Quando as pessoas vinham até Brad já imaginavam que não era para ouvir floreios ou jogar conversa fora. Provavelmente era por isso que ninguém o procurava, somente em ultimo caso ou quando não o conheciam e acabavam com a tarefa de ir até ele. Não que Bradford fosse uma má pessoa. Por mais que a fama falasse o contrário, mas entre seus amigos, ele poderia se considerar um dos mais pacíficos. Ele só evitava a todo custo as pessoas, mas então haviam pessoas como Leandra que ele convivera a vida toda, e era impossível de afastar. Claro, havia um ano que ela havia se afastado, mas Brad mesmo burro era inteligente o suficiente para não entrar naquele tópico. Só fingir que aquilo não havia acontecido e eles estavam como sempre trocando conversas ou tendo que sobreviver a igreja. Ele entendia a vontade de ir embora dali sem nem mesmo olhar para trás. Já havia considerado muitas vezes, e haviam poucas coisas que o prendiam. DJ, era uma delas. A ideia de deixar Sky a mercê de Tris também era outra. Não imaginava também largar seu outro amigo, Matt, pois não conseguia imaginar tendo outra pessoa como o menino fazendo amizade com alguém como Brad. E havia Leandra, que das pessoas era a que provavelmente mais o incentivaria a ir, ou pelo menos, ele esperava. “Ninguém até os quinze anos sabia quem era meu pai. Agora se as pessoas sequer desconfiam elas nem conseguem me olhar duas vezes, mas acho que prefiro isso a Sharkboy, realmente, Leah. What a shame.” Não pode evitar de dar risada com a comparação, e soltar um suspiro. Ele não era de rir, mas haviam momentos assim que ele gostava de aproveitar o momento e apenas dar risada. Provavelmente era isso o porquê das pessoas cultivarem amizades.
Pensou um pouco no que a garota havia dito, e seu olhar foi para si próprio e seus hábitos. Era fácil entender Leah quando via os reflexos de seu dever com a natação. “Entendi. Quero dizer, acho que sim. Gosto da água por causa disso. Se eu estou lá embaixo nada mais importa ou acontece. Por mais que, às vezes, eu tenha medo também.” O medo vinha algumas vezes. Uma dor que vinha algumas vezes que fazia Bradford sair correndo para vomitar. Quando aquilo acontecia ele evitava a agua um pouco e trancava-se em qualquer lugar para que ninguém o visse daquele jeito. Observou a maneira com Leah mudou a postura e bagunçou um pouco o cabelo da menina. “Faculdade? Não sei. Meu pai ainda não disse se quer ou não que eu faça. Se eu devo fazer administração ou contabilidade ou qualquer caralho que sirva para seguir aquele trabalho.” Só de pensar em tudo que teria que fazer, o que era obrigado a fazer. Brad queria se abraçar também, mas não era como se ele soubesse como fazer. “Se precisar de ajuda posso entrar lá como seu guarda costas, aposto que você conseguiria ganhar qualquer decisão do grêmio comigo lá. Os programas vão melhorar quando as pessoas deixarem de fazer mil esportes ao mesmo tempo e se concentrarem em apenas um.”
-- Eu gosto de Sharkboy! É autêntico -- Leah respondeu, com um sorriso. E realmente era. Não havia quem se comparasse a Brad numa piscina, ele provavelmente era mais tubarão do que humano, com certeza -- Eles me chamavam de Lady Leah. O que obviamente era uma piada com os meus... Modos não muito educados. Sharkboy era bem melhor -- Completou, deixando que sua mente vagasse levemente pelas histórias da infância -- Deve ser bom andar aqui sendo intocável. Confesso que eu também ia preferir isso -- O pai de Brad dava medo. Leah havia o visto poucas vezes, na igreja ou na recente empreitada de seu pai com Cliff Selwyn, mas sabia que ele não era o tipo de pessoa com quem se mexia. Não precisava se muito inteligente para isso. Mas Brad metia medo por si só, não precisava de um sobrenome pra isso, e Leah admirava aquilo no rapaz. Até mesmo invejava um pouco.
-- Acho que medo é bom, sabe? -- Comentou, uma hipótese que guardava mais para si mesma, mas sentia que Brad iria entendê-la até mesmo melhor do que a própria Leah entendia -- Mantém a gente vivo e impede a gente de ser idiota. Gente que tem medo demais não faz nada, mas quem tem medo de menos... Bom, você já sabe. Acho que a gente tem medo suficiente, e é algo pra se orgulhar -- Deu de ombros, enquanto as chamas queimavam as toras de madeira na frente dos dois. Às vezes era difícil, o mesmo medo que a impulsionava a realizar, a fazer e a acontecer, era a mesma que fazia suas mãos tremerem e a boca secar e o estômago doer. Mas funcionava, e era isso que importava. Quando Brad bagunçou seu cabelo, Leah riu, sentindo-se plenamente confortável. Finalmente. Era um sentimento que ela não estava acostumada, mas ela nunca estava acostumada com sentimento nenhum, mesmo -- Contabilidade e administração... Você não tirou um F na prova do Patil? Sem querer ser intrometida, mas é que eu te vi no centro de tutoria e tudo mais... Essas coisas precisam de muita matemática, sabe -- Observou. Tinha uma leve ideia de que Brad não era uma pessoa muito antenada no mundo acadêmico, e não faria muito mal compartilhar um pouco de seu conhecimento excessivo no assunto -- Podíamos pensar nisso, sabe? Em escolher algo pra você -- Completou, virando-se para Brad. Sabia como era se sentir presa a uma coisa, uma obrigação familiar, uma sina. Não desejava isso para ninguém e se tinha a oportunidade de ajudar alguém nisso, não havia porque desperdiçar -- Guarda costas... Será que é errado dizer que eu gostei muito dessa ideia? -- Perguntou, mais para si mesma do que para Brad -- Quer dizer, ninguém diz isso pra nós jogadores, mas tecnicamente você tem que comparecer às reuniões dos programas de esporte porque é o capitão da equipe e tudo mais. Se quiser aparecer por lá e dar uma força nas minhas decisões totalmente democráticas e incríveis, seria demais -- Leah exclamou, com seus olhos brilhando em animação.