincou, dando alguns passos para trás de costas, cautelosamente, para irem à mesa. “E, na verdade, eu só queria passar mais tempo com você. O mais dificil foi realmente descobrir o que você gosta de comer sem que você descobrisse.”
katsaros, c.
Soltou uma risadinha diante da reclamação da amiga, mas não podia negar que a entendia. Muitas vezes se via completamente entediada por ali e se não fosse a amizade que compartilhava com a morena e a relação com Viktor, ao qual desejava aproveitar o máximo possível, já teria voltado para o seu país. “Depende de como é administrado o parlamento do país em questão.” Respondeu, deixando de lado a organização do armário, para sentar-se ao lado de Kimberly na cama. “Se eles permitem que a rainha tome decisões importantes ou não, no caso. Existem aqueles dominados completamente pelo patriarcado, como a Bulgária, por exemplo. Em casa, meu pai e os conselheiros consideram muito a minha mãe, então ela está sempre presente nas reuniões e toma muitas decisões pelo país também. A palavra dela é considerada final tanto quanto a do rei. O trabalho diário dela é esse. Dizem que a mulher tem uma outra visão né e eu acho que é verdade. Somos mais espertas e temos discernimento para determinadas situações.”
Soltou uma lufada de ar como uma leve reclamação. Aquilo ainda não explicava realmente. Se caso o país não considerasse as mulheres, então, o que faziam as rainhas nesses países? Sentavam-se no trono como bonecas de enfeite? Ao menos gostaria de saber como se entreter, se acabasse sendo o caso. Mas não iria descontar a sua frustração com sua falta de atividades em Callie ─ afinal, ter a amiga ali era uma das coisas que a ajudava a se manter sã. “Eu não sei se isso se aplicaria em Illéa,” falou incerta. Politicamente, pelo que havia entendido, as decisões eram tomadas por Sebastian, e somente ele, apesar de que o conselho dava suporte para que ele tomasse essas decisões. Aquilo era claro, apenas as suas inferências das conversas que tinham. E ele era teimoso ─ isso ela já tinha notado. “Teve um dia desses que eu fui stress-bake e me expulsaram da cozinha depois do centésimo cupcake. Can you believe that?” Era bom ter alguém com quem ela pudesse reclamar ao menos um pouquinho, sendo algo que Kimmy não queria deixar que fosse um hábito.
“Mas então, o que você tem feito de bom?”
13 reasons why - episode 1
w/ @thegardenofeve
Ela não tinha a intenção de desenhar Everdeen. Como tinha dito a Sebastian, ela não era boa em desenhar pessoas. Achava que ficava desproporcional, meio abstrato e não digno da própria pessoa. Mas, sem querer, tinha começado o esboço, com os olhos desatentos na selecionada e quando notou parecia que já tinha investido muito tempo para simplesmente jogar fora. Ela tinha se curvado para prestar atenção à um detalhe e quando voltou a olhar, viu a outra selecionada em sua direção.