Nós gostaríamos de agradecer a todos os que participaram da KYUNGSOO! FEST e nos enviou plots e fanfics maravilhosas. A fest só é possível graças a vocês, muito obrigada. Agrademos também aos que comentaram e a todos que gostaram da fest.
Muito obrigada!
Agradecimento especial a taeminaja e Nathália Prado, pelas capas e betagens da KYUNGSOO! FEST. A Fest não seria possível sem toda a equipe ajudando.
Recebemos ao todo 170 plots e 28 fanfics, apesar de 73 plots terem sido inicialmente escolhidos.
[!!!] Desistências: Entendemos que imprevistos ocorrem, então não vemos problema algum quando vocês nos notificam que não poderão mais entregar suas fanfics; não se preocupem, e obrigada por terem tentado! Por outro lado, quando plots (que poderiam estar com outras pessoas) são abandonados sem nenhuma justificativa; ou um simples e-mail horas antes do prazo terminar para comunicar sua desistência, entendemos que não houve nenhum compromisso com nosso projeto. Portanto, caso haja uma nova edição da fest, essas pessoas não terão preferência em relação ao plot escolhido.
Obrigada mais uma vez a todos! E os autores já podem postar suas fics outras plataformas, caso desejem, creditando sempre o autor do plot.
PARA AUTORES DO SPIRIT: Postem suas fanfics com a tag #kyungsoofest para mantermos as fanfics juntinhas <3
Agora, sem mais delongas, vamos às revelações de todos os autores da nossa fest! Cliquem em “continuar lendo” para seguir.
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Fanfic #1 - Estereótipos
escrita por waejongdae, plot enviado por Tati_nt
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Fanfic #2 - Leis de Newton
escrita por waejongdae, plot enviado por swttdreams
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Fanfic #3 - Opostos
escrita por alivefandomz, plot enviado por azzuraa
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Fanfic #4 - A Canticum
escrita por AnnymPaixo, plot enviado por Bulletproofa
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Fanfic #5 - Promessas de Natal
escrita por scherry, plot enviado por yoohoya
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Fanfic #6 - Demonstrate
escrita por bearcute, plot enviado por Bulletproofa
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Fanfic #7 - Professional
escrita por jonginmyeon, plot enviado por sankdeepinside
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Fanfic #8 - Faded
escrita por RK, plot enviado por jonggiie
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Fanfic #9 - SPECTRUM
escrita por sankdeepinside, plot enviado por @taewkbin
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Fanfic #10 - Uma doença chamada Park Chanyeol
escrita por Taerriungui, plot enviado por BorderlineGood
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Fanfic #11 - Tatuado de Medo
escrita por taozing, plot enviado por lydiancora
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Fanfic #12 - Fio de prata
escrita por anônimo, plot enviado por BorderlineGood
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Fanfic #13 - Entrante
escrita por Stimulant, plot enviado por azzuraa
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Fanfic #14 - Made in Cegonha
escrita por Prolyxa, plot enviado por alivefandomz
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Fanfic #15 - just love me down, ou a lira dos vinte anos
escrita por sekaix1ng, plot enviado por BorderlineGood
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Fanfic #16 - Linhas Tortas
escrita por yehunnie/@serenichen, plot enviado por sankdeepinside
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Fanfic #17 - Kairós
escrita por Black_Pearl_ , plot enviado por BorderlineGood
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Fanfic #18 - Extraconjugal
escrita por RMCardoso, plot enviado por RMCardoso
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Fanfic #19 - Revange
escrita por waejongdae, plot enviado por azzuraa
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Fanfic #20 - Felizmente camisa 10
escrita por KyungsooDO_/@KaiSoo_DOKJ, plot enviado por Tati_nt
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Fanfic #21 - Asas feitas de Carnaval
escrita por cakeboss, plot enviado por taeminaja
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Fanfic #22 - Manifesto das oportunidades roubadas
escrita por Meliah, plot enviado por NicoleteSsS
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Fanfic #23 - Marcado
escrita por Senhorita Ellie plot enviado por lydiancora
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Fanfic #24 - Garoto insistente
escrita por @DF_Tornan, plot enviado por byzelos
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Fanfic #25 - Girl x Friend
escrita por Unhyecorn, plot enviado por azzuraa
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Fanfic #26 - Boa Sorte!
escrita por AnnymPaixo, plot enviado por swttdreams
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Fanfic #27 - Wild
escrita por indelikaido, plot enviado por Drewsprezado
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Fanfic #28 - Talvez a felicidade more na porta ao lado
FANFIC #28 - TALVEZ A FELICIDADE MORE NA PORTA AO LADO (1/1)
Título: Talvez a felicidade more na porta ao lado
Plot-#: 58
Couple(s): KaiSoo; ChanSoo, KaiStal; KrisYeol;
Classificação: +18
Contagem de palavras: 3.815
Avisos: Bissexualidade, heterossexualidade, homossexualidade, insinuação de sexo,
Sinopse: Ou talvez JongIn apenas havia finalmente se dado a chance de amar novamente.
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•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Em meio a inúmeras caixas espalhadas pelo apartamento estava Kim JongIn andando de um lado ao outro verificando se todos os seus bens já estavam empacotados pois faltava apenas alguns minutos até que empresa contratada para fazer o transporte de sua mudança chegar. Já havia perdido TaeOh de vista a tempos e torcia para que o silencio do mais novo não fosse sinônimo de bagunça, pois não tinha tempo para lidar com as artes do pequeno nesse momento.
Dado por satisfeito resolveu procurar o filho, encontrando-o sentado no meio do quarto conversando com um dos seus inúmeros bonecos do Homem de Ferro, TaeOh dizia ao brinquedo que eles iriam se mudar para um apartamento maior, com um quarto só deles, perto da nova escolinha e que ele não precisava fixar triste. JongIn conhecia muito bem aquelas palavras, já que ele mesmo havia as dito. Não teve tempo de ir até o pequeno pois o interfone tocava, certamente avisando a chegada da equipe de mudança.
Quando finalmente todos os moveis e caixas estavam acomodados no caminhão de mudança, com um TaeOh sonolento grudado a si como um coala, JongIn passou os olhos mais uma vez por aquele pequeno apartamento que presenciou tantas memórias suas, sentiria falta daquele lugar. Porém a mudança era necessária, o mesmo havia sido transferido para a sede da editora em que trabalhava, muito longe de onde morava até então, o que lhe ocuparia no mínimo duas horas de trânsito, tempo esse equivalente a distância de TaeOh, e tudo o que ele menos queria era ficar longe do filho.
Juntando suas economias e um parcelamento compatível com o aumento em seu salário JongIn havia conseguido comprar um apartamento a apenas 30 minutos de caminhada do trabalho, e míseros 10 minutos da escolinha em que havia conseguido matricular TaeOh, sobrando muito tempo disponível para pai e filho se curtirem.
Só havia um problema.
Desde que havia sido obrigado a criar o filho sozinho, JongIn teve sua mãe por perto para auxiliar, com a mudança, a Senhora Kim estaria a quase três horas de distância deles, ele seria obrigado a se virar sozinho a partir de então.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Kim JongIn era apenas um adolescente normal, não era o mais popular, o mais bonito ou o mais inteligente da turma, talvez sua singularidade fosse apenas ser um dos mais quietos. Seu único amigo era Oh SeHun, companheiro em todos os seus trabalhos em grupo desde que havia sido transferido ainda no fundamental.
O Oh era tão tímido quando o Kim, porém com o passar dos anos foi se tornando mulherengo de uma forma inexplicável, aparentemente a indiferença que o mais novo demonstrava em relação ao mundo, de alguma forma atraía varias mulheres, principalmente mais velhas, ao seu entorno. Enquanto SeHun saía a cada semana com uma garota nova, JongIn desde os 14 anos nutria um amor supostamente platônico pela garota mais bonita da turma - ao menos ao seu ver - Jung SooJung.
Talvez JongIn e SooJung nunca teriam se falado, se não fosse por SeHun, que depois de mais de dois anos apenas observando os pombinhos tímidos resolveu agir, armando-lhes um encontro trocando bilhetes em nome de ambos.
Foi graças a Oh SeHun que ambos começaram a namorar, e JongIn achava que não poderia ser mais feliz. Após um ano de namoro, com os hormônios adolescentes a flor da pele ambos se amaram pela primeira vez, só não imaginavam que a timidez que lhes impediu de buscar proteção iria lhes trazer consequências, SooJung estava grávida.
Com a descoberta da gravidez, os pais de ambos decidiram que eles deveriam se casar para criar o filho. Mesmo achando que eram imaturos demais para algo tão importante quanto o casamento, JongIn não se opôs, afinal era com SooJung que ele iria se casar, a garota que sempre amou.
No penúltimo ano escolar, JongIn e SooJung se casaram, ambos aos 17 anos. Por decisão dos mais velhos, JongIn passaria a morar na casa da família Jung até terminarem os estudos. O Kim havia também começado um trabalho de meio período, após a saída da escola, onde mesmo que não ganhasse muito como repositor de estoque em um mercado da região, ao menos servia para ajudar nas despesas.
No último ano escolar TaeOh nasceu. Felizmente as senhoras Kim e Jung estavam sempre dispostas a ajudar os pais de primeira viagem a cuidar do bebê, porque nenhum dos dois tinha mínima ideia de como fazer aquilo.
Concluído os estudos, JongIn conseguiu um emprego em período integral em uma editora, além de se inscrever na faculdade de literatura no período noturno. SooJung havia optado por passar os primeiros anos junto a TaeOh, antes de iniciar sua tão sonhada faculdade de arquitetura.
Com o novo emprego, JongIn conseguiu alugar um pequeno apartamento para que eles morassem, ainda próximo aos seus pais, mas ao menos passariam a ter seu próprio lar. O apartamento tinha um único quarto, uma pequena sala e cozinha mediana divididas por um pequeno corredor que dava acesso ao dormitório, o banheiro e a area de serviço.
Foi quando TaeOh estava para completar seu terceiro ano que SooJung adoeceu. Começou com febres que se tornaram cada vez mais frequentes, seguida por fraqueza e manchas azuladas inexplicáveis na pele pálida, JongIn não queria acreditar que conhecia aqueles sintomas. Já os havia visto na infância, em menores proporções.
O diagnóstico foi claro, SooJung estava com Leucemia, mas a julgar pela velocidade da manifestação dos sintomas a Leucemia da Jung era do tipo fulminante. Ela resistiu por apenas três meses. Apenas 20 dias após TaeOh completar seu terceiro ano SooJung faleceu.
JongIn não sabia o que fazer. Ele era um jovem de 21 anos viúvo, criando um filho de 3 anos sozinho. Ele não conseguia sequer adentrar o apartamento em que morava sem que uma enxurrada de memórias lhe apertasse o peito. Mesmo que amassem o Kim e seu neto, os pais de SooJung não quiseram continuar morando onde tinham tantas memórias da única filha e resolveram voltar para os EUA, seu país de origem.
Durante seis meses JongIn morou com os pais, em uma tentativa de se manter longe das memórias que lhe sufocava. Mas ele precisava voltar a rotina um dia. E ele voltou, mesmo que aquele apartamento pequeno parecesse tão grande e vazio de repente. Mas nada lhe doía mais
do que o pequeno TaeOh se esgueirando para sua cama na hora de dormir perguntando quando a mamãe iria voltar de viagem. JongIn tentou explicar ao filho que a mamãe não poderia voltar, porque ela estava muito longe, mas TaeOh insistia em dizer que mesmo que ela tivesse ido morar nas estrelas, ela voltaria.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
JongIn tinha um hyung que era a pessoa que ele mais amava no mundo. TaeMin era um ano mais velho e enchia JongIn de mimos. A infância de ambos foi composta de brincadeiras, fosse no quintal, na própria casa ou no parquinho infantil do bairro.
TaeMin queria ser astronauta e passava horas a fio contando ao mais novo as coisas que faria quando finalmente fosse para o espaço. Muitas das vezes resultavam em um JongIn choroso dizendo que seu hyung não poderia se mudar para tão longe quanto estavam as estrelas.
JongIn não queria ficar longe do seu hyung, e para que ele não fosse embora no meio da noite, acabava por sempre se esgueirar para a cama ao lado, para dormir abraçado ao irmão mais velho.
Mas quando JongIn completou 4 anos, seu hyung começou a frequentar o prédio branco que chamavam de hospital. No começo eram visitas rápidas, mas que se transformaram em noites passadas por lá e um JongIn sem seu hyung para dormir abraçado.
Com o tempo as visitas do hyung ao hospital ficaram cada vez mais frequentes e demoradas, mas TaeMin dizia ao pequeno JongIn sempre que ficava em casa que estava fazendo o treinamento para visitar as estrelas, e era por isso que precisava fazer tantos exames no hospital.
Um dia seus pais resolveram explicar que o hyung tinha um bichinho malvado bem pequeno no sangue, esse bichinho tinha um pincel que fazia o sangue dele ficar branco igual a cor da pele, por isso o hyung estava no hospital, os médicos estavam tentando destruir o bichinho para deixar o sangue do hyung vermelho de novo.
JongIn chorava por que ele não podia ajudar a destruir o bichinho mal, ele não gostava de ver seu hyung cada dia mais branco mas as suas tintas da escolinha não resolviam o problema.
Durante algum tempo TaeMin não precisou ir ao hospital, suas bochechas haviam voltado a ficar rosadas, e até seus cabelos que haviam caído estavam voltando a crescer. Mas depois de quase um ano com JongIn finalmente tendo seu hyung de volta, o bichinho que deveria estar morto voltou a atacar, e dessa vez TaeMin já quase não voltava mais para casa.
Na ultima vez que JongIn visitou o hospital seu o hyung pediu para que ele cuidasse dos pais deles pois a NASA tinha conseguido preparar tudo, então agora finalmente ele iria conhecer as estrelas e os planetas, só que para isso ele iria precisar ficar longe por um tempo, já que a viagem no espaço é muito demorada, mas mesmo que demorasse muito tempo, ele voltaria para viver com eles e traria muitas fotos mostrando como as estrelas eram de perto.
JongIn na época não entendia porque os pais dele choravam tanto se o hyung estava apenas viajando, nem porque todas aquelas pessoas apareceram com flores para se despedir de TaeMin só depois dele já ter embarcado.
Quando JongIn cresceu descobriu que TaeMin havia mesmo ido até as estrelas, mas não era para uma viagem espacial.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Quando conheciam TaeOh todos sempre diziam que ele era a cara do pai, e JongIn era obrigado a concordar mesmo sabendo que estavam enganados. TaeOh realmente parecia com JongIn, afinal, era seu filho, mas ao mesmo tempo eles eram completos opostos. TaeOh parecia uma réplica de TaeMin, ambos eram extremamente enérgicos, e tinham a mesma obsessão por estrelas, planetas e tudo o que envolvesse o espaço.
JongIn não fazia ideia de como TaeOh tinha tanto conhecimento sobre astronomia aos cinco anos de idade, mas suspeitava que o Senhor Kim tivesse sua parcela de culpa, pois recordava as estórias que o mesmo contava quando ele e TaeMin ainda eram crianças.
Um dia JongIn perguntou a TaeOh se ele tinha vontade de visitar as estrelas, mas TaeOh em uma sabedoria inexplicável para sua idade respondeu que as estrelas estavam longes demais, e ele não queria ter que ficar tão longe do papai, ele estaria feliz apenas em aprender sobre elas.
Talvez TaeOh e TaeMin não fossem tão parecidos assim, ou apenas, diferente de seu hyung, TaeOh estaria para sempre consigo.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Os vizinhos do novo apartamento eram homens de aparência pouco mais velha que JongIn. Um deles muito alto, por muitas vezes acabava por fazer o mesmo trajeto até a escolinha de TaeOh, se chamava ChanYeol e era professor daquela escola. Muitas vezes acabavam por se encontrar no corredor do prédio e seguirem conversando até chegar ao trabalho do mais velho. Com isso JongIn descobriu muitas coisas a respeito da vida dos vizinhos.
Park ChanYeol tem 29 anos e é professor do primário naquela escola há sete anos. Ele era casado com Do KyungSoo há 5 anos – exatamente, eles eram um casal homossexual. Foi um pouco estranho para JongIn se acostumar com a idéia de conviver com eles, por nunca ter tido contato com um casal homossexual antes.
Mas graças a desinibição de ChanYeol sempre disposto a manter contato e interagir, JongIn aprendeu que não havia diferença alguma em ter um vizinho homo ou hetero. Enquanto ChanYeol se tornou uma constante em sua vida, KyungSoo ele raramente via, no máximo encontros ocasionais quando voltava do serviço e o menor estava de saída, sempre trajando roupas brancas, rumo ao emprego no hospital descoberto graças a ChanYeol.
KyungSoo é pediatra, residente em pediatria para ser mais específico, no hospital pediátrico da região. Ele é um ano mais novo que ChanYeol, e mais reservado que o maior. Ao menos quando o assunto era o mundo adulto, porque enquanto com JongIn trocava alguns cumprimentos formais e conversas genéricas, com TaeOh a realidade era completamente diferente. Sempre que se viam ambos desatavam a conversar sobre os mais variados assuntos, KyungSoo realmente era muito bom em lidar com crianças.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Quando JongIn notou TaeOh abatido ao ir busca-lo na escolinha e ser notificado de que o pequeno passou todo o dia amuado já começou a ficar preocupado. Durante toda a noite enquanto tentava brincar com o menor era ignorado, tendo a mesma reação quando perguntava o que ele estava sentindo, ele sequer havia feito esforço para comer algo durante o jantar.
Aquela noite JongIn fez questão que TaeOh dormisse em uma cama, sendo acordado no meio da noite por choramingos do menor. Ao verificar a temperatura notou que ele tinha muita febre e reclamava de dor de cabeça assim como nos braços e pernas. Sem muito o que fazer ligou para uma companhia de taxi enquanto juntava seus pertences e tentava trocar e agasalhar ao filho e a si, rumando ao hospital pediátrico mais próximo.
KyungSoo era o plantonista naquela noite. Mesmo que o contato entre os vizinhos fosse mínimo, JongIn era grato por ter o filho sob os cuidados do mais velho, por confiar tanto no profissionalismo quanto na dedicação dele. Assim que encontrou com o mais velho informou o histórico leucêmico familiar, claramente preocupado com um caso de hereditariedade, mas segundo KyungSoo era extremamente raro, JongIn poderia ficar despreocupado. Ainda assim todos os exames relacionados seriam feitos apenas para descartar as suspeitas.
Apenas de imaginar que algo semelhante ao ocorrido com TaeMin ou SooJung pudesse ocorrer ao pequeno TaeOh já deixava JongIn em pânico, ele não suportaria passar por toda aquela tortura outra vez. Após vários exames e uma melhora considerável no quadro de febre e dor do pequeno Kim foi constatado que TaeOh havia apenas apanhado uma gripe relativamente forte e em poucos dias de descanso estaria recuperado.
JongIn havia conseguido uma licença do emprego para acompanhar a estadia do filho no hospital, e sendo obrigado a ter contato direto com KyungSoo com tanta frequência conseguiu enfim manter um contato mais amigável com o mesmo. E não pode deixar de observar a dedicação com que o mesmo tratava cada um dos seus pacientes, ele era sem sombra de duvidas um excelente profissional.
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Depois da fatídica visita ao hospital, KyungSoo pareceu bem mais disposto a interagir com JongIn, pouco a pouco começando a manter conversas mais longas, o que era visto como um grande progresso. ChanYeol como um adorador de crianças estava realmente contente com
a evolução, já que assim conseguiria trazer TaeOh e o próprio JongIn – que na cabeça do Park nada mais era que uma criança crescida – para visitar lhes sem gerar desconforto no marido.
E mesmo receoso em invadir a privacidade do casal, após muita insistência JongIn finalmente aceitou visita-los, e ficou surpreso com a receptividade que KyungSoo possuía em seu “habitat natural”.
O apartamento ao lado era praticamente idêntico ao seu, mas ao mesmo tempo tinha uma aura completamente diferente. Quanto mais conhecia os moradores daquele lugar, mais se via apegado a ele e sem vontade de deixa-lo.
Fossem os inúmeros instrumentos musicais e partituras de ChanYeol, ou a pilha de livros dos mais variados assuntos de KyungSoo, ou talvez até os inúmeros pratos dos mais diversos lugares que provava a cada vez que ia lá, deixavam JongIn enfeitiçado.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
JongIn estava viciado no clima aconchegante que lhe preenchia ao adentrar o apartamento ao lado do seu. Ele apenas não sabia o motivo disso acontecer. Palavras e atitudes de KyungSoo e ChanYeol lhe afetavam diretamente, e isso era estranho. Sem contar a extrema urgência em estar na presença deles. JongIn achava que estava enlouquecendo.
Mas ChanYeol sabia o que acontecia diante de seus olhos. Assim como ele havia sido envolto na atmosfera de KyungSoo, JongIn agora também estava sendo enfeitiçado por ela. Não havia mistério algum, JongIn estava apaixonado. Mas ChanYeol ainda era apaixonado por KyungSoo e não o entregaria de mão beijada nas mãos do novo amigo.
Quando ChanYeol lhe jogou a real, JongIn não queria acreditar, em todos esses anos só havia amado SooJung e não tinha qualquer plano de se envolver romanticamente com qualquer outra pessoa. Mas a afirmação do Park rondava em sua mente e ele se pegou de repente pensando em como seria beijar os lábios rosados do menor, e a se imaginar no lugar de ChanYeol.
Na mente de JongIn a paixão recém descoberta por KyungSoo era completamente platônica, sem qualquer chance de ser correspondida, mas depois de meses naquela tortura que era olhar seu vizinho e imaginá-lo em seus braços, o menor pareceu começar a corresponder seus olhares.
O clima entre os três acabou ficando estranho, e quando JongIn já havia desistido daquele jogo, em um fim de semana aleatório acabou por se deparar com ChanYeol deixando o apartamento que dividia com o até então marido, insatisfeito por estar vivendo apenas com as migalhas de um amor que deixou de existir.
ChanYeol deixou de ser um empecilho, mas ainda assim JongIn e KyungSoo não conseguiam se aproximar, foram necessários seis longos meses para voltarem a se falar normalmente, e mais algum tempo para finalmente admitirem abertamente o que sentiam um pelo outro. Quase um ano depois de KyungSoo estar morando sozinho é que finalmente se envolveram e começaram a namorar.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Depois de tantos anos sem se envolver com ninguém fisicamente, o corpo de JongIn exalava tensão e necessitava de alívio. TaeOh estava em um acampamento escolar, e mesmo que o instinto paterno lhe deixasse preocupado, não havia muito o que pudesse fazer, por isso KyungSoo estava a caminho.
Aquela era não apenas a primeira vez de JongIn com um homem, como também a primeira vez que se relacionava com alguém que não era SooJung. KyungSoo compreendia o tempo que o namorado precisou e estava realmente feliz por ele ter finalmente se disposto a avançarem no relacionamento.
JongIn estava nervoso, obviamente. Eram muitos receios rondando sua mente, sobre o que deveria fazer ou se realmente haveria dor, mesmo que já houvessem se acariciado intimamente, ainda era diferente. Mas KyungSoo parecia sempre saber o que fazer.
Ele acariciava seu corpo em lugares que JongIn não imaginava serem sensíveis e arrancava arfares do maior. Quem via KyungSoo sempre fofo e brincalhão jamais imaginaria a aura dominante do mesmo quando o assunto era sexo.
As carícias de KyungSoo eram sempre possessivas, e JongIn era capaz de sentir na pele ardência por onde as mãos dele passavam. JongIn poderia estar com medo, mas não abriria mão de finalmente saciar seu desejo e se possível fundir o corpo de KyungSoo ao seu.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
ChanYeol já havia compreendido que sua história com Kyungsoo havia recebido um ponto final, mas isso não significava que seguir adiante fosse tão fácil, afinal de contas era uma rotina de 4 longos anos sendo mudada drasticamente.
Inicialmente ele ficaria morando com um de seus colegas de trabalho, Kim JongDae - após muita insistência do mesmo, vale ressaltar -, porém o Kim estava de casamento marcado para dali a seis meses, ele não queria invadir a privacidade dos recém casados. Após muito pensar resolveu finalmente se inscrever para o intercambio que sempre almejou, mas havia descartado dos planos após ele e Kyungsoo terem decidido morarem juntos.
Depois de quatro longos meses de espera finalmente ChanYeol estava em um vôo com destino a Inglaterra para cursar a tão aguardada pós graduação. Talvez novos ares lhe trouxessem um novo amor.
Ou não.
Dois anos depois de volta a Seoul, quando finalmente ele e Kyungsoo haviam conseguido vender o apartamento conjunto - cada qual adquirindo então sua própria residência - ChanYeol acabou por reencontrar seu amor adolescente, seu - na época - professor temporário de química agora era diretor na escola em que trabalhava, e YiFan parecia disposto a lhe provar que nunca é tarde para recomeçar a amar.
•● Talvez a felicidade more na porta ao lado ●•
Depois de um ano e meio namorando com KyungSoo, eu não aguentava mais morar tão longe do meu antigo vizinho, há tempos eu já vinha conversando com o mesmo sobre ele vir morar consigo, mas havia um não tão pequeno detalhe, ambos tínhamos receio da reação de TaeOh.
Eu definitivamente não fazia idéia de qual reação esperar do pequeno, mesmo já que já namorássemos a tanto tempo, sempre tínhamos cuidado quanto a demonstrações de afeto, principalmente quando TaeOh estava por perto. Mas eu estava determinado a finalmente termos essa conversa. Durante o jantar, onde eu havia propositadamente pedido pizza e refrigerante para fazer um agrado, eu provavelmente nunca havia estado tão nervoso para conversar com meu próprio filho.
Comecei minha conversa dizendo a ele que nem todas as crianças tem um papai e uma mamãe, algumas tem apenas um dos dois, e outras podem ter dois papais ou até duas mamães e ele com sua sabedoria complexa demais para uma criança de 9 anos me respondeu que o Prof. Yoda havia dito isso na escola, porque as pessoas podem gostar umas das outras independe de serem meninos ou meninas
TaeOh me perguntou se eu sabia que o Prof Yoda tinha um namorado, que era bem grande, maior que ele e falava de um jeito engraçado. Desde que havia voltado do intercambio, ainda não tinha reencontrado ChanYeol casualmente, então eu realmente não sabia que o mesmo estava namorando.
Optei por perguntar então qual a opinião dele sobre KyungSoo, e ele disse que gostava muito do tio Soo, principalmente quando ele vinha lhe ver e trazia presentes. Aquela era a deixa que eu precisava para perguntar se ele acharia ruim caso eu namorasse com KyungSoo, e como quem realmente não se importava, TaeOh apenas disse que não tinha problema, desde que eu continuasse sendo seu papai, ele não se importava, talvez fosse até legal se eu trouxesse o tio Soo para morar conosco, assim ele teria sempre várias comidas gostosas para comer.
Depois de nossa conversa TaeOh não parou de chamar KyungSoo para morar conosco, e em dois meses eu finalmente tinha os dois – pequenos – homens da minha vida sob o mesmo teto.
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Notas finais: -
Descrição do plot: Jongin é um viúvo com um filho de cinco anos. Acabou de se mudar para uma nova casa, seus vizinhos são um casal homo afetivo Chanyeol (professor) e Kyungsoo (pediatra). O filho do Jongin passa mal numa noite e vai parar no hospital onde Soo está de plantão. A amizade dos três começa aí. Soo fica dividido. São sentimentos que vão invadindo a vida deles aos poucos. Chega a um ponto que Soo tem que escolher
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Sinopse: A princípio, deve ser dito que algumas pessoas são como fenômenos da natureza.
Kyungsoo, uma tempestade de raios, bonita mas perigosa, e Baekhyun, um furacão, que apesar de agitar as coisas, deixa um rastro de destruição para trás.
E Sehun, um tsunami, destruindo sem escrúpulos ou culpa.
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1. ( WILD )
2008, Haeundae.
A princípio, deve ser dito que algumas pessoas são como fenômenos da natureza.
Kyungsoo, uma tempestade de raios, bonita mas perigosa, e Baekhyun, um furacão, que apesar de agitar as coisas, deixa um rastro de destruição para trás.
E Sehun, um tsunami, destruindo sem escrúpulos ou culpa.
“Kyungsoo, vá conhecer nossos vizinhos novos por favor.” Minha mãe pediu mais uma vez, batendo na porta branca de meu quarto com uma força que me deixou irritado.
“Não tô afim, mãe. Vai embora.” Resmungo, abraçando meus joelhos em cima da cama. Odiava tanto morar ali, sentia falta da vida na cidade agitada e dos poucos amigos que havia feito, e conhecer vizinhos não se enquadra na lista de coisas que me deixam contente.
“Vai logo ou te deixo sem almoço!” Gritou de volta, dando um último toque na porta, e aquilo foi o suficiente para me fazer levantar.
Bater à porta do casal Byun foi meu maior sacrifício do dia. Fui atendido por um garoto mais ou menos da minha idade, com os cabelos castanho-claros e que me encarava com uma expressão confusa.
‘’Ah, não queremos comprar nada, desculpa.”
“Que mané comprar o quê, minha mãe mandou eu vir aqui falar oi pra vocês e entregar isso.” Respondi um pouco grosseiro e entreguei o par de rosas brancas que a mulher cultivava no quintal que fica atrás da casa.
Seus dedos finos alcançaram as hastes sem espinhos e as tomou para si, analisando com os olhinhos pequenos as pétalas bem cuidadas.
“Obrigado, são muito bonitas. Minha mãe vai gostar muito.” Sorriu tímido e abriu mais a porta. “Quer entrar? Ainda não arrumamos as coisas, mas já tem um sofá muito gostoso na sala.”
Dou de ombros e abaixo a cabeça, entrando na casinha azul. Parecia uma casa de bonecas e tudo era estranhamente limpinho, como se a casa não estivesse desocupada há algum tempo.
‘’Você não me falou seu nome ainda.” Comentou o dono da casa, voltando da cozinha com as flores dentro de um vaso de porcelana delicado. Delicado que nem sua voz e rosto.
“Me desculpa o mau humor, eu não gosto muito de interagir. Kyungsoo.” Estendo a mão para o garoto, dando um pequeno sorriso.
‘’Baekhyun.’’
Minha mão foi apertada, e creio que nenhum de nós sabíamos ao certo quanto tempo deveria durar um aperto de mãos. Mas com certeza não deveria durar mais que alguns segundos.
Fui para casa, irritado por ter que sair só para dar um oi para alguém que eu provavelmente veria na escola.
Geralmente não havia muita conversa durante o jantar, meus pais conversavam sobre coisas de adulto, trabalho e igreja, e eu me limitava a comer a comida de cabeça baixa. Mas eu tinha saído de casa em pleno verão, veja bem.
“Filho, como foi na casa dos Byun? Alguma menina bonitinha?” Perguntou minha mãe, dando um sorrisinho.
Pigarreei, deixando os talheres repousarem no prato.
“Não, só um garoto mesmo. Um tal de Baekhyun.” Respondo com indiferença.
O meu tom foi o suficiente para encerrar a conversa, para a minha felicidade.
No dia seguinte, finalmente comecei a sentir que morreria em poucos dias. Tudo começou com uma batida suave na porta da casa, a qual eu tive que atender porque, bom, eu era o único naquele lugar.
Chanyeol tinha ido viajar e praticamente me abandonara às moscas, sem nenhum amigo para passar o verão comigo. Infeliz. Algum dia ainda mato aquele poste.
Baekhyun estava de pé em cima do meu tapete, na frente da minha casa, atrapalhando a minha tarde monótona e olhando para a minha cara.
“Eu achei que pudéssemos brincar, mas acho que você está meio ocupado.” Rio internamente. Brincar?! Por mais atrativa que a ideia me parecesse, o que esse garoto raquítico teria para me oferecer?
“Claro, só me deixe pegar um casaco, tudo bem?” Acabo respondendo mais docemente do que esperava, talvez fosse o desespero por alguma interação.
Baekhyun era paciente, e ao mesmo tempo ansioso. Paciente com as ações, durante a maior parte do nosso caminho pelo parque da cidade ele apenas se limitava a pedalar, sem parar nem olhar para nada em volta dele. E ainda assim, se prestasse muita atenção, seus dedos tamborilavam sequências mentais no guidão e as palavras saíam de sua boca antes mesmo de ele formular uma frase inteira que fizesse sentido. Mas era divertido. O que era pronunciado por debaixo da respiração ofegante eram coisas aparentemente banais, como o que gostava de comer e fazer, matérias preferidas e até mesmo a letra de uma música antiga que ele dizia ter aprendido na casa da bisavó.
E quem ditava como amizades devem ser iniciadas?
“Ei, Baek?” Chamei, encostando na árvore com tronco gigante na qual havíamos decidido como um limite. Não estava cansado, mas o mais velho parecia estar exausto, e a curiosidade estava realmente me matando.
Os fios castanhos e molhados balançaram quando se virou para me olhar, a boca entreaberta.
“Oi, Kyung…” Ele já tinha me dado um apelido, e eu odiava apelidos.
“Você falou várias coisas, mas não contou por que saíram de Seul… quer dizer, era bom lá, certo?” Pergunto, um pouco nervoso por causa da expressão do outro.
“Nós saímos de Seul por dois motivos, e acho melhor não contar nenhum deles.” Murmurou, se levantando e pegando a bicicleta, tomando a frente pela primeira vez.
Mas Baekhyun não conhecia a trilha, muito menos o parque, e não tive que pedalar tão rápido para encontrá-lo, parado no canto da trilha e encarando as árvores com um ar raivoso que só me fez rir.
“Cale a boca, Kyungsoo.” Reclamou, me seguindo.
“Eu nem falei nada ainda.”
O caminho de volta foi quase silencioso, o barulho de folhas e galhos sendo esmagados à medida que a roda abria caminho pela trilha. Baekhyun parecia pensar em algo sombrio, já que seu rosto estava tão fechado que não absorvia nem a luz que penetrava por entre o teto emaranhado de galhos e folhas.
Quando Chanyeol voltou, eu estava jogando videogame com Baekhyun. O garoto se esgoelava, atirando loucamente no maior número de criaturas que conseguia, e enquanto eu esperava a minha vez só conseguia me perguntar se ele realmente era o mais velho entre nós.
Mais da metade do verão tinha se passado, e a presença do garoto ligeiramente mais alto era constante. Não era mais estranho conversar com ele, uma cumplicidade tinha se instalado no ar. Baekhyun agia como uma criança na maior parte do tempo, mas não é como se nós fôssemos adultos.
Chanyeol invadiu meu quarto segurando um monte de sacolas, com um sorriso idiota estampado no rosto.
“E aí, Kyungsoo?” Gritou, mas logo se calou ao ver Baekhyun sentado na poltrona, que também estava encarando o maior. “Ah… olá.”
“O-oi, eu sou o Baekhyun.” Deixou o controle de lado e atraiu o olhar do meu primo, que ainda estava extremamente corado.
“Eu achei que você estivesse sozinho!” Falou, ultrajado, jogando as coisas no chão. “Mas você já tinha arrumado alguém pra te fazer companhia.”
Reviro os olhos, me virando para Baekhyun.
“Esse é meu primo, Chanyeol, eu te falei dele.” Dou uma risadinha por causa das reações de ambos.
Entretanto, Chanyeol não ficou por muito tempo. O interesse no rosto dele era nítido, mas Baekhyun parecia estar irritado com a situação e depois daquele dia o maior acabou viajando novamente.
A questão é que geralmente Chanyeol saía da casa dele, em uma cidade vizinha, para poder ficar na minha durante o verão. E justamente na ausência dele eu descobri alguém que não me fazia nem pensar no quanto sentia falta dele.
E isso o irritou. Baekhyun o irritou.
“Quem você acha que vai pegar na festa?” Baekhyun murmurou, quase ao final do horário de aula do primeiro dia. Acabei descobrindo que tínhamos algumas aulas juntos, e minha mãe nos forçou a voltar juntos.
“Eu não sei, droga… presta atenção na aula!” Fico vermelho ao ver que Jongin olhava para trás, prestando atenção em cada detalhe de nossa conversa. Talvez ele quisesse ficar comigo, e por isso conseguia ser tão irritante.
Ouvi Sehun suspirar ao meu lado, irritado com a situação. O maior tinha se tornado meu melhor amigo há anos, mas por algum motivo não gostava de Baekhyun quando estava por perto. Vá entender.
Se tinha uma coisa da qual Baekhyun gostava de fazer era fofocar. O garoto foi capaz de passar a madrugada inteira deitado no colchão ao meu lado, tagarelando sem parar sobre quem tinha beijado quem, quem dançava bem e quem era sem noção e insistia em me incomodar com isso. Logo eu, que menos me importava com essas coisas fúteis. Realmente não me interessava se Sehun tinha beijado Baekhyun várias vezes noite adentro. Longe de mim.
“Mas fala pra mim, Kyungsoo!” Reclamou um pouco mais alto, me cutucando a fim de ver se conseguia me fazer rir.
“Eu beijei Jongin. Satisfeito?” Baek ficou em silêncio ao meu lado, ele sabia da minha encrenca em tentar afastar o moreno, e talvez por isso tivesse ficado tão irritado.
“Logo ele?! Não tinha alguém melhor não?” Perguntou virando para o lado. “Até perdi a vontade de conversar.”
Reviro os olhos, sacudindo os ombros do corpo magrelo com minhas mãos.
“Para, vai, ele até que beijava bem.” Coro ao falar aquilo, dando graças porque a luz estava apagada.
“Por que eu quero saber disso, Kyungsoo?”
“Ai, nem vem, você que me perguntou quem eu tinha beijado.” Silêncio novamente. Só vou perceber que ele tinha me ignorado e começado a dormir muitos minutos depois. E eu nem tinha beijado Jongin, não exatamente.
Isso era a parte consoladora de se andar com Byun. Ele conseguia ser mais imprevisível e estranho do que eu.
Depois daquela noite, eu não parei mais em casa. Os trabalhos estavam cada vez mais difíceis para mim, e Jongin fazia questão de me tirar de casa nos dias em que me sobrava um pouco de tempo livre, de forma que eu não falava mais com Chanyeol nem com Baekhyun, e já era uma espécie de parto falar com Sehun.
Mas quando consegui um tempo para ficar com os três no mesmo cômodo, as coisas saíram terrivelmente erradas.
Estava brincando com o meu próprio canudo de plástico, entretido em meu próprio mundo, quando Chanyeol fez questão de me cutucar para que eu pudesse ouvir o diálogo trocado naquele cubículo da lanchonete.
“Então, Kyung, o Baek estava falando com você.” Sehun reclamou, jogando uma batatinha em mim que quase caiu no meu milkshake.
“Me desculpa, eu estou pensando na prova de amanhã.” Falo um pouco intimidado, evitando o contato visual com o baixinho de cabelos claros.
“Para de pensar nisso, você vai se sair bem. Aproveita um pouco com a gente.” Chanyeol sussurra, tirando a batata de cima do meu colo e a jogando de volta em cima da mesa. “Enfim, o Baek estava querendo saber se você quer beijar ele.”
“QUE? Não é nada disso.” Baekhyun deu um pulo de sua cadeira, mas logo se recompôs quando nossos olhares se encontraram. “Eu queria saber se você vai jogar lá em casa no final de semana.”
Olho para ele em silêncio, estreitando os olhos antes de dar uma risada. Ver as bochechas gordinhas de Baekhyun ficarem rosas de vergonha era engraçado.
“Claro, Byun.”
A noite já tinha chegado sem que a gente percebesse, e estava do lado de fora esperando Sehun e Chanyeol terminarem de pagar a conta quando Baekhyun finalmente tomou coragem para sair no frio, colocando seu casaco ao redor dos meus ombros.
“Não quero, você vai ficar doente.” Reclamo, e para minha surpresa, ao invés de pegar o casaco de volta o outro se aninhou contra o meu peito, escondendo o rosto em meu ombro de um jeito que me deixou alarmado. “Baek, perto demais…”
“Cala a boca, Kyungsoo, é só porque está frio.” Murmurou, e coloquei meus braços ao redor dele em uma tentativa de fazê-lo parar de tremer. Era estranho ficar daquele jeito com um amigo no meio da rua, porém ele parecia não partilhar da mesma estranheza que eu.
“Hm, vocês querem um espaço?” A voz baixa de Sehun me assustou, e me afasto imediatamente de Baekhyun. “Calma cara, você quase bateu nele.” Um riso maldoso escapou de seus lábios.
Baekhyun saiu na frente de nós três, chutando os galhos e pedras em seu caminho de maneira irritada.
Uma mão alcançou o armário antes de mim, me prendendo momentaneamente e me fazendo virar para encarar quem quer que tivesse feito aquilo.
Meus olhos encontraram os de Jongin, que me encarava com aquele sorriso de fazer qualquer um tremer. Idiota.
“Soo, você não me cumprimentou hoje.” Fez um biquinho antes de se inclinar e selar meus lábios de forma delicada, apertando minhas bochechas antes de finalmente me deixar respirar.
“Talvez seja porque eu acabei de chegar. E a gente não namora.” Respondo seco, desviando meu olhar dele. Embora eu não gostasse do moreno, ele tinha alguma coisa no olhar que simplesmente fazia a gente ceder.
“Bem que eu queria namorar você, tu é uma gracinha.” Empurro ele para o lado, abrindo o armário para poder me distrair, e meu olhar ruma para uma silhueta pequena no final do corredor.
Que me deixou imerso o suficiente para fazer a voz de Jongin parecer algo satisfatoriamente distante, porque quem estava ali era Baekhyun. Encolhido em um canto e chorando enquanto parecia conversar com alguém bem mais alto que ele. Daí pra frente eu não entendia mais nada, nem o moreno na minha frente nem os dois juntos na frente da sala.
Só que a visão do cara mais alto se abaixando para beijar Baekhyun fez meu sangue ferver, primeiro porque era meu amigo, e segundo porque era com um dos garotos do terceiro ano.
Em um movimento puxei Jongin para perto pela nuca, beijando ele com a pouca vontade que tinha arranjado para aquilo, surpreendendo ambos quando minhas costas foram de encontro aos armários atrás de mim.
O caminho de volta foi uma tortura, e um dos pensamentos que mais me perturbava era que eu tinha beijado Jongin só por beijar. Só porque Baekhyun também estava beijando alguém e eu não queria ficar por baixo.
Chanyeol me cutucou mais uma vez, arrancando um suspiro irritado de mim até que deixo o controle de lado.
“O que foi, peste? Daqui a pouco é a sua vez.” Olho para ele, me ajeitando na cama de casal que estava lotada de cobertas.
“Não é isso, Soo. O Baek tava quietinho e aí do nada o Sehun foi lá conversar com ele.” Dou de ombros, voltando a encarar a televisão.
“Eu não ligo. Devem estar falando do cara que o Byun traçou na semana passada.” Deixo escapar, mais venenoso do que pretendia. Eu sabia que Chanyeol tinha um interesse mínimo no menor, mas não ligava muito para como ia reagir.
“Por que vocês estão discutindo quem eu beijo ou deixo de beijar? O que Taewoo tem a ver com a falta do que fazer de vocês?” A voz de Baekhyun se fez presente, seu dono encostado no batente com a cara fechada.
“Não sei, você parece ter muitas cartas na manga, né? Toda hora tem uma putinha nova.” Retruco ao sentar e ligar o jogo de novo, pronto para ignorar ele.
Um silêncio constrangedor tomou conta do quarto até que eu percebesse que Baekhyun estava chorando muito e que tinha falado uma grande merda. Seu olhar não estava em mim, e sim no vasinho de rosas brancas em cima do parapeito de sua janela, que percebi com muito custo que eram as que eu tinha dado pra ele. Por que alguém cuidaria delas por tanto tempo?
“Você é um babaca quando quer, Kyungsoo.” Falou com a voz embargada, deixando o cômodo de novo assim que Sehun entrou, olhando para nós de forma confusa.
“Cara, isso não foi nada legal.” Chanyeol reprovou, e tive que assentir com a cabeça, me levantando para ir embora sem ser impedido por ninguém. Sabia que estava na hora de me retirar, que tinha passado dos limites. Eu não costumava ser impulsivo naquele nível e pensava antes de falar, mas aquela situação com Baekhyun mexeu comigo. Por que ele tinha chorado naquele dia e logo em seguida beijou o cara? E agora defende ele.
“Kyung… espera.” Sehun chamou, fechando a porta da frente atrás de seu corpo, me assustando um pouco.
Nos encaramos pelo que pareceram horas já que nenhuma das partes sabia o que dizer.
“Eu sei que eu não sou mais seu único melhor amigo.” Abro a boca para interrompê-lo, mas recebo um olhar reprovador. “Só me escuta… o Baekhyun também é bem próximo de você, e você sabe que ele é muito sensível, principalmente quando o assunto é você.”
Olho para ele de cenho franzido, não conseguindo acompanhar seu raciocínio que só era composto por aquela sentença. Nada mais foi dito.
“O que isso tem a ver com… tudo?” Gesticulo em direção à casa.
“Credo, Kyungsoo, você é cego ou o que? Byun Baekhyun está apaixonadinho, e é por você. Com todas as letras.” Sehun disse lentamente, como se tentasse explicar algo difícil para uma criança.
E era difícil, se era!
2. ( FOOLS)
Meu queixo praticamente caiu ao ouvir aquilo, e minha surpresa em poucos segundos se transformou em risadas e negações.
“Para com isso, Sehun, não tem nada a ver. Por que meu melhor amigo seria apaixonado por mim?” O sorriso em meu rosto morre aos poucos por causa da expressão de descontento do mais novo, ele aparentemente estava falando sério.
Me afasto dele em passos curtos e desengonçados, pegando pique até correr para dentro da minha casa e bater a porta, sentindo meu coração saltar repetidamente dentro do meu peito. E eu nem sabia o motivo por trás dessa histeria que tinha se instalado em mim, só tive o instinto de fugir.
Fugir para o meu quarto, onde há tempos não me jogava no chão e chorava alto. Fugir daquilo que tanto me deixa mal, perder amizades e levar foras. Perder amigos por amor. Tinha passado tempo demais erguendo fortalezas contra aquilo, nunca me aproximando de ninguém o suficiente para dar outras ideias ao outro, mas nem o bom e velho mau humor funcionava mais.
Yifan pegou um graveto, amarrando o elástico em volta para poder fazer um estilingue com aquilo, e deu para o pequeno Kyungsoo que o observava admirado, a cabeça nas nuvens.
“Pronto, agora você também pode se defender.” Estalou a língua, sorrindo com os dentinhos brancos para o garoto com olhos de coruja.
“Obrigado, Yifan.” Murmurou, se levantando com dificuldade sobre as perninhas curtas para dar um beijo na bochecha do melhor amigo, que se esquivou imediatamente.
“Não faça isso! Isso é coisa de mulherzinha!” Mas ele tinha as bochechas tão fofas, tão rosadinhas, por que era errado fazer aquilo?
“Quem te disse isso?” Perguntou, constrangido.
“Meu pai. Não faça mais isso, eu não sou um gay.” Reclamou novamente, se levantando e voltando para a própria casa.
Alguns vizinhos eram simplesmente traumatizantes.
Passei alguns dias em casa, com medo até da minha própria sombra. Era um verdadeiro enigma, eu deveria sair e tentar descobrir as coisas sozinho ou deixar para lá? Por algum motivo, eu não queria ignorar o que estava acontecendo. Afinal, era Baekhyun e não qualquer cara, mas ainda assim eu sentia um medo enorme de tentar conversar sobre aquilo.
No dia em que finalmente retornei à escola, parecia haver um elefante no meio da sala. Sehun não conversava com Baekhyun, e o último não conversava comigo. Em algum ponto do período, me inclinei para a frente, ficando perto do ouvido do garoto.
“Hm, ei, Baek, me desculpe por aquilo.” Falo, mexendo a caneta entre os meus dedos. Escuto o outro bufar, se afastando um pouco.
“Tá tudo bem, Kyungsoo, só não faça mais isso.” Eu não precisava ser um gênio para entender que não, não estava nada bem. Ele ainda estava magoado por causa dos meus comentários, e eu estava magoado porque ele não foi sincero comigo.
A hora do almoço foi bem mais leve. Baekhyun parecia estar mais confortável e chegou a passar um braço ao redor de meu ombro para rir de uma piada que Sehun havia feito, atraindo olhares suspeitos de mim e do maior. Ainda assim, não o afastei e sim ri junto com ele. Era um sinal cósmico de que eu teria uma segunda chance para não estragar nossa amizade.
“Kyung, você e o Chanyeol vão passar lá em casa mesmo?” Perguntou depois que tinha se recomposto, as bochechas coradas de tanto rir.
“Hm, eu pensei que ainda estivesse chateado comigo.” Murmurei, brincando com a minha gelatina.
“Para com isso, você sabe que eu não consigo ficar bravo com você por muito tempo. Por que faltou tantos dias? Estava me evitando?” Troco olhares com Sehun pela primeira vez no dia, ponderando se deveria ser sincero ou não com Baekhyun.
Acabo optando pela mentira.
“Eu estava doente, Baek. Acho que o estresse não me fez bem.” Dou de ombros, bagunçando o cabelo dele. “Vou para a aula, depois nos vemos.”
Deixei os dois ali, por mais que soubesse que o assunto logo passaria a ser eu, sobre como eu estava agindo ou sobre um passo diferente que tinha dado perto de Byun Baekhyun.
Porque todo adolescente é assim. Existe um fascínio acerca do que os amigos e paixonites fazem que eu jamais conseguiria compreender. Não que eu esteja admitindo que Baekhyun gosta de mim, isso já é absurdo demais.
Encostei meu corpo contra a cabeceira, chutando Chanyeol de leve para que Baekhyun pudesse se sentar ao meu lado, mas ele acaba se sentando no meio de nós, roubando o controle de minhas mãos.
“E-ei! Era para você sentar do meu lado!” Reclamo, chutando ele também e pegando o controle de volta.
“É que eu quero ficar perto do Channie também.” Olho feio para Baekhyun, que retribui o meu olhar na mesma intensidade.
“Que foi, Soo, tá com ciúmes?” Ouço a voz rouca brincar com as palavras, embora seu dono estivesse concentrado em jogar.
O garoto de cabelos castanhos me encara, como se esperasse uma reação de mim.
“Ciúmes do quê? Ficou louco?” Falo voltando minha atenção para a tela. Quanto mais eu me concentrasse em outras coisas, mais tempo eu teria antes de ter que confrontar Baekhyun.
Um. Dois. Três.
Correr era uma das piores atividades que a gente tinha que fazer nas aulas de educação física, e não digo isso porque sou sedentário. É porque essa merda é monótona.
Nós corríamos em volta da quadra, a troco de que? Alguns, como eu, se limitavam a correr da forma esperada, ouvindo música nos fones enquanto observava os outros, idiotas que ficavam apostando corrida e se esgotavam pouco tempo após o início da atividade.
Vejo Baekhyun mais a frente correndo lado a lado com um garoto de cabelo preto, que só fui reconhecer em uma das curvas, desacelerando aos poucos. Simplesmente o cara mais odioso da sala, com meu melhor amigo!
Sinto uma mão acertar meu pescoço em cheio, provavelmente deixando ele vermelho. Era aquele velho chato que se achava no direito de bater em nós quando perdíamos o ritmo.
“Kyungsoo, tá parando por que? Eu pedi pra você parar?” Perguntou em voz alta, atraindo a atenção de Baekhyun.
Tiro os meus fones de ouvido e saio da quadra pisando duro, abrindo a porta do vestiário de qualquer jeito.
“Kyung, o que aconteceu?” A voz doce dele alcançou os meus ouvidos, e paro imediatamente de andar, girando em meus calcanhares para encontrar Baekhyun.
E talvez tenha sido a única vez que, mesmo que por um segundo, tenha achado ele atraente. Pode parecer estranho e até nojento para algumas pessoas, mas o jeito que sua franja estava grudando em sua testa, as bochechas coradas por conta do esforço e as pernas bem torneadas o faziam parecer um desses idols que a gente vê na televisão e pensa puxa, queria ser esse cara!
“Nada, eu só me distraí… não tô com cabeça para ficar correndo em círculos que nem um retardado.” Tiro a camisa e me seco com uma toalha, não me importando com a presença do outro.
“É… hm, o Sehun te contou alguma coisa?” Perguntou, olhando para os próprios pés.
Suspiro e coloco minha camisa do uniforme, me sentando no banco de frente para ele.
“Ele me disse algo sobr–” Sou interrompido por ele, que ficou agitado imediatamente.
“Esquece isso, tá bom? Por favor. Não era para você saber disso.” Falou, me encarando de um jeito estranho. Talvez fosse impressão minha, mas ele parecia nervoso, à beira de lágrimas.
“Mas…”
“Nada de mas, Kyungsoo. É coisa boba, você acha que vai dar certo, eu e você? Nós somos amigos, não somos? Deve continuar assim.” O outro se levanta, pegando uma toalha no próprio armário.
“Você não quer mesmo conversar sobre isso?” Pergunto, me levantando junto com ele.
Baekhyun se vira, me olhando de forma cansada.
“Acho que o tempo de conversar sobre isso já foi, né Kyungsoo? Fazem duas semanas. Finja que nunca tivemos essa conversa também, por favor.” Pediu antes de sair do vestiário, me deixando sozinho novamente.
Decidi voltar pra casa sem esperar eles, estava com a cabeça cheia. Eu não estava apaixonado por Baekhyun, mas o jeito que ele tinha usado para lidar com as coisas havia me deixado chateado, triste, porque eu também não queria ser o motivo das lágrimas que o vi derramar durante o período livre, sendo amparadas por Sehun.
Entro em casa sem parar para falar com meus pais e sou abraçado por Chanyeol quando chego no quarto.
“Você chegou cedo! Eu preciso muito falar com você.” Falou animado, se jogando em minha cama com um sorriso.
“Desembucha, Chanyeol.” Resmungo, me sentando ao lado dele.
“Eu queria saber se você ficaria com um tal de Jaehyun… ele é um loiro lá da minha escola, mas ele mora aqui perto e te viu saindo um dia desses.” Deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal que já tinha falado.
“E-eu não sei… que garoto é esse?” Pergunto um pouco assustado. Talvez fosse bom me divertir um pouco, tirar a cabeça do que estava acontecendo.
“Poxa, você nunca reparou nele? O bicho é lindo mesmo, vou trazer ele comigo qualquer dia desses e aí a gente vai em um boliche, pode ser?” Disse, sorrindo enquanto encarava o teto. “Aí quem sabe eu possa conquistar aquele Junmyeon.”
Olho para ele um pouco confuso, o cutucando.
“Que história é essa de conquistar o presidente da minha sala?!” Indago indignado, dando um golpe no maior com a almofada.
“Aquele lindo é da sua sala?! Por favor, me ajuda!” Riu, tentando se defender.
Pelo menos com Chanyeol o assunto nunca era Baekhyun.
Nessa história misturada a respeito de JunMyeon e Jaehyun, acabou que tanto a minha escola quanto a de Chanyeol foram juntas a um parque de diversões.
Então lá estava eu e Baekhyun, sentados lado a lado e compartilhando um fone de ouvido, fingindo que nada havia acontecido.
“Você não ia ficar em casa hoje?” Perguntou, um pouco seco, e dirijo meu olhar para o outro. O que ele está tentando ser? Alguém que não liga pra mim? Claramente não funcionava, porque no fundo, sabia que aquele tom de voz frio era falso.
“Ia, mas não queria te deixar sozinho no ônibus.” Murmuro, ainda encarando Baekhyun.
“Eu podia ter sentado com outra pessoa.”
Dou um sorriso falso, sentindo meu sangue ferver.
“Claro que podia, Baekkie. Da próxima vez me avisa.” Volto a ficar em silêncio, tirando o fone dele do meu ouvido e colocando os meus.
Baekhyun ficou me encarando pelo resto do caminho.
Fico aliviado ao poder descer do ônibus e ficar perto de Chanyeol, o maior me dava uma certa calma. Ficamos um pouco atrás de Sehun, Baekhyun e TaeWoo, e ele me apontou um cara loiro e alto.
“Aquele é o Jaehyun… ele vai falar com você depois.” Dou uma boa olhada no garoto, lançando um olhar nervoso a Chanyeol.
“Ele é bonito demais, você está brincando comigo.” Estava tentando arranjar uma desculpa para não ficar com ele, não estava no clima. Mas é claro que o grandão não ia entender.
“Que nada… só espere.” Piscou, e por um momento pensei que Baekhyun estivesse me olhando pelo canto do olho, como se estivesse ouvindo a conversa.
Ficamos com as escolas naquele parque até o final da noite. Acabei por trocar farpas com Baek, mas nada que nos deixasse de mau humor pelo resto do passeio. Estava divertido, afinal. Jongin até tinha aparecido no meio do nosso grupo, e ficou ganhando vários ursos de pelúcia para mim, que eu aceitava por pura educação.
Em um certo ponto da noite, Jaehyun realmente se aproximou de nós para falar comigo, Com a desculpa de que queria falar com Chanyeol. O loiro era realmente engraçado, e não foi nenhuma tortura aceitar ficar um pouco mais para trás para que pudéssemos ter um pouco mais de privacidade.
“Então, o Chanyeol fala muito de você.” Comento, mexendo na minha pulseira vip.
Sinto os dedos longos dele alcançarem o meu queixo e virarem meu rosto para que ele pudesse beijar os meus lábios de um jeito suave, e mesmo que por dentro algo me dissesse pare! isto está errado!, eu não conseguia parar de beijar Jaehyun.
Porque ele era bonito, legal e eu precisava daquilo. Precisava tirar a cabeça do assunto que começa com B.
Fui colocado contra a parede de um dos prédios que ficava no meio do parque, e finalmente entrelacei meus dedos no cabelo dele, aproveitando cada minuto daquele ósculo que chegava a me deixar sem forças nas pernas. Não por paixão, mas por algum sentimento muito diferente que eu só saberia nomear no futuro.
Baekhyun tinha visto cada momento daquela troca de carícias que tive com o garoto da outra escola. E estava mais frio do que nunca. Se os sentimentos do outro definissem o clima, com certeza estaríamos no meio do Polo Norte.
“Cara, me passa o lápis? Eu preciso fazer esse rascunho hoje.” Pedi, olhando para Baek.
Fui encarado com os olhos de quem estava furioso, querendo arrancar meus órgãos internos e se banquetear com eles à luz de velas.
“Pede para aquele cara que estava praticamente bebendo a sua saliva ontem, Do Kyungsoo.” Respondeu, virando para a lousa novamente.
Eu odeio Byun Baekhyun. Eu odeio Byun Baekhyun, odeio muito mesmo.
“Kyungsoo! O seu rascunho na minha mesa em cinco minutos!” O professor Choi ralhou, me encarando por cima dos óculos redondos.
Baekhyun me passou o lápis sem dizer mais nada.
A grande festa iria acontecer em duas horas. Não era nada além de uma confraternização que faziam todo ano como desculpa para beber e beijar as pessoas que você não quer que seus pais saibam que você beijou, mas ainda assim era todo um ritual de status.
E um dos meus companheiros ainda queria me comer vivo.
Coloquei o casaco de lado, soltando um grito de raiva que assustou Chanyeol e Sehun.
“Pra que isso? Tá parindo, Kyungsoo?” Perguntou Sehun, rindo do meu desespero.
“Para de rir da desgraça alheia, você sabe porque eu tô assim. O Baekhyun me odeia.” Encosto na janela, olhando para os dois.
Chanyeol ergueu o olhar, bloqueando o tablet que usava para remixar músicas em seu tempo livre.
“Olha, se ele te odeia é porque você deu motivo, sabe?” Disse, trocando olhares com Sehun.
Suspiro, voltando a arrumar o meu cabelo e me encarando no espelho.
“Eu não tive nem tempo de conversar com ele sobre aquilo, ele me disse para esquecer.” Retruco após um tempo, deixando o pente em cima da cômoda.
“E o que você acha disso? Prefere ficar só na amizade?” Perguntou Sehun, passando um braço ao redor dos ombros largos de Chanyeol.
Refleti sobre aquilo por um tempo, me jogando na cama. Somente Chanyeol sabia sobre tudo o que tinha acontecido comigo e o motivo por trás de todo o meu pânico com relacionamentos, e eu não planejava me abrir naquele momento.
“Não sei o que eu prefiro. Eu tenho medo de estragar tudo.” Confidencio, cutucando a perna do meu primo. “Tenho medo de acontecer tudo de novo e perder mais um amigo.”
“Olha, Soo… se vocês nunca se resolverem, talvez vocês já estejam estragando a amizade de vocês.” Chanyeol sorriu fraco, falando algo que fazia sentido pela primeira vez.
Não para o meu cérebro, mas quem sabe para o meu coração.
Os copos pareciam aparecer magicamente nas minhas mãos, cada hora com uma bebida diferente, e naquela noite específica passei a imaginar como seria entrar em um coma alcoólico. Com certeza o começo era daquele jeito, você se senta no começo das escadas daquela casa super abafada, com a sensação de que seu sangue estava fino de tanto álcool que mandou para dentro, e então você encara a parede e se lembra de todas as merdas e vacilos que já deu, buscando soluções imaginárias para cada uma delas.
Mas eu não ia entrar em um coma alcoólico, porque eu conseguia entender perfeitamente o que estava acontecendo comigo e sabia falar com as pessoas ao meu redor. Chego a empurrar Jongin para longe, que tentava mais uma vez ficar comigo. Tanta gente mais sóbria na porra da festa e ele escolhe logo eu.
Um rosto conhecido aparece na minha frente, e pisco algumas vezes para me certificar de que era realmente Byun Baekhyun ali, sentado tão perto de mim.
“O que foi? Veio me lembrar… de como sou um idiota?” Meu cérebro estava rápido, mas minha boca parecia não acompanhar a rapidez dos meus pensamentos, me fazendo falar como um retardado.
“Não, Soo, vim ver se você está bem.” Respondeu, e só então percebi que também estava tão bêbado quanto eu, as bochechas coradas e o balançar lento de seu corpo, totalmente incoerente em relação à música não me enganavam.
Coloco um dedo em sua bochecha, fazendo ele recuar até encostar no corrimão antigo.
“Cala a boca, você tá tão mal quanto eu.” Deu de ombros, rindo de maneira cúmplice.
O sorriso mais fofo e inocente do mundo.
“Verdade. Você bebeu pelo mesmo motivo que eu ou eu sou muito trouxa?” Perguntou, tirando a minha mão dali e a segurando em cima de sua perna.
Olho para ele por algum tempo, tentando processar aquelas informações. A música alta deixava tudo mais difícil.
“Qual foi seu motivo, Baekhyun?” Sorri um pouco cansado, tomando mais um gole do que parecia ser vodca.
“Você foi o motivo, Kyungsoo… eu não aguento mais te ignorar, fingir que sinto desgosto por você, é tudo tão difícil.”
Assenti, mordendo meu lábio inferior e olhando para meu próprio colo. Bêbado tem peso na consciência, vou lembrar disso da próxima vez.
“Eu… também não aguento mais isso tudo.” Concordo, apertando a mão do outro e o olhando em busca de alguma resposta.
Como se alguma coisa fosse tranquilizar meu pobre coração.
“Então me beija.” Pediu, apertando a minha mão de volta.
Nos olhamos por algum tempo. Olhares que eu não saberia descrever, mas que dentro de mim faziam nascer várias sensações incríveis que eu não achava ser capaz de sentir depois de tanto tempo. Não aquela que senti com Jaehyun ou Jongin, dessa vez eu já estava entregue antes mesmo de nossos lábios se tocarem.
E quando se tocaram… eu pensei que meu coração fosse parar. Não era possível que algo poderia bater rápido, eu já estava morto e não tinha percebido. Infarto nessa idade mata, não mata? Baekhyun não tirou sua mão da minha, apenas as abaixou até que ele pudesse me puxar para mais e mais perto, e acabo derrubando o meu copo, que rolou alguns degraus abaixo enquanto a bebida escorria pela escada.
Nos afastamos e me virei para olhar aquilo, minha atenção era mais arisca do que um gato de rua. Mas Baek puxou-me novamente, sentando em meu colo para poder ter a minha atenção integral naquele momento. Riu um pouco, umedecendo os lábios com a língua. Provavelmente a coisa mais sensual do universo, mais sensual do que ver ele suado por causa das corridas na aula de educação física.
Nossas bocas voltaram a se encontrar, trocando um beijo lento e cheio de malícia acompanhada do gosto viciante do álcool. Aperto um pouco sua cintura, desejando estar em um local mais… reservado. Me parecia tão errado ter o primeiro beijo com ele ali, para quem quisesse ver o que sabíamos fazer com nossas mãos e lábios.
O meu eu sóbrio não admitiria, mas uma hora não foi o suficiente para beijar ele na medida que eu precisava.
Acordei na casa de Sehun, que mal tinha visto na festa e já estava sendo alvo do meu ódio e xingamentos.
“Acorda, Soo!” Disse com um sorriso, abrindo as cortinas e deixando que o Sol batesse exatamente no meu rosto.
“Eu vou te matar… apaga isso.” Pedi, enfiando o rosto no travesseiro. Era mais que óbvio que eu estava de ressaca, mas ele e Chanyeol pareciam estar perfeitamente bem.
Sehun fechou a cortina o suficiente para que eu não ficasse com mais dor de cabeça ainda, e se deitou ao meu lado na cama.
“Por que você está sorrindo tanto?” Perguntei, colocando a minha mão no braço dele e rindo um pouco do jeito bobo do maior.
“Porque você deu uns amassos no Baek.”
Sento imediatamente, fitando as paredes brancas do quarto e tentando descobrir como iria fugir daquilo.
“Yah, Kyungsoo, para de agir como se tivesse sido ruim! Vocês estavam lindos.” Chanyeol disse, entrando no quarto com uma xícara de chá na mão.
“Estávamos bêbados… não é legal fazer as coisas assim.” Murmuro, baixando meu olhar.
“Não tem problema nenhum, vocês precisavam de um empurrãozinho e o álcool ajudou.” O mais novo colocou a mão nas minhas costas, tentando me deixar mais calmo.
“Você não está entendendo, eu não devia ter feito isso! Agora ele vai achar que eu quero alguma coisa.” Respondo, me virando para encarar Sehun.
“E você quer! Só precisa parar de ser tão mente fechada. As férias estão chegando, mas de qualquer jeito vocês são vizinhos… não tem como ou para onde fugir.”
Cheguei em casa de noite, sendo cumprimentado por meus pais.
“Soo, a gente vai tirar férias e viajar, tudo bem para você?” Minha mãe perguntou, acariciando meus cabelos.
“Hm, claro, pra onde a gente vai?” A encarei, um pouco desconfortável por causa do carinho. Ela não era de fazer isso. Ouvi suas risadas, franzindo o cenho.
“Não, querido… você não entendeu, eu vou com o seu pai e você precisa ficar aqui.”
Olhei para ela, incrédulo. Não é como se eu saísse muito com eles, mas porra! Uma viagem?
“Vocês já não se importam muito comigo, agora nem lembram de mim na hora de viajar. Vocês são pais incríveis.” Sorrio para ela, dando meia volta e lançando um olhar raivoso para meu pai, que como sempre estava sentado sem falar nada.
Decido ir para a casa de Baekhyun, era o mais perto naquele momento, e não queria incomodar Sehun e Chanyeol depois de um dia inteiro com eles.
“Kyungsoo? Você tá bem?” Perguntou, me olhando com preocupação. Seu rosto estava marcado por olheiras fundas devido a uma noite mal dormida, e ainda estava com um pijama um pouco justo demais para seu corpo.
“Eu… não. Eu não tô bem, Baek, eu posso ficar?” Peço, e o outro logo me puxa pelo braço, fechando a porta atrás de mim.
Minhas maiores curiosidades eram se 1) ele lembrava o que tinha acontecido na noite anterior e se 2) os pais dele estavam ali. Tinha ido inúmeras vezes na casa vizinha, mas nunca havia realmente visto a mãe e o pai dele.
“Claro que pode ficar, eu te empresto um pijama se quiser. O que aconteceu?”
“Os meus pais… ah, não sei.” Murmuro entrando no quarto dele, me jogando em sua cama. “Eles não ligam nem um pouco para mim, e não fazem nem questão de esconder.”
Baekhyun me fez deitar no colo dele, acariciando o meu cabelo calmamente, e por mais que ele estivesse cantarolando, sabia que estava me ouvindo.
“O que eles fizeram? Você nunca fala muito sobre isso.” Disse, sorrindo levemente.
“Nem você… eles vão viajar e vão me deixar em casa. Durante as minhas férias. Você acredita nisso? Nem pra me levar junto. É sempre assim.” Me sento, inquieto por causa da situação. Mais uma coisa tinha vindo a minha mente no momento, será que ele lembrava do que tinha acontecido. “Desculpa ter jogado meus problemas em você… tá tudo bem? você está com uma aparência diferente.”
Deu de ombros, desviando o olhar.
“É por causa da bebedeira de ontem, não passei o dia muito bem.” Finalmente voltou a me encarar, como se esperasse algum comentário meu, que não foi feito. “Você se lembra…?”
Meu coração falhou um pouco ao ouvir a pergunta, tinha pedido até aos deuses nos quais não acredito para que ele não se lembrasse do beijo, mas eu era azarado.
“Baek… é melhor a gente não falar sobre isso.” Pedi, um pouco nervoso. “Foi o álcool.”
“Claro, coloque a culpa no álcool. O que você me falou não foi inventado pelo álcool, mas se você prefere imaginar isso…” O garoto de cabelos castanhos agora desbotados, quase loiros, se deitou na cama, colocando uma mão na frente de seus olhos. “Você quis me beijar. E ainda quer.”
Olho para ele incrédulo, quem pode assumir uma coisa desses sem mais nem menos?
“Não, não quero. Isso é uma idiotice gigante.” Retruco, me deitando também.
E para que eu me deitei? Baekhyun se virou para mim, nossos rostos perigosamente próximos.
“Então me beija de novo, para ter certeza disso.” Mordo o meu lábio inferior, um pouco hesitante. Beijá-lo? Justo quando eu queria tirar minha cabeça daquilo? Sim, beijar Baekhyun. A ideia não me soa tão mal.
Toco a bochecha dele com a ponta dos meus dedos, ainda um pouco indeciso.
“Fica parado, é só uma vez.” O garoto coloca uma mão na minha cintura. “Não se aproveite de mim!” Reclamo, rindo da situação.
Pela segunda noite seguida meus lábios voltaram a encontrar os de Baekhyun, mas de um jeito muito mais sóbrio.
Mas eu tinha decidido não procurar consolo nos braços dele outra vez. Algumas semanas se passaram e eu simplesmente fui parando de falar com o outro, mantendo o número de conversas menor possível.
E Baekhyun foi beijando outras pessoas.
A princípio, não tive nada contra. Afinal, eu não queria namorar com ele por não ter certeza do que sentia. Mas era ridículo. Ridículo ver uma pessoa com quem você já ficou beijando outras pessoas como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.
Ainda assim, eu não sentia isso com Jongin e todas essas informações são muito novas para mim
“Baekhyun, vamos embora! Mas que porra, para de beijar esse cara.” Reclamo, puxando ele comigo pelo corredor, recebendo vários xingamentos por causa da minha atitude. Aquilo tinha sido a gota d'água para mim.
Fui colocado contra a parede dos fundos da escola, o braço de Baekhyun contra o meu peito.
“Qual é o seu problema, Kyungsoo?! Você deixou bem claro que não queria nada comigo, não posso pelo menos tentar me esquecer de você?” Gritou com a voz cheia de raiva.
“Eu não gosto daquela cara.” Fitei-o com um ar desafiador, me arrependo assim que o fiz. Baekhyun conseguia ser bem mais assustador do que eu.
“Você nunca gosta dos caras que eu arrumo, o que você quer de mim? O que você quer, Kyungsoo?”
O que eu quero? Relaxo um pouco, me encolhendo contra o braço dele. Não precisava ser daquele jeito.
“Eu quero que você seja só meu, Baek.” Sussurro, observando a expressão de choque no rosto dele.
“Você está se ouvindo?” Foi se afastando aos poucos, sempre mantendo um pouco de distância.
“Sim, eu realmente quero dizer isso.” Puxo o braço de Baekhyun, o forçando a parar de recuar. “Eu realmente quero… ter algo com você. Não sei o que isso significa, mas eu quero.”
3. ( TALK ME DOWN )
Estar com Baekhyun era divertido, principalmente por causa do humor quase sempre bom dele. Me deixava ganhar nos jogos, fazia chocolate quente para mim depois de suas aulas de piano e gostava de ficar em silêncio, apenas me observando por horas. É claro que o fato de meus pais terem viajados e ficarmos sem nada para fazer o dia inteiro ajudava muito, e eu gostava muito mais daqueles momentos do que quando a gente trocava algum carinho mais íntimo.
A única coisa que eu evitava era falar “namoro” perto dele. Gerava uma discussão de horas, sendo que não era isso que tínhamos.
Não era um namoro, nunca falamos essas palavras. Só tinha dito que o queria para mim. É diferente.
“Kyungsoo, vamos sair por favor!” Reclamou, jogando o próprio corpo em cima do meu em uma tentativa de me irritar.
Prendo ele com os meus braços, fazendo cócegas no corpo magro dele e rindo alto por causa de sua reação.
“P-para, dói…” Pediu, me afastando enquanto tentava se manter sério.
“Sair de casa dói também!” Falo, me sentando na cama ao ver a carinha triste que ele fazia.
“Então eu vou sair com outra pessoa.”
“Onde você quer ir?”
Baekhyun riu alto, me dando um beijo estalado na bochecha. Até que não era má ideia me sacrificar para ver ele feliz.
“Vamos no cinema, lançou um filme bem bonitinho.” Pediu, e eu como um bom trouxa, aceitei.
Não tenho nada contra pagar entradas de cinema e lanches para o mais velho por mais que minha família não fosse das mais ricas, mas eu já tinha passado pela experiência de ir ao cinema com ele. Baekhyun não para quieto. Nunca.
“Kyung, olha pra mim…” O outro falou, manhoso, puxando meu braço enquanto eu tentava me concentrar no filme.
“O filme, Baek!” Retruco, apertando a mão dele para que não me cutucasse mais.
É claro que aquilo não parava ele. Baekhyun mordeu minha bochecha de leve, deixando um beijo atrás da minha orelha logo em seguida. Finalmente olhei para ele, confuso.
“O que foi, Baek?” Pergunto baixinho, olhando para ele. Não era minha intenção ignorá-lo, mas às vezes era difícil, sabe?
Ele abaixou o olhar, um pouco arrependido, e se acomodou na cadeira.
“Eu só queria sua atenção um pouquinho…” Murmurou, ainda sem me encarar.
Aproveito o interlúdio entre uma cena para puxar ele para meu colo, abraçando seu corpo e distribuindo beijos pelo ombro dele.
“Pronto, um pouco de atenção… me desculpa Baekkie, não queria te deixar chateado.” Falo em seu ouvido, fitando a tela.
“Tudo bem, Soo.” Sorriu de leve, se acomodando nos meus braços.
Ele não falou mais nada pelo resto do filme.
Baekhyun é extremamente dependente, mas muitas vezes tudo o que ele queria era algum tipo de contato. Qualquer coisa que lhe dissesse que você está ali.
Uma das únicas imperfeições no nosso relacionamento, ao meu ver, era essa pequena parte de mim que queria manter tudo em segredo. Eu não tinha a menor vontade de falar para a minha mãe que eu estava com o vizinho, aquele que eu tinha ido conhecer por pura obrigação, e Baekhyun, apesar de não demonstrar, odiava essa parte de mim.
Eu só queria esperar um pouco, deixar as coisas se consolidarem mais, e ele não entendia isso. Era como calmaria e revolta, frio e quente. Tudo para Byun é e deve ser imediato e intenso.
Estávamos ambos deitados com as pernas entrelaçadas, fitando um ao outro em silêncio naquela luz escassa que penetrava pelas cortinas, enquanto esse e outros pensamentos passavam por minha cabeça. O fato de que meus pais tinham ido viajar até que tinha sido bem conveniente.
Baekhyun era mais bonito às manhãs, com as bochechas inchadas por causa do sono, os fios castanhos bagunçados e as palavras desconexas que escapavam de seus lábios rosados toda vez que eu sugeria que deveríamos levantar.
Também era bonito de tarde, preparando o almoço para nós com os pés enfiados em pantufas um pouquinho maiores que seus pés, calça de moletom e regata, ajeitando a franja que insistia em atrapalhar sua visão.
Ao pôr do sol, com os jeans claros e o moletom cinzento, lendo deitado na grama enquanto balançava seus pés ao som de alguma ballad que tocava em seu celular.
E de noite, quando todas essas facetas se misturavam.
Talvez fosse fruto de minha imaginação, mas até eu estava ficando dependente dele.
“Baekkie, você é o meu namorado?” Perguntei, dando fim a todos os meus devaneios.
Ele me fitou por alguns segundos, um sorriso brincalhão ameaçando aparecer em seu rosto.
“Pensei que você quisesse evitar esse assunto.” Disse em um tom contido, acariciando o meu braço.
“Eu quero que você seja meu namorado… já faz um mês e… n-não consigo ficar longe de você.” Respondo, sentindo minhas bochechas esquentarem.
Os olhos de Baekhyun dobraram de tamanho, e assim que percebeu o que eu estava querendo dizer o garoto me abraçou com força, sentando no meu colo e enchendo meu rosto de beijos.
“Então eu sou seu namorado, Soo.” Falou, um pouco inclinado para ficar na mesma altura que eu.
No entanto, namorar não era tão fácil quanto aparentava ser. Sinto uma cobrança invisível toda vez que estamos juntos, como se o olhar dele me avisasse que eu deveria ser mais carinhoso, mais gentil, mais amoroso e todas os adjetivos que um namorado impõe ao outro.
E eu não sou assim. Só que quando Baekhyun começou a gostar de mim, ela sabia muito bem disso, e talvez por isso não reclamasse.
A parte mais difícil de aceitar era o quanto ele saía com Sehun. As férias estavam no seu fim e eu não tinha mais tempo para ficar com ele, então quando eu terminava uma leitura obrigatória e ia na casa dele ver se estava lá, dava de cara com sua mãe alegando que não, que tinha saído com Sehun. A situação me deixava puto. Não era ciúmes, só estava preocupado porque ele não estava lendo os livros e se afastando de mim. Não é ciúmes. Namoros foram feitos para aproximar, não afastar!
Minha mãe entrou em casa toda sorrisos, me abraçando com força. O tempo tinha passado tão rápido que nem lembrava que eles voltavam hoje.
“Filho! Me conta, o que você têm feito?” Perguntou, deixando as malas no chão e algumas sacolas na cozinha. “Trouxe algumas comidinhas diferen–” Interrompi ela, queria acabar logo com isso e ir dormir.
“Eu estou namorando com Baekhyun.”
Ela ficou boquiaberta a princípio, e meu pai se limitou a voltar para a sala. Nenhuma das reações me pareciam boas.
“N-nossa filho, que coisa né? O nosso vizinho? Fico feliz por vocês. Não fizeram nada de errado nas férias, não é?”
Olho para ela e dou uma risadinha. Por mais que não gostasse muito, sentia falta de ficar conversando com a minha mãe.
“Não, mãe, nós não fizemos nada de errado. Eu vou dormir, tudo bem? Amanhã eu tenho aula.”
“Vem cá, Kyungsoo.” Chamou, me abraçando novamente. “Eu sei que não sou a melhor das mães, mas quero mudar isso, espero que não seja tarde demais.”
Aperto o corpo da mulher contra o meu, sentindo meu coração se aquecer por conta daquilo. Eu não esperava por essa.
“Nunca é tarde.” Sussurro antes de me afastar e subir para o meu quarto, um pouco sorridente.
Eu mal espero para contar para Baekhyun! Ele vai ficar muito feliz.
Pego o celular e me jogo na cama, abrindo a minha conversa com aquele. Tinha várias mensagens novas.
[23:10] Baekkie : Kyungsoo, eu estou cansado.
[23:11] Baekkie : Você é frio, eu sei que está comigo por conta da pressão que fiz.
[23:30] Baekkie : Eu não quero mais nada com você. Espero que entenda.
Apago a mensagem que ia mandar contando sobre o ocorrido com a minha mãe, largando o celular ao meu lado enquanto as lágrimas desciam por meu rosto quase que involuntariamente. Sem perceber, estava chorando em silêncio, observando a tela do celular se apagar aos poucos, levando embora momentaneamente as mensagens que haviam partido o meu coração novamente.
O que mais me perturba é a frieza com que ele fez isso. Não sou dos mais carinhosos, mas eu jamais terminaria com alguém pelo celular. Jamais. É o cúmulo da insensibilidade.
Acomodei o travesseiro no meu rosto, gritando contra o objeto macio e que agora era alvo de toda a minha raiva, sendo jogado de um lado para outro até que se rasgasse, fazendo as penas voarem por cima de mim enquanto respirava ofegante, apoiado na cama com meus joelhos. Pelo menos era um travesseiro, não uma pessoa. Porque sem dúvida alguma eu conseguiria matar um a essa altura.
Me sinto devastado, sem um pedaço de mim. Como se Baekhyun tivesse terminado de enterrar a única parte minha, como ser, capaz de ser próxima de alguém, de amar.
E assim passei a noite, entre momentos em que meus gritos eram abafados pelos travesseiros e outros em que eu encostava na parede e chorava. Era provável que meu coração estivesse se esfarelando, desfazendo-se em lágrimas que meus olhos não davam conta de libertar.
As aulas voltaram no dia seguinte, mas eu não voltei às aulas.
Só acordei com a porta batendo na minha perna, e então percebi que tinha adormecido no chão, segurando uma pelúcia de pinguim que Baekhyun havia me dado.
“Kyun- filho, o que aconteceu?” Minha mãe encarava o quarto horrorizada, como a maioria dos travesseiros agora estavam estourados e cacos de vidro se espalhavam pelo chão, a primeira coisa que fez foi me puxar para fora, em uma tentativa falha de me pegar no colo. “Filho, fala comigo… o que você fez?”
Até o momento eu estava encarando qualquer coisa menos ela. A vergonha tomava conta de mim, pra que destruir o quarto por causa de um namoro bobinho? O que eu pensei? Que passaria a minha vida inteira com ele?
“Mãe, eu não vou para a escola hoje. Estou doente.” Falo e me levanto, pegando minha pelúcia do chão e voltando para o quarto por mais que estivesse pisando em vidro até chegar na cama.
“Kyungsoo, fala comigo.” Pediu novamente, se sentando na cama e puxando o cobertor para me cobrir.
“Só não estou bem, não é nada.” Sorri falso, me acomodando na cama. “Eu vou dormir um pouco e quando acordar vai estar tudo bem.”
Eu abri os olhos de noite e nada estava bem. Nada.
Meu quarto estava limpo novamente, e o espelho tinha sido tirado dali, mas eu também não tinha mais nada para destruir. Tudo o que era frágil tinha sido tirado do meu alcance, exceto pelo meu próprio corpo.
Porque não tinha nada mais frágil ali naquele quarto do que eu. E sentir-se frágil é uma humilhação.
Chanyeol chegou em uma manhã indefinida do mesmo mês, logo depois que eu tomei banho, e me surpreendeu ao me esperar sentado no chão. Ele nunca entrava no quarto sem bater, especialmente porque não queria me flagrar em momentos constrangedores. Entendam como quiser.
“Kyungsoo… o que você tá fazendo com você mesmo?” Perguntou, pegando no meu braço nu. Me arrependi amargamente de não ter colocado uma blusa.
“Não é nada, Yeol, deixa para lá.” Puxo o meu braço e recuo, tentando colocar meu moletom. A peça foi puxada e escondida atrás do corpo do maior, que me olhava com uma expressão preocupada.
“Nada?! Eu consigo ver as suas costelas! Você não come, não vai para a escola, não sai de casa e nem responde as mensagens! Como isso não é nada?” Gritou, jogando o moletom em cima da cama. “Para com isso, a gente quer saber o que tá acontecendo.” Seu tom de voz abaixou aos poucos depois que recuei mais ainda, quase chorando na frente dele.
Chanyeol largou o moletom na cama, se aproximando de mim e envolvendo meu corpo em um abraço apertado. Parecia ser tudo o que eu precisava, mas é uma sensação passageira.
“Me perdoe, não queria ter gritado com você. Só conversa comigo, tá bom? Eu não vou falar pra ninguém, prometo.” Sussurrou, me entregando o moletom e esperando que eu me trocasse para sentar no pequeno sofá comigo.
“O Baekhyun… ele terminou comigo.” Murmuro, abraçando os meus joelhos e desviando o olhar do mais alto.
“Vocês estavam namorando? Por que não fiquei sabendo disso?” Indagou, quase dando um chilique.
Olho para ele, incomodado com a sua reação. Por que o fato de eu não ter contado importava mais do que Baekhyun terminando comigo?
“Sim, eu pedi ele em namoro e semanas depois ele terminou comigo por mensagem.” Confidencio, nervoso. “Eu não respondi a mensagem até hoje e minha mãe ainda pensa que somos namorados… eu tento evitar que ela encontre ele na rua mas é muito difícil.”
A porta do quarto se abriu, e me encolho em meu assento. Era a própria. Seu rosto estava vermelho, e não sabia se era de raiva.
“Kyungsoo, que história é essa?” Perguntou em voz alta, entrando no cômodo sem o menor cuidado e batendo a porta.
“PAREM DE GRITAR COMIGO!” Falo de volta, me levantando e apertando a barra do meu moletom. “Para de gritar comigo, eu não aguento mais!”
Ela estava furiosa.
“Você não aguenta mais? Experimenta ter um filho que não sai do quarto há três semanas enquanto um diretor furioso te liga querendo saber uma justificativa para as faltas!” A mulher me deu um tapa forte na bochecha, e me virei, colocando a mão em cima do local machucado. Ao meu lado, Chanyeol estava inquieto, querendo se intrometer. “Toma vergonha nessa cara, Do Kyungsoo! Um garoto não merece que você fique assim, de idiota na sua vida bastou Wu Yifan!”
Sinto um embrulho no estômago ao ouvir o nome, mas me mantenho calado. O choque por ter levado um tapa ainda estava vívido.
“Você está proibido de ver esse garoto. Não quero mais ouvir esse nome nessa casa.” Disse, por fim, me olhando com ares de superioridade.
“Eu amo ele! Você não pode me proibir.” Retruco, olhando para ela diretamente.
“Você pode até amar ele, mas se pergunte quantas vezes ele veio aqui ver se você estava bem. O moleque não se importa.”
Olho minha mãe se retirar do quarto, impotente, e me jogo no sofá novamente, tentando decidir o que faria a seguir. Eram verdades demais sendo jogadas na minha cara ao mesmo tempo.
Muitas verdades com as quais não sabia lidar.
Meu primo só voltou a minha casa no mês seguinte, segurando uma caixa de doces. Deixou a embalagem comigo e subiu direto para o quarto, sem nem cumprimentar minha mãe. Desde o dia em que havia levado um tapa na frente dele, nós mantínhamos o mínimo de contato com ela possível. Por isso, a porta foi trancada.
“Soo, e aí? Como está indo?” Perguntou, se livrando de seus tênis e os deixando do lado da cama.
“Bem, acho… não me sinto mais tão mal e eu converso bastante com o vizinho da rua de baixo. Ele é o meu psicólogo.” Dou uma risada, roubando uma jujuba da caixa.
“É o pai de Junmyeon, sabia? O menino que eu tô ficando.” Sorriu de volta, pegando um pouco de doce também.
Olho para ele um pouco chocado.
“Depois de tanto tempo?! Bom, eu pedi transferência daquela escola. Vou começar a estudar em uma mais longe, mas é melhor.”
Chanyeol me encarou um pouco tenso, mas tentou esconder a expressão com um sorriso de lado. Eu não ia deixar aquilo passar.
“O que foi, Chanyeol? Me fala logo.”
“Tá bom. Você que pediu. Uma semana atrás eu vim para cá buscar um documento novo e encontrei Sehun e Baekhyun juntos.”
Fito ele por algum tempo, franzindo o cenho.
“Juntos… como?” Hesitei um pouco ao perguntar.
“Você sabe a resposta. Mas hoje eles estavam brigando na porta da casa do Baek. Ouvi algo sobre o Sehun ser manipulador. Foi empurrado e tudo mais.” Gesticulou, um pouco empolgado ao falar aquilo. “Desculpa, eu achei que seria bom se você soubesse.”
“Tudo bem, não estou chateado. Já superei.” Não, você não superou e nunca irá superar Byun Baekhyun e como ele entrou de um jeito tão diferente em sua vida, como um furacão que deixa as coisas mais agitadas, mas se vai e deixa um rastro de destruição por onde passa.
Passamos o resto da tarde jogando, mas aquela conversa não saía da minha cabeça. Me machucava saber que Baekhyun havia me deixado para ficar com Sehun, mas agora havia aquela dúvida chata. Sehun tinha mesmo conquistado o meu ex ou tinha simplesmente o arrancado de mim?
Minhas dúvidas foram esmagadas ao final da tarde. Estava totalmente absorto no filme que assistia com Chanyeol na sala quando ouvi a campainha. Fui chutado na cintura pelo maior.
“Aish, vai você atender!” Reclamo, empurrando a perna dele.
“Você é o dono da casa.” Pontuou, e mostro a língua para ele como resposta, me levantando e abrindo a porta com má vontade.
Estava escuro e mal conseguia ver quem estava na minha frente.
‘’Ah, não queremos comprar nada, desculpa.” Falo, pronto para fechar a porta.
“Que mané comprar o quê, tá me estranhando? Sou eu, Baekhyun...” Fez uma pausa, e finalmente pude reconhecer reconhecer os traços dóceis do outro. Seu cabelo estava diferente, em um tom aparentemente rosado. Não parecia nem um pouco o garoto que costumava acordar ao meu lado meses atrás. “Eu quero você, Kyungsoo.” Baekhyun me estendeu duas rosas brancas um pouco judiadas. As rosas que havia dado para ele dois anos atrás.
Olhei para as flores, então para Baekhyun e o sorriso tenso que estava em seu rosto. Você sequer sofreu? O sofrimento sempre foi algo relativo, algumas pessoas eram ótimas em esconder os sentimentos dos outros. Mas aquele não era o semblante de alguém que havia sofrido.
Não peguei as rosas.
–
Notas finais: -
Descrição do plot: Baseada na trilogia do Troye (...)
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Sinopse: Kyungsoo se orgulha em ser o melhor aluno da escola. Um matleta com sonhos de engenharia mecatrônica que é obrigado a procurar ajuda quando sua nota em educação física fica entre ele e a realização de seu sonho.
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– D? Como assim eu tirei D? – Perguntei indignado para o treinador Sehun segurando o meu boletim na frente de seu rosto.
– Senhor Do acalme-se. – Ele falava lentamente como se eu fosse uma criança.
– Me acalmar? Com essa injustiça acontecendo? Eu tirei A+ na prova teórica. – Eu já estava desesperado, era a primeira vez que eu tirava essa nota. Ah... qual é... Eu nunca tinha tirado nem um C.
– A prova teórica valeu apenas dez por cento da nota final. Na verdade, ela foi o único motivo que fez com você ficasse com D no geral, afinal você tirou F na prática de basquete.
– Eu sei quanto eu tirei na prática, eu não sou bom em esportes. Olha, eu to tentando entrar no MIT uma nota como essa vai abaixar muito minha média no fim do ano, por favor treinador, me deixa fazer uma prova, uma redação, uma prova oral qualquer coisa. Eu só não posso ficar com essa nota. – Meu coração batia forte, eu estava um caos por dentro. A minha vida sempre fora estudar e me esforçar para tirar as melhores notas, eu sou o melhor aluno dessa escola e eu me esforço ao máximo em todas as matérias, meu sonho de engenharia mecatrônica não poderia ser barrado só porque eu não conseguia jogar uma bola num cesto, certo? CERTO?
– Senhor Do eu não posso fazer muita coisa por você, certo? Sua nota teórica já é a mais alta possível. Vamos fazer assim, eu vou refazer a prova prática para você daqui a um mês e durante esse tempo você pode treinar e tentar uma nota melhor. A nota que você tirar nesse novo exame é a nota que eu vou colocar no seu boletim final. O que me diz? – Ele sorria como se fosse um gênio por pensar nisso e tudo que eu queria era revirar os olhos.
– Eu pensei que nós já tivéssemos pontuado que eu não sou bom em esportes. – O olhei tentando usar a força para enforcá-lo, mas não deu muito certo.
– Eu sei disso, mas como eu disse você pode treinar. Peça ajuda para alguém que seja bom em basquete. Eu sei que você consegue. – Ele falava como se estivesse dando um discurso de superação como os que aqueles escritores de livro de autoajuda fazem.
– Pedir ajuda? É sério isso? – Eu perguntei e ele só me olhou com uma expressão neutra.
– Está bom, tudo bem, ótimo. – É claro que eu estava sendo sarcástico, mas ele não pareceu notar e se notou decidiu ignorar.
– Que bom que você vai fazer isso, eu vou marcar uma data certa e te aviso. – Ele sorria orgulhoso como se tivesse solucionado o problema da água no mundo.
– Certo. Obrigado. – Disse já me virando e abrindo a porta da sala do treinador e saindo.
– Espera, Kyung. – Ele disse antes que eu saísse e eu fechei a porta novamente virando para olha-lo. – Eu... um... vou chegar um pouco mais tarde hoje. Se importa de começar o jantar sozinho? – Ele falava como quem não quer nada, mas eu sabia que ele ia sair com alguém.
– Claro, sem problema. – Eu disse sorrindo por dentro. – O que você quer jantar?
– Eu não sei, você pode escolher. – Ele abriu a carteira e tirou algumas notas de dentro. – Aqui, caso precise passar no supermercado. – Oh me entregou as notas e eu as enrolei e coloquei-as no bolso. –Tenha um bom dia. E encontre alguém para treinar.
– Tudo bem, não se preocupe. – Eu disse sério a princípio antes de abrir um sorriso malicioso. – Tenha um bom encontro, pai. – Disse antes de virar-me e sair rapidamente rindo da cara de choque dele.
Com certa pressa, caminhei pelos corredores em direção a minha próxima aula. Entrei na sala de Matemática Avançada e vi que Junmyeon já estava lá me esperando na primeira carteira da primeira fila, como sempre. Me sentei ao lado dele e ele começou a falar com certo entusiasmo na voz.
– Eu não acredito que a competição de matemática é daqui a duas semanas, eu estou um caos. Além de competir eu vou ter que cobrir a competição pro jornal e nenhum dos matletas conhece alguém pra cobrir por mim, maldita hora que eu virei o editor daquele jornal. – Ele falava rapidamente e parecia que ia enfartar na minha frente.
– Calma. Eu te disse para pedir para outra pessoa cobrir. O Luhan não está no time por que ele não faz isso? – Falei tentando acalma-lo.
– Ele já vai cobrir o jogo de basquete para você, é no mesmo dia. – lembrou-me o garoto.
– Suho. – Falei usando seu pseudônimo do jornal. – Você tem que se acalmar, não é como se algo incrível e surreal fosse acontecer no intercolegial de matemática. – Inferi afagando seus ombros, ele respirou fundo chacoalhando a cabeça positivamente.
Eu ainda me lembrava de como eu tinha entrado no jornal da escola, Junmyeon me deu uma vaga quando o Club AV acabou, antes disso eu não fazia nem ideia de que nós tínhamos um jornal. Eu entrei aqui no oitavo ano e precisava começar a pensar nos meus horários extras para as inscrições da faculdade e fui direto pro Club AV, mas os outros meninos do Club eram do último ano e quando eles se formaram o Club acabou por que só eu fiquei e então eu me desesperei por não ter mais um horário extra.
Foi quando eu conheci o Junmyeon e ele me disse que estavam precisando de redatores no jornal e eu muito imbecilmente respondi "Que jornal?" e ele sendo o anjo que é, apenas sorriu e falou sobre o jornal da escola, infelizmente eles precisavam de alguém pra cobrir esportes e eu posso não jogar bem, mas a parte teórica sempre foi muito simples pra mim então eu aceitei, era pra durar só alguns meses, no máximo até o fim daquele ano, mas aqui estou eu no primeiro semestre do último ano do ensino médio e ainda redator de esportes do jornal.
Era até fácil realizar essa tarefa, tudo que eu tinha que fazer era ir aos jogos e escrever sobre o que eu assisti usando os termos técnicos que meu pai adorava passar para seus alunos.
Pois é eu sou filho do treinador-Barra-Professor de Educação física da escola, na verdade o motivo de eu vir pra cá foi ele ser o treinador e isso me tornou conhecido, não de uma maneira boa, todo mundo achava que era um desperdício de status o filho do técnico do time ser o 'carinha do Club AV', quando eles souberam que o filho do treinador viria da Inglaterra, onde morava com a mãe, para Seoul eles esperavam alguém mais atlético e com certeza não um menino franzino com um visual quase andrógino e assumidamente gay, eles esperavam alguém mais parecido com o meu pai, mas tudo que eu ele temos em comum é o tom de pele claro como açúcar e o DNA, óbvio, porque em todos os outros quesitos eu sou como a minha mãe, desde os olhos arregalados, o corpo com curvas femininas, aos lábios carnudos e a cor e textura dos cabelos, não que a minha mãe tivesse muitos fios de cabelo na cabeça quando a leucemia a levou, mas eu gostava de lembrar dela saudável e feliz, sorrindo com os olhos apertados em forma de meia lua.
Pensei que seria menos cobrado se não usasse o nome do meu pai então passei a usar o da minha mãe 'Do' e toda vez que alguém me chamava pelo nome completo eu lembrava dela, ela sempre me chamava de "meu menino Do" e dava a sua própria versão de sorriso de coração que todo mundo que teve o prazer de vê-lo diz ser idêntico ao meu. Ah... eu sinto tanta falta dela...
Eu achei que seria o foco de piadinhas preconceituosas quando chegasse aqui, principalmente dos times de futebol e basquete, mas isso não aconteceu, acho que ser o filho do Treinador Sehun tem suas vantagens no fim.
XXX
Três dias, fazem três fucking dias que eu procuro alguém para me ajudar com o basquete e eu acho que os jogadores têm que começar a procurar desculpas melhores que "Foi mal, cara. Não dá não. Tenho que fazer um negócio nesse dia" como se eu tivesse marcado um dia. E pior diziam isso enquanto olhavam de um lado para o outro preocupado em ser visto falando comigo. Quando eu recebi essa resposta pela quinta vez eu decidi desistir de procurar alguém e fazer isso sozinho. Então naquela tarde quando o sinal bateu eu fui até o vestiário, troquei minha roupa pelo uniforme de educação física peguei uma das bolas de basquete da prateleira e fui para a quadra a passos pesados apenas para chegar lá e ver o time de futebol se aquecendo, eu dei meia volta e estava quase saindo quando ouvi a voz do meu pai.
– Do? O que faz aqui? – Ele dizia usando aquela expressão, ou falta dela, que ele aperfeiçoou com o tempo para usar comigo na frente das pessoas na escola.
– Eu… – Não queria dizer que iria treinar sozinho e dar a entender que ninguém queria treinar comigo pois ele ficaria chateado, mas eu não consegui pensar em outra desculpa. – Vim treinar. – Falei mostrando a bola. – Mas posso fazer isso outro dia já que vocês vão precisar da quadra. – Me virei e comecei a sair, mas a voz dele me parou novamente.
– Nós não vamos usar a quadra, estamos aquecendo aqui, mas vamos para o campo. Se você quiser esperar a gente sair… – Ele apontou pra arquibancadas no fim de sua fala e eu concordei com a cabeça indo para lá logo em seguida sentindo os olhos do time inteiro sobre mim.
Me sentei ao estilo indiano com a bola entre as pernas e assisti enquanto eles se apoiavam um no outro para alongar as pernas e coluna e se entortavam em torno do seu próprio eixo para alongar os braços.
– Você não vai se aquecer também? – Meu pai perguntou e eu quase o mandei para aquele lugar por ter feito o foco de todo mundo voltar para mim.
– Vou. Vou fazer isso depois. Não se preocupe, treinador. – Falei baixo sentindo os olhos se afastarem aos poucos. Abaixei a cabeça e comecei a brincar com a bola, mas um olhar pesado ainda estava sobre mim então levantei a cabeça levemente deixando minha franja cobrir meus olhos enquanto eu procurava quem me olhava, quando encontrei seus olhos me senti corar e ele sorriu. Kim JongIn era conhecido na escola e na cidade inteira, o astro do futebol que era tudo aquilo que falavam dele, não satisfeito em ser o astro do time de futebol ele também estava no de basquete e ia muito bem nessa temporada nos dois esportes. Ele tinha olhos castanhos brilhantes quando nossos olhos se encontraram e ele me cumprimentou com um aceno como o bom moço que todos diziam que ele era, eu sorri de volta e abaixei a cabeça envergonhado ainda sentindo seus olhos em mim.
– Okay, vamos para o campo todo mundo. – Meu pai falou batendo palmas algumas vezes para chamar atenção. E todos foram saindo aos poucos. – Quem vai te ajudar? – Meu pai perguntou quando ficamos sozinhos.
– Ninguém, eu decidi treinar sozinho. – Era uma meia verdade.
– Isso é impossível, KyungSoo. Será um teste de passes e jogadas como da última vez, não tem como treinar sozinho. – Ele levantou a sobrancelha direita enquanto falava exatamente como faz quando briga comigo por não ter arrumado meu quarto.
– Eu vou dar um jeito. – Foi tudo o que eu disse e me levantei indo para o centro da quadra. Ele me acompanhou com o olhar antes de virar e sair e quando ele finalmente o fez eu me sentei no meio da quadra sem saber como começar. Ouvi passos e levantei num pulo fingindo me aquecer achando que era meu pai, olhei para a porta e me surpreendi ao ver Kim JongIn vindo em minha direção.
– É... KyungSoo, certo? – ele perguntou e eu balancei a cabeça. – Ahn... Eu soube que você estava precisando de ajuda com o basquete. – Ele falava devagar como se testando o terreno.
– Meu pai te mandou aqui? – Falei rápido levantando a sobrancelha como ele fazia.
– Seu pai? Ah! O treinador? Não. O JongDae me disse que você pediu para ele. Olha, tudo bem se você não quiser minha ajuda, mas eu tirei um C em matemática, o treinador disse que não me deixaria jogar se não tirasse pelo menos um B e o jogo das oitavas é semana que vem, a recuperação é dois dias antes e eu sei que você é um matleta. Pode me ajudar? Por favor? Eu posso pagar pelas aulas se quiser, mas desde que você também está precisando de ajuda nós poderíamos fazer isso juntos. – Meu Deus ele falava muito... Ele estava claramente tentando me convencer e eu não ia deixá-lo no seu sofrimento.
– Claro. Tudo bem. – Eu sorri tentando acalmá-lo- Eu posso te ajudar sim. E eu estou mesmo procurando alguém para me ajudar, eu tirei D, não sei mais o que fazer, não posso ficar com essa nota. – Eu estava fazendo biquinho e sabia disso. Ele olhou para minha boca e deu um sorriso fofo ao me ver agindo assim.
– Quando é a sua recuperação? Ele indagou mordendo o lábio.
– Daqui a um mês. – Informei.
– Então nós começamos com a matemática, que tal? Assim nós focamos no basquete a partir da semana que vem. – Ele negociou e eu concordei, não tinha pressa nenhuma em ficar todo suado e fedorento.
– Claro, quando começamos? – Eu estava muito animado. Quem não estaria? Ele é gostoso.
– Nós podemos acertar isso amanhã na entrada? Eu tenho que voltar para lá. Disse que iria no banheiro. – Ele falou parecendo meio envergonhado disso.
– Tudo bem, até amanhã. – Eu me despedi e ele deu um sorriso aberto mostrando seus dentes brancos e bem alinhados.
– Até. – Ele falou sussurrando e voltou por onde veio e eu segui seus passos com meus olhos acompanhando o movimento do seu quadril.
XXX
Eu estava na entrada da escola naquela manhã quando fui parado por ele.
– KyungSoo, bom dia. – Ele tinha um sorriso enorme enquanto falava e eu tive que retribuir, ele era tão doce.
– Bom dia, JongIn. E então quando nós podemos começar? – Perguntei e ele me puxou levemente me indicando para que andasse ao seu lado para dentro do prédio da escola.
– Nós podemos quando você poder eu tenho treino de futebol por duas horas nas segundas, quartas e sextas e de basquete às terças, quintas e sábados pela manhã. Então eu chego em casa lá pelas quatro e meia todos os dias e no sábado às onze da manhã. Nós podemos nos encontrar nesse horário, na sua casa ou na minha. O que acha? – Ele terminou sua explicação parando e só então notei que ele tinha me levado ao meu armário. Rapidamente tirei meu material para a primeira aula dali e guardei os que não precisaria sentindo todos os olhos da escola nas minhas costas. Todos pareciam curiosos para saber o motivo de JongIn estar ao meu lado. Tranquei o armário e me virei para ele.
– Tudo bem para mim. Meu pai chega seis Então nós só teríamos uma hora e meia para estudar sem a barulheira dele. Como é na sua casa? – Perguntei e ele me fez um sinal com a cabeça para seguirmos andando.
– Meus pais chegam às sete da noite, mas são bem tranquilos de qualquer forma. – JongIn informou seguindo para o seu próprio armário.
– Então é na sua casa. – Disse e nós paramos em frente ao armário dele.
– Me dá seu número e eu te passo o endereço por mensagem, ou você acha que pode me espera hoje para irmos juntos? – Ele me olhou no fundo dos olhos depois que terminou de falar.
– Me dá seu celular. – Pedi estendendo a mão e ele rapidamente me entregou. Coloquei meu número e salvei depois chamei o meu pra que o número aparecesse e eu pudesse salvar depois. – Prontinho. – Devolvi o celular pra ele que guardou.
– Até a tarde, KyungSoo. – Talvez seja a minha imaginação, mas eu vi malícia no seu tom.
– Tchau, Kai. – Usei o nome que ele usava na camisa do time e segui pra primeira aula no time perfeito em que o sinal tocava o começo dela.
Naquela tarde nós tivemos a primeira aula, JongIn me mandou o endereço da casa e eu o encontrei lá, não era muito longe da minha e fiquei satisfeito por descobrir que poderia ir andando. Eu o ensinei integral, era um assunto chato mesmo e ele se distraia muito facilmente me fazendo perguntas aleatórias sobre a minha vida, eu respondi todas elas pacientemente o dizendo pra focar no que eu dizia, nós passamos duas horas nisso e ele disse que entendeu um pouco e eu lhe dei alguns exercícios, ele acertou alguns errou outros, mas pra quem disse não entender nada era um começo. Quando terminamos o estudo fomos para a sala e ele ligou a TV, mas eu não prestei atenção ao que passava logo iniciando uma conversa.
– Fiquei surpreso que você veio falar comigo hoje de manhã. – Falei me acomodando no sofá, eu estava de um lado e ele do outro com a maior distância possível entre nós.
–Por que? – Ele interrogou com as sobrancelhas franzidas se virando para a minha direção.
– Não é bem todo mundo que quer ser visto andando por aí com o nerd magricela e gay da escola. – Fui direto e imitei a sua posição ficando frente à frente com ele.
– Eu não me importo se você é o nerd magricela, você foi legal comigo então eu vou ser legal com você. E por que eu me importaria se você é gay ou não? – Ele parecia genuinamente confuso.
– B-Bom… – Eu gaguejei um pouco – A maioria dos jogado...
– Eu sou gay, KyungSoo. Assumidamente gay. – Ele me interrompe rapidamente. – Achei que você soubesse, todos os meus amigos sabem. E eu não sou a maioria dos jogadores.
– Desculpe, eu não sabia. – Falei de cabeça baixa.
– Que eu não sou como a maioria dos jogadores? – Ele fez um bico e eu sorri.
– Não, disso eu sempre soube. – Disse e seu bico se desfez.
– KyungSoo, a verdade é que eu poderia ter pedido ajuda pra qualquer um, mas eu queria ter uma desculpa pra falar com você. Eu... eu venho te percebendo a algum tempo. Eu só não sabia como me aproximar, você é tão fofo eu não fazia ideia do que dizer e provavelmente pareceria um idiota atrapalhado e eu não queria que você se afastasse, sabe? Eu só achei que...
– Você fala demais. – O interrompi colocando a mão sobre sua boca.
– Desculpe. – Ele murmurou sob meus dedos e eu ri de sua fofura.
Tirei minha mão de sua boca e o segurei pelo queixo para mais perto dando um selinho em seus lábios o sentindo sorrir em seguida, aproveitei a oportunidade para morder seu lábio inferior o sugando levemente, nos aprofundamos o beijo, mas o momento foi quebrado pelo meu celular tocando. Apertei o beijo com alguns selinhos e atendi o celular, quando desliguei disse a JongIn que era meu pai e que precisava ir, nos despedimos com outros vários beijos até que ele finalmente me deixou ir.
XXX
A semana se passou e eu fui dar aulas para o JongIn todo dia por duas horas por dia e depois aproveitamos para ficar juntos. Hoje era a prova do JongIn e eu estava aflito junto dos dois times e do treinador do lado de fora da porta da sala de matemática eu batia o pé impaciente até que a porta se abriu.
– Eai? Como foi? – Meu pai perguntou e eu encarei JongIn que só levantou a prova. Aquilo era um A? Ele precisava de C e tirou A? Eu achava que meu sorriso iria rasgar meu rosto e o pessoal fez uma comemoração animada. Eles precisavam dele para vencer e sabiam disso. E, ao contrário do que eu esperava JongIn veio até mim me abraçando pela cintura e me beijando na frente de todo mundo e tudo que eu sabia fazer era retribuir com o mesmo fervor, ouvi gritos e risos e aplauso... É.… acho que eu os julguei cedo demais. JongIn quebrou o beijo e olhou diretamente para o meu pai se mantendo abraçado a mim.
– Treinador eu quero pedir a sua permissão para namorar seu filho. – Ele pediu.
– Claro, se eu disser que não ele me enforca. – Meu pai disse piadista e eu dei um tapinha no braço de JongIn.
– Você tem que me pedir primeiro! – Fiz uma carranca e ele riu de mim.
– Tudo bem. Do KyungSoo você quer namorar comigo? – Ele me olhava nos olhos e eu empinei o nariz.
– Quero – Falei fazendo um bico que ele fez o favor de beijar enquanto ria. O time gritou sua aprovação e eu fiquei feliz por estar errado sobre eles.
XXX
Conforme o tempo foi passando as pessoas foram se acostumando a ver o nerd na mesa dos jogadores no almoço. E a assistir eu e JongIn andando por aí de mãos dadas e aos meus beijinhos de boa sorte antes dos jogos. Passou a ser a vez dele me ensinar então ao invés de encontrá-lo na casa dele eu assistia os treinos e depois ele me ajudava com o basquete. Quando o dia do meu teste chegou eu estava um caos. Como o teste era em dupla JongIn foi meu parceiro apenas para receber meus passes e me jogar a bola para eu marcar uma cesta e coisas assim. No final do teste eu estava suado e pegajoso e necessitado de um banho e meu pai sorria como o gato que comeu o canário.
– É ótimo ver o quanto você evoluiu KyungSoo. Você tirou C na prática, isso com a sua nota da teórica te dá um B+ parabéns! – Ele tinha um tom orgulhoso na voz e eu sabia que ele estava feliz por mim.
– Uuhul! – JongIn gritou ao meu lado, me agarrando pela cintura e me girando no ar. Eu só sabia sorrir. Lhe dei um selinho e logo me afastei, eu estava suado demais para conseguir manter o contato. – Você conseguiu. – Ele estava tão animado com isso. Era tão lindo de se ver. Céus eu o amava!
– Nós fizemos isso. – Eu o corrigi abrindo um sorriso enorme sentindo como se todo meu sentimento disse explodir de mim a qualquer momento.
Meu pai coçou a garganta forçadamente e nós nos viramos para olha-lo.
– Bem. Já que estamos acertados vocês podem ir se trocar. Eu tenho que receber os alunos de recuperação da outra turma. – Ele fez um movimento leve com a mão enquanto falava nos expulsando da quadra e eu ri da sua cara de tédio fingido e puxei JongIn comigo pro vestiário.
Nós entramos no vestiário masculino e a primeira coisa que ele fez foi me abraçar por trás, eu aceitei o carinho por um momento antes de me afastar e eu me olhou claramente confuso.
– Eu estou suado e pegajoso. – Expliquei. – Eu vou tomar logo um banho, estou precisando. – Falei fazendo cara de nojo e ele riu.
– Eu também preciso. – JongIn concordou comigo e nós dois começamos a tirar nossas próprias roupas e seguimos cada um para um chuveiro.
Eu fui o primeiro a terminar o banho e me vesti com a camisa de botões branca e calça social preta que eram uniforme da escola e me sentei em um dos bancos dispostos pelo vestiário aguardando JongIn.
Pouco tempo depois ele apareceu com os cabelos compridos pingando do banho e ainda semi-molhado com apenas a toalha o cobrindo desde abaixo da sua criatura bem delineada até o meio de suas coxas grossas e eu mordi o lábio para resistir a vontade de gemer. Ele virou de costas para mim para abrir seu armário e eu fui obrigado a descer a linha de sua coluna até a sua bunda marcada na toalha, JongIn se curvou pra pegar algo no armário e eu soube que ele estava jogando comigo. Ele me queria e eu não negaria.
Eu me levantei fazendo mínimo de barulho possível e me aproximei o abraçando por trás. Ele se assustou um pouco e deu um leve pulo para a frente acabando por ficar preso entre o armário e eu, eu dei o mais leve beijo em sua nuca bem onde ela se encontrava com as costas onde eu sabia que ele gostava e o senti se arrepiar em meus braços. O virei de frente fechando a porta do seu armário e o encostando nele. Ele ficava meio curvado nessa posição, mas em compensação ficava totalmente exposto para mim. Eu aproximei meus lábios do seu externo apenas perto o suficiente para um leve roçar e comecei a subir a linha do seu pescoço logo passando para seu maxilar reto e do enfim chegando ao seu queixo e boca. Mordi o seu lábio inferior primeiro leve e logo depois fazendo mais força e o ouvi gemer entre a dor e o prazer e só então chupei seu lábio passando a língua por toda a extensão aliviando a dor da mordida.
Estendi a mão em direção a ele e corri meu polegar ao longo da sua mandíbula. Eu não queria ir rápido demais. Eu o toquei levemente, observando os arrepios enquanto eu traçava sua pele delicada. Ele virou a cabeça e chupou meu polegar em sua boca, passando sua língua contra ele exatamente como fazia quando chupava meu pau e eu gemi em resposta, pressionando meu corpo contra ele, deixando-o sentir o efeito que ele tem em mim.
Ele fechou seus dentes levemente em volta do meu polegar quando eu o puxei quase para fora da sua boca e então deslizei para dentro de novo. Meus olhos quase rolaram na minha cabeça com a sensação. Eu beijei sua bochecha e ao longo da sua mandíbula até que eu estava em sua orelha. Chupei seu lóbulo em minha boca e mordisquei delicadamente e a sensação o fez se contorcer em minha direção.
Ele soltou meu polegar e inclinou a cabeça para trás contra os armários. Rendido, finalmente.
Eu me afastei e sorri para ele, e isso foi tudo o que levou para ele me atacar. Ele mordeu meu lábio inferior, o que me fez gemer e empurrar contra ele, empurrando suas costas contra o armário mais forte do que eu pretendia. Ele claramente não se importou, no entanto, porque moveu seu corpo conta o meu em um convite aberto.
Eu quebrei o nosso beijo e passei minha língua sobre os meus lábios, desfrutando do sabor dele.
– Sabe, eu estou um pouco curioso. – Me afastei o fitando e ele para incrédulo que estava falando e não o beijando.
– Sobre o que exatamente? – Ele parecia que me atacaria a qualquer momento. Hora de jogar a minhas cartas.
– Você já foi fodido no vestiário? – Falei olhando em volta. Vamos ver o que ele faz com isso.
– Nã-Não, KyungSoo, eu nunca... um… – Ele gaguejava e eu sorri satisfeito.
– Sabe, JongIn, eu sou uma pessoa muito competitiva. – Disse como quem não quer nada.
– Eu estou ciente disso, a maioria das pessoas é. – Seu tom era grave e eu não consegui esconder minha diversão com a sua impaciência.
– Talvez, mas eu sou a sua primeira vez num vestiário, correto? – Claro que eu era, mas este era o jogo e eu tinha um papel a interpretar.
– Sim, você é. – Um beicinho surgiu em seu rosto e eu queria beijá-lo.
Sorri para ele novamente, empurrando aquele temperamento que ele tinha bloqueado logo abaixo da superfície.
– Bem, eu acho que é vitalmente importante que eu seja o melhor que você já teve. Eu não posso ser o segundo melhor, como eu tenho certeza que você percebeu.
Quero destacar isso, de modo que você nunca se esqueça da sua primeira vez, tal como ela é.
Seus olhos arregalaram e suas narinas inflaram um pouco e eu juro que seus mamilos ficaram ainda mais duros com as minhas palavras.
– Isso provavelmente será muito difícil, tenho certeza de que verei centenas, talvez até mesmo milhares, de jogadores de futebol quase nus na minha vida. – O sentimento de raiva transbordou-me com a ideia disso. – Logo eles estarão misturados e você será apenas um borrão entre tantos.
O inferno que eu seria. Seus lábios contraíram porque ele pensou que tinha vencido.
– Isso soa como um desafio, Kim JongIn.
Seus olhos brilhavam com o riso, empolgados com a minha irritação.
– Você é muito observador, Do KyungSoo.
Hora de assumir o controle novamente.
– Dizem que você nunca se esquece do seu primeiro. – Dei-lhe um sorriso triunfante porque ele malditamente nunca esqueceria isso e nós dois sabíamos disso.
– Às vezes o primeiro vale a pena ser esquecido. – Ele respondeu. Eu ri, lembrando da história dele perdendo sua virgindade com seu primeiro namorado que ele me contou uma noite dessas. Ele estava certo, aquilo era esquecível.
– Bem, então, acho que vou ter que simplesmente tornar isso inesquecível, não vou? – Ele arqueou uma sobrancelha para mim. – Se você acha que pode, eu não vou impedi-lo. – Desafio aceito, querido
– Diga-me, JongIn, você foi ao limite, não é? – Ele balançou a cabeça, seus olhos atordoados. Eu sabia que ele amava quando eu era um pouco agressivo com ele. Não seria um problema hoje. Eu o olhei de cima abaixo, admirando aquele corpo perfeito dele. Em seguida, olhei tudo de novo. Eu nunca poderia ter o bastante dele.
– É claro que você não foi um rapaz doce e parecendo inocente como você, com seus grandes olhos castanhos convidativos e esse lábio inferior carnudo e macio que você continua mordendo... a maioria dos caras seria gentil com um homem como você. – Eu geralmente era.
– Esses lábios tocariam levemente cada centímetro do seu corpo, seguidos por beijos suaves que você mal poderia sentir. – Lembra? Lembra do jeito que eu o toquei na noite passada?
– Eles tomariam seu tempo, memorizando cada centímetro desse pacotinho delicioso que você se apresenta, saboreando todos os seus sabores, antes de deslizar suavemente em você e fazer amor com você a noite inteira. Isso soa certo, Kim JongIn? – Soa muito como o jogo particular do nosso sábado à noite.
Ele estendeu a mão para baixo e retirou minha camisa da calça, mas o privei de tocar a minha pele e ele apenas brincou com as extremidades da camisa. Ele estava irritado, eu poderia dizer, movendo-se contra mim e apertando sua mandíbula. Eu ri e ele moveu suas mãos até o colarinho da minha camisa e eu o permiti tocar a minha linha da garganta com os dedos.
– Bem uma vez que você já teve isso, certamente não seria memorável se eu fosse fazer isso por você, não é? – Isso era uma mentira, ele lembraria, assim como eu, mas nós não faríamos amor neste vestiário. Nós foderíamos e eu não podia esperar por muito mais tempo.
– Pode ser. – Ele sugeriu, um leve choramingo em seu tom que me fez sorrir. Continuei a mal toca-lo, observando como ele reagia aos meus dedos em sua pele, sua respiração acelerando, seu peito arfando, seus olhos ficando pesados com a luxúria. Eu amava quando ele ficava assim.
– Pode ser não é bom o suficiente para um cara como eu. Eu preciso ser o melhor que você já teve. – Eu seria, e eu seria o último que ele já teve também.
– Acho que vou ter que contatá-lo em cerca de 60 anos para que você saiba com certeza. – Ele respondeu com um sorriso.
Eu sabia que ele estava tentando conseguir me irritar, mas isso não funcionaria. Em 60 anos ele ainda estaria comigo, eu tinha certeza disso. -Oh, eu acho que você saberá mais cedo do que isso.
– Eu não saberei nada até que você realmente me foda, saberei? – Ele perguntou, com raiva em seu tom.
Bom ponto. O humor fugiu e tudo o que restou foi a minha necessidade por ele. Tive o suficiente do maldito jogo.
– Não, suponho que não. Que assim seja então. – Agarrei sua cintura e o puxei para mais perto de mim.
Eu senti mais do que vi ele rasgar a minha camisa fazendo os botões voarem pedi vestiário. Eu engasguei, mas não pude dizer nada antes dele me beijar forte, deslizando a língua em minha boca e tentando inalar-me. Eu o queria ao redor de mim, debaixo de mim, sobre mim, dentro de mim se isso fosse possível. Eu levei minha mão ao seu tórax arrastando meus polegares sobre seus mamilos enquanto suas mãos deslizavam em meu cabelo, puxando não muito delicadamente, incitando-me a beijá-lo mais fortemente.
Arrastei meus lábios em seu pescoço, beijando e chupando meu caminho para baixo em seu peito. Tomei seu mamilo direito em minha boca, batendo no mamilo com a minha língua enquanto eu usava meus dedos no esquerdo, imitando o mesmo movimento. JongIn soltou um gemido suave e murmurou sua aprovação quando suas mãos seguravam minha cabeça contra o seu peito, mantendo-me exatamente onde ele me queria. Sorri de alegria e seu corpo sacudiu contra mim.
Eu me movi e comecei a chupar o mamilo esquerdo enquanto brincava com o direito. Minha outra mão foi para debaixo da sua toalha e eu quase gemi com o quanto ela estava duro quando escorreguei minha mão sobre seu pau. Ele soltou um daqueles gemidos altos que nunca deixavam de me fazer sentir como uma espécie de deus do sexo. Continuei a girar minha língua sobre o seu mamilo enquanto aumentava a pressão da minha mão contra o seu pau teso, o que não era o suficiente para JongIn, porque ele começou a empurrar-se contra a minha mão, procurando mais atrito.
Arranquei a sua toalha enquanto me afastava do seu peito e caí no chão na frente dele. Eu podia ver o quanto ele estava molhado e eu estava morrendo para prová-lo. Movi minhas mãos sobre as suas coxas enquanto minha unha do polegar traçava uma linha imaginária das suas bolas até a glande
– Hmmm. – Ele murmurou atordoado. Sorri com a sua incapacidade de formar palavras.
– Como está sendo sim primeira vez no vestiário? – Deslizei meu polegar pela fenda em sua glande e seu corpo sacudiu contra mim e suas mãos bateram nos armários fortemente enquanto ele se desfazia. Deus, ele era impressionante quando gozava. Eu o observei, continuando a apenas masturba-lo levemente enquanto ele convulsionava contra o armário.
– Eu quis provar você desde que você entrou nesta sala, desde antes disso, na verdade, mas isso não se encaixava com o cenário que ainda estamos jogando.
Corri minha língua sobre sua extensão, lambendo a partir da base rapidamente enquanto ele gemia e se apoiava no armário com a sua vida enquanto eu trabalhava nele.
Levantei minha mão direita e JongIn a pegou colocando dois dedos meus na boca os chupando da mesma forma que eu fazia com o seu pau.
Tirei minha mão de sua posse e deslizei um dedo entre suas dobras começando a alargá-lo ele gemeu novamente quando eu curvei meu dedo e procurei o lugar que o enviaria voando novamente. Eu movia para dentro e para fora dele lentamente enquanto continuava a chupa-lo mudando a velocidade constantemente para prolongar seu prazer.
Empurrei um segundo dedo dentro dele, movendo mais rápido, o sugando até a garganta enquanto eu o bombeava com meus dedos. Não demorou muito antes de ele começar a apertar em volta de mim, jogando a cabeça para trás e apertando em torno de mim quando ele gozou de novo. Não parei, movendo minha língua e dedos enquanto ele gozava continuamente, estava acostumado a fazê-lo gozar várias vezes, mas nunca desta forma, em ondas que não pareciam parar. Claramente ele achava isso tão quente quanto eu. Afastei-me dele quando pareceu que suas pernas estavam prestes a ceder e o peguei antes que ele pudesse cair no chão. Eu tinha ido longe demais?
– JongIn? Você está bem? – Suas mãos encontraram meu peito e ele fez alguns ruídos que não faziam sentido, mas, pelo menos, eu sabia que ele estava bem agora. Deixei escapar um riso aliviado e o ajudei a ficar de pé. Eu não tinha terminado com ele ainda.
– Talvez você devesse se sentar. – Eu sugeri. Ele negou com a cabeça e eu sabia que ele estava pronto para mais. Esse era o meu garoto.
Suas mãos foram afobadas em desabotoar minhas calças enquanto ele tentava desajeitadamente me deixar nu. Peguei suas mãos depositando um beijo suave em cada uma antes de eu mesmo tirá-la e chutá-la para fora do caminho.
Os olhos de JongIn estavam focados no meu pau e ele lambeu seus lábios, o que só serviu para me deixar ainda mais duro. Ele fez um som suave e beijou meu ombro direito, arrastando sua língua pelos meus músculos deltóides e trapézio, fazendo-os reagir ao seu toque. Sua língua desceu e ele circulou meu mamilo esquerdo com ela. Eu não poderia ser paciente e deixá-lo me explorar, não agora, então eu agarrei sua cintura e o puxei contra mim. Ele soltou um gemido suave quando movi meu pau contra o dele e ele mordeu meu mamilo levemente. Eu gemi alto e empurrei contra ele. Eu tinha que tê-lo.
Eu corrigi sua posição o encostando contra o armário e enrolei sua perna direita na minha cintura, e levou tudo que eu tinha em mim para entrar nele lentamente. Ele era tão fodidamente boa ao redor do meu pau e aquela necessidade de tomá-lo explodiu dentro de mim no instante em que eu estava envolto em seu calor. Ele apertou sua perna em torno de mim e eu fui ainda mais fundo dentro dele quando ele agarrou meus ombros e puxou-me em sua direção. Os olhos de JongIn trancaram nos meus quando nós dois engasgamos com a sensação do meu pau a preenchendo.
Eu me movi lentamente para dentro e fora dele, querendo prolongar o momento tanto quanto eu pudesse, mesmo que essa fosse a coisa mais quente que já aconteceu comigo e eu duvidava que pudesse manter isso por muito tempo.
– Foda-me, KyungSoo. Forte, assim como você disse que faria. – Porra, suas palavras e aquela voz; aquele tom gutural cheio de desejo eram mais do que eu poderia resistir. Agarrei seus quadris mais apertados e movi mais rapidamente dentro dele. Ele arqueou suas costas em direção a mim e moveu seus quadris em um ritmo perfeito com os meus, exatamente como sempre. Seu corpo de músculos bem definidos estava revestido com um fino brilho de suor, assim como o meu, seu corpo deslizando contra o meu enquanto fodiamos forte contra o armário.
Meu cabelo caiu nos meus olhos e ele os escovou com um toque suave que contrastou com a forma como nós estávamos indo um para o outro. Senti sua respiração acelerar e sabia que ele estava perto, então eu impulsionei para cima e bati no ponto que sempre o fazia voar. Ele gritou o meu nome quando gozou, seus olhos ficando quase negros quando ele apertou ao meu redor. Eu não podia aguentar, ele era muito fodidamente bom envolta em torno de mim, e eu gozei com ele, empurrando forte nele várias vezes.
Nós dois estávamos esgotados, respirando com dificuldade e um emaranhado de membros suados enquanto descemos e descansamos contra os armários por um minuto. Percebi que provavelmente o tinha machucado e agarrei sua perfeita bunda redonda o ajudando a levantar e o levei para tomar uma ducha. Ambos precisávamos nos limpar definitivamente. Liguei a água enquanto JongIn se apoiava na parede fria e eu o guiei para a água. Ele inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos, deixando a água escorrer sobre o seu corpo delicioso, o que fez pau começar a voltar à vida. Já? Eu algum dia teria o suficiente do meu garoto? De alguma forma eu duvidava disso.
– Está faltando algum conforto, mas, pelo menos, estaremos semi-limpos. – Eu esguichei um pouco de sabonete em minhas mãos e corri sobre sua pele delicada, amando o jeito que ele ficava quando eu o tocava em todos os lugares. Ele cantarolou com prazer e ficou perdido na água e na massagem suave que eu estava dando a ele. Uma vez que eu o limpei cuidadosamente, peguei sua mão e derramei um pouco de sabonete nela e olhei para ele com expectativa. JongIn suspirou, mas seus olhos riram quando ele começou a mover suas mãos sobre o meu corpo. Eu apenas sou humano e tê-lo me tocando tão intimamente deixou-me duro novamente. Ele riu e balançou a cabeça.
– Eu não posso aguentar outra rodada, Soo, não agora. – Eu também ri e beijei sua bochecha suavemente.
– Eu sei. Precisamos sair daqui. – Eu veria o que poderia fazer sobre a segunda rodada uma vez que estivéssemos em casa. Eu olhei ao redor e meus olhos caíram sobre a minha camisa arruinada pelos armários. – Uh, por falar nisso, você tem uma camisa ou algo que eu possa usar?
Ele me olhou e notei que ele realmente não tinha pensado sobre a logística quando rasgou as minhas roupas. Peguei uma toalha e a esfreguei por todo o seu corpo, secando-o e dando alguns toques suaves naquela bunda, que ele tentou ignorar.
O Kim sorriu e parecia saber exatamente o que dar para eu vestir, ele então abriu seu armário e estendeu uma das suas camisas. Ele estava ridiculamente animado com a ideia de me ver com o meu número da sorte, isso era nítido. Eu olhei para camisa por um segundo, meus olhos arregalados com animação, e então estendi a mão, agarrei e a puxei sobre a minha cabeça, a camisa tinha medidas muito maiores que as minhas e parecia me deixar ainda menor se moldando pelo meu corpo.
Eu coloquei minha calça de volta também e enfiei os trapos da minha camisa na minha mochila. JongIn colocou a sua calça de uniforme e camiseta do time de futebol enquanto eu olhava para ele descaradamente. Me virei para o espelho só então notando que a camisa que eu usava era do time de basquete com o número 12 nela. JongIn usava esse número desde que entrou no time de basquete e quando eu o disse que era meu número da sorte ele só ficou ainda mais animado em usá-la. Ele, no entanto, ostentava a camisa 88 do time de futebol.
Eu consertei meu cabelo é ele me abraçou por trás e nós olhamos no espelho.
– Você ficou lindo com a minha camisa. – Ele parecia apreciar isso em vários sentidos. – Deveria usar minhas coisas mais vezes.
– Não sei... ela ficou comprida, talvez eu deva tirar as calças e fazer dela um vestido. Aposto que ganharia alguns pontos do time. – Decidi brincar um pouco e JongIn pareceu ficar vermelho.
Ele rosnou e me jogou sobre o seu ombro, ele parecia pronto para me levar e me prender por toda a eternidade.
– JongIn! O que você está fazendo? – Eu me contorcia tentando sair.
– Levando você para a aula. – Ele disse pegando nossas coisas do chão. – Você não vai falar com ninguém do time.
– JongIn, você tem que me colocar para baixo. – Eu o disse enquanto ele me levava para fora do vestiário sorrindo amplamente. – As pessoas vão começar a falar. – Sussurrei e ele só me deu um tapa na bunda e continuou a seguir pelos corredores.
Eu tentei arrumar minha posição em seu ombro e pude ver todo mundo parando para olhar nos corredores. Fiz cócegas nos lados de sua cintura e ele se chacoalhava para me fazer parar o que me fazia ir de um lado para o outro em seu ombro. Quando nós chegamos na minha sala ele me colocou pra baixo e riu apreciando o rubor de todo o sangue que tinha corrido para a minha cabeça. Ele me entregou minha mochila e eu fiz um bico o qual ele beijou me desejando uma boa aula. JongIn então se virou e foi para a sua própria sala de aula.
Eu o observei um momento vendo todos os cartazes de apoio a ele e ao time, nossa escola teria um jogo importante na sexta e se ganhassem nós teríamos o mando de campo nas playoffs no próximo semestre então estavam todos tentando manter o espírito esportivo na escola e a forma dos jogadores de fazer isso era usar o uniforme do time durante o período de aulas, as líderes fizeram uma apresentação especial para arrecadar fundos para uma festa da vitória, os alunos fizeram cartazes e placas e eu... bem... Eu ainda dava beijinhos de boa sorte no meu namorado.
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Notas finais: Olá! Eu estou encerrando por aqui minha participação no Kyungsoo!Fest. Eu estou muito feliz em poder participar porque D.O é meu ultimate e espero que tenham gostado dessa OneShot, eu a escrevi com muito carinho. Por favor deem muito amor ao Kyungsoo, ele é um príncipe e merece o mundo.Obrigada por ler.
Descrição do plot: Kyunsoo se vê totalmente desesperado ao ficar de recuperação em educação física.
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Sinopse: Por que se odiavam mesmo? Nem sequer sabiam. Talvez por isso que, depois de algumas doses de álcool, fazer amizade pareceu tão fácil.
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Por que se odiavam mesmo?
Talvez, por questão de popularidade, afinal, Jongeun era a líder das líderes de torcida e adorava esfregar seu posto na cara de Kyungsoo. Talvez, por questões acadêmicas, já que, nesse quesito, quem se saía melhor era Kyungsoo. Também poderia ser pelos estilos totalmente diferentes, enquanto uma gostava de rosa, a outra gostava de preto; e acabavam por implicar uma com a outra por causa disso.
Poderia, também, ser por causa de Baekhee, afinal, a garota era melhor amiga das duas.
O fato de seus aniversários serem próximos também era um motivo, já que brigavam por atenção.
Se bem que elas discutiam por tudo; como agora, que o professor Kim, de História, está elogiando a pequena Do e, a alguns metros de distância, está Jongeun se corroendo de raiva.
— A senhorita Do foi a única que fez? — O professor olhou em volta, logo soltou um suspiro cheio de desânimo. — Vocês não me dão vontade de viver…
Algumas risadas foram ecoadas, o professor, que era sempre cheio de humor, realmente se tornava outro quando não faziam o que pedia.
— Vou dar, apenas, mais uma chance, certo? — Ele ergueu um dedo e sorriu. — Usem nossa pequena prodígio como exemplo e entreguem os trabalhos!
— Prodígio de idiotice, né, professor? — Jongeun alfinetou, fazendo algumas de suas amigas rirem. Do outro lado, Kyungsoo revirava os olhos.
— Saudades, utilidade. — A Do rebateu, fazendo com que Jongin se levantasse rapidamente.
— Essa boquinha só fala bosta ou serve pra... -
— As duas, quietas! — O professor passou a mão no rosto. — Será que não podem passar uma aula sem discutir? O que há de errado? Vocês tem oito anos e ninguém me informou?
— Desculpa, professor Kim. — Kyungsoo se levantou para fazer uma breve reverência. O mais velho desviou o olhar para Jongeun, esperando o pedido de desculpas, mas a garota se limitou a abaixar a cabeça um pouco.
(...)
Após o sinal tocar, indicando o horário de almoço, Jongeun saiu da sala de aula pisando duro, completamente irritada; e tudo por um único motivo...
— Aquela garota, argh! — Baekhee, que estava do seu lado, revirou os olhos.
— O que a Soo fez, dessa vez?
— O professor Kim ficou babando ela, só porque ela entregou o trabalho! — Rosnou, apertando a alça da bolsa.
— E você ficou com inveja!
— Inveja? — Soltou uma risada debochada. — Inveja eu tenho da BoA, da Kyungsoo eu tenho é- Oi, Sehunnie-oppa!
— E aí, Jongeun-ah? — O garoto respondeu, acenando com uma mão, enquanto com a outra, ele equilibrava uma bola de basquete.
Oh Sehun é o seu nome; 1,83 de altura, dezessete anos, último ano do ensino médio, capitão do time de basquete e por último — e não menos importante — : Paixão platônica de Kim JongEun.
— Baekhee! — As duas viraram para a pessoa que chamava, Jongeun bufou. — Por que não me esperou?
— Eu prometi que ficaria com a Jonggie hoje, Soo… — Baekhee explicou sorrindo, a mais nova sorriu de lado, envolvendo o ombro da Byun com um braço.
— É isso, aí… — Completou Jongeun.
— Mas, unnie… Eu pensei que-
— Vamos ficar todas juntas, que tal? — Baekhee sorriu animada, dando alguns pulinhos.
Após uma simples encarada entre as duas, Kyungsoo desviou o caminho e Jongeun seguiu o seu. A Byun suspirou, decepcionada, vendo as duas melhores amigas seguindo caminhos contrários. Mais uma vez, sua tentativa de fazê-las amigas falhou.
A loira, sinceramente, já não aguentava viver no meio daquele pé de guerra. Ela queria poder ir ao shopping ao lado das duas melhores amigas, chamá-las para dormir em sua casa e fazerem festas do pijama, queria poder marcar as duas em publicações no facebook, sem terminar em comentários de ódio.
Conheceu as duas no final da quinta série; engraçado que, desde que as conheceu, elas brigam como loucas. Ela lembra que num dia de sexta, chegou na sala de química, atrás do professor, porém encontrou a Kim e a Do no meio de um bate boca; foi questão de segundos até a mais baixa se jogar em cima de Jongeun e puxar-lhe os cabelos. Baekhee se desesperou e ajudou a separar.
Não sabe como, mas dali em diante, se tornaram amigas. Ela conseguia se dividir em duas para dar atenção às mais novas.
Às vezes, ela simplesmente não entendia o motivo de tanto ódio, era algo desconhecido. Jongeum era, praticamente, vizinha de Kyungsoo; e elas se conheciam desde muito, muito novas. Baekhee pensava que podia ter acontecido algo grave entre as duas porque , pelo o que a mãe de Jongeun costumava contar, as duas inimigas costumavam brincar juntas; como melhores amigas.
Jongeun era mais impulsiva, ela deve ter dito algo para Kyungsoo que a irritou, era um palpite. Kyungsoo costumava ser bem rancorosa e guardava todos os comentários que Jongeun, um dia, disse referindo-se à ela. Baekhee acreditava que ela tinha algum diário, lá, onde escrevia todos os vacilos da Kim.
— Ei, Baekkie! — Baekhee saiu de seus devaneios, quando ouviu alguém lhe chamar, acabou sorrindo envergonhada quando viu Yixing acenando. — Você quer vir lanchar comigo?
Ela hesitou em responder, pensando nas amigas; entretanto, do jeito que as duas saíram cuspindo fogo, era melhor ela ir com o namorado mesmo, deixar as amigas pensando sozinhas.
— Quero sim, Jongeun me abandonou… — Ela fez bico, seu braço passou pela cintura do chinês e seu rosto grudou no peito do mais velho. — Não aguento mais aquelas duas brigando sem parar…
— Eu imagino que esteja cansada de apartar tanta briga, não é? — Yixing perguntou rindo, beijou a bochecha da menor. — Eu vi Kyungsoo na quadra comendo sozinha.
— Na quadra? — Baekhee piscou desconcertada. — O que ela fazia na quadra?
— Não sei, mas apenas Sehun estava lá, treinando… — Yixing deu de ombros. A Byun mordeu os lábios, pensando o que Kyungsoo podia estar fazendo ali; a mais nova, normalmente, ficava na biblioteca, ficar na quadra era novidade.
— Bom, depois eu converso com ela, vamos comer, que eu estou morta de fome! — Pegou a mão do namorado e o puxou em direção ao refeitório.
(...)
Kyungsoo abriu sua mochila e tirou de lá um pacote de sanduíches, pôs sobre a arquibancada, junto do suco de morango; bem doce, do jeito que gostava. Sentou-se em posição de índio e começou sua refeição, sozinha, na quadra do colégio.
Ela não queria ter que ir para o refeitório, só pra ver sua melhor amiga dando atenção para a Kim, muito menos ficar sozinha durante o lanche - apesar de estar sozinha ali na quadra.
— Eu posso treinar aqui? — Quase engasgou com o suco, virou assustada para a pessoa que falava. Seu rosto se tornou rubro e ela se xingava mentalmente por passar vergonha de frente para Oh Sehun.
— O quê? — Perguntou baixinho, desviou o olhar pro próprio lanche.
— Perguntei se posso treinar aqui, tem problema? — Sehun se inclinou tentando ver o rosto da garota. — Ei, você não é do segundo ano? Amiga da Jongeun?
— E-eu? Claro que não! — Arregalou os olhos, Sehun riu.
— Não o quê?
— Não sou amiga da Jongeun, cruzes! — Fez careta.
— Tudo bem, então… — Sehun abanou a cabeça rindo, apontou pra cesta pendurada. — Te incomoda se eu treinar aqui?
— N-não, claro que não! É a sua àrea, eu vou.. Bom, eu vou sair, fique à vontade! — A garota se levantou e catou suas coisas, pronta pra se mandar dali, talvez lanchar na sala de biologia; já que ninguém gostava de ir lá.
— Ei, não precisa sair! Pode lanchar aí, eu não te atrapalho e, bom, você não atrapalha nunca! — Mais uma vez, suas bochechas queimaram de vergonha. Sehun sorriu galanteador.
— O-obrigada, Sehun… — Kyungsoo se curvou rápido e voltou ao seu lugar de antes.
— Como sabe o meu nome? — O garoto perguntou, a bola girando em seu indicador e um sorrisinho tomando seus lábios.
— Todo mundo sabe seu nome… — Ela riu baixinho. Sehun abriu a boca, mas nada saiu, ela tinha razão, todos ali o conheciam.
— Como se chama?
Kyungsoo sentiu a boca ficar seca, então tomou seu suco; instintivamente, jogou os cabelos longos e avermelhados sobre os ombros e sorriu.
— Do Kyungsoo. — Respondeu, o garoto em pé sorriu e se curvou.
— É um prazer… — disse, antes de acenar e correr pro meio da quadra.
(...)
De: Kyunggie
Para: Baekkie
Ele disse que eu nunca atrapalhava, e perguntou o meu nome, e também disse que era um prazer me conhecer!! Ah, eu tô nas nuvens!!!! >< ><
Baekhee sorriu lendo as mensagens que a amiga mandava. Estava deitada na cama de Jongeun, enquanto a morena tomava banho. Ela tinha ido para a casa da Kim, almoçar com a mais nova; de acordo com Jongeun, precisavam pôr o papo em dia. E elas se viam, praticamente, o dia todo.
De: Baekkie
Para: Kyunggie
Então, foi por isso que você foi lanchar na quadra? *o*
Sorriu maliciosa, seus pés batiam um no outro, e seus dedos batiam na tela do celular, ansiosa pela resposta.
De: Kyunggie
Para: Baekkie
Não, eu juro! Foi coincidência!!! Aaaaa, ele é tão lindo… Eu acho que gosto dele!
Baekhee não pôde responder imediatamente, pois, assim que leu a mensagem, Jongeun saiu sorridente do banheiro, já vestida e com uma toalha na cabeça.
— Ah, unnie, eu acho que gosto de Oh Sehun!
— T-têm certeza, Jonggie? — Baekhee perguntou, cruzando as pernas em posição de índio na cama. Jongeun sorriu e se jogou deitada ao lado da mais velha.
— Sim, eu sempre fico tão nervosa quando ele está por perto… E quando ele sorri? Ahhhhhh — Cobriu o rosto com as mãos, Baekhee riu e deu um tapinha na perna da outra.
— Boa sorte… — disse, voltando a olhar o celular, lembrando que não tinha respondido Kyungsoo.
De: Baekkie
Para: Kyunggie
Poxa, amiga! Que legal… Bom, eu vou comer agora, depois no falamos, bjo.
A Byun se encolheu, já conseguia sentir o clima de morte. Sua missão agora era não deixá-las saber que estavam gostando do mesmo cara, ou ia dar muita merda.
(...)
Jongeun estava saindo do vestuário, já sem as roupas apertadas de líder de torcida, e com os cabelo soltos, levemente úmidos. Com fones nos ouvidos, ela andava despreocupada nos corredores do colégio, sem a mínima vontade de voltar à sala. Pra falar a verdade, ela já estava considerando dar meia-volta e ir para a quadra, onde, possivelmente, estaria acontecendo o treino de basquete; porém, antes que fizesse tal coisa, um corpo se chocou contra o seu, fazendo com que caísse ao chão.
Ela não teve muito tempo pra raciocinar, já estava prestes a xingar a pessoa dos piores nomes existentes, entretanto, ao ver quem lhe derrubou, os xingamentos ficaram presos em sua garganta. A raiva foi substituída por vergonha, suas bochechas se tornaram rubras e ela nem lembrava mais de estar jogada no chão.
— Ah, Jongeun, foi mal! — Era Sehun, Sehun estava ali, lhe ajudando a levantar. Quem se importava dele tê-la derrubado? Ela não ligava. Principalmente, quando ele estava sendo tão fofo em ajudá-la a se levantar dali. — Você está bem? Machucou?
— N-não, eu estou ótima… Nem senti! — Soltou uma risadinha, as mãos apertando os ombros do garoto loiro com força, sem nenhuma vontade de soltar.
— Uh, que bom! — Sehun sorriu e afastou a garota devagar, sendo o mais gentil possível. — Eu tenho treino agora, a gente se vê por aí…
— Sim, até! — Jongeun se curvou.
— Você devia voltar pra sala! — Sehun piscou, rindo em seguida, ao vê-la corar. Se abaixou para pegar a bola, que acabou caindo junto da Kim, e, antes que fosse acenar, sua mão caiu e seu sorriso cresceu. — Hey, Kyungsoo!
A pequena Kyungsoo vinha distraída, com um livro pequeno de filosofia na cara, e andando devagar, para não esbarrar em alguém, ou em algo. O livro foi baixado, assim que escutou alguém lhe chamando, ela arregalou os olhos quando viu Oh Sehun sorrindo para si, e caralho… Ele lembrou o nome dela!
Ela sequer se deu o trabalho de reparar em Jongeun, que encarava a cena nada satisfeita, e abriu um sorriso brilhante, se curvando e fechando o livro.
— Olá, sunbae!
— Nah, me chame de oppa, por favor! — Sehun riu, bagunçando a franja longa de Kyungsoo, em um gesto carinhoso. — Eu vou indo, garotas!
— Tchau! — Acenaram juntas.
Como nas clássicas cenas de velho oeste, com o cenário deserto e que cada forasteiro segura uma arma, a diferença era que Jongeun tinha uma bolsa (onde levava suas roupas de líder de torcida), e Kyungsoo seu livro de filosofia; as duas se encaravam arduamente, uma metralhando a outra. A tensão envolvia as duas, o cheiro de morte exalava o local e, ok, não é pra tanto…
— Posso saber o que foi isso? — Jongeun caminhou, até poder ficar exatamente de frente para Kyungsoo.
— Do que está falando?
— Esse papinho com o Sehunnie. — Kyungsoo riu, uma risada cheia de deboche.
— Eu estava apenas respondendo ele, está cega? — Perguntou.
— Ah, tá bom… — Jongeun revirou os olhos. — Espero não te ver se oferecendo pro Sehunnie, estamos entendidas?
— Como?
— Ele vai ser meu namorado e saiba que eu sou muito ciumenta. — Empinou o nariz, esbarrando na menor quando saiu.
Kyungsoo encarou a imagem de Jongeun rebolando pra longe, em direção a sala de aulas. Só podia ser brincadeira. A Kim estava mesmo comprando guerra consigo.
(...)
— Ela gosta do Sehun. — Kyungsoo parecia que ía cuspir fogo. Baekhee estava sentada ao lado de Yixing, na arquibancada da quadra de esportes, a mais velha suspirou ao ouvir o dito, movendo a cabeça positivamente.
— Sim, eu sei…
— Sabe?! Como assim? Você nunca me contou que ela gostava do Sehun! — Gritou, chamando a atenção de alguns alunos que estavam próximos.
— Aish, desculpa! Eu tinha medo de acontecer isso, vocês se odiando ainda mais! — A Byun disse, fazendo um bico, em seguida, e abraçando o namorado ao lado. Kyungsoo respirou fundo, podiam conversar sobre isso depois, estavam ali pro jogo de basquete. Isso! Ela queria ver Sehun jogando, depois se preocuparia com o resto.
Uma carranca se formou em seu rosto, quando viu Jongeun entrando, junto das líderes de torcida; a morena rebolando e pulando, balançando os pom-pons para cima. Logo atrás, vinha o time, todos aqueles caras enormes e bonitos, um pouco à frente, vinha Sehun, pois era o capitão. Kyungsoo estava quase babando, e só de ver o Oh, um sorriso inundava seus lábios.
— Ah, Soo, vai ter uma festa na casa do Sehun, em comemoração… — Baekhee disse, animada.
— E se eles perderem? — Kyungsoo indagou.
— Então, vai ser uma comemoração à não vitória. — Yixing respondeu, recebendo um tapa no ombro, vinda da namorada.
A mais nova fitou bem Sehun, de longe e sorriu. Uma festa na casa de Oh Sehun. Ela, com certeza, iria.
(...)
Após o jogo, esclarecendo que o time da casa perdeu, os alunos estavam super animados, e os professores não entendiam, afinal, eles haviam perdido. Adolescentes são estranhos, eles concluíram.
Ingênuos, não faziam a mínima ideia do que os alunos estavam aprontando, e não podiam interferir, por ser algo feito fora do ambiente escolar. Nos corredores, os alunos cochichavam sobre. Seria uma festança e tanto, todos foram convidados.
Pela primeira vez, Jongeun e Kyungsoo estavam perto uma da outra, mas só porque iam junto de Baekhee e Yixing para a festa, caso contrário, estariam à quilômetros de distância uma da outra. Aliás, o caminho foi bem desanimado, pois as duas mantinham silêncio, e por mais que Baek e Yixing tentassem manter um diálogo, elas os cortavam logo.
A casa de Sehun era grande e já estava lotada de gente, inclusive, os jogadores do time adversário também estavam no local. Kyungsoo caçou Baekhee para abraçar, odiava lugares cheios e só estava ali por causa de Sehun; o problema era que Jongeun também queria abraçar Baekhee, então, Yixing, para acabar com aquela disputa, puxou a namorada para si e sumiu pelo salão, deixando as duas para trás.
— Eu vou andar por aí, vê se não fica bêbada demais! — Jongeun soltou, antes de deixar Kyungsoo sozinha.
A menor permaneceu lá, parada, olhando tudo ao seu redor, sem saber pra onde ir, ou o que fazer. Merda! devia ter ido atrás de Jongeun, pensou, logo se arrependendo; De onde já se viu? Querer ficar perto da Kim.
— Ei, mocinha! Olha, toma um shotzinho, é docinho, você vai gostar! — Era Wu Yifan, um dos jogadores do time, o cara era um doce de pessoa, não fazia mal à uma mosca, e tratava todos com o maior amor. Kyungsoo o admirava.
— Obrigada, oppa! — Se curvou depois de receber o copinho cor de rosa. Quando Yifan virou as costas, ela cheirou, concluindo que não faria mal um gole, era gostoso até; porém, melhor não exagerar.
Do outro lado do salão, Jongeun procurava alguma amiga sua para lhe fazer companhia, mas parecia que todas tinham arrumado um ficante, ela não sabia onde Baekhee estava, e agora, nem mesmo Kyungsoo estava com ela. Odiava ficar sozinha, era um porre. Já bebia o segundo copinho de cerveja e se sentia um tanto animada, poderia dançar com alguém aleatório sem se sentir envergonhada depois.
Poderia, se algo não tivesse lhe roubado a atenção.
Era um grupinho no sofá, cinco caras do time, incluindo Sehun e Yifan e três de suas amigas da equipe de torcida. Ela sorriu, se aproximou animada, o pessoal bateu palmas quando viram a Kim sentando perto de Yifan, entre ele e uma amiga — triste não ter espaço perto de Sehun. No meio de todos, que estavam em um círculo, havia uma garrafa de soju vazia, Jongeun sorriu, já entendendo o que estava acontecendo.
— Já que a Jonggie está aqui, precisamos de mais uma menina pra completar e ficar cinco por cinco… — Um dos jogadores, Chanyeol, disse sorrindo.
— Já até sei quem… — Sehun estalou a língua, se levantou e saiu correndo. Todos se olhavam confusos, até ele voltar segurando o pulso de uma garota baixinha; calças pretas super apertadas, e a blusa do time. — Pessoal, a Soo vai jogar conosco!
Jongeun respirou fundo, se afastou um pouco, pra Kyungsoo se sentar ao lado de Sehun e Chanyeol.
— O que é o jogo? — Soo indagou, nervosa e mordendo os lábios.
— Verdade ou desafio. — Chanyeol respondeu.
— O tradicional, princesa! — Junmyeon, um dos caras, piscou.
— Eu vou dar início! — Jessica, amiga de Jongeun e, possivelmente, futura namorada de Yifan, bateu palmas empolgada.
Depois de três rodadas, Jessica já tinha revelado que odeia ser da torcida, Chanyeol estava sem camisa e Junmyeon tinha trocado beijos com Luna. Kyungsoo, que ainda estava quietinha ao lado de Sehun e um pouco afastada de Chanyeol (já que o grandão tinha bebido e estava irritando a garota), ela já estava pra deixar o jogo de lado e sair dali; entretanto, não é todo dia que se pode ficar ao lado do seu paquera.
— Soo-ah, você quer girar? — Jessica perguntou, sorrindo gentil para a mais nova. Kyungsoo olhou ao redor, um pouco envergonhada, mas concordou. Pegou a garrafa e girou, torcendo para cair em Sehun. Seria tão…
— Chanyeol! — Eles comemoraram. Soo bufou, primeiro por ser o Park, e segundo, que não fazia a mínima idéia do que falar.
— Eu escolho verdade, Kyunggie! — O maior sorriu animado.
— HM.. Sei lá, você… UH, já pegou um cara? — Disse a última coisa que veio em sua cabeça, soltando uma risadinha em seguida.
— Um, só? Não, vários. — Chanyeol respondeu, rindo, e completou: — Deus fez o homem e a mulher, eu tô beijando os dois!
(...)
— Sehun?
— Desafio.
— Você vai se levantar e ir até a garota que tu quer pegar, dar aquela cheirada no pescoço e ir embora, como se nada tivesse acontecido. — Junmyeon concluiu, sorrindo satisfeito com seu desafio. Houve um silêncio por parte de Sehun, que encarou a própria perna por um tempo e se levantou.
Kyungsoo, que estava ao lado, baixou a cabeça frustrada. Lembrou-se que Jongeun também gostava de Sehun, então olhou para a Kim que sorria, cheia de expectativa. Sehun andou ao redor deles, e sentou novamente. Junmyeon o xingou, dizendo que devia parar de viadagem. Todavia, fora ignorado quando Sehun abraçou a pequena Kyungsoo de lado e beijou seu pescoço.
— Agora eu tenho que sair? — Perguntou rindo, se referindo ao desafio. Olhou para a menor que estava estática, olhando pra frente, ou melhor, olhando Jongeun correr dali.
— Vocês não querem ir pro quarto? — Luna brincou. Sehun lançou um olhar sugestivo à Kyungsoo, mas ela não retribuiu.
— A Jongeun… Ela…
— Deve ter cansado de jogar… — Yifan deu de ombros.
— Nã-não… Ela… Eu vou falar com ela, até mais! — Soo se levantou apressada, ignorando os chamados de Sehun.
Por que ela estava correndo atrás de Jongeun? Por que se sentia mal por Sehun tê-la escolhido? Ela realmente o deixara para trás e estava indo atrás da Kim, preocupada pela mais nova está magoada. Ela sabia que não odiava a garota, talvez ficasse irritada com frequência, mas só isso.
Encontrou Jongeun na cozinha, em especial, debaixo da mesa, com alguns copinhos de vodka ao lado. Ela não chorava e, talvez, isso tenha deixado Soo mais nervosa.
— O que quer?
— Eun-ah, eu não…
— Você já conseguiu o que queria, por que está aqui? — A morena bebeu de um copo.
— Eu me senti mal… Você ter saído daquele jeito, me fez sentir mal… — Kyungsoo se sentou ao lado dela, bebeu de um dos copos, fazendo careta à medida que o líquido descia, queimando sua garganta.
— Ah, tá… Você se sentiu mal! — Jongeun riu debochada. — Você me odeia, está sempre se gabando por ganhar de mim, e agora, consegue a atenção do cara que eu estava a fim, que, aliás, você estranhamente também estava… Veio esfregar na minha cara isso, também?
— O quê? Isso não é verdade! Eu não faço isso, é você quem faz! — Kyungsoo acusou.
— Tá bom, e, exatamente, por que eu faria isso? — A Kim franziu o cenho, rindo em seguida por Kyungsoo não ter respondido. — Você sempre foi assim, distante de mim… Desde pequenas, aliás. Se lembra quando rasgou meu desenho na terceira série?
— Mas eu não rasguei, eu estava tentando proteger daquele garoto estranho que estudava com a gente! Mas você preferiu acreditar na versão dele… — Soo revirou os olhos. — Ah, talvez Sehun tenha me escolhido por castigo, lembra na oitava série,quando o Changmin oppa iria me beijar, mas você me atrapalhou na maior cara de pau? Por sua culpa, eu não beijei.
— Olha, não me culpe, eu te livrei da uma! A Baekkie estava comigo quando a gente viu ele atrás das arquibancadas beijando outra menina, no mesmo dia em que disse que “gostava” de você! — A morena deu de ombros, encostando as costas na perna da mesa. — Eu ia te contar, mas você preferiu começar a me ignorar…
— Claro! Porque eu pensei que você tivesse feito por inveja…
— Não tenho inveja de você, não passou pela sua cabeça que eu estava tentando te proteger? Quando falei pra sua mãe não te deixar ir no passeio semestre passado foi porque eu ouvi que os alunos da outra escola queriam fazer bullying com você; ou quando eu te empurrei na Educação Física, porque eu vi que iriam te acertar com a bola… E outras vezes… — Jongeun admitiu, um sorriso tomou seus lábios, ela se sentia mais leve e sem um peso enorme sobre suas costas.
— Eu não sabia… — A menor sussurrou, expôs um bico, enquanto brincava com a borda do copinho de vodka. — B-bom, então… Er… Desculpa?
Jongeun ergueu a cabeça, mirou os olhos redondos da outra e engoliu em seco. Era um trégua? Kyungsoo, finalmente, ia querer ser sua amiga? Poxa, ela estava nervosa. Soo ainda esperava uma resposta da morena, seu sorriso estava murchando, sua mente trabalhando em diversas formas que Jongeun usaria para negar seu pedido e mandá-la ir se catar.
— Você não me odeia, né? — Kyungsoo indagou acanhada, com medo da resposta.
— Eu não odeio ninguém, Kyungsoo. Só o Yixing que roubou a Byun da gente. — A Kim estalou língua, provocando uma risada vinda de Soo. — Eu não te odeio, definitivamente, e aceito suas desculpas, se aceitar as minhas!
— Mas é claro!
As duas permaneceram caladas, sorrindo uma para a outra. Pronto, tivemos um acordo de paz. O que deveriam fazer agora? Dar as mãos? Talvez, um abraço? Ou elas continuariam a secar os copinhos de vodka?
— Nossa, eu dormi o fim de semana inteiro! — A Kim contou bagunçando a franja, sua aparência era cansada, e se dependesse dela, voltava para casa e dormia o resto da semana toda.
— A aula vai começar… — Kyungsoo avisou, guardando seu amado livro de filosofia.
— Unnie, será que podemos estudar na biblioteca hoje? Estou em dúvida sobre algo de física! — Jongeun se apressou em seguir Kyungsoo, passando seu braço ao redor dos ombros da menor.
Baekhee permaneceu em seu lugar, olhando as duas em frente. O que aconteceu? Quem eram aquelas, e o que fizeram com suas amigas? Ela ficou em dúvida se somente sorria e ficava contente, ou corria pra igreja mais próxima e pedia oração, porque ver aquelas duas numa intimidade dessas, só podia ter acontecido algo sobrenatural.
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— Esse aqui é física?
— Você não sabe ler? Isso é química!
— E não é a mesma coisa? — Jongeun franziu o cenho. Soo preferiu ficar calada, tomou o livro da mão da mais nova e guardou. — Ei, unnie, é verdade aquilo sobre o Changmin? Digo, você realmente não beijou?
— É… bom, eu nunca beijei… — Kyungsoo disse, desviando o olhar para a prateleira de livros, sua voz saiu baixo, pelo fato de estar morta de vergonha, e também por estarem na biblioteca; e mesmo que não tivesse ninguém, além delas, no corredor, era melhor falar baixinho. Ela esperou Jongeun falar algo, soltar uma piadinha, ou algo do gênero; no entanto, ela ficou calada. — O que foi?
— Sabe, eu também… é, eu nunca beijei… — Contou, soltando uma risadinha envergonhada.
Kim Jongeun nunca tinha beijado? Kyungsoo estava estupefata. A Kim era super popular na escola, e fora todos os boatos que a envolviam. Mas Soo preferiu guardar todas as perguntas para si, não queria deixar a mais nova desconfortável.
— Bom, pelo menos eu não sou a única garota de dezesseis anos BV… — Riu.
— E se nós perdemos o BV juntas? — Jongeun soltou alegre, ela parecia nem ter ouvido o que Soo disse e estava planejando a frase durante muito tempo. — É uma ótima forma de selarmos o ínicio de uma amizade que deveria existir há anos, né?
— Tem certeza?
— Sim! Vamos, não pode ser tão ruim! — A morena pegou os livros que Kyungsoo segurava e os colocou no chão. — Pronta?
— S-sim…
Jongeun sorriu, segurou as mãos da mais velha e se aproximou até selar seus lábios, foi rápido e logo estavam olhando uma para a outra, coradas.
— Só isso? — Jongeun estava frustada.
— Acho que se nós imitarmos as novelas, vai ser melhor! — Kyungsoo disse.
— É! Vamos tentar! — A Kim sorriu.
Outro selinho, dessa vez demorando um pouco, sentindo a textura dos lábios uma da outra, o gostinho de morango, da gelatina do refeitório; agora parecia estar melhor, elas concluíram.
— Gostou? — Kyungsoo perguntou tímida.
— Acho que podemos treinar até nos tornarmos expert em beijos! Só não se apaixone, sabe a minha fama, né? Arraso os corações por aí… — Jongeun jogou os cabelos rindo.
— Você que deve se preocupar em não se apaixonar por mim, mocinha! — Soo alfinetou, logo recebendo uma olhada marota.
— Isso é um desafio? Porque me soou como um. — A Kim piscou, antes de selar mais uma vez os lábios da menor.
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Notas finais: -
Descrição do plot: Kyungsoo e Jongin são inimigas mortais, elas se odeiam mais que qualquer coisa e não perdem a chance de se provocar, a relação apenas piora depois que se descobrem a fim do mesmo garoto, o bonito e irreverente Oh Sehun. Mas em algum momento durante a batalha sem fim das duas elas percebem que até mesmo a pior das provocações uma com a outra é mais divertida do que os beijos de qualquer menino.
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Sinopse: Eles se encontraram na pior das situações, depois de um arrastão, na cafeteria onde Kyungsoo trabalhava.
Ele afirmou que era a sua alma gêmea, mas... Ela não tinha morrido?
Ele é insistente, não desiste no primeiro não, deve ser por isso que ele aceitou essa loucura.
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As luzes de fora do edifício não paravam de piscar. Alguns postes já não funcionavam mais e outros estavam destruídos, com apenas a base e alguns fios soltos. O cenário era de puro caos, muitas das lojas foram arrombadas e saqueadas, havia corpos espalhados pelo chão, alguns desmaiados e outros mortos.
Kyungsoo observava todo o cenário da janela da cafeteria, o único estabelecimento que não foi danificado. Motivo? Os atendentes são mais preparados do que parece.
O rapaz de cabelos negros estava tão concentrado na "paisagem" que observava que nem percebeu que uma pessoa, desesperada, se aproximava do estabelecimento.
O jovem tinha cabelos castanhos e olhos escuros, ele apresentava diversos ferimentos, mas não parecia que seria uma ameaça. Quando Kyungsoo o viu, sentiu pena e resolveu abrir a porta para ele.
Ao entrar o jovem caiu no chão, ofegante, reclamando das dores que sentia. Kyungsoo foi rápido em pedir para outro atendente pegar água é um kit médico enquanto ele tentava levar o rapaz para alguma mesa.
— Você parece um semi cadáver de tão ferido. — Kyungsoo comentou depois que o jovem se acomodou em um das mesas. — Qual é o seu nome? — Perguntou, curioso.
— É… Minseok. — Respondeu. — Obrigado por me ajudar, Kyung… soo… — Minseok disse pausadamente enquanto lia o crachá.
— Prazer em conhecê-lo. — Disse o rapaz de cabelos negros. — O que você estava fazendo naquele mini inferno? Você não tem cara de quem se mete em encrenca porque quer.
— Eu estava passando por perto e acabei sendo arrastado pelas pessoas.
Minseok e Kyungsoo continuaram a conversar até que o colega de trabalho de Kyungsoo aparecesse com o kit médico e a água. Eles começaram a tratar as feridas do visitante, porém, quando Kyungsoo foi verificar as feridas no braço ele encontrou algo peculiar.
Havia uma tatuagem no pulso de Minseok. A tatuagem era o desenho de uma xícara de café com alguns respingos de sangue. Kyungsoo não conseguiu entender o significado da tatuagem e resolveu perguntar:
— Qual é o significado da sua tatuagem?
— Você não sabe? — Minseok respondeu um pouco surpreso. — É uma dica sobre quem é a minha alma gêmea. Dizem que algumas pessoas nascem com o nome das pessoas que irá amar no pulso, outros tem escrito a primeira coisa que ouvirá da alma gêmea e eu, eu tenho apenas um desenho como dica. — Explicou. — Você não tem nada no seu pulso?
— Não exatamente... — Kyungsoo respondeu melancolicamente enquanto puxava a manga da camisa para revelar o pulso. Havia apenas um borrão, como se a tatuagem tivesse se apagado. — A minha alma gêmea morreu há um ano foi vítima de um acidente de trânsito.
— Entendo... — Minseok não sabia bem como reagir, no fundo queria consolá-lo e se desculpar por fazê-lo lembrar de algo tão doloroso.
— Mas, sabe, você é bem parecido com ela. — Kyungsoo comentou. — Digo, você parece uma versão masculina dela. Se ao menos tivesse peitos eu poderia jurar que era ela.
Minseok ficou em silêncio. Observando o rapaz de cabelos negros. Ele começou a se perder em seus pensamentos, Minseok começou a se questionar sobre o significado de sua tatuagem, ele sabia que ela era a dica para achar a sua alma gêmea, mas o desenho era tão irreal. Uma xícara com respingos de sangue, o que poderia significar?
A resposta era tão simples e óbvia.
— Você é a minha alma gêmea. — Minseok resmungou alto o bastante para que o rapaz de cabelos negros ouvisse.
— O que você disse? — Perguntou Kyungsoo que estava sem acreditar no que ouvira. Seria uma piada de mal gosto?
— Você é a minha alma gêmea. — Minseok repetiu em um tom mais alto. — Estamos em uma cafeteria, o que é representado pela xícara de café, e o sangue representa o caos que está do lado de fora e você foi o único que me deixou entrar e está comigo desde então. — Explicou. — Você só pode ser a minha alma gêmea!
Kyungsoo ficou surpreso com essa informação. De fato, tudo levava a acreditar que Kyungsoo era a alma gêmea de Minseok, mas ele já teve uma alma gêmea, seu pulso já não tem nada que o ligue a outra pessoa. Não faz sentido. Como ele pode ser a alma gêmea de alguém que não é alma gêmea dele? Isso não faz o mínimo sentido.
—Desculpe, mas acho que te acertaram com muita força. — Kyungsoo disse, claramente sem acreditar nas palavras do outro. — Não tem como eu ser a sua alma gêmea se você não é a minha!
— Não seja tão ignorante, tem como sim! — Respondeu, afoito. — Você mesmo disse que eu sou muito parecido com ela e algumas lendas afirmam que a única forma de substituir uma alma gêmea é encontrando uma pessoa quase idêntica a ela! — Explicou como uma das maiores descobertas do momento. — E, no seu caso, eu devo ser essa pessoa. Você é a minha alma gêmea, isso é uma certeza!
— Não sei se posso acreditar nisso... É impossível... — Hesitante, Kyungsoo se afastou um pouco.
— Vamos tentar, pelos menos — continuou a insistir. — Algo só é impossível se você acreditar que é impossível!
— Eu não...
— Vamos, me de uma chance! — Implorou. — O que acha de termos um encontro? Se você não gostar eu paro de insistir.
— Aceito.
Depois de algumas horas Minseok conseguiu ligar para um amigo que foi buscá-lo. Infelizmente ele morava em outra cidade e era difícil para ele visitar Kyungsoo, porém uma vez por mês ele tinha curso e passava dois dias na cidade. Após trocar os números ele voltou para casa.
Durante vários dias eles trocaram mensagens, Minseok sempre foi com calma, pois Kyungsoo ainda não se sentia bem com toda essa situação. Depois de três semanas eles se encontram depois do curso. Eles ficaram nessa rotina durante meses até que ambos se sentiram bem para ir adiante.
— Ei, Kyungsoo! — Chamou, inquieto. — O que você acha da gente sair?
— Mas nós saímos toda vez que você vem para a cidade. — Respondeu, sem entender.
— Sim, mas saímos como amigos, eu quero sair com você como um casal! — Minseok reclamou.
— Não.
— Por favor! — Insistiu.
— Não posso sair dessa vez. — Hesitante, Kyungsoo tentou arrumar alguma desculpa.
— Por quê? — Não se deixando levar, Minseok continuou q insistir. — Deixe de ser chato!
— Estou com cólica. — Afirmou, muito nervoso com a situação.
— Você não é mulher! — Reclamou. — Se é para dar uma desculpa esfarrapada que pelo menos seja algo mais convincente, por favor!
Ainda hesitante, Kyungsoo aceitou a proposta. Era realmente difícil dizer não para o outro, principalmente quando ele está determinado. Eles resolveram fazer o clássico encontro no cinema, decidiram assistir “a bela e a fera”.
— Assim que sairmos do filme podemos passar na praça de alimentação e na cabine de fotografia! — Minseok exclamou animado.
— Você está bem animado, até de mais. — Resmungou.
— Mas é claro! Estou esperando por isso a semanas! — Exclamou logo após uma risada nervosa. — Por quê? Está se sentindo incomodado?
— Não nada disso! — Respondeu. Não era bem essa a impressão que ele queria dar, ele não estava incomodado, só achava que Minseok estava sendo apressado de mais.
Depois de comprar os ingressos eles foram direto para a sala de cinema. Depois de dez longos minutos de comerciais o filme finalmente começou. Eles não falavam nada, porém Minseok sempre tentava algum avanço como pegar na mão do outro ou até mesmo encostar a cabeça, não estava sendo fácil.
Minseok conseguiu a sua primeira conquista durante a cena musical no bar, quando Le'fou foi aos braços de Gaston o jovem aproveitou para segurar no braço do companheiro e encostar a cabeça no ombro. As cenas homossexuais de Le'fou seriam uma desculpa perfeita.
Demorou um pouco para Kyungsoo aceitar a situação, mas depois ele passou a não se importar, não queria entrar em outra discussão com o outro.
O filme passou rapidamente, quando menos esperavam estava na parte da luta entre os camponeses e os moradores do palácio. Durante essa parte ambos riram com algumas situações, principalmente quando três marmanjos acabaram vestidos com roupas femininas de gala.
— Sabe aquele ali? — Minseok comentou apontando para o único marmanjo que saiu feliz com a nova roupa. — Se ele não fosse figurante ele ficaria ótimo como par do Le'fou!
Ambos riram e voltaram para o filme. Durante a cena final de luta entre a Fera e Gaston, Minseok voltou a falar, mas dessa vez ele estava contando sobre um livro que falava da estória do Fera e o porquê de certos acontecimentos. Podia não parecer, mas ele realmente gostava de ouvir algumas teorias e estórias que contam o que aconteceu por trás dos contos de fadas.
Depois de mais algumas pequenas conversas e risadas eles perceberam que já estava na cena final da festa no palácio. A bela música animava o momento e, no meio da dança, Le'fou acabou dançando com outro homem e, aproveitando a cena, Minseok roubou um selinho do companheiro que ficou chocado.
— O que foi isso? — Kyungsoo perguntou um pouco mais alto do que deveria.
— Isso o que? — Fez-se de desentendido. — Preste atenção no filme, já está na cena final.
Quando o filme acabou e as luzes se acenderam os dois saíram em direção à praça de alimentação. Kyungsoo ainda estava tentando processar o que aconteceu mais cedo, ele não sabia se sentia raiva por ele ter feito aquilo em público ou se ficava envergonhada, pois ele gostou da iniciativa.
Eles lanchavam enquanto conversavam. Passaram longos minutos trocando idéias e falando sobre o filme, porém Kyungsoo não conseguia tirar o beijo de sua mente, ele queria perguntar o porquê daquilo, mas o seu companheiro sempre conseguiu desviar do assunto. Já estava ficando irritante.
— Ei, vamos para a cabine de fotos! — Minseok exclamou enquanto puxava o outro em direção a cabine.
Não tinha ninguém lá, o que era ainda melhor. Depois de pagarem e receberem algumas explicações sobre como usar a cabine ambos entraram. Havia chapéus, óculos e colares dos mais variados tamanhos e formas, um mais engraçado que outro. Minseok vestiu uns óculos maiores que seu rosto e um chapéu de pirata enquanto Kyungsoo colocou apenas um chapéu de feiticeiro.
— No três começamos, OK?
Kyungsoo apenas fez um movimento com a cabeça, ele estava perdido em pensamentos, mais precisamente na memória do beijo. Quando Minseok ligou a máquina de fotos e ele começou a fazer poses engraçadas enquanto o companheiro apenas ficava parado. Vendo isso ele cancelou as fotos e colocou para recomeçar.
— Vamos, não fique tão sério. — Entristecido com a atitude do outro Minseok pediu com a expressão mais fofa que conseguia. — Faça algo espontâneo, afinal essas fotos não vão para nenhuma rede social!
Quando Minseok apertou o botão para começar a tirar as fotos, Kyungsoo começou a se aproximar e quando não havia mais nada entre eles, o beijou. O beijo foi rápido assim como o no cinema, o rapaz de cabelos castanhos estava confuso e extremamente vermelho.
— Isso quer dizer que você me aceita como a sua alma gêmea? — Perguntou, perplexo.
— Se você achar.
Sorridente, Minseok saiu da cabine e pegou as fotos, após entregar a cópia para o seu companheiro ambos se despediram e voltaram para as suas casas. Depois desse encontro eles passaram a se aproximar ainda mais e, no final, Kyungsoo realmente conseguiu superar a sua antiga alma gêmea.
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Notas finais: Desculpa pelos pequenos spoilers de A Bela e a Fera e se os dois personagens fugiram da personalidade original.
Descrição do plot: "Dizem que no mundo há sete pessoas parecidas com você. Minha alma gêmea morreu, você parece muito com ela, mas você é homem e está me dizendo que eu sou sua alma gêmea!"
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Avisos: Insinuação de sexo, linguagem imprópria, sexo, transexualidade, drogas
Sinopse: Soulmate au! De todos os presentes de aniversário possíveis para seus dezoito anos, uma tatuagem dolorida no braço e a habilidade de ler mentes com certeza não estavam nos primeiros lugares da lista. Principalmente se a mente em questão fosse a da sua alma-gêmea... A quem Kyungsoo não conhece e não sabe se realmente quer conhecer.
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O mundo não pararia de girar quando amanhecesse o dia 12 de janeiro. O céu ainda seria azul, ainda faria um calor de matar, os pernilongos ainda manteriam sua missão de comer as pessoas vivas durante a noite; Kyungsoo ainda pegaria serviço às oito na segunda-feira, largaria às seis e iria direto para a faculdade pagar faltas ocasionadas por greves gerais no ano anterior, ainda reclamaria todas as noites por ter escolhido o curso de teatro e todas as noites defenderia esse mesmo curso das alfinetadas de Sehun e Joonmyun.
Se a vida fosse fácil, a única coisa que o dia 12 de janeiro significaria para Kyungsoo seria um ano a mais de vida: não mais um menor de idade, agora um garoto de dezoito anos que poderia ser preso caso não tivesse juízo e que poderia tirar carteira caso não fosse tão pobre. Para pessoas caretas como Kyungsoo, o que a maioridade poderia significar? Nada mudara para Seungsoo, nem para Amber, muito menos para Joonmyun – era claro que nada mudaria para ele também.
Exceto que, bem, o dia de doze de janeiro chegou e, junto com ele, uma tatuagem a florescer no seu braço esquerdo, ardendo como o inferno, e uma barulhada em sua cabeça que não estava ali quando Kyungsoo fechara os olhos no dia anterior. O mundo continuava girando, sim – e, de repente, tudo tinha mudado.
>><<
– Eu tenho certeza que você sabe o que é isso. Estudam isso na escola, não estudam?
– Mãe, claro que eu sei o que é isso. Não é esse o problema.
– Então qual é, filhote?
Kyungsoo observou sua mãe passar os dedos pela tatuagem em alto-relevo que ele agora levava no braço e tentou não se encolher ante a ardência que acompanhou o ato. A impressão que tinha era que seu braço inteiro estava pegando fogo por debaixo da pele e, não bastasse a agonia que essa sensação sozinha trazia para ele...
– Estou ouvindo um chiado na minha cabeça. Como se estivessem... – Ele apoiou o rosto na mão direita ao ser acometido por um leve acesso de tontura. – Como se várias pessoas estivessem falando ao mesmo tempo. E não tem ninguém falando. Eu estou ouvindo agora. Eu...
Seu corpo começou a escorregar para fora da cadeira e Kyungsoo se viu tonto demais para endireitá-lo; teria caído ao chão se não fossem os braços de sua mãe a apoiá-lo por trás, empurrando-o de volta para a postura correta e mantendo-o no lugar.
– Respira comigo, Kyungsoo. – Ela se agachou na frente do filho, ainda segurando-o pelos ombros. Não parecia enojada pelo que ele dissera ou ao menos assustada; Kyungsoo esperava no mínimo alguma acusação de que tivesse perdido a sanidade, mas tudo o que recebeu foi um olhar firme, mas carinhoso, e um leve sorriso nos lábios ao ouvi-la dizer, baixinho como numa canção de ninar: – Uma respiração de cada vez, hein? Respira. Inspira. Respira. Inspira. Respira. Inspira. Isso. Tá se sentindo melhor?
Kyungsoo acenou com a cabeça.
– Ótimo – continuou ela. – Vou levar você de volta pro seu quarto, tudo bem? Se apóia no meu ombro que devargarzinho a gente chega lá. Isso. Um passo de cada vez. Não se esqueça de respirar, hein? Isso. Não deita direto na cama, Kyungsoo, senta primeiro. Isso, filho. Fica quietinho aí que eu já volto.
Ela sumiu do quarto e Kyungsoo passou todo o tempo da espera olhando pro teto, perdido entre registrar a queimação que vinha de seu braço ou a tontura proveniente do chiado em sua cabeça. No intervalo entre suas piscadas, percebeu que chorava, algo que não fazia havia anos, e em seu estado de atordoamento, nem sequer conseguiu se importar; deixou que as lágrimas rolassem e não fez questão de escondê-las quando sua mãe voltou, trazendo um comprimido e um copo d’água nas mãos.
– Vai diminuir sua dor – explicou, sem necessidade; Kyungsoo não esperou que terminasse a sentença para pegar o copo e esvaziá-lo como se sua garganta também estivesse queimando. Algumas outras lágrimas escorreram e um tempo que pareceu longo demais se passou, o silêncio do cômodo em contraste com a bagunça de seus pensamentos, até que seu corpo desistisse, o sono tomando-o em ondas até que não houvesse mais energia para manter seus olhos abertos.
Seu braço já não queimava mais e Kyungsoo, antes de se entregar ao cochilo que merecia, experimentou tocar a tatuagem, sentindo-a pulsar sob seus dedos ao mesmo tempo em que uma voz completamente estrangeira invadia seus pensamentos, expressando um desespero que não era dele, mas que bem podia ser:
Meu Deus. Meu Deus. Eu tenho uma marca da alma gêmea. Meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Kyungsoo pensaria no significado daquilo depois; deixou-se dormir.
Quando acordou, já era noite do ladoem v de fora e sua mãe estava sentada na beirada da cama, brincando com os cabelos da franja de Kyungsoo com dedos de pluma. Ela sorriu ao vê-lo abrir os olhos, mas não disse nada por um minuto, que Kyungsoo aproveitou para fazer um balanço de sua situação: a tatuagem ainda se estendia por seu braço direito, parecendo mais negra do que em relação a algumas horas antes, mas a ardência tinha caído no campo do suportável, e a barulheira em sua cabeça, embora ainda presente, parecia ter baixado de volume. Sentia-se humano de novo, embora um pouco acabado.
– Você... – começou ele, tossindo ante a fragilidade da própria voz. – Não pareceu surpresa com o que eu disse mais cedo.
– É porque eu não estou surpresa.
Kyungsoo ergueu uma sobrancelha para sua mãe, recebendo um riso fraco e um copo d’agua empurrado para suas mãos em resposta.
– Beba água primeiro. Você dormiu o dia todo. Sehun e Joonmyun passaram aqui pra visitar você, mas eu disse que você estava doente e dispensei os meninos – disse ela, substituindo o copo de água por um pacote de biscoitos tão logo Kyungsoo terminou de esvaziá-lo. – Coma, também. Ainda bem que hoje é sábado, teria sido horrível você ficar acordado o dia inteiro no estado que estava... E sozinho, ainda por cima.
Nenhum dos dois disse nada por um momento, ela voltando a brincar com os cabelos da franja do filho enquanto ele comia. Kyungsoo estava se sentindo nauseado antes, mas apenas o cheiro das bolachas já fora o suficiente para lembrá-lo de que seu estômago não recebia comida havia mais de quinze horas; de repente, sentia-se faminto, e deu cabo nos biscoitos em um tempo pequeno demais para ser considerado saudável.
– Não estou surpresa com o que você me disse por que já vi isso antes – explicou a mãe de Kyungsoo, tirando o pacote vazio das mãos dele e se levantando para jogá-lo no lixo. – Eu só não esperava que fosse se manifestar em você, porque eu não tenho o gene.
– Gene?
– Esse “barulho” que você está ouvindo. É leitura de mentes, uma habilidade de família, uma habilidade bem doida, inclusive; ela não se manifesta em todo mundo. Minha avó tinha e minha mãe também, mas de todos os irmãos, ela foi a única a herdar. Eu não tenho, meu irmão sim, mas os filhos do meu irmão não. Seu irmão não tem, mas agora temos você. – Ela sorriu, cutucando-o na testa com a ponta do indicador. – Eu lembrei de quando meu irmão fez dezoito anos e acordou mais ou menos do mesmo jeito que você. A primeira coisa que minha mãe fez foi colocá-lo para dormir de novo. Parece que funciona. Como está se sentindo?
– Um caco. Parece que um caminhão passou em cima de mim. Parece que tem mil pessoas gritando na minha cabeça e meu braço ainda está ardendo.
– Ah, é verdade, a sua marca. – Muito delicadamente, ela deitou o braço de Kyungsoo em seu colo e, alcançando um potinho no criado-mudo, espalhou uma espécie de pomada por cima da tatuagem. O primeiro contato queimou tanto que Kyungsoo precisou piscar com força para não chorar, mas um segundo depois, uma sensação fria se espalhou por seu braço, aliviando a ardência e arrancando do garoto um suspiro de alívio. – E agora, melhorou?
– Sim. O que é isso?
– Uma pomada de ervas que eu costumava usar para acabar com a ardência na minha marca. Achei que não vendessem isso no Brasil, fiquei feliz por achar para comprar na farmácia ali de cima.
– Você teve uma marca da alma gêmea?
Ela sorriu travessa.
– Sim, esse azar lá em casa foi meu. Posso te ajudar com essa parte. Infelizmente, não posso te ajudar com a parte da leitura de mentes...
Claro que ela não podia e Kyungsoo sabia por quê.
– Você nunca me disse que tinha uma marca!
– Não era importante dizer isso, era? – defendeu-se ela, dando de ombros. – Agora que seu pai está morto, ela desapareceu e felizmente não me incomoda mais. Mas eu me lembro bem de como foram os primeiros dias, para sua sorte. A ardência é normal, vai demorar algumas semanas para passar, então você tem que passar a pomada de seis em seis horas. É uma região bastante sensível, então qualquer machucado ou pancada vai doer o dobro em vocês dois: em você e também na pessoa que tem o seu par. Tome cuidado com esse braço. O legal seria você conseguir cobri-la com um casaco e tal, mas está um calor do caramba...
Kyungsoo franziu o cenho.
– Não sei se quero sair exibindo essa marca por aí. Acho que prefiro morrer de calor com o casaco.
– Se só mostrar é o problema, eu posso te ajudar a cobri-la com maquiagem, não tem problema. O negócio é o que o casaco ajuda a proteger a marca de qualquer ferida. – Ela deslizou os dedos pelo alto-relevo na pele e encarou-o com seriedade. – A dor quando você machuca a marca é insuportável. Você vai ter que torcer pro seu par não ser uma pessoa completamente desastrada, ou você vai ter que lidar com as feridas dele, também.
– E isso nunca passa?
– Enquanto a marca existir, não. Quando você encontra seu par, ela se torna menos sensível e dá para você ignorar a existência dela a maior parte do tempo, mas qualquer dor continua sendo muito mais forte do que o normal.
– Isso se eu encontrar o par, não é mesmo?
Ela suspirou.
– Sim. Existe essa lenda de que as marcas se atraem como pólos magnéticos e que a tendência é elas se unirem e bla bla bla, mas você vai conhecer muita gente que tem a marca e nunca conseguiu encontrar o par. Eu estava na Coreia e seu pai era um brasileiro e nós formávamos um par; era perfeitamente compreensível que eu nunca tivesse o encontrado. Tive muita sorte. Espero que você tenha também. – Seu sorriso não alcançou seus olhos, pesados de súbito cansaço. – Vou tentar entrar em contato com meu irmão para ver se ele me ajuda com a parte da sua leitura de mentes...
– Não, para quê? Eles nunca deram a mínima para a minha existência e eu não quero nenhuma ajuda que venha deles. Você não precisa de se humilhar para eles por minha causa, eu posso perfeitamente lidar com isso sozinho – exaltou-se Kyungsoo, tentando se sentar na cama e sendo impedido pela mão de sua mãe em seu peito, empurrando-o de volta para os travesseiros. – Não, mãe, nem pense em fazer isso.
– Não me importo de me humilhar se for para ajudar você.
– Mas eu me importo. Deixa para lá.
Kyungsoo nunca nutrira grande simpatia pelos parentes maternos; sabia que sua mãe não conversava com eles havia décadas, porque eles nunca tinham aceitado a escolha dela de abandonar a Coreia e se mudar com o homem que amava para o Brasil. Desde a morte de seu pai, ao assistir a mãe passar por todo tipo de perrengue para criar os filhos com a ajuda apenas de seus avôs paternos, o desprezo por essa parte da família apenas crescera, e o novo conhecimento de que sua mãe e seu pai haviam sido um par gêmeo era apenas a cereja do bolo. Não queria a ajuda deles para nada.
Sua mãe suspirou.
– Você é teimoso igualzinho seu pai. Deus me livre – riu ela, o sorriso alcançando o rosto todo dessa vez. –Tudo bem, tudo bem. Deixa eles para lá por enquanto. Mas se o incômodo ficar forte demais para suportar, me avise. Eles podem ser idiotas o quanto forem, mas não se deve negar ajuda quando se necessita dela, tudo bem? – Suspirou, levantando-se e saindo do quarto por um momento, retornando com outro copo de água e mais um comprimido. – Toma. Não é recomendável ficar dopando você, mas a melhor coisa para os primeiros dias é dormir bastante pro corpo se acostumar. Amanhã, se você acordar melhor, eu chamo seus amigos para a gente comer o bolo que eu fiz pro seu aniversário, hein?
Kyungsoo concordou com a cabeça. Com o desenrolar dos eventos, até tinha se esquecido do próprio aniversário, mas sentia-se grato pela mãe ter se lembrado e preparado alguma coisinha, por mais simples que fosse.
– Dorme bem, filhote. – Ela beijou-o na testa. – Feliz aniversário.
Eles sorriram um para o outro e ela saiu do quarto, fechando a porta e apagando as luzes no caminho. Por um longo tempo, Kyungsoo encarou o teto escuro do quarto à espera do sono que o derrubaria, tentando ignorar os chiados em sua cabeça em prol de um relaxamento mais efetivo. Sem sucesso. A marca em seu braço pulsava de tempos em tempos, como um coração próprio, e ao tocá-la, Kyungsoo sentiu sua mente ser invadida novamente por aquela voz que não era dele, mais alta do que todo o chiado que o assediava:
O que pensa que eu sou, se não sou o que pensou, me libera, não insista, vai viver um novo amoooooorrr...
Que mau gosto para músicas, pensou Kyungsoo ao virar-se para o lado na cama, a voz desaparecendo. Franziu as sobrancelhas para o “silêncio”, sem entender, e de maneira quase experimental, tocou sua tatuagem novamente.
No dia em que eu e você nos tornarmos um, cremosa, nós seremos os sortudos...
Ah. Então aquilo tinha sim certa lógica, embora Kyungsoo, de repente, estivesse se sentindo cansado demais para refletir a respeito. Aliviado, percebeu que o remédio começava a fazer efeito e entregou-se ao sono que o dominava, ninado pela voz grossa que invadia sua mente com suas músicas cafonas.
Naquela noite, os sonhos que Kyungsoo teve não eram dele.
>><<
– Então você tá me dizendo que você pode ler mentes agora, é isso mesmo? – perguntou Sehun, erguendo os braços para o céu ao ver Kyungsoo confirmar com a cabeça. – Meu Deus, eu nunca mais vou precisar estudar pra uma prova na vida! Não acredito que a vida finalmente me recompensou por fazer a piedade de ser seu amigo!
Joonmyun gargalhou alto, mas Kyungsoo, que não via graça nenhuma na situação, apenas revirou os olhos, bebendo o primeiro gole do copo de café que comprara e fazendo uma careta; a moça da cantina se esquecera do açúcar. De novo.
– Você está felizinho demais pro meu gosto, pirralho. Isso não é nem um pouco legal quanto parece. Eu não acabei de explicar que eu fiquei doente o final de semana inteiro por causa disso?
– Sou seu amigo, tenho licença pra não dar a mínima para a sua saúde.
Joonmyun franziu as sobrancelhas:
– Não seria o contrário?
– Cala a boca, Joon. Se não for pra ajudar, não atrapalha, também. Tô tentando ajudar a gente, aqui, sabia?
– Eu sei que seu coração é sádico, Sehun, e que tem muito tempo que ele não bate, mas vamos pelo menos fingir que você tem compaixão um pouquinho, não é mesmo? – Joonmyun sorriu, talvez com dentes demais, e Kyungsoo não pôde deixar de rir para si mesmo ao ver Sehun se contorcer de dor ao ser beliscado na barriga por debaixo da mesa. – Isso, bom menino. Pode continuar, Kyungsoo.
– No primeiro dia eu só dormi e ontem eu vomitei o dia todo. Achei que não fosse conseguir levantar para trabalhar, mas acabou que deu tudo certo. Só que a minha cabeça dói, sabe? – Kyungsoo encarou o copo de café por um momento, respirou fundo e bebeu todo o resto de uma vez só; com ou sem açúcar, ainda tinha gasto dinheiro naquilo e doeria vê-lo desperdiçado. Sehun riu ao vê-lo se contorcer todo pelo gosto amargo e, num acesso de maturidade, Kyungsoo lhe exibiu a língua. Joonmyun revirou os olhos. – Enfim. Essa coisa de ler mentes não é legal porque eu não consigo escolher qual mente ler. É tudo ao mesmo tempo. Nesse refeitório tem umas dez pessoas, mas nesse andar todo, tem mais de cem, e é o pensamento de todo mundo ao mesmo tempo na minha cabeça, sabe? É muito barulho.
– Não parece muito legal.
– Não é nada legal.
– Você disse que é algo de família. Por que sua mãe não te ajuda, então?
– Porque ela não sabe como, ela não tem esse “poder”. O povo da família dela saberia como me ajudar, mas...
– Você é um orgulhoso desgraçado...
– ...Eu não quero que ela se humilhe por minha causa. Simples assim.
Joonmyun escondeu o rosto em uma mão, abafando algo que soava muito parecido com “essas crianças dos dias de hoje...”, e Sehun riu de novo, inclinando-se na mesa em direção a Kyungsoo para cutucá-lo na testa.
– Tem um menino no prédio das ciências humanas que mexe com essas coisas de sobrenatural. Ele faz umas simpatias, vende uns colares amaldiçoados e faz umas magias. Quem sabe ele não pode ajudar você com alguma coisa?
– Mas esse não é o Jongin, sua crush encubada? – perguntou Joonmyun, de imediato, e dessa vez foi Sehun quem cobriu a cara com a mão, pequenos lampejos de pele corada aparecendo pelo intervalo entre os dedos.
Kyungsoo quis rir, mas achou muita crueldade.
– Nunca ouvi falar nesse tal de Jongin. Como que só eu não sabia? Se até o Joon sabe e eu não, tem que ter alguma coisa errada!
– Ei!
– É que não era para nenhum de vocês saberem – explicou Sehun, descobrindo a cara para lançar um olhar tão afiado na direção de Joonmyun que Kyungsoo se surpreendeu ao não ver sangue jorrar. – Mas o Joon resolveu enfiar a cara onde não foi convidado e agora ele sabe. Enfim, é só uma paixonite encubada, porque ele é mesmo muito bonito, e eu falo sério com o negócio das simpatias e tal. Talvez ele consiga ajudar você.
– E talvez você consiga finalmente fazer ele te notar, né, Sehun?
– Cala a boca, Joonmyun!
Eles começaram a discutir entre si, mas Kyungsoo já não estava mais prestando atenção. Não via como um cara de humanas com fama de feiticeiro poderia ajudá-lo – a verdade é que Kyungsoo já começava a aceitar que teria que lidar com o chiado na própria cabeça para o resto da vida, então a melhor coisa a se fazer seria se habituar a ele e pronto. Talvez, se aceitasse a situação como um bom menino, conseguisse continuar levando sua rotina da forma mais normal possível, sem as dores de cabeça ou as tonturas repentinas.
A tatuagem em seu braço, coberta pela maquiagem cuidadosa de sua mãe, começou a arder novamente, e Kyungsoo, dentes cerrados, levantou-se de uma vez só, vendo o mundo girar à sua volta por um segundo antes de todas as coisas voltarem aos seus devidos lugares. Seus amigos, concentrados demais em discutirem um com o outro, nada notaram.
– Vou no banheiro – avisou.
A pomada que sua mãe lhe dera para a dor estava na mochila e Kyungsoo se contorceu para alcançá-la. A maquiagem que sua mãe fizera provavelmente não agüentaria uma terceira camada de remédio sem se desfazer e nunca o fato de ele fazer faculdade à noite parecera tão conveniente; ninguém estranharia ao vê-lo com um casaco fino, apesar de ser verão, porque a universidade, toda arborizada, era um lugar naturalmente mais fresco que o resto. Ele teria que lidar com o suor, mas o que era o calor de janeiro comparado à queimação infernal que ele sentiria se não se apressasse? Nada.
Uma dor aguda se espalhou pelo braço no momento em que Kyungsoo tocou a tatuagem pela primeira vez e o garoto, já preparado, mordeu a bochecha para não fazer nenhum barulho – tinha sido estranho o suficiente explicar para seu patrão o porquê do grito repentino no serviço horas antes e ele não precisava passar por outro constrangimento do tipo. O silêncio não impedia que seus dedos tremessem, porém, e ele quase deixou o pote de pomada cair três vezes antes de conseguir espalhar o remédio por cima do alto-relevo, a maquiagem finalmente cedendo para mostrar as linhas negras que se espalhavam como veias por seu braço.
Que aula chata, meu Deus... E essa tatuagem não para de arder; será que vai doer pra sempre? Ninguém disse que ter uma alma-gêmea era tão dolorido na escola, isso é propaganda enganosa!
As reclamações da voz em sua cabeça eram tão precisas que Kyungsoo quase concordou em voz alta, lembrando-se no último segundo que não havia ninguém ali para ser respondido – apenas ele mesmo, sozinho no cubículo do banheiro. Kyungsoo tinha uma boa idéia de a quem pertencia aquela voz, mas estava evitando pensar nisso; contanto que os pensamentos de sua alma-gêmea continuassem a assediá-lo apenas quando ele tocasse na tatuagem, Kyungsoo acreditava que não teria dificuldades para se acostumar.
A dor amenizou-se aos poucos e Kyungsoo suspirou de alívio, deslizando os dedos pela tatuagem uma última vez antes de cobrir-se com o casaco que trouxera, preparando-se para lidar com o calor ao qual estava se submetendo.
Será que a minha alma-gêmea está procurando por mim? Eu não sei se quero encontrá-la...
Eu também não sei se quero encontrar você, pensou Kyungsoo em resposta. Eu também não sei.
>><<
Na aula daquela mesma noite, Kyungsoo esbarrou com o braço marcado na quina da carteira de metal. Foi uma pancada leve, mais fruto do descuido do que de qualquer outra coisa, nada condizente com a dor que a sucedeu; por um instante, Kyungsoo perdeu toda a força nas pernas, o mundo se tornando uma enorme noite cheia de estrelas frente aos seus olhos. Enquanto a dor o tomava em uma única onda, forte como um maremoto, o garoto teve a impressão de que, por horas a fio, o controle do próprio corpo havia lhe sido negado; os sons que escutava pareciam vindos de muito longe e não conseguia mexer um músculo, por maior que fosse o esforço aplicado no movimento. Quando, porém, sentiu que o mundo voltava aos conformes, piscando em meio à névoa de agonia que o cegara, percebeu que não haviam se passado mais do que alguns instantes.
Ninguém notara.
Sentou-se, coberto de suor por um motivo que nada tinha haver com o calor e o casaco que usava, e trêmulo da cabeça aos pés, levou as mãos à tatuagem por cima da blusa: havia um calombo ali, junto com uma mancha de algo que cheirava como sangue, e a marca pareceu reclamar sobre seus dedos, ecoando uma dor que não era dele, como um reflexo da sua própria. A voz em sua cabeça não o surpreendeu; Kyungsoo quase esperava por ela, desta vez.
Eu estou sangrando, pelo amor de Deus, o que foi isso? Eu tava tocando violão, o que tem uma coisa a ver com a outra? Ai eu odeio sangue, odeio sangue, odeio...
A inconsciência não era dele, mas Kyungsoo a sentiu assim mesmo: seus sentidos o abandonaram por um instante, fazendo-o se engasgar com a própria saliva e retornando por meio de piscadas quase psicodélicas. Outro toque sobre a tatuagem o presenteou com silêncio e ele se viu tomado por um mal estar que durou o resto da aula.
Ao chegar em casa e retirar o casaco, Kyungsoo – que podia assistir filmes gore sem um revirar de estômago, que vivia lidando com cortes de faca ao cozinhar – ao ver o sangue ainda pegajoso sobre a marca, vomitou tudo o que comera naquela noite.
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Kyungsoo trabalhava como garçom, cozinheiro, assistente de marketing e auxiliar de escritório; seu patrão, um cara poucos anos mais velho que poderia perfeitamente se passar por um adolescente, Kris, costumava brincar que Kyungsoo era seu coringa particular. Nos dias em que estava se sentindo mais amoroso – que geralmente coincidiam com o início de mais um namoro com alguma moça bonita – ele até se arriscava a dizer que Kyungsoo era seu funcionário mais valioso, recebendo um rolar de olhos e um “brega” como resposta.
– Eu te pago muito mal, Kyungsoo – ele às vezes dizia, dando risadinhas. – Pra um funcionário que nunca falta, que nunca chega atrasado e que nunca reclama, você tá subaproveitado nesse lugar.
– Que bom que você sabe – era a resposta de Kyungsoo, sempre, e a conversa morria por ali.
Kyungsoo gostava de seu emprego, no fim das contas; saber disso foi a única coisa que tornou o ruído do despertador uma coisa menos dolorosa na primeira semana dos seus dezoito anos. O garoto sentia saudade das noites bem dormidas, onde ele não sonhava ou sonhava sonhos que fossem seus no fim das contas; ter sua alma-gêmea dividindo sonhos com ele compulsoriamente não estava fazendo bem para sua saúde. O reflexo de Kyungsoo mostrava um garoto pálido, a quem olhos caídos e olheiras escuras davam um ar de doença, e a decoração do restaurante, toda espelhada nas paredes, não estava lhe fazendo nenhum bem ao obrigá-lo ao encarar a própria miséria durante o dia todo.
O restaurante em si não colaborava, também; era um ambiente cheio e barulhento, cujos ruídos se somavam ao chiado na cabeça de Kyungsoo para deixá-lo constantemente zonzo e instável. Na primeira sexta-feira após seu aniversário, enquanto lavava os pratos na pia – você está com um cara doente demais para ser garçom hoje, dissera Kris –, Kyungsoo mal conseguia concentrar-se no barulho da água da torneira, o burburinho do restaurante lotado empurrando-o cada vez mais para perto da borda da loucura.
– Hmm, a ponte está boa, mas acho que você não precisa descer o tempo pro refrão, precisa? Ele ganha mais impacto se você acelerar.
Kyungsoo sentiu-se gelar da cabeça aos pés e, ao lentamente largar o prato que lavava na pia e se virar, torceu para que houvesse de fato alguém do seu lado conversando com ele sobre música no meio do seu expediente de trabalho – por mais louco que isso parecesse. A essa altura do campeonato, porém, o garoto já devia ter aprendido que a sorte não era lá sua maior fã: a cozinha estava vazia, ele e a as panelas que precisava lavar, e foi com um assomo de pavor que Kyungsoo se ouviu dizer, sem que seus lábios se mexessem, numa voz dolorosamente conhecida:
– Você acha? – E Kyungsoo ouviu acordes de guitarra. Deus o ajudasse. Estava enlouquecendo de vez. – Oh. Realmente, dá um impacto bem maior.
– Eu disse, não disse? Tudo bem que meu instrumento é a voz, mas eu manjo de composição também. Do que é que eu não manjo, afinal?
– Em ser humilde, talvez?
– Humildade é uma qualidade superestimada.
Kyungsoo ouviu o barulho de pratos se quebrando e também um grito, mas não sabia de onde o som vinha e era uma sensação tão, tão estranha estar ali, ouvindo uma conversa que estava acontecendo em um lugar que ele não fazia idéia de qual era, entre duas pessoas que ele desconhecia, que, quando a inconsciência veio abraçá-lo, Kyungsoo se jogou de bom grado.
Foi um alívio. Não havia mais os sons do ambiente, nem o chiado em sua cabeça; por um momento, tudo foi silêncio, e quando sua alma-gêmea começou a cantar, acompanhada de acordes de guitarra e de uma segunda voz suave e afinada, Kyungsoo sentiu-se derreter, permitindo que a canção dominasse sua mente por completo, morna e aconchegante como um dia de frio.
Ao acordar, ainda sob o efeito hipnótico da canção, a primeira coisa que notou foi que sentia descansado depois de uma semana de noites frustradas de sono; a segunda foi sua mãe, sorrindo ao lhe estender um copo d’água, uma cena familiar o suficiente para puxá-lo de volta para a realidade. Num rompante, Kyungsoo se lembrou de tudo: o restaurante, os pratos, Kris... Levantou-se da cama num único movimento, procurando por suas roupas, completamente desorientado.
– Meu serviço...
– Kris te deu folga para hoje e para amanhã – explicou sua mãe, fazendo-o parar, empurrando o copo de água para a mão dele. – Beba. Ele disse que não tem problema, mas que espera que você nunca mais passe um susto nele desse jeito. Você quebrou quatro pratos do jogo de jantar do restaurante e desmaiou no meio da cozinha, então acho que entendo o lado dele...
Kyungsoo esvaziou o copo de uma vez só e, quando sua mãe voltou a enchê-lo até a borda, bebeu tudo em questão de segundos mais uma vez.
– Ele não estranhou?
– Ele estranhou muito. Desculpe, acabei falando para ele sobre a marca – explicou-se ela, encolhendo os ombros e baixando os olhos. – Não achei que ele fosse entender a coisa da leitura de mentes, então fui pela explicação mais lógica. Ele ficou satisfeito. – Mas eu não, a continuação era óbvia, embora ela não tivesse dito nada. – O que está acontecendo, Kyungsoo?
Estou ouvindo a voz da minha alma-gêmea na minha cabeça e agora temporariamente me apossei dos ouvidos dela também e minha vida é uma droga...
– Essa coisa de ler mentes está me deixando cansado. Tenho dormido mal. Só isso.
Ela não pareceu muito convencida, mas não insistiu.
– Vai passar, meu bem. Você quer que eu tente entrar em contato com meu irmão?
– Você sabe que não, mãe.
Nenhum dos dois disse mais nada e foram necessários vários segundos para Kyungsoo percebesse que estava cantarolando uma canção – e não uma canção qualquer. No momento em que se deu conta do próprio descuido, o garoto se calou, mas já era tarde demais; o sorriso que sua mãe lhe enviou estava cheio de significados.
Merda.
>><<
– Nenhum de vocês me disse que o tal Jongin era bonito desse jeito. Estou me sentindo injustiçado!
– Você se controle que eu coloquei o olho nele primeiro. Não vou aceitar dividir minhas crushs com você, é muito fracasso.
– Vai se foder, Sehun.
– Crianças, fiquem calmas. Ele é bonito pra caralho, todos admitimos, mas não precisamos fazer um alarde disso, não é mesmo?
– Agora só falta eu ter que dividir minhas crushs com o Joonmyun também. Pelo amor, você não era hétero?
– Bissexual e bastante orgulhoso disso. Pare de ser infantil, Sehun. Se você continuar fazendo alarde, ele vai te notar e não vai ser do jeito legal, é isso que você quer?
Sehun se encolheu como quem leva um tapa e Joonmyun riu, abraçando-o pela cintura – a parte mais alta de Sehun que ele conseguia alcançar Os três estavam na entrada da faculdade de ciências humanas, onde todo tipo de gente estranha se agrupava antes que as aulas começassem: mulheres com cabelos longos e desidratados e saias de estampas indianas, homens com mais piercings na cara do que ossos no corpo, pessoas cuja aparência era cuidadosamente pensada para te deixar na dúvida e, no canto, sentado rente a um tapete onde se exibia uma variedade de filtros dos sonhos, Jongin, que se dedicava a um cigarro de maconha com a languidez dos que tem todo o tempo do mundo.
Kyungsoo, com amplo conhecimento do histórico de paixonites de Sehun, não esperava que o garoto fosse finalmente desenvolver algum bom gosto depois de dezessete anos, mas Jongin, cuja chinela havaiana esgarçada e brinco de pena na orelha direita só conseguiam lhe adicionar mais charme, era tão bonito que chegava a assustar. Kyungsoo sentia que poderia perfeitamente se apaixonar por Jongin caso ele já não tivesse...
Tivesse quem, afinal?
Tudo o que ele precisava fazer era chegar para Jongin e pedir por ajuda, simples assim, mas de repente, ele se sentia nervoso demais para isso. Desde quando Kyungsoo era do tipo que se intimidava por homens bonitos? Quase por um reflexo, o garoto abraçou a si mesmo, sentindo a marca da alma-gêmea ser prensada entre um braço e outro e mal tendo tempo de praguejar para si mesmo antes que...
Safadamente eu tenho você, cremosa, você pode me chamar de mooooooooooonstro, e tô rastejando pelo seu coração, vou te engolir, te arrotar, vou te amassar toda, EU VOU COMER VOCÊ
Você tem um gosto musical péssimo para uma voz tão bonita, pensou Kyungsoo, carinhosamente, e foi essa realização – de que ele começava a pensar com carinho no motivo das próprias dores de cabeça – que deu a ele a coragem necessária para fazer aquilo.
– Me esperem aqui – avisou ele, respirando fundo e empertigando-se todo antes de caminhar até Jongin e sentar-se frente a ele no chão.
A hora era aquela; que Deus o abençoasse.
– Olá, corujinha – cumprimentou-o Jongin, quase um minuto inteiro depois. – Quer comprar um dos meus filtros dos sonhos? Você tem cara de quem precisa de uma boa noite de sono para variar.
– Ah... – Quem tinha conseguido convencer Kyungsoo de que pedir ajuda era uma boa idéia mesmo? – Na verdade, Jongin, eu preciso de ajuda com um assunto meio mágico...
– Ué, eu que fumo maconha e quem enxerga fadas é você, corujinha? – Ele soprou uma baforada de fumaça no ar, tão forte que Kyungsoo se sentiu zonzo por um momento. – Fala que eu te ouvo. Quando eu to bem louco no doce, eu enxergo umas fadas, quem sabe eu não chame elas para ajudar você, hein?
– Haha. Engraçadinho você. É o seguinte...
Kyungsoo se pôs a explicar a própria situação da maneira mais resumida que conseguiu, suprimindo alguns detalhes – como a existência da marca da alma-gêmea, por exemplo –, e, para seu alívio, Jongin não riu dele em nenhum momento; na verdade, ao término do relato, o outro parecia bastante sério, tendo abandonado o cigarro de maconha em favor de um pacote de balas de goma e uma expressão pensativa no rosto.
– Quer? – ofereceu, dando de ombros frente à negativa recebida em resposta. – Bom que sobra mais para mim. Maconha me deixa numa larica de doce, vou te contar... Enfim. Que história engraçada, corujinha. Eu nunca ouvi falar de nada do tipo dessas magias, porque isso é coisa do demo, sabe? Mas eu conheço umas técnicas para fechar a mente, então eu talvez possa ajudar você... Por um preço, claro.
O sorriso que Jongin lhe deu não era nada além de lascivo e Kyungsoo chegou a se perguntar se era tarde demais para dar para trás. Decidiu que era; quem está na chuva é pra se molhar, não é mesmo?
– Ah... – começou, se sentindo muito, muito pequeno. – Quanto você quer?
– Vamos dizer que eu não trabalho com dinheiro. – O garoto se recostou na parede, comendo jujubas como pipocas no intervalo entre as palavras, e se nem aquilo conseguia deixá-lo menos sexy, Kyungsoo duvidava que houvesse qualquer coisa no mundo que fosse consegui-lo. – Você me chamou pelo meu nome, corujinha: Jongin. Só que eu não saio divulgando meu nome de nascença a torto e a direito por aí; a maior parte das pessoas me conhece como Kai. – Ele se inclinou na direção de Kyungsoo, o sorriso ainda brincando nos lábios bonitos. – Quem te falou do meu verdadeiro nome?
Porra, Sehun.
– Um... amigo meu.
– Certo, certo – riu Jongin. – E esse amigo seu por acaso é aquela princesa de um metro e noventa de altura que está roendo as unhas olhando pra nós ali atrás?
Não era necessário virar a cabeça para saber a quem Jongin estava se referindo. Kyungsoo estava bem ciente de que não correto jogar os próprios amigos no fogo em benefício próprio daquele jeito, mas ao se lembrar de todas as vezes em que Sehun rira da sua desgraça, gabando-se de ter um coração de gelo que desconhecia a compaixão, ele decidiu que não se importava. Pimenta no olho dos outros era refresco e estava quente para caralho, afinal. Sorriu.
– Ele mesmo.
Jongin sorriu como o fazem as crianças que ganham o presente que pediram no natal.
– Ah, então a nossa situação aqui está bem fácil. Vou ajudar você, corujinha, com uma condição...
>><<
– Eu não acredito que você passou o meu número pra ele.
– Ué, Sehun, mas não era isso que você queria? Ia lamber o cara à distância até o último período da faculdade?
– VOCÊ PODIA TER ME AVISADO ANTES, PORRA!
– Para quê? A graça é a surpresa...
– Ele me mandou uma foto do pau dele no meio da aula de história da dança, Kyungsoo. Eu quase tive um ataque do coração!
– E você está reclamando? Eu estaria dando graças a Deus por um homão desses estar perdendo o tempo dele comigo!
– Mas é comigo que ele vai perder o tempo dele, ele não tá fazendo nenhuma caridade.
– Não, até porque quem fez a caridade foi eu, passando seu número para ele. Quando vocês estiverem transando, não se esqueça de me agradecer em seus pensamentos, viu?
– Ah, você é um traidor, não conversa mais comigo.
– Jongin tem razão, Sehun: você é uma princesa mesmo, viu?
– Vai se foder!
>><<
Sentado no meio de um círculo de velas cuja fumaça fedia a incenso, Kyungsoo não sabia muito bem o que esperar. Por intermédio de Sehun, cuja língua ultimamente passava mais tempo na garganta de Jongin do que em qualquer outro lugar – um alívio –, o garoto sabia que seria submetido a uma espécie de ritual e que era importante manter a mente aberta, pois Jongin levava sua religião muito a sério e não gostaria de ser zombado por ela, mas não sabia exatamente como esse ritual seria feito ou como aquilo o ajudaria em seu pequeno problema mental.
– É suposto essa fumaça ser uma desgraça psicodélica?
– É totalmente suposto essa fumaça ser uma desgraça psicodélica, corujinha – respondeu Jongin. – O que você está sentindo?
– Dor de cabeça. E... A sala está derretendo? – Kyungsoo piscou algumas vezes. – Muitas cores, estou desorientado.
– Ótimo, ótimo. Como eu já disse, eu não sei nada sobre essa coisa de ler mentes, mas na religião que eu pratico, nós fazemos rituais como esse para fechar nossa mente contra os estímulos do mundo. Isso nos ajuda a estar sempre calmos e a ficar imunes aos sentimentos do meio. – Jongin se sentou de pernas cruzadas frente a ele no meio do círculo. – As velas vão ajudar a gente nisso; elas são dilatadores mentais e vão tornar você mais consciente da sua mente como um músculo por um curto período de tempo. Não vão te fazer nenhum mal contanto que você faça tudo o que eu mandar, tudo bem?
– Tudo bem.
– Feche os olhos e não abra até que eu fale pra você fazer isso, tudo bem? Confie em mim.
– Qualquer pessoa que tenha coragem de beijar o Sehun não pode ser chamada de confiável – reclamou Kyungsoo, fechando os olhos mesmo assim; havia cores derretendo pela escuridão por trás das pálpebras e, sem o auxílio da visão, o garoto teve a impressão de que o mundo girava. Sentiu-se enjoado. – Mas tudo bem, vou te dar o benefício da dúvida.
– Não deixe meu mau gosto em termos de homem assustar você. Garanto que meu gosto para mulheres é bem melhor – riu Jongin. – Agora respire fundo e siga minhas instruções.
A primeira coisa que Kyungsoo foi ordenado a fazer foi respirar – primeiro profundamente, como quem medita, depois em intervalos curtos, como quem acaba de correr uma maratona. Desconectado da noção de tempo, Kyungsoo não fez mais nada pelo que pareceram ser horas, perdendo-se de todos os estímulos até que sobrassem apenas as cores escorrendo por sua visão, o som de sua respiração e o chiado em sua cabeça.
Jongin então ordenou, em um sussurro, que Kyungsoo se concentrasse nas cores e foi isso que ele fez, os sons de sua respiração suavizando-se gradualmente até que o mundo se resumisse a uma piscina psicodélica onde as vozes do entorno nadavam, assediando-o em seu baixo volume e freqüência constante.
– Agora – sussurrou Jongin novamente, sua voz vinda de muito longe. – Você vai se concentrar só no chiado. Só no chiado, hein?
E foi fácil; sua mente parecia colaborar com Kyungsoo, dobrando-se à sua vontade como um músculo. As cores pararam de escorrer, uma a uma, e de repente tudo o que existia era o garoto e o chiado, que deixou-se decompor nas várias vozes que o formavam. Pela primeira vez, Kyungsoo conseguiu ouvir o que elas diziam, todos aqueles homens e mulheres desconhecidos que o perseguiam todo o tempo ganhando uma individualidade que tornava difícil odiá-los.
– Kyungsoo. – A voz de Jongin era parte do meio, da bagunça de vozes, e Kyungsoo achou difícil se concentrar. – Agora você vai escolher uma voz. Só uma. E vai se concentrar nela, tudo bem?
E foi nesse ponto que todo o processo desandou de vez.
Kyungsoo foi traído pela própria mente, que, como que por vontade própria, mergulhou-se na única voz no meio do bolo que lhe oferecia alguma familiaridade; de repente, o garoto não estava mais sentado num círculo de velas aromáticas com Jongin à sua frente, e sim numa sala de aula, onde adolescentes da idade dele conversavam entre si e havia um menino sorrindo para si enquanto falava, gesticulando com animação:
– Você não vai acreditar na letra que eu compus ontem. Eu disse que nunca iria compor músicas de amor de novo, mas sei lá, a Taeyeon me faz ter essas vontades... Ficou muito linda, nós precisamos musicá-la já!
– Não vou gastar meus dedos e as cordas da minha guitarra caríssima pra musicar suas letras piegas de amor, Baekhyun – Kyungsoo se ouviu dizer, rindo. – Pede pra Lay. Tenho certeza que ela não vai se importar.
– Ela me chutou de casa ontem porque não me agüentava mais minha “chorumela”. Acho que não vai ter toda a sua boa vontade.
– Você conseguiu irritar a Lay. Meu Deus. O que é que você não dá conta de fazer, mesmo?
Baekhyun bufou.
– Musicar minhas próprias letras sozinho. É aí que você entra. Vou na sua casa hoje pra você me ajudar.
– Suas letras são horríveis. Eu já disse.
– Elas possuem uma poesia que você não compreende. O que é uma letra boa pra você, afinal?
– Batom cor de vinho chatô, lalalala, banho com bolhas de champagne, lalalala, o que eu posso fazer? EU GANHEI NA LOTERIA! LALALALA...
– Tá bom, tá bom, já entendi. Seu gosto musical é péssimo, sabia, Chanyeol?
Seu gosto musical é péssimo.
Chanyeol.
– KYUNGSOO!
Uma dor aguda no lado direito do rosto puxou Kyungsoo brutalmente para a realidade. De repente, não havia mais sala, nem Baekhyun; apenas um Jongin parecendo mortificado em um cômodo que não mais cheirava a incenso, todas as velas derrubadas no chão em meio a uma poça de água.
– O que... – Piscou ele, sentindo frio, percebendo que estava completamente encharcado. – O que aconteceu?
– Eu quase perdi você. Eu quase perdi você pra uma experiência dissociativa completa! – disse Jongin, a voz calma apesar da palidez da pele e da fina camada de suor que o cobria. – Kyungsoo, você não me disse que você tinha uma marca da alma-gêmea!
– Ah, como você...
Ele não precisou terminar a pergunta; ao descer os olhos para o próprio braço, Kyungsoo conseguiu ver a própria marca, tão inchada que nem mesmo a camada de maquiagem conseguia escondê-la.
– Almas-gêmeas possuem conexão mental, Kyungsoo! – ralhou Jongin, verdadeiramente irritado. – Geralmente é subconsciente, mas sua mente não é uma mente normal. Você tinha que ter me falado! Eu quase mato você!
Kyungsoo abriu a boca para argumentar, mas logo percebeu que não conseguia; estava completamente drenado. Com um suspiro, deixou-se deitar na poça de água gelada que cobria o chão, encarando o teto com olhos desfocados.
Chanyeol...
>><<
– Você é um mentiroso traidor – acusou Sehun, tão logo pregou a bunda na cadeira em frente a Kyungsoo na mesa. – Um mentiroso, traidor e um orgulhoso do caramba, ainda. Sabia disso?
Kyungsoo levantou os olhos da xícara de café para encará-lo com desinteresse.
Instrumentos de corda... Ai... Piano, violão, guitarra...
– Agora me conta alguma coisa que eu não sei.
– Vou esperar o Joonmyun chegar para ele me ajudar a xingar você com aquele tom de mãe coruja dele, mas, desde já, por que raios você não contou pra gente que você tem uma marca da alma-gêmea?
Jongin não tinha cara de fofoqueiro; uma prova de que as aparências podiam enganar, advertiu-se Kyungsoo.
Voz é um instrumento de corda?
– Por que eu não quis? A marca é minha, logo, eu saio divulgando ela pra quem eu bem entender.
– Temos uma criança irritada aqui hoje – intrometeu-se Joonmyun, bagunçando os cabelos de Kyungsoo ao passar e ocupar o espaço que faltava na mesa. Sorriu. – Não liga pro Sehun, ele não tem compaixão. Jongin disse que você ficou bem mal ontem depois do problema que aconteceu na aula, como está se sentindo agora?
O quão desagradável uma prova de teoria da música pode ser, hein? Só uma matéria dessas para transformar música numa coisa tão insuportável...
– Com uma dor de cabeça suportável, apesar de chata para caralho. O chiado na minha cabeça sumiu por enquanto, mas agora eu divido pensamentos com a minha alma-gêmea o tempo inteiro... Antes era só quando eu encostava na marca. Tem sido enlouquecedor. Queria o chiado de volta, honestamente.
Joonmyun franziu as sobrancelhas em preocupação.
Eu odeio esse professor, tomara que ele tropece numa pedra e caia com a cabeça na quina de qualquer coisa de concreto...
– Jongin não pode ajudar você com isso?
– Ele pode. – Kyungsoo provou do primeiro gole de café, docinho e quentinho, e degustou a sensação de relaxamento que o tomou por um curto momento. – Mas depois de ter deixado as broncas que a minha me dá no chinelo, ele disse que minha mente precisa de descansar por alguns dias antes de ele fazer qualquer outra coisa. Então vou ter que agüentar o tranco. – Aaaaah, que vontade de morrer com essa prova, pelo amor de Deus, quero comeeeeeeeeer... – Enfim, Joonmyun. Antes que vocês dois me xinguem por ter mentido, omitido, traído etcetera, que história é essa de que você está namorando? Não acredito que eu, seu melhor amigo, fiquei sabendo pelo facebook!
– É! – concordou Sehun, dando um soquinho na mesa. – Tô começando a sentir que preciso trocar de grupo de amigos, porque nesse aqui ninguém me conta porra nenhuma!
Joonmyun deu uma risadinha, bochechas ganhando tons avermelhados.
– Calma, eu contei para todo mundo que eu estou namorando, sim, mas deixei para os melhores amigos o benefício de saber com quem. – Ah, vou responder nada nessa questão. Foda-se. Vou no colegiado hoje trancar essa disciplina e é Deus na causa. – Bem. Tô namorando a Yixing. Você sabe quem é, não sabe, Sehun?
Sehun arregalou os olhos.
– Yixing? O veterano que me apadrinhou no primeiro período?
Será que se eu esticar o olho daqui eu consigo ver a resposta do Baekhyun?
– Não o Yixing, Sehun – corrigiu Joonmyun. – A Yixing. Ela começou a tomar os hormônios tem pouco tempo e, como ela não mudou o estilo das roupas, ainda não dá para notar direito que ela está no processo de transição. Mas sim. Ela mesma.
– Que mundo é esse em que eu vivia onde eu não tava sabendo que o... a Yixing era uma moça trans?
Olha, dá pra ver a resposta. Que delícia. Mas porra, precisava escrever uma bíblia dessas pra uma questão objetiva, Baek? Facilita pros coleiros aí, poxa.
– Eu não faço a menor idéia de quem seja essa pessoa – disse Kyungsoo, dando de ombros. – Mas aí, se ela tá te fazendo feliz, parabéns, Joon! Deus sabe o quanto terminar com o Jongdae acabou com você. Vê se faz o namoro durar, dessa vez, porque eu não tenho dinheiro para bancar sua sede por sorvete toda vez que você fica na fossa.
– E ela já escolheu um nome novo para usar? – Sehun perguntou, parecendo animado. – Yixing é um nome péssimo, convenhamos.
– Ela gosta que chamem ela de Lay, mas não se importa muito com Yixing. Eu queria apresentar ela pra vocês hoje, mas ela precisou de faltar, então fica pra amanhã, né?
NÃO ME DIGA QUE JÁ FALTAM CINCO MINUTOS PRA ENTREGAR AINDA FALTAM DUAS QUESTÕES O QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO MEU SENHOR JESUS
– Isso mesmo – concordou Sehun, fingindo um tom sonhador. – Não se esquece de trazer ela, é sempre bom para a gente conhecer um parzinho novo de almas gêmeas para reavivar nossa crença no amor puro e juvenil...
– Não seja desagradável, Sehun. – Joonmyun estava rindo, porém. – E falando em almas-gêmeas... – Ambos se viraram para encarar Kyungsoo. – O traidor ali tentou desviar o assunto da conversa, mas não pense que a gente se esqueceu... Por que você não contou para a gente?
AH EU SOU UM FRACASSO
– Por que eu queria me acostumar com a idéia de ter uma alma-gêmea antes de contar para vocês, porque eu tinha certeza de que, no momento em que eu contasse, vocês iam me atazanar para que eu fosse procurá-la.
Sehun levou uma mão ao peito, a expressão dolorida.
– Você faz muito pouco caso da gente.
– Claro que nós não vamos atazanar você para que você vá procurá-la. Você não consegue achar nem seus óculos quando acorda de manhã, vai por acaso achar uma alma-gêmea nesse mundão enorme aí? – riu Joonmyun. – Nós vamos é procurá-la pra você. E vamos achá-la, é claro.
E acabou. Minha vida se vai junto com essa prova. Adeus, mundo. Adeus, alma-gêmea que nunca conhecerei. Adeus, Baekhyun. Adeus, Yoora.
– Não, nem pensem nisso. – Kyungsoo balançou a cabeça em negativa. – Já não basta ouvir essa praga na minha cabeça o tempo inteiro, não quero conhecê-lo pessoalmente, também.
– Kyungsoo, não estamos pedindo sua opinião. Anda logo, desembucha. – Sehun exibiu seu melhor sorriso maníaco. – Vai ser melhor se você não resistir. Desembucha, você tá lendo a mente dele esse tempo todo, então deve saber de alguma coisa pra ajudar a gente.
Sou um cadáver. Uma casca vazia. Minha vida perdeu o sentido...
Kyungsoo suspirou, cansado e com a cabeça demasiado cheia para começar qualquer discussão.
– O nome dele é Chanyeol. Ele parece novo e mexe com música. Toca guitarra e ao que parece compõe letras também. Ele é dramático. – Sorriu para si mesmo. – Tem péssimo gosto musical. Ele acabou de ir muito, muito mal numa prova de teoria da música e está desejando estar morto dentro da minha cabeça. Tem um amigo que está sempre com ele, Baekhyun e um cachorro, Toben. Ele tem os sonhos mais doidos que eu já tive o desprazer de sonhar.
Sehun apoiou o rosto nas bochechas e suspirou.
– Awwwwwwnnnnn, Joonmyun – cantarolou, sorrindo como um idiota. – Você tá vendo isso? Tá vendo o jeito que ele fala do garoto? Isso é amor jovem, meu caro. Que gracinha...
Kyungsoo sentiu o calor subir às bochechas contra a própria vontade e, mortificado demais de vergonha, não disse nada. Sehun, notando que tinha encontrado um ponto fraco, preparou-se para fazer mais algum comentário cruel, mas Joonmyun – salvador dos fracos e oprimidos, amém, amém –, apiedando-se do amigo, intrometeu-se na frente, sorrindo de um jeito verdadeiramente satisfeito.
– Ah, Kyungsoo, não precisa se preocupar – tranqüilizou-o. – Nós vamos achá-lo. Pode dormir tranqüilo.
Ah. Uma coxinha! O que eu fiz para merecer Byun Baekhyun de amigo mesmo?
Kyungsoo tinha certeza de que tranqüilo era a última coisa que ele se sentiria ao dormir.
>><<
Suho: Kyungsoo, preciso que voce venha aqui no bloco B pra gente conversar
Suho: temos algumas novidades sobre a busca da sua metade chupada da laranja, acho que você vai querer saber
Dyo: O que te faz pensar que eu vou matar minha aula de linguagem pra encontrar você no bloco B agora?
Suho: eu te pago uma coxinha
Dyo: você não pode me comprar usando comida
Suho: coxinha de catupiry?
Dyo: hmm
Dyo: só se você me pagar uma coca junto
Suho: isso já está ficando abusivo já, não acha?
Dyo: se eu vou matar a melhor aula desse período
Dyo: não vai ser por mixaria, desculpa
Suho: tá, eu pago, mas vem logo
Suho: eu tenho que me livrar do meu professor aqui também, te encontro em frente à cantina em cinco minutos
Kyungsoo suspirou ao bloquear o telefone, levantar-se e abandonar a sala. Ainda não eram oito e meia da noite, horário onde os intervalos costumavam coincidir, e os corredores estavam, em sua maior parte, desertos. O que seria tão urgente para que Joonmyun, sabendo o quanto Kyungsoo odiava perder matéria, o tirasse da sala no meio de uma aula? Ele já demonstrara diversas vezes o total desinteresse que tinha pela busca empreendida por seus amigos atrás de sua alma-gêmea desde que ela começara, vinte e quatro horas antes, mas o garoto os conhecia a tempo o suficiente para saber que, quando Joonmyun e Sehun decidiam algo juntos, não havia nada que pudesse pará-los.
Quem são essas pessoas? Socorro, o que eu fiz? O que eles querem comigo?
Pouco mais de dois minutos separavam a sala de Kyungsoo da cantina do bloco B, vazia quando ele chegou, nenhum sinal de Joonmyun à vista. Começando a sentir que estava sendo feito de idiota, escolheu um dos bancos e se sentou, checando as horas no relógio e decidindo que, caso o outro não aparecesse em cinco minutos, voltaria à sala para assistir o resto da aula. Era ridículo que Joonmyun tivesse se dado ao trabalho de suborná-lo com um lanche completo para no fim nem se dar ao trabalho de aparecer, mas quem era Kyungsoo para discutir? Estava cercado de doidos, afinal.
Meninos estranhos. Me pedem pra entregar uma papel pra uma pessoa que eu nem conheço porque estão ocupados, qual é o sentido? Baixinho com olhos esbugalhados é uma ótima referência, também, né. Como vou achar essa criatura?
Batendo os pés no chão em ritmo cadenciado, Kyungsoo enviou uma mensagem para Joonmyun, perguntando sobre seu paradeiro, e recebeu como resposta um vácuo de respeito, com dois vezinhos azuis e tudo. O que estava acontecendo, afinal? Xingando o amigo mentalmente, Kyungsoo endireitou o corpo bem a tempo de ver um menino alto e comprido entrar na cantina, virando a cabeça como quem procura alguém, e no momento em que seus olhares se cruzaram, ele sorriu, caminhando em sua direção.
Ah. Isso até que foi fácil. Socorro, ele é muito bonitinho. Chanyeol, vê se não passa vergonha, vê se não passa vergonha, é só entregar um papel...
Kyungsoo se sentiu congelar. Que Sehun não tinha compaixão e que Joonmyun, maternal o quanto fosse, possuía em si uma veia sádica era verdade e todos sabiam, mas aquilo, aquilo era tortura. Não podia ser verdade. Seus amigos não poderiam ter feito aquilo com ele, poderiam?
O garoto parou em frente a Kyungsoo no banco e sorriu.
– Me pediram pra entregar isso para você – disse ele, coçando a nuca ao entregar-lhe um bilhetinho de papel. – Disseram que era de máxima importância.
Kyungsoo tremeu ao pegar o bilhete e quase o deixou cair três vezes antes de consegui abri-lo; havia uma diversidade de emojis, provavelmente desenhados por Sehun, a emoldurar a frase “vê se não fode com tudo, vai que é tua, campeão”, escrita com a caligrafia inconfundível de Joonmyun. E era isso: seus amigos tinham armado para ele para fazê-lo se envergonhar na frente da própria alma-gêmea da pior maneira possível e isso, claro, porque eram seus amigos.
Quem precisava de inimigos, afinal?
Ele é muito fofo. Socorro. Será que eu já posso ir embora antes que eu passe vergonha? Ele parece nervoso...
– Chanyeol? – perguntou Kyungsoo após um longo minuto, apenas por desencarde de consciência; poderia haver duas pessoas com a voz praticamente idêntica nesse mundo, não é mesmo? É claro que poderia.
Ué.
O garoto tombou a cabeça para o lado, franzindo as sobrancelhas.
– Eu conheço você?
– Não, mas... – Levantou o braço esquerdo, e mais do que ver a reação de Chanyeol, Kyungsoo a sentiu. Cada gota de pânico, cada assomo de euforia, cada partícula de insegurança, tudo; inundado pelo maremoto de sentimentos, o garoto precisou de um momento para se lembrar de como respirar. – Eu acho que eu sou sua alma-gêmea. Kyungsoo. Prazer.
Os pensamentos de Chanyeol eram uma bagunça tão incoerente que Kyungsoo não se deu ao trabalho de tentar compreendê-los; ao invés, apenas esperou, por durante um tempo que poderiam ter sido alguns minutos ou algumas horas, por qualquer reação. Sentia-se nervoso, suando frio com o passar dos segundos, sem saber exatamente o que esperar: ser a alma-gêmea de alguém não significava nada além de uma maior compatibilidade genética. Quantos casos existiam de homens gays cujas almas-gêmeas eram mulheres, de pessoas que nunca encontravam suas almas-gêmeas e que construíam vidas ao lado de outras pessoas, de pessoas que encontravam suas almas-gêmeas e no fim descobriam que aqueles relacionamentos não se sustentavam?
Chanyeol podia perfeitamente decidir virar as costas e ir embora e Kyungsoo, que vinha sendo obrigado a ouvi-lo sonhar, cantar, rir, gritar e que tinha de alguma forma se afeiçoado aquilo tudo, teria que lidar com a perda do seu próprio jeito. Ele não estranharia se sua alma-gêmea tomasse aquele tipo de decisão; sabia que não era o mais bonito, o mais inteligente ou o mais agradável. Não era rico, nem tinha grandes qualidades que o diferenciassem; era muito mais fácil para si pensar nos próprios defeitos.
E assim, afundado como estava na própria insegurança, o garoto não prestou atenção no momento em que os pensamentos de Chanyeol se clarearam, indicando sua decisão; ao sentir dedos que não eram os seus tocarem a tatuagem, contornando-a com toda a gentileza do mundo, Kyungsoo se viu mortificado, e não apenas de surpresa. De repente, sua mente estava silenciosa mais uma vez, da mesma maneira que ele a experimentara durante os últimos dezoito anos, e Chanyeol sorria para ele, evitando encará-lo nos olhos, parecendo tão fofo que Kyungsoo sentiu vontade de se esconder de vergonha.
– O prazer é todo meu... Eu acho.
>><<
OhSehun: então, ces já transaram? já compraram as alianças? quando é o casamento?
OhSehun: se eu não for padrinho, cabou amizade
Dyo: não conversa comigo, to puto com vocês
Suho: ignora o Sehun, Kyungsoo. Como foi? Chanyeol é muito lindinho, aquele cabelo cacheado dele é um amor
Suho: ele parece um filhotinho, é bem sua alma-gêmea mesmo
Dyo: eu já mandei ces pararem de falar comigo
Dyo: estou puto com vocês e estou puto MESMO
Dyo: custava ter me avisado, porra?
OhSehun: nós queríamos ver você sofrer, então sim, custava
OhSehun: qual a graça de avisar pra você que a gente vai te jogar numa situação constrangedora?
OhSehun: agradece que nós achamos sua alma-gêmea pra você e transa bastante, quem sabe assim esse seu mau humor passa
[Dyo saiu do grupo]
[Suho adicionou Dyo ao grupo]
[Dyo saiu do grupo]
[Suho adicionou Dyo ao grupo]
[Dyo saiu do grupo]
OhSehun: ... ops
>><<
JongKai: pelo amor desse Deus que tu acredita aí, desbloqueia o Sehun no whatsapp
JongKai: a princesa não para de me encher o saco por sua causa, to começando a ficar preocupado
Dyo: foda-se, ele merece sofrer
Dyo: ele e aquele farsante do Joonmyun, são duas najas
JongKai: e qual a novidade?
JongKai: a princesa me contou da armação que eles fizeram pra tu e pra tua alma-gêmea
JongKai: deu tudo certinho?
Dyo: dentro do possível com eu e ele morrendo de vergonha, sim
Dyo: inclusive, quando ele encostou na minha marca, minha mente esvaziou completamente, foi bem bom
Dyo: agora eu voltei a ouvir aquele mesmo chiado de antes, alegria de pobre dura pouco mesmo né
JongKai: bom você me contar isso, vai me ajudar a planejar nossa próxima aula
JongKai: terça que vem, né?
Dyo: sim, sim
JongKai: olha, não que eu esteja defendendo a princesa só porque ele faz um oral ótimo
Dyo: ... eu não precisava saber
JongKai: ou porque eu pretendo pedir ele em namoro esse final de semana, nem nada
JongKai: mas tipo, ele fez isso pra te ajudar, mesmo que de um jeito bem distorcido
JongKai: vê se não tortura ele por muito tempo, minha vida sexual agradece
Dyo: Sehun sabe que você chama ele de princesa quando ele não está vendo?
JongKai: ah, ele gosta
Dyo: hehehehehe
JongKai: mas não conta pra ele que eu te contei isso
JongKai: terça-feira que vem, hein?
>><<
PCYeol: oi
PCYeol: desculpa por ter reagido daquele jeito ontem
PCYeol: eu fiquei totalmente sem saber o que fazer, eu não esperava encontrar você tão cedo
PCYeol: aí minha cabeça meio que deu um curto e eu saí correndo
PCYeol: aquele seu amigo, Joonmyun, me passou seu número, espero não estar incomodando
PCYeol: eu não sei se acredito nessa coisa de almas-gêmeas assim, do nada
PCYeol: mas eu adoraria que a gente pudesse se conhecer melhor
PCYeol: eu to falando nonsense, né?
PCYeol: ai me desculpa
Dyo: calma, calma
Dyo: eu não fiquei bravo
Dyo: não com você, pelo menos
Dyo: eu também fui pego de surpresa
Dyo: e eu também adoraria que a gente pudesse se conhecer melhor
Dyo: essa coisa de alma-gêmea assusta muito
Dyo: a gente pode começar a se apresentando, o que você acha?
>><<
PCYeol: Kyungsoo, eu acabei de compor uma música
PCYeol: você quer ouvir?
Dyo: claro, você tem ótimas músicas
PCYeol: e como você sabe?
Dyo: ...
PCYeol: acho que não quero saber kkkkk
PCYeol: a pessoa que está cantando é o Baekhyun
PCYeol: ele pediu pra dizer que, se ele fosse gay, você faria o tipo dele
Dyo: é um elogio?
PCYeol: não mesmo, ele tem mau gosto pra tudo na vida
PCYeol: é otário mas é meu amigo, né, fazer o quê?
Dyo: amizades a gente não escolhe
Dyo: se escolhesse, eu com certeza não teria Joonmyun e Sehun como amigos
Dyo: os traíras
PCYeol: gosto do Joonmyun, ele me viu na merda por sua causa e me passou seu número
PCYeol: um cara do bem, bem apessoado
Dyo: ele já te conhecia?
Dyo: tipo, eu falei de você pra eles num dia, no outro eles já tinham te achado
Dyo: fiquei super ué
PCYeol: bem, eu não o conhecia, mas já tinha ouvido falar dele
PCYeol: por causa da Lay
PCYeol: ela mora com o Baekhyun, então a gente acaba ficando sabendo
PCYeol: e como assim, falou de mim? Como você podia saber de mim? Eu não sabia nada de você
Dyo: ai, caralho
Dyo: te conto outra hora, tudo bem?
Dyo: me manda a música
Dyo: ce tá me enrolando
PCYeol: tava esperando Baekhyun parar de se gabar aqui pra poder gravar
[arquivo de áudio: 3min56s]
Dyo: uau, Baekhyun canta para caramba, mesmo
Dyo: ele pode se gabar
PCYeol: só isso que você tem a dizer né
PCYeol: você é cruel
Dyo: hahaha
Dyo: a música é linda
Dyo: a letra também, aposto que foi você que compôs
Dyo: já estou cantarolando
PCYeol: cantarola pra mim
Dyo: vai sonhando
PCYeol: maldoso
PCYeol: sim, fui eu que compus a letra
PCYeol: pensando em um certo alguém
Dyo: não imagino quem seja
PCYeol: aposto que não
PCYeol: SEU CÍNICO
>><<
PCYeol: Soo
PCYeol: eu sei que você está online
PCYeol: não me dê um vácuo ou eu choro de rejeição
Dyo: você é dramático demais pra uma pessoa tão alta
PCYeol: isso é puro preconceito com a minha altura
Dyo: eu, como um ser que não conseguiu passar de 1,70, me sinto oprimido
PCYeol: que chato
PCYeol: Soo
PCYeol: minha marca tem coçado, sabe
PCYeol: muito, e toda vez que eu vou coçar, eu quase choro de dor
Dyo: eu sei, eu tenho sentido
PCYeol: a sua tem coçado também?
Dyo: sim, mas minha mãe tem uma pomada
Dyo: que ela me emprestou
Dyo: aí eu nem sinto nada
PCYeol: me passa o nome depois pra eu poder comprar
Dyo: claro, claro
PCYeol: Soo
Dyo: oi
PCYeol: como você sabia sobre mim antes de a gente se conhecer?
PCYeol: você prometeu contar
Dyo: ai, cacete
Dyo: tá, eu conto
Dyo: mas você tem que prometer que não vai ficar bravo comigo
Dyo: e que não vai rir na minha cara
PCYeol: tá, tudo bem
PCYeol: estou pronto
Dyo: então, tudo começou no meu aniversário de dezoito anos...
>><<
Dyo: você sabia que dar vácuo nas pessoas
Dyo: principalmente depois de você ter me prometido que não ia ficar com raiva
Dyo: é bem mal educado?
Dyo: ouvi essa música na faculdade e lembrei de você
[arquivo de áudio: 1min48s]
Dyo: nossa, que saco, Chanyeol, eu não pedi pra ler sua mente tá
Dyo: eu te detestava no começo
Dyo: mas aí o tempo foi passando e eu fui me apegando, sabe
Dyo: eu tenho tido aulas com o Jongin para controlar esse “poder”
Dyo: não vou ler sua mente
Dyo: mas você bem que podia me responder, né?
Dyo: tá, tudo bem, já entendi o recado
Dyo: se você não quiser mais conversar comigo por causa disso, eu entendo
Dyo: mas para de machucar sua marca de propósito, por favor
Dyo: me machuca também
PCYeol: desculpe por isso
PCYeol: vem aqui em casa na sexta-feira
PCYeol: vamos assistir um filme
PCYeol: e conversar
>><<
Ao parar e bater na porta do apartamento de Chanyeol, Kyungsoo não tinha vergonha nenhuma de admitir para si mesmo que nunca estivera tão nervoso em toda a sua vida. Já fazia mais de um mês que ambos tinham se visto na cantina da faculdade e, desde então, não haviam se encontrado pessoalmente nem uma única vez. Chanyeol saía pela defensiva em todas as vezes em que a idéia era mencionada e Kyungsoo achara melhor não pressioná-lo; ao invés, tinha se contentado com as conversas via aplicativo, com os áudios freqüentes que Chanyeol mandava de si e de suas músicas, com as indiretas que ele fingia não notar.
Não era do feitio de Kyungsoo deixar que as pessoas o dominassem daquela maneira – ele era a pessoa que ditava a música, não quem se adaptava ao ritmo de outra pessoa –, mas, àquela altura, ele sabia que faria qualquer coisa que Chanyeol quisesse apenas para deixá-lo mais confortável. Era uma vulnerabilidade completamente nova com a qual ele não sabia lidar.
E agora, depois de dois dias sendo visualizado e ignorado na cara dura, ali estava ele, na casa de Chanyeol, por uma iniciativa que não tinha sido sua. Ele só esperava não ferrar tudo – de novo.
– Soo – disse Chanyeol, ao abrir a porta, um segundo antes de se jogar com tudo em cima de Kyungsoo num abraço de urso. – Desculpa ter ignorado você, desculpa, desculpa, desculpa, eu fiquei sem saber o que fazer, eu tava muito envergonhado pensando nas coisas que você tinha lido e eu fui um idiota e a Lay e o Baekhyun fizeram complô pra me xingar horrores e...
Foi como se um peso de uma tonelada tivesse sido retirado dos ombros de Kyungsoo; qual era o motivo para nervosismo mesmo? Recuperando o controle sobre si mesmo, ele respirou profundamente e levantou os braços para abraçar Chanyeol de volta, ignorando o incômodo nas costas pelo fato de o peso do garoto estar quase o dobrando ao meio. Valia a pena.
– Ei. Não precisa se desculpar comigo não, calma, eu também ficaria assustado caso alguém me contasse uma coisa daquelas. Calma.
– Eu... Fiquei tão nervoso! – choramingou Chanyeol, largando-o para lhe dar um sorriso envergonhado. – Com você aqui hoje, eu tentei cozinhar, mas eu queimei o macarrão, então eu encomendei pizza, espero que você goste.
Kyungsoo sorriu.
– Pizza parece ótimo para mim.
– Você é um amor. Vem, vem, entra, não vou ficar te prendendo aqui na porta, eu tentei arrumar a casa, também, mas eu quebrei dois copos e resolvi deixar para lá. Tenta não reparar na bagunça. O Luhan vai me matar quando descobrir sobre os copos, mas tudo bem, vou deixar para me importar com ele depois. – Chanyeol respirou fundo. – Não vou deixar o Luhan atrapalhar minha noite. Não vou.
– Fale para o Luhan que eu compro copos novos para ele, já que, teoricamente, a causa de você tê-los quebrado foi eu.
Chanyeol ficou vermelho como um tomate.
– Soo!
– Ué, mas não foi? Espera, espera, não responde. Me deixe acreditar. – Chanyeol riu para ele e Kyungsoo não conseguiu evitar rir de volta. – Achei que eu finalmente conheceria o chinês assassino. Você fala bastante dele.
– Ah, ele quase nunca está aqui nos finais de semana. Diz ele que por causa de trabalhos de faculdade, mas na verdade, ele está namorando meu ex-namorado e não tem coragem de me dizer. Ele ainda não percebeu que ele é péssimo pra guardar segredos, então eu finjo que não sei, mas, tipo assim, todo mundo sabe.
– E isso não incomoda você?
Chanyeol conduziu Kyungsoo até a cozinha e o fez sentar em uma cadeira enquanto tirava a pizza do forno e a dispunha em cima da mesa para que ambos pudessem comer.
– Ele namorar meu ex? Não. Até porque o Minseok foi meu primeiro namorado e isso faz, sei lá, uns cinco anos. E nós não duramos nem um mês. Não é como se ele fosse o amor da minha vida nem nada do tipo. Mas Luhan parece não saber dessa parte, então eu deixo ele fingir que guarda segredo de mim e está tudo certo. Eu tenho minha própria vida amorosa para cuidar, agora. – Ele encarou Kyungsoo nos olhos ao dizer isso, seu sorriso brincando entre o genuinamente feliz e o insinuativo, e o garoto se sentiu quente. Sobreviver àquela noite seria difícil. – Pedi pizza de frango com catupiry porque, segundo a Lay, todo mundo gosta de frango com catupiry.
– Minha mãe sempre me dizia que eu não era todo mundo.
– Ah, não acredito que...
– Mas eu gosto de frango com catupiry – interrompeu-o Kyungsoo, rindo da cara indignada de Chanyeol. – Desculpa, é irresistível fazer hora com a sua cara. Você tem as melhores reações. E a sua expressão é a mesma que eu imaginava nas conversas pelo whatsapp.
– Que expressão você imaginava?
Ele se inclinou para cutucar Chanyeol no nariz, sorrindo ao vê-lo corar até a raiz dos cabelos.
– Uma expressão fofa assim.
– Você é cruel.
– Sempre.
E eles comeram. A pizza estava gostosa, mas diante da conversa, se tornou uma coadjuvante bem pobre; Kyungsoo mal prestou atenção ao sabor enquanto observava Chanyeol dominar o diálogo com seus enormes monólogos sobre sua vida, sobre suas composições, sobre como conhecera Baekhyun no ensino médio, sobre tudo. Ele tinha um jeito engraçado de gesticular quando se empolgava a respeito de algo, uma inocência que contrastava com os olhares que ele enviava a Kyungsoo quando percebia estar sendo observado com intensidade demais.
Uma hora de conversas na cozinha depois, Chanyeol sugeriu que fossem para a sala assistir um filme, e foi o que eles tentaram fazer, sem sucesso. Chanyeol sentou-se no tapete, Kyungsoo se deitou com a cabeça em seu colo e assim, com ambos se encarando na meia-luz da sala, que chance teria o filme de angariar qualquer partícula de atenção? Nenhuma. Por um longo tempo, nenhum dos dois disse nada e, quando o olhar de Kyungsoo pareceu se tornar impossível de sustentar, Chanyeol abandonou-o para tomar o braço do outro entre suas mãos, observando a tatuagem ali gravada por um instante.
– Ela é muito bonita – disse, traçando as linhas cuidadosamente com a ponta dos dedos, despertando sensações muito mais fortes do que aquelas experimentadas um mês antes; além de alívio e de uma imensa paz mental, Kyungsoo sentiu seu corpo despertar, hiperconsciente dos instantes onde as peles se tocavam, provocando pequenas ondas de prazer. Era confortável e sensual ao mesmo tempo. – Tudo bem que eu tenho uma igualzinha, mas ela fica bem mais bonita em você.
– É por que eu sou lindo.
– É mesmo. – Havia fervor na afirmação; Kyungsoo se sentiu quente. – Eu pensei isso na primeira vez que eu te vi, lá na cantina. E em todas as vezes que eu stalkeei suas redes sociais nesse último mês também. Você sacaneia ao mundo ao não ter um instagram, sabia?
– Não gosto de tirar fotos.
– É uma pena.
Silêncio.
– Quando a gente aprende sobre essas coisas de alma-gêmea na escola – começou Kyungsoo, alguns minutos de filme que ninguém prestou atenção depois, levantando-se para sentar-se de frente para Chanyeol em seu colo –, é uma coisa meio estranha, sabe, porque você fica pensando: como uma marca vai definir minha vida desse jeito? As marcas são raras e todo mundo conhece casos onde elas mais foderam tudo ao invés de ajudar alguma coisa. Eu tive esse medo. E quando eu percebi que eu podia ler sua mente, era pior ainda. Fico feliz pelo Jongin estar conseguindo me ensinar a me controlar, mas não me arrependo, também. Se eu não tivesse lido sua mente, a gente teria demorado muito mais tempo para se encontrar. Talvez nem tivéssemos nos encontrado. Que tristeza seria, não?
Chanyeol parecia meio sem fôlego.
– É... é verdade.
Kyungsoo deu uma risadinha, pegando o braço direito de Chanyeol para ver a marca, realmente idêntica à sua própria, admirando-a com toques de pluma.
– Você estava errado. Ela fica muito mais bonita em você, acredite em mim.
Havia uma idéia em sua cabeça e, em um instante, Kyungsoo decidiu que valia a pena tentar; mantendo o braço do outro firme entre suas mãos, abaixou a cabeça para beijar a marca, cobrindo-a de selinhos rápidos. Chanyeol ofegou e, considerando essa resposta positiva, Kyungsoo arrastou a língua pelas linhas da marca com toda a calma do mundo, arrancando do outro um gemido que fez seu corpo inteiro ferver.
Kyungsoo logo aprendeu que Chanyeol era uma pessoa bastante vocal e decidiu que gostava disso – de vê-lo gemer ao menor estímulo, respirando rápido, ruborizado até onde a pele do pescoço desaparecia por debaixo da blusa. Era excitante testar toques diferentes, registrando as reações que conseguia; um pequeno grito ao deixar-lhe um chupão em cima da marca, um choramingo ao aplicar-lhe um chupão na pele do pescoço, um suspiro ao beijar-lhe lábios. Gemidos abafados ao aprofundar o beijo, risadinhas ao tirar sua a blusa, contorceres de corpo ao rebolar sobre a ereção na qual se sentava. Era excitante, sim, e para os dois, na medida em que a marca proporcionava-lhes a experiência de compartilharem das sensações um do outro.
Se sentindo como um adolescente desesperado, Kyungsoo não demorou muito tempo para atingir um estado crítico de excitação, Chanyeol se agarrando a ele no chão da sala, respirando rápido, arranhando-lhe as costas todas como forma de descarregar a pressão que sentia. Era estranho masturbar outra pessoa que não ele mesmo, mas num bom sentido; vendo as expressões que Chanyeol fazia, o jeito como ele gemia, totalmente entregue ao momento, Kyungsoo concluiu que não se importaria de fazer aquilo de novo. Várias vezes. Pra sempre, de preferência.
Uma vez terminados, ambos permaneceram abraçados, um bolinho de membros no chão da sala enquanto suas respirações se regulavam. Não era assim que Kyungsoo imaginara que a noite fosse acabar, mas sob todas as perspectivas, tinha terminado com um lucro de cem por cento. Nada para reclamar. Nada mesmo.
– Eu sei que a gente meio que fodeu a ordem das coisas... – começou Kyungsoo, sorrindo ao ver Chanyeol dar uma risadinha contente. – Mas eu gostaria bastante que você fosse meu namorado a partir de agora.
– É mesmo?
– Sim, sim. É um negócio bem vantajoso. Eu sei cozinhar e eu posso ler a sua mente para adivinhar as coisas que você gosta.
– Olha, isso parece bom.
– E o pacote inclui beijos de brinde.
– Hmm, tentador.
– Aceita logo, ô criatura de Jesus!
Ambos riram.
– Ah... – Chanyeol fingiu pensar. – Tudo bem. Eu aceito, mas com uma condição.
– Eu to fazendo um plano especial pra ele e ele ainda quer enfiar condições no meio, vê se eu mereço...
– Canta pra mim?
Ele quis dizer não; mas Chanyeol fez aquela cara, aquela que o fazia parecer com um filhotinho de cachorro caído na mudança, e ele percebeu que talvez estivesse um pouco fodido, mas que também talvez, só talvez, isso fosse bom, para variar.
E Kyungsoo cantou.
–
Notas finais: Eu meio que distorci o prompt, mas eu sou uma louca por soulmate!au que acha que não existem fics suficientes desse trope em português, então ou era isso ou eu nunca conseguiria entregar a fic a tempo kkkkk Espero que você goste de como eu a desenvolvi, prompter. Se vocês quiserem ler mais fics da minha pessoa, vocês me acham no Nyah. Caso não, a gente se vê por aí. Enjoy!
Descrição do plot: Kyungsoo estava bem com a adolescencia comum que levava, até completar dezoito anos e ganhar de presente o poder de ler mentes.
–
Comentar nas fanfics incentiva o autor e deixa seu amor espalhado por nosso projeto ❤️
FANFIC #22 - MANIFESTO DAS OPORTUNIDADES ROUBADAS (4/4)
Título: Manifesto das oportunidades roubadas
Número: #113
Couple: XiuSoo
Classificação: +18
Contagem de palavras: 6.524
Avisos: Violência, tortura, linguagem imprópria
Sinopse: "Quero que você questione, que fale, que não ignore o que ouve, que não seja covarde, que não reproduza comportamentos errados, que não se culpe pelo ódio de outras pessoas.
Não seja como eu, por favor, não seja".
4. Devolvam as oportunidade roubadas
Salve as mágoas e use seu perdão.
Só não esqueça de salvar seu coração.
“Kim Jongin foi o responsável pela rebelião que pôs fim ao período de repressão”. A fala tranquila do professor preenchia a sala de aula e nenhum aluno ousava atrapalhá-lo, por mais que fosse certo que nem todos ali nutriam grande gosto por história, mas o respeitavam e naquela aula específica se encontravam atônitos pela a enxurrada de informações despejadas de uma única vez em suas cabeças juvenis. “Ele, em conjunto a cerca de dez grupos refugiados pôs fim o regime judiciário opressor que durou aproximadamente duas décadas. Sua manifestação final foi chamada de...”
"Marcha dos roubados". A garota o interrompeu para respondê-lo, mesmo que na verdade o professor não tenha lhe feito nenhuma pergunta propriamente dita. O sorriso doce que recebeu em troca a atingiu com um golpe de satisfação isso!! Acertei.
"Muito bem Yerim". Yixing disse. Na verdade, já esperava que em algum momento daquela aula a garota viesse a se manifestar e o orgulho presente em sua voz ao completar a explicação do professor, já resumia todo o principal sentido daquela aula. "O que mais você sabe sobre Kim Jongin?"
O que ela sabia? Um brilho de excitação acendeu em seu olhar. Ajeitou sua postura antes de encontrar palavras que fossem tão bonitas quanto aquela pessoa sobre a qual estava prestes a falar.
"Ele organizou a manifestação e também foi um dos únicos sobreviventes. Passou por muitas coisas e aguentou tudo porque sempre teve esperanças. Até hoje ele recebe convites pra contar sua história nos lugares, porque ninguém, nunca mesmo pode esquecer daquilo que aconteceu" Os colegas de classe olharam sem entender como Yerim, tão repentinamente, sabia tanto daquela matéria que nunca tinham estudado. "Mas ultimamente" Ela acrescentou. "Tem sentindo muito dor na coluna e por isso não tem saído tanto de casa".
O professor assentiu com a cabeça rindo baixinho pela última frase, querendo por um segundo abraçá-la. Aquela criança viveria, cresceria, num mundo muito melhor e mais justo e apesar dá pouca idade, já parecia entender que pessoas inocentes foram sacrificadas para que ele se tornasse o lugar mais acolhedor que era hoje. "Eu espero que a coluna do seu avô melhore logo".
Kim jongin adotou muitas crianças quando as coisas começaram a se ajeitar, retirou das ruas e de lares violentos. As acolheu de braços abertos, assim como tinha sido acolhido no passado. E por pensar em passado, Yixing lembrou que precisava tocar em mais um ponto antes de encerrar a aula e se despedir de seus alunos.
"E sobre Do Kyungsoo, você já ouviu falar?"
Yerim apoiou o lápis com força na mesa, pensativa.
Seu avô não lhe contava muitas coisas sobre aquela época, ainda que sempre tenha sido muito claro sobre como tudo era difícil e que apesar de dolorido era preciso ser lembrado, não lhe contava detalhes. Mas sabia que em algum momento a garota seria inteligente o bastante para descobrir por conta própria a história toda e assim, encaixar as peças soltas que seu avô já tinha lhe dado. Foi então que recobrou de suas conversas e de que sim, se lembrava desse nome. Era ele, ela tinha certeza, o homem que salvou os refugiados.
"Professor, Do Kyungsoo foi a pessoa mais corajosa que meu avô conheceu."
◈ ◈ ◈
As palavras mais duras que escutei durante toda a minha vida não foram as de desprezo do meu pai, nem as que integravam notícias agressivas na tv ou na internet ou aquelas de quem era conivente com a onda de preconceito que se abateu sobre nossas cabeças. As piores, as que mais faziam minha cicatriz aberta se alastrar eram as otimistas, as que diziam que tudo ficaria bem, e que de modo inconsciente conduziram pessoas como eu a um estado de inércia.
Estive parado por todo esse tempo na esperança de que algo melhorasse, esperando que alguém fizesse algo. Apenas esperando. Porque alguém me disse que tudo não passava de uma situação transitória, fruto de um sistema desgastado e cheio de furos nos quais pessoas mal-intencionadas, cheias de ódio e descriminação penetraram, mas que sozinhas não poderiam de forma tão drástica o rumo das coisas e não poderiam alterar a vida de outras pessoas.
Eu acreditei que se ficasse parado o dia inteiro dentro de casa, as coisas que aconteciam do lado de fora não poderiam me atingir, porque a vida no conforto da minha cama, engolindo o que me era oferecido goela a baixo era mais fácil. Nela não existiam pais que me odiavam, nem hematomas das surras que certa vez levei na escola, nela eu estava protegido de opiniões erradas ditas em voz a alta durante as aulas da faculdade, dos homens ruins que poderiam sem motivo nenhum me espancar enquanto eu andasse na rua.
Mas aquela casa que me era tão cara e significava tanto, não me impediu de chegar ao ponto que cheguei. A cama, o sofá, a tv, minha coleção de cactos, os livros, os filmes que assistia abraçado pelo conforto do meu cobertor, não impediram que pessoas continuassem a apanhar nas ruas, que discursos de ódio seguissem seu caminho até os ouvidos de crianças e adolescentes influenciáveis, não pararam o curso de balas, não calaram a boca do preconceito, não impediram que outros jovens fossem expulsos de casa. A minha comodidade e conformidade não foram o bastante, nenhuma delas impediu que Minseok saísse naquele dia e eu sei que também não vão trazê-lo de volta.
Se pessoas como eu tivessem se juntado a pessoas como Min naquela época, pessoas como Jongin sofreriam tanto hoje? Não teríamos vencido aquela primeira luta enquanto ainda existiam armas justas? Enquanto palavras apenas, e não violência, eram o suficiente para mudar o mundo que vivíamos?
Por isso, me escute, você deve falar, apenas fale! Porque eu nunca falei e agora estou sufocado. Não feche seus olhos, não tampe seus ouvidos. Sei o que você sente, porque eu senti a mesma coisa anos atrás e senti outras repetidas vezes ao ver os que eu amava escapando diante dos meus olhos, porque eu nunca fui capaz, nem quis enxergar ou ouvir.
Eu preciso que de alguma forma isso pare, mas eu sou impotente sozinho, sou impotente porque não querem que eu tenha força, mas você talvez tenha. Daqui algumas horas ele vai partir como Minseok fez, ele e os que preferiram escutar sua coragem ao invés da minha covardia. Ele talvez tenha te dado a força que me tanto me falta, eu espero que o futuro se modifique por conta de sua coragem.
Ele não vai ser o próximo Minseok, nenhum deles vai ser.
Sei que estou mais uma vez me apegando a palavras de otimismo, é também por culpa delas que estou aqui, mas são tudo me resta enquanto estou parado vendo cada um deles se afastar. No momento em que escrevo, em algum lugar próximo daqui eles juntam armas, separam comida e dentro de pouco tempo sei que terei que fazer uma escolha, a mesma de quando Minseok me deixou para seguir seu rastro de bravura.
Quero que ele se orgulhe de mim. Eu só queria que ele se orgulhasse de mim.
–
Notas finais: -
Descrição do plot: AU! onde a homossexualidade começa a ser proibida e caçada. Xiumin e Kyungsoo tentam sobreviver juntos enquanto veem seus amigos sendo levados. Angst.
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FANFIC #22 - MANIFESTO DAS OPORTUNIDADES ROUBADAS (3/4)
Título: Manifesto das oportunidades roubadas
Número: #113
Couple: XiuSoo
Classificação: +18
Contagem de palavras: 6.524
Avisos: Violência, tortura, linguagem imprópria
Sinopse: "Quero que você questione, que fale, que não ignore o que ouve, que não seja covarde, que não reproduza comportamentos errados, que não se culpe pelo ódio de outras pessoas.
Não seja como eu, por favor, não seja".
3. Eu te deixo ir para o fim do mundo
Contento-me com palavras vazias, se estiver ao meu lado,
Mesmo que lute para ir embora,
Pode permanecer mais um pouco?
Eu juro, só mais um segundo
Eu logo o deixarei ir para o fim do mundo.
(Tháiza Vitória)
Jongin não tinha a intenção de fazer nada pelas costas de Kyungsoo, mas estavam ali a quase seis meses. Os dois sabiam que era tempo demais e que poderiam ser descobertos a qualquer minuto. E as demais pessoas que ali se abrigavam, confiavam nele mais do que em si mesmas, muito mais do que em Kyungsoo, e isso, de certa forma, o machucava. Sabia que ele era alguém ranzinza e pouco tragável na maioria das vezes, mas o respeitava e seria grato até o fim por tê-lo encontrado em seu caminho, quando era só mais um pivete de 16 anos, sozinho num mundo cheio de violência e com valores distorcidos.
De todo jeito, ele, diferente de Kyungsoo, tinha sido criado nesse sistema opressivo. Ninguém nunca tinha lhe narrado sobre como era viver em um ambiente diferente daquele, até ter sido resgatado pelo mais velho da sarjeta onde vivia fugindo de policiais e militares pelas ruas violentas da cidade. Foi ele quem lhe contou sobre Minseok, sobre como antes eram livres para sair e visitar todo tipo de lugar, de como eram capacitados para exercer qualquer tipo de emprego e do fácil acesso à educação.
Por mais que em todas as ocasiões, onde decidia tocar no assunto “passado”, acabasse por se diminuir, dizendo coisas como: eu era um grande idiota e não fui capaz de aproveitar as oportunidades que tive, ou, eu não passava de uma criança medrosa. Ainda assim, Jongin o admirava.
Não ligava para o fato de não ter sido um militante, nem se importava pelo tempo que levou para tomar ciência da gravidade daquela situação. Já tinha suportado muitas coisas e o fato de não ter apanhado na rua como ele, ou seus amigos do passado, não significava não ter suportado algum tipo de sofrimento. Admirava justamente essa capacidade que tinha de carregar tão bem sua própria dor.
Se não fosse por ele, não seria nem metade da pessoa que era agora. Kyungsoo estendeu sua mão para muitas pessoas naqueles últimos anos. Cuidou de adolescentes perdidos como ele, os criou de baixo de suas asas como se fossem entes de sua família, tomou cuidado para que não os faltasse comida e conforto na medida do que lhe era permitido, sempre buscando abrigos que fossem seguros, longe da crueldade dos policiais.
Mas adolescentes também crescem, se tornam adultos e pensam por conta própria. Jongin gostaria de ter lhe avisado daquelas correspondências, de que tinha encontrado outro grupo de refugiados e de que juntos em breve pretendiam se reunir e realizar o seu grande ato de coragem. Precisava apenas de um pouco de sinceridade e então, não teria aquele olhar decepcionado enfrentando seu rosto.
“Quando pretendia me avisar? Ia sair escondido durante a noite? Ou sei lá, quando eu não estivesse te vigiando? ”. Jongin sentiu seus dedos tremerem ao passo que seus olhos se encheram de lágrimas. “Porque é exatamente isso que estou fazendo, te vigiando, mas eu não sou idiota a ponto de achar que vou te impedir. É disso que tem medo? ”
Negou veementemente com a cabeça enquanto tentava encontrar as palavras que precisava para aquela conversa, não queria fugir, o que de fato queria era fazer mais do que apenas se esconder e permanecer em silêncio. “Escute, eu sou realmente grato por tudo o que fez por mim até agora”.
“Nem pense em me pedir desculpas”. Por um momento, a imagem clara de Minseok se materializou na mente de Kyungsoo, tentando acalmá-lo depois de ter deixado seu corpo, sua alma e seu coração em pedaços.
“Eu não vou”. Prometeu. “Mas eu quero que me ouça”.
Não obteve nem um tipo de resposta. O mais velho não queria ouvi-lo porque inconscientemente já sabia exatamente cada palavra prestes a sair de sua boca, mas Jongin entendeu o silencio como um ato de consentimento e deu início ao que considera sua libertação.
“Tive que viver sozinho a maior parte da minha vida porque induziram meu pai e minha mãe a acreditar que tinham um filho defeituoso. Era só eu, pessoas me espancando quase que diariamente e o mundo que não tinha pena de ninguém.
Você apareceu como um sonho bom, pela primeira vez eu pude ser uma criança assustada porque sabia que então teria alguém em algum lugar para me proteger, mas sabe, eu não sou perfeito, não sei ficar quieto e parado enquanto vejo crianças, como um dia eu já fui, envelhecendo a cada hora dez semanas, pela forma cruel com que são tratadas. Eu odeio eles, odeio esses caras fardados, odeio aqueles malditos nos julgando de forma injusta”.
“Por favor, não sinta raiva” Se agarrou aos ombros do amigo enquanto o corpo era tomado pela força do choro “Eu vou voltar, então as coisas vão ser melhores”.
Kyungoo não encontrou forças para o abraçar de volta.
Você não vai voltar Jongin,
Ninguém volta.
◈ ◈ ◈
De todas as brigas que enfrentamos juntos, de todas as discussões que aprendemos a superar, nenhuma foi tão capaz de me destruir como a aquela, de quando Minseok disse pela primeira vez que se envergonhava de quem eu era, do que havia me tornado ao longo dos anos, ainda que de forma implícita.
Eu precisei de alguns minutos para processar o que era me dito. Tempo em que permaneci parado, congelado no impacto daquele desfecho, vendo-o se afastar, pegar a chaves do carro e sair pela porta.
“Eu te amo Soo, mas você é covarde e eu não sou desse jeito, não posso mais fingir que sou assim”.
Me envergonhei de não segui-lo naquele caminho, mas aquilo, aquela luta, não parecia ser minha naquela época. As coisas que escutávamos nas ruas não tinham me machucado tão fortemente ainda. Fomos tolhidos da liberdade, da dignidade, mas de qualquer jeito, na minha cabeça, tais circunstâncias conseguiam ser melhores que apanhar sem motivo de policiais ao sair de casa. Éramos minoria e nas condições em que vivíamos eu não queria ser notado, era benéfico que não fosse, porque isso significaria uma dor maior, seria uma extensão da minha ferida inicial que eu não acreditava estar pronto para suportar.
Mas Minseok estava certo em dizer que era diferente de mim. Enquanto eu permanecia trancado dentro de casa, ele sempre foi quem lutou pelas coisas. Deu seu melhor como filho, como aluno e continuou dando tudo de si para ser um bom professor, até que decidissem que não era um exemplo a ser seguido ou quem sabe, um inseto a ser exterminado.
Ele lutou com tanta força para que aquelas crianças não fossem influenciadas, batalhou tanto para que eu não sofresse, mesmo quando eu já era um adulto, preguiçoso e acomodado. E tudo que dei em troca foi um rosto banhado em lágrimas.
Eu tinha tanto para falar. Que o amava, que era grato por ter me dado abrigo, me emprestado sua própria casa quando eu não tinha lugar algum para ir, por sempre ter sido meu melhor amigo; que nada no mundo se compararia ao conforto de seu abraço e a felicidade que eu só senti ao observar seu sorriso, que eu gostaria de um dia ser capaz de retribuir as palavras doces, o curativo que por tanto tempo estancou minha ferida. No entanto, eu tranquei tudo dentro de mim.
Não esperava que daquela vez ele se cansasse, que vinha por tanto tempo acumulando aquela coragem toda e estava a ponto de externá-la. Gostaria de ter pedido que ficasse, mas hoje eu sei, eu não poderia pará-lo. Ninguém para um corpo com sede da busca por justiça.
Naquela noite, em alguma avenida movimentada se deu início a primeira grande tentativa de rebelião, ao primeiro manifesto para que reparassem os erros, excessos e injustiças cometidas.
Fracassaram.
Minseok tinha coragem, mas eles possuíam artilharia e coletes blindados com ódio.
Eu esperei aquela noite inteira acordado. O noticiário exibia informações distorcidas, falavam sobre manifestações violentas, sobre o uso de armas, sobre vidros quebrados. Eu sabia que aquilo não passava de uma invenção tendenciosa. Mas parado sentado no sofá velho daquela sala, o que eu poderia fazer? O que você faria?
Nada. Eu não fiz nada.
Nem por Minseok que tanto tinha feito pelo meu bem-estar, nem por mim mesmo, ainda que doesse a ponto de me fazer pensar em desaparecer por ser tão impotente e fraco. Porque eu não sou um herói, eu não sou como ele, que enfrentou de cabeça erguida um batalhão de militares e policias armados apenas com a roupa do corpo como escudo.
Eu sou covarde, eu escrevo porque não tenho mais vergonha de admiti-lo, mas espero que de algum modo você não seja assim, eu vou orar se for preciso, para que não seja. Porque ele não voltou e eu espero sempre que você consiga voltar para o conforto da sua casa. Outros milhares, como Minseok, espalhados naquela manifestação não regressaram.
Esperei a noite virar dia, o dia se multiplicar em semanas, que se tornaram meses, reproduzidos em anos, mas ele nunca voltou, mesmo depois de me prometer que voltaria.
FANFIC #22 - MANIFESTO DAS OPORTUNIDADES ROUBADAS (2/4)
Título: Manifesto das oportunidades roubadas
Número: #113
Couple: XiuSoo
Classificação: +18
Contagem de palavras: 6.524
Avisos: Violência, tortura, linguagem imprópria
Sinopse: "Quero que você questione, que fale, que não ignore o que ouve, que não seja covarde, que não reproduza comportamentos errados, que não se culpe pelo ódio de outras pessoas.
Não seja como eu, por favor, não seja".
2. Da presunção da culpa
Salve seu remorso e suas lágrimas
Para o dia em que não haverá água para limpar seu rosto.
(Tháiza Vitória)
Ele não queria morrer daquele jeito, em situações tão sub-humanas, tratado como um animal.
Certa vez Kyungsoo lhe dissera que era corajoso demais para sua própria saúde, mas naquele momento não se poderia encontrar coragem em nenhuma parte de seu corpo. Encontrava-se congelado pelo medo do que estava por vir, mesmo ardendo em febre. Temia tanto e sabia que não existia mais nenhum meio de evitar aquele fim. Seu pavor tinha tomado uma proporção tão grande que já não era capaz de responder àquilo que vivia naturalmente.
Não encontrou força para gritar, por mais que desejasse muito implorar por ajuda. Nem voz. Nem choro.
Pela manhã tentara pela última vez escapar daquele lugar, arranhando as paredes até sentir as unhas descolarem e fazer sangrar as pontas dos dedos, mas o concreto continuou intacto. Viu Baekhyun desmoronar tossindo sangue logo em seguida e não encontrou fôlego para emitir qualquer tipo de ruído, porém se tivesse o encontrado, sabia que ninguém viria em seu auxílio. Aquilo era uma prisão, não uma pousada, muito menos um hospital.
Tinham inserido o vírus do medo naqueles que em algum momento possuíram coragem suficiente para enfrentá-los, injetaram aquele ódio em suas veias e os enfiaram numa cela. Chamavam aquilo de a praga gay e castigo de Deus como há tantos anos atrás.
Regrediram tanto, em tão pouco tempo e aquele retrocesso estava a ponto de matá-lo.
Seu corpo estava em chamas e seu organismo ameaçava sucumbir. Aquilo não era justo. Olhar para o corpo sem vida de Baekhyun e não possuir força para sequer derramar alguma lágrima não era justo. Era apenas um ano mais velho que Kyungsoo e lembrar-se disso o despedaçava. Pensava nos sonhos não realizados, nas ambições, nos arrependimentos e nas oportunidades que nunca teria.
Aquele era mais um cadáver, logo ele próprio seria apenas mais um cadáver, em que lugar do mundo aquilo era suposto ser justo?
Arrastou-se até o corpo do companheiro de cela e segurou a mão gelada com os dedos trêmulos. Tudo que desejou naquele momento foi a segurança de Kyungsoo, que estivesse em uma situação melhor que a sua, saudável e não padecendo por alguma doença oportunista se aproveitando de um sistema imunológico indefeso. Pensou em todo o tempo que perderia, em todos os momentos que não viveria ao lado do amigo e homem que amava.
Estava com medo, mas talvez tudo ficasse bem, contanto que Kyungsoo sobrevivesse de algum modo. Contanto que ele estivesse seguro.
Foi acometido por fortes convulsões, que gradativamente passaram a suaves solavancos do corpo tubérculo até irem embora, junto das memórias, dos sofrimentos, da consciência e da vida de Minseok.
◈ ◈ ◈
Os beijos de Minseok não apenas me tiravam o fôlego, mas também me injetavam alegria. Seus lábios tinham gosto de felicidade e proliferavam apenas coisas boas. Poderia ter perdido todo ar, toda a minha vida neles e no final talvez seja esse o meu destino, porque ao findar de cada dia ainda espero sentir o sabor amável em minha boca, pois durante a noite, quando tenho pesadelos, acordo deles ansiando pelo ar que ele, e só ele, deveria me roubar. Minseok, e não um bando de pessoas protestando sob uma máscara pacifica, impondo com orgulho cartazes com palavras de ódio, como se o ato de odiar fosse algo de que se pode ter orgulho e o que denominavam como protesto fosse legítimo.
No início era a divergência entre moral e religião. As pessoas empunhavam firme bandeiras e cartazes disputando entre si quem gritava mais e eu nunca tive a intenção de fazer parte de nada daquilo. Pintar meu rosto e sair pelas ruas ou tentar fazer com que pessoas religiosas me aceitassem pelo o que eu era. Não fui capaz de enfrentar a rejeição dos meus pais na adolescência, por que enfrentaria a rejeição de milhares de pessoas desconhecidas?
Eram imbecis fanáticos e pessoas assim sempre existiram.
A diferença, é que tinham começado a sair de suas casas para disseminar seu ódio, porque encontraram pessoas que se identificaram com o desprezo que nutriam e por algum motivo absurdo ninguém fez nada, absolutamente nada, para pará-los enquanto havia tempo.
Páginas com conteúdo homofóbico começaram a se multiplicar pela internet sobre o falso pretexto da liberdade de expressão, e os confrontos que antes apenas causavam algum desconforto por palavras de preconceito e discussões acaloradas, começaram a ser marcados por violência gratuita. O mundo virtual nunca esteve tão presente no nosso mundo real quanto naqueles primeiros meses de repressão.
Os assassinos virtuais como costumávamos chamá-los, marcavam seus atos de agressão e eram aplaudidos por usarem mascaras e se esconderem covardemente. Inicialmente eram casos isolados, pessoas isoladas, mas gradativamente seus aliados ficaram a cada dia mais numerosos e suas ações antes programadas por mensagens privadas de repente tornaram-se grandes eventos divulgados abertamente para quem quisesse ver e para quem quisesse participar.
Eram aplaudidos pela coragem, como se coragem fosse sinônimo de violência, e significasse ser capaz de segurar uma arma e fazer com as próprias mãos o que se julga ser justo.
Eu nunca pensei que teria medo de assistir os noticiários. Antes os ignorava por achar que nada daquilo algum dia me afetaria, mas passei não apenas a assisti-los como a sentir medo, raiva e por vezes nojo pelo que transmitiam.
Sei que nada do que eu escreva será capaz de transpor o que eu senti, o que Minseok, o que todos nós sentimos naquele tempo, porque repito, ninguém tinha feito nada até aquele momento, mas fariam e fariam muito pior do que a simples omissão.
O que faz um Estado Democrático que não ajuda seu povo?
O que faz uma sociedade que não é capaz de conviver com as diferenças?
Transforma-se num sistema opressor cujo o único objetivo é destruir a minoria para que nunca se manifeste, para que nunca perceba os problemas, não questione, só fuja acuada e com medo.
Eu não pensei em nada disso. Eu só queria que meus amigos não apanhassem na rua, que eu conseguisse chegar seguro em casa depois da aula da faculdade, que Minseok estivesse em segurança. Foi então que passei a esconder quem eu era, que Min deixou de segurar minha mão quando estávamos juntos na rua e excluiu todas as nossas melhores lembranças das redes sociais.
Nós nos tornamos um ato atentatório a moral pública.
E nenhum dos três poderes veio ao nosso encontro.
Certa vez votamos por um governo que nos representasse, mas ele acabou nos diminuindo. Minseok adorava debater sobre política, eu odiava, porque neste assunto existiam divergências que as vezes cegavam as pessoas, era incômodo pensar sobre ele, sendo sincero ainda me sinto dessa forma em relação a isso. Mas o fato é que existia um legislativo composto por pessoas cheias de crenças e sem empatia, um executivo assistindo aos noticiários de braços cruzados e um judiciário tirano aplaudindo enquanto retiravam nossas vidas.
A política não passa de uma grande obrigação, não é uma esmola dada de vez em quando aos necessitados em situações especificas. Ela deveria visar o bem comum e não o bem de uma fatia determinada da sociedade. As pessoas escolhidas pela maioria, não governam apenas para os seus eleitores, governam para o povo.
Eu, assim como você, sou alguém dentro desse povo, mas se querem saber, hoje sei que nunca me senti representado e quando mais precisei de ajuda nada me foi dado, nada do que eu tinha por direito, nem mesmo qualquer tipo de esmola.
Quando começamos a morrer a mídia escondeu o número de perdas, por mais que as pessoas compartilhassem constantemente vídeos de integrantes da comunidade LGBT sendo espancados e torturados da pior forma possível. Era imoral falar sobre isso em rede nacional, não era bom falar sobre a verdade. E quando nos protestos a polícia pesava o poder de coerção contra os inocentes desarmados, realizando prisões indevidas, nada disso foi falado.
E de tais prisões ilegais, resultaram-se penas desproporcionais por parte de juízes, como reflexo de processos mal executados pelo anseio em dar uma resposta àquela parcela do povo que por algum motivo queria o nosso fim.
Park Chanyeol foi o primeiro caso notório de prisão por crime de homossexualidade.
Nós assistimos a todo o desenrolar do processo apreensivos. Minseok sempre mais otimista que eu, realmente acreditava que aquela seria a hora do Estado mostrar um pouco de sensatez contra a onda crescente de violência urbana no país. Era hora de colocar as coisas em seus devidos lugares, de fazer as pessoas entenderem que fazíamos parte da sociedade querendo elas ou não, que deveríamos ter nossos direitos básicos respeitados como qualquer outro ser humano, e que a política era feita para o povo sem discriminação, enquanto a religião era feita para quem escolhesse segui-la.
As coisas não deveriam se confundir. Minseok acreditou até o último momento, até o dia em que Park Chanyeol foi condenado, que as coisas tomariam um rumo diferente. No entanto, eles eram a maioria, gritavam sobre os seus dogmas preconceituosos com orgulho nas ruas, clamavam por uma justiça distorcida e foram atendidos, enquanto pessoas como nós, que lutaram por décadas e décadas, sofrendo uma dor que eles nunca sentiram, jamais foram escutadas em suas reinvindicações.
Para tempos excepcionais, medidas excepcionais.
Foi um dos argumentos utilizado pelo magistrado quando permitiu que Park aguardasse seu julgamento preso, mesmo que nunca tenha oferecido risco real a sociedade, o mesmo tipo de desculpa que passou a ser amplamente aceita e difundida pelos agentes do poder, que em algum lugar perdido do tempo, foi o responsável por fazer justiça.
Primeiro nos retiraram a segurança.
Depois, nos impossibilitaram de falar.
Em seguida nos trancafiaram sem motivo, por tempo indeterminado e sem prazo para volta.
O povo perdido no próprio sentimento de ódio, gritava alto. Se aproveitaram dessa ira para que se desse início a uma sucessão interminável de desrespeito aos preceitos mínimos de igualdade, a lei, e de uma longa lista de excessos de poder, de onde teve início uma tirania criada pelas mãos daqueles que vestiam toga, e que supostamente, carregavam nos dedos a balança da justiça e uma máscara falsa de imparcialidade.
No final do dia em que assistimos o que a tv quis nos mostrar do julgamento de Park, dormimos como presumidamente inocentes e acordamos no dia seguinte como presumidamente condenados, em um mundo muito pior do que qualquer ficção que eu já tenha lido ou assistido.
FANFIC #22 - MANIFESTO DAS OPORTUNIDADES ROUBADAS (1/4)
Título: Manifesto das oportunidades roubadas
Número: #113
Couple: XiuSoo
Classificação: +18
Contagem de palavras: 6.524
Avisos: Violência, tortura, linguagem imprópria
Sinopse: "Quero que você questione, que fale, que não ignore o que ouve, que não seja covarde, que não reproduza comportamentos errados, que não se culpe pelo ódio de outras pessoas.
Não seja como eu, por favor, não seja".
1. Questione. Por quê?
Salve seu adeus para um futuro próximo
Quando não haverá palavras para se despedir
(Tháiza Vitória)
“Os assassinos estão livres, nós não estamos”. A voz de Jongin reverberava enquanto declamava seu discurso ensaiado naquele palco improvisado. Eram duas da manhã e todos os presentes naquele velho galpão sabiam muito bem dos riscos que corriam ao se reunirem, fazendo tanto barulho naquela madrugada.
No dia anterior mais de cem pessoas foram presas após terem seu esconderijo delatado. Nada poderia lhes garantir que o deles não seria o próximo, não existia garantia para quase nada quando grandes movimentos pró justiça, se organizavam para a realização de operações que vinham sendo arquitetadas a meses. Era perigoso sair de onde estavam, mas também não era seguro permanecer parado por muito tempo em um único lugar. Jongin sabia disso muito bem e Kyungsoo realmente não conseguia entender o que pretendia incitando revolta nos refugiados.
Tentou muito pegar no sono e ignorar aquilo que o outro falava, mas sua voz era irritante e naquele momento gritava como se não temesse que os policiais que rondavam pela cidade pudessem encontrá-los.
“Pois você devia ter medo deles Kim”.
As cabeças que antes escutavam com atenção o que o companheiro de esconderijo falava, se voltaram para o responsável por estragar o clímax das palavras de incentivo, emitindo um muxoxo coletivo de desgosto.
“Medo é a única coisa que sentimos nos últimos meses Kyungsoo, e isso não nos levou a lugar nenhum até agora”.
Riu de um jeito exagerado como resposta, mas nada daquilo era engraçado. Enquanto sorria com desdém se lembrava de cada um dos amigos que saíram e nunca mais foram vistos, daqueles que desapareceram justamente por serem como Jongin, corajoso demais para sua própria segurança.
Aquilo era ele e seu espirito heroico, uma conduta egoísta e completamente individual que deveria ser isolada para preservação dos que conseguiram até o presente momento, escapar do horror que toda aquela perseguição significava.
“Então ande”. Ordenou. “Não temos dinheiro e falta comida, vai ser bom para todo mundo se você ir embora. Pegue essa sua coragem e dê o fora, que tal? Assim vai conseguir provar que pode ser herói por um dia e salvar todo mundo, isso, é claro se você voltar”.
Jongin abriu a boca, uma, duas, três vezes, mas Kyungsoo era o mais velho entre eles. No fim de qualquer discussão sua palavra era sempre a que prevalecia. Tinha perdido pessoas demais no meio do caminho, ainda doía na mesma intensidade e se pudesse, e sabia que de alguma forma podia, faria seu melhor para evitar futuras perdas.
◈ ◈ ◈
Eu era um jovem de 20 anos, uma criança de alma e alheio as crueldades do mundo. A indiferença que pairava em mim foi o fator determinante para me transformar no que sou agora, de maneira geral no que as pessoas são, por isso, se você está lendo minhas palavras, quero que pare e pense e diga a si mesmo que está fazendo alguma coisa para mudar o ambiente em que vive. Quero que levante de sua cama e pense no porquê de cada item pertencente a sequência do seu dia. Não me importo se sua rotina for sempre a mesma, se levanta e cedo e volta tarde, se trabalha em horário comercial ou faz estágio pela manhã, se só estuda, se cuida da casa enquanto seus pais se esforçam para te manter. Porque mesmo que sua vida seja monótona, você ainda é um indivíduo dentro de um sistema. Então, apenas me prometa agora que vai pensar na forma como age, em como anda na rua, se responde quando lhe desejam bom dia, se presta atenção nas coisas que escuta na sala de aula, no que lê, no que ouve de conversa no horário de almoço.
Questione. Por que?
Em seguida confronte o motivo.
Em terceiro conclua se aquilo que escuta e deixa passar, se as coisas que vê mas finge que não são com você poderiam arrancar a felicidade de alguém ou a possibilidade de uma vida diferente.
Eu já fui somente mais um indivíduo, parte de um sistema maior. Não costumava pensar sobre nada, sei muito bem sobre o que estou falando. Eu era um filho da puta preguiçoso aos vinte anos, uma criança mimada pelos pais que foi escorraçada para fora de casa por preferir beijar garotos. Não sabia viver sozinho e considerando minha atual situação continuo sem saber, contudo, naquela época ainda tinha uma escolha e optei por ser acomodado demais para sequer tentar. Mas, você que está lendo isso talvez um dia consiga e tenha clareza suficiente para prestar atenção naquilo que ocorre a sua volta, e não apenas para sobreviver no modo automático como um robô reproduzindo comportamentos errados.
Por favor, peço que leia o que tenho a contar. Eu preciso muito esclarecer algumas coisas.
Meu nome é Kyungsoo, um dia eu tive um sobrenome, mas ele, assim como boa parte da minha identidade foi arrancado de mim e já não acho que seja útil mencioná-lo.
Sempre precisei de um pouco de atenção. Agora mesmo, enquanto escrevo, vou mentir estar fazendo o bem para alguém daqui há alguns anos, mas sei que, se conto minha história agora, é porque tenho essa necessidade idiota de fazer a minha dor ser notada. Através dela espero sim que algo em algum lugar se transforme, mas no momento só desejo despejá-la para longe do meu corpo e sinto muito por fazer você de recipiente para ela, mas acredite quero que sinta em dobro por mim.
Essa dor de que falo sempre foi una e indivisível, embora tenha se classificado em um milhão de categorias diferentes ao longo da minha vida, eu sempre soube, ela foi originada de uma única ferida. Aquela que meu pai plantou no meio do meu peito quando eu tinha dezessete anos, a pele acnéica e uma coleção de revistas em quadrinhos.
Ele foi o responsável pelo pontapé inicial, mas antes dele, talvez meu avô o tenha ensinado a ser assim, que por sua vez deve ter refletido as condutas do meu bisavô, e dessa forma, o comportamento sempre esteve impregnado na árvore sem fim dos meus ascendentes.
No dia em que me expulsou de casa, papai disse que não me aceitaria, mesmo depois de ter me tolerado por pouco mais de 204 meses. Disse também algo sobre eu ser uma vergonha para sua família, mas sabe, a família dele também costumava ser a minha até poucas horas antes de, pela primeira vez na minha vida, ter sido sincero com as pessoas que eu mais amava. E nesse mesmo momento eu vi o amor e o carinho cultivados por 17 anos indo embora após alguns gritos que escutei calado.
Eu fui abraçado por Minseok depois disso. Ele foi a pessoa que me segurou apertado quando aquela ferida estava a ponto de me desmanchar. Se não fosse por seu apoio, eu não tenho dúvidas de que teria passado fome, de que teria dormido por algum tempo na rua, pois como sempre, era incapaz de sobreviver por conta própria.
O que preciso dizer a princípio é que ele me salvou de ter sido esmagado por essa dor, por mais que ela tivesse de vir à tona em outros momentos no futuro, ele foi o primeiro a segurar a minha mão quando estive sozinho.
Dividimos uma casa minúscula de poucos cômodos aos vinte anos, ele, naquela época, com 22. Antes disso seus pais haviam me concedido abrigo sem pedir absolutamente nada em troca. Teria me considerado da família, se isso não me lembrasse, que a que de fato me pertencia tinha me chutado para longe sem pensar duas vezes.
Minseok conseguiu um emprego, depois de ter terminado a faculdade, então saiu de casa e foi bondoso o bastante para me levar junto, bondoso o bastante para permitir que eu também tivesse a oportunidade de me dedicar aos estudos ao invés de trabalhar para ajudá-lo nas contas.
Estudava durante a noite e passava os dias analisando a poeira se juntando nos cantos da velha estante do Min, assistindo a reality shows ruins na tv ou cuidando da minha pequena coleção de cactos, que na verdade não exigiam cuidado nenhum. A louça sempre se acumulava com uma rapidez absurda, às vezes, as roupas chegavam ao ponto de transbordar do cesto da lavanderia. Eu não me mexia para praticamente nada.
Quando penso nisso, me questiono o que ele tinha mesmo na cabeça para conseguir me tolerar por tanto tempo. Eu era a espécie mais descartável de ser humano, e igual a mim, outros milhares de jovens permaneciam em suas casas, nas de outras pessoas bondosas como ele, ou andando com as cabeças baixas na tentativa de chamarem o mínimo possível de atenção, mas sem pensar no motivo de estarem se escondendo.
Eu não sabia dizer o porquê de meu allstar encardido ser mais bonito ou interessante que o olhar dos transeuntes do dia em que eu resolvia ou era obrigado a sair de casa, ou os das noites, encontrados nos corredores da faculdade. Eu não prestava atenção no que diziam as notícias do telejornal. Era difícil pensar, diria até que me era dolorido. Mas apesar disso, eu cursava Direito das 18:00 as 22:30 de segunda a sexta feira. Mesmo que doesse ouvir ou assistir certas coisas, eu fui imbecil o bastante para me forçar a estudar um mundo ideal que não existia, mas como tudo, eu empurrei aquilo de uma maneira que não pudesse me sufocar a ponto de gritar.
A primeira vez em que tive indícios de que as coisas transmitidas em veículos de comunicação também poderiam me atingir, foi depois de um dia de trabalho malsucedido de Minseok.
Ele dava aulas de história, e diferente de mim, questionava muito mais as coisas. Lidava com adolescentes, adultos em formação, uma formação da qual ele deveria fazer parte. Não é como se pudesse ignorar os pensamentos daqueles que ensinava ou ao menos tentava ensinar.
No início da tarde, chegou arrasado em nossa casa no intervalo de almoço. Tinha as mãos trêmulas e sua voz estava esganiçada pelo nervosismo. Me lembro perfeitamente, pois nunca tinha visto o sempre pacifista Minseok reter tanto ódio por qualquer pessoa. “Ele me disse que é errado culpar Hitler pelo holocausto, que sou hipócrita por fazer com que ele se pareça um monstro”.
Tratava-se de só mais um adolescente babaca fazendo babaquices, tentei tranquilizá-lo. Mas ele naquela ocasião estava tão transtornado, andando de um lado para outro, nem mesmo se deu ao trabalho de tocar em seu prato de comida.
“Você não está entendendo”.
“O que não estou entendendo Min? ” Inquiri, interiormente um pouco ressentido pelo tom de voz utilizado por ele. Pela primeira vez parecia que tinha se dado conta do quão acomodado e medíocre eu era. Me senti um pouco criança perto dele.
“Ele interrompeu a minha aula para defender Hitler, para dizer a um bando de adolescentes mal-educados e com preguiça de pensar por conta própria, que ele não era alguém ruim por odiar judeus, gays, ciganos ou comunistas, mas sim alguém corajoso o bastante para externar esse ódio que na verdade era também o ódio de outras pessoas”
“Hitler teve apoio dos alemães naquela época”.
“E isso não te assusta? ”
“Bem, não é que não assuste, pode ter me chocado quando escutei a respeito quando tinha 14 anos. Mas você leciona história, não é? Estudou alguns bons anos sobre esse tipo de coisa”.
Minseok sacudiu a cabeça como se eu não entendesse o que estava tentando dizer, e de fato não entendia, mesmo porque não estava lá naquele dia, naquela sala de aula. Mas agora, no fundo, eu sei. Acho que sempre soube, ainda que Min nunca tenha voltado a tocar naquele assunto, que os demais alunos ovacionaram aquele garoto e que seu tom de voz não era o de alguém que reprovava a fácil alienação dos alemães, mas sim, de quem os entendia, de quem também adoraria alguém como Hitler se tivesse a oportunidade.
Avisos: Linguagem imprópria, suicídio, violência, morte de personagem.
Sinopse: Kyungsoo tem o nome de sua alma gêmea arrancado de si de forma brutal. Entretanto, ele pouco se lembra de como aconteceu ou de quem é que estava ali antes. Durante quatro dias, a pergunta mais importante que ele deve responder é: o que é e o que não é real?
Na avenida, confetes e lágrimas de dor, um sorriso de enfeitar as mais belas alegorias. Pulsos devastados e amores frios e sozinhos. Ninguém repararia naquele detalhe escarlate que escorria entre os dedos de Kyungsoo, pelo contrário, disseram que a fantasia estava ótima, a maquiagem parecia verdadeira. Triste verdade, não? Mais antes fosse fantasia.
Entre os foliões, caminhou quase desacordado. Cortes e mais cortes dançavam em seus pulsos, jorrando e enfeitando o lugar por onde as pessoas passavam sambando. Não, não chegaria a morrer; mas passaria para dar um “oi” para a morte. Não seria a sua hora, mas acenaria e diria “não vai demorar”. Se a morte concordaria? Doces, ela até brindaria em prol da afirmação.
Alcançou o celular em seu bolso, já estando numa zona mais tranquila da avenida, e o visor se encheu de vermelho. Kyungsoo tentou discar o número da emergência, no terceiro toque o atenderam, mas ele não conseguiu dizer muita coisa.
— Me roubaram... — ele disse ao telefone, torcendo os lábios de dor. — M-Me roubaram... o nome dele. — Olhou para seus pulsos, não via nada além de sangue.
E ali mesmo, na Sapucaí, o corpo de Kyungsoo fez parte de um carnaval de almas infelizes.
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Deixou a pele branca e a voz junto aos confetes. As ataduras envolveram seus pulsos num abraço apertado e dolorido, a fim de os curarem para sempre. Kyungsoo não conseguia ver muito bem, mas a turva silhueta de alguém veio ao seu encontro e pousou a mão sobre seu ombro. Lhe dissera alguma coisa, ouvira, mas não entendia do que se tratava. Tornou a fechar seus olhos, em busca de um alívio para a paralisação que atormentava seus sonhos. Flashes rápidos e sem sentido rodopiaram em sua mente; acordou pouco depois.
Talvez fosse quase noite ou quase dia, o tempo estava fechado e não pôde saber. Deitado em frente à um céu feito de cinzas, com o seu redor branco, forçou a memória para tentar se lembrar de algo relevante e, instintivamente, tocou ambos os pulsos, rasurados.
Lágrimas deslizaram pelas manchas de sangue em seu rosto, sufocando um grito que pedia por ajuda. Tentou se levantar uma, duas, três, quatro vezes até que conseguiu se equilibrar. Vacilante, caminhou a passos curtos até a janela — não notara que era tão imensa —, tocou o vidro com as mãos trêmulas e viu que, lá em baixo, continuavam a festejar.
“O carnaval serve pra isso, Soo”, alguém dissera uma vez. “É um dia pra rir da própria desgraça”.
Quem dissera isso? A voz se assimilava com a vaga memória que tinha de um homem alto e de olhar opaco.
— Olhos de gota de chuva — se lembrou. — Não faz sentido! — esbravejou em seguida, batendo os punhos contra o vidro.
Deixou o peso do corpo vencer sua vontade de compreender qualquer coisa. Chorou, deixou tudo ir e esvaziar o coração, inundar as ruas do carnaval e se apagar no meio da mais clara escuridão que tivera. Talvez, de Kyungsoo, só restara o pó.
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“Não posso imaginar dia pior” Kyungsoo resmungou, da cozinha. “Por que não podemos ficar em casa, como da última vez?”, questionou. Batia dois ovos em um potinho vermelho e ainda lhe restara mais dois para caso tivesse vontade de jogá-los em Yifan.
“Há vida lá fora, sabia?”, brincou. “É um dia perfeito pra gente comemorar, Soo” insistiu, o abraçando por trás.
“Está nublado, Yifan” o lembrou, apontando para a janela. “Deve chover também. Não vamos aproveitar quase nada”.
“Confesse: adoraria pular carnaval na chuva” o provocou, apertando seu corpo, que parecia tão pequenininho diante do dele.
“Quem está querendo pegar uma gripe é você” Usou a colher de pau para bater em sua testa. “Nunca faz frio ou chove no Rio de Janeiro, e quando acontece, você quer me arrastar pra um bloco de carnaval”, indignado, Kyungsoo bufou de raiva e saiu do abraço de seu namorado para pegar a frigideira. “Por que não vai com o Leo? Ele gosta dessas coisas”.
“Não é o nome do Leo que está no meu pulso”, retrucou, bruscamente.
Kyungsoo se desocupou de seus afazeres apenas para ver os olhos opacos e descarados de Yifan. Era um truque baixo. Baixo demais, até para ele.
Acabou dando-se por vencido. Não tinha muito o que fazer, a julgar pelas opções. Se não fosse, iria ouvir reclamações até o próximo ano. Em qualquer conversa, ele acabaria revivendo aquele momento e diria “Quando eu pedi para ir comigo, você não quis” — e isso, com certeza, seria a justificativa que ele usaria para não ir ao mercado, fazer a compra do mês.
Desajeitado, e um pouquinho irritado, Kyungsoo disse: “Tá. Eu vou”. Yifan veio o abraçar com um sorriso enorme no rosto. Apertou pele e o pouco de sanidade que o outro ainda tinha. “Mas nem pense que eu vou fantasiado!”, estabeleceu, aconchegando-se melhor no seu abraço preferido.
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Deixaram as asas de um anjo largadas no meio da avenida. Podia vê-las da janela do quarto. Eram brancas, aprumadas, cheias de glitter e marcas de terra. Fazia pouco mais de um dia que elas estavam lá, o encarando desde que acordara de um sonho que, até então, não tinha certeza ser uma memória ou mais um evento que sua mente criara.
Algo o convidava para ir até lá. Mas, bem, não passavam de asas de plástico. Algum folião passou por ali e deixou suas asas no meio da zona, nada de tão interessante. Kyungsoo nem sabia como sair dali, aliás. Recebia comida, água e uma visita ou outra de alguma enfermeira que vinha ver como estava. Sabia onde estava, porém, não sabia como fora parar ali ou como sairia. Bem, provavelmente, teria alta assim que estivesse em condições suficientes para chamar um táxi ou enfrentar o ônibus lotado. O sonho dos justos.
Na maior parte do tempo, dormia ou ficava olhando o vazio. Sentia vontade de arrancar as ataduras de seus braços e descobrir o que acontecera, mas sentia medo também. Então esperava, pelo menos, até a hora de algum médico vir socorrê-lo de seus próprios demônios e contar-lhe o que acontecia.
E as asas, jogadas lá em baixo, continuavam a sussurrar um convite de fuga. Certo contra errado, numa confusão imensa dentro do seu coração e mente. Ambos não se entendiam, como de costume; e lá, faziam o próprio carnaval no interior de Kyungsoo. Desconfortável e barulhento. Nem mesmo toda a calma, tranquilidade e silêncio do hospital eram capazes de controlar a festa dentro de si. Festa, entre aspas, mais parecia um furacão.
Decidiu se aquietar com um livro. Vários estavam enfileirados numa estante pequena e branca no canto do quarto, quase ao lado da porta. Muitos títulos chamaram a sua atenção, pareciam interessantes e ótimos para passar seu tempo. Conseguiu começar a ler um por um, sem se prender à apenas uma estória — tinha a mania de começar um livro atrás do outro, dificilmente terminando de ler os anteriores. Colecionava estórias e guardava para depois. Às vezes, até sonhava com elas.
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A folia não estava tão ruim quanto imaginara, até que o primeiro tiro fora ouvido. Longe, mas, ao mesmo tempo, tão perto que lhe causou um arrepio terrível na espinha. Seus olhos foram rápidos na procura de Yifan; mas ele, que era um palmo mais alto que qualquer um ali, sumira de seu alcance. Desesperado e, principalmente, assustado, começou a gritar pelo nome do namorado, tentando ir contra a corrente de pessoas que estavam indo na direção contrária que ele. Aparentemente, só ele e mais alguns haviam ouvido o tiro. Mas, no segundo e no terceiro, toda a avenida parou, paralisada de medo. No quarto, todos começaram a correr.
Talvez uma manada de búfalos fosse bem mais dócil do que todas aquelas pessoas. Claro, num tiroteio, o que sobra é o que morre. Mas organização nunca é demais! Crianças e idosos estavam naquele meio — com certeza, àquela altura, estavam machucados. E ainda não havia encontrado Yifan, e sem ele não sairia dali. Mesmo que saíssem dentro dum caixão.
Não se importou de empurrar e passar, rudemente, entre as pessoas que continuavam a empatar seu caminho. Tem muita gente aqui, pensou, Onde aquele brutamontes se meteu? Um quinto e um sexto tiro foram ouvidos. Kyungsoo estremeceu quando, o grito de dor da pessoa que os levara, pareceu muito com a voz de Yifan.
Correu na direção do grito, sem se importar com merda nenhuma. Rezava para que não fosse Yifan; para que não visse seu corpo estirado no chão; para que não o visse sangrar; para que não tivesse que chorar.
Bom, a oração dele fora fraca demais.
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— Ninguém vai tirar aquilo dali? — perguntou, quase para o vento. As asas continuavam lá, no asfalto, tomando pó e sujeira. — Belo serviço público que a gente tem... — Encostou o corpo no vidro.
— Também me surpreendo por esse hospital ainda estar de pé — alguém disse. Kyungsoo virou-se para a sua direção, viu um homem que beirava seus quarenta anos, vestindo um jaleco quase que limpo e com os cabelos bagunçados. Trazia um carrinho de mão com uma bandeja cheia de coisinhas em cima. — É o dia de tirar essas coisas dos seus pulsos. Preparado? — Kyungsoo deu de ombros. — Certo...
O doutor o fez se sentar na cama e, com muito cuidado e delicadeza, retirou as ataduras que cobriam os seus pulsos. Preferiu fechar os olhos, por medo. E assim que o doutor terminara seu trabalho, pediu para que ele saísse e o deixasse só.
— Bom, se prefere fazer isso sozinho... — disse, um pouco sem graça. — Me avise, se precisar de ajuda. — Pegou seu carrinho e saiu, fechando bem a porta.
Ainda com os olhos fechados, virou os pulsos feridos para cima. E depois de longos instantes respirando e expirando fundo, abriu seus olhos.
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“Eu disse pra gente ficar em casa!” D.o gritou, aos prantos. “Merda, merda, merda...”.
Yifan soltou uma risadinha dolorida.
“Não adianta ter raiva agora...” tossiu, um filete de sangue deslizou queixo abaixo. “Nem depois”.
“Não ouse morrer, porra!” Kyungsoo voltou a gritar, mais bravo do que já estava. “Wu Yifan, você é a minha alma gêmea, portanto, tem a obrigação de morrer junto comigo, daqui setenta anos, numa cama bem quentinha e confortável” choramingou, segurando seu rosto. “Por favor, não me deixa...”
Com um pouco de esforço, entrelaçou seus dedos nos dele. Sangue com sangue. Tatuagem com tatuagem. Destino com destino.
“Eu amo você” o confessou, antes de partir.
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As asas ao relento chamavam por Kyungsoo porque eram de seu querido Yifan. Os olhos de gota de chuva, opacos e negros, apareciam em seus sonhos e o convidava para uma tal eternidade. E, reduzido à pó e ruínas, com seus pulsos massacrados e sem o nome do amante em nem um deles, decidiu acabar com seu cárcere na vida, para experimentar a liberdade que o aguardava, talvez, na morte.
Então, durante um pôr-do-sol nublado, D.o Kyungsoo livrou-se do resto de sua vida e, com um sorriso no rosto, jogou-se do terceiro andar. Onde abraçou, para sempre, as asas do anjo que o guardara.
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Notas finais: Se ficou confusa, desculpa. Sério. A fanfic foi inspirada na música "Mulher do Fim do Mundo", da Elza Soares. Quem quiser, recomendo muito.Obg por lerem ^^
Descrição do plot: Um AU em que as pessoas têm o nome da alma gêmea tatuada no pulso.
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Avisos: Insinuação de sexo, linguagem imprópria, nudez, sexo
Sinopse: Eu achava que o castigo por ter socado a cara de Kim Jongin fosse ser horrível, mas saiu melhor que o esperado… Tudo pelo camisa 10 do time, mas conhecido como Kim Minseok, meu primeiro e, até hoje, o único crush.
Ok, eu sou realmente um azarado.
Não totalmente, mas em partes.
Eu, Do Kyungsoo, sou apaixonado pelo Capitão do time de futebol da minha escola.
Mas não é o tipo de paixonite fofa, ou algo do tipo. Eu sou REALMENTE apaixonado pelo camisa 10 do time.
Kim Minseok, ou Xiumin como os mais próximos dele o chamam, é o melhor jogador do time, tendo sobre si várias garotas e garotos, entre eles, eu.
Mas eu não gosto dele por ele ser o foda do time, ou algo do tipo.
Eu gosto dele desde a primeira vez que o vi entrar pelos portões do colégio. Ele era um novato, mas que logo ficou muito popular por ser o calouro que entrou no time principal, e que em pouco tempo passou a ser o capitão do time.
Já eu... eu era popular também, só que em outra categoria.
Existem os populares bonitos, os estudiosos e os jogadores. Eu fazia parte de dois deles. Dos bonitos e estudiosos, porque eu sou sim bonito. Por mais CDF que eu seja, eu sou vaidoso também, talvez até demais. Mas eu adoro me cuidar.
Mas agora voltando pra parte em que eu sou azarado, eu vou explicar.
Bom, eu acabei me metendo numa briga com um dos meninos do grupo dos bonitos do colégio, Kim Jongin.
Sério... que cara chato e metido. Tá bom que ele é lindo para um caralho, mas menosprezar outras pessoas por não serem tão bonitas e dentro dos padrões impostos dentro daquele inferno que chamamos de colégio já é uma puta sacanagem, ainda mais quando a vítima é o meu melhor amigo Sehun.
Eu ainda acho que Jongin é afim do Sehun, porque não tem explicação ele pegar tanto no pé do Sehun, dando a desculpa de que Sehun é ridículo, sendo que Sehun é lindo até demais que nem eu aguento, tanto é que já nos pegamos algumas vezes e quando estamos carentes de sexo um ajuda o outro, nada sério. Ambos gostamos de pessoas diferentes e nossa amizade é maravilhosa.
Voltando...
Por conta disso e por eu ter deixado um roxo lindo no rostinho bonito dele e um corte no lábio inferior de Jongin, eu acabei recebendo um castigo de 1 mês que é, nada mais, nada menos QUE... limpar o vestiário masculino do pessoal do futebol.
Aí você deve estar pensando "Nossa, Kyungsoo! Que sorte, assim você vê o Minseok sem roupa".
Quem me dera...
Aquele lugar era horrível!! Um monte de homem pelado e fedendo a bicho morto, roupas sujas por todo canto, sangue no chão quando alguém se machucava, ou seja, sempre tinha sangue no chão, incrível.
Aí você se pergunta de novo "Mas e o Minseok?".
Então, caros amigos... o máximo do corpo que eu vi exposto do Minseok são os braços, cabeça e as pernas dele quando ele usa short, ele não toma banho enquanto tiver gente no vestiário, por isso ele é sempre o último a sair e eu tenho que ficar esperando a princesa ir embora pra cumprir meu castigo naquela sauna fedida.
Várias vezes eu já tive vontade de gritar com ele pra ele ir logo pra casa porque eu também tinha que ir, parecia de propósito isso, mas eu tinha que me controlar, afinal, era meu crush e eu não queria que ele tivesse uma má impressão de mim logo de cara.
Já trocamos algumas palavras graças a ele mesmo, que veio puxando assunto sobre eu gostar de futebol e eu disse que não era muito fã e depois foi bem estranho pois ele me jogou contra um dos armários do vestiário e ficou me encarando, indo embora depois.
Depois daquele dia eu tenho tido alguns sonhos meio obscenos com ele me prensando contra todos os cantos daquele vestiário e me...
- KYUNGSOO!!
- AI, CACETE! QUE FOI, SEHUN?
Acordei dos meus pensamentos impuros graças a um Sehun irritante gritando comigo, mereço.
- Você está secando o Minseok o jogo todo e nem disfarça. Ele já riu várias vezes dessa sua cara de zumbi.
- Ele viu???? Ai meu senhor, que vergonha!
Falei escondendo o rosto em minhas mãos.
- Viu e ficou encarando de volta, acho que você nem percebeu, estava no mundo da lua de novo. Por que não se assume logo e da pra ele? Você mesmo disse que ele já te jogou contra o armário do vestiário.
- Não fale essas coisas, Sehun! Sou um menino santo. Fora que... ele não gosta de mim da mesma forma que eu gosto dele.
- Santo... claro. Você já tentou por acaso? Não! Deixa de medo e pula nele, pronto. Ele é sempre o último a sair do vestiário mesmo.
- Eu não vou dar minha bunda num vestiário sujo e fedido, ainda mais na escola!
- Cara, você mora praticamente sozinho. Só não é totalmente sozinho por conta dos seus cachorros e seu gato. Leva ele pra sua casa, sei lá, já estão nisso desde o primeiro ano e já estamos terminando o segundo.
-Fala o cara que não admite que tem um abismo por Byun Baekhyun e Kim Jongin ao mesmo tempo.
- A questão aqui não sou eu, não venha mudar de assunto.
- Ah ta, ok.
Ri com a cara que Sehun fez e selei sua bochecha rapidamente, encostando minha cabeça em seu ombro, voltando a prestar atenção no jogo.
1299
- Sehun, já disse pela milésima vez. Minseok não gosta de mim desse jeito. Ele só me vê como o cara que limpa o vestiário masculino porque se meteu numa briga com Kim Jongin.
- Qual é, Soo! Ele te lança olhares tão intensos que parece te despir, chega me arrepiar.
- Me poupe, Oh Sehun. Agora, se me der licença, tenho um chão sujo de sangue e suor pra limpar antes de ir pra casa. Até amanhã.
Me despedi de Sehun com um abraço e peguei minha mochila, caminhando calmamente pro vestiário. Faltava só mais aquela semana pra acabar meu castigo e não podia estar mais feliz com isso.
Vi que não tinha mais ninguém no vestiário e deixei minhas coisas num armário que o diretor tinha disponibilizado pra mim naquele período em que iria realizar trabalho escravo.
Fui trocar minha roupa pra limpar aquele lugar, coloquei uma música qualquer nos meus fones e comecei a limpar o lugar, me assustando ao ver um Minseok só de toalha saindo de um dos chuveiros.
- Minha nossa... mas o que é que é isso, senhor?
Praticamente babava ao ver ele sem camisa. O corpo bem definido, e... puta merda, ele tinha uma tatuagem no peito e nas costas. Já podia sentir o ar me faltando e tentei disfarçar, voltando a limpar o chão como se não tivesse o percebido ali, tentando me concentrar na música que tocava em meus fones.
"Será que ele me viu? É óbvio que viu, né! Ai que vergonha meu senhor. Que caralhos ele faz aqui?", pensava comigo enquanto via ele se movendo com o canto dos meus olhos.
Ok, acho que meu coração vai parar.. o filho da mãe gostoso está me encarando e andando até mim.
O que fazer?
1ª Opção: Agir naturalmente.
2ª Opção: Ignorar ele.
3ª Opção: Sair correndo.
4ª Opção: Pular nele e...
- Kyungsoo?
Ai, cacete.
Ignora, Kyungsoo!!
- Kyungsoo!
Tirei os fones e olhei, agora já vestido, um Minseok perto demais de mim.
- E-eu...?
- Sim, você.
Respondeu dando aquele sorriso filho da puta que fazia com que eu suspirasse.
- O que tem eu?
- Acho que você não ouviu, mas eu perguntei o que ainda faz aqui? Seu mês de castigo já não acabou?
- Hã? Ah, não! Ele acaba essa semana. Por que?
- Por nada. Me desculpe por ainda estar aqui, é que eu pensei que você já tinha terminado o castigo e fiquei mais tempo que o comum.
- Não, está tudo bem, imagine!
Bem até demais, socorro.
- Bom, eu tenho que ir agora. Te vejo amanhã.
- Ah, ok... até amanh-...
O.Filho.Da.Puta.Apertou.Minha.Bunda.
Deus... isso é algum teste ou castigo? Ou eu estou sonhando?
NÃO É POSSÍVEL!!!
O cachorro ainda riu da minha reação.
- Qual é a tua, Minseok?
Ok, eu não deveria ter reproduzido meus pensamentos.
- Como assim? Eu não fiz nada!
- Ah, claro. Apertar minha bunda não é nada. Ok então.
Droga, se controla, Kyungsoo!
- O que? Isso?
ELE APERTOU DE NOVO! AH NÃO, PODE ISSO, PRODUÇÃO?
- Pare... sério.
OU EU NÃO ME RESPONSABILIZO POR MEUS ATOS!
- Ok, parei. Até amanhã.
E ele simplesmente saiu. Que legal. Nossa...
Meu crush apertou minha bunda... DUAS VEZES!
Ganhei minha noite.
1299
Já em casa, cansado, com fome e fedendo, fui pra cozinha fazer algo pra comer.
Enquanto as panelas estavam no fogo, fui alimentar meus três filhos, voltando pra cozinha e terminando de fazer meu delicioso macarrão com kimchi.
Comi demais, estava muito bom, não é atoa que quero fazer faculdade de gastronomia.
Lavei a louça e fui pro meu quarto, tirando meu material da mochila e os deixando sobre a mesa do notebook, logo indo pro banheiro tomar meu amado e desejado banho, fazendo questão de demorar.
De banho tomado e roupa trocada, peguei meu celular e me joguei em minha cama, vendo que tinha algumas mensagens de Sehun e logo me lembrei do acontecimento de hoje no vestiário. Resolvi não contar pra ele por mensagem e o deixei curioso. Iria levar uns tapas amanha dele, mas estava rindo das caras raivosas que ele mandava e eu apenas ignorava.
Recebi uma notificação do messenger avisando que eu tinha uma solicitação de conversa e abri, gelando no mesmo instante.
- Ai, cacete. O que ele quer dessa vez?
Questionei enquanto aceitava a solicitação de Minseok, vendo que era apenas números.
- Cachorro... se ele acha que pegar na minha bunda, duas vezes, e mandar o número de telefone dele vai fazer com que eu mande mensagem, ele está muito enganado!
Falei irritado, bloqueando meu celular e o deixando de lado.
- Mentira, volta aqui, ele está certíssimo.
Eu sou fraco, me julguem.
Desbloqueio o celular e salvo o numero dele, logo mandando uma mensagem.
"O que você quer, Minseok?"
Mandei curto e grosso pra esse palhaço.
"Kyungsoo? Quanto ódio no coração, seja mais delicado"
Que cara de pau.
"Tu vai ver a delicadeza da minha mão na tua cara, palhaço"
Não sou obrigado. Quem ele pensa que eu sou?
"Calma, eu estava brincando"
"Fala logo o que quer. Estou cansado, quero dormir"
"Quero saber se não está afim de sair comigo sem me bater ou me espancar verbalmente como fiquei sabendo que é de seu feitio fazer algo do tipo"
Kim Minseok me chamou pra sair. O.CRUSH.ME.CHAMOU.PRA.SAIR.
Pai amado, venci o mês. Ele está sabendo legal sobre mim, hein. Gosto assim.
"O que te garante que eu não vá te bater ou algo do tipo?"
"Os seus sentimentos por mim?"
É O QUE? COMO ASSIM? QUE MERDA É ESSA?
"Tu fumou, Minseok? Ta andando muito com o Chanyeol e com o Kris. De onde tirou que eu tenho algum sentimento por você?"
"Qual é, Kyungsoo. Não banque o desentendido. Eu vejo você me comendo com os olhos. Você é meio lerdo ou muito afim de mim pra não ter percebido que eu lanço os mesmos olhares pra você. Cara, o jogo de hoje eu quase fiquei duro pela forma que você me olhava durante todo o jogo."
PAI AMADO, QUE VERGONHA, SEHUN TINHA RAZÃO... Mas.. perai. KIM MINSEOK ADMITIU QUE É AFIM DE MIM? O CRUSH ME CRUSHA? MINHA NOSSA, VENCI O ANO! SEHUN NÃO VAI ACREDITAR. Mentira, vai sim e vai ficar jogando na minha cara milhares de "Eu te avisei".
"Kyungsoo? Dormiu?"
Ai, cacete. Devo ter ficado refletindo por uns minutos e não respondi o coitado.
"To aqui. Estou digerindo sua confissão. Mas sim, eu saio com você. Não, você não prefere vir aqui? A gente assiste algum filme ou série, joga alguma coisa... sei lá"
"Seus pais não vão achar ruim ou algo do tipo?"
Sério, Minseok? Eu te convido pra minha casa, praticamente todo aberto pra você... Ah mano, mereço.
"Eu moro sozinho"
"Sério???"
Não, jumento, imagine. Falei pra zoar mesmo.
"Sério :)"
Nunca falem o que REALMENTE pensam logo de cara, ainda mais pro crush que te crusha.
"Tudo bem então. Quando?"
"Agora, se quiser"
"Mas você disse que estava cansado e que queria dormir"
MINSEOK CALA A BOQUINHA, POR FAVOR!!
"Fica quieto e vem logo. Vou te mandar meu endereço"
Mandei pro coitado meu endereço e nem esperei uma resposta, fui logo pro banheiro me "arrumar" porque minha intenção era estar apresentável pro crush se rolasse algo mais... hot, digamos assim?
Vesti um blusão e um short curtinho de dormir e fui pra sala, ligando a TV num filme qualquer e enquanto ele não chegava, liguei pra Sehun.
- Acho bom ser importante, estava quase dormindo.
- Minseok está vindo pra minha casa e admitiu que me crusha.
-É O QUE?
Eu amo Oh Sehun, amo mais ainda deixar ele curioso.
- Amanhã eu te conto, mas enquanto isso fica falando comigo até ele chegar.
- Me conta essa porra direito seu anão de jardim satânico.
- Sehun, me respeite! Sou mais velho.
- Grande coisa. Agora me conta logo isso, sabe que vou ficar te enchendo o saco a madrugada toda até me contar, não sabe?
- Eu te odeio.
- Também te amo.
Resolvi contar tudo pra ele, explicando cada coisa com calma pois Sehun era meio tapado e fazia com que eu perdesse o foco.
- Foi isso.
Falei depois de terminar de contar.
- Eu te avisei.
Filho da mãe, eu odiava quando ele falava aquilo, porque era verdade.
Ia xingar o infeliz, mas logo escuto o interfone.
- Eu tenho que ir, deve ser o Minseok.
- Tenho pena das suas pregas. Até amanhã se você conseguir andar até a escola.
Apenas revirei os olhos e desliguei a ligação, indo atender o interfone, liberando a entrada de Minseok e voltei pra sala.
Fiquei assistindo TV enquanto isso e logo a campainha toca. Gritei um "Já vai!" e fui atender, abrindo a porta com calma e quase suspirei ao ver um Minseok todo de preto e cabelos escuros levemente molhados, me fazendo engolir em seco disfarçadamente.
- Entre.
Não gaguejei, ótimo. Dei espaço pro coitado entrar e fechei a porta, o guiando até a sala.
- Fique a vontade. Quer alguma coisa?
- Obrigado. Quero sim...
- O que quer? Água, refrigerante...?
Sou um menino certinho, não bebo nada que contenha álcool... ATA. Mas é que não tinha nada com álcool pra oferecer mesmo.
- Água, por favor.
- Já venho.
Deixei ele ali na sala e fui pra cozinha, pegando um copo de água e levando pra ele, me sentando ao lado do mesmo no sofá.
- Então... que papo foi aquele? É sério mesmo? Não é algum tipo de brincadeira entre você e seus amigos não, né? Porque se for... tenho pena de você e dos seus dentes perfeitos.
- Calma, Kyungsoo!! Pra quê toda essa violência? Não é brincadeira ou algo do tipo, eu realmente sou afim de você, só que você é lerdo demais pra perceber.
- Vai ver o lerdo na tua cara.
- Desculpe, mas é verdade. Até seu amigo, o Sehun, sabe que sou afim de você.
- Eu ainda mato Oh Sehun... enfim, o que quer fazer em relação a isso?
- Bom, creio que essa seja a hora em que a gente se beija, não?
Ok, Minseok está perto demais de mim e eu não sei o que fazer. O cheiro desse filho da mãe é tão bom, tão forte... tão Minseok. Apenas fechei meus olhos e deixei que ele chegasse mais perto, logo sentindo os lábios finos e quentes sobre os meus, me arrancando um leve suspiro de satisfação.
Depois de quase dois anos nessa paixão, que eu julgava ser platônica até minutos atrás, finalmente eu estou beijando Kim Minseok!! E eu achando que não podia ficar melhor, o filho da mãe pede passagem com a língua, pai amado, que delícia.
De um simples selar, evoluiu pra um beijo mais quente, mais apressado, eu já sentia as mãos dele apertarem minha cintura enquanto eu puxava de leve os fios da nuca dele, ficando no colo dele segundos depois, sentindo as mãos curiosas irem mais pra baixo, apertando minhas nádegas com força, me fazendo gemer contra os lábios do mais velho.
- Minseok... segunda porta do corredor.
Falei entre o beijo, agradecendo mentalmente por ele ter entendido de primeira. Me segurei com força nos ombros dele ao sentir ele se levantar comigo em seu colo, não deixando de apertar minhas nádegas com força um segundo sequer, arrancando gemidos e suspiros baixos de mim.
- Céus... você não sabe o quanto eu desejo apertar essa sua bunda com força sem todas essas roupas.
Falou entre o beijo, arrancando de mim um sorriso safado.
- Estou percebendo mesmo... porque não faz o que deseja? Eu não acharia nada ruim, sabe? Até agradeceria, na verdade.
Foi ótimo eu ter dito aquilo, porque a forma com que ele apertou minha bunda em seguida me fez gemer muito alto. Espero não receber uma multa no dia seguinte.
Um tempo depois, senti o colchão macio em minhas costas e logo o corpo do mais velho sobre o meu. A expressão de Minseok e o volume entre suas pernas mostravam o quanto ele me desejava como eu o desejava. Não esperei nem ele se recuperar do beijo anterior e logo já estava puxando o mesmo pra cima de mim novamente, tomando os lábios vermelhos em outro beijo quente e necessitado.
Meio apressado, comecei a retirar suas vestes, deixando o mais velho apenas de boxer e nossa... que boxer, hein. Praticamente babei ao ver Minseok daquela forma sobre mim. Passei meus dedos levemente por sua tatuagem no peito, indo até as costas e arranhei ali com vontade assim que senti as mãos do mais velho apertarem minhas coxas, retirando meu short e minha blusa em seguida, ambos apenas de boxer agora.
- Me diga, Soo... você ainda é virgem ou eu posso ser um pouco bruto com você?
- Minseok... nem a minha cara é de santo. Não, eu não sou virgem, fique tranquilo.
- Ótimo.
Sorri ao ser virado na cama, ficando de bruços pra Minseok, que logo tratou de retirar minha boxer com pressa, me arrancando gemidos altos de surpresa ao sentir tapas fortes em minhas nádegas e logo suas mãos apertando ambas com vontade.
O que veio a seguir poderia ser descrito como "Conheci o Paraíso", pois Minseok começou a me chupar em um lugar que eu sequer sabia ser possível sentir tanto prazer apenas com a língua, bem no meio da minha bunda, conhecido como ânus. E nossa.. como aquela língua trabalhava bem, e quando ele acrescentou os dedos então, gritei de prazer por tamanho tesão que eu estava sentindo naquele momento...
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Já nos encontrávamos na terceira rodada de sexo. Minseok era um animal na cama, pai amado. Na primeira vez ele foi até que calmo na cama, distribuindo beijos, mordidas leves, lambidas aqui, lambidas ali, movimentos rápidos, mas leves de certa forma... Na segunda ele quis me foder na sala. Coitado do meu sofá precioso, estava todo sujo de porra, suor e baba. Agora, na terceira rodada, estávamos na cozinha, comigo deitado na mesa e ele sobre mim, me fodendo com certa força, até que finalmente gozamos novamente, pela terceira vez naquela noite.
- Nossa... você é demais, Minseok. Mas eu ainda acho que você não está me fodendo como REALMENTE quer.
Falei ofegante, sentindo ele ainda em meu interior, ambos respirando de forma ofegante e desregulada.
- Ok... vou te foder como eu REALMENTE quero. Só aviso que você não vai pro colégio amanhã.
- Vamos ver se eu REALMENTE não vou...
Mordi meu lábio inferior ao ver a forma com que me olhava e pedi pra que saísse de dentro de mim, logo me levantando e sentindo meu corpo doer por conta de todo o esforço que tinha feito. Sorrio ao ver a situação de Minseok. Seu corpo estava todo marcado de chupões, arranhões, mordidas, seu cabelo uma bagunça, todo suado... eu estava da mesma forma, só que com mais marcas de chupões e mordidas.
- Nem vou tentar esconder essas marcas amanhã, pois teria que gastar muita maquiagem da minha irmã e ela me mataria.
Ri baixinho com o que ele diz e andei pela cozinha, pegando água pra nós dois e lhe entreguei um copo.
- Eu só tenho irmão, e tenho certeza que ele não usa maquiagem, ou seja, não tenho como esconder isso.
Falei apontando pro meu corpo todo.
Deixei o copo vazio na pia e senti Minseok me abraçar por trás, sentindo seu membro levemente duro entre minhas nádegas e sorrio, me virando de frente pro mais velho, envolvendo o pescoço alheio com meus braços.
- Preparado pra ter que faltar uns dois dias na escola?
- Só dois? Pensei que fossem mais...
Essa noite vai ser longa...
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Acordei lentamente com o Sol no meu rosto e meu celular tocando sem parar, indicando que eu tinha dormido demais.
- Cacete...
Xinguei enquanto me sentava na cama, sentindo meu corpo todo doer. Olhei pro lado e encontrei Minseok dormindo, me fazendo sorri meio envergonhado por ver ele nu na minha cama, todo marcado.
- Eu dei pro crush... venci na vida.
Murmurei comigo mesmo e voltei a me deitar, gemendo baixinho de dor e fiquei acariciando os fios de Minseok, vendo ele acordar aos poucos e alcancei o celular ao meu lado na cama, nem lembro como eu trouxe ele pra cá, desligando o despertador em seguida, voltando a admirar Minseok acordando.
- Bom dia...
Sussurrei ao ver Minseok acordando, acariciando levemente o rosto dele.
- Hmm.. bom dia, Soo.
Ele respondeu abrindo um sorriso tão fofo que não resisti em selar os lábios dele.
- Dormiu bem?
- Muito bem, pra falar bem a verdade.
Que fofo, nem parece o mesmo animal de ontem.
- Que bom. Quer comer alguma coisa?
- Querer eu quero, mas acho que não vai dar.
- Minseok... estou morto, não consigo nem levantar sem gemer de dor.
- Então por que perguntou se eu queria comer alguma coisa?
- Eu ia dizer onde estaria e você ia lá pegar.
- Entendi.
Rimos juntos e eu me derreti todo quando ele selou meus lábios.
- Agora sim é um bom dia.
Sussurrou contra meus lábios.
Talvez eu possa me acostumar com ele em minha casa todo dia de manhã e com o Sehun de xingando de lerdo cheio dos seus "Eu te avisei!"
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Notas finais: Fico feliz se você tenha gostado, eu me diverti escrevendo e é um dos couples que mais gosto, aproveite bem <3
Descrição do plot: Tudo o que KyungSoo menos gostava no colégio era de Educação Física e como castigo tinha sempre que limpar o vestiário do time de futebol do colégio. Porém sua recompensa veio ao ser encurralado nos armários do vestiário pela sua paixonite - o camisa 10 do time
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Avisos: Insinuação de sexo, homossexualismo, linguagem imprópria, yaoi
Sinopse: Kyungsoo e Jongin eram apenas namorados quando o mais velho descobriu que Kim era extremamente rico. Se casaram alguns anos depois e quando a grande empresa de Jongin faliu, Kyungsoo foi embora junto do dinheiro. Anos depois, Kyung procurava um emprego e enviou currículo justamente para a empresa de seu ex, que atualmente era um dos mais ricos empresários da cidade.
Não é como se Kyungsoo fosse um aproveitador desde o início. Não, no comecinho de tudo havia amor, principalmente porque Jongin não havia revelado sua identidade.
Troca de olhares, aproximação, conversa.
O casal se conheceu como muitos outros, se apaixonaram como muitos outros. Kyungsoo tinha seus 23 anos e estava pronto para namorar. Esbarrou em Jongin um barzinho, pediu desculpas e continuou andando, mas voltava o olhar para aquele moreno magrinho que tinha trombado consigo. Já Jongin, tinha seus 21 anos, a faculdade de Administração estava beirando a conclusão e seu futuro prometia.
— Posso te pagar uma bebida? – Jongin perguntou.
— A minha ainda está cheia. – Soo respondeu – Mas fique por perto porque eu acabo com ela rapidinho.
Essa foi a primeira vez que Do viu o sorriso do moreno. Era completamente encantador. Jongin ficou por ali, assim que viu o copo vazio, se aproximou, então pagou uma cerveja para o menor e começaram a conversar.
— Posso te ligar? – Kim perguntou ao final do dia.
— Poxa, pensei que ia pra casa comigo.
— Você comentou que ainda não namorou, certo? Isso aqui não vai ser coisa de um dia só, vai durar muito tempo.
Kyungsoo deu risada pois Jongin parecia um tanto arrogante ao presumir tão cedo que os dois dariam certo, mas depois de alguns encontros, era como se a peça do quebra cabeça da vida do pequeno estivesse sido achada. O mais novo o fazia rir, chorar, sentir prazer. Era tudo tão misturado e incrível.
— Eu disse que a gente ia durar – O moreno disse após alguns meses de namoro.
— Nunca se sabe até quando.
— Muito tempo Soo, muito tempo mesmo.
O menor sorria e se deixava levar por este tipo de promessa. Kyung já trabalhava, Jongin tinha começado a trabalhar. Cada um pagava as suas coisas, compravam presentes, dividiam a conta, o que é perfeitamente normal num relacionamento. Tudo passou a ficar estranho quando um pouco antes do natal, Kyung tinha sido demitido.
O pequeno estava desolado, chorava e chorava para o namorado, perguntava o que ia fazer. Tinha contas para pagar, aluguel do apartamento e não poderia se esquecer do seu gatinho branco que beirava a maldade concentrada num só animal.
— Nini, como eu vou dar comida pro Seong?
— Pelo amor de deus né Kyungsoo, você acha que aquele gato se alimenta de ração? Tenho certeza absoluta que ele suga a alma de humanos para viver.
— Não fala assim do meu bebê!
— Olha, eu te amo muito e vou resolver teu problema, ok? Te darei duas escolhas, ou você vem morar comigo, ou eu pago seu aluguel por uns meses.
— Mas...
— Você não precisaria me pagar depois nem nada. Pode até trazer aquele gato possuído se quiser, desde que ele não invada o meu espaço.
— Sério amor? Você me deixa morar contigo?
— Eu adoraria morar com você Soo.
E assim estava feito. O casal juntou suas tralhas. Seong – o gato do mais velho – ficava num outro quarto, e não atrapalhava Jongin, então tudo deu certo. A questão era que Jongin pagava todas as despesas: luz, água, condomínio, mantimentos, pagava os encontros, as camisinhas, presentes, viagens, portanto, Soo ficou curioso.
— Amor, você tira tanto dinheiro de onde?
— Do trabalho Soo.
— Mas você trabalha com o que? Encontrando ouro?
— Você sabe que eu sou administrador de empresas.
— Tá, mas...
— Ok, eu conto. – Jongin suspirou e se sentou no sofá – Meu pai era dono de uma multinacional. Antes de nós nos conhecermos, ele faleceu e a empresa caiu em minhas mãos. Eu não quis contar que eu sou rico, não queria interesse pelo dinheiro, entende?
— Quer dizer que...
— Sim, rico, podre de rico.
Kyungsoo ponderou aquilo por um instante. Era simplesmente maravilhoso! As buscas por emprego foram diminuindo. O mais velho jurava de pé junto que estava desesperado atrás de serviço, mas ninguém o queria. Kim tinha dó, então não se importava de prover para o outro.
Lógico que Soo não era estúpido. Este não ficava pedindo coisas caras e continuava dando amor ao seu namorado. Na verdade, essa quantidade de amor dobrou. Jongin estava totalmente satisfeito o tempo todo, Kyung parecia incansável.
“Você parece uma puta” Kyung disse a ele mesmo depois de transar mesmo sem estar com vontade apenas para não ter que negar um pedido de Jongin. “Acho que putas tem mais amor próprio que você”.
Talvez até seja verdade. Soo se sentia totalmente submisso ao outro. Não que Jongin abusasse, mas tudo que o moreno pedia, seu hyung fazia quase de imediato.
O namoro passou de 6 meses para 1 ano, depois 2, 3, 4 anos. Então veio aquela pergunta, algo que Kyungsoo sempre sonhou em ouvir. Pergunta esta que lhe garantiria 50% daquela enorme fortuna ao responder positivamente.
— Amor, você deseja se casar comigo?
— Sim Jongin!
— Jura? – O moreno estava tremendo e ficou tão feliz de ouvir a resposta positiva que mal conseguiu colocar o enorme e caríssimo anel de noivado no dedo de seu amor. – Não acredito Kyunggie. Eu te amo tanto!
— Eu te amo Nini...
E o papel de melhor ator é para ele, Do Kyungsoo, uma salva de palmas senhoras e senhores.
Kyungsoo não amava Jongin. Amava o dinheiro dele, mas sim, tinha carinho pelo moreno de sorriso largo e olhos pidões de cachorros de rua.
— Escolha tudo do casamento, será do seu jeitinho, confio em você.
— Confia em mim mesmo Jongin?
— Lógico que confio Kyungsoo, por que eu pediria para casar contigo se não confiasse?
— Nini... se você confia... vai pedir acordo pré-nupcial?
— Essa é outra história Kyunggie... o acordo pré-nupcial vai proteger a minha empresa.
— Mas amor, eu nunca pediria divórcio de você para ficar com o seu dinheiro! Nem ligo pra ele.
— Eu sei que não, mas se não liga, não tem problema assinar o contrato, certo? – Jongin beijou o topo da cabeça do atual noivo e o levou para a cama.
Para os não familiarizados com o termo, “acordo pré-nupcial” se realiza antes do casamento, prometendo que os bens dos cônjuges não sejam repartidos, apenas o que eles adquiriram em conjunto no casamento. Ou seja, Kyungsoo não veria a cor do dinheiro que Jongin já tem, só das coisas que comprassem depois de dizerem “Eu aceito”.
Claro que o mais velho assinou este contrato. Não deixaria que seu imenso conforto fosse tirado de si por causa de um pedaço de papel.
O casamento foi lindo, enorme, luxuoso, milionário. Jongin apenas assinou o cheque e nem notou que o dinheiro tinha saído de sua conta. Era tudo para o seu amor, então valia a pena.
— Lua de mel em Veneza, foi uma escolha maravilhosa amor. – O moreno abraçou seu marido e olhava a vista da cobertura do hotel mais caro de Veneza.
— Que bom que gostou, eu escolhi a dedo para nós dois.
— Vamos aproveitar a cama?
— Hm... ok.
— Você não está afim?
— É claro que eu estou afim Nini, é a nossa noite de núpcias. É só que... e se a gente fizer diferente?
— Como?
— Eu amo seus carinhos Nini, amo de verdade, é bom se sentir amado, mas... que tal algo mais... pesado? Sem delicadezas, só uma vez para a gente tentar.
Como sempre, o moreno concordou. Kyungsoo sentiu prazer pela primeira vez em meses. Não é que ele gostava de apanhar ou algo assim, mas sentir Jongin o punindo de alguma forma era bom para o seu consciente. O mais velho achou uma desculpa.
Jongin não entendia o porquê seu marido gostava tanto, mas ao receber toques mais severos, Soo imagina que estava sendo torturado por amar somente o dinheiro do seu dongsaeng. Era mais ou menos uma válvula de escape: Kyungsoo gastava rios de dinheiro alheio e depois apanhava na cama, como se Jongin fizesse com a intenção de repreender tal ato.
— Ah Jongin, isso é tão bom amor.
— Soo, tudo bem se eu pegar mais leve hoje? Sinto falta...
— Tudo bem Nini, do jeitinho que você quiser.
Kim notava a diferença de quando tentava fazer amor e de quando fazia apenas sexo, mas não ligava tanto, porque para o moreno, era importante que seu marido estivesse feliz.
* * * * *
Passado alguns meses de casamento, Do notou uma mudança de comportamento.
— Boa noite amor, fiz o seu jantar.
— Oi Soo, tudo bem se eu pular o jantar hoje? Me perdoe, eu juro que levo para o almoço amanhã.
— Ah tudo bem, não tem problema. Aconteceu alguma coisa?
— Não, cansaço, vou tomar um banho e vou pra cama.
Kyungsoo já separou a comida para o marido levar no dia seguinte e o esperou na cama. Jongin deitou e imediatamente fechou os olhos. O mais velho franziu o cenho e se aproximou, então começou a passar a mão no corpo do outro.
— Hoje não Soo.
— Não quer?
— Estou tão cansado amor, a gente faz depois.
Isso sim doeu no menor. Jongin não estar com fome era normal, as vezes o moreno comia alguma besteira para se concentrar no trabalho e chegava em casa de barria cheia. Kyung nunca levou no pessoal quando sua comida ficava para o dia seguinte, mas rejeitar sexo? Algo estava estranho.
O dia que sucedeu aquele só foi diferente porque Jongin realmente jantou, mas se jogou na cama e antes que Kyungsoo terminasse de colocar a louça na máquina de lavar, seu marido dormia.
Deu uma semana que o menor recebia apenas beijos rápidos de “oi” e “tchau”. No sábado, Jongin foi trabalhar e só voltou a noite.
— Eu fiz algo? – Kyung perguntou meio choroso assim que o namorado saiu do banho – Você está tentando me punir?
— Não amor, são problemas no trabalho, estou com a cabeça cheia.
— Mas só me dá um carinho... um beijinho, abraço, não precisa transar comigo se você não me deseja mais.
— Poxa Kyungsoo, não é isso.
— Eu entendo Jongin, tudo bem.
Soo sabia manipular muito bem o seu marido, e sempre conseguia o que queria. Daquela vez não foi diferente, em poucos minutos estavam transando.
— Você melhorou? – O mais velho perguntou quando tudo chegou ao fim.
— As preocupações ainda existem Kyung, só estou mais relaxado.
— Já é um começo.
— Obrigado por se preocupar comigo.
— Imagina meu amor.
Jongin, seu idiota, o Kyung nunca se importou com você.
Talvez isto seja exagerado. O mais velho se importava sim, na época que não sabia da fonte inesgotável de possibilidades que seu marido era, Kyung chegou a amar o moreno.
Jongin tentava estar mais presente para o seu marido, mas ainda sim Kyung notava a diferença, outrora Kim fora tão carinhoso e romântico.
— Vamos Nini, conta pra mim.
— Ok, isso te afeta também... bom, as coisas na empresa vão de mal a pior. Eu contratei um idiota e ele falsificou alguns documentos. Estamos sofrendo processos atrás de processos, e nossa reputação foi manchada.
— Mas esse cara sabia o que fazia?
— Sim, ele fez para nos prejudicar.
— Por que ele faria isso amor?
— Ele é da empresa rival. Nosso RH deixou que isso passasse despercebido. Estou ferrado Soo.
Jongin deitou a cabeça na coxa de seu marido enquanto estavam no sofá e recebia um cafuné.
— Vai dar tudo certo amor, você vai ver.
— E se não der?
— Vai dar.
É, mas não deu. Jongin viu sua empresa falir aos poucos. Gastou toda sua fortuna para pagar despesas e o salário dos funcionários e foi obrigado a fechar seu negócio. Kyungsoo por sua vez, estava desesperado e Kim estava no mesmo estado.
— Soo, amor... a gente precisa conversar.
— O que foi dessa vez Nini?
— Você precisa voltar a trabalhar. Não posso te sustentar assim, estou enrolado com a empresa.
— Jongin, olha... estou umas semanas para falar isso, mas... eu não queria ser uma pessoa ruim nem nada, mas estou te deixando.
O moreno arregalou os olhos e se sentou no sofá enquanto o mais velho andava de um lado para o outro.
— Kyungsoo... agora era o momento que eu precisava mais de você.
— As coisas não estão dando certo a tanto tempo, você sabe disso.
— Não sei não, pra mim estava tudo igual. O que mudou?
— Nossa relação, não sei, estou com esse sentimento a um tempinho. Desculpe ok?
— Amor...
Kyungsoo saiu da sala e foi para o quarto direto. Jongin estava tão perdido. Ele tentava se dedicar ao máximo para seu marido e agora que a empresa tinha falido, era tão reconfortante receber beijos e abraçados do seu amado.
Naquela época o de pele morena foi tão inocente, mas tão inocente, que não tinha entendido que o motivo real de ser abandonado, era estar sem dinheiro.
Jongin assistiu Kyungsoo fazendo suas malas, pegando seu gato e indo morar na casa de um amigo. A aliança foi devolvida, papéis de divórcio foram assinados. O moreno chorava e chorava por não entender quando o amor tinha acabado. Kyungsoo não gostava de fazer Jongin sofrer, de verdade, nunca foi o objetivo dele, mas a fonte secou. Tanto de paciência quanto de dinheiro.
* * * * *
— Tudo bem Sehun, você sabe que eu não consigo dizer não pra você, certo?
— Obrigado senhor Kim. – O loiro piscou para o seu chefe.
— Ah como eu amo essa sua educação toda, mas você sabe que eu que vou realizar as entrevistas, né? Apenas separe os melhores currículos e me envie.
— Sim senhor, mais alguma coisa?
— Sim, mas você resolve mais tarde. – Sehun assentiu e saiu do escritório.
Com quase 8 anos depois de ser abandonado, Jongin não poderia estar melhor, mas vamos por partes.
A partida de Kyungsoo fez com que o moreno reavaliasse todo aquele relacionamento e tentasse enxergar onde ele errou. A princípio, Jongin não dizia a si mesmo que foi tudo pelo dinheiro, ele se recusava a pensar tão mal do ex-esposo, mas ao lembrar minuciosamente nas atitudes, percebia que Kyung ficava mais manso depois de ganhar alguns presentinhos, nos anos que foram casados, nunca trabalhou e nem quis ajudar a limpar a casa, uma moça era contratada. Detalhes assim que fizeram Kim ‘acordar para cuspir’.
Quando notou o verdadeiro motivo de ser abandonado e pisado, Jongin ficou com raiva, mas era uma raiva tão enorme que virou sede de vingança. Kyungsoo foi o motivo de seu coração ser partido, mas também foi o motivo do moreno se reerguer.
Enquanto Soo pulava de empresa em empresa sendo secretário ou recepcionista, Jongin lucrava e criou outra companhia, até outra identidade. Não era mais Kim Jongin, era Kim Kai.
Nesse meio tempo, Kyung morou na casa de seu melhor amigo, Baekhyun, e ficou anos e anos sem nem querer namorar. Este estava triste por ter perdido alguém tão amoroso como seu ex, contudo, seu coração estava aliviado.
Entendam, Kyungsoo não é uma pessoa ruim. O que ele fez foi totalmente inescrupuloso, porém, uma pessoa verdadeiramente má não sente remorso ao fazer algo ruim e Kyung estava mais tranquilo de não usar ninguém daquela forma.
— Soo, o aluguel está atrasado de novo.
— Desculpa Byun, estou com tanta-
— Conta atrasada, eu sei, eu sei Kyungsoo, você diz isso todo mês. – O mais velho suspirou – Olha, eu sou teu amigo, esse mês vou pagar o aluguel, mas trate de arranjar um emprego que dê um salário melhor, ok?
— Desculpa o trabalho hyung.
— Tudo bem Soo, comece a procurar logo.
— Vou começar agora mesmo.
É, as coisas não estavam tão fáceis. Kyung jogou seu currículo em sites e mais sites de emprego e com quase duas semanas procurando, recebeu uma ligação.
— Bom dia, eu falo com Do Kyungsoo?
— Com ele mesmo, quem gostaria?
— Meu nome é Oh Sehun, eu falo da Kai S.A, o senhor mandou currículo para nós e estou convocando-lhe a uma entrevista.
— Ah que ótimo, fico muito agradecido.
— O senhor tem disponibilidade para vir hoje à tarde? Sei que é meio em cima da hora, mas pouquíssimas pessoas foram selecionadas e meu chefe pediu para que eu te ligasse imediatamente.
— Estou disponível!
— Ótimo, esteja aqui as 14 horas, até mais tarde.
— Até...
Enquanto Kyungsoo pulava de felicidade de um lado, Jongin se matava de rir do outro.
— Eu não entendi Jonginnie. – Sehun fez questão de trancar a porta e sentou no colo de seu chefe – Por que me mandou dispensar os outros candidatos e deixar só esse Kyungsoo?
— Eu vou contratá-lo.
— Mas... você o conhece?
— Hunnie, você precisa de um assistente, certo? Está com muito trabalho nas costas.
— Certo, por isso eu pedi para você arrumar uma ajudinha pra mim...
— Então faça o que eu pedi, eu vou contratá-lo. Enquanto este homem estiver na minha sala, eu não quero interrupções. Você pode fazer da vida dele um inferno, faça o que quiser com ele, ok?
— O que eu fiz pra merecer algo assim?
— Você tem sido um bom namorado.
Sehun beijou Jongin e antes que pudessem começar alguma coisa, o relógio dizia que Kyungsoo estava para chegar.
— Vai lá amor. Traz ele pra mim.
O chefe deu um tapa nada apropriado na bunda de seu secretário e tomou um bom gole do seu café. Finalmente o dia chegou, o mundo girou. Finalmente Do Kyungsoo ia ver tudo que Jongin construiu.
* * * * *
— B-Boa tarde... eu sou o Kyungsoo...
— Ah sim, eu sou o Sehun – O loiro estendeu a mão e cumprimentou o menor – Sente-se, meu chefe irá te chamar em alguns instantes.
Sehun avisou Jongin que o menor tinha chegado, Kyung observava cada cantinho daquele lugar, parecia ser tudo tão elegante. O tal do Sehun era um simples secretário, mas se vestia com trajes sociais que pareciam ser bem caros.
— Do Kyungsoo.
O menor estava tão nervoso com a entrevista que nem notou a familiaridade naquela voz. Quando entrou na enorme sala, a cadeira preta estava de costas para si.
— Sente-se. – O menor fez o que foi pedido – Como você ouviu falar da empresa?
— Ahm, acho que todos conhecem a sua empresa senhor. É uma multinacional bem famosa.
— Ah é? Que bom. – Jongin segurava o riso, a cadeira ainda estava de costas para o pequeno – E por que quer trabalhar aqui?
— Bom, eu vi o anuncio da oportunidade e...
— Você sabe que vai ser basicamente assistente do meu assistente, certo?
— Sim senhor.
— E não se importa?
— Não senhor, eu queria muito trabalhar aqui.
— Será mesmo?
Jongin virou a cadeira para frente, este esbanjava um sorriso de dar inveja. Kyungsoo só faltou cair para trás. Em sua frente tinha seu ex-marido, mais charmoso ainda, aparentemente mais forte e não tão magro, o sorriso continuava o mesmo e as roupas sociais sempre caíram bem em si.
— Jongin?
— Pois é. Que coisa né? Você enviou currículo para a minha empresa.
— M-Mas...
— Você me dispensou por causa da grana e veja só, sou muito mais rico que antes, muito bem-sucedido, arrisco em dizer que estou até mais bonito.
— N-Não foi isso...
— Por favor né Kyungsoo? Foi por causa da grana sim.
— Eu te amei, ok?
— Talvez até tenha amado, quando não sabia que eu tinha dinheiro. Talvez.
— Não sabia que era a sua empresa – Kyungsoo se levantou – Desculpe perder seu tempo.
— Não não, volte aqui. Sente-se. – O menor fez o que foi pedido e continuava olhando para seu ex-marido – Você quer o emprego, não quer?
— Bom...
— Quer ou não quer?
— Lógico que eu quero. Estou precisando.
— Ótimo, é seu. Você vai ser assistente do Sehun, vai obedecer a ele. Não o desrespeite ou nada sim, ele é importante pra mim. Talvez nós nem tenhamos contato, você está aqui pra ajudar no que diabos Sehun quiser, e sem questionar.
— Sim.
— Sim o que?
— Sim s-senhor.
— Perfeito. Aqui eu não sou o Jongin, eu juro por deus que se ouvir você esbanjando meu nome verdadeiro por aí é rua. O único que realmente tem meus dados é o Sehun. O resto me chama de Kai.
— Como devo te chamar?
— Da forma que quiser, contanto que seja com respeito. Não sou mais seu marido, nem seu amigo, somos apenas profissionais agora.
— Sim senhor.
— Você começa amanhã, pode ir.
— Que horas-
— Se vire com o Sehun.
— Sim senhor, licença.
A palavra “senhor” tinha um gosto tão amargo na boca de Kyungsoo. Ele saiu da sala ainda ponderando os acontecimentos.
— Você foi contratado?
— Sim senhor.
— Não precisa deste tipo de formalidade comigo. Só Sehun basta. Esteja aqui amanhã as 7:30. O Jongin só chega as 8. Saiba que ele me deu poder para demitir meu assistente, então se atrasar um minuto que for, é rua.
— N-Não vou atrasar.
— Ok, pode ir.
Soo foi embora quase com o rabo entre as pernas. Aquilo tudo parecia tão louco. Em questão de uma hora estava contratado na empresa do ex-marido, este o tratou com tanta frieza, mas Kyung jamais esperaria que o reencontro com Jongin fosse de braços abertos.
Enquanto o pequeno ia comprar mais roupas sociais, Sehun descobriu o que queria.
— Ele é seu ex-marido, não é? – O loiro entrou com pressa na sala do namorado.
— Sim, ele é.
— Aish! Eu não quero ele aqui!
— Sehun... vai ser divertido.
— Não, pode demitir ele.
— Oh Sehun! Ainda é a minha empresa, e eu que mando nessa porra.
Sehun deu uma de criança mimada, cruzou os braços e saiu da sala guardando o desejo de bater a porta. Afinal, não estavam em seu apartamento.
Quando deu 18:30, a empresa estava quase vazia. Oh teclava furiosamente em seu computador para terminar o trabalho que estava atrasado. Jongin saiu de sua sala e viu que estavam sozinhos, então foi atrás da cadeira do namorado e beijou seu pescoço.
— Não queria gritar com você bebê.
— Então por que gritou?
— Escute, ele não vai aguentar muito tempo. Vai pedir demissão. Não tem graça se a gente demitir amor, ele que tem que pedir para sair.
— Eu não quero ele tão perto de você.
— Sehun, você sabe o que ele fez comigo? – O outro balançou a cabeça negativamente – Ele pediu divórcio quando a minha outra empresa faliu. Me abandonou por causa da grana amor.
— Não acredito, eu pensei que...
— Você pensou que eu ainda tenho sentimentos por ele. E tenho Hun, eu tenho sim, mas são sentimentos só de vingança e raiva.
— Me desculpa, eu...
— Shh, está tudo bem, estamos bem.
Jongin beijou de leve os lábios de Sehun e fez um carinho em sua bochecha com o polegar. O assistente sorriu porque amava o quão doce seu chefe era.
— Podemos ir? – O moreno beijou a mão de seu namorado.
— Estou atrasado com as coisas.
— Manda o Kyung fazer amanhã, vamos pra minha casa? Podemos tomar um banho bem quentinho juntos.
Sehun assentiu e desligou o computador. Jongin gostava de demonstrar afeto publicamente, mas como o loiro era seu assistente, não era bom que isso acontecesse, então deixava que dentro de seu apartamento mostrasse o quanto Sehun era apreciado.
* * * * *
No dia seguinte, Kyungsoo apareceu até antes do horário combinado e sentou numa mesa que ficava ao lado da do loiro. 7:30 exatamente Sehun passou pela porta com Jongin.
— Bom dia. – Soo disse.
— Bom dia. – Sehun respondeu e Jongin nem se deu o trabalho de olhar na cara do outro, foi direto para a sua sala.
— Sehun-ah – O chefe berrou lá de sua sala.
— Já vou mandar ele fazer. – O loiro deixou alguns papéis em sua mesa e ligou o computador. – Faz um favor pra mim? Vai buscar o café dele? Eu tenho que terminar as coisas de ontem.
— O-Ok.
— Você deve saber como ele gosta, certo?
— O que isso quer dizer?
— Ué, vocês não foram casados por anos? Então, ali embaixo tem um Starbucks. Café preto bem quente com um muffin de chocolate. Vai Kyungsoo, não enrola.
Em alguns minutos Kyung trazia tudo o que foi pedido e quando estava quase entrando na sala do moreno, Sehun o chamou.
— Onde pensa que vai?
— Levar...
— Não, ele é o meu chefe e eu sou o seu. Você e ele não tem nada a ver. Não mais.
Sehun pegou as coisas da mão do moreno e levou para Jongin. Kyungsoo estava estático. Aquilo soava mais como um aviso do que qualquer outra coisa.
— Bom, catalogue essa pilha de papéis aqui. – Sehun voltou e deixou uma quantidade enorme de papéis na mesa de Kyungsoo.
— Tudo isso? Pra quando?
— Não não, essa aqui também. E é pra ontem, então pode começar.
Kyungsoo mal sabia que o inferno na terra tinha começado para si. Começou a catalogar tudo o que Sehun mandou, contudo, era interrompido inúmeras vezes para realizar outras tarefas, algumas um tanto idiotas.
— Kyungsoo, ligue para o meu dentista e avise que eu não vou poder ir amanhã.
— Ok...
— Já ligou?
— Estou procurando o número.
— Aish. Eu vou sair para almoçar com o Jongin.
— Quando é o meu horário de almoço?
— Quando eu voltar.
— Ok.
É, mas Sehun saiu ao meio dia com o chefe e foi voltar lá pelas 15 horas. Haja fome. Kyung aprendeu que levar marmita de casa era o ideal e sempre comia escondido quando Oh saia.
Todos os dias, Jongin ignorava completamente seu ex. Era como se Kyungsoo nem estivesse lá para começo de conversa. Soo tentava dizer um “oi” tímido, mas não recebia nem um olhar de volta.
Enquanto era deixado de lado pelo ex, Sehun o abarrotava de coisas para fazer e sempre era completamente rude com o menor. Kyung não precisou de muito para descobrir que o loiro o odiava de todo jeito.
— Peça as contas. – Baek disse após ouvir quase dois meses de reclamação.
— Mas eles pagam bem Byun, não tem como pedir as contas.
— Lógico que tem, apenas procure outra coisa.
— É o que eles querem Baekkie, que eu desista.
— Bom, é uma escolha sua.
— Não tem como as coisas piorarem Baekhyun, simplesmente não é possível.
Ah se era possível. Numa tarde de sexta feira, o presidente de uma companhia que Jongin estava comprando chegou para a reunião. Sehun tinha avisado a Kyungsoo que tinha uma reunião com o chefe. Era para ter terminado e até agora nada. O presidente estava ficando ansioso e Kyungsoo de mãos atadas.
— Eu vou interromper a reunião deles, por favor senhor, se sente apenas um instante.
O presidente o fez e Kyung abriu a porta com toda a delicadeza que tinha em seu corpo, não fez um rangido. Ao entrar, Jongin tinha Sehun subindo e descendo em seu colo enquanto estavam sentados no sofá que tinha na sala do moreno.
O pequeno estava apenas assustado, parecia uma estátua. Viu a mão grande do ex na boca de seu assistente para que não fizesse barulho algum, depois de algum tempo, Jongin viu que o outro estava ali e apenas sorriu.
— Quer gravar? Tirar foto? Ou vai continuar só olhando? – Sehun olhou para trás e foi sair do colo de seu chefe, mas Jongin o segurou pela cintura – Não se atreva Hunnie. O que você quer Kyungsoo?
— O p-presidente da... companhia que o senhor está comprando chegou a algum tempo, está impaciente.
— Diga a ele que em alguns minutos eu termino a minha reunião.
— Sim senhor.
Antes mesmo que Kyung tivesse saído da sala, ouviu um gemido de Sehun chamando Jongin de “hyung” do jeito mais manhoso que podia.
— Ele já está terminando lá, só mais alguns minutos senhor. – Soo disse ao sair daquela sala. “É isso o que eles fazem sempre que estão em reunião?” Este pensamento passou por sua cabeça.
— Você está bem? Está com cara de choro menino. – O presidente questionou.
— Ah, é alergia ao ar-condicionado. Vou me retirar só um instante. – Kyungsoo sorriu fraco e se trancou no banheiro para chorar.
“Idiota, você é um idiota. Por que está chorando por isso? Faz tanto tempo!” Kyung só saiu do banheiro quando teve certeza que seu rosto não demonstrava nenhum sinal que havia chorado.
Ao voltar para sua mesa, o presidente já estava em reunião com Kai e Sehun continuava seu trabalho.
— Se você contar para alguém- – Oh começou a ameaçar, mas foi interrompido.
— Não vou contar.
— Ótimo.
Pareciam que as coisas no emprego só tinham piorado. A cada dia, Kyung era humilhado de uma forma diferente por Sehun. Este ficou muito mais perverso e Soo se sentia sozinho.
As coisas mudaram um pouco quando Sehun pegou uma gripe muito forte e faltou.
— Kyungsoo – O pequeno olhou assustado ao ouvir Jongin o chamar de sua sala – Venha aqui.
— Sim senhor.
— Sehun está de cama. Não vai vir por uma semana, talvez mais. Você vai fazer o trabalho dele.
— Sim senhor Kai.
— Termine os relatórios de desempenho que ele começou.
— Ok senhor.
— Quero o meu café em 10 minutos e agende algum lugar do seu gosto para almoçarmos.
— O senhor e quem mais?
— Ora, eu e você. Preciso resolver umas coisas com você.
— Ah sim, desculpe. Com licença.
— Kyungsoo? – O pequeno se virou para o chefe – Adoro ver você se sentindo tão pequeno como eu me senti quando você partiu.
— Sobre isso, olha...
— Pode ir.
— Mas eu-
— Tchau. Vai trabalhar.
Kyungsoo deu mais uma passada no banheiro, mas foi para chorar. Onde estava seu Jongin? Aquele romântico, carinhoso. Seria isso o efeito de Do Kyungsoo nas pessoas? Transformar o homem mais querido de todos num grosseiro e sem coração?
— Onde diabos está meu café? – Jongin saiu da sala berrando e viu que Kyung não estava ali, então foi até o banheiro e viu a porta trancada – Kyungsoo, abra a porta.
— E-Eu já estou saindo... – Soo disse com a voz embargada.
— Está chorando?
— Não é que...
— Abra a porta.
— Só um instante.
— Agora!
O pequeno destrancou a porta e Jongin abriu, vendo os olhos inchados e o nariz vermelho do outro. Foi quase um impulso, mas Kai puxou Kyungsoo para um abraço, este agarrou a camisa branca do chefe e se permitiu chorar.
— Eu fui maldoso com você? – Jongin perguntou e viu o outro fazendo que sim com a cabeça – Não fiz nem metade do que eu queria fazer. Foi pouco, muito pouco.
— P-Por que e-está me abraçando e-então?
— Porque eu sou idiota Kyungsoo. Sou totalmente idiota. Se recomponha, se não aguentar o tranco, eu acho alguém que aguente.
— Desculpa.
— Vai buscar o meu café.
— Estou realmente arrependido da forma que eu te tratei Jongin.
— Vou ser bem sincero com você Kyungsoo. Eu não acredito em uma palavra que sai dessa sua boca. Pare de chorar e vai buscar o meu café.
Jongin passou o polegar debaixo dos olhos de seu ex para tirar as lágrimas de lá e deu um tapinha em suas costas, então vou a sua cadeira se xingando internamente por tê-lo abraçado. O plano não era esse, era até rir do coitado se estivesse em lágrimas.
Enquanto a semana passava, o clima entre os dois ia melhorando muito. Kyungsoo até conseguiu ver o sorriso de Jongin algumas vezes e a cada dia ia se lembrando o porquê foi tão apaixonado por este homem.
Sehun voltou e percebeu a aproximação dos dois, então fazia questão de tocar em Jongin o máximo que podia, contudo, estava exagerando. Chegou ao ponto de puxar o chefe para um beijo na frente de Kyungsoo, e o dono da empresa o empurrou.
— O que diabos você está fazendo Sehun? Pra minha sala. Agora.
Kyung segurou o riso e continuou fazendo o seu trabalho. O pequeno tinha acabado de encontrar uma maneira de irritar Sehun: se tornar melhor que ele tanto na empresa, quanto com Jongin.
Soo começou a chegar mais cedo e adiantar seu trabalho, então acabava fazendo o de Sehun também. A diferença é que Kyung estava trabalhando melhor que o mais novo, e Jongin estava notando que os relatórios do seu ex-marido eram muito mais completos.
Com quase 6 meses trabalhando lá, teve um dia que foi melhor que todos os outros. O dia que Jongin chamou atenção de Sehun.
— Sehun, você calculou tudo errado! – Kai dizia aos berros – Imagina se a gente perdesse essa negociação? Tudo errado Oh Sehun! Eu quero te mandar pro olho da rua!
Jongin falava tão alto que algumas pessoas pararam pra olhar. Sehun sentia seus olhos queimarem por conta das lágrimas que se formavam ali.
— E agora Sehun? O cliente chega em duas horas e o que eu vou fazer? Dizer que não tenho como apresentar o projeto? Você quer perder seu emprego?
— N-Não.
— Senhor Kai... – Soo chamou baixinho.
— O que é Kyungsoo?
— Eu tenho todos os relatórios prontinhos com os números certos... eu sempre faço para ficar de reserva.
— E por que os de Sehun estão errados?
— Ele não me deixa rever o que ele faz... então...
— Tá vendo Sehun! Você que deveria ser o assistente do Kyungsoo, não o inverso! Vem Kyungsoo, traz o seu material, você vai apresentar tudo comigo.
Kyung entrou na sala de Jongin e viu o chefe a trancando para não serem interrompidos.
— Ai que ódio!
— Jongin... quer uma massagem? Você gostava tanto...
— Quero.
O moreno tirou o palitó e se jogou no sofá, Kyungsoo sentou atrás de seu chefe e começou a massageá-lo.
— Vai dar certo, eu tenho os dados corretos.
— Eu tinha me esquecido como essas suas mãozinhas são mágicas.
— Eu fiz um curso de massagem para poder te agradar, nunca esqueci do que aprendi.
— Foi um dinheiro bem gasto.
— Ahm, eu posso fazer uma pergunta que não tem segunda intenção nenhuma? – Soo perguntou.
— Pode.
— Você... está fazendo academia? É que antes você odiava tanto.
— As coisas mudaram Soo, eu mudei. Academia tira meu estresse.
— Ok então... vamos trabalhar...
Lógico que Sehun não aceitou nem um pouco a cena que Jongin fez e descontou tudo em Kyungsoo. Este trabalhava cada vez mais duro para superar o loiro. Não era apenas uma questão de competir com o atual namorado de Jongin, Kyungsoo queria se redimir de alguma forma. Doía nele ver que o carinhoso Kim Jongin virou tão rude e adotou outro nome.
— Amanhã eu tenho uma reunião muito importante na empresa que fará fusão com a nossa. – Kai disse.
— Eu já estou programado para ir com você. – Sehun respondeu.
— É, mas você não vai. Vou te dar outra coisa pra fazer. Kyungsoo, você vem comigo.
— E-Eu?
— Você. Algum problema?
— Não senhor.
— Mas... – Sehun quis interromper.
— Sem “mas” Sehun, o Kyungsoo tem feito o trabalho dele e o seu. Ele está melhor preparado, ele que vem comigo.
— Jongin... eu tinha reservado o hotel, era o último quarto – O loiro tentou mais uma vez fazer o chefe mudar de ideia.
— Quarto? Como assim? – Kyung perguntou – A empresa não é daqui?
— Sim, a franquia é daqui. A matriz é a quase duas horas de avião. – O chefe explicou – Vou usar a reserva que você fez, Kyungsoo e eu nos viramos. São apenas 3 dias.
— Tre-Tre-Três dias? – O menor tinha os olhos arregalados – O-Ok, eu vou pra casa... arrumar minhas coisas.
— Você não terminou seu trabalho! – Sehun quase berrou.
— Faça você o que ele não fez. – Jongin disse.
— Mas ele é meu subordinado, não o seu. Eu que mando no Kyungsoo.
— Ah é Oh Sehun? E você responde pra quem? Se coloque no seu lugar. Eu que mando aqui, garanto que se você não quiser obedecer, eu encontro alguém que queira em cinco minutos. Kyungsoo, você está dispensado, vai arrumar as coisas, eu vou pegar o seu contato e combino o horário de estar no aeroporto.
— S-Sim senhor.
Não tinha nada mais gratificante para o menor ver Jongin dando aquela comida de rabo em Sehun, claro que metaforicamente falando.
Como a reunião já era no dia que sucederia aquele, naquela noite Kyungsoo já estava no aeroporto esperando seu chefe. O pequeno tinha se acostumado a ver seu dongsaeng com roupas sociais, e quando viu Jongin chegando com uma calça jeans, moletom e um cachecol, teve que sorrir.
— O que foi? – Jongin perguntou.
— É estranho te ver com essas roupas.
— É, mas são duas horas de vôo, não tem porque usar terno e gravata.
— Eu sei, fica bem em você. – Antes que Kim pudesse dizer algo, Soo continuou – Você tem certeza que-
— Tenho.
— Mas você não me deixou terminar de-
— É, mas eu tenho certeza.
— Sehun vai ficar bravo.
— Eu não ligo mais, não é da minha conta. Vamos, está quase na hora.
Kyung quis perguntar o que Jongin quis dizer com aquilo, mas se calou. Claro que as cadeiras eram uma do lado da outra na primeira classe. Por ser de noite, serviram o jantar e em questão de duas horas, estavam em seu destino.
— Nós só vamos ter um problema Kyungsoo, eu liguei para o hotel 300 vezes. Está tudo lotado e tem apenas o meu quarto. Amanhã eu posso tentar achar outro...
— Nós... vamos dividir o quarto?
— Só por hoje, amanhã eu posso procurar outro lugar pra você ficar mais confortável.
— E-Eu não me incomodo Jongin, não é como se a gente nunca tivesse dormido junto...
— Ok então, qualquer coisa me avise.
O moreno fez o check in, um tomou banho após o outro e foram se deitar. O clima estava meio estranho. Kyungsoo deu graças a deus pela cama ser bem grande e deitou de costas para Jongin.
— Soo.
— Hm?
— Você está quase caindo da cama... vem mais pra cá. Eu não vou fazer nada.
— Está bom aqui.
Jongin empurrou de leve o outro, mas por estar bem na pontinha, foi direto pro chão. Kyungsoo ficou bravo, mas viu pela primeira vez seu ex-marido gargalhar.
— Para com isso Kyunggie, deita aí logo.
“Kyunggie”
Kyungsoo sentiu seu coração apertar. A quantos anos ele não ouvia esse apelidinho? Dessa vez o menor se deitou de frente para Jongin e bem mais perto. Eles se olhavam e o mais velho podia jurar que ia acontecer alguma coisa, mas o moreno virou de costas.
— Amanhã temos que acordar cedo, boa noite.
— Boa noite Nini.
Foi a vez do coração de Jongin pular uma batida. Kyungsoo era o único que o chamava assim.
* * * * *
No dia seguinte, ambos acordaram extremamente cedo e foi uma correria só. Kyungsoo ajudava seu chefe com tudo o que era necessário, nunca esteve tão concentrado em toda sua vida. Só no período da manhã e da tarde foram quatro reuniões, todas negociando e negociando. Jongin queria comprar a empresa, por isso estava dando tanto trabalho.
A noite ainda jantaram com os donos do lugar, e só voltaram para o hotel quase meia noite.
— Jongin, vai tomar banho que eu fecho aqui no notebook os detalhes de amanhã.
— Espero que realmente acabe amanhã.
— Vai sim, vai dar certo.
O moreno deu um aperto leve no ombro de Kyungsoo e o deixou trabalhar mais um pouco enquanto tomava seu banho.
— Soo, terminei, pode ir.
— Ok... – Kyung entrou no banheiro, mas viu que esqueceu a cueca – Jongin eu esqueci...
— Hm? – Kai estava só com a calça do pijama e era a primeira vez que Kyungsoo via seu corpo depois de tanto tempo treinando – Esqueceu o que?
— A... cueca, isso.
— Essa? – Jongin pegou a veste que estava em cima da cama e deu pro outro – Você está bem?
— Cansado, só.
Kyungsoo trancou a porta e correu para o banho. Ao voltar para o quarto, viu que Jongin já estava deitado.
— Vem. – O moreno pediu falando baixinho.
— Jongin... eu posso perguntar uma coisa pessoal?
— Pode.
— Você e o Sehun...
— Não temos mais nada. Terminamos a semanas, ele queria vir na viagem pra ver se a gente podia voltar.
— Hmm, entendi.
Houve uma troca de olhares, Kyungsoo mordeu o lábio inferior e foi se virar de costas, mas Jongin esticou a mão e pretendia tocar em seu rosto, porém desistiu. O mais velho pegou a mão de seu chefe e a levou até sua bochecha, então fechou os olhos.
Jongin fez um carinho com o polegar e Kyung afastou o rosto apenas para beijar a palma de sua mão.
— Kyungsoo...
— Eu sei, tudo bem. Boa noite Nini.
— Não é que eu não quero, só... acho melhor não.
— Você está certo.
Soo virou de costas, mas logo sentiu Jongin o abraçando. O menor não sabia o que fazer, apenas colocou sua mão em cima da do moreno.
— Só uma vez? – Jongin perguntou – Para a gente matar a saudade.
— Não quero só uma vez. Vamos dormir Jongin.
— Kyungsoo... você não sente falta? Da gente, de quando a gente namorava? Eu odeio isso Soo, odeio. Você foi tão...
— Filho da puta, eu sei.
— Pois é! E mesmo assim, eu sou um imbecil por você.
— Nini, eu nem sei explicar, eu sempre me senti tão mal... não tenho desculpa. Eu sinto tanta saudade de quando a gente namorava, bem no comecinho. Era tudo tão perfeito, me desculpa por ter estragado tudo. – Disse ao se virar de frente para seu chefe.
Jongin viu os olhos do menor encherem de lágrimas e o beijou, Kyungsoo não demorou a responder. O maior movia seus lábios com um certo desespero e Kyung tentava puxar seu ex para mais perto, não queria espaço nenhum entre os dois corpos.
O beijo só foi separado para a camiseta de Kyungsoo ir ao chão. A língua de Jongin já abusava da semelhante do outro. Assim que o menor foi puxar a calça de Jongin para baixo, este o interrompeu.
— Espera, assim não. Vai ser do meu jeito.
— Por favor Nini, faz do seu jeito. Eu sinto tanta saudade.
Jongin assentiu e desacelerou o ritmo de tudo. Ele ia mostrar a Kyungsoo que não poderia ficar sem ele tanto tempo assim. Foram anos sem receber o tipo de amor que só Kim Jongin sabia dar.
Com o moreno, Soo aproveitava cada beijo, cada toque. Jongin conhecia tudo que seu ex-marido gostava ou não, então tomou seu tempo para tomar aquele corpo para si. Kyung não conseguia dizer nada, pedir nada, de sua boca só saía sons que mostravam ao moreno o quanto ele gostava de tudo aquilo. Jongin preferia ser mais silencioso para ouvir seu pequeno, porém, naquela noite, respondia a Kyungsoo quanto sentia falta dele.
— Nini... isso foi tão bom. – Kyungsoo sorriu e o abraçou – Eu sabia que meu Jongin ainda estava aí, não era só esse “Kai”.
— É o que dá ficarmos anos longe um do outro.
— Nunca mais, nunca mais vamos fazer uma burrada dessas.
— Kyunggie, eu não sei se estou pronto ainda.
— Não Nini, dessa vez eu não vou inventar nem metade da merda que eu fiz antes. Quando voltarmos eu vou procurar outro emprego para não ter que depender do seu dinheiro de jeito nenhum. A gente vai se encontrar, começar do zero. Vamos dividir todas as contas ao meio e eu juro que nunca vou fazer nada que faça você desconfiar de mim. Nada amor.
— Começar do zero?
— Sim, a partir de amanhã vamos recomeçar. É como se nem nos conhecêssemos.
— Bom, então vou aproveitar hoje à noite, porque esse papinho aí me diz que vamos ficar um tempo sem transar.
— Vamos mesmo. Primeiro vem um encontro, talvez uns quatro até a gente transar de novo.
— Ok, vamos fazer de novo. – Jongin foi beijar o menor, mas ele o empurrou.
— Jongin! Você vai esperar.
— Eu sei como te convencer Do Kyungsoo. Eu te conheço como a palma da minha mão.
— Aham, ok.
Kyung cruzou os braços e virou de costas para Jongin, que o abraçou, deu alguns beijos em seu pescoço e falou baixinho em seu ouvido.
— Soo... a gente podia ir tomar um banho né? Você sempre gostou tanto, não tem saudade? Lembra de quando a gente tomava banho junto? Você sentava no meu colo na banheira, então eu passava a mão no seu corpo. E as vezes que a gente fez no chuveiro? Eu juro Kyunggie, você geme mais alto e rebola com mais vontade. Hm? O que acha?
Kyungsoo respirou fundo, já sentia seu membro ganhar vida.
— Tá, uma vez no banho. Vamos logo.
Jongin sorriu vitorioso. Kyungsoo continuava exatamente o mesmo. Sem tirar nem por.
* * * * *
— Anda Soo!
— Espera! Eu tenho que me arrumar, não é assim!
— Mas enfia a camisa social dentro da calça e vamos logo!
— Jongin, você é o dono daquela merda pelo amor de deus! Você é o único que pode se atrasar.
— Aish.
— Vai colocar água pro Seong pra mim.
— Não sei como esse gato ainda tá vivo. Tô falando que esse bicho não é do bem. Vai viver mais que todos nós!
— Aish como reclama do meu amorzinho.
— Ata Do Kyungsoo, ata.
Após voltarem daquela viagem, Kyungsoo pediu as contas. Jongin disse que talvez fosse possível conciliar as coisas, mas o menor não aceitou, não queria colocar o relacionamento deles em risco, afinal, ele que arruinou o casamento da primeira vez.
Eles fizeram exatamente o que faziam no comecinho de tudo. Vários encontros, tudo passo a passo, sem ultrapassar qualquer farol vermelho. Quem não ficou muito contente com essa história foi o Sehun, que inclusive se demitiu de tanta raiva que teve ao saber que os dois estavam juntos de novo.
Kyung arranjou outro emprego bem rapidinho pois Jongin o recomendou. A palavra desse homem era ouro no ramo empresarial, então o menor não teve problemas.
O relacionamento caminhava lentamente, Jongin tinha todas as dúvidas que ele tinha direito de ter devido aos acontecimentos anteriores, contudo, Kyungsoo se provava cada vez mais digno de confiança. O que eles tinham pareciam ser muito mais forte.
Passado quase seis meses de namoro, Jongin chamou Kyungsoo para se mudar com ele. Dessa vez, as contas eram divididas em dois, com exceção do condomínio que o mais novo fez questão de pagar. Claro que havia uma diferença gritante entre o salário dos dois, por isso o moreno não se incomodava de encher seu namorado de mimos, contudo, Kyungsoo não caiu na ganância anterior.
— Jongin, eu fiz uma coisinha e você vai me xingar.
— Meu deus Do Kyungsoo.
— É um presente. – Kyung estendeu a mão com um envelope. Jongin olhou veio desconfiado e o abriu, então tirou duas passagens de avião.
— Vamos à Florença?
— Sim... mediante a uma condição...
— Que condição? Kyunggie, eu não gosto que você gaste tanto assim.
— Eu juntei dinheiro só pra isso. A condição está dentro do envelope, abre a mão e vira ele.
Jongin fez o que lhe foi mandado e caiu uma aliança dourada em sua mão. Kyung estendeu a sua mão esquerda e mostrou que usava o seu anel, aquele que fora dado a muito tempo atrás. O pequeno tinha achado as alianças antigas nas coisas de Jongin a quase um mês atrás. O moreno nunca tinha se livrado delas.
— Você está pedindo para casar comigo? E essa é a nossa lua de mel?
— Sim... eu sei que estamos só a seis meses juntos, mas todo aquele tempo antes e... você aceita?
— Ah não, eu te pedi bonitinho. Pode se ajoelhar aí.
Kyungsoo riu e pegou a aliança da mão do moreno, então se ajoelhou e disse.
— Kim Jongin, você aceita se casar comigo?
— Sim Kyunggie, eu aceito.
Eles se abraçaram e deram alguns beijos. O mais velho prometeu que nada seria como antes, não queria nem uma segunda festa de casamento, só a lua de mel seria suficiente.
A cada dia, Jongin voltava a ser aquele rapaz apaixonado de antes, sua confiança em Kyungsoo voltava aos poucos. Já Kyung podia sorrir cada vez mais ao ver “Kai” desaparecendo e seu doce Jongin o enchendo de mimos.
— Nini, você acredita em destino?
— De certa forma. Eu acho que se você não tivesse terminado comigo, eu não teria me tornado um empresário tão bom, você não teria mudado e o que temos hoje não seria possível.
— Eu acredito que se você não tivesse se vingado, eu não teria percebido tudo que eu perdi.
— Ei! Eu não me vinguei.
— Por deus Jongin, você me fez te chamar de “senhor”!
— É, foi bem engraçado. – Jongin riu e recebeu alguns tapas de Kyungsoo. Como ambos estavam na cama, o moreno abraçou seu marido com força para se livrar dos tapas.
— Engraçado né? Você me fez chorar!
— Kyungsoo, você não sabe o quanto eu chorei por você também.
— Bom, isso tudo já passou. Eu queria te dizer uma coisa Nini: eu nunca amei alguém como eu amo você.
Jongin sorriu e deixou a cabeça e seu marido repousar em seu peito, então acariciava os cabelos lisos do mesmo.
— Eu te amo Soo, você é tudo pra mim. Mais importante que o dinheiro, que a empresa, que tudo.
— Jura?
— Eu juro.
Naquela noite Kyung pode dormir com a certeza que seu marido tinha o perdoado completamente, esta dúvida sempre rondava seus pensamentos. Enquanto Jongin o tinha nos braços, o mais velho tentava esquecer as maldades que fez, porque se seu marido esqueceu, Kyungsoo já poderia parar de se culpar por elas e seguir a vida.
“Para os erros, perdão. Para os fracassos, uma nova chance. Para amores impossíveis, o tempo”
Para Kyungsoo e Jongin, dali para frente seria apenas amor e nem uma pontinha de vingança.
–
Notas finais: Espero que tenham gostado, na verdade eu queria que a fic tivesse um final "triste". não sei, talvez mais desconfiança do Jongin, contudo, a proibição desse plot era final triste, então deixei tudo na paz, mas espero que tenha ficado tão bom quanto haha <3
Descrição do plot: Kyungsoo se casou com Jongin anos atrás por interesse, mas quando os negócios do marido não dão certo ele o larga e parte seu coração. Anos depois Kyungsoo finalmente arranja um emprego numa companhia, e descobre que o dono é ele mesmo, seu ex marido. Numa versão mais bonita e melhorada e definitivamente mais rica. E quem sabe... Vingativa.
–
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Avisos: Insinuação de sexo, sexo, mpreg (gravidez masculina), nudez, homossexualidade.
Sinopse: Do Kyungsoo é um homem extremamente pragmático, que mesmo amando o marido, mantém um relacionamento extraconjugal com seu melhor amigo, Kim Jongin. No entanto, eles haviam ido longe demais, e, inevitavelmente, era chegada a hora de um ponto final ser colocado àquela história impudica, mesmo que seus corações sangrassem em contrapartida.
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Capítulo Único – Caminhos Opostos
“Então, por que o amor foi embora?
Eu simplesmente não consigo entender
Pensei que fosse eu e você, baby
Eu e você até o fim
Mas acho que eu estava errado”.
What Goes Around Comes Around – Justin Timberlake
O barulho incessante dos corpos suados e abrasadoras, batendo um contra o outro, ecoava dentro do quarto parcialmente escuro. Os gemidos e afares eram um misto de prazer, saudade e despedida.
Kim Jongin deixava lamúrias incoerentes escapar pelos seus lábios inchados e maltratados pelos incontáveis beijos trocados, enquanto Do Kyungsoo, arfante, arremetia-se firmemente dentro de si, apertando suas coxas possessivamente, marcando sua pele acobreada, sacudindo seu corpo naquele ato de luxúria.
Naquele momento eles eram um só, e o mundo fora daquelas quatro paredes era completamente inexistente; apenas o prazer maciço os controlava, o qual deveria ser saciado, e somente à ele respondiam com demasiada devoção pungente.
Beijos e mordidas eram plantados pela pele de Jongin, que gemia despudoradamente, ao passo que Kyungsoo continuava movendo-se sobre ele e dentro dele, levando-o ao limiar da insanidade.
Bruscamente a posição de corpos fora trocada, pois eles queriam prolongar aquele momento ao máximo.
Jongin, uma bagunça demasiada incoerente, respirando desregular, posicionou-se sobre o membro teso de Kyungsoo, deslizando sem pressa, arrepiando-se ao ser novamente penetrado, sentindo o pênis pulsante do amante preenchendo-o por inteiro. Subindo e descendo levemente, olhando fixamente para aqueles olhos tão expressivamente apaixonantes, e que devolviam o olhar insano de desejo.
Kyungsoo agarrou a bunda farta e firme do amante, incentivando-o a mover-se com mais rapidez, o que fora totalmente negligenciado, já que Jongin iniciou uma lenta e cadenciada dança erótica ali mesmo, rebolando as nádegas proeminentes como um claro desafio e insulto, aproximando o rosto ruborizado e roubando um beijo, que segundos depois estava sendo correspondido de bom grado, faminto e lascivo.
Kyungsoo sorriu por entre o beijo de forma prepotente e sádica, e em um movimento passionalmente calculado moveu o quadril repentinamente, metendo o seu pau profundamente no interior quente de Jongin, estocando-o firme e forte de forma rápida e descontrolada, enquanto seu amante tinha o membro esmagado por entre os corpos úmidos.
Surpreso pelo ato repentino, Jongin ofegou pesadamente entre o beijo, para logo em seguida perder-se entre gemidos incontáveis e gradativamente altos, quicando, cavalgando com maestria, enquanto jogava a cabeça para trás, completamente rendido às sensações entorpecedoras que Kyungsoo causava-lhe.
Resmungando palavras ininteligíveis e sôfregas, Jongin inclinou-se em direção a Kyungsoo, aproximando seu rosto febril, encarando os lábios do amante. Ah, aqueles lábios pecaminosos que o deixavam completamente insano! Tomo-os rapidamente, sendo instantaneamente correspondido em um beijo voraz, e recostando a testa na de Kyungsoo ao fim do mesmo.
Olhos nos olhos. O desejo latente e uma profusão de sentimentos conflitantes os ligavam.
— Kyungsoo — Jongin gemeu seu nome languidamente, anunciando que estava em seu limite. Seu semblante era carregado de expectativas mal disfarçadas, desejando estender o momento por quanto tempo fosse necessário até Kyungsoo entender que o que tinham era real, concreto, e não um passatempo com prazo de validade certa.
— Shii! — Kyungsoo repreendeu-o afavelmente, tomando seus lábios em seguida. O ósculo tinha um gosto ambíguo. Ambos sentiam seus corações traiçoeiros serem despedaçados aos poucos, em prenúncio inevitável do fim. — Vamos apenas aproveitar, sem pensar no depois! — ditou resolutamente, sorrindo para o amante, que retribuiu o sorriso, mesmo que por dentro estivesse uma desordem incoerente.
Aquela seria inevitavelmente a última vez em que se encontravam, tinha que ser assim, pois eles já tinham ido longe demais.
Existia uma terceira pessoa nesta história que estava completamente à margem daquele relacionamento clandestino, e esse alguém era o motivo das lágrimas e soluços indignados que, inevitavelmente, viriam assim que aquele ato libertino terminasse.
Jongin, porém, aproveitava-se de cada toque, cada pequeno gesto do seu pseudo namorado, instigando-o a prosseguir com sua minúcia sobre mim, temendo o momento em que ele viraria as costas e se fosse para sempre.
Em contrapartida, Kyungsoo estava apenas resignado, ele era o errado afinal de contas, o comprometido da história. Fora exatamente ele quem decidira arrumar um amante, que fazia, como papel secundário, a imagem de seu melhor amigo, e enganava com omissões e mentiras mesquinhas o próprio marido.
Então, sem mais adiamentos ou desculpas esfarrapadas e desmazeladas, era chegada a hora de um ponto final ser colocado naquele longo e impudico relacionamento.
Do Kyungsoo e Kim Jongin eram indubitavelmente dois cretinos passionais presos nas teias das próprias mentiras inescrupulosas.
Enquanto ambos entrevavam-se descaradamente ao prazer que os dominavam, lá fora o crepúsculo já havia tomado conta do dia, e as horas estavam esvaindo-se mais rápido do que eles realmente desejavam. O sabor dos lábios um do outro parecia extremamente diferente, pois tinha um quê de utopia desregrada e nefasta. Era apenas um fim irredutível, as vírgulas intermináveis que os ligavam estavam deliberadamente chegando ao fim.
Com mais algumas estocadas trêmulas e incessantes, o êxtase fora alcançado. E com as testas ainda coladas, mesclando a respiração descontrolada um do outro, naqueles ínfimos instantes, enquanto ainda sentiam aquela ligação puramente carnal, o mundo a volta deles aos poucos voltava aos eixos; dando as caras, a realidade inevitável fazendo-se presente e trazendo consigo o prenúncio de conclusão.
Kim Jongin sentia-se preso em uma redoma de sensações extasiantes, porém tentando convencer-se gradativamente que, por mais que não fosse seu desejo, estavam prestes a se separar definitivamente. Ele sabia que essa hora chegaria, os sinais que havia recebido através de cada gesto de Kyungsoo afirmavam isso, mas não era como se realmente estivesse preparado.
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Kyungsoo recostou o dorso nu, composto por gotículas de água adquiridas do banho recém-tomado, na parede em frente a grande cama, que minutos atrás, fora palco de mais um dos atos sensuais e libertinos que ele e seu amante realizaram.
Olhou analiticamente para o amontoado de lençóis em nostalgia precipitada, enquanto levava o cigarro aos lábios fartos, sentindo o sabor amargo da nicotina impregnando seu paladar. Tragou-o e em seguida observou pacientemente a fumaça cinza oscilando a sua frente com um fascínio verdadeiramente masoquista.
— Achei que tivesse parado de fumar — Jongin surgiu repentinamente ao seu lado, pegando o cigarro das suas mãos e levando aos próprios lábios. Seguiu em direção à janela, desfilando seu corpo parcialmente desnudo, encarou a noite escura rapidamente, voltando sua atenção novamente a Kyungsoo, enquanto arqueava uma sobrancelha e sorria.
— É apenas mais uma recaída — Kyungsoo rebateu dando de ombros, ignorando o sorriso ladino que o amante lhe lançara, observando-o expelir a fumaça levemente.
— Uma hora suas recaídas chegarão ao fim. — Jongin afrontou trazendo, veladamente, finalmente o assunto que estavam tentando adiar ao máximo à tona.
Kyungsoo sentia a ambiguidade da declaração do amante, e não poderia retrucá-lo de forma contrária, sendo assim tentou ignorar os olhos cravados em si, certamente a espera de uma negação da sua parte, e começou a vestir metodicamente a sua roupa.
— Está tarde, preciso voltar para casa — Kyungsoo anunciou calmamente, ou pelo menos tentando, já que sabia como aquela conversa se desenrolaria.
Um breve silêncio se fez, até a risada seca e jocosa de Jongin cortá-lo grosseiramente.
— Então, é assim que tudo acaba? — Jongin indagou, sua voz ganhando um tom desolado e inerte, como se implorasse por mais uma mentira, que certamente não viria. — Eu simplesmente não consigo entender — comentou um tanto disperso em pensamentos perturbadoramente inconclusivos e apaixonadamente erráticos. Não haveria mais volta! Seu subconsciente gritava em conclusão, porém ele decidira ignorá-lo desafiadoramente. — Este é o nosso adeus? — perguntou enfático, sentindo um nó preso na garganta. — Uma foda de despedida e você acha que tudo ficará bem?
— Jongin... — Kyungsoo tinha como objetivo repreendê-lo pela cena ridícula que ele ameaçava fazer, mas sua própria fala saíra estrangulada. Respirando fundo, mesmo com as mãos parcialmente trêmulas, conseguiu abotoar a calça, e prosseguiu o mais seguro que conseguiu: — Eu amo o Baekhyun.
— Esta é uma declaração, ou está tentando convencer a si mesmo? — Jongin contrapôs irônico.
Kyungsoo bufou irritado e apanhou a camisa social, que estava jogada sobre a escrivaninha, vestindo-a a seguir, atrapalhando-se um pouco com os botões.
— Não podemos continuar com isso — respondeu entre dentes, sentindo os olhos lagrimejarem. Não deveríamos nem ter começado!, pensou aflito. O caminho até ali fora cheio de atribulações e escapadas suspeitas. — Fomos longe demais — murmurou desgastado. A imagem do seu marido impregnando a sua mente caótica: o sorriso doce, a risada contagiante e o semblante sereno, definitivamente tudo no marido era atrativo e Kyungsoo não tinha dúvidas sobre amá-lo ou não. Baekhyun simplesmente o conquistara, tão facilmente e arrebatadoramente que às vezes parecia como se eles estivessem juntos desde sempre. Era para ser afinal, ao contrário do que vivia com Jongin, que era inteiramente errado! Um relacionamento extraconjugal, que em sua concepção nunca deveria ter acontecido. — As coisas mudaram e precisamos seguir rumos diferentes — afirmou mordendo os lábios, a tensão totalmente presente naquele momento decisivo.
As coisas mudaram...
O relacionamento secreto deles não era mais tão secreto assim, já que Chanyeol, seu cunhado, o havia descoberto. Além do mais, tinha o fato novo e inquestionável de Baekhyun estar grávido, e essa informação fora um divisor de águas para finalmente Kyungsoo acordar para a realidade e tentar concertar a burrada que estava fazendo.
Jongin fungou, e Kyungsoo apertou os lábios e fechou os olhos firmemente amaldiçoando a si mesmo por toda aquela situação.
— Antes de isso tudo começar eu era o seu melhor amigo — Jongin falou com a voz quebrada. — Agora eu sou seu segredinho sujo e você está me expulsando da sua vida — respirou fundo, enquanto lágrimas grossas deslizavam por sua face apática. — Eu deveria ter desconfiado que nada acabaria bem, não para mim — riu sofregamente. — Ele é tudo o que você queria, não é? Baekhyun é perfeito!
— Não torne as coisas piores do que já estão sendo — Kyungsoo pediu, mesmo sabendo que não tinha nenhum direito de fazê-lo. Um bolo estava preso em seu estômago, seu peito dolorosamente comprimido, e lágrimas também molhavam seu rosto.
— É você quem está me fazendo chorar, a nós dois! — Jongin gritou dolorosamente. — Está partindo o meu coração.
Kyungsoo suspirou. Encarou o terno em suas mãos e o vestiu rapidamente decidido a ir embora daquele lugar o mais depressa possível e evitar mais drama, mas algo dentro de si imperava por mais alguns minutos, mesmo que estivesse cometendo um erro, mais um de muitos.
Olhou de relance para o espelho na parede ao lado da cama, encarando seu reflexo perdido.
Kyungsoo era um dos melhores advogados criminalistas do país, mas, agora, de nada sua pose segura e impenetrável servia-lhe. Ele estava destruído e odiando-se por fazer o mesmo a alguém com quem tanto se importava. Kim Jongin era seu melhor amigo há anos, então uma noite qualquer a amizade tipicamente cordial alcançou um patamar perigoso. Eles deveriam ter parado no primeiro beijo, mas tudo parecia tão indagativamente instigante, viciante e desproporcionalmente pecaminoso, que uma coisa levou a outra e já estavam tendo aquele caso de infidelidade há quase três anos.
Entretanto, Baekhyun estava esperando um filho de Kyungsoo, e entre lágrimas de felicidade e completude, que ele derramara ao receber a notícia, também viera o baque da certeza absoluta de que teria que pôr um fim definitivo nos atos extraconjugais que praticava. Kyungsoo estava constituindo sua família, e Kim Jongin não fazia parte dela.
— Esse relacionamento estava fadado ao fim desde o início, Jongin — Kyungsoo decidiu ser o mais seco possível, afinal, ele era o vilão da história, ser gentil ou não deixara de ser uma opção há muito tempo. Não existia um meio termo para aquele fim, não existiam meias palavras, apenas a verdade concretamente dolorosa. — Além disso, você está prestes a ir embora — ressaltou rapidamente, lembrando a viagem que Jongin faria com sua companhia de dança em poucas semanas. — É o melhor momento para um término.
— Você pode vir comigo! — Jongin exclamou aproximando-se de Kyungsoo, abraçando-o possessivamente e desesperadamente, escondendo o rosto no pescoço do mesmo, inalando seu aroma único.
— Não — Kyungsoo negou sorrindo triste, abraçando o corpo de volta, colando-o junto ao seu. — Você sabe que não posso.
— Kyungsoo... — Jongin sussurrou apelativo.
Kyungsoo meneou a cabeça negativamente.
— Acabou!
— Eu não quero ficar sem você!
— Nunca deveríamos ter nos envolvidos dessa forma, Jongin. — Kyungsoo sentenciou categoricamente. — Eu sempre fui apaixonado por você, mas agora eu estou casado com alguém que realmente amo — fechou os olhos, sentindo o corpo contra o seu estremecer. Ele estava sendo cruel, mas era a única forma de ser finalmente entendido. — Tudo entre nós dois sempre foi muito explosivo e passional, mas agora eu preciso de calmaria, e é com ele que eu consigo isso.
Jongin soluçou, afastando-se um pouco do abraço, apenas para encarar Kyungsoo nos olhos, confrontá-lo sem medo. Em seguida, beijou-o com toda a paixão e desespero que havia em seu ser.
Ao fim do ósculo, que tinha verdadeiro gosto amargo de despedida, Kim Jongin sorriu um tanto maldoso.
— Tudo que vai, volta. Um dia você irá descobrir que viveu uma mentira ao lado dele — afirmou, seu tom de voz completamente duro. Ele não estava recebendo gentilezas, então não precisava retribuí-las, seu coração estava sendo dolorosamente estilhaçado, e Jongin apenas queria causar dor também. — Não é de uma vida pacata que você precisa, é de mim. — sentenciou. — Um dia você pode receber na mesma moeda tudo o que está fazendo agora, e eu não estarei mais aqui para você.
Após um breve silêncio de reflexão, os, agora, ex-amantes, separaram-se. Não existia mais nenhum sentimento de paixão e cumplicidade que os ligava, sobraram apenas migalhas inexpressivas de uma longa amizade que fora negligenciada e afetada por um desejo insano e findável.
— Adeus! — disseram em uníssono. O silêncio da noite fora testemunha da conclusão daquela história. Sorrisos fracos foram trocados. Olhos conectados uma última vez, intensos e significativos. Fora uma rápida e singela troca de olhares. Depois apenas viraram as costas um para o outro, seguido caminhos diferentes.
Era o fim!
–
Notas finais: -
Descrição do plot: Kyungsoo encontra-se em um dilema interno: continuar traindo o marido com seu melhor amigo, ou acabar com esse romance clandestino e salvar seu casamento.
Betada por Nathalia Prado
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Sinopse: Há tempos Baekhyun percebeu que possuía sentimentos pelo seu melhor amigo, porém as coisas ficaram complicadas quando Kyungsoo passou a se interessar por Sehun; o líder do time de futebol da escola.
- Baekhyun, você não está me ouvindo!
Reclamou Kyungsoo, para o amigo que parecia estar em outro universo.
- O que estava dizendo?
Focou o olhar no amigo e encontrou seu sorriso doce. Sabia que Kyungsoo falava sobre Oh Sehun, o garoto que todos queriam, mas ninguém era suficiente para ele.
- Vamos colocar nosso plano em prática.
- Qual plano?
- Baekhyun! - Disse mais alto que seu tom, chamando atenção de algumas pessoas ao redor. - O plano para eu conquistar o Sehun.
- Ah, esse plano. - Disse, vendo o amigo revirar os olhos. - Eu vou estar ocupado essa semana, não vou poder ajudar.
- Mas você me prometeu.
- Eu sei, mas ocorreu um imprevisto.
- Qual?
Pensa rápido, Baekhyun.
- Ah, minha mãe. Ela ficou doente, e precisa de ajuda com a contabilidade da empresa, é muita coisa, você sabe.
Kyungsoo suspirou, sabia que muitas vezes Baekhyun ajudava na empresa da família, já que fazia administração, então era seu ramo. Não podia obrigá-lo a ajudar.
- Tudo bem, eu me viro.
- Kyung, só não se envolva demais, tá?
- Como assim?
- Eu sei que você só quer o Sehun, porque ele fala com você e disse que te acha bonito. Mas não força, pra não se magoar depois.
- Ah, por favor, ele vai ser meu namorado no final disso tudo.
Disse sorrindo ao amigo. Baekhyun sabia que quando Kyungsoo colocava algo na cabeça, ele não tirava até conseguir. E dessa vez não seria diferente.
Entretanto, Baekhyun não queria se envolver nesse assunto, ele conhecia o jeito badboy de Sehun e não queria ver Kyungsoo sofrendo por ele. Outro, Baekhyun não queria fazer parte disso, porque havia uma chance de dar certo e ele próprio não queria sofrer.
Para Baekhyun, era torturante ver Kyungsoo falar sobre como desejava outros meninos e nunca sobre si. Afinal, Baekhyun nutria um sentimento do qual não se orgulhava por Kyungsoo; apaixonado pelo melhor amigo, o quão ridículo isso soa?
Mesmo que quisesse o amigo feliz, Baekhyun não ajudaria em algo que machucaria seu coração.
Três dias depois.
Sentados no gramado perto do campo da faculdade, Kyungsoo tagarelava sobre como Sehun ficava gostoso na roupa apertada de futebol americano. Baekhyun já se cansara de quantas vezes ouvira a mesma coisa, tanto que se deitara no gramado com um livro sobre o rosto.
- Não finja que está dormindo, Byun Baekhyun!
Disse Kyungsoo, tirando o livro de seu rosto.
- Você não sabe falar de outra coisa, a não ser do quão grande a bunda do Sehun é?
O amigo riu, enquanto Baekhyun bufava e se sentava.
- Na verdade não, olha pra ele.
E Baekhyun olhou. Olhou de verdade e procurou o que tanto Kyungsoo gostava, o que tanto Kyungsoo elogiava e ansiava tocar.
- Não tô vendo nada.
Disse e recebeu um tapa fraco no braço, seguido de um riso baixo.
- Você tem que parar de ser chato. Quando se apaixonar vai ficar igual ou pior a mim.
- Você está apaixonado? Por aquilo?
E apontou para o líder do time de futebol, que corria pelo campo com a bola nos braços. Oh Sehun era um bom jogador, bom líder, bom amigo, bom aluno, bom em tudo na verdade.
- Talvez. O que você acha?
Kyungsoo se virou para encarar Baekhyun.
- Acho que você está louco.
- Precisamos arrumar alguém pra você. Se conseguíssemos alguém do time do Sehun, poderíamos sair nós quatro juntos.
- Nem pensar.
- Por quê?
- Olha, se você quer o Sehun tudo bem, mas não me mete nessa.
Disse, juntando seus livros e saindo do campo. Ouviu Kyungsoo gritar seu nome algumas vezes, mas não lhe deu atenção.
Baekhyun sempre lidou bem com seus sentimentos, talvez levar foras durante toda a adolescência tenha o ajudado a se manter firme diante de tudo. Mas ali, ouvindo as palavras de Kyungsoo, ele percebeu que não aguentava mais e estava prestes a explodir.
Entrou no banheiro masculino, largando os livros em cima da pia e se encarando no espelho. Não era tão bonito como Sehun, mas era apresentável; não era tão inteligente, mas sempre tirava notas boas e nunca ficou de recuperação.
Então, porque Oh Sehun e não ele?
Abriu a torneira e jogou a água fria em seu rosto, ouvindo vozes e gritos se aproximando. Sabia que era o time de futebol, já que provavelmente acabara o treino. Secou o rosto com o papel próprio para isso e quando juntava seu material, ouviu a voz de Sehun.
- Baekhyun, certo? Você é amigo do Kyungsoo não é?
Perguntou, enquanto Baek o olhava pelo espelho. Confirmou com a cabeça, se apressando em sair dali.
- Você pode me fazer um favor?
Perguntou Sehun, segurando levemente no braço de Baekhyun.
- O que quer?
- Pode dizer para o Kyungsoo me encontrar depois da aula, na biblioteca?
Respirou fundo e fingiu que a frase de Sehun, não fez doer algo dentro de si.
- Eu aviso ele.
Disse baixo e nem se preocupou se o outro havia ouvido, apenas saiu do banheiro indo para a cantina.
Ficou lá por um tempo, o segundo tempo era livre em seu curso, então ficava por ali estudando ou comendo. Mas naquele dia, Baekhyun não estava disposto a fazer nada disso, digitou uma mensagem rápido a Kyungsoo, dizendo que Sehun queria encontrá-lo.
Como era de costume, após sua aula Kyungsoo seguia até a cantina para encontrar Baekhyun e não havia sido diferente aquele dia.
- Ele falou isso mesmo? - Questionou Kyungsoo, não acreditando no que Sehun dissera. - Mas ele não falou o porque?
- Eu já disse, Kyung. Ele quer te encontrar na biblioteca, você está perdendo tempo aqui comigo.
Disse, fingindo anotar algo no caderno. Viu Kyungsoo levantar e se sentar ao seu lado.
- O que houve com você? Baekhyun, você nem conversa mais comigo.
- Como eu vou conversar, se você só abre a boca pra falar do Sehun?
Disse, mais alto do que gostaria. Viu o amigo fazer uma careta confusa, e sabia que ele iria querer explicações.
- Você está com ciúmes dele? - Perguntou, sua mão indo ao ombro de Baekhyun. - Eu nunca preferiria ele a você.
- Eu sei. Vai falar com ele.
Respondeu simplista, não queria prolongar o assunto; sabia que se continuassem, ele falaria demais e poderia perder a amizade de Kyungsoo e isso ele não queria.
Quatro horas depois.
A campainha de Baekhyun não parava de tocar, este que acordara a pouco de um cochilo a tarde, se levantou xingando quem quer que estivesse na porta.
Quando abriu a porta, deu de cara com Kyungsoo e algumas sacolas em mãos. Olhou o relógio em seu pulso e constatou que eram quase cinco da tarde.
- Tá fazendo o que aqui?
- Vou dormir aqui hoje.
Disse, já entrando e colocando as sacolas em cima da mesa de centro de Baekhyun.
- Não lembro de termos conversado sobre isso.
Disse Baekhyun se sentando no sofá, observando Kyungsoo se espalhar no chão.
- Pois é, como você mesmo disso, nós não conversamos, eu só falo sobre o Sehun.
Disse Kyungsoo olhando o amigo com um sorriso compreensível. Abriu uma das sacolas e tirou um pote de sorvete de flocos de lá, sorrindo como uma criança. Baekhyun foi até a cozinha e pegou duas colheres, sentou ao lado de Kyungsoo no chão, dando-lhe a segunda colher.
- Como foi com Sehun?
Perguntou Baekhyun, enquanto dava uma colherada no sorvete.
- Não vamos falar sobre ele hoje.
- Logo você começa a falar dele.
- Eu tô falando sério, Baekhyun. Eu decidi dar atenção pro meu melhor amigo, que não merece ficar me ouvindo falar sobre chatices.
Bom, se Kyungsoo dizia, quem era Baekhyun para discordar.
- Okay.
Sem que percebessem, passaram horas conversando e rindo. O pote de sorvete durante menos de uma hora e logo eles já atacavam os doces e salgadinhos que Kyungsoo trouxera. Após conversas bobas, decidiram ver um filme no quarto de Baekhyun.
- Eu amo sua cama.
Disse Kyungsoo deitando todo esparramado na cama de Baekhyun. Não tinha nada demais, era só uma cama, mas Kyungsoo a via como se fosse um paraíso.
- Vem, deita comigo.
Disse, puxando o amigo pelo braço. Baekhyun caiu na cama macia, sentindo os braços de Kyungsoo ao seu redor.
- Eu percebi algo hoje.
- O quê?
Baekhyun virou o rosto e só então notou o quão próximos estavam.
- Eu não estou apaixonado pelo Sehun, como disse.
- Você está falando dele de novo.
Riu, sendo seguido de Kyungsoo.
- Juro que é só isso.
- Tudo bem.
- Eu me encontrei com Sehun na biblioteca, conversamos, demos uma volta pela rua e ele me deixou em casa. Eu achei que meu coração iria disparar, que minhas mãos suariam, que eu sentia aquelas borboletas no estômago como dizem, mas eu não senti nada. - Disse, as mãos de Kyungsoo alisavam o cabelo sedoso de Baekhyun, enquanto ele falava. - Sehun é uma ótima pessoa e vai se tornar um grande amigo meu, mas é só isso.
- O quê?
- Ele é hétero, Baekhyun.
Disse Kyungsoo fazendo o amigo cair na gargalhada e se sentar na cama.
- Mentira né?
- Eu sei, super engraçado.
Comentou, rindo também.
- Seu discurso estava bonito, até eu saber que o Sehun é hétero.
- Tava né? Eu te disse que estudar português faz bem.
Baekhyun riu alto, por um instante se sentiu mal por estar rindo na situação e se preocupou com Kyungsoo.
- Mas você tá bem com isso?
- Estou, como eu disse, quando ele contou que era hétero, eu não fiquei frustrado ou chateado, na verdade eu tive a mesma reação que você, eu ri muito. E com isso, eu percebi que o que eu sentia por Sehun, não era amor, era sei lá..
- Atração fisíca.
- Isso. Porque, convenhamos ele é lindo, sendo hétero ou não.
Baekhyun revirou os olhos como de costume e riu, deitando novamente ao lado de Kyungsoo.
- Então, você está na pista de novo?
- Estou bem no centro dela.
Riu, observando Baekhyun deitar de frente para si.
- Acho que estou sobre o efeito dos doces.
E antes que Kyungsoo, pudesse questionar o que aquela frase significava, viu Baekhyun se aproximar e logo sentiu os lábios do amigo sobre os seus, em um selinho discreto.
Kyungsoo sorriu e percebeu que tudo o que ele achava que sentiria com Sehun, sentia com Baekhyun, só nunca havia se dado conta disso.
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Notas finais: -
Descrição do plot: Kyungsoo é o garoto tímido que tem um crush em Sehun e pede a ajuda do amigo (baekhyun) para conquistá-lo, mas Baekhyun já tem um crush nele.
Betada por Alice Vitória
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Sinopse: Jongin poderia ser ainda uma criança para Kyungsoo e Junmyeon, mas sabia mais da vida que muita gente grande.
Em uma mania que tinha atribuído desde que tinha mudado para aquela casa, Kyungsoo passou pela casa apagando as luzes. Alguns diriam que era uma economia mínima, mas eles estavam entrando no terceiro mês consecutivo no vermelho.
Alguns cortes eram necessários, o mercado estava focado mais nas necessidades, e mesmo que soubesse que talvez Jongin gostasse de comer um dos seus doces favoritos, ele ainda faria um sacrifício em alegrar a criança... Afinal, Jongin nunca teve culpa de nada. Kyungsoo passou pelo quarto da criança, e verificou que ele estava dormindo, como um ursinho embolado na coberta. E, mesmo diante todas as dificuldades, era ver Jongin e Junmyeon, que ele sabia que poderia enfrentar o mundo.
O último lugar iluminado na casa era a sala, era miúda como os demais cômodos, mas mesmo assim, em cima da mesa estava completamente bagunçada com os cadernos de Jongin e lápis de cor, além de outros artigos de papelaria. Era uma graça observar o menino com os olhos amendoados lendo com atenção o que a ‘tia’ pedia para fazer como lição de casa... O pai tinha alguma desconfiança sobre a visão do mais novo, porém, esse era um dos assuntos que teriam que entrar na lista de prioridade – e ela já estava enorme.
Não bastava o trabalho exaustivo naquela padaria, o fazendo acordar antes mesmo das galinhas, e o trabalho do seu esposo na siderúrgica, ambos ainda se desdobravam para serem bons pais.
Mas era tudo muito difícil, principalmente no interior do país. As pessoas o encaravam com certa repulsa, e conseguir o emprego na padaria tinha sido uma grande sorte, já que muitos não o ajudava por conta da sua orientação sexual. O salário era pequeno, e junto com o valor que Junmyeon recebia na fábrica eles conseguiam se virar, e era assim desde o início... “Os dois contra o mundo”, e consequentemente, os dois se tornaram três quando o casal conseguiu a guarda de Jongin...
Junto a seu companheiro, Kyungsoo tentava ao máximo mostrar ao filho que tudo estava bem, que mesmo com os olhares tortos quando os três saiam na rua ou alguns pais evitando de conversar consigo nas reuniões no colégio e alguns comentários maliciosos que recebiam, ele ainda assim era agradecido por tudo, que mesmo com os poucos recursos, existia uma coisa que aquela nunca faltava: o amor.
Suas mãos deslizaram pelos cadernos do menino, fazia algum tempo que não conseguia acompanhar as lições de casa ou o desempenho na escola, e ele abriu o caderno observando a letra meio torta e com algumas palavras erradas, mas ainda assim, ele achava a coisa mais linda. Existia alguns textos colados no caderno e algumas perguntas referentes a ele respondidos, seus olhos vagaram por algumas redações escritas, de como tinham sido as férias ou dissertações sobre desenhos animados do interesse da criança.
Aqueles textos e respostas era como conhecer um outro Jongin, uma criança que apesar da pouca idade tentava se mostrar madura e correta, mas ainda não tinha abandonado por completo o seu lado infantil – E Kyungsoo desejava que isso ainda demorasse para acontecer.
Mas foi em um texto em especial que os olhos do Pai travaram em medo. “Disserte sobre a sua família”.
Kyungsoo estaria mentindo se falasse que não estava com medo de ler as palavras sinceras do filho... Ele tinha medo de não serem suficientes para o garoto... Medo do Jongin não gostar deles... Ele tinha muito medo...
Seus olhos vacilaram por uns segundos, antes de tomar coragem para ler a redação.
DISSERTE SOBRE A SUA FAMÍLIA
Eu tenho dois papais. Algumas pessoas acham que é errado ou estranho, mas eu amo muito eles, e é isso que importa. Sei que não sou filho-filho mesmo deles, mas o meu papai Do explicou que apesar disso, nós temos um lanço muito forte, nós temos amor. Os meus papais me pegaram quando eu era um bebezinho, logo que eu nasci, e eu sei que isso causou muitos problemas para o meu papai Suho, pois eu não conheço a minha avó, nem meu avô, nem nenhum outro parente dele. Isso me deixa triste às vezes, pois eu sei que meu pai também fica triste com isso. Os meus pais trabalham muito, muito mesmo. Tem dias que eu acordo e só vejo o papai Do quando ele me busca no colégio bem de tarde, e tem dias que eu vou dormir e não vejo meu papai Suho chegando em casa.
O meu papai Suho diz que o papai Do parece uma corujinha, e eu também acho. Ele acorda de manhã bem cedinho, quando as corujas ainda estão no voando pelo céu, e sai de casa bem quietinho para não acordar a gente. Ele trabalha como padeiro, e ele faz os melhores pães do mundo! Às vezes ele me leva para o trabalho e me deixa ajudar, eu aperto a massa e faço alguns formatos legais de pães, mas o papai diz que aqueles pães não podem ser vendidos, pois são muito especiais. Eu não acredito nisso, acho que ninguém iria querer comprar pães diferentes... As pessoas não parecem gostar do diferente. Por que os adultos são tão chatos?
O emprego do meu papai Junmyeon, o nome dele parece de velho, por isso o meu outro papai o chama de Suho, é em uma indústria... Ele nunca me levou lá, e diz que é muito perigoso para crianças da minha idade. Poxa, eu tenho quase dez anos! O papai Suho tem que usar uns moletons e umas roupas legais no trabalho, e tem até mesmo o nome dele e do lado escrito AB que ele me disse ser o sangue dele ou algo do tipo. Além da roupa legal, ele usa um capacete e óculos muito grande, que podem até ajudar a tampar o nariz... Mas eu sei que o trabalho dele é muito cansativo, quando ele chega em casa não consegue nem brincar comigo um pouquinho e muitas vezes eu já estou na cama para dormir, mas consigo escuta-lo mexendo nas panelas para comer e até mesmo o meu papai Kyungsoo indo falar com ele.
Os dois conversam baixinho, e as vezes eu saio da cama escondido para escutar. Eles sempre falam o meu nome, de como eu me comportei, como foi o meu dia, se eu estou bem. Os dois se preocupam comigo, muito, e eu também me preocupo com eles. Quando eles se beijam, eu fecho os olhos e volto para cama, não quero que eles saibam que eu sei o que está acontecendo, de como as pessoas podem ser más com os meus papais ou como o meu papai Suho sente falta da família.
Se os meus papais se amam, porque as pessoas implicam com isso? Eu sei que os meus pais não são iguais ao do Jongdae, que andam na rua juntinhos e de mãos dadas e ninguém se importa com isso, mas eles também têm o amor que os pais do Jongdae também sentem. O fato deles dois homens juntos não me deixa triste, o que me deixa triste é o mundo não entender. Os meus pais são um casal, mas não agem com os outros, e eu sei que isso os deixa aborrecidos. E também me deixa aborrecido.
Eles dizem que eu sou muito novo para entender algumas coisas da vida, que eu ainda sou uma criança. Mas eu acho que os adultos complicam muito as coisas, o tempo sempre é curto e corrido, não há espaço para diversão.
Eu só queria que meus pais fossem felizes. Sei que eles se amam, mas sei que os dois trabalham muito, pois precisam ter dinheiro para poder comer, pagar o aluguel e cuidar de mim. Queria que eles sorrissem, pudessem agir igual aos pais do Jongdae... Mas eu nunca os trocaria pelos pais do Jongdae, nunca. Não me importo em ganhar brinquedos novos ou roupas novas, eu só queria que a felicidade deles. Pois os meus papais são as pessoas que eu mais amo no mundo inteiro e sempre irei amar.
[...]
Quando Junmyeon chegou naquela noite, Kyungsoo ainda estava acordado, ainda sem tomar banho, no sofá da sala. A luz estava apagada, mas isso não o incomodava, era bom para pensar.
E mesmo sem que o mais velho entendesse, Kyungsoo lhe entregou o caderno de Jongin, o qual segurava contra o peito desde que leu a redação. Seu rosto ainda estava vermelho pelas lágrimas que caíram, mas o seu coração estava cheio de amor.
– Isso... Foi o Jongin que escreveu? – Junmyeon perguntou meio desnorteado.
Kyungsoo confirmou com a cabeça, e abraçou o esposo. O Título de Esposos não era valido legalmente, mas para os dois, eles era mais do que simplesmente casados, eles dividiam uma união plena. E Jongin era o fruto daquele amor, mesmo que não possuíssem o mesmo sangue, mesmo que eles escondessem que Jongin era filho da irmã mais nova de Kyungsoo que não o quis...
– Não importa como as coisas fiquem difíceis, Jongin nos ama, da forma que somos... Ele é o nosso tesouro.
Mesmo que Jongin estivesse dormindo naquela hora, ele e seus pais tinha plena certeza, que juntos eles superariam tudo, superariam o mundo.
Pois o amor que era nutrido naquela casa era mais forte que o ódio que o mundo destilava, as desigualdades sociais que presenciavam ou até mesmo preconceito que sofriam. Jongin podia não entender muito do mundo dos adultos, mas ele tinha plena certeza que o amor que recebia dos seus pais era mais forte que tudo.
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Notas finais: Obrigada por lerem <3
Descrição do plot: História narrada do ponto de vista de Jongin, que escreve uma redação para a escola falando sobre a profissão de seus pais e sobre o amor entre os dois.
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