Fui apaixonada por saciar a minha sede por pressa durante muito tempo. Na verdade, a saciedade nunca foi sentida, porque o desejo por praticidade me movia e não suportava a ideia de ficar estacada em um canto somente para apreciar sensações. Movia-me para obter o que? Desejava ganhar algum troféu? Não. Troféus não são úteis, pelo contrário, preciso de minhas mãos livres para produzir. Sim, essa foi minha conclusão: Não é inteligente carregar troféus. A ilusão da honra é algo retrógrado.
Foi aí que me sentei e pensei: Estou correndo atrás do que?
Meu coração acelerou e comecei a chorar desesperadamente porque eu vi. Havia visto ali que não perseguia. Estava fugindo. Fugia como um veado que avista a mais faminta onça.
Parei de fugir e instantes depois senti os dentes afiados em minha garganta. Lembro-me de ter pensado: Aqui minha vida se encerra.
A onça tirou a boca de meu pescoço e eu pude olhar em seus olhos. O susto dela era o meu susto. Eu não morri e a onça já não mais se interessava em me devorar.
Já não corro mais. Não há quem me persiga e não há o que perseguir. Estou parada no meio da floresta e isso me assusta, porque apesar de estar viva, ainda sangro e temo que a onça esteja escondida no alto de alguma árvore esperando que eu morra para devorar minha carne.
A parte mais difícil não foi ser atacada. A parte mais mais difícil está acontecendo agora, em que preciso tremendamente ferida, parar, pensar e responder: Qual meu próximo passo?
- Adelaide J.















