𝗦𝗧𝗥𝗢𝗡𝗚 // 𝙞𝙣𝙫𝙖𝙨𝙞𝙤𝙣'𝙨 𝙥𝙤𝙫
o dedo indicador de calypso batia contra a tela de seu krsa watch, tentando — sem sucesso algum — tirar aquela mensagem dali para poder se comunicar com juna ou kuan, os únicos de seus irmãos que não estavam ali no subsolo. sabia que, até certo ponto, nahre e dahye estavam bem — pelo menos sori e a sua tia talia estavam ali para protegê-las caso qualquer coisa acontecesse. mas a menina não tinha a menor ideia de como os outros dois estavam, e isso a apavorava mais do que tudo. da última vez que deixou de ver alguém que amava — sua mãe —, o final claramente não foi um dos melhores. os seus sentidos de agente falharam ali: calypso não estava se importando com a mensagem no krsa watch ou então o fato que talvez sua própria vida estivesse em risco, ela apenas queria ter certeza que todos os seus irmãos estavam bem.
obviamente, sori havia se encontrado com dahye e nahre, e a loira não queria sair do lado das duas, apenas para ter certeza que nada aconteceria com elas. pessoas vieram perguntar se estava tudo bem com ela, visto o estado que se encontrava, e foram respondidas com uma mentira: sim. mas sori infelizmente não conseguia evitar estar daquele jeito, ainda mais após como eles tiveram de ir para o subsolo, às pressas num dia que, teoricamente, seria só mais um dia não muito interessante, mesmo com o treinamento exclusivo de eagle.
em pouco tempo, provavelmente, uma circunferência aparecia cravada no chão de concreto, de tanto que sori andava em círculos, com a preocupação claramente pingando dela. aquela sensação... a de estar impotente... ela não gostava nem um pouco. não deixava de olhar para as irmãs a todo momento, apenas para ter a certeza que estavam ali e estavam bem. as unhas de calypso no momento estavam todas roídas sem piedade, até saíra sangue de duas delas de tanto que a menina havia roído. porém, aquele ardor não era nada perto da dor que se alastrava em seu corpo ao imaginar o que podia acontecer.
além de suas irmãs, de sua tia, e de afrodite, sori não falara com ninguém, não por não se importar com os outros, longe disso, mas por estar prestando atenção apenas nessas quatro pessoas. sabia muito bem que duas delas tinham o treinamento para caso o pior viesse, principalmente talia, que poderia acabar com qualquer um somente com suas palavras afiadas. entretanto, calypso sabia muito bem que louise não estava bem, visto a situação em que se encontrava. não pode deixar de tentar confortá-la, ainda sem tirar os olhos de dahye e nahre, que se encontravam perto dali.
a preocupação pesava nos ombros de calypso. não tinha ideia de quando todos sairiam dali seguros, se juna e kuan estavam bem do lado de fora, de quem diabos havia feito aquilo. apenas sabia que o medo se agarrava nas pessoas como uma gosma, e, quanto mais tempo ali, mais se alastraria. mas sori tinha de ser forte, por sua família, por seus amigos, por si mesma. mas ninguém disse que ser forte era fácil.












