[ from IO ✉️ to XAVIER ] Chego em alguns minutos, me espere.
[ from IO ✉️ to XAVIER ] Eu vou mesmo precisar de armas novas.
Jinju deu um pequeno sorriso satisfeito com as mensagens recebidas. Geralmente, quem procurava a staff era a própria agente atrás de alguma coisa útil que pudesse usar, então a mulher tinha certeza de que se Xavier estava enviando mensagens curtas, era porque tinha novidades realmente interessantes para lhe mostrar. Cultivara amizades com muitos dos staffs apesar de sua personalidade ressabiada e um pouco reservada, concedendo a alguns poucos a manutenção e aprimoramento de suas armas, mas sua ligação com Xavier era diferente. Ela entendia sua preferência por armas mais clássicas, seu apego emocional às coisas que eram suas, o jeito que a castanha não gostava de se desfazer de hábitos e de sua estabilidade como profissional. Jinju era resistente a mudanças, então era difícil agradá-la com novos protótipos. Depois de tantos anos de amizade, Xavier sabia exatamente como lhe convencer a pelo menos tentar experimentá-los.
Dirigir-se até a sala dela fora rápido, mas pareceu como se fosse uma eternidade chegar lá quando percebeu que Ghost estava caminhando exatamente na mesma direção. Os dentes roçaram dentro de sua boca, depois de suas duas últimas quase fracassadas missões, uma certa animosidade havia se criado entre eles, ainda mais porque ela estava constrangida, e não só por causa da mais recente, onde aquilo havia acontecido. De forma alguma a mais nova daria seu braço a torcer. — O que você quer, Ghost? — Perguntou, sem olhar pra trás. Emburrada era um termo que a Lee nunca usaria para descrever a si mesma, mas era o que aparentava quando abrira a porta do laboratório, entrando no mesmo antes do homem. — Como assim os dois, Xavier? Pensei que você queria falar comigo.
Discursavam sobre o que não depositava o mínimo de interesse antes de visualizar as mensagens e escapar pelo canto da sala onde não faria falta por pelo menos uma hora. A ausência de resposta provavelmente projetaria a interrogação na cabeça da amiga, mas sua presença bastaria em poucos segundos no ritmo em que andava, em passos firmes e apressados, para não ser interrompido, perturbado. Fossem suas intenções as mais pacíficas, forças divinas não trabalhavam à seu favor e a figura feminina cruzou seu caminho como um raio ameaçador e perturbador, o corrompendo por dentro e formigando como se fosse capaz de mata-lo, talvez não fugisse da verdade. Era tão cabeça dura e insuportável, como ele. Mas duas personalidades difíceis eram insustentáveis, e haviam dias que sequer aguentava a si mesmo, quem poderia dizer Jinju. Franziu o cenho, a repreendendo no interior com o calor que subiu pela garganta e o fez pressionar os lábios, guardando uma dúzia de verdades presas desde o último ocorrido, esse que não terminou mal por sua culpa e inacreditavelmente a outra agente proferia o contrário, era baixo. — Ótimo? — Repetiu, olhando de relance para o lado, sem muita vontade de capturá-la. — Mas que porcaria é essa, Xavier? Eu teria vindo depois se soubesse que ela estaria aqui.
O sorriso desmanchou-se lentamente enquanto ouvia-os falar --- ou melhor, reclamar ---, para ao fim transformar-se em uma careta que era metade confusão e metade raiva. Bom saber que era daquele jeito que os amigos agradeciam por presentes. “Mas que porcaria digo eu, vocês são uma dupla ou o quê? Achei que não teria problema.” Ela replicou, o tom de voz um pouco mais alto que o normal. Encarou os dois por um momento, ora voltando-se para Io e ora para Ghost, e só assim percebera como tentavam evitar o olhar um do outro. Como as engrenagens de um relógio, o cérebro conectou os pontos e clicou. “Ahh... Tiveram uma DR? Bom, se forem cobrir um ao outro no soco, esperem sair do meu laboratório. Quebrar uma arma destas pode explodir o QG inteiro e eu não estou a fim de ser tachada de terrorista.” Novamente a sorrir, ela seguiu até o balcão em que costumava trabalhar, esperando que os amigos a acompanhassem.
“Io...” Começou, puxando para perto de si um estojo preto em cima do balcão. “Você sabe que eu não sou muito fã de armas brancas, mas por você fiz um esforcinho. Essas-” Ela abriu o estojo, que cascateou em uma variedade de facas, de tamanho, espessura e modelos diferentes. “são facas de arremesso, perfeitas para sua mira impecável e gosto por objetos cortantes. Só que, bem, eu fiz uma pequena melhoria. Sabe aqueles vídeos de gente fazendo cortes impossíveis com facas quentes? Então...” Xavier apanhou uma das facas e pressionou um botão em seu cabo; ao fazê-lo, os gumes da faca acenderam-se em vermelho brilhante antes de apagá-los novamente. “São facas de corte laser. É a primeira vez que tento algo do tipo e elas podem fazer um estrago muito grande, então sugiro que treine bastante antes de usá-las.” Com o aviso, colocou a faca de volta no lugar e entregou o estojo a Io. Em seguida, foi a vez de Ghost.
“Ghost, você é tedioso, mas eu procurei pelo mesmo modelo de sua Eagle e fiz umas alterações. Você vai senti-la mais leve, o que deve te ajudar a sacá-la mais rápido em uma emergência, e o coice deve ser menor também. Continua barulhenta, embora um pouco menos. Deve ser coisa de arma e dono, um tão escandaloso quanto o outro.” Provocou-o, entregando a pistola em suas mãos. “Treine com ela também, talvez não esteja balanceada o suficiente. Então...” Desta vez dirigiu-se aos dois amigos, girando a cadeira para pôr-se de frente a ambos. “Opiniões?”