Os sentimentos nem sempre correspondem às palavras
Tenho tanto a dizer, mas ao mesmo tempo não tenho palavras.
Os sentimentos nem sempre correspondem às palavras.
Descrever sentimentos sempre foi um desafio. Nunca achei que meu vocabulário fosse o bastante. E agora é ainda mais difícil. Faltam, de longe, palavras.
Minha vida certamente é dividida em duas partes. Uma antes de te ver descendo as escadas de flanela verde indo na máquina de café e o depois.
Lembro-me de eu lendo uma carta que tu me dera perto do reveion de 2014. Eu estava em Tramandaí deitado no chão com os olhos cheio de lágrimas junto com o suor do entardecer quente enquanto eu me dava conta que eu estava diante das palavras escritas pelo amor da minha vida. Eu era muito jovem. Nós éramos. Mal sabíamos sobre sexualidade e muito menos sobre o amor. Éramos dois meninos se amando.
Eu não esperava aquela carta. Na verdade eu nunca esperei nada do que vivemos. Eu nem se quer havia pedido a Deus tudo o que tu significaste para mim. Sinto-me privilegiado por ter amado tanto e por ter sido tão amado. A nossa intensidade. Os momentos em que ficávamos tontos em ambiente públicos porque estávamos hipnotizados na profundeza dos nossos olhares. O nosso intimo, quando a gente se aproximava tanto e ainda queríamos ficar mais perto a ponto de ocupar o mesmo lugar no espaço ultrapassando os limites da física. Nossos corpos espremidos um com o calor do outro, mas a sensação de sermos um ser só. Foi aí que comecei a morada no teu peito. E foi aí que começou o que seria a época mais difícil da minha vida mais tarde. Deixar de habitar o peito de alguém que não me amaria mais anos depois.
Demorei a me acostumar com a ideia. De repente ainda estou me acostumando. Mas já é menor a quantidade de horas que penso em ti e converso com Deus sobre ti. É inevitável não lembrar o teu cheiro, teu jeito, como tu se move, tuas birras, o modo como tu cerra os olhos para falar de sentimentos e a forma linda como tu vê a vida. Para mim também é bizarro tudo isso e mesmo depois de tanto sofrimento eu estar aqui, te escrevendo, mais um texto, mais palavras tentando definir a vastidão do que eu sinto.
Claramente somos muito maiores do que parecemos. A nossa carne não é nem o começo do que somos. A nossa imagem não corresponde, nem de longe, o que a gente sente. Acho que é por isso que eu estou aqui. Tudo o que vivi contigo é uma vastidão energética infinita que ficará eternamente no infinito cósmico. Não há como mudar, nem como esquecer. Há como se acostumar que aquela infinitude já foi traçada e só aqui que temos a realidade de passado, presente e futuro. A grande verdade é que nós dois seremos infinitos juntos.
Eu agradeço por ter vivido essa experiência nesse corpo, nesse plano terrestre. Disponibilizei-me a viver e passar por toda felicidade, sofrimento e experiência que for necessário no meu grande talvez de que somos seres de luz passando por fases em planetas distintos até chegarmos à bem-aventurança. E eu sou muito grato por poder fazer parte do teu infinito e tu do meu.