O prefeito de Khadel se sente honrado em ter DILARA KAPLAN, como moradora de sua excêntrica cidadezinha. Aos seus VINTE E NOVE ANOS anos, ela é bastante conhecida pelos vizinhos como A MILITANTE. Dizem que ela se parece com ASLIHAN MALBORA, mas é apenas uma ADVOGADA. A ausência do amor em sua vida, deixou LARA um pouco IMPACIENTE e RANCOROSA, mas não lhe atormentou o suficiente para deixar de ser DETERMINADA e SINCERA. Esperamos que ela encontre a sua alma gêmea, quebre a maldição da cidade e consiga ser feliz!
Vinda de uma família em que o lucro é priorizado acima de tudo, e a harmonia familiar só pode existir quando todos abaixem a cabeça para as decisões com as quais não concordem, Dilara é a tempestade que veio a surgir entre os Kaplan. Com uma língua afiada, opiniões fortes e um senso de certo e errado que nunca a permitiu aceitar os comentários do pai e do avô com facilidade, sempre quis encontrar um lugar no mundo em que não fosse limitada pela existência de ser a filha mais nova de Kerem Kaplan. Nunca esteve em seu destino ser desfilada entre os bailes beneficentes da família, ser exibida como um rosto bonito, postura delicada e etiqueta exemplar, e nem todo o esforço do pai — ou os apelos de uma mãe apaziguadora — conseguiram dobrá-la.
Quando criança, era rebelde e repleta de opiniões, mas os mais velhos acreditavam que era apenas uma fase, e na adolescência Lara encontraria o seu bom senso, assim como os irmãos. Nunca consideraram que seria uma possibilidade para a liderança da vasta empresa de construção civil da família — afinal, é uma mulher —, mas estavam certos de que encontraria um excelente caminho em uma profissão que se bastaria até o momento de encontrar um marido adequado — quando o seu espírito sossegaria. Não poderiam estar mais errados, com a força dentro de Lara somente crescendo conforme descobria sobre o mundo, e assuntos como feminismo, exploração de trabalhadores — que observava acontecer na empresa da família, onde principalmente trabalhadores imigrantes eram explorados com salários baixíssimos — e concentração desigual de renda a captavam cada vez mais.
As relações familiares de Lara sempre foram complicadas, entretanto, era em sua mãe que ela desejava mais encontrar um porto seguro, e nunca o encontrava; o controle de Kerem sobre Yasemin era notável durante toda a sua vida, e doía para ela enxergar como uma estrela antes tão brilhante como sua mãe — que era uma advogada corporativa, antes de largar tudo para se tornar mãe e esposa do lar — vinha se apagando cada vez mais com o passar dos anos. Ao mesmo tempo, não evitava incômodos quando a escutava tentando incentivá-la a viver uma vida como a sua, a encontrar no papel de boa esposa e de filha delicada a verdadeira satisfação de sua vida. Elas possuem uma relação complexa, em que Dilara se detesta quando percebe que está culpando a mãe por reproduzir os padrões aos quais está presa, mas não consegue deixar de encontrar injustiça nas tentativas de trazê-la de volta para casa.
Nunca foi a filha favorita de Kerem, muito pelo contrário. Todavia, só quebraram os pratos de formas oficiais quando as opiniões de Lara começaram a circular em suas redes sociais, expondo o homem ao “ridículo”, o fazendo “passar vergonha” na cidade e “cuspir no prato em que comeu”, tendo o estopim quando começou a exercer a sua recém iniciada profissão de advogada em uma ONG relacionada com a proteção dos direitos humanos e trabalhistas — “coisas de vagabundos” . Como uma cartada final, o homem ameaçou cortá-la da herança familiar e eliminar os auxílios financeiros, imaginando que desistiria e isso a corrigiria. Tão acostumada com os privilégios de sua família quanto alguém que sentia vergonha em reconhecer poderia, Dilara não teve dúvidas de que aceitar um centavo a mais do pai seria condenar a si mesma a viver sob o controle dele. Então, o deixou ir adiante em sua decisão e passou a viver por conta própria.
Ao longo de sua trajetória como advogada, encontrou a sua verdadeira vocação e paixão na ajuda das mulheres em situações de vulnerabilidade. Com o tempo, acabou mudando o seu foco e, embora ainda assessore algumas questões necessárias da ONG em que trabalhava, em Siena, está se envolvendo cada vez mais em processos que auxiliem mulheres passando por divórcios complicados, saindo de relações abusivas e que necessitem de ajuda para lutar judicialmente pela guarda de seus filhos. Ainda está em um processo de transição entre sua área de trabalho, mas busca constantemente se atualizar e estudar, e sonha em algum momento abrir um escritório direcionado a isso.
Quanto à maldição de Khadel, não acreditou até não ter nenhuma outra opção que remetesse à racionalidade. Encontrava naquela história um mero conto de fadas, a justificativa que muitas pessoas precisavam para não assumirem responsabilidade umas com as outras, e considerava a si mesma a comprovação de que a maldição não existia. Nunca se apaixonou, claro, mas por nunca ter tempo para isso, não por existir uma bruxa cem anos atrás que estava disposta a deixar todos vivendo sem o amor. Acreditava que a explicação da ausência de paixões fortes em sua vida já vinha de seu histórico familiar, afinal, quem desejaria encontrar um amor tendo a imagem do casamento de seus pais, onde sua mãe sempre abdicou de tudo em prol de um homem que nunca se importou com ela? Dilara afirmava com certa frequência que morreria antes de se entregar de corpo e alma aos caprichos de outra pessoa. Quem diria que sofria de uma maldição, não de um simples bloqueio emocional?
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