Se eu pudesse te perguntar algo, te perguntaria se consideras justo. Se pensas ser realmente justo, tu que tanto falas sobre reciprocidade, que tanto advogas sobre responsabilidade afetiva, fazer-me crer ser tua amiga e depois desapareceres sem aviso. Se considera verdadeiramente justo, relatar-me teus problemas, beber de meus conselhos sem nunca preocupar-se com o meu bem-estar, esquivando-se de qualquer possibilidade de ouvir minhas mazelas. Quero saber se é de fato assim que o mundo gira, se são mesmo estes teus princípios; se são minhas expectativas que estão desajustadas ao esperar ouvir de ti com mais frequência depois de tuas reclamações sobre eu não te considerar meu pisciano favorito. Peço tão além de ti por querer saber se estás bem? Sou realmente tão injusta ao esperar um aviso prévio a tua partida? Um simples "tenho de ir" sem explicações e por quês? Pergunto-te isso, pois volt'e meia acusa me de julgá-lo, de tratá-lo com injustiça, e isso é o que menos desejo ver em meu caráter, esse pecado não quer minh'alma carregar. Se for realmente tão injusto de mim e tão correto de tua parte, por favor, avisa-me, quero em mim evoluir e de ti saber o que esperar. Melhor, quero parar de esperar. Quero parar de andar com pressa e olhos baixos, evitando ver-te nos corredores. Quero parar de buscar nas notificações um sinal que sei que não vai vir. Quero parar de pensar em ti com amargura e de arrepender-me dos minutos que despedi ouvindo tuas dores e tentando costurar suas feridas. Quero parar de sentir-me menos, ver insignificante perante a ti. Peço-te isso no fundo, sem nenhuma esperança de que isso aconteça e já me conformando que é assim essa relação: uma amizade unilateral; um coleguismo frouxo; uma interdependência complexa e assimétrica. Peço-te isso escrevendo-te aqui e não dizendo-o em tua face por saber que quando esquecer-te você volta, pede ajuda. E sendo quem sou, te ajudo. — Mas você não faria o mesmo. Carolina, Doce-e-Forte












