-"Sorry", no entiendo. Yo hablo español.
-Ah! Então tu entendes um pouco de português também, né?
-Pode entrar. Estamos saindo agora, mas pode ficar à vontade.
Em seguida, eu e Renata (minha roommate) deixamos o quarto em direção à universidade.
Combinamos de toda sexta-feira deixar uma gorjeta para as "house keeping", como carinhosamente as chamamos de vez em quando, mesmo sabendo que esse nome não é o correto (o certo seria house keepers). O apelido é em apologia à batidinha seguida da voz cantada que escutamos toda manhã/tarde quando elas vêm nos prover um pouco de cuidado. O nosso recadinho era mais ou menos assim:
Sempre no final do dia haviam respostas de agradecimento e carinho. As semanas iam passando e a convivência com elas ia aumentando. Mas não tem como negar, tem algumas delas que são meio chatinhas, acho que devem estar de saco cheio de arrumar a zona de mais ou menos 60 estudantes brasileiros, mas uma delas, como falei acima, tem um poder especial de distribuir carinho e alegria por onde passa. O nome dela é Margarita, minha mamita, como a chamo carinhosamente. Margarita não é especial só pra mim. Ela é especial para toda a família 361 (Lili, Renata, Rafinha e Hugo). Sempre que chega nos nossos quartos, ela abre um sorrisão, chega botando tudo em ordem ao passo que vai nos perguntando como estamos, como vai na universidade e coisas do tipo. Ela nos aconselha, tem preocupações de quem tem cuidado conosco, pergunta por nós sempre que não estamos nos quartos (quando estamos na UM ou viajando). Um destaque especial vai para quando eu tô dodói, triste ou indisposta. Ela sempre vem com mil conselhos dizendo que remédios eu posso tomar, o que devo fazer pra melhorar e etc.
Bom mesmo é quando ela me conta das experiências de vida dela. Show demais! Ela se empolga, senta até na cama comigo e a gente passa um tempinho fofocando. Um dia desses eu tava ouvindo Led Zeppelin (Whole lotta love) no quarto quando ela chegou... Pra quê?? Ela ficou empolgadíssima, dançando, cantarolando e arrumando meu quarto enquanto nós duas ríamos, cantávamos e dançávamos para esquecer as tristezas. Ela me contou que lembrou muito de seu falecido marido com essa música. Pois é, nem sempre nossas conversas são só alegria. Às vezes ela lembra com tristeza ele e eu fico segurando o choro. Conta das saudades da netinha dela que mora em Cuba e que ela só vê uma vez por ano. Conta do filho, que é casado com a supervisora aqui do hotel, com o maior orgulho do mundo. Ela me mostra fotos da família, do cachorro, de suas férias e a gente fica comentando cada uma delas. Nessas últimas semanas ela teve um problema seríssimo por causa de um cálculo, que juntou com uma hérnia e que a diabetes dela tava fazendo o favor de atrapalhar também. Ô licença médica demorada! Dava uma tristeza quando eu abria a porta depois do "toc, toc, toc, house keeping" e não a via do outro lado... Mas ainda bem que ela tá melhorando. Toda vez que ela vem aqui eu fico tentando retribuir os cuidados dela perguntando como ela tá e mandando ela beber muita água. Mas bom mesmo é ouvir, quando ela tá indo embora, o seu habitual "mamita, cuida-te! Te quiero mucho!". Ah mamita... Que saudades você vai deixar!!