Desde o momento que leu no quadro de avisos sobre a colega de quarto, ela sabia sobre quem se tratava. Não que fossem amigas ou falassem com frequência. É que Wendy sempre estava na detenção com ela, até hoje não entendia direito o motivo daquilo e muito menos se importava. Possuía curiosidade, afinal não dispensava uma boa fofoca. Mas sobreviveria sem saber.
No ônibus fez parte da turma da bagunça, ou melhor, liderou a turma da bagunça com toda a cantoria e outras coisas que os mascotes da escola deveriam fazer. Alegrar o ambiente era sua função desde o nascimento, pelo menos é o que seus parentes mais velhos contam. Chega a ser engraçado ela ser toda “serelepe” enquanto os pais são mais frios que um iceberg, ligados no mundo dos negócios e desapegados a vida da filha.
Quando chegou no acampamento, tomou a dianteira. Não gostava de ficar esperando nada de ninguém, sempre foi independente e não seria ali que as coisas mudariam. De um jeito ou de outro sua colega de barraca teria de encontra-la, quando isso acontecesse a barraca estaria montada e ela poderia escolher o lado em que dormiria.
“Hey, Wendy!” Cumprimentou quando a menina aproximou dela, na face carregava seu melhor sorriso simpático. “Isso não é nada” moveu os ombros para cima e colocou a mão o bolso. Havia acabado de colocar todas as suas coisas dentro da barraca e estava prestes a explorar o acampamento “O que acha de darmos uma volta?” para aquilo dar certo, elas teriam de ser amigas. Não que Wandy brigasse com as pessoas ao seu redor, mas também não queria pouco contato com a colega.
Ela estava sentindo como o pior dos seres humanos, aquela tarefa era para ser feita em dupla e por ter ficado conversando com Mafalda, acabou deixando que a outra fizesse todo o trabalho por ela. Não era justo, teria de dar um jeito de compensar mais tarde. Talvez em alguma gincana, ou quem sabe, nas pequenas tarefas que terão de lidar no decorrer do acampamento.
Ao ver a simpatia que Wandy exalava, Wendy torceu para que suas amigas tivessem a mesma sorte que ela com as colegas de quarto. Duvidada muito por parte da Mafalda, já havia cruzado com Amelie algumas vezes pelos corredores e não fora com sua cara. Talvez fosse o fato de andar com o ex da melhor amiga, ou talvez pelo jeito dela se achar superior. A questão era que tinha pego asco da ruiva e duvidava que esse asco passasse tão cedo.
― Claro, porque não? ― Sorriu com o convite para dar uma volta pelo acampamento, ela realmente estava interessada em explorar o local. Como já haviam montado a barra, ou melhor, como Wandy já fez todo o serviço, possuíam tempo livre para passear por aí. ― Soube que tem várias trilhas legais por aqui ― Quando alguém começava a falar assuntos interessantes do seu lado na roda, Wendy tinha o péssimo costume de ouvir a conversa. Isso desde criança, nada escapava do seu radar de fofocas. Caso seja pega em flagrante ouvindo conversa, usa de desculpa o sonho de ser investigadora, dizendo que já está treinando para a futura profissão.